Eu preciso sair da rotina | ID#14

Frederico Mattos

por
em às | Artigos e ensaios, Id, Mente e atitude, PdH Shots


Fred,

Sinto que o meu namoro está fracassando. Já estamos juntos há dois anos e não consigo mais acender aquela chama, aquela paixão e vontade de estar juntos. Nós costumávamos sair bastante, fazíamos aulas, íamos a shows e baladas. Agora, parece que a convivência fez a coisa esfriar. Sequer tenho ânimo de convidá-la, pois parece que nada a deixa feliz.

Ao mesmo tempo, parece que o resto da minha vida também está um tédio. Meu trabalho me deixa cansado, não tenho mais saco e nem paciência para passar todos os meus dias fazendo uma coisa que parece não me levar a lugar nenhum.

Eu deveria mudar tudo? Fazer só o que gosto e me satisfaz? Devo terminar o namoro?

O que você me sugeriria para sair da rotina?

Meu caro,

Às vezes tenho a impressão de que temos uma forte tendência a buscar situações, experiências e pessoas que tragam a sensação de “uau, que incrível!” quase compulsivamente. É quase como se quiséssemos um botão de turbo na vida.

O problema é quando viramos escravos do turbo e a todo momento entramos nas relações aguardando aquele frio na barriga, a ansiedade crescente para encontrar a pessoa “amada” e uma montanha-russa de emoções que desconfigurem a realidade comum. Esperar que tudo seja sempre intenso e novo é pedir encarecidamente para sofrer.

O tempo passa, as rotinas se entrelaçam, os horários se combinam, as juras de amor se repetem e aquele calor sempre presente parece que lança a mente turbineira num mar de questionamentos: “será que ainda me ama?”, “tudo parece estranho”, “não é mais como era antes”, “tudo muito parado”.

“Ninguém vai acreditar quando eu contar”

Engano. Está tudo dentro do ritmo, com a cadência natural da vida cotidiana. No entanto, para a mente que pede o turbo, o ordinário não basta. Ela vai buscar um barraco, um incômodo, um descompasso e transformar numa epopeia interminável até conseguir o que quer: uma emoção intensa. Se não conseguir, é capaz de romper um relacionamento que prometia ser sólido, construtivo e gradual por algum tipo de emoção frenética, ainda que fugaz.

É comum, quando entramos nesse padrão, sairmos pulando de galho em galho, criando problemas dispensáveis só para ter histórias surreais e sempre ser o trending topics da roda de amigos: “viu o fulano? Caramba, aquele não para quieto, sempre inventando moda”.

Diante de um assunto mais tenso ou que não reforce seu ego o botão do turbo é acionado para mudar o assunto como quem troca de estação no rádio. Confesso que olho com certa desconfiança para essa necessidade de estar na crista da onda como um zumbi-feliz.

Eu mesmo já me peguei imaginando algo foda que iria fazer e, quando penso realmente em colocar em prática, parece que dá um bode antecipado e não faço porque na hora H não é tão legal quanto na imaginação. Isso já me tirou energia para começar ou concluir muitos projetos. Mulher, trabalho, família, amizade, tudo já entrou nesse pacote.

Esta mente é a mesma que cria uma agitação de pés mexendo, dedos se cutucando, unhas roídas  olhos agitados e um turbilhão passando pelo peito viciado em adrenalina. É ela o gatilho de muitas das nossas aflições.

É ela que causa a sensação constante de estar de fora de uma festa maravilhosa onde todos estão curtindo além dos limites e só você não tem o endereço. A impressão que pode dar é de que o turbo age como uma forma de deixar de se sentir um otário deixado do lado de fora. Mas, olhando mais atentamente, não é isso que ocorre. Na realidade, o turbo é um dos principais fatores de separação e distanciamento.


Link Youtube | Não pode ficar mais conto de fadas que isso

Poucas vezes aquietamos nossa mente, respiramos fundo e falamos com calma e serenidade, tentando verdadeiramente nos comunicar. Soltamos palavras vazias a todo momento por puro medo do tédio. Recebemos e repassamos uma mensagem subliminar que transmite uma sensação de “quero tudo ao mesmo tempo agora”.

Esse apelo constante cria uma insatisfação crônica, uma abundância de estímulos vazia de sentido.

Na tentativa simpática de estimular alguém, esquentar a relação, sair do tédio, seguimos ansiando pelo próximo passo. Nosso e dos outros.

Na realidade, é relativamente fácil captar o desespero contido no botão do turbo, sibilando a sua mensagem subliminar:

“Continue tentando escapar da vulnerabilidade essencial diante do imprevisível e da verdade sempre presente de que você vai morrer.”

Proibir ou incentivar o vício do turbo me soa inócuo. O segredo talvez esteja em nos perdoar por não conseguir gozar a quantidade enorme de apelos que se fazem hoje em dia e até aceitar a realidade tediosa da vida sem nenhum constrangimento.

Será que sobrevivemos sem deixar a realidade mais lustrosa do que realmente é?

Nota do editor:  O trabalho da coluna ID é auxiliar em nossas jornadas de amadurecimento e desenvolvimento pessoal.

Empenhado e preparado

Para isso, vale utilizar esse espaço também para debater outros âmbitos da vida que estão além de amor e relacionamento, como família, angústias da solidão, da própria convivência consigo mesmo. 

Continuem mandando suas dúvidas, vamos cavar mais fundo e explorar mais sobre nós mesmos: id@papodehomem.com.br

Frederico Mattos

Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros "Relacionamento para Leigos" e "Como se libertar do ex". Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva a felicidade, lava pratos, medita, oferece treinamentos de maturidade emocional no Treino Sobre a Vida escreve no blog Sobre a vida. No twitter é @fredmattos.


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O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Conheça a visão e a essência por trás do que fazemos. Queremos uma discussão de alto nível. Antes de comentar, leia nossas boas práticas. Caso deseje enviar um texto e se tornar um autor, venha por aqui.


  • http://www.facebook.com/LuksTabelini Lucas Tabelini

    Então, basta saber lidar com esse “tédio”, e aproveitar esses momentos para ter conversas centralizadas e mais racionais, desviadas um pouco da emoção, certo ?

    • Frederico Mattos

      Por aí, mas não sei se a palavra seria racional, mas tentar descondicionar nossas impressões pessoais de emoções que nada mais são do que um tonus psicológico que nos foge quando tentamos preservar.

      Seria como se suportássemos a vida com silêncios, pausas, apatias e descompasso sem achar que tudo está perdido.

      Penso que a vida com turbo seria uma tentativa metafórica de manter o pau duro o tempo inteiro. É desesperador tentar manter o clima sempre em alta.

      Faz sentido isso?

      • Eduardo Schrödinger

        “(…) a vida com turbo seria uma tentativa metafórica de manter o pau duro o tempo inteiro.”

        Comparação excelente, huhauahuaha

  • Tiago Xavier

    Textaço! Lembro que esse papo do turbo era um dos que eu mais gostava na Cabana.

    • Frederico Mattos

      Eu também gostava! E como tem lidado com o turbo @tiago_xavier:disqus ? Gosto de ouvir sua opinião. :)

      • Tiago Xavier

        Percebo muito o turbo nos meus estudos, principalmente quando lido com disciplinas que não domino.

        Começo a ler o material e logo minha mente já “turbina”, questionando a qualidade dele, do professor, imaginando que o estudo deveria ser de outra forma, que precisaria aprender mais rápido… e fico nessa piração uns bons 15 minutos, até enxergar nela o meu desconforto de ver a “morte” do Tiago inteligente, que sabe de tudo.

        Aí é hora de parar um pouquinho e forçar um passo mais lento. Passo a me concentrar nas quebras de linha e leio até os sinais de pontuação. E passa.

        Dia desses medi esse processo e vi que desperdiço pelo menos 20% do meu tempo de estudo com a turbina ligada. É uma pena, mas também é um treino.

        Abs!

      • Frederico Mattos

        Sim, morremos de medo de ver nossas identidades vencedoras tomarem um tapa no ouvido e se sentirem decaídas, como se nos representassem completamente.

        Legal você compartilhar isso.

        Abraço!

      • Tiago Xavier

        É um narcisismo também né cara? Isso que você colocou no texto sobre o turbo ser uma forma de distanciamento me parece um freio em processo de mudança.

      • Frederico Mattos

        Total narcisismo. Como falei num comentário lá embaixo é como um rei que fica incitando o bobo da corte para alegrar os seus sentidos anestesiados de prepotência. Como se exigisse que a realidade o sirva, massageie e excite constantemente.

        Ele esquece de colocar a porção de si mesmo que cabe para que uma dinâmica funcione.

      • M.

        Cara. Esse seu simples comentario me fez ver um dos motivos de, nos ultimos anos, eu ter sido tao relapso em relação aos estudos.

        Um dos motivos é que, eu simplesmente, nao queria me ‘desagarrar’ dessa minha personalidade ‘fodona e inteligente’ (claro que houve outros motivos, como a incerteza de que curso seguir, medo de crescer, etc). Por um tempo fui visto como o ‘inteligente’ no colegio e me agarrei a isso.

        Isso me lembra uma frase de um professor meu: “todo auto-suficiente cai e cai feio.”

      • Tiago Xavier

        Que bom então que o @fredericomattos:disqus escreveu o texto. São possibilidades assim, dentro de um contexto de boa comunicação, que me fazem ficar aqui no PdH.

        Como você anda enfrentando isso?

        Abs!

      • Eduardo de Araújo

        Interessante é que, para alcançarmos um estado acima da média, precisamos de, primeiramente, admitir nossa medianidade.

      • Frederico Mattos

        Acho que para alcançar um estado acima da média você precisa não estar preocupado se está acima ou abaixo, mas se está dentro de você. ;)

      • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

        Ah seu FDP que está acima da própria média.

        Gênio!

      • Mateus Reccanello

        putzz..
        “‘desagarrar’ dessa minha personalidade ‘fodona e inteligente’”. Exatamente isso.

        Quanto mais estudo, mais percebo que a medianidade está em mim. Aí, sair da zona de ‘fodão’ é difícil, e parece que não estudar vai manter este status. Mas no fundo, sei que ir além, buscar aquele conhecimento a mais vai me tirar do mediano. Só que é em ‘ir além’ que está a dificuldade.
        []´s

      • M.

        “Aí, sair da zona de ‘fodão’ é difícil, e parece que não estudar vai manter este status.”

        exato. EXATAMENTE isso.

      • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

        E a loucura é que isso é o que nos mantém parados.

      • Mtt

        Chocada. Ao invés e estudar para a última prova da faculdade comecei a ler uns textos por aqui e de repente li esses comentários e fiquei assustada de como é exatamente isso.
        Nunca falhei nos estudos na vida, e de tão furiosa que fiquei ao pegar uma final, a frustração que isso representou fez com que nesse momento não estudar parecesse muito mais digno do que abrir a porra do livro, ler e passar.
        Quando na verdade é uma decisão estúpida e auto destrutiva, baseada puramente em orgulho.

      • M.

        “Quanto mais estudo, mais percebo que a medianidade está em mim.”

      • ANA MARIA BRITO

        faz uns dias que não estudo, e não tinha notado que o meu sentimento era esse. É isso, isso, isso. Se eu não estudar, eu tenho uma desculpa pra dar, se eu estudar e não passar, confirma-se minha mediocridade. Preciso sair desse ciclo, é muito difícil.

  • Juliano

    Muito bom, assim como a maioria dos textos do Fred. Mas eu sempre dou risada deste carinha pulando corda que ele quase sempre coloca nos textos!

    • Frederico Mattos

      Ele é divertido, gosto dele, parece que nos mantem despertos. ;)

  • Jonas Daniel

    tenho vontade saber tudo, ter todo o conhecimento na minha cabeça, mas percebo que o aprendizado é tediante e logo desisto. >.<

    • Frederico Mattos

      É isso que entedia, tudo ou nada. Como é impossível saber de tudo, será que conseguimos sobreviver mesmo sem a perfeição?

  • Gabriel

    A situação descrita no início do texto poderia ter sido escrita por qualquer um de nós, a começar por mim. Não é algo distante, e, particularmente tenho experimentado este tipo de sensação de “vazio”. Impressionante como a gente tem a tendência de, depois de conquistar algo ou alguém, já fica pensando no próximo passo, pois o que temos nunca está bom. Obrigado pelo artigo!

    • Frederico Mattos

      Essa aflição por novidade chega a ser um pouco utilitarista do tipo: “gozei, sai daqui”.

      Uma coisa que tento fazer é suportar a sensação asfixiante (para minha mente viciada em turbo) de não ter nada mais dizer ou fazer e simplesmente relaxar. Eu solto a necessidade de ter que criar, falar, entreter e suporto olhares desconfortáveis.

      Imagine que no consultório as pessoas esperam respostas milagrosas que não tenho, pois precisa ser gerida e parida em conjunto, e simplesmente olho, sorrio e aguardo sem entrar numa demanda que não existe de fato.

  • Alberto M. Melo

    As vezes eu me vejo na mesma situação descrita no inicio do texto, só que eu não faço muito esforço para sair dela, reconheço que tem um certo comodismo e preguiça, ou é uma falta de algo que me faça sentir empolgado a fazer algo, falta um motivo pra ligar o botão turbo.
    E é ai que vem outra coisa, eu sou muito seguro em minhas decisões, não sou de me arriscar em qualquer situação, e creio que por ser assim, o tédio, a sensação de rotina toma conta.
    Na minha mente eu traço vários planos, mas foi apenas alguns que foram executados, uma frase que resume bem isso: “Estamos sempre nos preparando para viver e não vivemos.” – Ralph Waldo Emerson.

    • Frederico Mattos

      Uma dúvida @022c2d0e7b6d4ba1df5f5f0cf614cc21:disqus se é seguro nas decisões qual o receio de arriscar? Ou é uma segurança (e empolgação) que só se baseia em certezas e previsibilidade?

      É uma dúvida mesmo que talvez ajude outras pessoas que leem aqui.

      • Alberto M. Melo

        Fred, é uma segurança que se baseia em certezas.
        Tenho um receio BESTA de tentar e falhar.

      • Frederico Mattos

        Eu também tenho esse receio, mas tenho tentado me forçar nessa ousadia de olhos vendados, não inconsequentes.

        Esse tipo de segurança que só caminha sobre terreno seguro já matou minha criatividade, surpresa e alegria em relação as coisas. Sem perceber o tédio acabava sendo o resultado de conquistas “inesperadas” totalmente previsíveis.

        Imagina uma festa surpresa que você mesmo organizou. É assim que vejo esse tipo de segurança que se baseia em acerto e não-erro.

        Essa semana mesmo estou tomando uma decisão de recuar em um negócio que apostei muitas coisas e não funcionou. Estou suavemente de luto e atravessando com serenidade. Podia dar certo e não deu, mas tudo bem.

      • Alberto M. Melo

        “Esse tipo de segurança que só caminha sobre terreno seguro já matou minha criatividade, surpresa e alegria em relação as coisas.”
        Exatamente isso, inúmeras vezes passei pela mesma coisa.

        Creio que isso é uma junção de fatores, desde do medo da falha, da insegurança, do orgulho posto em jogo e da cobrança de um resultado positivo.

  • http://www.facebook.com/people/Wagner-Felix/661933705 Wagner Felix

    Você vai na piscina de um clube, aquela barulheira. Vai num recanto do interior pra descansar, ai tem DJ tocando as musicas da estação, instrutor de hidroginástica insistindo pra você participar… É cada vez mais difícil encontrar “sossego”, porque a maioria das pessoas fica incomodada de “ouvir a barba crescer”. Eu acho o tédio e o ócio muito saudável em doses certas, parece que a sociedade esta abolindo isso.

    Eu já cheguei a dizer numa roda de amigos que as pessoas tem medo do silêncio, porque o silêncio faz elas ouvirem a própria mente. Acontece demais com os relacionamentos. Não sei se tem a ver com isso exatamente, mas hoje em dia os relacionamentos são mais descartáveis.

    Lembro de uma amiga que “estava pegando” um amigo meu na época. Ela tinha acabado de sair de um relacionamento longo, de tipo, 10, 12 anos. Ele disse “poxa, eu queria que esse sentimento dos primeiros 30 dias durasse pra sempre. Ou se tivesse validade, acabou, ja aparece outro”.

    Não julgo o que é certo ou errado, mas eu acho que muito das aflições atuais tem a ver com essa inquietude que adquirimos e essa necessidade de mostrar sorrisos e “olha como eu me divirto como um fodão” o tempo todo.

    • Frederico Mattos

      Isso mesmo @d41d8cd98f00b204e9800998ecf8427e:disqus.

      Vejo uma diferença entre ócio e tédio, pois o ócio é a ausência de ocupação, que em si quer dizer agenda vazia de urgência e tédio é uma maneira meio prepotente de interpretar a realidade, como se fosse uma perda de tempo usar o tempo sem salvar o mundo.

      Não precisamos ser úteis ou imprescindíveis o tempo todo.

      Valeu por compartilhar suas impressões, belos apontamentos.

      • Anonimo

        Frederico, sobre “…como se fosse uma perda de tempo usar o tempo sem salvar o mundo.”, e não é uma mega perda de tempo a vida que levamos?
        Penso muito nisso, bilhões de anos de evolução, para termos todo a nossa capacidade intelectual atual, para vivermos uma vida de merda, presos em cubículos, fazendo um “puta trabalhinho de corno”, dia após dia, ano após ano, para no fim termos uma “aposentadoria tranquila”.
        Qual o sentido de viver a vida de fracassados que a grande maioria vive?
        Não necessariamente temos que ser aventureiros de esportes radicais, mas devemos estar constantemente nos desafiando a fazer algo que não foi feito, por nós, ainda.

      • Frederico Mattos

        “não é uma mega perda de tempo a vida que levamos? ”

        Não posso responder por todos, mas não sinto minha vida assim, mesmo nos dias não corridos, gosto de saborear os detalhes silenciosos da vida.

        O desafio é válido, mas nossa postura interna pode ser de serenidade. Nem sempre força é sinal de resultado.

      • Poul

        Concordo,

        A vida real é bem mais interessante do que ser “feliz pra sempre”.

      • ThaisLSC

        Isso mesmo meninos!! Belo texto Fred!

  • Gabriela de Oliveira

    Tem uma forma maravilhosa de achar que a vida a dois não é um tédio. Façam planos juntos!!! É lógico que não será sempre aquela coisa magnífica do começo todos os dias, é preciso aceitar o tédio com serenidade… mas não custa nada fazer planos com a pessoa que se ama, o tédio diminui muito, a paixão volta (meio pela metade, rsrsrs) e você se sente muito bem ao lado da pessoa. Talvez a relação não seja chata, e sim as pessoas.

    • Frederico Mattos

      Gabriela de Oliveira acho essa tentativa de manter a chama acesa interessante, mas penso também como seria uma vida sem a necessidade escravizante de paixão, planos mirabolantes ou coisas absurdamente interessantes.

      Chatice e tédio são sensações que temos com uma realidade que não nos massageia, apoia, excita ou completa. É fruto de certa prepotência sobre os acontecimentos como se ele fosse responsável por nos alegrar e entreter. Acho bem arriscada essa postura do rei que pede ao bobo da corte para alegrar seu tédio arrogante.

      Ao buscar no parceiro(a) ou na realidade uma complementação para nossas faltas, ausências e expectativas irreais instalamos uma bomba relógio com explosão quase certa.

      Imagino que ter em vista o vácuo inevitável previniria certos desgostos ou ações impensadas embaladas em justificativas como: “trai porque ele(a) não mostrava mais intensidade” ou “ela não me dava atenção como no começo e peguei a secretária”.

      • Gabriela de Oliveira

        Hum… Eu entendi, mas não quis de forma nenhuma ser extrema no comentário. Inclusive eu disse que deveríamos aceitar os momentos de tédio com docilidade, esses vão sempre existir.

      • Frederico Mattos

        Não achei extrema não, só quis usar seu gancho para complementar ideias.

        É que como disse o tédio não é sinônimo de ócio. Podemos ter ócio sem tédio (nada a fazer e nada a esperar) e tédio sem ócio (mesmo cercado de atividades me inquietando e querendo mais).

        Bjs :)

      • Gabriela de Oliveira

        Logicamente que não se pode achar que a pessoa que está conosco terá que se desdobrar pra nos fazer feliz..Não é que tenhamos que estar fazendo planos, ou saindo, ou tentando preencher o tédio a todo momento, mas de vez em quando, quando estamos dispostos, pq não? =)

      • Frederico Mattos

        Volto a dizer que tédio é uma forma de se relacionar com a ausência de ocupação, não é uma condição inerente à agenda vazia. O nosso olhar criar tédio onde poderia haver só espaço.

      • Gabriela de Oliveira

        Ah, tenho que dizer também que não acho que a traição seja importante. Isso diz respeito a sexualidade do outro… mas isso é só minha opinião. Então, nada contra quem dá uma traidinha de leve pra espairecer.

      • Frederico Mattos

        O ponto não é a traída em si (pelo menos nesse contexto de discussão), mas a justificativa dela.

      • M.

        o que voce chama de “vacuo inevitavel”?

      • Frederico Mattos

        Sabe aquela sensação que temos quando um caminhão passa do nosso lado e o carro é levemente jogado de um lado para o outro?

        Na vida existem fases mais intensas e outras menos e tudo bem quando não existe nenhum convite super incrível para nada.

      • M.

        Entendo o que voce quer dizer, principalmente quando diz “tudo bem quando não existe nenhum convite super incrível para nada.”

        Na minha adolescencia, muitas das minhas aflições vinham por essas (pseudo)necessidades de viver uma vida “descolada, transada rsrsrsrs kkkk hahaha “. Por ‘falta de personalidade’(?) tentei gostar de varias coisas pra sustentar uma imagem de alguem que nao vivia/nao gostava de coisas ‘comuns’. Mas no final das contas isso me retraía mais, havia um conflito interno entre os valores que eu carregava e essa necessidade de parecer diferente do comum.

        Acredito que em algumas pessoas isso resulta em algumas aflições. Essa necessidade , quase obsessiva de alguns, de mostrar que não têm uma vida ordinária/comum/rotineira, mostrando uma felicidade perene, me deixa, ainda hoje com um sentimento meio de inadequação em relação a algumas situações.

        Isso é maximizado pelas redes sociais hoje.

        Alias, tenho uma pergunta, Fred. Voce acha que as redes sociais pioraram essa necessidade que as pessoas têm de mostrar o quanto são especiais/nao vivem uma vida “cheia de rotinas”, ou sao apenas um instrumento pra mostrar algo que ja existia antes?

      • Frederico Mattos

        Acho que a internet como qualquer plataforma de interação humana só é um reflexo potencializador, mas não causa para isso tudo que vemos.

  • http://www.facebook.com/Riajli Riaj Li

    É Fred…sou eu esse texto, correndo atrás do turbo, procurando emoções. Identifico também no comentário do @jonas_daniel:disqus com uma ressalva: não desisto tão fácil, mas quero saber tudo e fazer tudo. Acho que isso as vezes é bom pq mantenho mente e corpo ativo, só não sei se estou fazendo o certo. Abraços e parabéns pelo texto!

    • Frederico Mattos

      O problema é sempre associar e condicionar a realização ao turbo, entende?

      Será que podemos nos manter vivos, ativos com olhar criativo sem estar apreensivo pela próxima adrenalina?

      Como seria manter mente e corpo ativos e serenos?

      A meditação propicia isso.

      • http://www.facebook.com/Riajli Riaj Li

        Realmente não tem como não ficar apreensivo pela próxima adrenalina. Agora, preciso realmente buscar a meditação, sou leigo no assunto, mas quero ter o controle e o conhecimento próprio. Obrigado pela dica, vou procurar mais sobre o assunto!!!

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Faria/1132579103 Gustavo Faria

    Fred, acho que devo discordar de você pela primeira vez. Eu me identifiquei muito com o comportamento do texto, eu mesmo já fiz isso de trocar relacionamentos sólidos por nada. De apertar o turbo. Não sei te dizer se é certo, fiquei muito tempo refletindo sobre o assunto. Larguei do trabalho, da namorada. Fiquei dois anos desempregado, e alguns meses sem sexo. Mas ao mesmo tempo hoje me sinto muito mais feliz e sinto que agora estou indo pelo caminho certo novamente. As vezes é bom mudar o rumo da vida e fazer algo que a gente acredita que seja a coisa certa. Hoje trabalho como Dj, trabalho também numa empresa de segurança. Pretendo ir morar fora, emagreci bastante. Acho que não foi de todo mau eim?

    • Frederico Mattos

      @facebook-1132579103:disqus sua postura não contradiz o que digo no texto, pois ele não inibe mudanças, alavancagens ou viradas estratégicas, mas a dependência delas.

      É no condicionamenteo exagerado que foco.

      Também não digo que o contra-ponto do turbo é o conformismo e a comodidade, mas o caminhar atento e presente, sem artifícios extremos para criar emoção.

      Faz sentido isso para você?

      • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Faria/1132579103 Gustavo Faria

        Faz… mas é bom viver as vezes no turbo eheheh mas acho que vai do momento… em alguns momentos faz bem…

  • Poul

    Belo Texto!

    Quando eu ouço ( e ouço direto) pessoas reclamando que o “frio na barriga” acabou no relacionamento. Dá uma puta vontade de dizer:

    Lindona, quer frio na barriga o tempo todo? Compra uma pochete e enche de gelo!
    Deveria, ma não tenho muita paciência!

    • Frederico Mattos

      “Compra uma pochete e enche de gelo”

      kkkk boa

    • ANA MARIA BRITO

      e quando a pessoa diz que vai sair com o marido depois 400 anos de casados, como se fossem namorados? Não são namorados, nem são como se fossem.

  • Fabio Sant’ Ana

    Aceitar a realidade tediosa da vida?

    • Frederico Mattos

      O tédio não é inerente, mas uma forma de se relacionar com os espaços vazios na agenda e de baixa social.

  • Kaê

    Fred, você é 10! esse texto foi um tapa na minha cara, na verdade, quase um soco mesmo, eu sofro muito desse mal, quase todo mês decido que quero sair fora de um casamento de 10 anos por … nada…. nada acontece, não sinto mais as borboletas no estômago(ahh.. as borboletas) Queria muito poder falar mais, ler mais, me informar mais sobre este assunto. Muito obrigada querido.

    • Frederico Mattos

      Que outra base poderia ter sua relação além das borboletas?

      • Kaê

        Muitas Fred, com certeza, esse é o problema, a importância exagerada e desnecessária que tenho dado a elas, parece que vira e mexe elas estão lá em primeiro lugar.

  • Thiago

    muito bom

  • http://www.facebook.com/Kurosaki.Arthur.H Kurosaki Arthur

    Fato… Ainda tentamos viver a vida no turbo, quando o mais gostoso é ir no passo certo e apreciar a vista…

    • Frederico Mattos

      ;) Bingo

  • Aloísio Neto

    Bom, gostei muito do texto sobre o turbo. Mas é possível que talvez não seja isso.

    A vida do homem é dividida em esferas que as vezes convivem juntas, as vezes não. Essas esferas possuem escalas de valores diferenciadas. Vida profissional, a amorosa, vida sexual, familia, esportes etc.

    Todo mundo coloca uma dessas esferas a frente das outras, as vezes duas etc. O que pode estar acontecendo é que você pode ter estagnado em algum ponto do seu planejamento e isso está afetando outras áreas.

    Eu sou uma pessoa que quando sinto que estou estagnado afeta muito minha qualidade de vida. Não estou falando de estar na crista da onda, mas sim na máxima que sigo na minha vida: nem que seja um único centimetro, todo dia devo seguir na direção dos meus objetivos.

    É importante identificar isso. Você só pode entender o que está acontecendo quando souber o que você quer pra sua vida.

    Esse sentimento é muito comum, é importante aprender a usá-lo.

    Antes de tudo é interessante que você procure identificar o que você pode fazer pra melhorar como pessoa ou como profissional. Todo emprego com o tempo passa essa visão de estagnação e o relacionamento tb se não souber lidar.

    A insatisfação é o maior combustível para a mudança. Talvez seja o momento de você reavaliar sua vida e não assisti-lá passando pela janela. Treinar uma luta, entrar em um curso de linguas, praticar corrida etc. O importante é não se sentir parado no tempo.

    • Frederico Mattos

      O maior combustível da mudança é a generosidade associada com sentido. Insatisfação pode ser meramente um vitimismo travestido de motivação. Se o motivo do incomodo cessa a mudança para. No caso daquela motivação que nasce de fontes mais maduras não.

      • Aloísio Neto

        Respeito sua opnião, mas não enxergo assim.

        A maioria de nós não vive em um mundo perfeito e precisa se submeter a certas coisas para viver(trabalho chato por causa de dinheiro, ser sociável com aquele mala do trabalho para não piorar o clima do trabalho, sofrer assédio moral e não poder fazer nada porque precisa do emprego, aguentar parentes malas etc). Não tem nada de vitimismo nisso.

        Infelizmente não podemos escolher certas situações da vida. Mas outras sim podemos controlar. Treinar para cuidar da saúde e ser mais atraente, aprender a tocar um instrumento, fazer cursos de linguas etc. Isso podemos controlar e dará aquela quebra de rotina saudável.

        A motivação de “fontes mais maduras” podem ser aqueles sonhos ou algo do tipo, mas estou me referindo ao dia-a-dia.

        Estou com minha esposa há 12 anos, tenho um trabalho nada rotineiro e aprendi a enfrentar essas “estagnações” para ter uma boa vida.

        Alguns de nós simplesmente são mais exigentes consigo. Quando não estão lutando pelo que desejam ou sem metas, se perdem e acabam achando que tudo está “desalinhado”.

        Quando você começa a encarar as coisas de outra forma não vai cessar suas atividades porque o incomodo cessou.

        Em uma dessas “crises de incomodo” comecei o jiu-jitsu e já estou ha mais de 20 anos treinando. Outras coisas que comecei não levei a frente, mas não deixaram de ser boas experiências ou aprendizados.

        Ninguém pode dizer com convicção o que realmente quer se experimentou pouco na vida. A experiência é o que traz o conforto. O importante é saber exatamente o que incomoda e não deixar isso generalizar. As vezes o cara está apenas acomodado e coloca a culpa em tudo por preguiça ou vitimismo.

  • Guilherme

    O relato do Tiago Xavier, se encaixa a mim também.
    “O medo da morte do eu-inteligente”. Cara, passo pela mesma coisa e nunca havia percebido.
    Já li várias coisas sobre ciências psi, especialmente psicanálise. Sempre me perguntei como o medo da morte poderia representar algo no meu cotidiano, mas limitei ele à morte física, minha ou de pessoas próximas, ou até do “pai”. Porém, nunca pensei sob a perspectiva das mortes dos meus “eus”.
    Agora percebo que já enterrei vários “eus” que não gostava e alguns que gostava. Também vejo que algumas dificuldades cotidianas e coisas que tento mudar, mas não consigo, passam por lidar com um grupo de “eus-narcisistas” e, quem sabe, matá-los.
    Ótimo texto e comentários.

    • Frederico Mattos

      Não sei se matá-los, mas inserí-los no contexto maior para onde ruma a sua personalidade. Tirar o melhor deles se sacrificá-los.

      Valeu!

  • http://gfurthado.tumblr.com/ Gleidson Furtado

    Putz Fred, ontem mesmo tava pirando nessa viagem de q temos que sempre estar na crista da onda. Viciados em epifanias, efeito “awesome”. Acho q isso é frase do Gitti, heim rss
    Texto profundo mesmo. Consigo estar contente com o hoje? Sem ficar correndo feito um cachorro raivoso atrás do osso?
    É camaradas, equilíbrio deve ser a chave desse negócio.
    flw

  • Nélio Oliveira

    “Tédio é uma maneira meio prepotente de interpretar a realidade, como se fosse uma perda de tempo usar o tempo sem salvar o mundo.”

    Que frase sensacional, sem sacanagem.

    Que bom que eu li este texto agora, depois do almoço. Nas quartas-feiras eu geralmente almoço com um grande amigo, talvez o maior deles, e “trocamos idéias” sobre muitas coisas, o que é o melhor de tudo, com certeza.

    Hoje esse meu amigo me disse um negócio sobre as percepções que temos da vida que eu acho que cabe na discussão: nossa vida é um processo, mas nossas mentes estão condicionadas a esperar por resultados.

    Essa condição, por si, basta pra gerar uma confusão do caralho na nossa cabeça. Será que, se eu tenho a meta de ter uma Ferrari aos 50 anos e, chegando lá, me faltam 100K pra comprar a dita cuja, isso invalida TODO o processo pelo qual eu passei pra conseguir 1,4 milhão em vez de 1,5 milhão? (estou usando o exemplo dele). Claro que não, porra!

    É como já disse o John Lennon: “A vida é o que lhe acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos.”

    • Frederico Mattos

      Perfeito @NelioOliveira:disqus! Quando ouço uma pessoa que ficou casada por muitos anos (e nem precisa de tanto tempo) diz que o relacionamento deu certo eu sinto um nó no estômago.

      Como colocar isso em termos de certo e errado? Se você essa a métrica teria dado certo inclusive pela longevidade da coisa toda.

      O processo é muito significativo quando falamos de vida.

      Gosto muito dos seus comentários sábios e provocadores, Nélio. :)

      • Nélio Oliveira

        Obrigado, mas nada desse comentário é meu… rs…

        Tem a sua frase, o comentário do meu amigo, e a frase do John Lennon. Mas concordo com o que escrevi (até porque, do contrário, seria esquizofrênico… rs…).

      • Frederico Mattos

        @NelioOliveira:disqus queria trocar figurinhas contigo, me escreve no fredpsicologia@gmail.com

        Abs

      • Daniel Andrade

        Nélio, ótimo comentário – independente de ser com base no que seu amigo falou – num texto show de bola.

        É curioso como isso realmente acontece. Estamos todos tão focados em resultado que acabamos nos esquecendo do processo. E raramente nos lembramos que se nos concentrarmos unicamente no PROCESSO, o resultado tende a ser muito melhor.

        Se não me engano, quem usa essa “filosofia” de focar em processos é o Bernardinho, técnico do volei masculino. Quando focamos no processo, o resultado é consequência.

        Abraço!

      • Daniel Andrade

        Desculpem, respondi o comentário errado por engano.

        Aproveitando, Fred, texto EXCELENTE, como de costume. Já tinha lido quando foi publicado e hoje, relendo, resolvi comentar.

        Abraço!

  • http://www.facebook.com/people/Marcio-Piovezani-Duarte/1096875548 Marcio Piovezani Duarte

    Fred! Ótimo texto!
    Queria ainda aquela dica de algum colega aqui do RS, que atende em Porto Alegre ou região. Ou quando tu vier pra essas bandas junto com o Fred ou o Felipe. Abraço!

    • Frederico Mattos

      Garimpei e nada feito, não conheço mesmo. Abração

  • Diego Fávero

    Caramba, sensacional esse texto! Vejo que hoje, principalmente nos relacionamentos, é mais “fácil” livrar-se do “problema” do que batalhar e vencê-lo. As pessoas mudam, o mundo muda, as relações mudam muito rápido, hoje em dia. Mas sinto pena de pessoas que sempre buscam esse turbo. O turbo de agora, é provável que seja a solidão do amanhã.

  • Bruna Bruxinha

    Não sei se sigo certa na minha linha de raciocínio mas, uns
    dois anos comecei a lidar com isso sem saber direito o nome da coisa, só
    sabia que eu deveria parar… Agora com o texto tudo me pareceu claro sobre o dilema que enfrento…
    Meu turbo é sempre ativado (na velocidade máxima) quando o assunto é a angústia
    provocada pela solidão, à conscientização de estar só no mundo e a cada nova
    possibilidade de relacionamento e toda vez que eu me frustro nisso, que não
    consigo realizar meus próprios objetivos, sinto uma angústia terrível é como se
    eu estivesse morrendo um pouco… Não conseguia manter o equilíbrio entre
    gostar de mim e gostar do outro, ai procurava mais e mais freneticamente. Só digo uma coisa é um exercício diário e
    incansável o de “aquietarmos nossa mente” a fim de encontrarmos o equilíbrio.

    Alguns ativam seu turbo na excitação de serem muitos, muito felizes
    a cada situação e outros na loucura de serem muito, muito infelizes a cada passo.

  • Beto D.

    Me identifiquei com a pessoa que fez a pergunta.
    Meu último relacionamento (de 2 anos também) acabou porque eu (e ela) já sentíamos falta do “frio na barriga”, sentíamos o peso da rotina, e a ausência do “turbo”.
    Com o tempo, os desgastes e as diferenças ficaram maiores que tudo de bom que sentíamos, e as brigas e ciúmes vieram acabar de enterrar com tudo, afinal, até a vontade de nos vermos tinha diminuído.

    Depois desse relacionamento, comecei a pensar onde errei, e decidi tentar me conhecer melhor, e tentar dominar (ou diminuir) essa ansiosidade que por vezes me controla. Tenho tentado não envolver ninguém nisso ainda, e por isso, ainda estou sozinho. Tenho uns affairs, mas nada sério (sempre deixo claro as coisas de antemão, não quero machucar outras pessoas nesse processo).

    Tenho aprendido, dia após dia, a identificar momentos em que estou acelerado, com o “turbo” ligado, e as vezes consigo identificar também o motivo, ou o “gatilho” que me fazem ligar o turbo. Mas muitas vezes, isso só acontece depois que já estou tranquilo, mas estou tentando buscar formas de perceber enquanto está acontecendo (o que não é nada fácil, e é parte de um processo).

    Obrigado por mais este texto Frederico! Você tem me ajudado bastante a refletir, mudar e, porque não, melhorar enquanto pessoa. =)

  • Babi

    Fred,
    E-X-C-E-L-E-N-T-E texto. Sério!

    Você tem indicações de artigos, livros ou quaisquer outras fontes que tratem do tal “Vício do Turbo”?

    • Frederico Mattos

      Não que eu saiba, mas posso pensar e depois te falo

      • Babi

        Obrigada! ;)

        Aproveitando que você respondeu, preciso comentar: Sua escrita é, incomparavelmente, fascinante!

        Sou daquelas apaixonada por ler – tanto que escolhi a leitura como instrumento da minha profissão.
        Apesar disso, sou capaz de contar nos dedos de uma só mão (sem ao menos usar todos os dedos) os conteúdos e estilos de escrita capazes de me prenderem a atenção de tal maneira.

        Li alguns outros textos de sua autoria. Inclusive já dei uma passada no “Sobre a vida” (só pra ter certeza que a boa escrita não foi algo tipo sorte…rs).
        E puts… Parabéns!

        Enfim, sei que talvez seja cedo para falar, mas – aparentemente – você ganhou mais uma leitora assídua.

  • André Arcas

    Grande Fred, tudo bem?

    Cara, acho suas análises muito bem feitas e com um raciocínio muito bem montado. Desde já, parabéns pelo Id!

    Isso dito, tenho uma pergunta sobre o tema – que, admito, é meio foda de responder assim, de bate-pronto. Seu texto se baseou no “vício do turbo”, que de fato afeta muita gente; eu mesmo me identifiquei bastante. Minha pergunta é: e o outro lado? Como saber se o problema não é a necessidade por fortes emoções, mas sim que o amor realmente acabou? Virou amizade, companheirismo, bem-querer… Mas deixou de ser amor?

    • Frederico Mattos

      Isso daria um novo texto, prefiro não me precipitar em algo curto, mas acho que o crescimento pessoal e mútuo do casal é um bom sinal se uma relação é falida. O amor é um dos critérios, mas não o único.

      • André Arcas

        Nesse caso, agradeço a resposta, mas fico no aguardo do texto todo.

        Abraço!

  • Kleyton Leão

    Vou colar aqui alguns trechos de um texto chamado “Insatisfação crônica”, da grande cronista Martha Medeiros. Tem tudo a ver com o texto e com os comentários.

    “Internet, cinema, novelas, revistas, livros, música: tudo nos conduz a pensar que a vida não tem o menor sentido se a gente não sentir prazer 25 horas por dia. E onde se esconde esse tal de prazer? Se você procurá-lo num casamento, estará renunciando às alternativas. Se, ao contrário, passar em revista todo homem ou mulher que lhe der um sorriso promissor, tampouco terá garantia de encontrar o que procura. O que é que a gente procura? A tal festa no outro apartamento, a tal grama mais verde do vizinho, o tal êxtase que parece estar sempre na outra margem do rio.”

    “(…)e o que ele consegue, como sempre, é apenas (apenas?) nos mostrar como é megalômano o projeto de alcançar a plenitude dos sentidos. Mas a gente não aprende e vai morrer tentando.”

  • Lucas Cavalcanti

    Agora entendo o lado bom da decepção, é isso mesmo! Penso que o bom da vida é a superação e inovação. .. De acordo com a fase da vida, ”todas” as pessoas precisam de mudanças, porém no meu ponto de vista mesmice é igual a comodidade.

  • Patricia Vasconcellos

    Ok, o texto é legal… mas acho importante também que as pessoas não pequem pelo excesso para esse lado também. Uma coisa é uma vida estável e calma, outra coisa é insatisfação de fato! As vezes o relacionamento (o emprego, a vida, etc..) está sim miserável, e precisamos fazer algo para mudar. Não é bom querer adrenalina o tempo todo, mas também não é bom se contentar com mediocridade – a vida é curta demais para isso.

  • Nath

    Nossa!

    Me identifiquei demais com o descrito!
    Sou MUITO viciada no “frio na barriga” e isso já me prejudicou mais de uma vez!

    Muito obrigada por expressar em palavras aquilo que eu sinto e não conseguia entender!

  • Dani

    DA ETERNA PROCURA
    Só o desejo inquieto, que não passa,
    Faz o encanto da coisa desejada…
    E terminamos desdenhando a caça
    Pela doida aventura da caçada.
    - Mario Quintana

    li e lembrei…

  • Luan

    Eu espero acontecimentos
    Só que quando anoitece
    É festa no outro apartamento

    Esses versos da música da Marina Lima definem meu sentimento todas as noites, há quatro anos, desde que passei num concurso e mudei pra uma cidade do interior. O trabalho é um tédio, a vida social quase inexistente, a saudade da familia e amigos eh grande e a estagnação em todos os campos da vida (salvo o financeiro) é total. Sinto como se minha vida tivesse “on hold” durante todo esse tempo. Ai me pergunto, foi pra isso que me esforcei pra passar num concurso, pra ser menos feliz que antes?
    Não sei se isso é só uma justa insatisfação com os rumos q minha vida tomou ou se sou mais um pobre iludido viciado no turbo. Eh bem verdade que considero os periodos mais felizes da minhas vida aqueles nos quais eu estava turbinado. Tbm eh verdade que minha irma mais velha diz q eu ainda naum estou sabendo lidar com o fato de ter me tornado adulto, mas o fato eh q me sinto descolado de mim msm. Sinto minha curiosidade, minha criatividade, meus sonhos e minhas ambicoes morrerem a cada dia.
    Estou reunindo a coragem necessaria para fazer as mudancas que sei que se nao fizer me sentirei frustrado e amargurado no futuro. Meu eu mais jovem jah estah jogando algumas coisas na minha cara e naum tem sido legal. Naum quero q meu eu de hj tbm me assombre no futuro jogando na minha cara o quanto eu fui covarde.
    Estaria msm disposto a arriscar, colocar a seguranca q conquistei em risco, nem q me prepare pra isso e o risco seja calculado. O unico problema eh q naum sei mais o q quero da vida. As pessoas dizem, siga seu coracao, corra atras da sua paixao, pois assim naum tem como dar errado. Eu acredito nisso tb, jah q na pior das hipoteses vc fez algo em que realmente acreditava, mas naum sei mais qual eh a minha paixao. Acho q sou um homem de muitos interesses, mas de nenhuma paixao…
    Sei q precciso mudar, mas naum sei pra onde. Tenho me feito essa pergunta todo esse tempo e naum consigo achar resposta. Me sinto morrendo um pouco a cada dia q naum tomo uma atitude.

  • Rapanui

    lendo os comentários me veio um texto do filme Waking Life “Existem dois tipos de sofredores: aqueles que sofrem de falta de vida e os que sofrem de abundância excessiva de vida. Eu sempre me posicionei na segunda categoria. Quando se pensa nisso, quase todo comportamento e atividade humana são, essencialmente, nada diferentes do comportamento animal. As mais avançadas tecnologias e artefatos levam-nos, no máximo, ao nível do super-chimpanzé. Na verdade, o hiato entre Platão ou Nietzsche e o humano mediano é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano. O reino do verdadeiro espírito, o artista verdadeiro, o santo, o filósofo, é raramente alcançado. Por que tão poucos? Por que a História e a evolução não são histórias de progresso, mas uma interminável e fútil adição de zeros? Nenhum valor maior se desenvolveu. Ora, os gregos, há 3.000 anos, eram tão avançados quanto somos hoje. Quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é: qual é a característica humana mais universal? O medo ou a preguiça?”

  • Vitor Quintao

    Fred, ótimo texto!!
    e o medo do sucesso?
    Você tem algum texto sobre ou alguma dica?

    Lendo e relendo o texto e os comentários (que só fazem o assunto ficar ainda mais interessante) eu achei vários casos em que recuei com medo de falhar, mas também achei casos em que o sucesso parecia iminente e eu recuei mesmo assim.

    Comecei auto-projetos de coisas que sempre quis e simplesmente parei vários… Achei que eu estava tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo e isso estava me sobrecarregando (fato), então tentei traçar as prioridades. Melhorou muito, mas lendo eu percebi que abandonei várias e a explicação que achei agora foi o medo do sucesso…

    Seria um medo de que eu mude “meu eu” ao alcançar o sucesso em alguns pontos?

    Acho que depois dessa vou ligar pro meu psicólogo e marcar… heheh

  • Gabriel Rodrigo

    Dentre todos os textos que li aqui no PdH!! Esse parece que foi escrito direcionado a mim. Ótimo texto !! Exatamente minhas impressões sobre tudo o que me rodeia.

  • Lestier de Paiva

    Bem eu não sou nenhum especialista, mas se tudo parece tão tedioso não precisa mudar tudo, apenas adicione algo novo! Se o relacionamento não está indo tão bem tente ter uma conversar franca, se pergunte e responda com sinceridade se ainda existe amor entre você dois e se vale a pena continuar seguindo em frente. Em tempos assim é bom um esporte pra descarregar as energias tente boxe ou faça trilha de moto algo que possa fazer um pouco de adrenalina circular nas veias, essa é uma droga que sem dúvida vale a pena experimentar.
    Quanto ao seu trabalho se você sente que não está indo bem, busque um novo objetivo ou foco, se pergunte aonde você quer chegar, e o que você quer conquistar nesse momento da sua vida. Lembre-se nunca é tarde pra aprender , procure um aprendizado diferente, uma faculdade ou profissão que se adeque a esses novo objetivos.
    Não é coisa de maluco, tão pouco de desvios episcopológicos, mas procurar um analista pode te ajudar bastante, além de diferente vai te ajudar a conhecer melhor você mesmo. Chega em um determinado momento de nossas vidas que buscamos novos caminhos e questionamos os atuais, é normal isso acontecer. o tempo muda tudo, não se esqueça disso. Se não saiam mais como antes pode não ser apenas comodismo mais o tempo modificando suas preferencias, nem todas as baladas agradam e buscamos cada vez mais locais seletos e de melhor qualidade. Uma coisa é certa, se busca uma revolução mude, somente as grandes mudanças trazem grande revoluções.

    Não sei se valer esse comentário mais espero ter contribuído coma alguma coisa, adorei o texto também muito bacana

  • Victor Sales

    Nossa, mais uma vez arrebentando, Fred.

    Gostei do que foi dito, às vezes rola mesmo de falar qualquer coisa pra não deixar um vácuo na conversa, ou por vc querer temer ficar muito tempo em silêncio ou mesmo para as pequenas pausas, um pouco constrangedoras.

    A verdade é que talvez esse comportamento esteja entregando uma certa atitude de necessidade por aventuras e coisas do tipo, porque talvez eu não ache de verdade a minha vida tão excitante quanto eu queria!!

    Talvez a ideia aqui seja apenas relaxar, permanecer vazio na mente e deixar fluir.

  • Paulo Lameiro

    Esse texto é sem palavras! Frederico vc é “zica” rsrs! Mas para mim o que me deixa mais “fudido” são as pessoas, de uns tempos pra cá, perdi a paciência total com qualquer um e por isso amo de paixão ficar sozinho, porém sinto que estou triste(desanimado), que minha vida está passando e eu to aqui viajando, só que não sei pra onde correr e está afetando a tudo e todos. Sinceramente tenho vontade de sumir do plano e, o seu texto me ajudou muito, preciso refletir mais sobre isso e achar a saída, creio eu! Obrigado

  • Juliana Vermelho Martins

    Olá

    O blog é papo de homem, eu sei, mas ha algumas semanas venho “espionando” o campo inimigo, ops!, amigo!

    Muito bons os textos, vou continuar espionando ;-)

    Sobre esse, especificamente, um dia escrevi o que penso a respeito. Ali fala sobre experiências em geral, mas a ideia é a mesma quanto a relacionamentos. Vivemos uma época de surdez emocional. Perigosa, bastante perigosa.

    Bem, se interessar, a ideia completa está aqui (texto longo): http://julianavermelhomartins.blogspot.com.br/2012/12/hein.html

  • Mai

    Fred, MUITO obrigada por esse texto!!! Era tudo que eu precisava ler!

  • ninie

    linkei aqui com a busca no google ” mudança de rotina pode causar depressão”… e bah não é bem sobre o que sinto.. mas eh tudo isso mesmo……… ( isso pq na minha vida quando mudanças acontecem, acontecem grandes boas e ruins, todas ao mesmo tempo, e vem acontecendo “uma vez por ano”, e me sinto fadigada)….. pq quando estou na rotina acho o tédio uma merda… e quando estou na montanha-russa do mês dos acontecimentos do ano só o que busco é rotina e aceitaria o tédio em troca da angústia… terapia né?? :(

  • Nerd Investidor

    Achei muito legal esse negócio do “viver em turbo” e principalmente o trecho “sensação constante de estar de fora de uma festa maravilhosa onde todos estão curtindo além dos limites e só você não tem o endereço”. Me sinto muitas vezes assim e também sinto essa pressão de outras pessoas. Acredito que o caminho seja buscar mais a paz interior e menos a “felicidade de Facebook” (aquela onde todo mundo posta foto do final de semana na balada, está sempre feliz, posta imagem com frase de filósofo).

  • jpmachado

    Fred, o foda é que essa mesma inquietação, quando canalizada de forma criativa, é o que nos trouxe até aqui como civilização, não fossem esses indivíduos insatisfeitos, sempre buscando novidades, ainda estaríamos comendo banana podre e fugindo de leopardos. Me parece mais justo reconhecer que algumas pessoas preferem a instabilidade, e acham nisso uma estabilidade, um contentamento descontente faz sentido pra você? pra mim faz, e muito. Eu mesmo sou um desses que tem o botão turbo (TDAH, disse o meu psiquiatra), e vejo nisso uma beleza tremenda, me chame de existencialista hahaha

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  • Juliana

    Caramba… Cada linha do texto e cada comentário são, como alguém já disse por aqui, um tapa novo na minha cara. Todas as informações estão passando muito rápido pela minha cabeça, juntando com outras que já estavam aqui dentro. Algumas eu absorvo e depois já se dissipam de novo, outram passam e depois voltam, se ligando àquelas que haviam se desmanchado.

    Tentei escrever um texto organizando toda a minha confusão, mas não consegui. Parece que todo aquele sentimento de conflito e aperto sumiu junto com as palavras.

    Aos poucos espero vencer todos os paradoxos que estão na minha cabeça. Este texto, apesar de ter criado mais alguns (hahahaha), foi de grande ajuda. Muito obrigada!

  • jonas
  • Luciana Costa

    Muito bom o texto!!!
    A um tempo atrás tive uma conversa parecida com meu namorado.Ele estava em dúvida dos seus sentimentos e na cabeça dele, aquele frio na barriga,desespero e vontade de estar perto do começo,deveria durar pra sempre e se não sentia mais aquilo queria dizer que o sentimento acabou.
    Conversamos,demos um tempo pra gente avaliar o que queria,o que sentia exatamente, e eu disse a ele “Você pode arrumar outras 50 namoradas depois de mim,mas com TODAS elas vai acontecer a mesma coisa,o encanto do começo uma hora vai acabar e o que resta é que é importante”. Se restar respeito,amizade,cumplicidade,e tezão isso é amor, e eu prefiro o amor e a constância do que o fogo e desespero da paixão.
    Acho que ele entendeu (assim espero rs)

  • Nielson Fernandes Silva

    Assim é a natureza humana:
    Quanto mais tem, mais quer!

    Sempre insatisfeita, faminta, insaciável,
    Quer porque quer, porque quer porque quer….

    Um vazio incomoda a alma, nada a satisfaz …
    Cegos demais pra perceber que o vazio no peito é do tamanho de Deus!

  • Laíssa

    E se esse ponto de vista for só mais uma faceta da mente pra te fazer aceitar sua atual realidade?

    Concordo com o vício que temos por prazer constante, mas acho que o problema não está no “prazer” (apesar de que qualquer vício, por si só é nocivo pois nos torna dependentes de algo) mas sim nas formas que buscamos esse prazer.
    Acreditar que acabar um relacionamento pode mudar totalmente sua vida é ilusão, pois transporta ao outro a culpa pela sua insatisfação.
    Acredito no caminho contrário, o caminho que nos direciona a nós mesmos. Primeiro devemos tentar mudar a nós mesmos dentro de nossas relações, para depois decidir o que nos é realmente prazeroso ou não.

    Sou completamente a favor das mudanças, sejam elas de relacionamento, profissionais ou geográficas!! Mas se você acreditar que só isso é o suficiente para te fazer feliz, você vai cair novamente na armadilha do prazer passageiro.

    É necessário que a mudança seja intensa e verdadeira, que você não mude somente de emprego, mas mude também como funcionário. Pois são as transformações reais que vão te trazer a felicidade real e te desprender desse vício dos pequenos prazeres.

    Então se a sua vida ta uma bosta faz tempo, e todos os seus namoros e empregos terminam em tédio, termine esses relacionamentos mas termine também a sua forma de se relacionar, procure ser um namorado diferente, um empregado novo! Renove-se até encontrar aquilo que faz teu coração vibrar.
    Não há tédio que suporte a uma vida plena de satisfação!

  • Paula Araujo

    adorei o texto, muito inteligente e saudável. Encaixa muito na realidade facebbokeana dos dias de hoje, onde as pessoas compartilham tudo o tempo todo: “olhem como eu sou feliz, olhem como estou curtindo a vida…” Cada um procura a sua satisfação onde quer. Mas a vida é uma viagem sem volta, rumo ao cemitério,sex exceções e cabe a nós escolhermos o que vamos deixar por aqui. Eu escolhi deixar as boas ações sem alardear ao mundo inteiro o que estou fazendo.

  • Marina Martini

    Apesar de o turbo enfatizado ter sido o de relacionamentos, acredito que tenhamos uma grande dificuldade em encontrar sentido para todas as nossas ações e reações. Trabalhamos, estudamos, nos exercitamos, tentamos manter uma vida social, sempre buscando otimizar tudo, sempre procurando inovações, é sempre tudo com muita pressão: no trabalho, vc deve apresentar resultados de forma rápida e criativa, na faculdade vc tem tirar notas boas, passar nas matérias (se formar, q é o mais difícil), socialmente tem q se dedicar aos amigos para ñ acabar isolado, se ficar mto tempo sem namorar é o isolado/amargo, enfim…vamos mergulhando nesse turbilhão até surgir uma pergunta: PRA QUE?
    Quando isso acontece, começamos a observar mais o pôr do sol, os abraços e os sorrisos, enfim…coisas que ñ se compram… coisas que ñ conquistamos com o suor da batalha do dia a dia… coisas que estão lá e sempre estiveram, simples e sem grandes desenvolturas de criatividade…é só sabermos aproveitar.
    Excelente texto… me levou a novas reflexões!

  • Luana Almeida

    Fred, sempre genial! :)

  • Joao Paulo Morais

    Interessante seu post, explica tudo, mas senti um (rancor,inveja, insegurança, explicação de nao consiguir ter o mesmo) em postarem no facebook seu post tentando comparar os sultões dos camarotes com a essência de seu post.

    Acho que pode-se considerar isso como quem quer explicar sua situação de falta de dinheiro para aproveitar a vida como os sultões aproveitam, tentando de alguma forma se enganar e dizer “Eles fazem isso porque são escravos do turbo, já eu nao sou escravo”, assim deixando suas consciências limpas e encobrindo suas invejas e sede de vontade de curtir o turbo. Quem não curte pode ser muito bem chamado de covarde pois teme nao conseguir se satisfazer, mas lembrando que o homem vive pouco entao precisa sempre de mais e mais, claro que se nao conseguir nao enlouqueça.

  • Juliana Marcantônio

    Olá, Fred!

    De vez em quando leio os textos do “Papo de Homem”, alguns servem para mim também. Ainda não tinha lido um texto seu e achei demais quando o vi como autor, pois já participei de um workshop contigo há uns 4 anos, sobre relacionamento, e li seu livro sobre Sombras.

    Há momentos em que sinto o que você disse: “Eu mesmo já me peguei imaginando algo foda que iria fazer e, quando penso realmente em colocar em prática, parece que dá um bode antecipado e não faço porque na hora H não é tão legal quanto na imaginação. Isso já me tirou energia para começar ou concluir muitos projetos.” No momento estou dando um tempo para mim, já que saí do emprego e acabei de terminar uma pós. Quero mudar de função, por em prática o que aprendi e reaprendi no curso, mas tem hora que me pego pensando se quando o frio na barriga acabar vou sentir o mesmo tédio da função atual… mas mesmo assim, está mais do que na hora de mudar!
    É bom ler e entender que a maioria de nós estamos buscando ser melhores a cada dia, e que as vezes vem o dia em que não estamos tão bem assim… me sinto mais acolhida e começo a me entender melhor.
    Mais uma vez, está me ajudando com suas reflexões!! Obrigada!
    Juliana

  • Ramon Morais

    Por mais que seja complicado no começo, (pelo menos pra mim foi), hoje em dia eu encaro cada dia um novo aprendizado, uma nova aventura, mesmo que seja a mesma rotina de sempre, não devemos olhar pelo lado rotineiro, mas sim pelo lado que aproveita os simples momentos, aliás, a felicidade pode estar nas pequenas coisas. Òtimo texto Fred!

  • Pingback: O rei do camarote e a grotesca cultura do vip | PapodeHomem

  • Leonardo

    “Não deves corromper o bem presente com o desejo daquilo
    que não tens: antes, deves considerar
    também que aquilo que agora possuis se encontrava no
    número dos teus desejos.
    Quem menos sente a necessidade do amanhã mais alegre
    mente se prepara para o amanhã.
    A vida do insensato é ingrata, encontra-se em constan
    te agitação e está sempre dirigida para o futuro.”

    “Quando te angustias com tuas angústias, te esqueces
    da natureza: a ti mesmo te impões infinitos desejos
    e temores; A quem não basta pouco, nada basta; Se queres enriquecer Pítocles, não lhe acrescentes
    riquezas: diminui-lhe os desejos.”

  • Alan Nakano

    Esse texto me lembrou de um outro artigo do papo de homem
    http://papodehomem.com.br/o-video-mais-incrivel-do-mundo/
    sobre saber aproveitar o momento.

    Eu vejo essa constante necessidade de inovação como um costume, desde os tempos de infância e preservado pela adolescência, da mente sempre estar entrando em novos territórios.

    Antes não era assim (ó o velho falando), mas hj em dia as crianças estão mais desapegadas. A emoção de ganhar um game boy, depois um Ipod, depois Iphone 1,2,3,4… um Ipad, etc. supera a emoção de mantê-los. Os pais sucumbem à natural, porém desencorajável, agonia dos filhos em entrarem em rotina, atendendo-lhe estes desejos.

    Hj eles são criados em um mundo onde há uma constante mudança, natural que, qdo crescam, sintam, lá no fundo, que rotina é simplesmente errado, falta de vida.

    Se um cara pensando assim pegasse a mulher PERFEITA (pra ele) não conseguiria sustentar um namoro de qualquer jeito, pois invariavelmente na mente dele se estabeleceria, essa grande emoção de tê-la, como um padrão, esquecendo que melhor q isso ele não consegue. Então basicamente esse tipo de pensamento não leva a um sentimento profundo pelas coisas.

  • Renato Santana

    Cara que texto foda! Acho que a vida moderna acrescentou mais uma escala na pirâmide do Maslow! Querem que estejamos hiper-realização pessoal, um degrau acima. E a gente cai nessa historinha facilmente. Eu me pergunto, pq tem que ser SEMPRE intenso, perfeito e com objetivos. Será que não dá para aproveitar o processo? Treinar a serenidade (acalmar aquele balançar dos pés e pernas). Não dá para viver tudo! E isso causa uma ansiedade em nós que não queremos perder nada e tendemos a pensar apenas em curtir a vida adoidado.

  • Fabio Silva

    Belo texto!!!

    Esse “turbo” que buscamos em nossas vidas, é a explicação de muitas pessoas buscarem relacionamentos perturbados emocionalmente. Se uma pessoa passa oito horas em um emprego chato, monótono ou repetitivo. Nada melhor do que um relacionamento conturbado, onde focamos toda a nossa força. para compensar as oitos horas perdidas.

    Isso explica porque um relacionamento certinho se torna chato, onde a garantia de vitória é certa.

    Gostamos do desafio, incerteza e desconhecido.

  • Pingback: Não gosto de ninguém (ou prepotência “espiritual” niilista) | ID #21 | PapodeHomem

  • Dávine

    Texto magnifico,nunca precisei tanto de um texto assim como hoje. Obrigada =*

  • Marcos Quevedo

    Show de texto Frederico! Parabéns!

  • José Monteiro Júnior

    excelente texto …..faço relação do texto com o vício criado em se buscar a felicidade em outros lugares, menos com o que você já tem ou é possível…

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