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Medo e orgulho como mecanismos ocultos de auto-engano

Guilherme Nascimento Valadares

por
em às | Mente e atitude, Trabalho e negócios


Hoje compartilho uma das habilidades que mais treinei ao longo da vida: como fazer uso inconsciente de medo e orgulho para se fechar tão hermeticamente quanto um jabuti enquanto resolve problemas, ignora outros e lidera pessoas.

Senta que lá vem história.

* * *

Tivemos uma reunião de quase duas horas(prevista pra trinta minutos) ontem: eu, Gitti, Fabio, Felipe e Roberto. Gitti nos apresentou uma proposta para conduzir seu trabalho da melhor maneira possível, dentro da movimentação exposta no artigo “Qual é a sua jornada?“. Papo excelente, ótimos embates.

Ao final, me peguei cobrando o Felipe pela sexta vez sobre uma ideia sugerida por ele próprio há apenas quatro dias. Gitti complementou como eu de fato já fiz isso umas tantas vezes e como essa postura de cobrança excessiva parece usurpar a autoria de um projeto para o feitor da cobrança. Quase como se a cobrança fosse martelada de maneira tão insistente a ponto do progenitor da ideia nutrir aversão por sua própria cria.

Bem real.

Senti o mesmo inúmeras vezes quando eu estava na posição de ser cobrado.

Samurai cansado, em "The Way of the Samurai"

Qual era minha justificativa/muleta aparente, para realizar essa cobrança ostensiva?

“Garantir que a ação ideal fosse feita no menor tempo hábil possível, acelerando nossos resultados.”

Qual era a necessidade oculta por trás dessa justificativa?

Me posicionar com autoridade perante o grupo. Orgulho. Não perder minha força. Medo.

A cobrança feita desse modo seria o melhor caminho para de fato alcançar o objetivo pelo qual me justifiquei internamente agir dessa forma?

Não, tendo em vista a construção de um chassi saudável.

Talvez, a curto prazo. A contrapartida seria cultivar tensão e desmotivação no Felipe, a médio/longo prazo, culminando em processos de burn out para ambos. Vivemos isso ano passado, ipsis litteris.

* * *

Dormi como um rei de sexta pra sábado. Deixei meu corpo despertar no horário de sua conveniência, ao contrário do que faço nos outros dias da semana. Fora responder alguns emails, meu principal destino era o piquenique do último dia da Semana Cinética – divulgada aqui mesmo. Um bocado de pessoas se reuniu no parque Zilda Natel pra debater planejamento urbano.

Cheguei ao final da tarde. Me postei bem tranquilo do lado de fora da roda – em pé, óculos escuros, braços cruzados e escutando. O vento dificultava um pouco, mas dava pra pegar as ideias centrais. Lá pelas tantas o pessoal se levantou para caminhar pelo entorno. Luiz de Campos Jr. do Rios e Ruas iria nos contar das origens por trás da região de Perdizes – local de nosso QG.

Cheguei

A organizadora me cutucou e disse, “Tira esse óculos. Parece que veio como observador, olhando por cima, e não pra se conectar. Descruza os braços.”

Hmmm, ruminei, antes de me “abrir”. Após escutar toda a fala do Luiz, fui embora e deixei o episódio na gaveta mental, marinando. Ontem à noite, enquanto requentava o delicioso kibe de carne recheado com catupiry feito pela Mônica no almoço, bateu o estalo. Meu medo e orgulho usaram mecanismos de defesa equivocados para não serem expostos. Filhos da puta. Já havia observado em ocasiões anteriores como os dois pregam peças.

Qual era minha justificativa/muleta aparente, para estar de óculos e braços cruzados?

“Há sol ainda, está esfriando. Estou prestando atenção e me conectando com a fala mesmo assim. Inclusive memorizei o que sujeito acabou de dizer. É possível estar absorto em profunda conexão de óculos e braços cruzados, ou mesmo em qualquer outra postura corporal.”

Qual era a necessidade oculta por trás dessa justificativa?

Ainda que houvesse verdade na muleta aparente, havia também uma tentativa besta de, no fundo, no fundo, me distanciar da situação e dizer como sei/sou mais do que os outros. Percebam o quão sofisticado é o mecanismo. A justificativa mental para o comportamento é sólida. Consigo sustentá-la, me impondo com facilidade em várias situações. Por trás dela, longe das vistas destreinadas, habita o equívoco: estou de fato distante.

Estou distante pois novamente indo ao fundo da coisa, esse é um traço bem masculino pelo qual tenho apreço, não me deixo penetrar ou ler com facilidade. E em que medida uma postura distante é capaz de real conexão, abertura ou empatia?

Não sei precisar. No meu caso, a conexão, abertura e empatia tendem a surgir quando estou em posição de liderança, me fazendo questionar ainda mais que porra de abertura é essa. Posso ter me acostumado a ceder e abrir apenas em contextos de comando e clara autoridade.

Qual o medo em ceder e me abrir fora dos contextos de controle?

Sendo franco, o medo passa por me expor, ser “descoberto” em algum tipo de farsa, cagar no pau; em suma, variações do aparentar fraqueza ou ser rejeitado.

* * *

O processo para vomitar esse texto foi uma via crucis, a qual vem sendo percorrida arduamente nos últimos anos e, em especial, nos últimos seis meses.

Pior, ao escrever observei a consciência buscar mil e um argumentos maravilhosos para mostrar como qualquer eventual demonstração de medo, orgulho ou egoísmo foi mero lapso; *nunca* nada além.

Em resumo, eis o percurso:

  • a consciência detecta riscos – de ser exposta em suas partes sensíveis, ser rejeitada, humilhada
  • ela dispara mecanismos de auto-engano para se proteger da exposição
  • o auto-engano preserva o ego de sua própria fragilidade medrosa e orgulhosa
  • as muletas de auto-engano são muito bem racionalizadas e amarradas
  • você compra suas próprias besteiras
  • acreditando o suficiente, transmite essa convicção ao exterior
  • as pessoas ao redor escutam, confiam e executam, ainda que possam não se sentir expecionalmente motivadas
  • ocasionalmente, elas se sentem atropeladas
  • os mecanismos internos de medo e orgulho seguem presentes
  • o ciclo se repete
  • espaços de REAL liderança, abertura, crescimento e autonomia seguem não sendo acessados

Ou seja, um sujeito sente medo, orgulho e ainda assim é capaz de convencer, planejar e executar grandes tarefas com auxílio de outros. No processo, ganha louros de ousadia e competência. O que não é necessariamente ruim, projetos necessitam avançar independente dos humores e instabilidades dos envolvidos. É ilusão buscar avanços sem atritos – eles são naturais.

A carapuça

Me pergunto o quão sustentável ela é e qual é sua potência para a construção de reais aliados – aqueles que lutam além dos cifrões. Mais, o stress associado cobra preços altos – seja na mente ou no corpo.

Como balancear liderança, firmeza, decisões, entregas, complexidade e eficiência com disponibilidade, abertura, leveza, relaxamento e confiança?

Por fim, como tem sido a experiência de vocês ao detectar suas muletas mentais prediletas, aquelas das quais se envergonham ou sequer admitem terem usado? Seja no contexto profissional, afetivo, familiar ou qualquer outro.

Deixo em aberto para o debate.

Guilherme Nascimento Valadares

Focado em comunidades digitais, conteúdo e desenvolvimento humano desde 2006. Na interseção desses três pilares, surgiram o PdH, o Escribas e O LUGAR (ex-Cabana). Formado em Comunicação, atuei bom tempo como estrategista digital.


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  • Rodolfo

    Bem, acredito que seja a primeira vez que comento aqui. Me vejo quase na mesma situação que você, Guilherme. Tenho 16 anos, e faço parte de um grupo juvenil chamado Ordem DeMolay, no qual assumi uma posição de liderança para o primeiro semestre desse ano. Sempre tive essa coisa de ser fechado, não demonstrar meus sentimentos e me esconder atrás de uma máscara de alguém impassível. Percebi que minha posição de liderança recém-assumida não combinava com essa postura e, desde o começo do ano venho me colocando num processo de abertura, que está funcionando, ao meu ver. Realmente gostei do texto, pois além de evidenciar uma situação parecida com a minha, me abriu os olhos para os mecanismos que agem dentro de mim, me fazendo ter esse tipo de atitude.

    Abraços.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Rodolfo, absolutamente do caraleo você buscar posições de liderança mantendo forte senso auto-crítico, com apenas 16 anos.

      Espero que tire proveito transformador.

      Se sentir disposição para nos compartilhar sua experiência em algum tipo de relato, dê uma lida aqui:

      http://papodehomem.com.br/diretrizes-para-novos-autores/

      grande abraço,

      • Rodolfo

        Opa! Decidi há pouco tempo assumir essa postura. Em parte foi por reflexão das coisas que leio por aqui, por isso tenho muito a agradecer. Obrigado pela dica e o link, assim que eu tiver algo relevante, aqui será o primeiro lugar que pensarei em compartilhar.

        Abraço!

  • marcos nunes

    Não é dicícil perceber que a todo instante nossas percepções, filosofias e discursos estão cheios de lacunas, erros e inconsistências, principalmente quando os outros não as detectam e vão pelo caminho inverso, nos deixando na ceerteza de que não apenas estamos nos autoenganando bem, como também estamos enganando os outros, o que é ruim. Mas não há sequer uma fórmula para superar nossas fórmulas fáceis que não sejam também fórmulas fáceis, ou mecanismos, que utilizamos em nossas relações sociais e nelas encontram ecos e dissonâncias. O que não quer dizer que não devemos aparar erros e arestas, mas que esse trabalho, embora não inútil, é sumamente difícil e de resultados idemonstráveis. Enfim, muito trabalho que não vê os tijolos se amontarem para construir os prédios que, não obstante, estão à vista de todos.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      “Não é dicícil perceber que a todo instante nossas percepções, filosofias e discursos estão cheios de lacunas, erros e inconsistências, principalmente quando os outros não as detectam e vão pelo caminho inverso, nos deixando na ceerteza de que não apenas estamos nos autoenganando bem, como também estamos enganando os outros, o que é ruim.”

      Trecho bem bom, Marcos.

      Sobre ele, não é difícil notar nossas inconsistências. Mas e o próximo passo, como é pra você? Como avança ou lida com elas? – e aqui nem ameaço pressupor que haveria algum tipo de resolução final, foco minha pergunta na coisa do “lidar”.

      “embora não inútil, é sumamente difícil e de resultados idemonstráveis. Enfim, muito trabalho que não vê os tijolos se amontarem para construir os prédios que, não obstante, estão à vista de todos.”

      Penso ser mesmo um trabalho árduo, por demais. E de difícil demonstração externa.

      No entanto, uma boa medida de nosso progresso pode ser comentários vindos de pessoas em nossa convivência. Escutei algumas vezes esse ano observações nesse sentido, sobre como meu comportamento tem se alterado de maneira perceptível.

      Ainda assim, é fácil essas próprias mudanças se transformarem numa espécie de trófeu “Sim, eu mudei!” e daí o sujeito rapidamente derrapa de volta ao buraco.

      Mais, há de se ponderar em que medida e em quais direções mudar. Pois por trás das dificuldades e obstáculos relatados, há doses do que de melhor movimento e executo no PapodeHomem.

      Sigo ponderando sem pressa, não tenho conclusões formadas. Sinto que o processo vai até a cova…

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      ps.: como diabos esse comentário excelente do Marcos Nunes foi negativado duas vezes?

      o_O

  • Eduardo Amuri

    Bastante perceptivo o texto. Fez bastante sentido, especialmente após a experiência deste final de semana.

    Me aproveitando da sua mania inglesar frases: you’re not alone.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Muy bueno, cabron.

      Em quais momentos do final de semana, especificamente, notou conexão com trechos do texto?

      • Eduardo Amuri

        Mais pelo panorama geral do que por fatos isolados.
        Jantei com o Gitti ontem, comentei a admiração pela animação incansável e o estranhamento por não termos conseguido conversar meia dúzia de frases que não fossem bagunça, putaria e afins. Concordando com os comentários acima, identidades montadinhas, supervalorizadas e exaustivas não são privilégio seu. Caímos nessa muito fácil. Eu, você, Gisela, Felipe, todo mundo.
        Me pego incorporando um lider extremamente centrado vez ou outra, dos piores. Vou me flagrando, vigiando, tentando relaxar, para que a máscara fique tão notória e ridículo, que caia sozinha. O que está por trás é maior. Muito maior.

  • esaigh

    Cara, que texto bom!
    Estou perplexo com a sincronicidade dele com o meu atual momento. Meu medo sempre foi o da rejeição, do “não” ou da humilhação de não ser o “escolhido”. Esse medo sempre foi relacionado ao sexo feminino. E é engraçado perceber isso, quando já se é casado e com filho, onde, teoricamente, isso menos importa. Quando solteiro, por conta desse medo, desperdicei inúmeras chances de conhecer pessoas legais, que me proporcionariam momentos memoráveis, justamente por temer um resultado negativo. Como forma de máscara, meu medo vestia exatamente a carapuça do leão, do cara durão, fechado. Se interessada quiser, ela que venha… que infantil, que bobo.
    Que covarde.
    Hoje, mais velho, busco maneiras de entender e vencer essa barreira.
    Alguém pode me dar algum material sobre isso?
    Recentemente tive o privilegio de conhecer o programa na TV Cultura, Café Filosófico, que dentre muitos temas abordou o medo, vale a visita.
    http://www.youtube.com/watch?v=YxDOnSW9414

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fala, Esaigh.

      Seu comentário me lembra muito pedaços de meu caminho – ainda que eu não tenha filhos e esposa.

      A rejeição, para homens, é usualmente associada ao feminino, ao processo de sedução.

      Fora desse contexto, a rejeição tende a ser jogada pra debaixo do tapete. Seu projeto foi rejeitado no trabalho? Aprenda pra fazer melhor na próxima.

      O grupo de amigos não te trata tão bem como *realmente* gostaria? Amigos são isso mesmo, vivem se xingando e se tratando mal de vez em quando.

      O chefe não reconheceu seu esforço? Tudo bem, segue se esforçando. Um dia sua cadeira vai ser dele.

      Afinal, se você abre o jogo e diz que detesta receber críticas pois isso te lembra como o seu pai mal olhava pra sua cara quando tirava um C na prova, o que vão dizer? “Ah, vai prum psicólogo… melhor do que ficar aqui falando comigo.”

      O processo envolve sempre passar por cima, absorver, engolir… mas nunca avançamos sobre nossos verdadeiros medos. Mais, o homem capaz de engolir e absorver é visto como exemplo de fortaleza.

      Acredito que o caminho passa primeiro por nos dar conta das camadas ocultas. Das camadas ocultas por trás daquelas já ocultas, e irmos nos observando atentamente, sem medo de ver nossos cantos frágeis – e pqp, como somos frágeis.

      Em adição, ter um círculo no qual se possa confiar para dialogar, praticar e avançar conjuntamente é das melhores garantias para não nos perdermos da estrada.

      Nesse sentido, pode ser interessante conhecer a Cabana – http://www.cabana.papodehomem.com.br .

      Abração, cara

      ps.: vou lá ver o vídeo que indicou.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Ah, me lembrei de um livro *excelente* que estou lendo, cara.

        Esse, “Smile at Fear: Awakening the True Heart of Bravery”:

        http://www.amazon.com/Smile-Fear-Awakening-Heart-Bravery/dp/1590306961

      • esaigh

        Valeu pela resposta Guilherme! Vou dar uma olhada no livro. Já fui cabaneiro, das antigas. Ensaio um retorno as origens…

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Te digo, a coisa evoluiu bem por lá.

      • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

        ”O processo envolve sempre passar por cima, absorver, engolir… mas
        nunca avançamos sobre nossos verdadeiros medos. Mais, o homem capaz de
        engolir e absorver é visto como exemplo de fortaleza.”

        @papodehomem:disqus achei fascinante vc ter dito isso.
        Me bateu um insight aqui, pois é por esse mesmo processo ao qual eu tento me submeter pra me livrar dos meus bloqueios. Abertura em vez de se fechar, sinceridade em vez de se justificar.
        Cara, me dá até uma alegria ver isso. Isso tudo só comprova, como o Gitti disse, que somos todos exatamente iguais, a nossa luta é a mesma.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        É isso, Arthur.

    • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

      maneiras de vencer essa barreira ?
      eu diria que o trabalho voluntário é uma boa ideia. Eu to começando nisso ha pouco tempo mas ja me sinto instigado a nao parar. Te abre umas portas interessantes.

  • Márcio

    Sempre que tenho a oportunidade de ter uma conexão mais estreita, também me fecho por medo e orgulho. Mas essa “proteção” funciona bem só na hora, depois me faz sentir distante. Enquanto se mostrar, as vezes pode causar alguma reação indesejada, porém depois gera mais intimidade e proximidade.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Os mecanismos báaasicos de buscar prazer e evitar dor se fazem presentes em nosso dia-a-dia o tempo todo, não?

      • Márcio

        Vejo também que temos um mecanismo de buscar o prazer através da dor. Por exemplo, fazer academia pra se sentir bem. Tomar uma cerveja no final de semana (que não teria o mesmo sabor se não tivesse trabalhado duro a semana toda).

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Admiro a coragem de se expor assim, ainda que esse cara que foi exposto não vá muito longe… Mas eu boto fé no cara que expôs. ;-)

    Como te disse pessoalmente, Guilherme, eu acho que essa tentativa de balancear vem da própria estrutura que nos fode. Nunca vi alguém construir uma identidade sem orgulho, sem medo, só equilibrando tudo de modo a não errar (errar no sentido de produzir problemas, como você relatou).

    É como se em algum nível essa fala toda fosse ainda 100% a fala do orgulho: “Galera, eu tentei, não consegui, como é que se consegue?”. E uma boa resposta é: “Orgulho, esquece, cara, você NUNCA vai conseguir não causar sofrimento”.

    Poranto, como a gente se identifica com isso tudo, é preciso a gente contemplar algo assim: não vai dar certo, não seremos felizes tentando desse jeito. Esquece.

    Essa desistência, pra mim, é uma das melhores coisas que a gente pode fazer na vida, o quanto antes melhor.

    Às vezes a gente tem a sensação de que a gente avança só porque batemos cabeça, sofremos. Aí parece que aprendemos, que tudo faz sentido e que agora erraremos novos erros. Mas isso não significa um real avanço. Essa sensação de “Agora to mais sábio” nos impede de desistir. No budismo, por exemplo, isso equivale a sacar a primeira nobre verdade: há uma insatisfação generalizada, não vai dar certo, nunca chegaremos onde queremos chegar se ficarmos tentando desses mil jeitos.

    Pelo que vi até hoje, os poucos homens e mulheres que conseguiram isso que a gente almeja fizeram um percurso que não passa por controlar e sustentar uma identidade que vai aprendendo, aprendendo até que enfim (não) aprende…

    Pensa, como é que o orgulho surge? Onde investigamos isso? E como é que o orgulho é liberado? Onde treinamos isso igual treinamos pra perder barriga?

    E como as identidades surgem? E por que há essa insatisfação constante? E como o sofrimento acontece? E a mente, como opera? Como a realidade se constrói? Como as relações se dão? Quais são as dinâmicas mais profundas?

    Eu já desisti de tentar criar um Gustavo Gitti sem medo e sem orgulho, sem esses enroscos que você descreveu. Sem chance. NUNCA isso vai acontecer.

    O que me deixa feliz pra seguir é a perspectiva de que é possível, sim (e eu já encontrei pessoas assim bem de perto, e acompanho algumas há anos), abrir o coração, ser feliz, beneficiar os outros, iniciar grandes movimentos positivos, sem tanto orgulho e sem tanto medo, com alegria e satisfação.

    Confio (porque estudo isso racionalmente) até na eliminação completa de medo e orgulho. Mas parte do estudo envolve contemplar e compreender como isso não é possível para uma identidadezinha.

    A identidadezinha sempre vai buscar se defender, sempre vai se fechar em alguma condição, sempre vai ter limitações ao tentar ajudar os outros, sempre vai ser autocentrada, sempre vai fazer posts sobre seus enroscos fazendo perguntas que não levam exatamente à resposta que ela precisa ouvir, mas a respostas que ela gostaria de ouvir.

    Um exemplo de como esse outro percurso pode acontecer está nessa fala sobre o FIB, dando ênfase na importância da transformação dessas estruturas internas (tem de ouvir até o final pra sacar o lance):

    http://www.youtube.com/watch?v=ZlC6-YUjadY

    Como o Amuri disse, estamos juntos. Somos iguaiszinhos.

    Seus enroscos não são seus. São correntes enferrujadas e cordas lamacentas que estão no chão, fazendo TODOS tropeçarem.

    Esse trabalho é nosso. Não é nem a questão de te ajudar ou me ajudar, mas de ajudar a todos, ao mesmo tempo. É como se conseguíssemos construir uma ponte sobre a lama ou dinamitar as correntes.

    Aliás, escrevi sobre isso para a Vida Simples que sai sexta agora nas bancas. Como operar com uma mente coletiva. E você faz isso muito bem, Guilherme.

    • http://www.facebook.com/perfildodavid David Alexandre

      Poutz, e não é que o Gitti escreve usando emoticons mesmo? Hehehehehe!

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fala, padawan.

      “Nunca vi alguém construir uma identidade sem orgulho, sem medo, só equilibrando tudo de modo a não errar (errar no sentido de produzir problemas, como você relatou).”

      Então, bem colocado.

      Não penso em resolver, em fechar a fatura e aí sim, seguir para uma existência finalmente plena.

      Minha toada é: como lidar, compreender e transitar por meio de toda essa putaria com mais destreza?

      Também pensando que toneladas de outros seres vivem o mesmo inferno “pessoal/coletivo” e silencioso, fiz questão de enfatizar as próprias falas nebulosas/tortas.

      Abre bem para o diálogo e cresce AINDA MAIS com uma resposta tacape como a sua.

      “Essa desistência, pra mim, é uma das melhores coisas que a gente pode fazer na vida, o quanto antes melhor.

      Às vezes a gente tem a sensação de que a gente avança só porque batemos cabeça, sofremos. Aí parece que aprendemos, que tudo faz sentido e que agora erraremos novos erros. Mas isso não significa um real avanço. Essa sensação de “Agora to mais sábio” nos impede de desistir. No budismo, por exemplo, isso equivale a sacar a primeira nobre verdade: há uma insatisfação generalizada, não vai dar certo, nunca chegaremos onde queremos chegar se ficarmos tentando desses mil jeitos.”

      Você deveria escrever um texto chamado DESISTI, se aprofundando e compartilhando essa visão conosco.

      “Seus enroscos não são seus. São correntes enferrujadas e cordas lamacentas que estão no chão, fazendo TODOS tropeçarem.
      Esse trabalho é nosso. Não é nem a questão de te ajudar ou me ajudar, mas de ajudar a todos, ao mesmo tempo. É como se conseguíssemos construir uma ponte sobre a lama ou dinamitar as correntes.”

      Estamos aqui pra isso.

      “Como operar com uma mente coletiva. E você faz isso muito bem, Guilherme.”

      Obrigado.

    • http://www.facebook.com/annaclaudia.haddad Anna Claudia Haddad

      Gostei muito da sua fala, Gitti. Ela transpira
      bastante, para mim, o conceito de interdependência budista. Essa noção de que o
      mundo que nos circunda é inseparável de nós mesmos e de que não temos a solidez
      que julgamos ter. E daí a ideia de desracionalizar para alcançar qualquer coisa sequer. O maior problema do texto do Guilherme, então, foi a própria ponderação,
      que, por si só, não resolve ou responde muita coisa.

      A fala do Fred ressoou muito aqui,
      também. E me lembrou aquela teoria humana do Machado (andei falando desse conto com o
      Guilherme algumas vezes): “O alferes
      eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se, mas
      não tardou que a primeira cedesse à outra; ficou-me uma parte íntima de
      humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o
      campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os
      rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem.
      A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o
      exercício da patente, a outra dispersou-se no ar e no passado.”

      E aí é que mora o perigo. O alferes
      transitando em lugares que não só os de situação líder/liderança, mas permeando
      todo o resto. Subvertendo as qualidades, bagunçando as prioridades.
      Desumanizando o homem.

      Não acho que tenha solução objetiva. É o
      dilema do homem em sua enorme ambiguidade de ser para si e ser para o outro.
      Até que ponto as imagens convergem? O que antecede, o objeto ou a reflexão? Muita linha para puxar nesse carretel.

      O texto não deixa de ser corajoso. O maior problema, na
      minha opinião, é que ele foi inspirado pelo homem, mas racionalizado,
      escrito e publicado pelo líder. Tudo fica muito bem costurado e articulado. Como o Gitti disse: o orgulho falando de si próprio. E aí?

      Beijos aos três.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Esse trecho do conto do Machado é muito bom, Anna. Quero ler a história completa.

        Sobre o texto ter sido inspirado pelo homem e racionalizado, escrito e publicado pelo líder: tsc tsc tsc.

        Não estão fatiados dessa maneira. Não consigo nem dizer “quem” fez cada parte. Então deixo em aberto.

        Não compro a ideia de ter sido escrito por um, nem por outro.

        beijo,

    • Matheus De Gregori

      Tinha acabado de ver o vídeo sobre o “FIB” quando li o texto e teu comentário, Gitti. Aliás, estou diariamente vendo vídeos do Lama Samten, bem como lendo trechos de livros budistas que tu indicaste. E praticando, na medida do possível, é claro (leia-se, caminho do “ouvinte”) hehe. Mesmo em pouco tempo (cerca de um mês) já tenho notado a diferença/benefício de cultivar uma mente mais lúcida. Eu desconhecia a minha capacidade (e a capacidade de todo mundo) de se refugiar na natureza livre da mente, e como isso melhora a qualidade da experiência, bem como amplia os espaços de possibilidade oriundos dos diferentes processos/perturbações em que nos vemos envolvidos. Te agradeço, porque foi lendo teus textos que entrei em contato com essas sabedorias. Um abraço.

    • s

      as

    • LedLoco

      Não considero medo e orgulho coisas ruins… Acredito que são sentimentos que veem como um aviso em nossa vida… O que diferencia é como encaramos e lhe damos com esses sentimentos, o medo nos avisa de que algo pode estar errado e faz com que nos atentemos melhor para as coisas, e o orgulho nos trás mais auto-confiança e felicidade interna, e para saber lhe dar melhor com o orgulho acredito que a melhor forma é treinar a humildade! Eu acredito muito que todos os sentimentos são bons, alegria, felicidade, inclusive o da raiva e tristeza, pois é, pois a tristeza nos proporciona momentos de reflexão que geram muitos aprendizados internos e auto-conhecimento, e a raiva nos proporciona uma energia interna que quando bem direcionada faz nós agirmos… Alias, curto pra caralh* os posts de vocês aqui, poderiam fazer um post sobre sentimentos como alegria, felicidade, tristeza e raiva né, gostaria de saber a visão de vocês e da galera ;)

  • http://www.facebook.com/andreserafim André Serafim

    É… o medo de sentir medo.
    Eu abuso dessas muletas mentais no meu cotidiano. Tanto quem em algumas situações simplesmente não saberia agir sem elas.
    É péssimo ser acusado, confrontado e exposto. Mas pior ainda é pensar que pode fugir disso tudo.
    Aprendi que uma cruzada de braço salva seu orgulho mas destrói sua imagem.
    Ano passado meu orgulho era a única coisa forte que eu tinha pra mostrar. Hoje em dia to malhando o resto.

  • Frederico Mattos

    Guilherme

    Eu conheço o lado B do líder do PdH no convívio caseiro (afinal em 1 ano de coabitação pode-se deduzir muita coisa um do outro). Conheci a pessoa e depois o líder triunfante e pude perceber essa sutil diferença que você narra no texto.

    O homem Guilherme é mais doce, terno, carinhoso, conversador, serelepe, engraçado, generoso, espirituoso e parceirão de verdade. Como líder parece que esse cara é sequestrado e essas mesmas caraterísticas são colocadas no contexto “devo inspirar a todos aqui no PdH” e isso é o tiro no pé.

    O direcionamento de ações é essencial, afinal você é parte da regência da orquestra, mas a acidez associadaa ao perfeccionismo e o orgulho que isso assume pode tomar rumos de um pica-pau que está sempre alfinetando, mesmo tentando ajudar.

    Eu também sou movido por orgulho e pela necessidade de ser querido e não ser rejeitado, mas consegui chegar num bom termo em que eu não fique me punindo e nem aos outros (costuma ser uma dupla inseparável punir a si e os outros) por ter me sentido bobo, feio, chato, inconveniente e deslocado.

    Adotei uma estratégia que talvez não funcione para todos, resolvi me expressar para tirar as pulgas atrás da orelha e isso sempre me ajudou a reconectar com aquela pessoa que eu suspeitava que não estava me aprovando. Já tomei trancos que beiravam a humilhação, já tive feedbacks difíceis, mas também desfeitas de mal-entendidos e confissões de amor.

    Abrir os jogos, expor minhas vulnerabilidades, confessar meus medos e recorrer a ajuda dos outros. Tem sido essa minha maneira de desarticular os receios de não ser o maioral, pois nunca serei.

    Como já disse em off, agora digo publicamente, te amo meu amigo! Cada dia mais admiro sua disposição de mudar aquilo que é sem tabus ou receios.

    Você é um grande pequeno grande homem… kkkk

    • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

      ”Abrir os jogos, expor minhas vulnerabilidades, confessar meus medos e
      recorrer a ajuda dos outros. Tem sido essa minha maneira de desarticular
      os receios de não ser o maioral, pois nunca serei.”

      essa parte me remeteu ao livro ”A queda”, de Albert Camus. Acabei de ler e isso é exatamente o que o personagem do livro propõe como processo para se livrar do julgamento alheio, e consequentemente viver mais ”leve”, sem carregar o peso das suas falhas, medos. Por acaso já leu o livro ?

      • Frederico Mattos

        Não li, mas já li outras coisas dele. Acho que é por aí. Se alguém me ama ou me odeia não posso carregar isso comigo é responsabilidade dela, não minha.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fred, sua fala perceptiva é uma das que mais escuto e presto atenção no mundo, cara.

      Mais, me é algum tipo de lastro com a realidade. Pois seria bem fácil eu me perder entre identidades, sem saber qual delas – e se uma delas – prepondera ou domina as outras. Seria eu bruto, fechado ad eternum? Como assim, se também fui e sou sensível, atento e outras tantas coisas?

      Esse estado de dúvida – ainda que soe besta até pra mim escrevendo aqui, pois um de meus “eus” rapidamente me daria uma chacoalhada – se instala com facilidade. Em especial quando estamos sozinhos.

      Ou quando não estamos sozinhos, mas nos sentimos assim, solitários.

      Obrigado, de coração.
      ps.: não sei lidar bem com a coisa do “eu te amo”, isso tá evoluindo aos poucos. deixo pra expressar meu amor no nosso próximo sparring de muay thai. sem dó nem piedade.

  • Lucas Henrique (Rocco)

    Assim como muitos outros textos aqui do PdH, esse raciocínio ja vinha ruminando em minha mente a tempos.

    Por que temos que ter medo? Por que temos que ter orgulho? De quais sentidos humanos vêm essas “razões”? Como dito acima, da sua própria jornada. O problema mesmo não consiste em te-las, e sim em ouvi-las. Quando se sente o orgulho, vem de tudo aquilo que você fez, daquilo que você construiu e daquilo que você viu outros se fundamentando do que você falou. O medo de não poder fazer mais do que se fez, de destruir o construído e de principalmente de ter suas palavras voltadas contra você é que nos destrói. É nesse intuito de preservar o que foi feito que nos auto-enganamos.
    Já dizia Confúcio “A politica é a extensão da moral”. E a moral sempre está em alta quando suas palavras fazem sentido, seus sentidos dão resultados e seus resultados lhe fornecem mais palavras. Essa parte “política” da moral seria a parte oculta dos mecanismos. Não queremos nos prejudicar com nossas próprias ações.

    Não sei se consegui me expressar direito, porém fica aberto a discussão.

  • http://twitter.com/thatsvitor Vítor de Araújo

    Ia escrever, contar o meu momento e o que estou enfrentando comigo mesmo e meus medos e orgulhos. Mas resolvi ler os comentários com calma, e quer saber? O Gitti tem razão. Somos todos iguaizinhos!

  • Lucas

    Nunca imaginei ver minha carapuça falando

  • ricardo

    Bom, só sei que quero viver todas as oportunidades e experiências possíveis, falar com todas as pessoas e saber tudo que poder. Sem impedimentos, como no seu caso, em que quer se afirmar como muito auto suficiente, assumindo uma posição até autoritária.
    Acho que a liderança num grupo vem direto para quem é carismático e aberto, flexível.

    • ricardo

      “Como balancear liderança, firmeza, decisões, entregas, complexidade e eficiência com disponibilidade, abertura, leveza, relaxamento e confiança” porque colocar como contraditório se são totalmente complementares?

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Não coloquei como contraditórias, Ricardo.

        A proposição feita enxerga essas características como flutuantes, complementares, partes de uma mesma equação. Não opositoras.

        abraço!

  • http://www.facebook.com/wenita.lima Wenita Lima

    Estou ( no sentido de passagem, pois estou apredendo que tudo flui nesse sentido) completamente apaixonada pelo Papodehomem. Viciada eu diria, então sou uma guerreira sendo treinada aqui e por isso, mas não apenas, me sinto privilegiada ao ler esse texto.

  • valeria

    meu modo de viver! impressionante, talvez reconfortante, perceber que não sou única por sentir e repetir medos e orgulhos.
    mas vivemos expostos, e o julgamento de ser sempre melhor, mais forte, mais inteligente e mais bem sucedido, não nos permitir sermos frágeis, inseguros. É quase proibido! Pois a exigência beira perfeição.
    e tudo se torna compreensível…

  • Nina

    A primeira vez que ouvi sobre muletas foi um professor na faculdade, turma de Artes Cênicas, depois disso fui observando e percebi o “mecanismo”, isso não significa que hoje eu não tenha mais, apenas estou consciente.
    Me vi na cena do parque, e em muitos outros lugares com essa mesma postura, cheia de desculpas, mas no fundo era para não me expor.
    Uma das coisas que percebi é que nesse último ano só conheci pessoas interessantes, mas aí concluí: as pessoas não estão mais interessantes agora, eu é que era tão fechada que não dava espaço, assim como também não me permitia me expor.

  • Bandeira

    A vida é assim, uma guerra de palavras soltas, onde o que eu falo tem que abrandar o seu ego, para ser digerido facil assim.

  • Marcos Reis

    Há tempos que venho sempre me questionando sobre o papel de líder que acabo assumindo tanto em coisas pequenas do dia a dia como em grupos maiores na faculdade ou no trabalho. E o que vim aperceber depois de um tempo é que muitas vezes o Orgulho de garantir a predominância do papel do líder nos leva à direção contrária de atender a demanda de liderança. Ou seja, pra garantir que vão me reconhecer como líder, decido, com pulso, vou ter que tomar uma decisão que talvez não vá ser a melhor para o grupo.
    Hoje vejo um papel muito mais interessante do Motivador (que pode fazer parte do líder ou não). Que é justamente o cara que está sempre questionando, incentivando, movimentando coisas e pessoas sem necessariamente estar “a frente” delas. De certa forma é frustrante pois é claro que há momentos que faz falta ser apontado por todos como O Líder. Mas ao mesmo tempo quebra com um dos maiores problemas de uma liderança extremamente forte que é criar dependentes de você. Uma vez que você não precisa forçar decisões ou movimentos, eles vão acontecer sozinhos. Assim cria-se um grupo mais saudável, ativo e interessante. E como o propósito do líder é garantir o coletivo, vejo essa troca do líder pelo Motivador muito mais interessante.

  • http://www.facebook.com/pedroturambar Pedro Américo

    Eu aprendi uma coisa quando estava no papel de liderado, se você “tem que ser” um líder você não o é.

    Mudando suas principais características, seu jeito de ser, seus modos e suas “maneiras”, você deixa de ser aquela pessoa que se tornou um líder. Ou seja, tudo o que te faz um líder você joga fora no exato momento em que você incorpora a figura de líder.

    Na faculdade, na aula de comportamento do consumidor, aprendi que todo líder deve ter três características básicas: Empatia, Conhecimento percebido e Desinteresse. Fiquei muito tempo dissecando esse “Desinteresse”, e descobri que isso vai de encontro ao que eu disse acima. O fato de você querer ser um tipo de líder, o fato de você se postar “eu sou um líder e devo agir como tal”, quebra essa característica básica.

    Ou seja, as pessoas ao seu redor que lhe colocam no cargo. Se você precisa de se firmar num papel de liderança é porque você já não o tem. Entende?

    Isso no papel de fora é fácil. Mas quando se está do outro lado, nossos medos, fraquezas, ego, necessidade de auto afirmação e tudo mais que você disse aí, nos impedem de naturalmente praticar o tal Desinteresse. Só o medo do desinteresse soar falso, já nos fazem passar a perna em nós mesmos.

    É uma questão complicada, de aprendizado constante, de tentar ao máximo ser natural ao ponto de ser aquela mesma pessoa que todos escolheram como seu líder.

  • http://www.facebook.com/pedroturambar Pedro Américo

    Eu aprendi uma coisa quando estava no papel de liderado, se você “tem que ser” um líder você não o é.

    Mudando suas principais características, seu jeito de ser, seus modos e suas “maneiras”, você deixa de ser aquela pessoa que se tornou um líder. Ou seja, tudo o que te faz um líder você joga fora no exato momento em que você incorpora a figura de líder.

    Na faculdade, na aula de comportamento do consumidor, aprendi que todo líder deve ter três características básicas: Empatia, Conhecimento percebido e Desinteresse. Fiquei muito tempo dissecando esse “Desinteresse”, e descobri que isso vai de encontro ao que eu disse acima. O fato de você querer ser um tipo de líder, o fato de você se postar “eu sou um líder e devo agir como tal”, quebra essa característica básica.

    Ou seja, as pessoas ao seu redor que lhe colocam no cargo. Se você precisa de se firmar num papel de liderança é porque você já não o tem. Entende?

    Isso no papel de fora é fácil. Mas quando se está do outro lado, nossos medos, fraquezas, ego, necessidade de auto afirmação e tudo mais que você disse aí, nos impedem de naturalmente praticar o tal Desinteresse. Só o medo do desinteresse soar falso, já nos fazem passar a perna em nós mesmos.

    É uma questão complicada, de aprendizado constante, de tentar ao máximo ser natural ao ponto de ser aquela mesma pessoa que todos escolheram como seu líder.

  • http://www.facebook.com/xaviernandes Leonardo Xavier

    Excelente texto o auto-engano é F****.
    Medo e orgulho as vezes nos privam de ver a verdade, de fazer oq é certo.
    A torto modo eu tenho vencido algumas barreiras, mas ao que cabe a minha cônjuge. Ontem mesmo discutimos muito, ela, a mãe e eu.
    Devido a ela implicar com o padastro, ela ser bonita e querer sempre sair na rua com roupas inteiramente provocantes (aumentando o assedio masculino.), a ela ser indisciplinada com a mãe.
    A Mãe me tentou me conduzir por alguns caminhos tortuosos para convencer a mesma de coisas que mesmo sendo verdade não cabia a mim enfiar aquilo na cabeça dela.
    A mesma Mãe foi chibateando mentalmente até achar um ponto em que eu me envolve-se na conversa um sentimento sorrateiro e traiçoeiro o ciumes, acabei cedendo e aderindo a um… (lado?), não, não havia lados, havia uma filha indisciplinada e preguiçosa querendo continuar uma Rainha trabalhando apenas meio turno e sem nenhuma outra atividade, escolas em greve, ela e a vaidade dela, quando colocada na parede brigou, reclamou, mesmo sem ter a minima razão o seu orgulho não deixava ela reconhecer que estava errada que realmente tinha que haver alguma mudança, que ela tinha que respeitar a Mãe, que tinha que se compor mais um pouco devido a população que reside na vizinha ser 80% homens, e entender que alguns amigos homens, não são de fato amigos.
    Não desmerecendo a mesma (Rainha), afinal ela é bonita, trabalha, mas a vida não é só isso o respeito é fundamental principalmente para com a nossa genitora o medo e o orgulho tomaram posse dela, o ciume de mim.
    Foi um breve lapso no mesmo dia, respirei um pouco mas fundo vi que estava errado e que coisas q eu tinha dito precisavam ser corrigidas, corrigi, mas mantive a maioria das minha propostas de mudança para ela.

    Bem escrevi demais, otimo texto.
    Só quis compartilhar um pouco da minha experiencia com vocês!

  • Isa

    Guilherme, sou fascinada pelo PDH, adoro, acompanho com frequencia há pelo menos 2 anos, recomendo, torço, amadureço e vibro junto com vocês. Confesso que nem tudo me agrada. Que há também o que eu considere tolo, supérfulo, e, em oportunidades cada vez mais raras, até desprezível.
    Seu texto me deixou muito feliz. Neste tempo
    que acompanho o portal, inevitavelmente, após algumas leituras, criei um “croqui mental”
    dos editores. Admiro demais a sua “criação”, mas também a sua luta, sua busca. Mesmo quando não fala delas, são coisas que saltam aos olhos. Confesso também que a minha impressão sobre você, especialmente no início, não necessariamente foi das melhores. Possivelmente, apesar de ser um dos caras que mais admiro daí, era, até então, no meu ver, o de menor empatia. Um resquício de arrogância, superioridade, empáfia, também me saltava aos olhos nas leituras (textos e comentários) e me deixava intrigada: “como pode um cara que dá pista clara de ser mala criar algo tão incrível, audacioso e ainda escrever coisas tão legais em outros momentos?”. Numa das minhas conversas com Alex Castro (que também admiro demais) sobre o papo de homem, chequei a perguntar o que ele achava de você. Comentei discretamente que tinha uma impressão meio ruim ao seu respeito. E ele me disse que você era um dos caras mais bacanas que ele conhecia. De lá pra cá, venho, a cada texto seu, buscando esse cara bacana nas coisas que você escreve. O encontrei muitas vezes. Em alguns momentos ainda dei de cara com aquele cara meio esquisito, obsessivamente controlador. Mas considero esse texto de hoje, um divisor de águas, embora isso dependa muito mais de você do que do meu olhar. O puta cara bacana, fantástico, líder nato, motivado, ambicioso, questionador e objetivo, tirou aquela “roupa de mané” em público. E tenho que dizer: cara, como você é lindo! Procure usar roupas “mais leves” daqui por diante. Elas te favorecem, e muito.
    Parabéns pela coragem e pelas palavras ( e por todas as suas realizações). Obrigada por me dar a honra de conhecê-lo despido e desarmado. Foi um prazer inenarrável.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      O prazer é todo meu, Isa.

      Bem bom ler isso, mais do que imagina.

      Ao longo da história do PdH, fui puxado pra vários lados diferentes. O crescimento dos últimos dois anos exigiu uma dedicação imensa a funções executivas, burocráticas, administrativas, jurídicas, financeiras, processuais – que, se ignoradas, poderiam fazer com que eu e todos os outros nem estivéssemos aqui para trocar comentários contigo.

      No meio disso tudo, houve um necessário endurecimento de casca – e aí já havia minha postura afeita por dar umas porradas, quebrar, cutucar, ignorar, atropelar e se divertir com isso.

      Me afastei da escrita (paixão pura!).

      Mais, há tempos e tempos.

      Houve e há ainda fortemente o tempo de se moer cana. De se colocar tijolos na base. Cada um aqui cumpre seu papel.

      Tenho certeza de que muitos não conhecem bem Felipe Ramos, Roberto Del Grande, Cambiaghi, Mônica, Jô, Julia Ropero, Falcão, Barretta, João Marcos.

      Esses caras estão no coração do que fazemos. Sem essa turma toda, a casa estaria no chão. E muitas revoluções internas aconteceram aqui no QG, em pequenos encontros, emails trocados e conversas.

      Estamos num momento fodasticamente complexo de nos manter vivos. Está beeem difícil fechar negócios como queremos, com a visão que propomos. O risco de falência bate na porta todos os dias.

      Então suponho que há sim uma bela distância em como sou percebido pelo pessoal que frequenta o PdH, e como sinto estar, hoje.

      Palpite.

      abraço grande,

      • Isa

        Você é fascinante. É um privilégio poder acompanhar através das leituras, sua trajetória. Impulsiona, anima, dá gosto. Sou grata por isso, obrigada. Quanto ao resto, estou na torcida.
        Bj.

  • http://profiles.google.com/hcartaxo Henrique Cartaxo

    Uma coisa que me chamou a atenção no seu texto: quando você diz que estava lá de óculos escuro e calado, mas se conectou com o cara e memorizou o que ele disse. Aí está um grande engano. Você só consumiu gratuitamente o que ele disse, sem dar nenhuma contribuição. Como um parasita do piquenique. Por conexão entendo sempre troca, mão-dupla.

    Também tenho pensado nisso com frequência, e passo por problemas parecidos apesar de eu não estar em posição de liderança. As coisas que observei em mim talvez se apliquem a mais pessoas:

    O fechamento e a arrogância vêm da insegurança que convive paradoxalmente com um complexo de superioridade, que não admite que façamos qualquer intervenção que não seja absolutamente genial. A gente então se fecha e se posiciona como observador porque na verdade não tem muita clareza do que pensa ou não sabe se expressar. É difícil para nossa cabeça admitir isso então obliteramos esta idéia e em vez disso ficamos julgando as outras pessoas, pensando que elas são primárias e jamais entenderiam o que nós teríamos a dizer.

    A maioria das pessoas que admiro tem tamanha segurança do que fazem que jamais recusariam discutir qualquer assunto que fosse, mesmo com uma criança. Porque a clareza que eles têm dos seus assuntos lhes permite falar sobre eles de maneira simples, sem rodeios, sem palavras difíceis que os protejam. Dessa maneira não existe insegurança e existe a vontade de compartilhar, contribuir, para fazer o bolo crescer.

    A única maneira de se conectar e pertencer é se colocando, abertamente.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fala, Henrique.

      “Uma coisa que me chamou a atenção no seu texto: quando você diz que estava lá de óculos escuro e calado, mas se conectou com o cara e memorizou o que ele disse.”

      Então, por isso coloquei essa fala como a muleta aparente. Ela é falsa, capenga, caída – engodo total.

      “O fechamento e a arrogância vêm da insegurança que convive paradoxalmente com um complexo de superioridade, que não admite que façamos qualquer intervenção que não seja absolutamente genial. A gente então se fecha e se posiciona como observador porque na verdade não tem muita clareza do que pensa ou não sabe se expressar. É difícil para nossa cabeça admitir isso então obliteramos esta idéia e em vez disso ficamos julgando as outras pessoas, pensando que elas são primárias e jamais entenderiam o que nós teríamos a dizer.”

      É isso. Redondo.

  • Wagner S.

    Confesso que para mim o receio de assumir uma posição de liderança está fundado no meu próprio senso crítico exagerado com relação aos líderes quando liderado e na necessidade quase que involuntária de minar e destituir todas as lideranças a partir de suas fraquezas que sempre, por mim, são identificadas.
    Quando liderado começo bem, porém, após conhecer melhor o líder me rebelo e resisto, já que não aceito ser liderado; não por orgulho, mas por sempre acreditar que falta ao líder humildade para liderar, a partir daí, começa todo o processo.
    É incontrolável…

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      “É incontrolável…”

      PEEEENNNN!

      Bullshit detected, Wagner. ;)

      Eu mesmo já soltei trocentas como essa.

      Há escolha. Você escolhe se rebelar. Você escolhe aceitar o processo pelo qual se foca nas falhas do líder, escolhe não se abrir com ele – ou pensar que ele não dá abertura, escolhe não buscar posições nas quais você lidere…

      Você faz todas as escolhas, de maneira mais ou menos consciente.

      É uma manifestação de arrogância vinculada a comodismo e medo. Também de preguiça em fazer o necessário, que é beeem difícil, para alterar sua situação.

      Falo com conhecimento de causa.

      Coerente pra você, cara?

      • Wagner S.

        Ei cara, foi como um soco no estômago!
        Entre escolhas e justificativas, o incontrolável é que me justifica…
        Valeuu!

  • http://twitter.com/richardrx Richard

    Usando parte dessa lógica talvez o soldado que se pinta para ir ao campo e lutar está para quem se tatua (e me incluo) ou sua atitude de usar óculos escuros e demonstrar linguagem corporal de quem não está aberto a comunicação.

    Orgulho? Talvez, mas também necessário, ainda me baseando na mesma lógica e exemplo do soldado, ele precisa disso para entrar no campo de batalha sabendo que provavelmente irá morrer se pensar com calma e racionalmente.

    E o mendingo que cria realidades alternativas? Passa em estado de embriaguez constante dias de frio intenso, de forma a viver mais facilmente.

    Nosso cérebro é cheio de defesas, algumas contra ele mesmo.

  • http://www.facebook.com/people/Adilson-Kormann/100000135010983 Adilson Kormann

    Descobri minhas muletas mentais aos poucos, vendo minhas deficiências e imperfeições que tanto eu tentava encobrir, sendo um rapaz sério e maduro, ou fugindo da realidade, indo para um mundo fantasioso.
    Foi um processo bem demorado. O puntapé inicial aconteceu, acho eu, quando tinha terminado meu primeiro namoro, e resolvi mudar de cidade, sair da casa dos meus pais, afim de sair da minha zona de conforto. Isto me ajudou a me expor mais, acabei por consequência melhorando meu relacionamento com muitas pessoas, e prometendo menos coisas para todo mundo.
    Normalmente, eu falava e ainda falo mais do que faço. Consigo passar horas na frente do computador e/ou me imaginando em outras situações, que não correspondem nem um pouco com a minha realidade. E quando estava com outras pessoas, costumava falar sobre o que eu iria fazer, sobre onde gostaria de trabalhar e o que pretendia fazer daqui um tempo. De tanto contar sobre meus planos e ideias, e não me responsabilizar sobre eles, no decorrer de alguns anos, fui me tornando o que eu talvez chamaria de auto – farsa. Ou seja, o que eu digo não condiz com minha realidade. Não condiz com o modo como as pessoas me vem.
    E como eu descobri isto? Bom, foi um processo lento, e que ainda continua. Conversando um dia com um Padre, comentei com ele como era fácil pra mim fugir da minha realidade, passar horas me imaginando no lugar de outros, mais famosos, responsáveis e com mais dinheiro do que eu, ao invés de apenas ser eu mesmo, com meus defeitos e necessidades. Segundo o Padre, o que estava fazendo era buscar um ideal em cada personagem que criava. Um ideal que eu queria seguir, mas de fato não seguia. Isso por sí só já me abriu a mente para notar o que eu buscava de fato, um “tipo perfeito” de ser eu.
    A pouco tempo atrás, quando estava em processo de fim de namoro, com toda a fragilidade que veio a tona, parei para pensar como as pessoas de fato me enxergavam. Na minha forma de andar por ai mesmo, parei e pensei, como um desconhecido que me vê dentro do ônibus me enxerga? Bom, tomei um susto e passei a me vestir melhor hehehe.
    Agora tenho feito este mesmo exercício de olhar para mim mesmo, de fora, procurando ver quais são meus defeitos, minhas muletas, e onde de fato estou me apoiando?
    Como uma pessoa hiperativa, estou sempre com as pernas balançando de baixo da mesa ( como agora) e com o pensamento acelerado, então tenho buscado um meio de ou usar esta hiperatividade a meu favor, ou freia – la, ser mais devagar, mais calmo e mais realizador. Só não sei como fazer ainda.

  • Name

    Dois autores que descobri este ano que estão me ajudando a entender melhor esses mecanismos: Christopher Hyat, com seus Black Books, e o autor do blog The Last Psychiatrist.

  • http://www.facebook.com/igorgaelzer Igor Gaelzer

    Me colocando no seu lugar na situação dos óculos, e facilmente posso ver isso acontecendo comigo, cheguei a uma interessante conclusão: Talvez a única forma de não carregar nas suas costas o peso de se sentir responsável pelo bom andamento daquela situação é se não conectando.

    As vezes é preciso um tempo, e temos que cuidar para não aumentar ainda mais a cobrança nestes momentos.

    Eu tenho uma frase multi-uso que eu mesmo criei (acho) que diz: Quando as coisas parecem complicadas demais, simplifique-as. Parece óbvio, mas resolve muita coisa.

    É importante manter em mente que o mundo não depende de nós para acontecer, ele precisa e vai continuar acontecendo mesmo sem a nossa constante interferência. Por isso, as vezes é bom tomar o lugar espectador e ver as coisas tomarem seu rumo, as pessoas aprenderem por elas mesmas e os problemas se resolverem sozinhos. Eles tem que se resolver sozinhos na maioria das vezes ou então tem algo errado.

    Acho que identificar estes medos e orgulhos é fruto de mentes desenvolvidas, que muitas vezes acabam atribuindo a si uma culpa como se este fosse um problema exclusivo. No entanto, não identificar um medo/orgulho não quer dizer que você não tenha um medo/orgulho. Bem pelo contrário, não identificando nossas falhas somos escravos delas. Como dizem, o problema é que o mundo está cheio de pessoas inteligentes cheias de dúvidas e pessoas ignorantes cheias de certezas.

    Compreender DE VERDADE que somos nós os modeladores da nossa realidade tem o seu preço. Por isso, é bem mais fácil quando o nosso destino está escrito para nós e as coisas acontecem.

    • http://www.facebook.com/igorgaelzer Igor Gaelzer

      Ah sim. Já viu esse filme? http://www.youtube.com/watch?v=68Kaa1y2gFQ

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        FILMAÇO

        recomendo forte

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Igor, sua fala é um contraponto excelente. Muito bom mesmo.

      Também não dá pra esperar conexão instantânea imediata, múltipla, sensata, aberta e coerente e sei lá mais o que com tudo, ao mesmo tempo.

      Não dá e nem devemos nos cobrar por isso, como se fosse uma falha fundamental.

      Tudo a seu tempo.

      Tudo a seu ritmo.

      Mesmo.

      O processo de amadurecimento e auto-crítica pode ser sufocante a ponto de paralisar mentes em eterna hesitação. Em processo infindável de dor, punição e outras merdas.

      Portanto, há de se ter espaços introspectivos, reflexivos e há de se chutar a porra do pau da barraca, descer a lenha e fazer o que mais se der vontade – pouco importando a maturidade disso.

      abração,

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000104077969 Guilherme Casimiro

    Finalmente o mágico abriu a cartola pra gente ver o que tem lá dentro. Poucos tem a coragem de fazer o que você fez e isso é lindo, de verdade.

    Ultimamente tenho brigado tanto contra esses mecanismos automáticos de medo, de orgulho que eu sinto até que isto está me prejudicando, vem me apequenando de maneira absurda.
    Me sentindo um merda, literalmente. Ao ponto de achar que não sou capaz de coisas que eu sei que sou.

    Mesmo sabendo de todas as mazelas que envolvem o processo, cada vez mais martelo na minha cabeça que eu não devo ter orgulho, não segurar máscaras ou a tal falada “identidade”.

    Isso vem me fodendo e fodendo forte, sem exageros.

    Cada vez mais acredito que a falta de consciência de alguns processos é uma bênção.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      “Cada vez mais acredito que a falta de consciência de alguns processos é uma bênção.”

      Truco, Guilherme.

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000104077969 Guilherme Casimiro

        É muito ruido, muita confusão, sabe?
        Tem hora que eu acredito que se não queimasse tanto a cabeça nisso, poderia estar aproveitando melhor esse tempo.

        Tô errado?
        SEIS!

        :)

  • Pedro

    Esse texto me chocou imensamente, pelo menos a identidade que tento construir a cada respiração… O que mais me transtornou foi que eu tivesse essa visão de que somos vasos e temos que primeiramente nos preencher e quem sabe tentar derramar aos outros um pouco de nós mesmos, e isso sinceramente é uma mediocridade sem tamanho. Quando esse preenchimento está ligado em usurpar, dissimular, atuar.

    Não sei se tanto a questão de achar que podemos nos oferecer aos outros como remédios milagrosos, ou em algum momento achar que estamos realmente nos entupindo de bondade e visando oferecer aos outros. E ainda mais achar que nós tão especiais, tão únicos, e nos vemos 100% em um relato e não dos bons, achamos que nossa superioridade já se esvaiu de ações negativas.

    O pior momento é quanto compra a sua crença fuleira, e realmente acha que tá certo, acha que tá recluso porque no fundo quer ter algo a oferecer, não quer se submeter, até porque quem se submete foge um pouco desse controle egocêntrico.

    E no fundo fui meio verborrágico, acho que dá pra sintetizar tudo isso como nivelar por baixo, o difícil é tentar o certo. Ou oque parece.

  • http://fabiorocha.com.br/ Fabio Rocha

    Parabéns pelo mergulho sincero em si mesmo. Corajoso. Você tá fazendo algum tipo de terapia ou análise psi ou isso tudo foi sozinho? Abraço

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      fala, Fabio.

      então, não estou em nenhum processo formal de análise ou terapia. no entanto, estou longe de estar sozinho.

      esse mergulho foi resultado forte de muitos dos movimentos internos por trás do PapodeHomem e Cabana. assim como influência de várias das pessoas no entorno. Fred Mattos, Fabio Rodrigues, Gitti, Felipe Ramos, Marco Tulio, por aí vai…

      você tem envolvimento/trabalha na área de psicologia?

      abraço,

  • Bruno

    Cara, tenho 17 anos e parece que os textos do PdH são feitos sob minha demanda, tamanha exatidão de momento com que eles surgem na minha vida. É só eu passar a prestar atenção em um aspecto da minha personalidade que logo surge um texto me dando um baita dum norte (quando não surge, não é difícil achar um no arquivo). Só tenho a agradecer MUITO, a todos vocês.
    Abraço.

  • Pingback: Links de Macho | Mucho Macho

  • Rafael

    Só ficou uma duvida em relação ao Leão utilizado, ele também se refere ao teu signo?

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      nopes.

      sou cabrito.

  • Mel Tupinambá

    O orgulho é uma merda! Ele nos impede de enxergar tanta coisa na gente, tantas falhas, tantos erros, tantas limitações. E a pior parte disso, é impedir que a gente busque uma transformação efetiva! A quem diga que tenha a ver com feridas não curadas, porém, eu prefiro pensar (e nem por isso é mais fácil, pq sofro do mesmo mal) que é uma “falha de caráter” que precisamos corrigir. E pra isso doses homeopáticas de humildade ajudam e muito! Acredite, passar por uma situação de humilhação em muitos casos, é um santo remédio! A humildade e a caridade (frequentei durante alguns anos um orfanato o qual, achava eu, estava ajudando. Mal sabia que, quem estava sendo “socorrida” era eu, por “N” motivos…) são valores fundamentais pra alma pq nos “estimula” (forma simpática de dizer: intima!) a nos observar e constatar o estorvo que é nosso sentimento de amor próprio exagerado (orgulho). Me “disciplinar” a me importar sinceramente com as pessoas ao meu redor, me dispor (e as vezes ser chata com isso! rs) ajudar no que fosse preciso, tentar “calçar o sapato” do outro p/ ver onde “o calo aperta”, foram coisas que me ajudaram e ajudam muito até hoje. Não sei se você já observou mais todo orgulhoso é também bastante egoísta. Caraca, me vi muito no seu texto e de certa forma foi um refrigério saber que existem pessoas que tentam, assim como eu, remar contra a maré. Tarefa nada fácil quando se é o nadador e o próprio mar AO MESMO TEMPO!
    Torço por vc!
    P.S- Seria interessante a gente debater esse assunto daqui a uns 6 meses, 1 ano p/ vermos nossa evolução! Hehehe

  • http://www.facebook.com/people/Manuela-Esquivel-Rodriguez-Montero/781643242 Manuela Esquivel Rodriguez Mon

    só digo uma coisa: QUE CORAGEM!

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