Papo de Homem

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Metralhando mitos e clichês (1): O Kama Sutra como um manual ilustrado de posições sexuais


Publicado por Gustavo Gitti em 14.12.2009 às 11:39 em Bate-Papo, Sexo e Relacionamentos

Começo hoje uma série de artigos contra lugares comuns, clichês, mitos, chavões, mal-entendidos, equívocos, crenças, ideologias, ilusões, preconceitos…

A ideia é treinar a mente como se fosse um músculo, desenvolver nitidez e precisão no olhar, aprender a pensar até o fim. E então não mais ser papagaio de discursos e falas cuja origem e finalidade nos são desconhecidas.

Eis, justamente, o motor de uma ideologia ou preconceito: impregnar o outro como um vírus e se ocultar durante o processo, deixando falas e ações surgirem como se estivessem sendo produzidas pela pessoa, não pela ideologia. A própria vítima diz “Essa é minha opinião” ou “É nisso que eu acredito”, sendo que aquilo é tudo menos uma visão pessoal.

Sem combater esse processo sutil de servidão e sequestro, não vamos muito longe em nossa busca saco-roxo por liberdade e autonomia.

Começamos mirando em toda uma cultura de sexo de revista que relaciona Kama Sutra a posições sexuais e Tantra (tema do próximo post) a sexo prolongado.

Kama Sutra ilustrado?

nerd
Ao olhar essas posições, você aprende a consertar um computador? Então, é a mesma coisa com sexo.

O Kama Sutra é um daqueles livros (cuja quantidade infelizmente está aumentando) dos quais todo mundo fala, mas ninguém lê. E se você já leu, são grandes as chances de você não ter lido o original e sim um manual qualquer de sexo intitulado “Kama Sutra do Sexo Oral”, por exemplo.

Toda vez que retratamos o Kama Sutra como uma coletânea ilustrada de posições sexuais, esquecemos completamente que o Kama Sutra original não tinha imagem alguma e que mais da metade da obra não fala de sexo, mas de comportamento.

Muito além da cama

Kama, em sânscrito, significa desejo, prazer, e se refere ao corpo e seu universo sensorial, incluindo erotismo e estética em geral. No conjunto de visões que chamamos erroneamente de Hinduísmo, kama é um dos objetivos de um homem na vida. Os outros são artha, trabalho e riqueza; dharma, sabedoria e prática de virtudes; e moksha, iluminação.

Dentre esses quatro objetivos na vida de um homem, kama é considerado o mais inferior. Ser um homem virtuoso é a maior das aspirações mundanas e atingir a liberação de nossa experiência cíclica de insatisfação/satisfação é o objetivo último.

Ou seja, de toda uma cultura riquíssima em lógica, matemática, poesia e filosofia, escolhemos valorizar uma obra sobre sexo e relacionamentos. ;-) Os poderosos Upanixades, por exemplo, passam despercebidos pela maioria das pessoas. Neles reside uma das expressões mais subversivas ao cristianismo convencional: “Tat Tvam Asi” (“Aquele és tu”).

A grande sacada do Kama Sutra é mostrar que kama pode ser praticado e explorado sem prejudicar as práticas de artha e dharma, como parte do caminho para a liberação, moksha – algo completamente descartado por nossa apropriação cotidiana da obra e distorcido por quem se utiliza desse mesmo discurso para justificar sua suposta prática de “sexo tântrico” (como veremos aqui em breve).

menage
Você sabe como se fala ménage à trois em sânscrito? [Fonte: Wikipedia]

O que é sutra?

Sutra, também em sânscrito, quer dizer linha ou fio. O radical deu origem ao verbo sew: costurar ou tecer, em inglês.

Em obras como o Kama Sutra, compilação de antigos conhecimentos e tratados, de Vatsyayana, e o clássico Yoga Sutra, de Patanjali, sutras são como aforismos, ainda que em forma de prosa. Já na tradição budista, os sutras são como relatos e transcrições dos diálogos de Buda, assim como aconteceu na tradição ocidental com Platão, com a diferença que Buda era um dos interlocutores.

Portanto, ignore quando ler por aí que “sutra = manual ou guia”. Se você já sabe o que fazer na cama com uma mulher, sugiro outros sutras muito mais importantes, como o Surangama e o Prajnaparamita.

Sem posições sexuais

Se ainda assim abrirmos o Kama Sutra com a intenção de aprender algo sobre sexo, em vez de decorar posições sexuais, deveríamos focar na dinâmica sexual, como os tipos de tapas e sons correspondentes que a obra descreve. A ideia do sexo como um momento para o casal explorar extremos e superar obstáculos parece que se perdeu em uma cultura que define sexo como penetração.

Infelizmente, o problema não é apenas cognitivo ou teórico: nossa visão de sexo condiciona nossa prática. Visão estreita, prática meia-boca.

Depois dos tipos de tapas, achei um trecho excelente:

“Such passionate actions and amorous gesticulations or movements, which arise on the spur of the moment, and during sexual intercourse, cannot be defined, and are as irregular as dreams. A horse having once attained the fifth degree of motion goes on with blind speed, regardless of pits, ditches, and posts in his way; and in the same manner a loving pair become blind with passion in the heat of congress, and go on with great impetuosity, paying not the least regard to excess.”

cavalo
Em vez da posição sexual, aprenda a atitude do cavalo.

Outras leituras possíveis

Podemos aprender também com a motivação de quem compilou esses saberes e técnicas.

Na introdução do Ananda Ranga, um livro parecido com o Kama Sutra, encontramos uma crítica que se aplica muito bem aos homens atuais:

“they do not give them plenary contentment, nor do they themselves thoroughly enjoy their charms. The reason of which is, that they are purely ignorant of the Scripture of Cupid, the Kama Shastra; and, despising the difference between the several kinds of women, they regard them only in an animal point of view. Such men must be looked upon as foolish and unintelligent; and this book is composed with the object of preventing lives and loves being wasted in similar manner.”

Homens que não oferecem plena satisfação às mulheres, que não apreciam e não desfrutam plenamente de seus charmes, que tratam suas parceiras como animais (ou objetos), que desperdiçam amores e vidas… É, isso é coisa do passado.

Eu também gosto de ler essas obras antigas (o Kama Sutra surgiu por volta do séc. II, publicado no Ocidente apenas em 1884) de modo lúdico. Junto com as besteiras, há muita coisa engraçada e verdadeira.

Por exemplo, num trecho do Ananda Ranga, estão descritos os momentos em que as mulheres estão mais fáceis, soltas e abertas ao sexo. Um deles é durante tempestades e trovões…

Em tempo: quer ler uma das melhores traduções para o inglês? Aqui está, dentro do projeto Gutenberg. Kama Sutra em .TXT é o que há.

kama-sutra
Kama Sutra: versão para homens.

Destrua você também

Eu não vou falar mais do Kama Sutra, não apenas porque eu nunca o li na íntegra, mas porque a intenção dessa série “Metralhando mitos e clichês” é menos aprender e mais desaprender.

Explicar o que não é, criando abertura e espaço para nos relacionarmos aos poucos com que é. Em vez de colecionar mais informações, vamos nos livrar do lixo que aceitamos e reproduzimos diariamente.

Se tiver sugestões de temas mal compreendidos e ideias clichês, por favor envie para gitti arroba papodehomem.com.br

Obrigado e um abraço!

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Foto do autor

Gustavo Gitti é baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É autor do Não2Não1 e coordena a Cabana PapodeHomem.

Outros artigos escritos por Gustavo Gitti

  • Daniella
    Gostei do post! Interessante...rsrs
  • Thiago
    Não entendi... Postar uma citação do livro, cujo original é em alguma língua/dialeto da Índia, em inglês...? Pra quê isso? Pagar de cult? Ou o público alvo deste blog são pessoas de conhecimento abrangente nessa língua? Por mais que sua edição seja em inglês, não faz sentido postar integralmente se já é uma tradução. Creio que uma tradução livre seria bem mais adequada.
    E não, isto não tem nada a ver com o meu conhecimento sobre a língua inglesa.
    Enfim, crítica chata de alguém que vê o blog pela primeira vez (a saber, post "O que tanto buscamos em noitadas, bebidas, mulheres, trabalhos e viagens?"). Desconsidere se quiser.
    Abraços.
  • Freelancer
    Nem tem muito o que acrescentar, nem ao texto nem aos comentários! Acho que como meu curso na universidade trabalha muito filosofia e sociedade não chego a ter dificuldades pra enteder o que é seguir, ou não seguir um discurso pré-pronto. A idéia de detonar mitos é muito válida, porque estamos cercados deles por todo lado! e como você disse no artigo, esses manuais tão aumentando muito em número - poderiamos dizer que a insatisfação esta muito grande? e nesse caso, haveria algum interesse em realmente esclarecer por parte de quem"produz" esse material?

    parabéns abraço!
  • Paulo de Tarso
    Gostei do texto. É realmente impressionante o quanto reproduzimos idéias e comportamentos que não são nossos.

    Somos diariamente metralhados com muita informação. E nesse frenesi que nos atingo, supomos que quanto mais informações acumulamos, melhor nos tornamos. E pensamos que estamos aprendendo, quando na verdade estamos apenas consumindo idéias pré-fabricas, nas fábricas de ideologias, construídas para reproduzir comportamentos que visam moldar pessoas.

    E nesse processo, para nos livrar de tanta "dominação" ideológica, temos que aprender a desaprender, aprender a questionar.

    Um guia seguro passa pelo reconhecimento de nossa pequenez e ignorância. Depois, temos que reconhecer que o poder está nas idéias que aceitamos.

    Toda a ideologia é uma explicação lacunar da realidade cuja função é defender um poder. Lacunar porque não sobrevive a um olhar mais detalhado.

    Como aqui neste site se discute muito relacionamento, um bom exemplo é analisarmos o quanto os papéis dos gêneros se definem e se redefinem com o passar do tempo. Tal definição está sempre a serviço de alguma ideologia. O machismo - uma ideologia - defende que um determinado papel deve ser exercido pelo homem e outro pela mulher. A quem serve essa definição.

    E, o mais interessante, é notar o quanto a cultura defende a ideologia dominante, o quanto nós, apesar das mudanças dos tempos, apesar das forças das novas ídéias, relutamos em aceitar contestações e, o quanto, por isso, racionalizamos novos discursos sempre para apresentar mais palatável idéias antigas.

    É isso!
  • Indra
    #29 - Jão

    "a questão que levantei".
    EU ;)
    Estou me referindo ao meu primeiro comentário pra tentar deixar ele mais claro, não ao texto em si, embora envolva o assunto.
  • Juliana
    Incrivel, voce consegue expressar suas ideia perfeitamente! Amei o texto, e belissimo fechamento...

    ''Em vez de colecionar mais informações, vamos nos livrar do lixo que aceitamos e reproduzimos diariamente."

    As pessoas precisam de pensamento critico, saber absorver apenas o que é importante e que nos acresenta...

    Parabéns!
  • Jão
    #26 - Indra:
    "impregnar o outro como um vírus e se ocultar durante o processo, deixando falas e ações surgirem como se estivessem sendo produzidas pela pessoa, NÃO PELA IDEOLOGIA."...

    Acho que a ultima parte resume tudo, a questão é não ter crença e ser papagaio (como você mesmo afirma) quando isso não faz parte do seu leque de ideias, tornando-o em parte incongruente. Ter referencia de um texto, artigo, livro e etc que seja congruente com a sua ideologia ou com seu contexto de ideias e crenças. É óbvio que qualquer um pode ter a crença que quiser, sobre qualquer coisa, são crenças, que de certa forma e a princípio, não é interessante discutir o quão verdadeiras são ou não, talvez discutir apenas se nos faz bem acreditar sobre esse contexto de ideias, que pode vir do budismo, do cristianismo, das relações exteriores, indagações, enfim, seu próprio mundo e sua visão. A ideologia ganha mais importância do que aquilo que você pode ser, pois você é a ideologia até o ponto em que decide expulsá-la ou tomar outra como base, no final de tudo, engessar as ideias até o momento que lhe convem é o mais importante.

    Relato aqui minha experiência: Eu já me senti um papagaio quando pregava e incitava outras pessoas expondo minha opinião em determinados assuntos, porém nunca colocava em prática tais conceitos ou fazia o contrário do que pregava, ou seja, um moralista e pecador (que sabia dos pecados que criticava)...Isso é papagaiar, assim como ser um sofista e dizer algo apenas porque soa bonito. Mas há diferença em dizer, pelo menos pra mim, quando você pensa e vive naquilo em que acredita. As palavras ganham força e sentido!
  • Mr. Berlitz
    "... a intenção é menos aprender, e mais desaprender."

    Sábias palavras Gitti!
  • Indra
    me expressei melhor, agora?Fico com preguiça de ter esse tipo de conversa pela internet, mas gosto muito :)
  • Indra
    ok, retirei o começo do parágrafo pq a questão que levantei não é sobre ideologia em si, mas uma comparação sobre o processo descrito em relação à ideologia e o que tu faz no seus textos.

    "impregnar o outro como um vírus e se ocultar durante o processo, deixando falas e ações surgirem como se estivessem sendo produzidas pela pessoa, não pela ideologia. A própria vítima diz “Essa é minha opinião” ou “É nisso que eu acredito”, sendo que aquilo é tudo menos uma visão pessoal.”

    E levantando outra questão, não importa o quanto o texto seja bom, se o leitor que gostar for um "papagaio" ele vai simplesmente repetir, sem refletir.

    Ps:Não foi uma crítica, só achei que seria uma constatação que poderia interessar pro Gitti.E "Indra é nome de homem"!
  • Ahh se todos pesquisassem antes de postar como o amigo...

    Depois de ler esse artigo acho que vou até deletar alguns dos meus bookmarks, afinal o conhecimento é uma daquelas coisas com a qual não se pode andar pra trás!

    Boa Gitti, adorei o artigo e o tema parece bastante promissor!

    Que venham os próximos.. EPIC WIN!
  • Maíra Matos
    Gitti,

    Entendi em parte, porque vc tem que admitir que isso é meio denso pra ser explicado em 9 linhas :)
    Se não entendi errado, vc tentou dizer que, usando um exemplo, há diferença entre:

    1. Uma pessoa que milita contra o preconceito racial, mas que acaba cometendo atos de diferenciação racial em função de uma proteção automática da causa. Por exemplo, aquela camisa escrito 100% negro, ou criar problemas quando se cita a palavra negro em qualquer circunstância (as duas situações são, inclusive, paradoxais)

    e

    2. Aquela pessoa que de fato não ve diferenças raciais, por isso não vê necessidade de tratamento/proteção especial para negros ou indios, branco, azuis ou amarelos, embora entenda que há quem destrate alguém por este aspecto

    A pessoa 1 peca por fazer da própria causa um problema paradoxal (como o feminismo também o fez ou faz), que é ser, ao invés da neutralizaçao de um problema, uma acentuação dele

    A pessoa 2 é aquela que de fato sacou que "peraí... pra que isso tudo? Se a gente é igual (e vcs entendem de que igualdade estou falando), pra que acentuar a diferença? Não tem diferença? Pra que atribuir certo valor pra algo que não tem valor nenhum (uma cor de pele)?

    *usei ate um tema bem polêmico, considerando o a existência de debates sobre cotas raciais, mas não existe só dois lados nessa moeda (sim ou não). Há que se pensar tanto no ato de diferenciação que é a própria existencia da cota, quanto na questão da dívida social e o tempo que leva para pagá-la, etc etc
  • Maíra Matos
    Bem, o que o/a Indra pode estar querendo dizer é que no fundo não há quem não siga referências e que a originalidade é algo perdido/misturado com a embolação de idéias aprendidas de fontes externas. Ou seja, Gitti e seus textos no fundo mostram conhecimentos e idéias vindos de outras crenças, ideologias etc, etc...

    O grande lance, e acho que foi isso que o Gitti quis dizer, é que essa embolação de idéias não pode ser simplesmente uma coletânea de coisas que já se viu, ouviu ou leu. Esse monte de inormações só é iteressande intelectualmente e emocionalmente quando digerida, pesquisada, criticada, revisada, conferida e misturada com outras informações e experiências, até que se crie uma opinião, até que se internalize conhecimento.

    Aproveito pra deixar meus elogios ao Gitti não só pelos textos, mas principalmente pelas idéias que escolhe desenvolver.
    Apesar de Geógrafa, tenho certa obsessão por temas como os que vc costuma abordar (exemplo, não o Kama Sutra, mas a idéia de que não se aprende a criticar as coisas, a necessidade da dinâmica entre certeza e dúvida, da desconstrução e reconstrução de idéias).
    Precisamos explorar sempre a profundidade de certas coisas simples, mas que justamente por isso são de maior importancia o ser humano, e que cotidianamente são ignorados pelas pessoas.
    No fim das contas, temas filosóficos aplicados no dia a dia, e as pessoas nem se dão conta disso.
  • Oi Maíra!

    Se for isso, então não tem contradição alguma, pois a ideologia é justamente quando há um ocultamente desse processo. Se eu uso um discurso do existencialismo, sabendo disso, explicitando isso, citando Sartre etc, não há cegueira ideológica a princípio. Pode existir por outros motivos, mas não pelo uso do discurso existencialista.

    O problema, a definição de ideologia ou a causa de um preconceito, é o discurso que oculta a si mesmo. Nesse caso, a pessoa usa um discurso machista ao mesmo tempo em que nega a existência do machismo, percebe a diferença?
  • Aldair
    #17 - Indra:

    Concordo plenamente.

    A idéia principal do tópico eu consegui entender. Mais tenho que admitir que em algumas partes fiquei "boiando".
  • Aldair,

    Concorda exatamente com o quê? O que tem a ver ficar boiando com o processo de cegueira ideológica?

    Indra,

    Poderia ser mais específica e detalhar sua crítica?

    Abraços!
  • Metralhou meu mito e meu clichê sobre a obra em questão! Nem imaginava...
  • #5 - Daniel Sugui falou e disse!
    parabéns pelo post gitti. vc escreve muito bem.
    e essa série me parece que será muito boa.
    abraços.
  • Indra
    "Eis, justamente, o motor de uma ideologia ou preconceito: impregnar o outro como um vírus e se ocultar durante o processo, deixando falas e ações surgirem como se estivessem sendo produzidas pela pessoa, não pela ideologia. A própria vítima diz “Essa é minha opinião” ou “É nisso que eu acredito”, sendo que aquilo é tudo menos uma visão pessoal."

    já percebeu que tu costuma fazer isso nos teus textos?

    “Tat Tvam Asi”
  • Louise
    "Ler no PC é bem enjoativo… Pra quem tiver interesse, uma editora de livros de bolso vende dele"
    A versão reduzida, reescrita por outros e que não é o Kama Sutra original, né? =|

    Não sei como disseram que "A Arte da Guerra" é óbvio! haha Muito bom que algumas pessoas entendam de primeira, mas a maioria não entende, isso é sabedoria milenar não são questionamento que qualquer um poderia ter pensado e escrito. A mesma coisa o Kama Sutra.

    E eu vi comentário aí que colocam romântico, inspirador, "um saco" e sandice na mesma frase. Não li o original, aposto que pareça mesmo loucura em vários momentos, mas como algo tão romântico e inspirador vira um saco? Arrisco dizer que é por isso que depois de um tempo os homens deixam de "enjoy our charms"... =/


    Oh foolish and unintelligent men...


    Bem, adorei o seu post como sempre, Gitti. Adoro desaprender. Aguardo ansiosa a próxima "deslição" (?).
  • IGOR
    sobre o kama sutra, as imagens de posições e justamente para os ignorantes comprarem..

    ja sobre o livro a arte da guerra é mto interessante sim o phoda é levar todos os ensinamentos passado no dia-a-dia ao pe da letra, tanto qnto os outros livros de auto-ajuda(porcaria)......
  • Fernando
    Ler no PC é bem enjoativo... Pra quem tiver interesse, uma editora de livros de bolso vende dele. É pequeno, dá pra ler de uma vez.

    Livro antigo realmente é meio óbvio em algumas partes, e o fluir das ideias é diferente do que estamos acostumados. Mas é muito interessante tentar entender como eram as que escreviam e liam esses livros. A parte que ensina como comer mulheres casadas é interessantíssima! Haha
  • Realmente, os textos do Gitti sempre acrescentam.

    A série promete.
  • KK
    concordo com o #2 - Fábio Ricardo, eu tb comecei a ler o kama sutra e achei interessante no inicio e um saco no meio (pq nem terminei)

    uma parte q eu achei engracada eh a q adverte os homens a nao se casarem com mulheres narigudas, feias, leprosas, entre outros "criterios".
    sera q alguem la se casou cm uma leprosa e se deu mal? hahahaha
    eca :P
  • Cigano
    ...é, realmente, o sexo já não é mais a mesma coisa de épocas remotas, esta cada vez mais seguindo a lógica do individualismo e do prazer próprio (performace,status e etc.), frutos do cristianismo e do capitalismo.

    O sexo com as maquinas esta vindo aew, não duvidem.
  • Igor
    Os textos do Gitti sempre acrescentam. Parabéns.
  • Acho que o maior mito de todos é sabermos que somos seres sexuais e pensar isso como o ato sexual em si. Acho que existe muito mais coisa além disso.
    Não sei se é impressão minha, mas vejo por aí muitos 'oitos' e 'oitentas'. Explico: ou temos puritanos excessivos que ficam vermelhos só em ouvir a palavra sexo ou temos oferecidos desbocados que tratam o assunto com a abertura vulgar que ele não mereceria.
    Sexo faz parte da nossa vida, é natural e deveria ser menos banalizado ou supervalorizado, taí o paradoxo.
    Eu também curti este primeiro capítulo da série, já me empolgo só em saber que é o Gustavo Gitti, cujos textos são ótimos. Só faço coro ao Daniel Sugui quando diz "esperar que não fique restrito à pseudocultura indiana que se alastrou por aqui nos últimos tempos".
  • Victor
    #4 Daniel Sugui
    A arte da guerra não é isso que vc falou...
    Concordo que ele repete demasiadamente certas coisas, mas não é apenas uma penca de frases obvias, se fosse não estaria da lista da Veja de livros mais vendidos por tanto tempo... o livro é excelente e tem muito a ensinar ;)
  • Felipe
    A maior parte das pessoas é incapaz de entender, e muito menos reproduzir, obviedades do dia a dia.
  • Pedro
    Parabéns pelo artigo. Eu já li a versão original justamente após descobrir que não é mero livro sobre posições sexuais e sim uma norma de conduta de um povo.

    As pessoas ainda hoje se sentem desconfortáveis ou olham "torto" quando disse que li o Kama Sutra.
  • Daniel Sugui
    "A leitura que pareceu tão entusiasmante, acaba enjoando. E no final do livro, tudo que você quer é terminar ele logo pra poder fingir que nunca leu tamanha sandice."

    E assim é com a maioria dos livros muito antigos. Não li o Kama Sutra, mas tentei ler A Arte da Guerra, de Sun Tzu. É um desfile de afirmações óbvias, que qualquer um com o mínimo de bom senso é capaz de concluir. Pode ser que na época em que foi escrito fosse uma pérola de sabedoria, mas hoje em dia já é parte do conhecimento geral.

    Quanto à iniciativa de desmitificação de crenças errôneas, acho bastante interessante. Espero que não fique restrito à pseudocultura indiana que se alastrou por aqui nos últimos tempos.
  • Barretta
    Eu tb li algumas páginas, você mais dá risadas do que qualquer outra coisa. era tão ruim que eu não estou me lembrando as baboseiras, mas bem pro lado da parte do trovão e tempestade mesmo, daí pra pior...
  • Fernando
    Lembrei de uma vez em que estava "vasculhando" um sebo (isso foi na época do fervor da novela Caminhos da Índia): entra uma menina de proporções avantajadas e pergunta ao proprietário se ali não havia um exemplar do Kama Sutra. O senhor reponde prontamente: se queres aquela com ilustrações, não temos. A guria dá um sorrizinho amarelo, sem jeito e sai, com um "Ah! Tá...".
    hehehehehe!!!

    Voltando ao assunto, já sabia que se tratava de um manual de comportamento, mas foi ótimo levantares a questão, pois ainda muitas pessoas têm um conceito errado dessa obra. Aguardo outros artigos desta série e, parabéns pelo blog, sempre instrutivo e muito bem escrito.
  • Eu li o kama sutra em seu formato original. Ele começa empolgante, mesmo sem falar de sexo, basicamente. Mas ele vai se tornando cada vez mais monótono ao você descobrir que ele passa páginas filosofando a respeito de um beijo dado na palma de uma mão aberta.

    É bonito, romântico, inspirador... MAS É UM SACO!

    A leitura que pareceu tão entusiasmante, acaba enjoando. E no final do livro, tudo que você quer é terminar ele logo pra poder fingir que nunca leu tamanha sandice.
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