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Medo e glória de comprar minha primeira Playboy aos 8 anos

Rodrigo Cambiaghi

por
em às | PdH Shots, Relatos, Sexo


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Venda proibida para menores de 18 anos.

Aquela frase na capa, em negrito, era aterrorizante. Imagina se o cara da banca de jornal descobre que eu sou menor de idade e chama a polícia? Imagina! Eu indo para a cadeia e tendo que explicar para os meus pais, para a minha avó e para a minha professora de catequese o que eu estava fazendo na banca de jornal, tentando comprar algo explicitamente proibido. Seria muito constrangimento, era melhor não arriscar.

Eu tinha oito anos e acabei ficando amigo do Robson, o cara que cuidava da banca de jornal em frente à minha casa.

O cara era o jornaleiro mais gente fina do mundo. Deixava a molecada ler os gibis da banca, dava figurinha de graça, ensinava a gente a fazer aviãozinho com jornal velho. Ele estava pouco se fodendo. A banca não era dele, e o patrão provavelmente era um cuzão.

Mas o que realmente fazia do Robson o jornaleiro mais gente fina do mundo é que ele me vendia Playboy ilegalmente.

Para um moleque de oito anos daquela época, ter uma revista de mulher pelada era o ápice do poder se gabar com os amigos na escola. Ver mulher pelada era algo semelhante a comprar drogas: as fontes eram escassas, limitadas, algumas vezes bem caras, e qualquer acesso vinha acompanhado do dever cívico de compartilhar com os amigos. Você podia ser o último a ser escolhido nas aulas de Educação Física e só jogar no gol, mas se você tivesse uma revista de mulher pelada, você era um cara foda.

Eu tinha quatro Playboys.

Essas, exatamente essas, foram as minhas duas primeiras, em 1995

Tinha também uma Sexy, que vinha com um grande trunfo: vinha com uma fita VHS do making of do ensaio. A minha moral no colégio era maior que a dos moleques de uma série acima.

Era foda.

Pulando meia geração, penso no meu irmão. Costumo dizer que ele não sabe o que é a dificuldade que eu e meus amigos passávamos pra ver um simples par de peitinhos. Por isso, a gente aprendeu a curtir as sutilezas das mulheres que a gente via na vida real: a professora, a vizinha, a irmã mais velha do amigo, a tia da cantina, as mulheres que passavam na rua. A tia do doce.

Como não tinha mulher pelada por todos os lados, a gente tinha que curtir o que dava pra ver: os cabelos, o olhar, a silhueta do corpo, o decote, uma blusa transparente, o jeito de caminhar, as pintinhas, os trejeitos e também os “defeitos”. Não sei se o meu irmão tem essa “formação apreciativa do feminino”.

Mas voltando ao Robson, anos depois descobri que a banca de jornal dele era fachada pra fazer jogo do bicho.

Que fase.

Rodrigo Cambiaghi

Gerente comercial e curador do Apimentadas – Publicitário, ambicioso, objetivo e cara de pau, não raramente coloca a mochila nas costas e se aventura sozinho em algum destino maluco. Se acha diferente por não acompanhar futebol e gostar mais de mostarda do que de ketchup. Escreve besteiras no twitter como @jubareba. Para mais informações consulte seu terapeuta.


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  • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

    porra, cara!!! JOGO DO BICHO?

    Agora temos uma geração de órfãos de playboys!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=645901670 Luciano Prado

    Tive exatamente essas 2 playboys como as primeiras também, no ano de 1996, geralmente meu irmão comprava pq ele era mais cara de pau. Eu passava a semana inteira guardando o dinheiro do lanche na escola ( e consequentemente passando fome a tarde toda hehe ), só pra ter esse prazer. Velhos e bons tempo Playboy + visita das primas = ah, vcs devem imaginar

  • http://www.facebook.com/thancampos Nathan Campos Fotografia

    HAHA!  Animal!

  • Thyago Francco

    No aguardo da notícia do envolvimento desse Robson com o tio Carlito

    • Rodrigo Cambiaghi

      Se naquele tempo Robson era bicheiro, hoje ele deve ter uma fazenda de cocaína na Bolívia.

  • Marcos V.

    Muito bom o texto! Antigamente as pequenas coisas eram mais valorizadas, hoje com alguns cliques você tem tudo em mãos!
    Acompanho o Papo de Homem a um bom tempo, achei no momento em que procurava um site para praticar a leitura, de bom conteúdo e que me identificasse como me identifico com os artigos daqui! Todo homem deveria ler o Papo de Homem. Recomendo a todos!

  • Adrianot_silva

    hahaha, já partilhei muitas velho, lembro também de uns calendários que eu pegava na oficina que tinha aqui na esquina de casa.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    “que fase”

    desfecho perfeito, cambi. gostei do relato.

  • Wellinthon

    Era muita adrenalina, era o ápice do perigo. Bons tempos!

  • LunnaMiranda

    Lembrei dos meus 8 anos, eu ia na banca de revista do shopping onde minha mãe trabalhava e tinha a maior curiosidade com aquelas revistas, mas morria de medo de alguém perceber que eu estava olhando pra elas. Sempre fui muito discreta. rss

    • Leandro

      Fazer sempre foi melhor que olhar……..rsrsrs

  • http://www.facebook.com/people/Caíke-Gama-Machado/592877604 Caíke Gama Machado

    ô época boa da pooorra! lembrei de quando fiz minha primeira confissão pra poder comungar na igreja…perguntei ao padre se ver revista de mulher pelada era pecado. ” Na sua idade é sim, meu filho!!”, foi o que ele me disse! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • Gustavo Esquive

      “Na sua idade, sexo é coisa sagrada, meu filho.”, deve ter pensado o padre.

    • Elis

      Caramba…
      Que padre crucificador!!Mal entrou na confissão e já sai com a mancha do pecado…rsrs

  • Leandro

    Eu era feliz antes de descobrir o sexo porque depois que você vivencia a sensação ela se torna quase um vício e algumas vezes incomoda……

  • Novo_rock

    “Por isso, a gente aprendeu a curtir as sutilezas das mulheres que a gente via na vida real: a professora, a vizinha, a irmã mais velha do amigo, a tia da cantina, as mulheres que passavam na rua”
    Depois de ler esse trecho, lembrei disso:Na 8ª série (isso foi em 1996), eu era o maior nerd e sentava na 1ª carteira. Eu tinha uma professora de Português que até achava bonita mas nada que me virasse a cabeça…Um dia, a dita cuja foi dar aula com uma blusa que mesmo com sutiã, dava p/ ver direitinho o formato dos seus seios e dos “faróis”Não teve jeito, fiquei babando a aula inteira e ela percebeu, se empinou toda e ainda, por cima, se apoiou com os braços na minha carteira, umas 2x, com o corpo virado p/ frente. O máximo que eu consegui fazer foi ficar com um sorriso bobo no rosto, todo contente com o privilégio que estava recebendo…

    Nem preciso dizer, que depois que cheguei em casa, prestei várias homenagens a essa professora…

    Bons tempos!

  • Médico_Mg

    ótimo texto… também penso muito neste ponto de que hoje é mais fácil, ter acesso a nudez. Até sem querer abre janela de sexo…
    Vivemos a fase de transição mesmo… é foda… acho que ficou com um gosto menos gostoso..
    a minha primeira também foi com oito anos, a da marisa orth, e por coincidencia tbm em 96… Levei pra escola e tava a galera toda olhando a professora chegou e tomou… Tomei um ferro gigante!

  • Bruno Benites

    velho lembro quando fui comprar minha primeira revista de sacanagem, elas eram como ouro entre eu e meus amigos, era moeda de troca kkk (isso e baralho do yugi-oh kkk) eu pedi 10 reais pra minha mãe pra comprar uma RATOEIRA kkk isso mesmo, juro que era isso, ela nao acredito nem a pau mas como eu nunca mentia ela generosamente me deu… peguei a bike dum amigo e me mandei pro centro kra, comprei a tal ratoeira por 1 real e fui pra banca no centro… cheguei tremendo como se tivesse para dar um golpe em alguem.. nem desci da bike ja pensando na GRANDE FUGA! Escolhi soando em plenos 35ºC, apontei e falei ao vendedor.. “é essa que eu quero!” ele me olhou e disse “e tua mae vai deixar?” no mesmo momento pedalei em disparada como se tivesse a policia federal atras de mim, encontrei com um amigo e lhe expliquei… se acalmei e ele falo que comprava se o troco pudesse ficar com ele… obvio que aceitei, e engraçado que naquela semana ganhei meu quarto só pra mim! o resto vcs ja sabem neh? naquela epoca eu nao tinha videogame e ficava sozinho em ksa… ATÉ HOJE NAO SEI COMO NAO QUEBREI MEU MENINÃO! HOJE ELE É GRANDE E SAUDAVEL HAHA

  • Eduardo

    Cara,que nostaugico foi ler esse texto. Lembro da primeira que eu comprei com 12 anos,era da Fernanda Paes Leme. kkkkkkkkk,epico !

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