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Humilhação na TV: por que isso ainda acontece?

Tiago Xavier

por
em às | Debates, Mundo, PdH Shots


“Eu me senti humilhado, porque ela ficou rindo de mim o tempo todo. Eu chorei porque sabia que ali eu iria pagar por algo que não fiz, e que minha mãe, meus parentes e amigos iriam me ver na TV como estuprador, e eu sou inocente.”
Paulo Sérgio

Deve ser de conhecimento geral que, dias atrás, a Rede Bandeirantes de Televisão exibiu uma reportagem em que um rapaz, acusado de furtar uma mulher, foi “quebrado no pau” e levado à delegacia. Lá, foi objeto de uma figura muito comum no jornalismo atual: o jornalista-inquisidor, que está ali para fazer, ao vivo e a cores, o julgamento e a condenação daquele que servirá para a malhação de judas daquela tarde.

Não vamos reproduzir o vídeo. Você já o viu. Mesmo que não tenha visto esse vídeo em questão, viu outro, em que outro acusado foi humilhado, com a complacência da polícia local. Sim, acusado preso também tem direito à intimidade e à proteção à honra.

André Dahmer

A reação foi forte. Já rendeu uma carta aberta de repúdio dos jornalistas baianos e, segundo consta, vai render a aplicação de “medidas disciplinares” contra a repórter. As análises do vídeo, pelo que vejo, são unânimes. Não há nada a dizer além do que já foi apontado sobre o racismo, o preconceito, a humilhação e até a homofobia da repórter.

Mas, então, por que esse tipo de coisa ainda acontece?

O cálculo da utilidade

Seja quem for que tenha criado essa vertente de jornalismo, seja quem autorize que esse tipo de coisa lamentável vá ao ar, aposto que são pessoas que sabem que ali está retratada a violação de Direitos Humanos. Podem até não possuir a sensibilidade moral de que expor uma pessoa – sim, mesmo um acusado – ao ridículo não deveria ser objeto de matéria jornalística. Mas esse tipo de consideração entra em um cálculo muito comum na análise de risco das empresas em geral.

Para entender esse cálculo, é preciso partir das premissas do Utilitarismo, doutrina ética inaugurada por Jeremy Bentham no final do século XVIII. O Utilitarismo, principalmente na versão de Bentham, apoia-se em uma moral consequencialista, ou seja, analisa o valor de uma ação não por suas características intrínsecas, mas pelo resultado que ela provoca no mundo.

Essa moral é estruturada em torno do princípio da utilidade, que costuma ser resumido na frase “Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar”. Ocorre que, como o cálculo leva apenas a consequência e não a natureza da ação em si, ao avaliar os resultados com base em um denominador comum – frequentemente o dinheiro – o resultado costuma apresentar distorções.

Um exemplo é o cálculo que foi feito pela Philip Morris, fabricante das marcas de cigarro mais conhecidas, apresentado à República Tcheca como argumento contra a adoção de medidas contra o fumo, principalmente o aumento de impostos. A empresa chegou à conclusão curiosa de que, dificultando-se o hábito de fumar, as pessoas viveriam mais, o que aumentaria os custos do governo com a manutenção da saúde pública, com moradias para idosos e com o pagamento de aposentadorias. E que esse aumento seria inferior ao ganho com os impostos. Afirmaram também que o país economizou U$ 147.000.000 em 1997 em razão da morte de fumantes.

André Dahmer

Raciocínio semelhante costuma ser feito por montadoras de veículos. Quando a Ford descobriu que uma falha estrutural fazia um de seus carros explodir quando fosse atingido por trás, efetuou cálculos para determinar qual seria o custo de resolver o problema e qual seria o custo das indenizações que teria que pagar pelas mortes de seus consumidores. Quando terminaram, viram que consertar os carros seria mais caro do que se submeter às indenizações. Então deixaram por isso mesmo. Afinal, arcar com os reparos poderia levar a empresa à falência, prejudicando os empregos de inúmeras pessoas. Seguindo esse raciocínio, tolerar as mortes de alguns consumidores parece ser a melhor coisa a fazer.

A aplicação do cálculo utilitarista, com a desculpa de permitir a tomada de decisões que levem ao bem comum, acaba promovendo o sacrifício de direitos individuais, pois não leva em conta a natureza ou conteúdo do ato, apenas suas consequências finais.

Como você vê a TV e como ela te vê

Uma pesquisa rápida nos sites dos nossos Tribunais revela que esse tipo de reportagem humilhante não é novidade no jornalismo nacional. Diversas vezes se decidiu que o direito de liberdade de informação não abrange manifestações que ultrapassam o teor jornalístico para cair na vala comum do jornalismo marrom. Reconhecido o caráter ilícito, as indenizações costumam girar na casa dos R$ 70.000,00.

Se não se discute que isso é errado e se há punição, por que continua acontecendo? A razão está no cálculo utilitarista e ele revela como esse tipo de jornalismo vê você, o consumidor.

No momento de tomar a decisão moral de colocar esse tipo de reportagem no ar, tenho certeza que o diretor leva em conta a possível e provável condenação. Não acharia estranho que a consultoria jurídica da emissora deve ter sido chamada a opinar e emitir parecer sobre as repercussões da reportagem. Estimado um valor, ele foi incluído numa planilha de custos, junto com o salário da repórter, o custo da energia elétrica e o lanche da produção.

Na outra coluna, que listava as receitas, entrava algum valor relacionado com a audiência que a reportagem geraria.

Simples assim: violação de direitos humanos x audiência. Just business.

Vamos parar por um momento de detonar a repórter e a emissora e pensar sobre o que isso revela sobre nós ou, pelo menos, sobre o que isso revela sobre a visão da emissora sobre nós.

Somos mesmo consumidores desse tipo de jornalismo/entretenimento? Não caberia um juízo sobre a qualidade, em si, de se humilhar uma pessoa em rede de televisão? Lembro que, na Roma antiga, era costume jogar os cristãos aos leões, para delírio coletivo. Claro que, pelo cálculo utilitário, a felicidade dos romanos supera em muito o sofrimento dos cristãos. E como vemos essa plateia hoje? Qual o juízo que fazemos hoje dessa atividade?

André Dahmer

A função punitiva do dano moral

Enquanto a sociedade não avança nessas questões, os juristas discutem a função do dano moral, se seria apenas de ressarcir o dano ou de punir aquele que perpetrou a ofensa.

Aqueles que defendem a função ressarcitória alegam que existe uma “indústria do dano moral” – formada por pessoas que criam as situações de humilhação para depois se beneficiarem – e que uma indenização excessiva acaba gerando enriquecimento sem causa do ofendido.

Embora esse raciocínio tenha lá a sua razão, penso que em casos como esse a função punitiva tem que preponderar. A indenização fixada em valor “razoável” – R$ 70.000,00 é uma pechincha, na minha opinião –, acaba permitindo o cálculo utilitarista. Assim, o respeito e a violação de direitos vira apenas mais um dos custos que a empresa tem que lidar, longe de representar uma diretriz na missão empresarial.

É só pensar nos últimos problemas que você teve com empresas no seu cotidiano. Acha que elas agiram certo por alguma convicção moral? Ou, se agiram errado, você não suspeita de que o custo de fazer certo deve ser maior do que as punições que receberiam?

André Dahmer

Empatia e o seu valor

Pode ser que alguém não sinta empatia pelo jovem que foi humilhado. Pode ser que tenha até achado engraçado a dificuldade dele articular as palavras, vibrado com o fato dele ter sido “quebrado no pau”, se deliciado com a ignorância acerca do exame de próstata. Tudo bem, não estou aqui esperando uma resposta moral que revele empatia. As decisões estratégicas da emissora já mostram que esse tipo de coisa é raridade.

Mesmo sabendo que a discussão sobre o fim desse tipo de reportagem não passa pelo que o destinatário dela pensa, ofereço a essa pessoa as seguintes perguntas: não incomoda ser um elemento num cálculo utilitarista? Não lhe parece estranho ser usado como fundamento para uma prática que se sabe ilícita? Não é o caso de você se dar mais valor?

Tiago Xavier

Tiago Xavier é atleticano, participante na Cabana PapodeHomem e bacharel em direito. Nessa ordem. Twitta pelo @tcxavier.


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  • Marcos Augusto Nunes

    Em suma: na televisão, a audiência vale a consequência; se for baixa, não vale a pena ratificar a humilhação a que passa cotidianamente qualquer brasileiro integrante da classe daquela “gente diferenciada”; se for alta, tá valendo, principalmente porque é remota a hipótese do sujeito humilhado, sendo pobre, recorrer à Justiça, em razão dos custos, morosidade do processo, etc. A mídia conta praticamente com a impunidade para propagar suas mensagens; quanto mais caluniosas e difamatórias, melhor – elas garantem a audiência ao estimular o sadismo daquele que vê televisão para purgar os males de sua impotência social, com a adesão demagógica dos meios de comunicação ao “senso-comum” que não é outro senão aquele que leva ao lucro, independentemente de produzir alguns efeitos colaterais, como algumas mortes econômicas, políticas e sociais.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000088922153 Wagner Menke

    Resumindo: esse jornalismo existe porque tem idiota que curte. O que é lamentável.

    É meio a idéia da Veja: vamos assassinar reputações. Os custos de processos judiciais são justificáveis enquanto nossos exemplares continuarem circulando pelas clínicas odontológicas e salões de beleza. Há, existem também os leitores assinantes que se deliciam com isso.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      No final do texto quis dialogar justamente com aqueles que se deliciam com isso. Será que, além de não darem valor ao outro, sequer dão valor a si mesmos? Afinal, concordam em participar e endossar a avaliação de risco.

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000088922153 Wagner Menke

        Camarada, eu desconfio que existem pessoas que gostam de ouvir aquilo que promove suas próprias convicções, algumas delas não suportando ouvir opiniões contrárias. Tem gente que acha que gente negra e pobre é bandida, e portanto deve pagar até pelo que não cometeu.

        No caso da Veja, importa para os leitores ouvirem reportagens anti-PT, anti-Lula e antiesquerda. Isso soa tão agradável que não importa como foram obtidas as informações. Muitas vezes não importa nem se a informação é verdadeira…

         

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Eu vejo o caso da Veja mais político do que de “mídia” e “necessidade”. Hoje já temos mídias que ficam “brigando” com a Veja, do outro lado da política. Aí é outra coisa. E não exatamente “quebra de reputação por audiência”.

      • Ana

        Tiago, infelizmente essas pessoas são aquelas que não perdem um capítulo do Big Brother, e das novelas cada mais mais esdrúxulas que povoam a TV aberta. Se não tiver baixaria, não satisfaz essa “grande massa” e gente medíocre.

    • http://www.facebook.com/matheus.oliveira.silva Matheus Oliveira Silva

      Lol, Wagner,Ficou parecendo que o Jornalismo é 100% criminoso e repugnante. Estariamos, todos nós, perdidos então. 
      Se não fosse o PDH, muitas notícias não chegariam a você. Isso é um exemplo de jornalismo que existe porque você curtiu. O Jornalismo é uma grande ferramenta na sociedade. Os veículos de informação moldam a sociedade nos tempos de hoje. Podem ser usados para o bem ou para o mal, tendo ou não qualidade. Estamos a mercê de todo o sensacionalismo. O que nós podemos fazer para que isso diminua é desligarmos as televisões, não acessarmos os sites, desligarmos os rádios, não comprarmos os jornais, etc. que publiquem tais obscenidades. Só assim podaremos atitudes como a dessa Triste repórter.

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000088922153 Wagner Menke

        Não não Matheus, me referi apenas ao jornalismo que atende aos anseios mais execráveis de certas pessoas. Comparar o PdH a esse jornalismo do post não é razoável.

        O PdH, na maioria das vezes, atende minhas expectativas quanto à informação, por isso estou aqui lendo e discutindo os assuntos de meu interesse. E já houveram publicações por aqui que não me aradaram nem um pouco. Apenas não li.

        Ocorre que se o PdH publicasse algo do nível do “jornalismo” exposto nesse post, seria eu um dos cidadãos a abandonar o site e fazer antipropaganda nas redes.

        Felizmente acompanho o site desde 2007 e nunca vi algo parecido.

    • http://www.facebook.com/matheus.oliveira.silva Matheus Oliveira Silva

      Lol, Wagner,Ficou parecendo que o Jornalismo é 100% criminoso e repugnante. 
      Estariamos, todos nós, perdidos então. Se não fosse o PDH, muitas notícias não chegariam a você. Isso é um exemplo de jornalismo que existe porque você curtiu. O Jornalismo é uma grande ferramenta na sociedade. Os veículos de informação moldam a sociedade nos tempos de hoje. Podem ser usados para o bem ou para o mal, tendo ou não qualidade. Estamos a mercê de todo o sensacionalismo. O que nós podemos fazer para que isso diminua é desligarmos as televisões, não acessarmos os sites, desligarmos os rádios, não comprarmos os jornais, etc. que publiquem tais obscenidades. Só assim podaremos atitudes como a dessa Triste repórter.

    • http://www.facebook.com/raffael.silvado Raffael Silvado

      Isso mesmo. A diversão de alguns é o inferno de outros.

  • Felipe

     André Dahmer: Gênio.

  • Henrique Simão

    Texto mais lúcido e consciente que li sobre o tema. Lembrei agora de uma cena do filme “O julgamento de Nüremberg”, onde o psicólogo judeu analisa os criminosos da segunda guerra chega à conclusão de que o “a essência do mal é a falta de empatia”. Será que ao consumirmos esse tipo de sensacionalismo barato estamos nos pondo tão distantes assim dos nazistas? Ou mesmo dos romanos atirando os cristãos aos leões? Seu texto plantou uma semente em minha consciência…

  • http://twitter.com/TabaCruzFilho Tabaquara Cruz Filho

    O mundo, e por consequência a TV, é um circo. No picadeiro se coloca quem estiver pra pagar o pato, independente de merecer ou não estar lá. Seria esse meu resumo pra existir esse tipo de jornalismo, sem contar é claro aquele jornalismo rosa que nunca mostra nada de ruim, pra esconder que existe um mundo com problemas para o qual estamos cegos.

    Quanto a questão jurídica do valor do dano moral, não acho que deva existir NO dano moral um ressarcimento punitivo, mas paralelo a ele, uma multa que deva ser paga pela emissora (num caso como este) a toda a socidade, a fim de reverter o prejuízo de um na medida que sofreu o dano e ser punida a ressarcir a sociedade pelo circo e danos causados à coletividade.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Também acho que foram lesados direitos da coletividade.

      É sempre bom lembrar que as concessões de rádio e tv são públicas e não depositário de qualquer besteira que as emissoras resolvam colocar no ar.

  • http://www.facebook.com/people/Lima-Neto/100000521073530 Lima Neto

    Tiago Xavier, impressão minha ou esse texto foi fortemente influenciado por um cidadão chamado Michael Sandel, professor de Harvard ? 

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Lima, os exemplos sobre o Utilitarismo são os mesmos que ele deu nas aulas dele e no livro Justice.

  • http://www.estrategistas.com/ Paulo Roberto

    Cara, não tinha visto esse vídeo ainda e não consegui ver até o final. Repulsivo.

    Sabia que era comum esse tipo de jornalismo, “descendo o pau” no preso, mas ela claramente foi mais longe, fazendo graça da incapacidade do cara em formular palavras corretamente. Repulsivo.

    O que me faz pensar que, basta alguém cair em determinado “rótulo” (nesse caso, bandido possível-sequestrador), que todo ódio contra o ser é justificado, inclusive a insurgência de *preconceitos* (social, quanto a cor da pele etc.), algo que *supostamente* tinha desaparecido da sociedade “bem-educada”.

    Quanto à argumentação utilitarista, bem,fiquei com a impressão que o texto diz que ela em si é o problema, mas na realidade, é interpretação dela que está trazendo dor de cabeça. Falo isso porque já vi algumas interpretações bem positivas sendo tiradas dessa doutrina.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Paulo, Stuart Mill dá uma ajeitada no Utilitarismo lá no meio do século XIX e ele fica mais palatável, justamente por fazer uma distinção entre que tipo de prazer deve ser buscado, dispensando um prazer baixo (como o que devem experimentar com essa reportagem) em favor de um prazer mais elevado, mesmo que a quantidade líquida de prazer ao final não seja necessariamente a maior.

      • http://www.estrategistas.com/ Paulo Roberto

        Recomenda algum trabalho dele (Stuart Mill) em específico?

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Sobre a Liberdade “on liberty” -> sensacional.

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    “Humilhação na TV: por que isso ainda acontece?”

    Porque há público ávido por isso.
     

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      E esse público ávido, na linha da análise de risco, vale mais que a humilhação de uma pessoa.

      Mas se um ato lamentável desses é cometido em nome desse público alvo, o que isso lhe diz sobre como a mídia vê esse público? Qual será a opinião que o diretor desse tipo de programa tem da audiência?

      • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

        “E esse público ávido, na linha da análise de risco, vale mais que a humilhação de uma pessoa. ”

        Não! Mas é assim que pessoas como eu e você pensamos. Mesmo que seja somente para criticar a atitude da repórter, esse tipo de conduta atrai gente, muitas por revolta outra mesmo pela satisfação em ver alguém humilhado, o diretor da programação somente vê os números no ibope e algumas mídias veem mesmo numa repercussão negativa possibilidades de boa audiência.

        As mídias nos vê como números.

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Serve assistir na internet e repercutir a história também?

    • Diogo

      A existencia de publico ávido não deveria ser desculpa pra passar por cima da imoralidade em publicar algo como isso.

      Sempre vejo uma puta facilidade em justificar uma série atos imorais (que sabemos estar errados) pela pura falta de poder (“meu trabalho me obrigou a fazer isso, etc”)

      Fugir da responsabilidade sempre foi o caminho mais facil ….

      • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

        “A existencia de publico ávido não deveria ser desculpa pra passar por cima da imoralidade em publicar algo como isso.”

        Com certeza não, mas ela vai além de ser uma desculpa ela é o pilar que sustenta essa nojeira toda.

        Por exemplo, já reparou o quanto o BBB sempre é muito criticado pelos foruns, facebook, orkut e em tudo quer recanto da internet? E ja reparou que mesmo assim, ano apos ano, sempre sai uma nova edição, será que é porque a Globo gosta de dar murro em pota de faca ou porque, apontando nossa hipocrisia, sempre existe publico para ele?

        Quem assiste esses tipos de programas é tão culpada quanto a repórter.

  • Miriam

    É como o caso desta senhora chamada xuxa, foi lá e fez um circo, conclusão: se algum dia os brasileiros ouviram falar de punição ao mensalão, já nem lembram mais …

  • Alexandre Santo

    Parabéns pela matéria, se seus textos seguirem essa linha preciso ler todos.

    Abraço.

  • http://www.facebook.com/diegomribeiro Diego Modolo Ribeiro

    Eu não havia visto o vídeo, e apesar de concordar que a repórter exagerou, também acredito que, se o meliante não quisesse ser humilhado, não cometeria crimes em primeiro lugar. Ele assumiu os riscos ao se tornar bandido.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Diego, a dignidade é inalienável. Mesmo do criminoso.

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

         Ela só precisa ser melhor definida, ná Tiago? Essa história de a dignidade de cada um tem um preço diferente complica muito os avanços nessa área. Todo ambiente nebuloso é propício aos atos ilícitos.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Ih, dignidade é um puta tema foda. Tanta gente confunde com respeito, com poder aquisitivo, com o mínimo existencial.

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Puxando a partir do comentário da Isa Belli.

        Se um criminoso pratica um crime, creio que ele já tem em mente que perdeu a dignidade com quem repudia tal ato, correto? Na verdade, a dignidade em si, a partir do momento que alguém prejudica o próximo, já é perdida.

        Mas creio que a discussão é justamente nas pessoas que forçam a discriminação, a humilhação sem julgamento ou prova de culpa. Aí que começa o perigo.

      • Andre Arcas

        Vagner,

        Como o Tiago disse, dignidade é um tema bem complicado. Kant, por exemplo – cuja influência sobre o tema da dignidade humana é altamente presente ainda hoje – definiria dignidade como a autodeterminação humana. De acordo com ele, a dignidade seria um conceito absoluto, não passível de ser perdido ou redutível às relações individuais.

        Embora eu não concorde com o conceito dele, tampouco poderia admitir que a dignidade de uma pessoa se perca. A dignidade de um ATO sim; de uma PESSOA, nunca.

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Mas não existe só humilhação na TV. Vide a internet e os inúmeros blogs/tumblrs/twitters/facebooks onde rimos de situações que para alguns é humilhante, como “tolices do orkut” ou “classe média sofre”. 

    Ao meu ver, quem cria estas situações, seja o diretor do programa que manda a repórter fazer perguntas “idiotas” ao suspeito, ou o cara que cria um tumblr para humilhar o que ele acha errado, ou um blog de “humor”, ou faz um stand up comedy falando besteira sobre pessoas, no final faz isso para o que eles consideram “humor”, “comédia”.

    Ultimamente penso que o humor é uma forma de segregação.  Humilhamos para nos sentirmos superiores. É o mesmo de colocar um papel nas costas de um cara com alguma provocação para o alheio. Assistimos isso para depois pensar “que bom que sou melhor que este cara aí”. Nessas horas, aí me lembro de uma frase de Roberto Gomes Bolaños: “O Riso é uma manifestação de triunfo”.

    • Ana

      Concordo contigo!
      Hoje o que vemos em geral é um “humor” ofensivo, discriminatório e de mau gosto, onde não existe “graça”, existe discriminação e humilhação.
      É a antiga questão das “minorias” diversas sendo criticadas pelas “maiorias”, as grandes massas que detém o poder de julgar o certo e o errado.
      Muito triste…

  • Jebeando

    só não entendi o porquê do racismo. Não vi nenhuma acusação contra a cor de pele do rapaz

    • http://www.facebook.com/people/Philipi-Schneider/100002162334424 Philipi Schneider

      Também não faço ideia de onde tiraram a acusação de racismo para cima da jornalista. Podem até falar que toda a situação é um exemplo do racismo institucionalizado da sociedade brasileira, com a mulher branca, loira e rica humilhando o pobre rapaz negro levado ao mundo do crime, etcétera e tal… mas daí a acusar ela, a pessoa, de racismo, são outros 500.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Jebeando, o rapaz foi quebrado no pau e submetido a acusação. Se fosse um branco, a virulência seria menor. Se fosse um rico, nem para a delegacia teria ido.

      • Eduardo

        Acusando com base em especulações. E ainda quer falar da jornalista.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Eduardo, compare o tratamento de um suspeito de roubo negro e pobre com um suspeito de homicídio branco e rico (Thor Batista) e me diga se tou falando alguma coisa com base em especulações.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Eduardo, compare o tratamento de um suspeito de roubo negro e pobre com um suspeito de homicídio branco e rico (Thor Batista) e me diga se tou falando alguma coisa com base em especulações.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Eduardo, compare o tratamento de um suspeito de roubo negro e pobre com um suspeito de homicídio branco e rico (Thor Batista) e me diga se tou falando alguma coisa com base em especulações.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Eduardo, compare o tratamento de um suspeito de roubo negro e pobre com um suspeito de homicídio branco e rico (Thor Batista) e me diga se tou falando alguma coisa com base em especulações.

      • Eduardo

        “A” foi maltratado por “B”, “C” não foi maltratado por “D”, logo “C” não seria maltratado por “B”. Confere? Argumentos indutivos são especulativos. Prove estritamente que o garoto foi maltratado pela jornalista porque é negro e pobre, não que um branco e rico não foi maltratado.

  • http://twitter.com/natimax Natimax

    E o pior, muitas vezes ficamos vendo estas coisas por mera inércia. Pra ver ‘o quanto absurdo’ se pode chegar uma reportagem.

    Eu não vi o vídeo em questão.. Mas nem só na ofensa a outro, no ridículo de algumas situações também me pego questionando, enquanto vejo, o porque aquilo acontece.

    Estava vendo os (agora) famosos meninos do ‘Pra nossa alegria’ que estavam na tv aberta no fim de semana passado. Fiquei vendo uns minutos e pensando a que ponto chegamos no entretenimento. Quando me lembrei que são tvs ligadas, como a minha, as vezes indignadas com a má qualidade que mantem esta programação. Não pensei mais 0,5 segundo e minha casa foi inundada pelo silencio!

    Tv tem programas que agradam sim, que liguemos somente nestes momentos.. Algo que a gente não concorda está passando, não adianta ter outra reação, tem que desligar a TV.

  • http://www.facebook.com/rodrigodcf Rodrigo Camargo

    No caso, o utilitarismo em si não é o problema, pois ele deveria levar em conta a Moral, o problema é a distorção feita utilizando-o como base, seria isto ?

  • Math_portela

    Realmente deprimente,somos usados como algorítimos numa equação financeira.
      Ninguém devia ignorar esse assunto. Você pode não assistir esses tais programas sensacionalistas e populistas, mas tem sua parcela de contribuição se consumir os produtos de seus patrocinadores

  • http://www.facebook.com/flavio.kaue ‘Flavio Fiuza

    Nós estudantes de economia nos deparamos constantemente com cálculos de utilitarismo e acabamos nos acostumando de tal forma com isso que alguns de nós acabam se tornando justamente os economistas que ao inserir todos os valores e as esperanças estatísticas de se arcar com possíveis processos dão carta branca para que reportagens como esse vão ao ar. Inclusive na minha experiência como estagiário de banco cheguei a conclusão, que já desconfiava mas nunca pude afirmar com certeza por não conhecer internamente a política da empresa, de que realmente é mais barato para os bancos arcar com custos processuais por tempo de espera excessivo na fila do que arcar com custos de infraestrutura e folha de pagamento para aumentar o número de funcionários que trabalham numa agência de atendimento ao público. Infelizmente o uso perverso do utilitarismo está extremamente disseminado em todo o cenário corporativo e também, talvez (tomara), em menor escala nas relações humanas pessoais.

    Me lembrei de uma das cenas do filme Clube da Luta onde o personagem principal explica o cálculo usado pela empresa automobilística em que trabalha para decidir se deve ou não melhorar a segurança de seus carros.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Esse comentário merece um post.

  • http://www.facebook.com/allissonduarte Allisson Duarte

    Moro em João Pessoa, e por aqui, um programa do segmento “circo policial” mostrou repetidamente, durante cerca de 50 minutos, cenas de estupro contra uma menina de 13 anos, tudo isso em pleno meio-dia. Houve uma ação contra seus responsáveis, porém não passou de uma mera advertência. De acordo com o último levantamento do IBOPE, o tal programa é líder absoluto no horário.

    Será que a culpa é tão somente dos “profissionais” que ali trabalham? Tal qual o viciado precisa da droga, o  brasileiro estúpido precisa rir da desgraça alheia para amenizar a sua.

  • http://www.facebook.com/allissonduarte Allisson Duarte

    Sou de João Pessoa, e por aqui, um programa do segmento “circo policial” exibiu repetidamente, durante cerca de 50 minutos, cenas de estupro contra uma menina de 13 anos. Os responsáveis foram acionados judicialmente, o que resultou em uma mera advertência. Segundo o último levantamento do IBOPE, o tal programa é líder no horário.

    Sera que a culpa é tão somente dos “profissionais” que ali atuam? Tal qual o viciado precisa da droga, o brasileiro estúpido precisa rir da desgraça alheia para amenizar a sua.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001580727355 Michelle Mantesso

    É por essas e outras que estou há quase um ano sem ver TV…no máximo um filme ou desenho com minha filha e olhe lá….

    Triste esse nosso mundo com pessoas pobres de espírito…e aí não são só as que assistem: são as que participam do circo, as que deixam o circo acontecer e as que se beneficiam deste circo!

    • Ana

      É, eu também aprendi há tempo a viver sem televisão. Prefiro ler um livro…
      Mas às vezes, em eventos que reunem várias pessoas, me sinto um “invasor” em meio a uma legião de zumbis… Meu Deus, tem gente que vive no mundinho das novelas, do Pânico, do Big Brother, do Rodrigo Faro, da Zorra Total… é muito triste!
      Fica difícil encontrar pessoas que tenham outros assuntos pra discutir…
      Pra onde estamos caminhando??

  • http://www.facebook.com/people/Felipe-Jansen/100000509685120 Felipe Jansen

    Se incomoda ser um elemento num cálculo utilitarista? Sim, e como. Porém isso quando nos damos conta desse utilitarismo. Isso porque diariamente nos deparamos com esse mal – não só através dos meios de comunicação como em situações do dia-a-dia – e não é a todo momento que se reage como ao caso vivenciado por Sérgio e a repórter algoz. É diferente porque essa reportagem não trouxe consigo só uma carga de julgamento prévio humilhante e esculachado, o qual é a praxe de programas de TV sensasionalistas. Trouxe consigo imbecilidade. A imbecilidade sempre salta aos olhos. Não foi a primeira vez que Mirella Cunha fez polêmica frente a camêra. Mas, com certeza, foi a última vez que o fez como repórter.
    Não defendo o suspeito, mas também não o julgo, pois não cabe a mim nem a ninguém que não seja competente para tal. Contudo, mesmo que fosse um pária, tratamento igual jamais deveria ser adotado. Até onde eu sei, reportagem se trata de uma abordagem informativa, e não de um ato de humilhação descabida, idiota e de ausência de teor investigativo.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      “Se incomoda ser um elemento num cálculo utilitarista? Sim, e como.”
      Era nesse ponto que eu queria chegar.

  • Analuiza

    Tô sentindo vergonha alheia pela ignorância dessa repórter. Se o possível criminoso for julgado, não é ela a pessoa competente a fazer tal julgamento. Deplorável mesmo. Atualmente, qualquer um se diz jornalista, apresentador, ator… mesmo sem o menor preparo para exercer tal função. 
    Além disso, no Brasil, são dois pesos e duas medidas: se fosse rico ninguém iria ridicularizá-lo. 
      

  • André Mauricio Nasser Gabriel

    É assustador e até mesmo perturbador, ver duas pessoas de classes sociais tão distintas com a mesma deturpação de valores morais e éticos. Ele rouba, ela humilha. Para mim não tem diferença, dois indivíduos com atitudes abomináveis dentro da nossa sociedade “moderna”, careta e hipócrita. Há quem diga “mas você fala isso por que ele não roubou sua mãe..”, concordo. Mas mesmo assim, (parafraseando o texto) não gostaria de ver minha mãe ou meus irmãos serem jogados aos leões para entreter os romanos….Vejo essas coisas e me pego lembrando do ensino médio quando o professor de filosofia ficava tentando definir o que era moral e ética e eu não entendia…..hoje ainda parece que eu não entendo.

  • Amanda

    Não vou comentar o texto, porque nem sobra o que dizer. A TV é uma merda e talvez, por isso, eu nunca tenha sabido deste vídeo.

    Agora, vi no youtube e NUNCA defendi criminoso. Esse menino deve pagar sim pelo roubo e sem piedade. Agora, ser humilhado por não saber a palavra ‘próstata’? Essa mulher merecia perder o emprego e tudo mais. Se ele não sabe, não é motivo de risada, mas sim de choro! O Estado não é competente a ponto de ensinar a população, este sim devia ser humilhado!

  • Aluísio

    Nossa,terrível o que essa repórter fez com esse garoto,chorei assistindo o vídeo,parece que eu senti toda a humilhação que esse rapaz sofreu…

    O mais triste é complacência dos policiais,homens que deviam proteger os cidadãos mas acabam fazendo o contrário.Lamentável.

  • Tiéve

    Não acho legal humilhar os outros, principalmente na TV.
    A idéia do discurso é bacana, só que a oportunidade utilizada foi a PIOR possível.O problema é que aqui, esse protesto é extremamente absurdo: só infla ainda mais a situação que já é comum hoje em dia, defender bandido. Bandido assalta, põe o cidadão em risco, ou até mata, e é preso. O pessoal dos direitos vem e defende o bandido dos “opressores” (policiais e repórteres q fazem o bandido passar vergonha). E o cidadão assaltado, azar dele, se vira. Às vezes nem recebe os bens de volta.
    O assaltante, por outro lado, SE for de maior pega uns diazinhos na cadeia e vai embora, e ainda por cima acusa os policiais de agredí-lo.

    No final das contas, sabe o que acontece? O ladrão vira VÌTIMA, a polícia/pessoas que atacam eles de frente viram VILÕES e a verdadeira vítima, NINGUÉM se lembra.
    E sabe que influência isso tem na sociedade? Só aumenta a vitimização do bandido, que por sua vez influencia o crescimento desse grupo, pq hoje em dia bandido sabe que, se for pego, ele não só pega poucos dias de cadeia como também é defendido de qualquer coisa contra ele.
    E esse artigo, assim como vários textos em defesa só aumentam esse índice.

    Já basta a justiça ineficiente, não precisamos INCENTIVAR os caras a continuarem roubando.

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      Pensei um pouco nisso. No final, a “humilhação” que um bandido leva na TV vira uma forma de punição. Mas tem outro porém que tu não viu no texto: quando o ladrão vira “vítima” da mídia, se ele acaba repetindo várias vezes a mesma situação (ou seja, é repetidamente humilhado), ele acaba ganhando com isso.

      E com isso me faz pensar em outra coisa também: no final não ficamos com empatia, com respeito ao cara, já que a priore ele cometeu um crime, ou fez algo para muitos, estupido. E assim, ele vira um personagem no circo de horrores da mídia.

    • Analuiza

      Tiéve, ninguém aqui, pelo que eu entendi, está defendendo o ladrão. Mas como eu li em um comentário abaixo, os dois estão errados: ele rouba e ela o condena sem ser a pessoa apropriada para isso. Não é humilhando a pessoa que pratica um crime que nós vamos conseguir resolver o problema da criminalidade. É óbvio que ele precisa responder pelos seus atos, mas isso não dá o direito à repórter de atacá-lo, ainda mais em assuntos que não tem nenhuma ligação com o suposto crime.

      • Tiéve

        Olá, Analuiza!

        Que tal então entrarmos com processo contra o CQC, pois ele humilha os pobres políticos que ganham pouquíssimo dinheiro baseado em 60% do nosso ganho anual? Que tal entrarmos com processo contra o pessoal que ainda tira sarro da Carla Pérez e seu “i de escola”?
        É claro que eu não estou sendo sério com essas comparações, mas é só pra tu ver como são as coisas: pessoas são humilhadas em público, a gente ri pacas, mas quando é bandido, tem um texto desses. O CQC faz chacota de político há anos e esse texto nunca surgiu.

        Se a fúria só aparece quando um bandido está sendo humilhado, então, sim, ele está sendo defendido. Mesmo que vocês nem tenham notado isso. E o reflexo disso é o que eu já postei lá no primeiro post.

      • Ana

        Tiéve, me desculpe, mas há dois minutos postei um comentário que falava exatamente dessas questões, e se você ri com o CQC, Panico, Big Brother, e outros programas desse gênero, então você é exatamente o público que entra no cálculo utilitarista: aquele que faz o comércio da dignidade humana se tornar um grande negócio.
        Pra mim não há diferença entre esse vídeo e os programas que tanto sucesso fazem na TV.
        E aí, eu repito a pergunta do Tiago: Não te incomoda fazer parte desse cálculo, quando você assiste o CQC e se mata de rir??

  • Rodrigo Lourenço

    Ótimo texto e ridículo acontecimento.

    Olhei alguns artigos interessantes na rede, em algum, não me recordo qual tinha algo intressante: observem a patricinha, com seu rabo de cavalo bem feito, sua roupa descolada, seu sorriso claro e sua felicidada em ocupar essas colocações; agora observe o garoto, com suas roupas desbotadas, seu rosto com as marcas do descaso da vida e, como citado no texto, sua dificuldade em organizar suas palavras.

    Essa situação reflete um Brasil arcaico e vítima de uma cultura esfacelada e de um fetichismo narcisista e oco; se é “bonito” ver a loira, se é engraçado ver o garoto perdido nas palavras, pergunte-se: seria fácil ser negro, com pouca escolaridade, acusado e ridicularizado dessa forma, seria fácil assumir o “pior” papel da cena?

    Fico feliz em olhar pra minha tv e ver que ela está muito mais bonita como banco (e totalmente desligada) na minha sala do que como uma porta de cultura inútil e degradante.

  • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

    Tem sujeito que nem almoça direito, com os olhos grudados na TV, na hora em que está passando esse tipo de programa.

    Não sei d’onde tiraram que brasileiro é um povo “pacifico”. Brasileiro adora sangue e principalmente na hora do almoço. Brasileiro gosta mais de violência do que sexo.

    No meio do Facebook “brasileiro”, as “denúncias” sobre crimes de natureza perversa, sempre vem acompanhadas com fotos grotescas. Se não tiver fotos grotescas não tem Ibope e não vira corrente no Facebook!

    O que finalizar com chave de ouro o ode brasileiro a violência, são os comentários. Os comentaristas indignados com os atos de crueldades, demonstram serem mestres em imaginar crueldades maiores ainda, com o praticante de torturas com animais. O desejo mais ameno é simplesmente desejar que aconteça o mesmo com o praticante, dai numa competição para ver quem consegue ser mais criativo na crueldade, os justiceiros virtuais expressam sua indignação com coisas do tipo “que ele morra com pauladas na cabeça e tenha o crânio esmagado”, ou “que ela seja estuprado na cadeia por negões*”(*esta última frase bem comum contém um descarada ladainha de origem beeem racista).

    Existe uma citação da Janer Cristaldo no livro o Paraíso Sexual Democrata mais ou menos assim:

    “Se apertarmos o jornal na Suécia, sai sêmem, se apertarmos o jornal no Brasil sai sangue”(Janer Cristaldo)

    Em acidentes de trânsito nas ruas, se não houver muito sangue no chão, o publico pouco demonstra interesse em se aproximar. Se houve uma cabeça esmagada, algum sinal de mutilação grave e muito sangue no asfalto, se aglomeram rapidamente a multidão para comtemplar o sangue, mesmo que isso signifique atrapalhar os socorros, e o ar fresco ao redor da vitima. Se não há sangue, salvo poucas almas generosas, do restante, a maioria pouco se interessa em ajudar ou socorrer, afinal “não foi grave”, pensam eles, pois não há sangue nas ruas.

  • Matheus degre

    Textaço! Muito bom, inclusive o embasamento jurídico. Parabéns, Tiago, na espera de outros nessa seara.

  • Alison Shoji

    As pessoas gostam de julgar. E dá dinheiro.

    Não tinha visto o video até então.
    É repulsivo? Sim. Extremamente nojeto.  Mas, e para a maioria? Não.

    Chega a ser até uma forma de diversão e uma questão de analise (para que  as pessoas  julguem e se sintam melhores do que outras) e, aparentemente, são normais na região NE onde existem diversas matérias no youtube com o mesmo formato.

    Lembra do Jeremias? Eu acho que ele foi um dos primeiros virais na net. E é fruto desse formato humilhante.

    http://www.youtube.com/watch?v=HTggCksZtjo

    É lamentavel que o jornalismo utilize desse formato para humilhar a pessoa de forma ironica, preconceituosa e de sem recurso para se denfender, tanto no lado intelectual quanto no judicial. Chega a ser fácil humilhar uma pessoa quando está presa, algemada e pouco estudo. Quero ver fazer isso na rua, no meio do povão e sem segurança policial.

    Mas todo mundo tem culpa nisso: quem assiste,quem patrocina o comercial, e quem trasmiste.
    Nesse mundo de capitalista, dinheiro manda em quase tudo e compra quase tudo. Até valores morais e etícos. E se rola dinheiro isso não vai parar.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001781035344 Gabriel Aquino

    Exemplo bastante recente é o da panicat que teve seu cabelo raspado. O pessoal pseudo-intelectual da internet se revoltou, mas ainda sim assistiram aquilo. É isso que mantém esse pensamento utilitarista. Enquanto todos queriam ver alguém pagar pelo ”ato de crueldade” com a gostosa, estavam apenas nesse processo que a mídia exerce sobre as pessoas que você descreve perfeitamente no texto.

  • http://tsavkko.blogspot.com Raphael Tsavkko

    No Brasil, mesmo alguém preso em flagrante por roubo ou qualquer
    outro crime tem direito por lei à sua defesa antes de ser acusado. Paulo
    Sérgio, acusado na TV de forma pública de um crime que alega não ter
    cometido, é um rapaz pobre, morador da periferia, negro e vítima
    preferencial em um país marcado pelo racismo e pelo preconceito.

    Casos como este acendem ou reacendem o debate sobre a necessidade da
    regulação da grande mídia brasileira e da imposição de limites ao
    costume de estereotipar minorias e pessoas em situação vulnerável.
     
    http://pt.globalvoicesonline.org/2012/05/23/brasil-jovem-estupro-tv-regulacao-midia/

    Logo o Global Voices Online irá repercutir internacionalmente o caso.

  • http://www.facebook.com/macielmacielmaciel Everton Maciel

    Velho, tu precisas estudar muito pra voltar a falar sobre o utilitarismo. Na boa, não tenta pelos próximos duzentos anos. É interpretação mais mal comprada possível. Poderia pelo menos, citar o Sandel. Ao menos a crítica que ele faz parte de parâmetros menos grosseiros como o tal vídeo. No mais, segue escrevendo para a internet e desiste da filosofia pra não ficar feio pra ti. 

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Preciso estudar mesmo, sempre.

      O Sandel tá citado nos comentários, como fonte dos exemplos.

      Fui duro e simplista mesmo, porém o propósito não era escrever sobre o utilitarismo, sua origem e como ele evoluiu, mas apresentar o cálculo.

      Se quiser contribuir, pode apontar exatamente onde errei? Ou, quem sabe, responder a algum comentário? Pode até enviar o seu próprio texto pro PdH, demolindo este.

  • http://www.facebook.com/people/Alberto-Tavares-Neto/100002017048655 Alberto Tavares Neto

    Não posso concordar com a proposição de que a conduta da reportagem parte de um posicionamento utilitarista.
    Em Filosofia, o utilitarismo é uma doutrina ética que prescreve a ação (ou inação) de forma a maximizar o bem-estar do conjunto dos seres sensientes.
    Apenas para ilustrar, imagine que a cura de uma doença dependa de teste em humanos. Que o teste é potencialmente fatal, mas, se bem sucedido, representará um grande benefício à coletividade. A ética utilitarista centra-se benefício maior e admite tal conduta.
    Voltando à reportagem… Que bem-estar é almejado? Redução da criminalidade? Claro que não. O cálculo feito pela empresa é meramente financeiro e (em homenagem aos anacrônicos da esquerda) pautadas na “ética do lucro”.
     
    Acredito que todos devem ser tratados com respeito e civilidade, mas me preocupa a tendência dos brasileiros em vitimizar criminosos (Upa! Ele não foi condenado ainda.)

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Alberto, o Utilitarismo, em seu início, não distinguia as formas de bem. A felicidade, venha ela de que atividade for, é considerada apenas na sua intensidade.

      E quando comparada com outros comportamentos, o cálculo acaba se valendo de um referencial comum – não raro – o dinheiro. A escolha entre fazer uma reportagem que humilha o outro, ou uma nota sóbria sobre o fato passa, acredito, por esse processo.Depois Stuart Mill dá uma ajeitada no utilitarismo, claro.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Tiago, seus textos andam matando a pau, cara.

    Conseguiu me levar para questionamentos inusitados sobre o tema, por uma linha de raciocínio bem interessante.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Porra, compartilhaê!

  • http://www.facebook.com/daniel.larsen.84 Daniel Larsen

    Ótimo texto.
    Vi o vídeo, mas tive que parar na metade, pois estava ficando irritado com a repórter. Não que eu concorde com os ativistas radicais dos direitos humanos, mas um mínimo de respeito não faz mal à ninguém.

  • Felipe Cardoso

    Cara, que delicia de texto!

    Papo de homem vai evoluir em breve para: “Papos da humanidade”

  • Jameslau

    Fica uma questão à se pensar…
    Não seria a hora de rever os conceitos dos novos jornalistas?

  • http://profile.yahoo.com/G24IDHWMDQJMCH5LZM3GNSNPWQ Eliane

    É uma pena que no jornalismo haja gente dessa espécie. Espero que a OAB tome uma atitude e processe a emissora e a jornalista, principalmente. Dizer que é absurdo o que ela fez, é pouco. Que desrespeito. Qualquer suspeito tem direito à defesa. Como já disseram, ela o julgou antes mesmo da Justiça. Que vergonha!

  • Leandroterra Bh

    Eu fiquei com mais pena da repórter biscate do que do assaltante fudido.

  • Andre Arcas

    Tiago,

    De fato, é inegável que frequentemente somos números de cálculos utilitaristas. Para muitas empresas, e por consequencia, pessoas, a moral no mundo dos negócios beira a irrelevância. Contanto que o lucro seja suficiente, a imoralidade permite um sono tranquilo.

    Punições pontuais diante de um problema endêmico de imoralidade não são suficientes. Se a televisão brasileira é complacente com humilhação e ridicularização, ignorando direitos individuais em função de audiência, é porque a população brasileira financia esse tipo de indústria. Antes de nos incomodarmos com o fato de sermos elementos de cálculos utilitaristas, temos que investigar, cada um de nós, a parcela de responsabilidade que temos diante disso. Porque só assim seremos capazes de reverter esse quadro e valorizarmos as pessoas como elas merecem.

    E já que você citou o Sandel, tenho que admitir: o apelo que ele faz à filosofia aristotélica, de que devemos trazer a moralidade para o debate político, com o fim de determinarmos como é a vida em sociedade que realmente desejamos, é contagiante. Eu acredito que se a moral permeasse a sociedade como Aristóteles sonhava, a vivência humana seria muito, muito diferente.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Fala André.
      Quis provocar aquele que figura na coluna da “receita” no cálculo, aquele que não raro se sente superior ao que está na coluna das “despesas”. O cidadão indignado com a criminalidade, que vibra com o escárnio.

      Quis falar com ele, dentro do sentimento de importância dele e mostrar que esse tipo de programa existe não por uma escolha moral categórica, mas por um cálculo.

      Deve ser estranho passar de “pessoa muito importante” para mero número.

      ____

      Eu achei bacana a defesa do Sandel da moral aristotélica na política, até porque o juízo moral é inevitável nas relações pessoais. Mas em certos momentos, principalmente na hora de legislar e sentenciar, acho que cabe um distanciamento, uma neutralidade, ou pelo menos uma intervenção mínima, sob pena de tornar o Estado o tutor moral da sociedade.

      Um exemplo é a decisão recente do STJ sobre abandono afetivo. É certo que os pais e os filhos devem se amar e tudo o mais. Só que isso não deveria ser objeto de tutela pelo Estado.

      • Andre Arcas

        Tiago,

        Perfeito. Tenho certeza que aqueles que se consideram tão importantes ficaram indignados com essa perspectiva utilitarista.

        Com relação à questão moral, de fato, o Estado deveria intervir da menor forma possível sobre certos aspectos da sociedade, o abandono afetivo que você colocou é um ótimo exemplo. Mas, sob certa ótica, é impossível o Estado ser absolutamente neutro e distante. A moral permeia a lei de maneira indissociável. Isso é visível na questão dos princípios gerais do direito, principalmente hoje em dia por conta do ativismo judicial. Qual princípio constitucional deve se sobrepor ao outro, é a moral de cada juiz, ministro ou mesmo deputado e senador que vai decidir.

        Por exemplo, a bigamia. Por que a bigamia é crime? Por que um homem não pode ter duas mulheres? Ou então estupro de vulnerável: por que menores de 14 não podem transar com adultos de 18, 19 anos?

        As bases sustentadoras do Direito remontam à moral. A ideia do Aristóteles não é a de que o Estado deve tutelar tudo, mas de que o Estado deve incentivar as pessoas a debater questões morais. A estabelecer o que é “the good life”. Mesmo que isso signifique – e muitas vezes irá – afastar a tutela Estatal de determinados âmbitos da vida dos indivíduos.

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      Aproveitando a deixa  para responder um comentário que tu me deixou.

      Você falava sobre dignidade pessoal, a qual esta não é perdida de nenhum jeito.

      Pensando um pouco, a pessoa que comete algum abuso contra outra pessoa, ela no caso não pensa em dignidade alheia, estou certo? Afinal, ela prejudica a outra, ela não respeita o próximo. O valor individual aí se quebra. Se dignidade é um valor moral, um criminoso teria valor moral? Para quem desqualifica um crime que o prejudica, não.

      Como ver um criminoso como um ser digno? Fica esta questão.

      Aproveitando e engatado aqui, pensei também que tem pessoas que veem que pessoas de certos tipos ou que não condizem com o que ela pensa ou age, no caso a pessoa também não é digna e merece tais humilhações.

      Rimos de que nós achamos absurdo, besta. Ignoramos quem achamos indigno. “Oras, ele é suspeito de um crime, merece mesmo toda a humilhação possível para aprender a lição”, diria alguns. O cara escreve errado? Merece ser humilhado. O cara fala mal de coisa A ou B? Também. “A pessoa não pensa como eu”. Deixa ela de lado.

      • Andre Arcas

        Vagner,

        Se uma pessoa comete um abuso contra outra pessoa, não significa necessariamente que ele desconsidere a dignidade alheia. Pode significar que, entre a dignidade do outro e a satisfação pessoal X, esta prevaleça no caso concreto. Por exemplo, eu acho absolutamente compreensível que um pai mate o estuprador de sua filha. Se ele concretizar o fato, ele será um criminoso também e muitas pessoas diriam que ele continua sendo digno.

        Mas pensando num plano mais genérico, afirmar que o fato de uma pessoa cometer um crime desqualifica sua dignidade, significaria dizer que se o objetivo do direito penal é punir os criminosos, o que não é verdade. O direito penal pune as condutas criminosas, o que é sutilmente distinto. Se a dignidade fosse quebrada quando uma pessoa comete o crime, correríamos o risco de voltar à máxima de que “os fins justificam os meios”. Ora, o criminoso deve ser punido de acordo com a gravidade do seu crime, então se ele planejar algo que prejudique o país, que é a instituição mais importante da sociedade em que ele vive, ele ser punido com máxima severidade. Em última instância, é o argumento que sustentava o AI-5 da ditadura militar, a tortura e a violência institucionalizadas.

      • Ana

        Com certeza, Andre.
        Agora você disse tudo!
        Numa sociedade onde cada um faz justiça com as próprias mãos, onde a suspeita de um crime seja suficiente para permitir que qualquer cidadão julgue, condene ou humilhe outro, não há dignidade ou civilidade, e sim anarquia e crime.
        Porque cada um tem um ponto de vista, e por isso mesmo existem as leis e as pessoas qualificadas para julgar os criminosos, que sem dúvida devem ser punidos, mas de forma civilizada, que engrandeça a sociedade moralmente, e não que a diminua ao nível do criminoso. 

      • Anônimo

        Olá André.
        Levando em consideração o argumento que expôs, “Ora, o criminoso deve ser punido de acordo com a gravidade do seu crime, então se ele planejar algo que prejudique o país, que é a instituição mais importante da sociedade em que ele vive, ele ser punido com máxima severidade.”,tenho apenas uma ressalva: o país é a instituição mais importante da sociedade? Ou seria a vida humana mais importante?
        Voltemos ao debate sobre o mal individual que justifique o bem coletivo. Justo? 
        Os fins justificam os meios, ou os meios têm que justificar o fim? 

  • HenriqueBarbosa

    Para mim, esse utilitarismo é endossado mais ainda na indústria
    da carne e derivados animais. 

  • http://www.facebook.com/people/Daniel-Augusto/100000559571953 Daniel Augusto

    Na verdade, a repórter é treinada pra agir dessa maneira, pois esse tipo de abordagem rende bons pontos de audiência e propaganda para o programa no youtube.

    O problema é que a repórter leva toda a culpa, mas o próximo a substituí-la fará a mesma coisa.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Daí o foco que quis dar no texto à decisão estratégica da TV. Realmente a repórter é só um lamentável detalhe.

  • Eduardo

    A postura da repórter foi pertinente ao programa que é politicamente incorreto. Os programas sensacionalistas ganham audiência à custa da desgraça alheia, ridicularizando a população pobre. Surpreendente é a atitude do telespectador que condena a repórter, mas assiste ao programa porque acha engraçado. Os programas deste tipo devem ter o seu formato revisto. Não é punindo a repórter, que o problema será sanado. É injusto crucifica la. Acredito que tenha sido vitima de inveja por ser bonita, e ter aparentemente um futuro promissor. O programa não tem nada haver com ela pois é muito baixo nível. Eu já não assistia . Agora menos ainda.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Daí o foco que quis dar no texto à decisão estratégica da TV. Realmente a repórter é só um lamentável detalhe.

  • http://profile.yahoo.com/TR63KLUSB4LY3RE4W37RA6PDYM Bruna

    Aqui não há presunção de inocência, o induz a ponto de produzir provas contra si mesmo.  Fiquei surpresa ao saber que o MPF tenha se posicionado, pois, tais práticas são constantes em alguns jornais locais.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      O pau quebrou pela reação na internet.

      Não que na internet o conteúdo seja necessariamente pautado por parâmetros morais. Mas é uma boa plataforma pra esse tipo de repúdio ter espaço.

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier
  • Vmarxx

    um advogado com consciência??? não é assim tipo um paradoxo absoluto? to bobo…

  • http://donluidi.wordpress.com/ don luidi

    Tiago, texto excelente!!! Por estas e outras que agradeço aos livros por me salvar dos tentáculos televisivos (en passant, ainda existe bons programas na TV)

  • http://www.facebook.com/people/Fer-Madeira/1536802159 Fer Madeira

    Esse tipo de programa é voltado pra aquele ser superior que acha que “bandido bom é bandido morto”, que “tem que ficar preso pra sempre”. A sociedade leiga clama por uma “justiça” em que se o acusado não poderia responder em liberdade, que critica o advogado, como se o “réu” não tivesse direito de defesa! Fiquei indignada de assistir um espetáculo repugnante, uma tortura moral e humilhação pública. 

    • Rodrigo Furtado

      Engraçado que ninguém ficou indignido por ele ter “só assaltado” a mulher… Será que alguém dos direitos humanos se preocupo com a mulher assaltada?
      Tortura moral e hulhação??? Quando é preso vira coitadinho, mas na hora de aborda a vítima pode ter certeza que o coitadinho aí não tem problema nenhum em humilhar a vítima…
      Ninguém quer “bandido morto”, o que não dá é passar a mão na cabeça do inflator.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Rodrigo, já existe toda uma estrutura legal e administrativa pra lidar com quem furta. Note que o camarada já estava preso. O que não costuma acontecer é existir amparo pro preso humilhado.

        E sei que não é o seu caso, mas tem gente que quer bandido morto sim.

  • http://twitter.com/joaofcruz João Flávio Cruz

    Meu amigo Tiago, 
    gostei muito do texto e mais ainda da discussão nos comentários, apesar da maioria não se concentrar nas questões propostas ao final da dissertação. O Papo de Homem ganhou mais um leitor.

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Grande João Flávio! Valeu cara, abração!

  • Rogerio Dantas

    Então tá, o Brasil é o país menos corrupto do mundo, a mídia que distorce os fatos. Se ninguém é preso, muito menos condenado, então temos os políticos mais honestos do mundo! Parabéns brasileiros, estamos quase lá no primeiro mundo

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Hã?

  • http://swyswan.blogspot.com/ Swyanne Teófilo

    Pão e circo.

  • Yuri Yokoyama

    O cara é um ladrãozinho, e vem esses babacas defendendo este merdinha?!?!? Queria ver se fosse a mãe de algum destes trouxas ai, a defender ainda, os marginais deste país. Tem mais é que passar por humilhação mesmo para ver se toma vergonha na cara!
    Se este tipo de jornalismo não agrada, simplesmente faça como eu, não assista. Sttodos

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Fala Yuri, beleza?

      Não entendi bem seu comentário. Por um lado, você diz que não assiste esse tipo de coisa, por não concordar com a exposição das pessoas. Por outro, você reclama da “defesa” feita no texto.

      O texto nem defende o Paulo Sérgio em si. Sequer se reclamou da prisão dele que, ao que parece, teve razão de ser. Não é suficiente prender os criminosos? Além disso temos que pisar em cima? Pra que?

      Agora, quando me dizem “queria ver se fosse com a mãe de vocês”, sinto que fui convidado a partilhar de uma visão do sistema de repressão estatal como instrumento de vingança. Foi mal, mas prefiro que ele seja instrumento de pacificação social.

      Abs.

  • Marianna Gamarra

    É o espetáculo do suplício.

    não basta condenar, tem que ter o espetáculo para saciar…..
    Isso é Brasil…

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