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Por que os homens deveriam ler mais ficção?

Brett McKay

por
em às | Artigos e ensaios, Cultura e arte, O Lugar no PdH


É pela leitura que ganhamos novas perspectivas e aprendemos mais sobre nós mesmos e sobre mundo que nos cerca. Eu acredito bastante no ditado que diz:

“Leitores são líderes.”

Enquanto estudava as vidas de grandes homens na história, um assunto comum que encontrei foi que a maioria deles eram bibliófilos que buscavam implacavelmente se educar durante a vida inteira.

Embora muitos homens venham acumulando um monte de livros para ler, há chances de que essa pilha seja composta primariamente por tomos de não-ficção. Por volta dos últimos 20 anos, a indústria editorial observou um declínio acentuado no número de homens lendo ficção. Alguns relatórios mostram que, atualmente, homens constituem apenas 20% dos leitores do gênero nos EUA.

A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe

A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe

Há várias razões para homens não lerem ficção nos dias de hoje. Talvez eles tiveram uma má experiência com ficção no ensino médio e juraram que nunca mais leriam um romance novamente enquanto estivessem vivos. É possível que o cérebro masculino seja naturalmente mais propenso à natureza mais direta e factual da não-ficção. E há quem sugira que os homens estão compensando suas leituras de ficção nos muitos – e excelentes – livros narrativos que saíram na última década (como The Rise of Theodore Roosevelt e No Ar Rarefeito).

Qualquer que seja a razão, estudos cognitivos começam a mostrar que os homens talvez estejam vacilando ao evitar a seção de ficção em livrarias e bibliotecas. Hoje nós mostraremos por que você deve largar esses livros de negócios de vez em quando para pegar uma cópia de Hemingway.

Por que os homens deveriam ler mais ficção

Na última década, vários cientistas cognitivos se debruçaram sobre a questão de como a ficção afeta nossas mentes. À frente desta pesquisa está o psicólogo cognitivo e escritor de ficção, Dr. Keith Oatley. Dr. Oatley e outros pesquisadores pelo mundo descobriram que ficção não somente ativa, mas também aprimora as funções cognitivas que nos permitem conviver melhor socialmente.

Em seu livro Such Stuff as Dreams: The Psychology of Fiction,  ele afirma que a ficção se trata primariamente de “eus num mundo social”, e que o assunto principal da ficção é “o que as pessoas querem umas das outras”. Da mesma forma que o seu conhecimento em história ou finanças aumenta lendo vários livros desses assuntos, ler ficção aumenta sua compreensão de relações sociais – seu pensamento sobre o que outras pessoas estão pensando.

Na verdade, Dr. Oatley diz que a ficção é uma simulação do mundo social que nos permite experimentar (ao menos por meio da imaginação) uma variedade de circunstâncias sociais com diferentes tipos de pessoas que nós podemos encontrar no cotidiano.

Claraboia, de José Saramago

Claraboia, de José Saramago

A maior parte do seu sucesso como um homem, seja no amor ou no trabalho, depende da sua capacidade de socializar habilmente. Todos nós conhecemos a frase:

“O sucesso depende não do que você conhece, mas de quem você conhece.”

Por mais que você queira pensar que isso não seja verdade, é verdade sim. Você pode ser o mais habilidoso e talentoso em qualquer coisa no mundo, mas provavelmente vai se acabar de trabalhar na obscuridade se não souber como chegar a outras pessoas e dividir esse talento com elas.

Infelizmente, os homens escolheram o pior lado da evolução no que diz respeito à nossa habilidade de socializar. Estudos mostram que o cérebro masculino é geralmente inclinado a lidar com coisas, enquanto o cérebro femininino é geralmente inclinado a lidar com pessoas. Isso pode explicar por que mulheres frequentemente preferem ficção à não-ficção: o cérebro delas já são propensos a ler sobre “eus num mundo social”.

Assim, o homem tem muito a ganhar ao ler ficção. Em vez de ver ficção como uma grande invenção e perda de tempo, veja-a como um simulador que lhe permite exercitar e fortalecer os músculos cognitivos responsáveis pela socialização. Toda vez que você lê um romance você está se tornando um homem socialmente melhor e mais entendido.

Abaixo, mostramos o que as pesquisas dizem sobre como especificamente a ficção melhora nossas mentes.

Ler ficção fortalece sua Teoria da Mente

A Teoria da Mente é uma capacidade cognitiva que os humanos usam o tempo todo, mas não dá o devido valor. Basicamente, é a nossa capacidade de atribuir estados mentais (como pensamentos, sentimentos e crenças) a outras pessoas baseando-nos em uma série de impressões, a fim de predizer e explicar o que elas estão pensando.

Cientistas cognitivos chamam essa capacidade de Teoria da Mente porque quando nós interagimos com outras pessoas, é impossível sabermos exatamente o que elas estão pensando, sentindo, percebendo, então temos que construir uma teoria do que elas estão pensando, sentindo, percebendo na mente delas. Sem a Teoria da Mente, interações sociais seriam esquisitas, toscas e praticamente impossíveis.

Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski

Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski

Alguns exemplos da Teoria da Mente em ação:

  • Nós usamos a Teoria da Mente quando vemos um vendedor ambulante sorridente e pensamos: “Tá, ele está sorrindo, mas eu acho que ele está na verdade tentando é me ferrar”. Você vê o sorriso, mas está atribuindo a ele um estado mental diferente por causa de outras informações que você sabe do cara.
  • A Teoria da Mente permeia relacionamentos românticos: “Eu acho que ela acha que eu gosto dela, mas eu não gosto. Como é que eu dou um fora nela?” Nesse caso, você está teorizando que uma garota sente algo por você e que ela acha que o sentimento é mútuo – embora não seja. Agora você tem que dar um jeito de resolver esta situação.
  • Nós usamos a Teoria da Mente para planejar estratégias e para confundir. A cena famosa do cálice envenenado em A princesa prometida é um exemplo perfeito da Teoria da Mente em ação:


Link YouTube |

A Teoria da Mente não é algo que nós nascemos já sabendo como fazer. Crianças começam a desenvolvê-la por volta dos 3 ou 4 anos de idade.

Até lá, recém-nascidos e crianças pequenas pensam que o que quer que eles estejam pensando, sentindo, percebendo é também o que os outros estão pensando, sentindo, percebendo. É por isso que meu filho Gus, de 18 meses, “se esconde” simplesmente cobrindo seus olhos com as mãos. Ele pensa que porque ele não pode me ver, eu não posso vê-lo, embora ele esteja sentado bem na minha frente na sua cadeira. Ainda que isso seja bonitinho, é uma tremenda falha ante a Teoria da Mente.

Geralmente, garotas desenvolvem a Teoria da Mente antes dos garotos, e garotas adolescentes se dão melhor que garotos adolescentes em situações de Teoria da Mente. A vantagem feminina na Teoria da Mente também se estende à idade adulta. A capacidade superior da mulher na Teoria da Mente é provavelmente um resultado de fatores tanto sociológicos quanto evolutivos.

O cientista cognitivo Simon Baron-Cohen (ele é o primo de Borat. Sério!) afirma que o autismo afeta mais homens do que mulheres porque quem é autista possui uma “mente extremamente masculina”. Autistas normalmente não têm uma Teoria da Mente ou a tem de forma subdesenvolvida, o que explica por que eles frequentemente sofrem para interagir socialmente – eles não têm a capacidade de ler outras pessoas.

Então o que a Teoria da Mente tem a ver com ficção?

Bem, estudos mostram que quando nós lemos ficção, as partes do nosso cérebro responsáveis pela Teoria da Mente se acendem e são ostensivamente acionadas. Narrativas exigem que adivinhemos os desejos ocultos dos personagens, descubramos o que seus inimigos ou amantes podem ou não estar pensando (quando o autor não nos conta explicitamente), ao mesmo tempo que acompanhamos todas as interações sociais entre os personagens.

Ernest Hemingway é famoso por forçar seus leitores a adivinhar o estado mental de seus personagens substituindo palavras por ações. Por exemplo, no final supertriste de Adeus às Armas (não leia se você estiver prestes a ser pai. Confie em mim), o personagem principal, Frederic Henry, não fala absolutamente nada – ele simplesmente caminha de volta para o hotel embaixo de chuva. Fim.

A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

Romances de suspense exercitam ainda mais nossa capacidade de Teoria da Mente. Sempre que você estiver lendo um romance de Dashiell Hammett, você está adivinhando junto a Sam Spade o que os gestos sutis ou as palavras ditas por todos os personagens de fato significam. O suspeito ou a testemunha estão dizendo algo somente para tirar você e Sam Spade da pista? Equilibrar toda essa leitura mental é tão divertido quanto desafiador, e é por isso que a crítica literária Lisa Zunshine afirma que o exercício mental que você faz ao ler uma história de detetive é bem parecido com levantar pesos numa academia.

Além de ativar nossa Teoria da Mente, ler ficção pode fortalecê-la? Em estudos recentes do Dr. Oatley, a resposta parece ser “sim”. Em trabalhos publicados em 2006 e 2009, Dr. Oatley relata que indivíduos que leem ficção frequentemente se saem melhor em testes de Teoria da Mente, independente de gênero.

Um deles é o Teste do Olho da Mente, no qual participantes olham para fotos de olhos de pessoas – e nada mais que isso – e então têm de descrever o que essas pessoas estão sentindo. Leitores de ficção se saíram melhor neste teste do que leitores de não-ficção. E um estudo de 2010 realizado em crianças em idade pré-escolar mostrou que quanto mais histórias foram lidas para elas nessa idade, mais fortes ficaram suas Teorias da Mente.

Leiam para os seus filhos, pais!

Ler ficção deixa o leitor mais empático

Para ter empatia, não basta perceber o que outra pessoa está sentindo (no que a Teoria da Mente pode ajudar): empatia exige que nós tenhamos a mesma reação emotiva que o outro indivíduo.

Da mesma forma que com a Teoria da Mente, homens geralmente são menos empáticos que mulheres. Enquanto nós tendemos a pensar em empatia mais como um traço feminino, é essencial para os dois gêneros desenvolvê-la, pois ela é a cola que mantém unida a civilização e o que nos permite ter relacionamentos fortes e duradouros com nossos amigos e amantes.

Infelizmente, como enfatizamos em nosso artigo “Our disembodied selves and the decline of empathy” (“Nossos eus desincorporados e o declínio da empatia”), a empatia vem diminuindo tanto entre homens quanto entre mulheres nas últimas décadas, e a comunicação on-line tem sido uma força propulsora por trás dessa queda. Ainda que encorajemos nossos leitores a contra-atacar o poder sugador-de-empatia das conversações on-line equilibrando-as com mais conversas cara a cara, estudos mostram que encarar um bom romance também pode ajudá-los a aumentar a empatia.

Em 2008, Dr. Oatley testou se a leitura de ficção nos faz mais empáticos. Ele deu a 166 participantes ou o conto de Chekhov “A Dama e o Cachorrinho” ou uma versão da mesma história em formato de documentário. Os traços subjetivos de personalidade e as emoções foram avaliados antes e depois da leitura. Embora os leitores do documentário chato não tenham mostrado empatia ou apego aos personagens, os que leram a história original de Chekhov apresentaram um aumento de empatia pelos personagens.

Estudos similares realizados pela Universidade de Buffalo apontam a mesma coisa. Dr. Oatley admite que as mudanças podem ter sido somente temporárias, mas prevê a hipótese de que ler ficção repetidamente pode causar mais efeitos duradouros à empatia.

Ler ficção aumenta a criatividade

Cientistas cognitivos acreditam que a ficção tem origem nas brincadeiras. Assim como crianças se engajam em mundos imaginativos, adultos o fazem quando leem uma história. E assim como uma encenação com um final indefinido desenvolve a capacidade da criança de conceber e avaliar alternativas, uma peça de ficção bem escrita faz o mesmo com adultos. Ler ficção pode aumentar nossa criatividade nos expondo a histórias e narrativas fantásticas que de outro modo não vivenciaríamos lendo não-ficção.

A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera

A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera

Mas talvez o maior aumento de criatividade da ficção seja o que o crítico literário Viktor Shklovsky disse a respeito da ficção: tornar estranho o conhecido, de modo que olhamos para as coisas sob uma nova luz.

A ficção nos permite comparar como funcionam as ideias e experiências humanas em um mundo de faz-de-conta para com o funcionamento delas na vida real. Dessas comparações, podemos começar a pensar em ideias de formas profundamente diferentes. Eu gosto de pensar que a ficção nos orienta para depois nos reorientar, e durante essa reorientação, novas ideias surgem em nossas mentes.

Que tipo de ficção eu devo ler?

Numa entrevista por telefone, perguntei ao Dr. Oakley se há algum tipo de ficção que os homens devem ler em particular. Ele respondeu que devemos ler o que quer que nos interesse, sejam romances russos intelectuais ou folhetins superficiais. “Nossos estudos mostram que o efeito da ficção na mente independe da qualidade literária”, afirma.

Ele na verdade encoraja os homens a ler uma variedade extensa de ficção, de modo que “consigam conhecer mais pessoas em mais circunstâncias”. Então vá em frente. Leia aqueles romances de Louis L’Amour e Michael Crichton sem culpa nenhuma. Você está ajudando a si mesmo a  se tornar um carismático dínamo-social.

Como mencionamos antes, romances de suspense podem exercitar de forma mais precisa sua teoria da mente, pois exigem que adivinhemos intenções ocultas de um grupo de suspeitos baseados em pistas sutis deixadas pelo autor. Assim, meter a cara no seu Hammett, Chandler ou Christie possivelmente será benéfico e certamente será prazeroso.

E embora os romances de Jane Austen sejam repudiados por homens, eles também prestam um bom serviço ao trabalhar com a sua Teoria da Mente. Ficar ligado em quem está interessado em quem e o que realmente significam aqueles trejeitos vitorianos sutis vai fritar seu cérebro, mas vai torná-lo mais forte no quesito habilidades sociais. Confissão: eu li recentemente Razão e sensibilidade e gostei de verdade.

Dr. Oatley sugere dois livros que ele leu recentemente e que achou que nós homens íriamos gostar: Terras baixas e O fundamentalista relutante.

Conclusão: Certifique-se de misturar leituras de ficção com suas preferências de não-ficção. Isso irá torná-lo um homem melhor e mais bem-sucedido.

Nota do editor 1: o artigo acima é uma tradução do texto “Why men should read more fiction“, do Art of Manliness, feita por Gustavo de Santana e revisada por Rodolfo Viana. Imagens do Grifei num livro.

Nota do editor 2: O PdH tem bons artigos sobre literatura de ficção e não-ficção. Seguem seis deles:

Este post é resultado de nossas práticas, diálogos e treinamentos na Cabana PdH. Quer entrar no Dojo?
Brett McKay

Brett McKay, e sua esposa Kate, são os fundadores do site Art of Manliness (Arte da Masculinidade), de onde traduzimos esse texto. Ambos vivem em Tulsa, no Oklahoma. A foto registra um breve e fracassado experimento com bigodes. No Twitter, pode ser encontrado em @brettmckay.


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  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Henrique-Gordo/100000230207408 Gustavo Henrique Gordo

    Vou confesssar…

    Sou ótimo nessa coisa de Teoria da Mente e nunca (nunca mesmo) li um livro de não-ficção. Sou um pouco frutinha então?

  • http://www.facebook.com/people/Paula-Franco-Rodrigues/100000775883525 Paula Franco Rodrigues

    Po, bem interessante o texto. E engraçado… assim que acabei de ler, fui dar uma olhada na minha estante, que deve ter uns 4 livros de não-ficção e todo o resto de ficção… e percebi uma coisa… bem, eu não pesquisei isso em outros lugares, só na minha estante, mas, boa parte dos meus livros de ficção foram escritos por homens… por que será que os escritores (de novo, pelo menos na minha estante!) em sua maioria são homens e os leitores mulheres?

    • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

      paula, deve ser algo da sua estante mesmo. 

      eu não sei se existe um “censo” sobre quem escreve ou lê mais. eu, por exemplo, tenho lido muita literatura feita por mulheres. inclusive, repensando aqui os livros que tenho recomendado na Vida Simples nos últimos meses, chuto que uns 70% dos títulos são de autoras.
      inclusive, se quiser ler boa ficção feita por mulheres, posso sugerir uns livros bem legais, umas autoras incríveis. ;-)

      • Alex

         Opa, listas de bons livros são sempre muito bem vindos: bora passar aí pro pessoal :)

      • http://www.facebook.com/people/Paula-Franco-Rodrigues/100000775883525 Paula Franco Rodrigues

        Ta, não procurei ainda sobre elas, mas alguma é de ficção histórica ou ficção científica?

      • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

        doris lessing escreveu algumas ficções científicas.

    • http://www.facebook.com/people/Gustavo-de-Santana/1784635557 Gustavo de Santana

      Paula,

      É bem normal que haja mais livros de ficção escritos por homens na sua estante. Acho que na estante de qualquer um. É mais um aspecto histórico do que biológico, que tem a ver com sexismo e o papel da mulher na sociedade, incluindo aí produção literária ao longo do tempo.

      Se qualquer um tentar puxar da memória uma lista dos 20 maiores escritores russos, brasileiros, ingleses, marroquinos ou de qualquer lugar do mundo em todos os tempos, a lista sempre vai ser composta 90% por homens. 

      Eu imagino que muita gente do movimento feminista já estude essa discrepância e tenha respostas mais embasadas pro seu questionamento, que é bastante válido. A relação escritores homens x escritoras mulheres é historicamente bem desbalanceada, e eu não sei exatamente se hoje essa proporção já tá menos desigual.

      • http://www.facebook.com/people/Paula-Franco-Rodrigues/100000775883525 Paula Franco Rodrigues

        Não acho que seja por uma questão de sexismo não. Por que, boa parte dos livros que eu tenho aqui são autores novos e os que mais me atraíram foram os escritos por homens. Eu to sempre procurando algo novo, ai eu vo numa livraria e fico lendo as sinopses até achar algo que me interesse. Eu to comentando sobre os livros novos, de hoje em dia, por que os clássicos eram de uma época sexista, mas não hoje em dia.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Me parece ser algo nessa linha, Gustavo.

        Até poucos séculos atrás as mulheres estavam lutando(e ainda lutam) por direitos básicos como votar, se expressar, se vestir como bem entendem… na escala de prioridades creio que a ficção simplesmente ainda não teve tanto tempo como opção disponível para o sexo feminino.Felizmente, isso tem mudado.

    • guest

      acho que boa parte da literatura foi feita por homens, mas pq 1.o acesso à educação pra mulher é algo relativamente recente, 2.por muito tempo não se incentivava que mulheres fizessem algo diferente de cuidar da casa e dos filhos

  • Olaf Q

    Rodolfo, se ela não quiser eu quero. Sugira aí!

    • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

      ok, @google-c228bce4cd0cc0789daf47d6bcb33334:disqus. de cabeça, indico três escritoras:

      - doris lessing: nobel de literatura de 2007. fez ficção e não-ficção (inclusive, deve haver pouca coisa que ela não fez — fez conto, romance, texto para teatro, sua autobiografia e até literatura de ficção científica). a companhia das letras tem bons títulos dela. recomendo “amor, de novo”.

      - hilda hilst: conhecida em grande parte por sua poesia, ela também fez contos, crônicas e teatro. dos romances de hilda hilst que li, o que mais gostei é “a obscena senhora d”, livro escrito há uns 30 anos e ainda muito poderoso.

      - michela murgia: eu não conhecia a italiana michela murgia até dois meses atrás, quando recebi “a acabadora” em casa. é um romance foda sobre uma senhora que tem como ofício levar “qualidade de morte” a quem está prestes a morrer. achei um livro forte. 

      depois me diz se curtiu algum dos livros. ;-)

      • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

        Dicas fantástica, Rodoldo.

          A literatura latino-americana é, definitivamente, minha predileta. Acrescento a sua lista Dinah de Queiroz: A muralha. 

        Gosto da narrativa fácil, ágil, descritiva, excêntrica e recheada de referências de Hilda em A Obscena Senhora D.  Hillé, ainda é, a minha Protogonista preferida.

      • Olaf Q

        Valeu Rodolfo!

        Estão na lista, o primeiro que eu ler te digo o que achei, valeu!

  • http://www.facebook.com/people/Rafael-Salinas/100001186770841 Rafael Salinas

    As crônicas de Gelo e Fogo são muito boas nesse sentido, pelo menos o primeiro livro. Por conta do texto vou sair do computador e ler o segundo, acho que to precisando.

  • Olaf Q

    Depois de ler esse texto fui pensar nos livros que li esse ano e descobri que todos os oito são de ficção. Aí fui pensar nos livros que já li até hoje, e cheguei em uma média de que mais ou menso 95% do que eu leio em livros é ficção. Mas assim como a Paula eu tenho maioria esmagadora de escritores homens. Tenho que variar um pouco isso aí. =)

  • http://about.me/roh Rodrigo Santos

    Era disso que eu estava precisando! Não sei por que não pensei nisso antes.

    Eu leio e tenho tanto livros de ficção quanto os de não-ficção. Minha preferência sempre foi livros de não-ficção, sempre quis que os livros me fizessem pensar. Lia ocasionalmente uma ficção, e gostava. Só que sempre procurei saber quala idéia central. Daí, minha estante se resume a 80% não e 20% ficção.

    Agora, ao menos, quando ler qualquer livro de ficção terei uma idéia diferente, no qual a idéia é contar a história de pessoas. Já ajudou um bocado.

    Obrigado!

    • http://www.facebook.com/people/Paula-Franco-Rodrigues/100000775883525 Paula Franco Rodrigues

      E quem disse que ficção não te faz pensar??

      • http://about.me/roh Rodrigo Santos

        Faz sim, Paula, mas não usando a lógica. Mesmo entrando no mundo do personagem, eu não via com olhos certos por que as teorias que eu tinha contestavam o personagem e além disso ficava querendo tirar um conceito geral. Se tratando de ficção isso é errado, por que o autor de ficção muitas vezes não quer te dar uma opinião sobre algo. Eu gosto de usar a lógica, por que é a primeira coisa que me vem a mente. Daí os livros que são de ficção não me atraem tanto quanto os outros que podem me dar teorias a respeito de algo.

        Dado o benefício que não conhecia e agora lendo com a visão certa sobre o livro (não tirar idéias nem conclusões sobre), agora tem ao menos um motivo para eu ler e melhorar um lado que está péssimo em mim.

        Só pra ter uma idéia, o último livro de ficção (não sei se este é realmente ficção) que eu li foi um romance de Goethe: Os Sofrimentos do Jovem Werther. E já fazem dois anos.

  • http://fabiorocha.com.br/ Fabio Rocha

    Boa. Deveríamos ler mais poesia também, dentre outras coisas porque ela rompe com o padrão da linguagem padrão, um passo para nos libertar dos pensamentos-padrão.  

    • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

      assino embaixo, fabio.

  • Ramon VItor

    Raros os livros de não-ficção que eu tenho. Quase tudo de não-ficção que eu leio é a faculdade que me obriga.
    E estou com a Paula, minha estante a maioria esmagadora é de escritores homens, mas já pesquisei as dicas do Rodolfo e vou conhecer essas autoras.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000955183378 Luís Cláudio Gouveia Rocha

    Excelente comentário, Fabio. Sou distante tanto da ficção em prosa como da poesia, mas concordo com você. A “falta” de relação causa-e-consequência direta das poesias é um exercício de “lógica subjetiva” e linguagem ímpar; é como ver um filme biográfico e um filme do David Lynch (um dos maiores diretores da atualidade, em minha opinião), aheuashuha.
    Excelente texto. Me convenceu a ir procurar algumas boas ficções.

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-de-Santana/1784635557 Gustavo de Santana

    Eu gostei bastante do artigo, tanto é que fiz a tradução dele e felizmente os caras daqui do PdH gostaram, editaram e publicaram.

    Mas tenho duas observações a respeito:

    1) Musculação cerebral é bom pra todo mundo. Então ficção melhora a Teoria da Mente, a empatia e a criatividade tanto de homens quanto de mulheres, sem distinção. 
    2) Tenho minhas dúvidas dessa conversa de mulheres serem naturalmente mais empáticas e criativas que homens. Não sei até que ponto as pesquisas são verdadeiras ao apontar um aspecto meramente biológico, de predisposição evolutiva de sexo, ou dessa característica ser um fenômeno social e cultural. Empatia é impessoal e independente de gênero, e apesar de ser socialmente mais visível em mulheres, isso pode não ser fruto de algo intrínseco a ser mulher (ou se ver como mulher) de fato.

    • http://about.me/roh Rodrigo Santos

      Sobre o 2… Tem mulheres que não tem essa empatia toda (e eu conheço uma). E tem homens que tem mais empatia que essas mulheres.

      Tudo depende da criação. Com homens, você deve saber bem o que falavam quando alguém lia um romance quando você era menor. São idéias erradas repassadas como água na infância.

      Já com mulheres, elas são mais propensas a ser mais empáticas que os homens, pois acredito que o bem estar delas depende da comunicação. Explico: Quando uma mulher quer conversar com o namorado, ela na verdade quer por tudo aquilo pra fora (mesmo que seja a mesma conversa durante 20 anos). Magicamente, se você mostra empatia por ela, ela se sente melhor, por que mostra que você compreende o que ela sente. É importante ouvi-las, enquanto não queremos distância ou não estamos ocupados.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Mais criativas, não sei.

      Mas, pensando na média, sinto que as mulheres tendem a ser mais empáticas.

      Claro, há mulheres sem essa habilidade bem desenvolvida. E homens com empatia em grandes doses.

      //Muito obrigado pela tradução, Gustavo. Puta trabalho!

      • http://www.facebook.com/people/Gustavo-de-Santana/1784635557 Gustavo de Santana

        Tamos aí. Eu tenho tempo livre em excesso pra traduzir qualquer coisa. Precisando, é só gritar.

  • Nina B.

    Gostei muito do texto!
    Como estudante de literatura, fico, inclusive, muito feliz de ver esse tipo de discussão por aqui… :)
    Acho que a literatura ficcional é tão (e, por vezes, até mais) interessante e pertinente que a literatura não-ficcional.

    Gostei muito, também, da indicação de Hilda Hilst que o Rodolfo fez! Uma autora brasileira (de Campinas! – onde estudo) que ainda é pouco conhecia no Brasil.

    Pessoal do PdH, estão de parabéns! 

  • http://www.facebook.com/people/Vinicius-Rodrigues/100002946813162 Vinicius Rodrigues

    Esse texto do pdh veio a calhar. De uns tempos pra cá eu andava meio pé atrás com livros de ficção, mas o texto me convenceu a repensar sobre isso..rs

  • Liliana

    Mulher gosta de ficção mesmo! 
    Coincidência ou não, com exceção do valter hugo mãe (que escreve o próprio nome somente com minúsculas), li todos os livros fotografados no post =)

    • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

      @3fad05869535b89220a1d032ff8e3736:disqus  , Valter Hugo Mãe agora escreve o próprio nome com maiúsculas. 
      vai entender… rs.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Encontrei uma lista com os livros favoritos de Hemingway:

    http://www.listsofnote.com/2012/03/hemingways-favourites.html

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu confesso que eu também peco nessa questão de ter autoras na minha prateleira. Eu acho que os livros mesmo aqueles que são não-ficção sempre me pareceram uma oportunidade de conhecer o universo de outras pessoas, outra visões de mundo, outra realidades.

    • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

      O barato da leitura, é esse. Viajarmos para outras realidades, umas distantes, outras muito próximas.

       Falo por mim, que no momento da leitura, mergulho em mim, estudo, aprendo, filosofo. Aliás, esta semana estou lendo Epicuro.  Adoro filosofia!

      Abs

      • Arlington Oliveira

        Fernanda, adoro Epicuro. Uma das obras mais interessantes dele e que resume bem a sua filosofia do “saber agir” é Cartas à Meneceu, também chamada de Cartas à Felicidade. Sugiro que leia. Muito interessante e enriquecedor, apesar de ser uma leitura curta.

  • Camila

    Ai… Eu gosto tanto de um bom livro de ficção…
    O problema é que eu fico completamente inútil ante um livro desses. A minha vida para enquanto eu não termino de ler. De-vo-ro.  Então preciso ter um tempo disponível,

    Animações também são muito estimulantes. =D

  • Lucas

    Admirável mundo novo e 1984 são livros que com certeza lapidaram minha teoria da mente, mesmo sem eu saber o que era isso!

    Aliás, alguém recomenda algum outro livro nessa linha?

    • Arildo Dias

      Nessa mesma linha recomendo Fahrenheit 451.

      • Lucas

        Opa, vou dar uma pesquisada, valeu

      • http://www.facebook.com/people/Paula-Franco-Rodrigues/100000775883525 Paula Franco Rodrigues

        E se curtir HQ’s/Graphic Novels leia a inspirada nesse livro. Muito boa.

      • Lucas

        Não sabia que tinha 
        HQ’s/Graphic Novels deles, é com o mesmo nome?

    • http://www.facebook.com/people/Clara-Andrade/1301551499 Clara Andrade

      Admirável Mundo Novo me torceu o estômago, dentre as metáforas muitos dos testes sociais e previsões são vividos hoje, no jeito sec. XXI de ser. =P

  • Rubens Fonseca

    Filho de bibliotecária como sou, me admira muito essa informação de que homens não se intressem tanto por ficção, gênero que é maioria absoluta na minha gama de leitura. O tanto que tá mais fácil ler nos dias atuais do que antes, com a Intermet disponibilizando inumeros downloas gratuitos (até legalizados, como o Domínio Público), sem falar em sebos com o preço em conta (gostou muito do Estante Virtual) e nem comento sobre os tablets e afins.

    Mas uma coisa que me deixou curioso foi o fato de a Teoria da Mente ser reforçada em leitores de ficção, porém grande parte dos autores sjam figuras extremamente tímidas (comprovei ao encontrar-me com o L. F. Veríssimo).

    A defesa da literatura deveria ser um tema mais aboradado no PdH, mas parabéns mesmo assim pela divulgação do material.

  • Marcos Augusto Nunes

    Também acho que as pessoas deveriam ler mais ficção. Mas não porque…”Leitores são líderes.”…e sim porque a diversidade de percepções, olhares, linguagens, abordagens, e tudo de novo que nos trazem as ficções permitem àquele que lê, sobretudo, sentir no peso das coisas as amplas possibilidades de mudança delas mesmas e que, portanto, não há verdade pela qual lutar, mas verdades a desconstruir.

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Fonseca-Lage/1076838765 Lucas Fonseca Lage

    Analisando meu comportamento nos últimos 3 anos, eu percebi que não tenho lido muito nos últimos 2 que tem sido bastante difíceis em relação aos meus círculos de amizade. 
    “Hoje nós mostraremos por que você deve largar esses livros de negócios de vez em quando para pegar uma cópia de Hemingway. ”

    Mês passado estava lendo “A Era das Revoluções” e larguei no meio pra ler “Por Quem os Sinos Dobram” do próprio Hemingway, coincidência? Acho que não haha

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Fonseca-Lage/1076838765 Lucas Fonseca Lage

    Analisando meu comportamento nos últimos 3 anos, eu percebi que não tenho lido muito nos últimos 2 que tem sido bastante difíceis em relação aos meus círculos de amizade. 
    “Hoje nós mostraremos por que você deve largar esses livros de negócios de vez em quando para pegar uma cópia de Hemingway. ”

    Mês passado estava lendo “A Era das Revoluções” e larguei no meio pra ler “Por Quem os Sinos Dobram” do próprio Hemingway, coincidência? Acho que não haha

  • Lucas Pierre

    Bernard Cornwell rlz

  • Matsuura Junichiro

    Um livro que eu li, e do qual gostei é “Meu pai fala cada merda”, de Justin Halpern. Não, não é ficção. Aquilo é bem real. Outro do qual gostei é “Ligue o foda-se, e seja feliz”. O nome é esse mesmo. Não lembro os autores. Mas, se vocês estiverem a fim de uma boa ficção, eu recomendo “Amor, ódio e feitiço”, de Lopes Freitas, editora Litteris (www.litteris.com.br), disponível na Livraria Litteris (www.livrarialitteris.com.br). E não é somente pelo fato de o autor do livro ser meu pai.

  • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

    a ficção mais interessante que me veio à cabeça quando li o texto é ”as intermitências da morte”, do Saramago.

    livro maravilhoso

  • Diogo Cordeiro da Silva

    Caraca como eu adoro ler ficção esse texto só me serviu para ver como meu camarada Gustavo de Santana traduz muito! Parabéns meu velho, ficou massa. 

    Reforçando que é um belo texto! 

  • Kaluan_

    oi

  • http://www.facebook.com/people/Bruno-Zeferino-da-Silva/100002050166941 Bruno Zeferino da Silva

    Recomendo a todos a leitura de “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Ler os petardos aforismáticos de Lord Henry Wotton é simplesmente fantástico!

  • Rodrigo

    Acho que todos os livros que tenho em casa são ficção. De Kafka a Tolkien, de Goethe a Palahniuk eu sempre preferi ler ficção do que qualquer outro genêro

  • Guilherme Z.

    Para aprimorar ainda mais a Teoria da Mente, recomendo fortes doses de Balzac. Seus livros são sensacionais, e os personagens surgem várias vezes, em vários contextos, ao longo de sua obra.

  • http://www.facebook.com/people/Carlos-Augusto-Cardoso-Ribeiro/100002866324053 Carlos Augusto Cardoso Ribeiro

    “Numa entrevista por telefone, perguntei ao Dr. Oakley”. Seria Dr. Oatley, não?

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