Parece sina. Com exceção do Pan-Americano – que é tipo torneio café-com-leite – a seleção brasileira feminina de futebol não consegue ganhar seus jogos decisivos.
Na Olimpíada de Pequim, apesar da crença generalizada de que seria diferente, a história se repetiu. O time perdeu a final para os EUA e continua sem uma grande conquista para colocar no currículo. Perderam a final da Olimpíada de Atenas para as mesmas americanas e a decisão da Copa do Mundo para a Alemanha.
Depois do jogo, uma série de motivos foram elencados para justificar a derrota. Não que uma derrota não fosse normal, ainda mais no futebol, esse esporte de tão poucos “pontos”. Mas, além de repetir a derrota, o Brasil repetiu a forma. Dominou o jogo, mas não conseguiu transformar isso em ouro.
Desse jeito vamos convocar a Edinanci Silva na próxima
Vamos a algumas das teses:
Das 18 jogadoras convocadas para Pequim, 7 atuam no exterior. As outras dependem de um campeonato aqui, outro ali organizado aqui no Brasil. Isso não é detalhe. Ainda que treinem, treinem, treinem e treinem mais um pouco, só se aprende a decidir jogando. Jogando decisões, claro.
Os homens têm competições desde os 5 anos de idade, se bobear. Como diabos aprender a ganhar se elas não competem? Quando dizem que decisão é um jogo diferente não é conversinha. A pressão é tremenda, só com muita bagagem dá pra superar. Apesar de super-ultra-mega-amadoristicamente, joguei um pouco de futebol e vi isso em prática.
Marta e principalmente Cristiane teriam tentado tanto, mas tanto decidir sozinhas que acabaram prejudicando o time. Em vários lances não passaram a bola para companheiras mais bem colocadas.
Na seqüência do item anterior, é importante lembrar que o técnico Jorge Barcellos grita para as jogadoras durante o jogo “toca pra Marta!”. Me parece uma grande falha para quem está treinando um time coletivo. Isso prejudica de duas formas. Sobrecarrega a própria Marta, que recebe marcação especial em todos os jogos, e ainda pode causar um…
Voltando à experiência futebolística própria, participar de um time armado para servir apenas a um atleta dá uma raiva danada. Mas isso não é tão insuportável quanto a própria jogadora se achar uma estrela e resolver carregar a bola no meio de quatro marcadoras. Dá vontade de quebrar a cara, e qualquer um que já tenha jogado algum esporte coletivo já passou por isso, tenho certeza.
No futebol masculino é tapinha na bunda, no feminino é…
Essa é uma das explicações para a atitude fominha de Cristiane no campo (voltando ao motivo 2). No jogo contra a Alemanha ela conseguiu passar por quatro e fez o gol. Mas as americanas viram, estavam preparadas e não deu certo. E as companheiras, putas da vida com essa atitude individualista, tocaram o f*-se e nem sempre se apresentaram em condições de passe. Não é bonito, mas é compreensível.
Ainda sobre “racha”, Marta depois do jogo saiu declarando que “algumas meninas ficam muito nervosas em final”. Quanto tato, einh? Será mesmo o Pelé de saias, até nas declarações?
O extra-campo influencia, mas a verdade é que a técnica dos EUA foi bem inteligente em preferir marcar muito. Zaga de time feminino falha demais, ainda mais quando vai todo mundo para o ataque.
A leitura foi perfeita e elas levaram mais uma medalha para casa. Ah, sim, a goleira Hope Solo, barrada na semifinal do Mundial, vencida pelo Brasil por 4 a 1, voltou ao time e pegou muito.
Ah, sim, a Hope, a Solo… (fotos via Controle Remoto)
Parece meio besta buscar motivos para uma derrota. Muita gente diz “perdeu, paciência”. Mas é preciso achar uma maneira de transformar o talento desse time em vitórias. Senão vamos sempre ficar com aquela sensação horrível de coito interrompido.
Mas, no fim das contas, eu não tenho nenhuma esperança de que algo mude na gestão do futebol feminino no Brasil. Ou vão todas aprender a jogar no exterior (e isso definitivamente não é receita para dar certo), ou vamos perder para todo o sempre.
São-paulina, tem uma queda pela Portuguesa e dizem que, em meio aos barbados que fazem o Futepoca, seria o membro mais macho. Mas ela não comenta boatos desse tipo.
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