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Manual compacto de como foder por completo uma discussão na internet

Flavio Morgenstern

por
em às | Artigos e ensaios, Listas


Toda discussão em fóruns de internet e comentários de blogs segue o mesmo script:

1. começa com alguém criticando o texto original pela sua parcialidade e/ou pelas ligações do autor com CIA, maçonaria, bruxaria e alienígenas;

2. em seguida, o sujeito dá um escorregão para um festival de lugares-comuns.

Para evitar um altíssimo esforço sináptico da próxima vez em que alguém for tentar foder de verde e amarelo uma calorosa e saudável porradaria virtual, temos aqui um singelo e bem ilustrado manual de retórica chonga for dummies. Ele é a cartilha de um curso que pode se estender ad infinitum. As aulas devem ser estudadas lenta e pacientemente, por tópicos. O aluno é encorajado a usar o espaço para comentários logo abaixo como exercício para mandar qualquer vestígio de racionalidade para o caralho e provar que já aprendeu a lição. Apenas após tirar nota máxima em cada quesito tente praticar a próxima modalidade.

Este texto é parcial (De partitio loci)

"E quando ele disse que eu fui parcial, respondi: 'Parcial de cu é rola, mermão!'" (Einstein, em conversa com Charles Chaplin)

Aí o Albert Einstein mostrou pra banca o seu opúsculo A Teoria Restrita da Relatividade, demonstrando que tempo e espaço não são medidas absolutas que independem do ponto de vista do observador. Seu orientador cofiou o bigode, deu a milenar limpadinha na garganta para iniciar um discurso intelectual e ralhou: “Sua teoria é perfeita, mas achei seu texto muito parcial. Por que você não analisou a questão com imparcialidade, sopesando os dois lados, e mostrando os argumentos do campo newtoniano, que curiosamente já conhecemos há quase meio milênio?”

Quando um sujeito afirma que seu texto é parcial, ele usa um vocábulo latino que diz:

“Seu texto fodeu com todas as minhas opiniões simplórias por meio de argumentos claros, racionais e irrefutáveis. Mas como isso me ofende e tenho nojinho de aceitar a verdade, vou reclamar de você não ter dado o braço a torcer para uma mentira por uma noção de civilidade canhestra que possuo, como se isso fosse alguma vantagem textual.”

Imparcialidade não existe. Já somos parciais assim que escolhemos do que falar. Uma poesia elogiando o perfume de uma tulipa é “imparcial”? Não, se você descobrir que foi escrita por um nazista em 1944 para dizer que a vida é linda, em vez de falar das câmaras de gás.

Não só não existe, como sua busca é nociva: você quer ser “imparcial” numa eleição? Basta votar em branco.

E por que só “reclamar” que um texto é imparcial quando você discorda dele e não tem contra-argumentos? Por acaso já disse alguma vez: “Esse texto é perfeito, encerra o assunto, não mudaria uma vírgula – mas é parcial”?

Também não adianta fazer um texto tentando ser “imparcial” só por comentar os dois lados de uma questão comentando duas visões sobre o tema. A verdade costuma ser muito mais ampla do que apenas dois lados. E um texto que faça isso para se dizer “imparcial” está tentando dizer que é “verdadeiro”: inevitavelmente o texto terá uma opinião, e seu autor apenas quer que você a aceite sem discussão.

Imparciais são as pedras. As plantas eu já tenho lá minhas dúvidas – um girassol é “imparcial”?

Seu texto é falacioso (Creo sophismata)

Em primeiro lugar, falácia é teu cu, meu amigo. Desde que manuaizinhos de retórica pulularam com a orkutização da internet, virou moda entre as pessoas “racionais”, “críticas”, “que pensam com a própria cabeça” dizer que uma exposição de conceitos é falaciosa porque não se atentou a todos os detalhes demonstrados.

Germânia e outro time sem Libertadores, em 1914

Dizer que o céu é verde não é uma falácia. É uma mentira. Os dois conceitos não são intercambiáveis.

Uma falácia é um argumento com falha lógica. Exemplo:

Nenhum corintiano tem Libertadores.

João é brasileiro.

Logo, João não tem Libertadores.

Nitidamente, João pode ter o grande azar de ser brasileiro, mas também a grande sorte de não ser corinthiano. Há uma falha na conclusão aí, facilmente questionável (nego consequentiam). Mas você que adora falar que tal coisa é “falaciosa”, encontre a falácia aqui:

Todo homem é um avestruz.

João é um homem.

Logo, João é um avestruz.

Já encontrou? Pois pense bem, que é mais complicado do que parece. Qual é a falácia?

Ora, meu caro, nenhuma. O argumento está perfeitamente colocado. Se nem João nem homens são avestruzes, isso não quer dizer que o argumento é falacioso: falácia diz respeito apenas à lógica da argumentação – ou seja, se as duas premissas de um silogismo como esse exposto acima estão apresentadas sem falhas, de forma à consequência ser inescapável. Se as próprias premissas são verdadeiras ou não, ou se a conclusão é real, isso você vai verificar olhando as coisas na realidade – a lógica não tem como função provar a si própria.

Mas o que mais se vê na internet é o povo apontar alguma coisa como “falácia”, quando às vezes sequer um argumento (ou mesmo uma premissa) o é. Para mostrar como confundem “falácia” com “irreal” (ou com o que acham que é irreal ou mentiroso), segue um exemplo mais capcioso:

Todo homem é um animal.

Sócrates é um animal.

Logo, Sócrates é um homem.

Todo mundo sabe que Sócrates é um homem, até prova em contrário. Se você apresentar este argumento numa discussão na internet, as chances de que alguém diga que é falacioso são de 1 em 1.000.000. Tudo isso só porque a conclusão é verdadeira, sem atentarem para a falha lógica das premissas: Sócrates poderia ser o nome do meu hamster, do meu ornitorrinco ou do pernilongo que vem me estuprar toda noite.

Falso ad hominem (Falsus ad hominem)

Imagine alguém refutar todo o trabalho de Malcolm X na luta pelos direitos dos negros alegando que "ele é ex-presidiário, um criminoso"...

Uma modalidade curiosa deste último macete é quando você usa um adjetivo pouco elogioso a alguém e este, ou a plateia, afirma que você fez um ataque falacioso ad hominem.

A falácia ad hominem é bem mais rara do que se pensa. Apenas é a única expressão em latim que a putada conseguiu decorar no maravilhoso reino das discussões infundadas e das trocas de vídeo de dupla penetração chamado internet. Então, qualquer coisa que pareça envolver o interlocutor já é chamado de “falácia ad hominem”.

Os argumentos se dividem em apenas dois meios: ad rem (pela coisa) e ad hominem (pelo interlocutor). Nem todo ad hominem é uma falácia. É fácil perceber isso: eu não posso defender a paz mundial enquanto construo uma bomba atômica. Quem me criticar por isso estará usando um argumentum ad hominem corretíssimo e nada falacioso.

A falácia ad hominem significa uma espécie de non sequitur (quando uma conclusão não se conclui inescapavelmente de cada premissa) mascarada por algum detalhe, seja verdadeiro ou não, do interlocutor. A falácia ad hominem comum hoje é feita por advogados defendendo bandidos: dizem que seus crimes não devem ser punidos porque o autor do crime é pobre. Como se houvesse uma ligação lógica entre ser pobre e ser criminoso – e como se a Justiça não devesse ser aplicada a quem comete um crime que não seja para se defender de uma ameaça.

Um evento muito comum nas discussões interneteiras é algum energúmeno que passou colando do maternal afirmar que qualquer ofensa é “ad hominem”. Ora, chamar de idiota não é argumento ad hominem: sequer argumento ou premissa é. É apenas o direito democrático de ter uma opinião nada abonadora sobre alguém – e também o crime de injúria, de acordo com o artigo 140 do Código Penal, embora quem processe alguém por ser chamado de “idiota” certamente foi criado pela avó e tem sério surto de viadagem pública.

(No parágrafo acima, “energúmeno”, “idiota”, “criado pela avó” e “viado” também não são ad hominem, e nem sequer difamação, por não terem tido como alvo um sujeito único delimitado.)

Repetir o que já foi refutado (Regressus ad baguus)


Link YouTube | Você é um mentiroso e caluniador! Um caluniador e mentiroso! Um mentiroso e caluniador! Você é um safado! Um canalha! Um mentiroso e safado! Caluniador e mentiroso! Você é um mentiroso e caluniador! Um caluniador e mentiroso! Um mentiroso e caluniador! Você é um safado! Um canalha! Um mentiroso e safado! Caluniador e mentiroso! Você é um mentiroso e caluniador! Um caluniador e mentiroso! Um mentiroso e caluniador! Você é um safado! Um canalha! Um mentiroso e safado! Caluniador e mentiroso! 

Parece que saiu na Cláudia que esse macete é a última moda do verão para cagar numa discussão. Alguém apresenta uma tese. Vai lá um discordante e apresenta uma antítese. O alguém inicial… repete o que acabou de ser refutado, como se seu próprio amor à causa e seu próprio fanatismo histérico e cego ao que já foi provado errado fossem provas da veracidade da tese. É uma técnica disseminada entre crentes, comunistas, terroristas, fãs de Dan Brown e de Caio Fernando Abreu, usuários de papetes, leitores da Caros Amigos e torcedores de times sem Libertadores.

É uma tática sutil, laboriosa e complexa para foder qualquer possibilidade de argumentação racional em uma discussão – porém, muito fácil de ser aplicada se você simplesmente enfia sua verdade na cabeça e ignora qualquer resquício de disciplina lógica vigente no planeta. O fanatismo faz milagres engenhosos.

Enquanto apenas repetir o argumento inicial já dá um cara de “palavra final” ao que é Vale A Pena Ver de Novo, a estratégia pra cagar todo o meio de campo é ainda mais eficiente se combinada a uma teoria grandiosa que explique tudo o que você quiser saber, mas deriva de uma premissa única, que auto-explique suas refutações.

Um exemplo foi a quizumba que mais se pareceu com um MMA universitário nos cursos de Psicologia, sobretudo na segunda metade do século passado, graças à psicanálise. Enquanto seus defensores partem da suposição de que forças inconscientes “reprimem” pulsões do indivíduo, seus críticos mostram argumentos os mais diversos para interpretar algumas ações sem tal repressão inconsciente. A resposta dos psicanalistas, coerente com sua própria teoria, é a de que o próprio fato de você não aceitar a teoria é uma prova de que a teoria está certa. E seguem-se mais exemplos de “repressão”. Se der cara eu ganho, se der coroa você perde.

Ironia mequetrefe (Foeturus nequam subsidio)

Enfermeiros negros cuidam de membro da Klu Klux Klan: a vida já é, por si só, muito irônica. E você pensava que suas tiradinhas fajutas eram o ápice da ironia, né?

O método socrático é uma oposição radical aos sofistas, pouco conhecidos de nós. Trata-se da arte de deixar que o oponente exponha seus pontos, e continuar perguntando sua opinião e comparando às conseqüências lógicas dela, até que o oponente é flagrado numa contradição flagrante com a realidade – a famosa reductio ad absurdum, golpe aplicado com uma meia lua pra trás e os três de soco com duas barras de especial e ki piscando. Esta é a famosa ironia socrática.

Entretanto, toda santa vez que alguém tenta ser irônico, fingindo que concorda com você só para mostrar que seu argumento leva a um caminho na melhor das hipóteses ridículo, parece que o faz como se tivesse descoberto ontem esta milenar técnica de retórica. É como se fosse muito surpreendente alguém ser irônico – afinal provavelmente ninguém nunca o tenha sido antes de você na Humanidade.

Até uma criança é capaz de praticar uma ironiazinha como forma de tentar supor que você é um idiota. Mas sempre que uma discussão internetística tiver um comentário discordante e este for o mais longo possível, se não tiver a sorte de ser daqueles únicos 0,06% de pessoas no país que sabem contra-argumentar, será fatalmente um longo arrazoado, chatíssimo e forçado hiperbolicamente tentando ser irônico, engraçadíssimo e provando que você só fala besteira. Invariavelmente, o efeito causado é que é irônico: o idiota sempre acaba parecendo ser ele mesmo.

Agora que Lula nos tirou do neolítico, está na hora de descobrirmos algumas coisas mais avançadas na arte de ridicularizar nossos oponentes. Trollar é uma arte que não aceita fracos. Não adianta propalar: “Ah, é, vamos continuar concordando com esse cara, afinal está tão na moda ser babaca.” Não. Essas ironias sem sentido e mais desprovidas de graça do que o programa do Marcos Mion não são provas de que você não é um babaca – pelo contrário, geralmente provam que seu discurso é mais nulo e manjado do que o Marcos Mion.

Ora, a ironia fina, machadiana, costuma ser demorada, se ater a detalhes, pegar o camarada com a boca na botija pela filigrana. Não é apenas dizer uma frase fingindo que concorda com seu oponente e emendar: “Como você é esperto, hein?”

Ironia é isso

Talvez a melhor resposta em um duelo filosófico na história, com o uso da ironia no modo very hard, foi dada pelo filósofo Sidney Morgenbesser (1921-2004). Convidado a uma palestra em Oxford, terra da escola analítica de filosofia da linguagem, que acredita na possibilidade e busca encontrar uma língua mais científica, o filósofo e linguista J. L. Austin (1911-1960) explicava que, apesar de, na língua inglesa, uma dupla negativa possuir um sentido positivo (o que não funciona em português: “Não vou lá, não”), não há nenhum exemplo de língua em que uma dupla positiva implica uma sentença negativa. Sidney Morgenbesser apenas virou para Austin num tom de deboche e disse:

“Yeah, yeah…”

Sentiu o que é ironia que faz a espinha gelar? Isso foi feito sem nenhuma consoante. Só restou a seu oponente pegar o banquinho e sair de fininho, morrendo de vontade de se jogar pela descarga. E você aí, achando que tá mostrando como seu oponente é ruim apenas por uma frase fingida e uma pseudo-reductio ad absurdum.

O irônico da coisa é que a própria ironia mequetrefe faz muito leigo na discussão cavar a própria cova.

Non sequitur bizarro (Alienus non sequitur)

A falácia non sequitur é comum quando alguém defende uma posição já esquematizada: um partido político, uma religião, uma filosofia, um time que não tenha Libertadores. Desta forma, sempre se reúnem argumentos díspares que defendam aquele esquema – embora não se perceba que eles nada têm a ver um com o outro.

Tal como repetir o que já foi refutado, é muito bom para tentar sair por cima de discussões em que você foi jogado contra o corner, está sendo violentamente socado sem nem conseguir mais manter a guarda para proteger a cabeça, faltam 10 segundos para a luta acabar e você quer revidar nem que seja com um chute no saco.

A modalidade bizarra do non sequitur precisa ser aplicada pelo aluno com pressa, pois logo sairá de moda. O que está em voga hoje é o discurso politicamente correto, em que se defende não mais uma idéia, mas um coletivo de pessoas (ou ao menos assim se acredita) que sejam as vítimas históricas de determinada circunstância. Como tudo passível de discussão nessa vida, há argumentos bons e ruins dos dois lados. Quem aplica o non sequitur bizarro é justamente aquele que não sabe que argumentos ruins, mesmo que em sua defesa, apenas queimam a sua causa.

Uma modalidade de defesa é comum na discussão sobre cotas na Universidade. Por maiores que sejam os benefícios que tenham trazido aos negros, o que se discute é a abolição do sistema de mérito, e por conseqüência lógica inescapável o fato de que o preconceito racial pode vir a aumentar, e não diminuir, perante os profissionais negros. Refutação non sequitur: dizer que eles têm direito histórico. Como se a ideologia direito histórico fosse ajudar a diminuir o preconceito racial no país.

Hitler para Mussolini: "Um dia, meu nome será usado para acabar com qualquer discussão. Não é um barato, migs?"

Já uma modalidade de ataque ficou famosíssima justamente graças á internet, como atesta a Lei de Godwin:

“À medida que cresce uma discussão on-line, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou nazismo aproxima-se de um (100%).”

Como a lei é universal e inapelável, os nazistas acabam aparecendo até mesmo nas verduras. Foi com a internet que os vegetarianos se uniram em grandes grupos visíveis aos não-iniciados pela primeira vez. Como criticá-los? Aplicando o que é chamado argumentum ad Hitlerum: lembrar que Hitler era vegetariano. Difícil é lembrar que Hitler também bebia água e gostava de pintura e música erudita – o que não torna nenhuma das duas coisas criticáveis.

Se numa discussão sobre um fato simples, como os elétrons envolvidos na reação da água com o açúcar, já se faz praticamente um nó nos neurônios da galera, é surpreendente que toda hora que se discute algum fato complexo – seja político, econômico, metafísico, epistemológico ou que envolva Libertadores –, alguém surja colocando mais uma variável na bagaça, como se isso fosse tornar a coisa mais crível. Está aberto o caminho para o non sequitur bizarro. Pior: essa artimanha tem a maior aparência de verdade dentre todas as citadas – é a rota mais rápida para um Zé-rodela enganar a si próprio, jurando que acabou de inventar o papel higiênico macio.

Parei de ler em… (Desino legere caduco)

Nunca, nunca, nunca na vida vi alguém soltar um “Parei de ler em…” e apontar algum ponto no que estava lendo que era falso. Todo mundo já deve ter largado um texto pela metade pelo montante de asneiras cometido pelo autor. Mas deve haver algum mecanismo mágico que faz com que, assim que alguém comente que parou de ler na passagem X, essa passagem se torne a maior verdade absoluta de todo o saber cósmico.

Inescapavelmente quem aplica essa tramoia revela duas coisas:

1. que já estava de má fé em relação ao texto logo de cara, apenas procurando um motivo para criticá-lo sem se dar ao trabalho de lê-lo minuciosamente, nem que seja uma palavrinha que ofenda sua hipersensibilidade faniquiteira.

2. que não sabe que o texto inteiro, afinal, pode suplantar uma das partes: se cito em uma passagem algo reprovável, pode ser porque eu mesmo o reprovo, e lá na conclusão destroce a pauladas aquilo que foi dito. (Não é curioso que seja uma tática muito usada pelos mesmos que reclamam de textos “parciais”?)


Link YouTube | Parei se assistir em… Não, mentira. Nem dei o play. Afinal, é Legião Urbana

Aliás, assim é que são feitas monografias, dissertações e teses. Muitas vezes, começa-se justamente pelo mais criticável. Ou vocês ouviram a música “Perfeição”, da Legião Urbana, e vociferaram, dorso da mão à cintura e pezinho a fustigar violentamente o assolhado, “Parei de ouvir em ‘vamos celebrar a estupidez humana’!”?

Fica a tática alquímica perfeita para a galera: se usar um “Parei de ler em…”, você acabará transformando até a mentira mais deslavada em uma verdade com peso científico. Não tem como falhar.

Este texto tá muito difícil (Legendo capengo)

Há um efeito curioso em alguém saber uma língua, mesmo que só a língua materna: ela é tratada como um mecanismo para se adquirir cultura, desde que ninguém possa nos mostrar que estamos errados em algo em que acreditamos. E também nunca pode ser usada para se adquirir mais cultura a respeito da própria língua.

Usar uma única palavra desconhecida na internet te faz ser chamado de pedante e começam a achar seu texto muito difícil. O livro do Einstein também padeceu disso – afinal, quem é que sabe exatamente o que é um movimento browniano? Mas tá lá, todo mundo o admira e o trata como verdade inviolável (embora justamente os físicos não pensem exatamente assim). Agora, se você faz alguém se encafifar um pouco indo até o dicionário, ou presumindo um significado não de todo conhecido para uma palavra, já imediatamente será chamado de pedante.


Link YouTube | Nada como conhecer a boa e velha língua portuguesa…

O que é que as pessoas leem, se não querem saber de algo que ainda não sabem? Não é mais fácil então apenas se repetir e gastar esse tempo se masturbando feito um chimpanzé em vez de declarar ao incréu interlocutor que tem horror a aprender alguma coisa?

Também é uma mutreta eficiente para se tentar sair por cima quando não se tem contra-argumento algum. Dá uma impressão de que, se sua razão é fraca, ao menos sua intenção é boa – ser facilmente compreensível por aqueles incapazes de discutir, por exemplo. É um bom exemplo de mutatio controversiae que prova que quem o faz, sabe menos, mas quer a vitória.

Ai, tá bom! Você é o dono da verdade, então! (Suspectus domine veritatem)

Mas se mesmo com todos os itens aqui esmiuçados estiver muito difícil foder por completo um debate na internet, sempre há a opção de apelar para a última frase, o non plus ultra da cagada no ventilador. A única regra é nunca usar essa pilantragem no começo da disputa, mas sempre no final, se (e somente se) você se ver com todo o seu arsenal de respostas possíveis devidamente refutadas:

Ai, tá bom, você é o dono da verdade, então!

Então é só me mostrar onde foi que eu errei, porra!

Flavio Morgenstern

Escritor, redator, tradutor e faz-tudo com textos, exceto aviões de papel. Gosta das coisas boas da vida: cultura greco-romana, língua latina, fenomenologia alemã, literatura americana e pornografia russa. Calunia em um blog pessoal e um político. No Twitter, @flaviomorgen.


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  • Anônimo

    Isso é um texto falacioso e parcial, parei de ler na quarta linha, o autor se acha o dono da verdade!

  • http://twitter.com/rafaelcgo Rafael Oliveira

    Muito bom esse texto. Muito bom mesmo.
    Excelente.E a implicância com o curintia é ótima, haeuheauaeh.

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    De todos os artifícios a serviço da pouca inteligência o mais odioso de todos é o “Parei de ler em…”

    É uma maneira do cara cair de cara na própria merda e achar que os outros que estão cheirando mau.

    De qualquer forma esse texto todo ofendeu meu senso crítico, pela falácia, parcialidade, ironia descabida e por envolver na mesma oração Corinthians e Libertadores o que é um “absurdum ad infinitum” e me fez parar de ler ali.

    Obrigado.

  • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

    TEXTO PHODA …

    E eu aqui relembrando inúmeras discussões e os inúmeros argumentos usados por mim e pelos outros.

    Admito que estou com certo receio de comentar qualquer coisa daqui para frente !!

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      hahaha controle o seu medo, rapaz. Se não fizer isso, outros – como o autor ou o Darth Vader – saberão usá-lo muito bem.

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Hahaha, excelente!

    Manual básico explicadinho de como ser um mala na Internet. Muito bom mesmo, muita gente vai ver seus artifícios aqui contemplados… ;-)

  • http://twitter.com/verossimil verossimil

    “Como foder por completo uma discussão na internet”? CTRL-C neste texto, CTRL-V no espaço destinado à resposta, à réplica, ao comentário, à PARTICIPAÇÃO DO AMIGO INTERNAUTA, tendo como resultado um GOATSE argumentativo. Não, só o link não vale, e se tem uma coisa que não sou é vegetariano.

  • http://twitter.com/dscorzoni Danilo Scorzoni Ré

    Faltou também um mais específico: “Esse é, de longe, o pior texto que já li no PdH”.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Danilo, pior que tinha pensado exatamente nisso assim que vi o texto pronto, saído do forno e postado aqui. Não sei se algum texto meu NÃO foi o pior texto que já leram no PdH. :P

      • http://twitter.com/verossimil verossimil

        Megalomania pura. E de ponta-cabeça.

    • Convidado

      Um efeito interessante do texto é que qualquer comentário a ele — não irônico — é um QED.

  • Dado Teles

    O melhor do texto é a zoação ao Curintia.

  • http://diariosproibidos.blogspot.com/ Samyta Nunes

    HUahauahuahauaua!
    Terminei de ler e pensei: “Putz, como eu sou burra! Não entendi 80% do vocabulário do cara”. kkk

    Valeu , Flávio, vou passar o resto do dia no google, procurando o significado dos termos que você usou. Sem contar a aula de latim, né?! Tem mais latim aqui do que nos feitiços do HP. kkk

    Mas gargalhada mesmo eu dei quand li “tramóia”, acho que nunca vi essa palavra sem ser em novela. E “mutreta”, então?! kkk Me divirto!

    Parabéns, o texto ficou muito maneiro. E o lance do Hitler é muito bem citado, tô cansada de ouvir essa merda e sempre respondo: “O Einstein também”, porque besteira só merecece besteira como resposta. rs
    Anchos Amplexos!

  • http://about.me/roh Rodrigo Santos

    Esse texto conta praticamente a vida de 90% de todas as pessoas que comentam nos sites afora. Esses 90% adoram o politicamente correto e pra mudar a visão delas só morrendo e nascendo de novo. Ou chegar alguém com uma visão pior que todo mundo concorde. Coitados, estão perdendo o melhor da vida.

    Enquanto lia comecei a lembrar das discussões que já tentei fazer. As vezes existem pessoas que gostam que você concorde com o seu ponto de vista e esse é meu caso.

    Eu leio os textos aqui quieto desde 2007, quando resolvo discutir algo aparecem pelomenos três itens citados nesse texto.

    Como não sou muito legal para explicar as coisas, eu devo ter me enquadrado em um deles.

    Muito bom esse texto!

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    Frases e outros adjetivos que encontramos em “debates” na internet usados pra fugir da briga:

    Não alimente os trolls.
    Viado detected.
    Você não entendeu o texto.
    Viado!
    Petista!
    Reacionário!

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Eu só diria que “Viado!” não é mais usado. Discuti e discuti o imbróglio da USP mês passado. Se fosse há 15, mesmo 10 anos, teriam me chamado de viado passivo e dito que minha mãe cobra por sexo. Ninguém dessa vez o fez. Hoje, mesmo sem falar um A sobre sexualidade, fui acusado é de homofobia. 

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

         ”(…)apenas o direito democrático de ter uma opinião nada abonadora sobre alguém – e também o crime de injúria, de acordo com o artigo 140 do Código Penal, embora quem processe alguém por ser chamado de “idiota” certamente foi criado pela avó e tem sério surto de viadagem pública.”

         Poderíamos dizer que inferir que alguém é criado pela avó  por te processar quando ouve uma ofensa leve é uma falha no argumento lógico e portanto uma falácia? Pensei nisso quando transcrevia aqui um trecho do seu texto que mostra que você falou sim de sexualidade , já viadagem faz referência à uma escolha sexual, comumente atribuída aos homossexuais masculinos.

        Se “idiota” já é injúria, a tal insinuação de preconceito sexual ou os possíveis danos morais às pessoas que foram criadas pelas avós (Meu pai foi criado pela minha avó. Sim, eu também quero falacear), já que se aborda tais pessoas de forma depreciativa, seria também infração penal?
        E, nesse caso, se eu decidisse virar viado agora – vai ver eu sempre levei jeito para a coisa- eu seria livre para me ofender e fazer valer o artigo 301 do Código Penal e te dar voz de prisão?(Já que o mesmo diz que qualquer um do povo pode ,e as autoridades policiais devem, prender qualquer um que seja pego em flagrante delito).

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Confesso que senti falta do “Argumentum ad Cuba”, que não ocupa lugar de destaque nas técnicas de retórica fajuta, mas ocupa um lugar todo especial no meu coração.

    De qualquer forma, parabéns pelo excelente material didático, que merece ser distribuido gratuitamente em todas as escolas da rede pública deste país, juntamente com o bingo da retórica rasteira da internet! =D

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Rafa, atualmente sofro também com a modalidade “crise do capitalismo”, que sempre prova irrefutavel e insofismavelmente que… Marx está corretíssimo, e tudo o que não for a Cortina de Ferro é completamente insustentável no ar.

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Ou podemos entender que não precisamos ter um pensamento tão binário que determine que admirar esquerda signifique ovacionar o Stalin e admirar a direita signifique que você concorde com a ditadura e critique os esquerdias ou o MST independente  qual seja o teor da discussão.

      • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

        Hummm…. com a primeira parte concordo, mas como ser de direita sem criticar esquerdistas e MST?

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Não sei – mesmo porque não foi isso o que eu disse :P.  O “independente qual seja o teor da discussão” serve de complemento à “concorde com a ditadura e critique os esquerdistas ou o MST”. Sendo assim, a relação de sentido na frase que se constroi com a adição de tal complemento – a redundancia aqui não foi propostial, eu falo assim, errado mesmo – é de restringir o universo de abrangência (” qualquer discussão” para “algumas discussões”, ou só aquelas que cabem tais comparações). Sua resposta, no entando, me fez pensar na pergunta – seria possível ser direitista sem criticar os da esquerda e o MST ? Talvez – pura suposição, não tenho a menor base científica – seja a mesma coisa que ser esquerdista e falar mal do Stalin .

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    Ahahahaha,  definitivamente o texto mais sarcástico e intrigante, que já li, aqui.

    Até uma criança é capaz de praticar uma ironiazinha como forma de tentar
    supor que você é um idiota.

    O irônico da coisa é que a própria ironia mequetrefe faz muito leigo na
    discussão cavar a própria cova.

    Flavio Morgenstern, muito bom mesmo. :)

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Obrigado, Fernanda! Acho uma pena, pois a verdadeira ironia, refinada e destruidora, não é comum na internet. Quem o faz, nem parece ter o padrão de humor made in Brazil que se vê por aí. Vi um Tumblr tão “feminista” aí, reunindo posts radicais pela internet, que não tem como não perceber que tira sarro de todas. O problema: as feministas radicais, que se julgam extremamente ponderosas e críticas, não perceberam o truque e… adoraram usar o Tumblr como exemplo de pensamento correto.

      Isso sim é ironia fina. A ironia que perdura, que engana o alvo por meses e meses a fio, e depois ele fica sem saber onde enfiar a cara quando descobre que foi tapeado. Mas quem liga pra criar uma coisa dessas? Mais fácil é dizer: “Nossa, como você é inteligente, hein?”, como se isso mostrasse inteligência superior.

  • http://twitter.com/Renangme Renan Gueiros

    Já chega de textos como esse aqui no PdH, que tentam enfiar uma verdade dogmática goela abaixo das pessoas! Francamente, você devia guardar suas opiniões para si mesmo ao invés de vir falar merda aqui. Fascista! Quer regular o que as pessoas podem ou não podem falar na internet, como se o seu ponto de vista fosse mais certo do que o dos outros. É por causa de gente como você que o Brasil não vai pra frente! Reacionário! Espero que nunca mais poste nada aqui nem nos seus blogs, não acompanho mesmo….

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Até agora foi o aluno com a nota mais alta!

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        E eu demorei pra sacar a ideia do cara hahahaha

  • Ramon Távora

    Valeu Flávio, extremamente bem bolado. Acabei de aprender uma porrada de coisas! 
    Gostei do “Yeah, Yeah”. 

    Ficou um pouco cansativo, demorei algum tempo pra conseguir terminar de ler. Mas ainda assim aproveitei cada linha.

    Ironias fodem com QUALQUER discussão.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Valeu, Ramon! Vou tornar o Morgenbesser uns 800% mais conhecido por essas bandas do que ele merece. :)

  • André Kaminski

    Basicamente explicou muita coisa que ocorre mesmo na internet. Excelente artigo.

    Curiosamente, você citou a parte da imparcialidade que caso queira, é só votar em branco. Muita gente não lembra, mas nem votando em branco você está sendo imparcial.

    A Matemática explica: quanto mais votos em branco, mais aumenta a chance de não haver segundo turno. Com menos votos válidos, cada voto no candidato em primeiro lugar aumenta as suas porcentagens. Assim, um voto em branco na realidade é benéfico para quem está em primeiro lugar em uma eleição, visto que diminui as possibilidades de ter um segundo turno. Ao invés de dizer “não sou favorável a ninguém” um voto em branco ou nulo acaba por significar “tanto faz quem ganhe, quem estiver em primeiro e vencer tem o meu apoio”.

    Outra coisa irritante é o “seus argumentos, posts, postura e jeito de ser são idiotas, mas não se ofenda, você não é idiota “. É uma estratégia muito fácil de fazer ofensas pessoais comuns travestidas de retórica.

    Menosprezar analogias sempre as dizendo como escrotas ao invés de tentar realmente traçar o paralelo.

    Muletas retóricas é o que não faltam.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      André, é verdade. Pensei em explicar isso melhor, mas resolvi usar uma metáfora que, como você demonstra, nem assim mostra alguma “imparcialidade”. Aliás, um voto em branco também poderia não ser em branco caso o terceiro candidato fosse segundo e por aí vai. Até coçar o saco já tem alguma parcialidade, no fim das contas.

      Essa última é ótima, é o jeito politicamente correto de se xingar em fóruns sem ser banido pelo moderador. Será que vale como exercício? 

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Taí, não tinha percebido como apontar tudo como uma ironia mequetrefe também é uma ironia mequetrefe. Meus alunos já estão me ensinando!

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Essa última foi magnum opus do Rodolfo Viana. :)

    • Paulinha

      O problema do seu texto é que as pessoas que mais precisam dele não podem entendê-lo. E certamente vão parar no segundo parágrafo. 

      Adorei a parte do non sequitur bizarro. Me senti acolhida! Não tem argumento que me irrite mais na vida do que esse. Pessoas inteligentíssimas usam isso o tempo todo. Por isso temo pela humanidade. Adorei o texto! 

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Putz, é verdade, Daniel! Tive um caso curioso na minha saudosa comunidade do orkut (Marx de cu é Hegel), em que zoávamos letras justamente da Legião Urbana, e um infeliz veio dizer que a letra de Monte Castelo era muito ruim. Quando lembramos que era do Camões, saiu pela tangente com essa de ironia, mas ficou tão ridículo que achou melhor voltar atrás e dizer que achava Camões muito brega, mesmo….

  • http://blog.paulovelho.com Paulo Henrique Martins

    Flávio,

    Seus argumentos, em versão easy-feminina: http://papodehomem.com.br/taticas-femininas-para-se-dar-bem-em-discussoes/

  • http://papodehomem.com.br/ Gus Fune

    Abri o texto, vi quem era o autor, ignorei o texto todo para dar scroll down até os comentários só pra dizer: seja lá quem editou esse texto e deixou entrar na capa, parabéns, você trollou de novo o texto de capa do site.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Viram só? SEMPRE FUNCIONA!!!!

    • Rodolfo Viana

      Obrigado.

      • Mauricio

        Vendo a foto do Rodolfo e a resposta, tá emblemático!

      • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

        Hahahah, não tinha me tocado!

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      Haha fiz o mesmo :P

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Zander, isso vale um longo tópico sobre lógica formal e informal, mas em resumo é isso aí.

    O problema do primeiro caso é o exagero de premissas (Janaína já ser considerada como homem, ou humano, é uma premissa oculta) não trabalhadas, mas o segundo tem como falácia a analogia feita (Janaína como vegetal), e não o próprio desenrolar da argumentação.

    Mas essa do ad hominem é bem escorregadia. Fala-se “ad hominem” justamente pela forma do argumento, e não da falácia: argumentum ad rem e argumentum ad hominem. O julgamento moral é importante quando se discute, afinal, moral. Então só se tornaria uma falácia se tentasse denegrir moralmente algo lógico atacando-se o interlocutor. Como argumentar algo moral (como o pacifismo) se fabrico bombas? Óbvio que só se usa o argumento quando se é moral, mas isso não o torna obrigatoriamente falacioso.

    Mas isso rende aulas e aulas de lógica formal, retórica e dialética…

  • http://www.facebook.com/tibartz Tiago Bartz

    Nossa, que texto ridículo. Parei de ler em “Então é só me mostrar onde foi que eu errei, porra!”.

  • http://www.facebook.com/pedromiotto Pedro Miotto Federico

    Parei de ler em “Então é só me mostrar onde foi que eu errei, porra!”.
    Ridículo.

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      O bom é que o autor não pode te criticar – você leu o texto até o final :P

      • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

        Droga.

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        hahaha

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Dominar a retórica pra vencer discussões na internet – sentá lá Cláudia. A menos que o cidadão tenha um prazer enorme em ganhar toda e qualquer competição (dizem por aí que Freud explica essas coisas), independente do crescimento que se  possa  ter na discussão simplesmente por estar aberto à mudança, estudar tanto para ganhar uma berlinda digital é no mínimo mau uso pra tanta competência quando se tem tanta gente disposta a repetir uma frase legal que viu na TV ou leu na internet – e até a ir as últimas consequencias. (plenamente exploráveis, diga-se de passagem).

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Não acredito que se precise estudar tanto para não dizer “Parei de ler em…” ou se refugiar ao “Tá bom, sr. dono da verdade” quando fica sem argumentos, não.

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Não ví conexão entre a minha resposta e a seu comentário. É o sono, o excesso de trabalho e o fato de ou eu não te acompanhar ou você ter me entendido mal. Se puder dar mais atenção do que uma linha e meia ao meu comentário e me explicar o que quis dizer eu fico agradecido senhor =).

    • Rodrigo Cavalcante

      Dominar a retórica, respeitar a lógica não serve só para ganhar uma discussão na internet, também serve para isso, mas é algo para a vida. No Brasil, uma sociedade de estú.pidos, o mérito, a erudição é mal vista, o que talvez explique a nossa situação cultural. A única diferença para mim de um debate na internet, num bar ou numa universidade é que na internet os ânimos são mais exaltados por causa do anonimato de resto não importa o meio, uma boa e uma má ideia será tal em qualquer lugar. 

      PS: Um bom filme sobre o tema é:  The Great Debaters, baseado em fatos reais. Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Fd7-oKgiFmg    

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Rodrigo, posso me passar por grosso ou arrogante então já peço desculpas antecipadamente, tudo bem? Seguinte bro, dá uma lidinha de novo no que eu escrevi. Não disse que o domínio da retórica é para isso – ao contrário, critiquei esse uso dela já que tem outros tantos bem melhor aproveitáveis: podía-se usar isso para falar em plenário, como um homem do povo, para se posicionar contra ou a favor de determinadao projeto de Lei, por exemplo. A ferramenta é com certeza muito útil, mas tratar da lógica como se fosse um mero ferramenta para vencermos uma discussão internet ( como foi colocado no próprio título), se portando de forma intransigente e lutando pelo simples prazer de lutar, faz quem usa desse recurso desperdiçar um grande potencial : e se mostrar uma pessoa medíocre. Acho o seu comentário ” No Brasil, uma sociedade de estúpidos” preconceituoso e subjetivo, e faz as discussões serem muito emotivas, subjetivas: não se procura dessa forma melhorar como pessoa, não se procura responder seus próprios questionamentos, busca-se , ao contrário, provar a todo custo a infalibidade do locutor, que em tese se “justifica” pela depreciação de quem se fala. Não critico o mérito nem a erudição, só a prepotência. Não sei quanto a você, mas eu me sinto seguro para inefrir que a sociedade brasileira seja, necessariamente, determinada à atual condição por conta do valor que – segundo você – não dá para o mérito. Acho um pensamento simplista – e essa é só a minha opinião – e sou levado a crer que enquanto pensarmos que podemos entender a sociedade com pensamentos tão binários e lineares continuarão acontecendo casos de xenofobia nos EUA , por exemplo, que sue fundamentariam no roubo de vagas de emprego ( Chinês filho da puta! Roubou meu emprego! Claro eu fui demitido por culpa sua… seu diploma de PhD deve ser falso e seu salário menor é invenção da oposição!  – exemplo de sociedade que não é estúpida,certo?

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Rodrigo, mais uma vez: não critico o o uso ou não da internet – apenas a o foco da lógica para esse fim e o quanto estamos dispostos a ir para defender uma posição. O autor defender “vencer” uma discussão, e o que eu critico são as fronteiras desse vencer: até onde vencer uma berlinda é mais importante que a busca da verdade? Mais uma vez – debtater não é desperdicio de tempo tanto que estou aqui . Perda de tempo é não entrar numa discussão com pelo menos um pouco de pre-disposição de ver as coisas de um modo diferente do que entrou. Abraços

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Chamar o cara de fascista é tão produtivo quanto comer um bife e dizer “estou comendo um bife”.

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Elton, é verdade. Já sofri com ela mais de uma vez.

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Eu acho que uma mistura de tudo, com um método intuitivo pronto para foder com qualquer possibilidade de racionalidade quando algo envolve mais de uma pessoa. Ou uma pessoa, tempo e dinheiro.

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeirinho

      Em poucas palavras: queremos vencer, sempre…

      Seremos eternos pombos enxadristas…(E generalizações também são formas de acabar com discussões…)

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    O troll é o chato, não o organizador em esquemas. Foucault é troll, Peirce é esquemático. A votação em branco, no caso, foi só pelo fato de o voto ser obrigatório em nosso país.

    Realmente, faltou esse clássico do Corinthians. Uma típica reductio ad absurdum quando comemoram tanto ganhar um título. Mas o caso em questão é falácia ad hominem sim, o que não exclui o fato de que é difícil alguém que diga “menas” estar mais correto. 

  • André Kaminski

    Por sinal, tem um detalhe importantíssimo também que o texto não tratou, mas que é fundamental para todo e qualquer debate da internet: o apoio e os aplausos da plateia. 

    Se você está em um ambiente com diversos apoiadores de uma causa, mas pensa diferente, você é logo massacrado por um ou mais “líderes” que logo em seguida é apoiado por uma “manada” pisoteando, ironizando, ridicularizando e menosprezando todo e qualquer argumento que você posta, mesmo que tenha relevância. Tudo o que alguns desejam é ter o apoio e os aplausos dessa plateia, ao invés de fato levar o debate para um processo de aprendizagem e troca de ideias.

    Isso geralmente ocorre quando há um grupo já estabelecido e um novato da internet chega postando algo diferente do comumente apoiado pelos usuários de uma comunidade da internet. Como se o intruso estivesse atacando deliberadamente o “zeitgeist” deste fórum/site.

     

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeirinho

      Depende. Já vi casos do cara chegar em um grupo com um contraponto e ridicularizar todo o grupo. Foi suspenso na primeira, mas depois voltou. Agora sempre ataca de leve, procurando ofender na ironia e não na palavra chula.

  • Mauricio

    O mais legal desse texto é que tem que pensar duas vezes ao ler os comentários, pra ver se estão elogiando em forma de crítica ou se é crítica mesmo.

    Excelente, Flávio!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1758390154 Lucas Ono

    Gostei do texto, li até o fim,achei interessante, chato, mas ainda interessante, pena que o autor continua com provocações desnecessárias, espero que se cure logo e passe a escrever textos melhores.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Obrigado! Mas escrever sem provocações? É quase como não olhar feio quando chegar no octógono do UFC…

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=1758390154 Lucas Ono

        Realmente, o texto já é bastante provocativo, mas eu estava falando de provocações como esta:
        “É uma técnica disseminada entre crentes, comunistas, terroristas, fãs de Dan Brown e de Caio Fernando Abreu, usuários de papetes, leitores da Caros Amigos e torcedores de times sem Libertadores.”
        Até porque  criticar a forma como as pessoas discutem na internet já é bastante provocativo.
        Obrigado pela resposta.

  • Tranquilino27

    Legal.Agora todo mundo vai querer pensar duas vezes para não escrever bobagens pela net a fora,ou,na pior das hipóteses,ninguém vai admitir que já escreveu/escreve bobagens todo o santo dia na grande rede,inclusive aqui

    Quem eu!?Não,nunca!:)

  • Rodrigo

    Me diverti com o texto. Não tenho paciência para discussões dispensaveis na internet então acabo nem exercitando estas habilidades e ignorando qualquer comentário

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Pior aluno do curso detected.

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Mas elogiou, então merece um “curtir”. Antes um elogio de mequetrefe do que uma crítica consistente, não?

      • Rodrigo

        Falei “discussões dispensaveis na internet”, não generalize.
        Se bem que eu estudo exatas, discussões não são muito corriqueiras em minhas salas de aula mesmo.

  • Mauricio

    A culpa não é do Flamengo que esse timeco não consegue ganhar uma decisão pra valer do Mengão desde 1988.

    Daí consegue o fenômeno de pegar um estigma estatisticamente irreal, incrível como a bacalhoada conseguiu esse feito!! Não discuto mais com vascaínos, pois o freguês sempre tem razão!!

    Quando vão parar de peidar em decisão contra o magnânimo e fodalhão rubro-negro da Gávea, eu não sei… Me preocupo mais com o Fluminense, esse sim rival à altura!!

    • Mauricio

      Aliás, errei.. A culpa é do Flamengo sim. Por fazê-los borrarem as calças!!

  • Mauricio

    Esse entendeu tudo…

  • Mauricio

    “No Brasil, uma sociedade de estúpidos, o mérito, a erudição é mal vista, o que talvez explique a nossa situação cultural.”Puta que pariu!! Na lata… Não poderia concordar mais!!

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      Discordo veementemente. Sério mesmo que querem definir um povo – “sociedade de estúpidos” – por um aspecto que você não concorda dele? Aliás, será que podemos definir a sociedade brasileira como um todo em poucas palavras? Ao que me parece a diversidade cultural desse país é enorme e é ainda maior que a extensão das suas terras. O Rio Grande do Sul é bem diferente do Amapá, que é diferente de São Paulo que por sua vez não tem nada a ver com a Bahia. O povo, o eleitorado, as pessoas desses lugares são tão heterogêneas que, mais uma vez, acho simplista inferir que a atual situação cultural seja determinada por um aspecto apenas. Foi nesse país de estúpidos que nasceram pessoas como Chico Buarque, Renato Russo, Frei Beto, Vinícius de Moraes, Machado de Assis, Luís Carlos Prestes e por aí vai.Aliás, o que quis dizer com situação cultural? Nessa página vemos pessoas com pensamentos completamente diferentes – e assim é numa mesa de bar, na Universidade ou em todo o país – e a cultura não está estampada na cara de ningém aqui. Como podemos dizer que o povo é assim ou assado se não temos critério de comparação, ou ainda se nem somos capazes de olhar para ele sem emitir um juízo depreciativo? 

    • Mauricio

      Mas que a erudição é mal vista aqui, é. Não tem pra onde correr!

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      hahaha pow, eu faço um discurso enorme e você fala a mesma coisa ( isso não seria repetir o que já foi refutado, (Regressus ad baguus))? Ah, o meu ponto de vista é diferente, Mauricio. Pelo contrário, o que observo é que as coisas que supõem erudição são mais valorizadas. Um exemplo disso é o caso recente da polêmica que deu no MEC porque “estava incentivando os alunos a falarem errado” por causa daquele livre para Educação para Jovens e Adultos, o “Por uma vida melhor”. A impensa colocou o posicionamento do livro como algo conenavél, mas a intenção dele era apenas incluir socialmente aqueles que não dominam a lingua culta e adotar uma estratégia diferente da arcaica que era usada até agora com o binário “certo” e “errado”.As pessoas que se vestem de maneira formal ( terno e gravata), falam complicado ( retórica, jurisdição, “policia, um meliante acaba de me intimidar na passarela”), tem da sociedade e do estado um tratamento diferente: aqui mesmo, quem se arrisca a criticar o autor – já que supõem que ele seja mais culto que todos e , portanto, é melhor não cutucar pra não passar vergonha – e dizer de fato o que pensa sobre determinado tema? E o nosso ex-presidente, o Lula, que tem – goste a oposição ou não – uma história de vida considerável, que é um exímio dominador dessas artes retóricas todas, só que de um jeito informal , mas foi alvo de preconceito porque não tem faculdade? Acho que você se refere a alguns pontos bem isolados de parte da sociedade brasileira. Ainda assim, a importância da erudição e do mérito – o suposto saber- é tão grande que o nome vem antes do título, não é Doutor? (Me diz aí se nunca nenhuma garota não falou pros pais quando se referia a você: “E tem mais! Ele estuda medicina!” – Nessa hora sua erudição e mérito não foi mal vista :P)

    • Mauricio

      Só garota pobre/feia.

      Garota mais abastada/gata torce o nariz, tem pena do mané que estuda pra ralar dando plantão…  Eu evito mencionar que sou médico quando estou azarando, digo que sou coach ou empresário.. Se eu ainda fosse um juiz, jogador de futebol, músico…

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      E a gata e pobre ou a rica e não tão gata? Olha, eu conheci pessoas ricas que não entram no estereótipo e o contrário, pobres que não tem nenhum problema de autoestima . Empresário? Experimenta dizer “cozinheiro” ou “professor”. As respostas são das mais variadas =)

    • Mauricio

      Questão de público alvo. O meu é gata/abastada! Se eu quero comer um Big Mac, não faz sentido algum eu ir no Bob´s.

      Aliás, eu me enganei. Tem especialidades que vc pode usar sim, como Cirurgia Plástica, Dermatologia ou Medicina estética. Essas dão Ibope!

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      Haha, olha, não sou ninguém pra questionar suas escolhas então seja feliz com as patricinhas. Concordo contigo que as carreiras que vc citou dão um  puta ibope com as mulheres – mas há de convir que o jaleco por sí só já é bem sexy – tanto quanto um carro do ano e uma conta recheada =).

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Ah, certas oportunidades foram feitas para não serem perdidas. ^^

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    Diogo Mainardi  é um idiota erudito.

  • http://gaudio.wordpress.com Raphael Gaudio

    Um dos melhores posts que eu vi aqui no Papo de Homem! Fantástico! Parabéns!

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Como você é tão burro quanto eu podia fazer o que eu faço : finge que entendeu tudo , faz cara de conteúdo, e passa a criticar quem o autor critica e o apoia incondicionalmente. É melhor ficar do lado de quem está ganhando.

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Concordo contigo, como sempre .

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    O mais engraçado é o terror psicológico que se instaurou nesses comentários. Vê-se todo mundo ironizando tudo e todos, de um jeito quase desesperado – e de certa forma, até lúdico. Apesar de discordar da sua visão de mundo – dado que já lí alguns textos do autor – é inegável que é habil naquilo que se propõe – seja na intransigência da defesa de uma posição ou na manipulação. Gostaria de conhecer algumas pessoas hábeis, como ele, mas que tivessem menos prepotência e menos arrogância para ridicularizar aquilo que ele discorda.

  • Anônimo

    Já viu um gordo vegetariano? Isso sim seria ironia.

    • http://www.facebook.com/cori.hayashiaoki Cori Hayashi Aoki

      Não há ironia nenhuma em um vegetariano ser gordo. As carnes não são os únicos alimentos que têm gorduras.
      Experimenta deixares de comer carne e alimentares-te a base de queijos a ver se essa ironia ainda faz sentido!

  • Raony Lima

    Lembrei do: Como vencer um debate sem precisar ter razão. hahahha
    Essa é a versão atualizada.

    Enfim, sabe o problema? É que todo mundo quer ter uma opinião, uma voz. Não podem ver ninguém falando sobre nada e já querem omitir uma opinião, uma verdade, uma revolta, um ódio. Na boa? Tenho preguiça dessas coisas e discussão na internet é perda de tempo, nem entre.

  • Antenoraguiarcam

    parei de ler em “é só me mostrar onde foi que eu errei, porra!”

  • http://diariosproibidos.blogspot.com/ Samyta Nunes

    Obrigada pela gentil observação. ;)
    Mas acho que você perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado.

  • Tbylson

    Só faltou ser compacto… hehe

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-de-Santana/1784635557 Gustavo de Santana

    Os textos do Flavio sempre despertam os meus instintos mais primitivos. São dos que mais discordo, mas sempre os leio até o final.

    Com esse texto aconteceu algo diferente. Não discordo de nada. Já passei por tudo isso. Mas todo esse tratado bem humorado, com inserções estratégicas sobre o Corinthians pra quebrar o latim ininteligível, não deixou escapar o ressentimento do autor. Pode não ter sido isso, mas foi a impressão que tive. Como se o Flavio tivesse acabado de passar por alguma das situações narradas no artigo discutindo sobre Heidegger no Orkut, e muito encaralhado da vida, resolveu escrever um texto de repúdio a tudo o que considera ruim em discussões na internet.

    De minha parte, acho tudo isso amor demais ao debate. Tenho conhecidos assim e eles são os piores. Alguém comenta que o alface está sem sal e ele começa a urrar na mesa falando sobre o agronegócio, uma veia pulando na testa, olhando pra todos da mesa como quem procurasse um desafiante.

  • Lilla

         O Flavio, na verdade, é um perfil fake. Esse intelectualismo todo tem servido a contento ao projeto do Governo Secreto do Mundo para manter a grande massa presa às convicções da Nova Ordem Mundial que manipula todos os meios de comunicação de relevância. Antes a internet era uma terreno mais propício aos movimentos por liberdade e a divulgação irrestrita de qualquer conteúdo. Hoje, pessoas como ele, com perfil e até mesmo identidade falsa tem invadido espaços antes insuspeitos e suas ideias tem se alastrado até mesmo nos territórios livres como o PdH.  

         Podem reparar que tudo fluiu a partir do momento que um maior número de inserções de textos patrocinados aumentou exponencialmente no portal. Essa é a moeda de troca que a Nova Ordem usa: dá apoio financeiro, seja por publicidade ou incentivos fiscais, em contrapartida exige que determinados indivíduos tenham espaço para manifestar suas convicções arcaicas e manter a humanidade inerte sem condições de produzir novos questionamentos, aprisionada nos antigos moldes conservadores. Nós estamos biologicamente programados através da memética a reproduzir padrões externos que se revistam de uma importância e estética tal e repetir esses padrões até ser suplantado por um novo (ver Richard Dawkins). Um artifício sútil e eficaz tem estado à serviço desse projeto.

        Em breve lapso de tempo vocês perceberão que muitos comentários serão barrados pelo moderador e todo e qualquer movimento ou ideia contrariando o modelo serão desprezados através da ironia e sarcasmo, e em outras serão sumariamente ignorados. Prestem atenção nas entrelinhas. Provavelmente, dentre as obras de literatura americana que o autor admira passam ao largo as ideias do filósofo Ralph Waldo Emerson para quem “A chave de todo ser humano é seu pensamento. Resistente e desafiante aos
    olhares, tem oculto um estandarte que obedece, que é a ideia ante a
    qual todos seus fatos são interpretados. O ser humano pode somente ser
    reformado mostrando-lhe uma ideia nova que supere a antiga e traga
    comandos próprios.”
       
        E aqueles que se surpreendem e acham totalmente improvável o que eu disse, aguardem. 2012 está aí e muito do que permanece oculto será revelado, inclusive a identidade verdadeira do Flavio Morgenstern.
        

    • http://www.facebook.com/people/Nick-Matos/100000112885301 Nick Matos

      Eu fico me perguntando porque alguém se propõe a fazer um comentário desses. O mais foda é que a resposta ao meu comentário é “idem”. xP

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      Gostei da sua história, Lilla.Com um papo assim me pegaria fácil.

      • Lilla

            Então, Eduardo, se você tirar o tom hiperbólico da minha história, vai perceber que algumas conexões têm lá o seu mérito. O incrível do surrealismo é essa faceta de que o absurdo pode não ser tão absurdo assim, tornando-o invulnerável ao Reductio ad Absurdum (e convenhamos que o autor propositalmente colocou como sendo de Sócrates um método reconhecidamente de Aristóteles). Bem, também não seria de admirar a indiferença do autor a um recurso de estilo advindo da esquerda.
             Vamos excluir o factóide sobre a falsa identidade do Flavio, bem como um suposto governo secreto do mundo e profecias apocalípticas. Em lugar de governo secreto coloquemos o termo sistema (não necessariamente em relação ao capiltalismo). Existe um sistema que mantém a sociedade presa a padrões de comportamento e sobretudo, à distribuição extremamente desigual de renda. Nesse ponto os conservadores polarizarão o debate reduzindo ao frustrado e falido Stalinismo – Reductio ad Stalinum – e prosseguiremos num debate, embora rebuscado, totalmente inócuo quanto a resignificações de propostas. Você, em determinado comentário acima, desconstruiu com veemência a lógica binária. Ainda assim não é tão convicente aos olhos do observdor externo (em último caso, o nosso foco está nele). Assim funciona o sistema. Ou funcionava. A partir do momento que você reconhece a falibilidade do marxismo, o teu argumento de refutar a lógica linear começa a ganhar corpo. Porque não existe lógica perfeita,embora existam premissas corretas e incorretas. A retórica é linda, mas é uma ilusão. Esta ilusão de opostos tem servido para manter a humanidade presa.

            A partir do momento que alguém no topo usou a vontade de poder inerente ao ser humano para se apropriar do maior quinhão para si, criou-se uma teia intrincada de vencedores e vencidos. De fato, biologicamente somos programados para a disputa, mas algumas características nossas fogem à regra da sobrevivência apenas enquanto espécie, dentre estas o altruísmo. Diga-me quantas vezes você viu algum conservador falar de maneira insuspeita sobre preocupar-se com o bem estar do outro sem que isso traga-lhe retorno algum?
            
            O modo jocoso que o autor se referiu à psicanálise, é um artífício para se encouraçar contra as prováveis críticas do ramo da psicologia contemporânea que vai muito além da psicanálise. Um exemplo deste é o tom emblemático que anteriormente afirmaram referindo-se ao senso comum de que brasileiro vê com mal olhos a erudição. Esse aspecto nem é falso, nem verdadeiro. Falta ensino de qualidade no Brasil, evidentemente, bem como alguma parcela significativa vê com desdém a erudição. Mas ao setenciarmos peremptoriamente que esse é um aspecto irredutível, criamos pela psicologia do reforço uma personificação para a nossa sociedade. Eu pergunto, é o povo brasileiro que deseja ver conteúdo chinfrim ou é a grande mídia que oferece esse conteúdo e faz uma grande massa de manobra acreditar que gosta disso mesmo? Assim, é salutar reconhecer que aquilo que parece absurdo, não o seja de fato se observamos mais intimamente e ampliarmos as perspectivas; algo que a tábua de Aristóteles não permite.

        Nagarjuna rules!

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Ontem estive meio sem tempo de ler seu comentário, mas ví que não foi tempo perdido le-lo hoje com tanta atenção. Meus parabéns, análise muito bem construída. Sobre a falha da lógica binária, sobre a predisposição de aceitar um argumento contrário, sobre assumir a falibilidade de modelos que defendemos. Gostaria de conversar mais com você a respeito, acho que tenho muito a crescer nessa conversa . Pega meu email :carusoedu@hotmail.com ou aceite ir num barzinho. Abraços

      • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

        Disse num dos comentários que gostaria de conhecer pessoas habéis como o autor mas sem essa intransigência toda. Parece que encontrei =).

      • Lilla

        Bom, o barzinho é meio difícil, já que moro em Santa Catarina e vou a São Paulo ocasionalmente. Vou te mandar um email, então. E pode ter certeza que o aprendizado é recíproco!

  • Lilla

    Você está levando a sério minha singela teoria da conspiração? Hum, legal.

    Não tenho afinidade com recursos estilísticos como ironia e sarcasmo, prefiro surrealismo.

    • Lilla

      Teoria da conspiração funcionado….o comentário saiu no lugar errado.

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Vou ler bro. Critico muito isso porque acho que “ganhar” uma discussão quando se coloca de lado os seus valores ou a própria razão da discussão (” e mandar qualquer vestígio de lógica pro espaço”) tem um preço muito alto: perde-se como pessoa. É como dar um passo pra frente e dar dois pra tràs: o ego é inflado com os aplausos da plateia no calor da batalha, mas no fundo, não sai da discussão alguém maior que entrou. Acho bacana saber como as pessoas funcionam, essa ansia de vencer avassaladora que quer passar por cima de tudo ou todos. Talvez seja um traço da nossa sociedade atual. Talvez, da própria humanidade. Em todo caso, leio o texto e na pior das hipóteses aprendo melhor como funciona isso que você falou e pode ser que isso seja útil no futuro. Abraço

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Cala-te, ó rebaixada criatura, não tens prova da aliança dele com o Cebolinha.

  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Lí o texto e me pareceu aqueles livros de autoajuda para empresários, como “Sun Tzu era um maricas e a verdadeira arte da guerra”. “Caminhos para o sucesso”, “Como vencer na vida”. Pfff.

  • http://www.facebook.com/people/Thiago-Benevides/100001917504249 Thiago Benevides

    Não acho que criticar um texto por ser parcial, em alguns casos, invalide o argumento. Por mais que não exista imparcialidade total, a parcialidade exacerbada apenas demonstra um excessivo interesse na vitória de um dos lados, algo complicado quando se lida com veículos de mídia, por exemplo.

    Quanto ao “parei de ler”, eu mesmo já falei várias vezes. Não considero um instrumento de argumentação, mas uma forma de se poupar quando é nítido que não sairá nada melhor dessa discussão. Um exemplo é se em uma discussão sobre qualquer tema ligado à religião alguém me lança um “o homem veio do macaco”… paro de ler na hora, desisto da discussão e vou embora, you win.. não vale a pena continuar..

  • http://www.facebook.com/people/Paulo-Vieira/1173873763 Paulo Vieira

    MESTRES!!!

  • Leandro Lopes Pereira

    Cara, só um elogio. Seu texto é realmente muito bom, muito engraçado e muito bem escrito. Pode você discordar de mim, mas eu adorei.

  • Guilherme Coppini

    Faltou a velha risada escandalosa, em que voce deve rir bastante usando S, H, U e A/E, apertando tais teclas sem sequencia ordenada, para dizer que achou o argumento ridiculo, apesar de nao ter nenhum contra-argumento, e que, como voce nao concorda com os argumentos em sua opiniao pessoal e nao tem conhecimentos suficientes para contradize-lo, mesmo assim acredita estar apto a ridiculariza-lo.

  • Moacir Grande

    “Enfermeiros negros”. E quem disse que enfermeiro faz ressucitação. Senti um preconceito inconsciente ali…

  • Pingback: Sistema de Saúde: como é organizado e como utilizá-lo? | Papo de Homem

  • http://twitter.com/OBoidaDepressao O Boi da Depressão

    Pois eu parei de ler o comentário dele na segunda linda

  • Nietzsche

    Flávio Morgenstern, VOÇÊ já assistiu “Reis e Ratos”? – Voçê, pelo jeito, é Saudoso da Ditadura no Brasil(Amor & Revolução(Não “…$ Revolução…”)/Se São Paulo, pelas Eleições 2012, virar a “Nova Grécia”(Acompanhe os Noticiários Econômicos/Mas não me pergunte, PORQUE SÓ É CEGO QUEM NÃO QUER VER, ou como diria a Mafalda: Vá viver em marte, porque aí o Dinheiro, o Emprego e a Subsistência não existirão. É só voçê ENQUANTO CONSEGUIR VIVER. – É Bom Desconfiar, VADE MECUM, VADE TECUM, mas…Lembre-se: Se Político não vai pra cadeia, Por Que Será que qualquer Cidadão(Desculpe: também Cidadã(GLBTS) pode Exercer Cargo Público(Quer dizer: Se Candidatar, ser Político/Vida Pública)? – Lembre-se, quando voçê nasceu, já existia Política, e Governos…(ET ALI)

  • Bucco

    Colocar um extremo como a Carla Perez para defender o uso de uma linguagem melhor não é como por o Hitler na História?
    Usar palavras que definem melhor o que se quer dizer tudo bem. Mas pra que não ser comunicativo?
    Eu não sou comunista. Mas não é melhor quando todos podem se instruir mais rapidamente?

    • Bucco

      Eu quis dizer “história” com H minúsculo

  • http://www.facebook.com/jorgedemelo Jose Jorge De Melo

    Vejo este texto e me lembro de um livro escrito por Schopenhauer: Como vencer um debate sem precisar ter razão. Leitura muito interessante para os “gladiadores da Internet”.

  • Mariane Gaspareto

    Gostei muito do texto. Só discordo parcialmente em relação ao penúltimo subtítulo/tópico/seilá , rs. Concordo que algumas pessoas tem preguiça de aprender ou buscar estender o vocabulário para entender o texto, e que muitas vezes reclamam por preguiça. Também entendo que usar um sinônimo pode empobrecer o texto tirando o significado da palavra. O problema aí é que muitos se escondem na prolixidade, e usam palavras incomuns para dificultar o entendimento dos argumentos (ou torná-los aparentemente mais verdadeiros) na finalidade de tornar seu texto/opinião incontestáveis. Há o mito de que ”quem fala difícil é mais inteligente” e alguns se aproveitam disso. Particularmente acredito que devemos usar um vocabulário condizente com o público, de fácil entendimento (o que não quer dizer mastigadinho). O seja, se tú pode usar uma palavra mais comum pra quem tá ouvindo, usa, a não ser quando essencial pro sentido que você quer dar uma palavra um pouco mais difícil.
    Mas é só minha opinião de bosta heheheheheh.
    Parabéns pelo texto, acessarei o site com mais frequência.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001617047539 Caio Vinícius Campos

    texto grande, e chato e de hipster.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001617047539 Caio Vinícius Campos

    Ta na moda a rapaze que escreve em blogs se auto descrever depois dos textos cheio de piadinha sarcastica uhuhuhuh =P

  • http://www.facebook.com/vitors.mhiga Vitor S M Higa

    yeah, yeah
    Sérginho Malandro

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