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Ladrões de bicicleta

Jader Pires

por
em às | Debates, Mundo, PdH Shots


Não, não tô falando do clássico filme italiano de 1948. Trata-se de uma experiência feita pelo cineasta Casey Neistat, em parceria com o The New York Times, para perceber como a polícia e população de NY se comportam com os roubos de bicicleta na cidade.


Link YouTube | Os policiais disseram que nunca prenderam alguém roubando uma bicicleta antes

As pessoas andam tão anestesiadas nas cidades grandes, e até nas pequenas, que atos de violência parecem não chocar mais. Coisas horripilantes, como assassinatos em massa e doidos-varridos que entram em escolas e viram aquelas notícias escabrosas ainda tocam a maioria.

Mas as pequenas violências do dia-a-dia parece não incomodar mais. Um pequeno roubo de bicicleta, dezenas de testemunhas e nada acontece. Um cara sai do trabalho cansado, passa por mendigos nas ruas e acha a coisa mais normal do mundo. A sensibilidade parece ter evaporado nas metrópoles.

Não se trata nem de senso de justiça. Isso rende um outro papo. Aqui, estou falando do simples inconformismo cotidiano que não existe mais.

Anestesia cotidiana na veia. E achamos nós, “cidadãos de bem”, que estamos livres de qualquer vício.

Pois bem, amigo lenhador que abandonou as florestas dos confins do Oregon pra vencer a vida na cidade grande, estamos todos viciados nessa morfina moderna que nos impede de sentir algo.

Pense nisso.

Jader Pires

Jader Pires é editor do Papo de Homem. Publicitário por opção, jornalista por apego e escritor por maldição. Prometeu um dia que, se ganhasse na loteria, doaria cem reais para caridade (e não há cristo que o faça pensar o contrário). No Twitter, atende pela brilhante alcunha de @jaderpires.


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  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Não é algo de “anestesiante”, mas sim a “terceirização da cidadania” aliada ao “não julgarás” e a educação do “não faça nada para não se meter numa pior”.

    Em nossas mentes, consideramos que pagamos impostos, então quem tem que defender é a polícia, não nós mesmos. Aliado a isso, há o fator do “não julgue para não ser julgado”. Lembrando do Escola-Base e dos casos de acusações indevidas, as pessoas acabam evitando fazer algo, pois ou pensam que estão pré julgando, ou até porque pensam que o cara pode revidar com violência. Ninguém quer ser “herói” pois todos são afetados pela criptonita, saca?

    Ninguém quer ser parte de algo violento, então ninguém faz nada com medo de ter um resultado pior para si mesmo.

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Só que há a definição de “bom e mau”. Para o mau, o bom é ele.

    Temos em mente a idéia que Jesus Cristo propagou, podemos dizer, sendo cristão ou não. Ou seja, lutar pela não-violência, com equilíbrio social e respeito a todos. É diferente da idéia comum de lutar pelo poder e pelo conforto, custe o que custar. 

    Outra coisa a se pensar é o velho “enquanto não é comigo, está tudo bem”. Muitas pessoas são egoístas, e só vão lutar por algo comum quando ocorrer a ela.
    Enfim, é questão de sociedade, de como a sociedade se fez e deixou isso na cultura.

  • http://www.facebook.com/rafaelusn Rafael Carvalho

    Como diabos alguém não dá uma bicuda num caboclo desses? Eu o faria, sem hesitar.

    • http://www.facebook.com/vitordoisab Vítor Moreira Barreto

      Rafael, é possível que várias das testemunhas do vídeo dissessem a mesma coisa, não?

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

     Moro em SP e presenciei um assassinato na última virada cultural. E o povo? Nem tchuns =)

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

    Como já disseram acima: Não acho que se trate de anestesia, mas sim de individualismo elevado ao extremo.

    Se uma das testemunhas do video fosse o dono da bike, ele não passaria reto.

    De resto, não acho que isso seja um problema somente das cidades grandes, mas sim de qualquer grupo ou sociedade que cresce demais. Tudo se torna mais anônimo, mais individual, mais cada macaco no seu galho. É mais difícil haver ética em uma cidade grande tanto quanto é mais difícil fazer com que todos trabalhem em um projeto acadêmico quando o grupo tem mais de 10 pessoas. É mais uma questão de proximidade e menos sobre asfalto e prédios.

  • André

    Isso me lembra uma experiência que fizeram em um país. Colocaram um cachorro vira-lata próximo a comida num chopping (acho), de forma que não conseguisse alcançar. Era só as pessoas aproximarem um pouco a bandeja e o cão comeria, mas adivinha o que aconteceu … Houve muitos protestos, e criticas, não lembro como terminou tudo.

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