Não vale nada uma pinóia!
Eu sou daqueles que perde grande parte do dia no Orkut.
Mas para uma causa nobre – discutir futebol. O tal do espaço virtual faz com que eu tenha uma inédita “convivência” com pessoas de outros estados e torcedores de outros times.
Colorados, atleticanos, cruzeirenses, gremistas, botafoguenses e até mesmo um americano (especificando que aí o americano é torcedor do América-MG – é imprescindível explicar, já que América é o nome de time mais comum do Brasil).
Pra quem não sabe, o América foi o único mineiro a vencer 10 campeonatos seguidos
E foi desse americano que vi lá, uma vez, um comentário que passei a endossar. Discutia-se sobre a importância dos campeonatos estaduais, se eles realmente valem a pena ou não. Então o americano – Bruno Orsini é o nome da fera – disse o seguinte:
- Desvalorizar campeonato estadual é indício de mau caráter!
Perfeito, perfeito! Resumiu em poucas palavras o que eu sempre pensei a respeito. A cultura futebolística brasileira de uns tempos pra cá mudou tanto que de repente os estaduais passaram a ser vistos com o mesmo peso de Terezas Herreras e Ramons de Carranza. Nos imprecisos e polêmicos rankings tem gente que coloca o estadual valendo menos que a Copa Sulamericana e as finadas Mercosul e Conmebol!
Claro que não vou, aqui, dizer que o estadual deve ser levado tão a sério quanto Brasileirão e Libertadores. Mas indiscutivelmente tem mais peso que a Sulamericana e até mesmo a Copa do Brasil – que, na era dos pontos corridos e Libertadores inchada, deixou de ser o tal do “caminho mais curto para a Libertadores”.
Os estaduais aliam tradição com rivalidade. São os únicos campeonatos disputados initerruptamente no Brasil há mais de 80, 90 anos. E é consenso entre os especialistas que o fato do Brasil ser o país com mais times que podem ser chamados de “grandes” – são 12, no mínimo – deve-se à profusão de campeões que o futebol tinha (e tem) a cada ano.
Estadual é templo de jogos históricos
E não podemos esquecer que, com a consolidação dos pontos corridos no Brasileirão, os estaduais acabam sendo uma das únicas oportunidades de ver uma finalíssima entre dois clubes rivais.
As decisões em São Paulo, Rio e Minas em 2007 estiveram seguramente entre os momentos mais emocionantes do futebol no ano. Que atleticano vai esquecer o gol sobre o “Fábio de Costas”, que rubro-negro não se lembrará com emoção dos pênaltis contra o Botafogo, que santista ainda não sentirá a agonia da espera pelo segundo gol contra o São Caetano?
Que venham os estaduais, então. Mal vejo a hora de começar a torcer pelo tri do meu time (que, se vier, repetirá um feito obtido pela última vez no triênio 67/68/69), curtir as inúmeras decisões do Rio e esperar que alguma zebra apronte no Rio Grande do Sul e em Minas.
Por que por mais que alguns moderninhos insistam em rejeitar, campeonato estadual vale sim!
Olavo Soares, 27 anos, é jornalista, santista e morador de São Bernardo - com muito orgulho dessas duas últimas qualidades, da primeira nem tanto. É mais um dos integrantes da equipe do Futepoca, o melhor blog de esportes de 2007.
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