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Venda proibida para menores de 18 anos.
Aquela frase na capa, em negrito, era aterrorizante. Imagina se o cara da banca de jornal descobre que eu sou menor de idade e chama a polícia? Imagina! Eu indo para a cadeia e tendo que explicar para os meus pais, para a minha avó e para a minha professora de catequese o que eu estava fazendo na banca de jornal, tentando comprar algo explicitamente proibido. Seria muito constrangimento, era melhor não arriscar.
Eu tinha oito anos e acabei ficando amigo do Robson, o cara que cuidava da banca de jornal em frente à minha casa.
O cara era o jornaleiro mais gente fina do mundo. Deixava a molecada ler os gibis da banca, dava figurinha de graça, ensinava a gente a fazer aviãozinho com jornal velho. Ele estava pouco se fodendo. A banca não era dele, e o patrão provavelmente era um cuzão.
Mas o que realmente fazia do Robson o jornaleiro mais gente fina do mundo é que ele me vendia Playboy ilegalmente.
Para um moleque de oito anos daquela época, ter uma revista de mulher pelada era o ápice do poder se gabar com os amigos na escola. Ver mulher pelada era algo semelhante a comprar drogas: as fontes eram escassas, limitadas, algumas vezes bem caras, e qualquer acesso vinha acompanhado do dever cívico de compartilhar com os amigos. Você podia ser o último a ser escolhido nas aulas de Educação Física e só jogar no gol, mas se você tivesse uma revista de mulher pelada, você era um cara foda.
Eu tinha quatro Playboys.

Essas, exatamente essas, foram as minhas duas primeiras, em 1995
Tinha também uma Sexy, que vinha com um grande trunfo: vinha com uma fita VHS do making of do ensaio. A minha moral no colégio era maior que a dos moleques de uma série acima.
Era foda.
Pulando meia geração, penso no meu irmão. Costumo dizer que ele não sabe o que é a dificuldade que eu e meus amigos passávamos pra ver um simples par de peitinhos. Por isso, a gente aprendeu a curtir as sutilezas das mulheres que a gente via na vida real: a professora, a vizinha, a irmã mais velha do amigo, a tia da cantina, as mulheres que passavam na rua. A tia do doce.
Como não tinha mulher pelada por todos os lados, a gente tinha que curtir o que dava pra ver: os cabelos, o olhar, a silhueta do corpo, o decote, uma blusa transparente, o jeito de caminhar, as pintinhas, os trejeitos e também os “defeitos”. Não sei se o meu irmão tem essa “formação apreciativa do feminino”.
Mas voltando ao Robson, anos depois descobri que a banca de jornal dele era fachada pra fazer jogo do bicho.
Que fase.
Gerente comercial e curador do Apimentadas – Publicitário, ambicioso, objetivo e cara de pau, não raramente coloca a mochila nas costas e se aventura sozinho em algum destino maluco. Se acha diferente por não acompanhar futebol e gostar mais de mostarda do que de ketchup. Escreve besteiras no twitter como @jubareba. Para mais informações consulte seu terapeuta.
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