Guia prático de Improviso musical para os novatos (ou dummies)

Rafael Monteiro

por
em às | Cultura e arte, Listas, O Lugar no PdH


Quem já tocou algum instrumento musical sabe como é legal a sensação de missão cumprida que surge ao tocar o acorde final de uma música que se gosta muito.

Aquela sensação de domínio sobre as notas, aquelas que, antes, pareciam se rebelar contra os dedos e que saem quase que naturalmente, após muita dedicação e aprendizado. Aos que jamais tiveram essa experiência, sugiro arrumar um violão e começar a praticar um pouco pra sentir o gostinho.


Link YouTube | John Mayer e BB King conversando por meio das guitarras. Delícias da música

Quem já toca alguma coisa, pode dar um passo adiante: pegar as notas da própria música e fazer ainda mais música, improvisando novas melodias de forma espontânea e livre.

Na minha humilde opinião, o mais legal de improvisar é testar as possibilidades oferecidas por uma música. Tocar contando uma nova história, por meio de novas frases e melodias. Tocar a sua versão da história, com todos os deslizes, percalços, erros e acertos que fazem parte de uma boa conversa.

É possível que você tenha algo muito importante a dizer e que simplesmente não ocorreu ao autor ou ao intérprete da música. Pode ser que você ache que a música é uma merda e mereça uma boa duma zoada. Talvez ela esteja redondamente errada e precise ser refutada ou, quem sabe, fazer variações em cima do mesmo tema, audaciosamente indo onde o criador da obra jamais imaginou. Improviso é tudo isso e mais um pouco.

Apesar da liberdade e da espontaneidade essenciais ao improviso, não significa que improvisar é tocar notas a esmo. Como todo jogo, existem regras, que somente os improvisadores mais experientes terão a manha de quebrar de forma produtiva.

Para começar a improvisar, você vai precisar de:

1. Tesoura e cola (mentira);

2. Colhões;

3. Instrumento musical, lembrando sempre que a voz humana conta como um instrumento. Se você é cantor e tem um domínio confortável da técnica vocal, nada te impede de fazer improvisos cantados. Senão, a dica é começar com outro instrumento, para poupar a voz de possíveis lesões decorrentes do uso incorreto;

4. Uma ou mais pessoas que toquem junto com você. Um grupo de amigos é o ideal. Se isso não for possível, um computador ou aparelho qualquer que toque música já quebra um galho;

5. Um mínimo de conhecimento para começar a praticar.

Trataremos aqui do item 5. O resto é por conta do leitor.

Tem que saber tocar música?

Sim e não.


Link YouTube | Será que esses caras sabem tocar? Claro que sim. Mas além disso, os caras têm muito feeling

Conhecimento é poder. Quanto mais se domina as regras do jogo, maiores serão as possibilidades de criação e direcionamento da coisa toda. Saber teoria e escalas de acordes faz muita diferença. Já ter tocado alguma coisa antes na vida vai ajudar bastante.

Por outro lado, se a gente fosse esperar ficar pronto para começar a fazer algo, nós nem começaríamos. Aliás, não aprenderíamos nada, pois não começaríamos nada que nos motivasse e desse sentido ao nosso aprendizado.

Por último, o objetivo é lúdico. Não necessariamente sério. Se estiver chato, pare.

Aqui vai um passo a passo pra ajudar na porra toda:

1. Seleção de repertório: comece escolhendo poucas músicas para brincar. Umas três, no máximo, com um andamento lento e que você já tenha ouvido bastante. É bom que ela tenha pelo menos um solo, ou vários espaços onde seja possível solar. O ideal é substituir o solos e improvisos das músicas pelos seus, sem interferir em partes da música que tenham temas, refrães ou estrofes candadas. Standards de jazz são ótimos para isso.

2. Ouça com calma a música, sem se empolgar, mantendo certo distanciamento, tentando sacar as nuances de cada som: em que momento começam as frases, onde elas terminam, de que jeito que os instrumentos entram e saem, etc.

3. Se você tiver um grupo, toque com eles e combine a hora em que cada um vai improvisar. Se for na base do aparelho de som, vá tocando junto com o player.

4. Comece com pouco. Toque uma nota e veja se ela fica bem no contexto da harmonia. Fique nela. Se errar, toque outra, e vá até achar uma que fique legal.

5. Brinque com o ritmo. Veja de quantas formas possíveis dá pra atacar a nota e de quantas formas é possível soltá-la. Experimente inflexões, vibratos, aumentar a intensidade da nota, diminuí-la, abafar as cordas (se o seu instrumento for de cordas), etc. Mas não toque outra nota ainda.

6. Acrescente outra nota. Brinque com ela da mesma forma, e teste todas as possibilidades que a nota tiver dentro da música.

7. Você vai errar. Quando isso acontecer, a regra de ouro é tocar outra nota meio tom acima ou abaixo. Existe uma explicação para essa receita funcionar e que não cabe tratar neste momento. Mas o fato é que existem 99% de chances de voce “corrigir” uma nota errada dessa maneira.

De novo: você vai errar. Errar é humano. Desencane e vá adiante.

8. Repita os passos 3, 4, 5 e 6, sempre inserindo notas diferentes. Aos poucos, a sua melodia está sendo construída.


Link YouTube | Pausa no meio das dicas. Se você quer improvisar, em qualquer âmbito, com qualquer instrumento, você tem que beber dessa água. Miles Davis e John Coltrane tocando “So What”

9. Não toque notas a esmo. Escute o que você está fazendo e escute o que os outros estão tocando. Veja as duas coisas interagindo, escutando com muita calma, sempre.

10 – Faça o possível e o impossível pra memorizar a musica e os caminhos da harmonia. Isso é importante para saber quais notas servem e quais não servem, e o timing de quando os instrumentos entram e saem. Isso te dará mais controle sobre o improviso, e você terá uma noção melhor de quais notas você poderá usar e quais você evitará.

11. Vá construindo, aos poucos, melodias que façam sentido musicalmente, sem pressa ou ansiedade.

12. Música é feita de momentos de tensão e relaxamento. O ideal é alternar contrastes para conseguir um efeito expressivo. Insistir demais numa única idéia (tensão ad eternum ou relaxamento o tempo todo, tanto faz) só cansa.

Monotonia só serve para minar a energia da música e matá-la aos poucos. Nesse jogo de tensão e relaxamanto, a ideia é jogar com a criação de expectativas enquanto se alterna o clima da música, mandando uma frase leve quando todos esperavam uma frase pesada, e vice-versa.

Tensione e relaxe. Inspire e expire. Varie, para criar interesse.

13. Use pausas. Improvisos precisam de respiração. Você é tão responsável pelas notas que você toca quando pelos silêncios entre uma e outra.

14. Se você sentir que o improviso foi ruim, desencane. Ninguém acerta no gol em todos os chutes.

15. Se não souber o que tocar, apenas ouça. Escute com calma os outros e só depois responda, de preferência a algo que tenha alguma relação com o que foi tocado. “Pergunta e resposta”, saca?

16. Revisite o passo 1. Dessa vez, ao invés de procurar repertório para tocar, procure por referências que possam contribuir com o improviso. Ouvir várias versões de uma mesma música tentando entender como cada versão foi construída é um caminho. Existem outros.

Improvisar também é subir nos ombros de gigantes..

Como lidar com os erros?

Se você for, como eu imagino, um marinheiro de primeira viagem nas águas do improviso, é natural que você cometa muitos erros. Por erros, entenda-se todas as notas fora do tom que não soaram bem, dedos travados, arpejos que não saíram como o desejado, sujeira no som e virtualmente tudo que não agradou ao ouvidos.


Link YouTube | Coisas erradas acontecem e isso não quer dizer que tudo vai sair errado

Tudo bem. Faz parte. Significa que você está no caminho, dando a cara a tapa para aprender. Isso nao diminui ninguém. Errar é o estado natural das coisas. Todo mundo erra. É a ferramenta mais comumente utilizada para se aprender algo.

Não há motivo para se sentir mal e nem ficar ansioso. Se errar, relaxe e respire fundo. Relaxe com o corpo todo, principalmente com as partes do corpo que são usadas para tocar os instrumentos. Isso ajuda a prevenir vícios de técnica e lesões.

Se permita errar numa boa. Se for preciso, pare um pouco e volte depois.

Agora, algumas dicas para depois do improviso:

1. Dá pra baixar playbacks para improvisar em cima. Em geral, sites de cifras costumam apontar para sites de download de playbacks. Sites de torrent também costumam ter compilações deste tipo de arquivo.

2. Aprenda teoria aos poucos. Aprenda o quanto antes sobre escalas de acordes.

3. Ao improvisar, tocar notas da harmonia funciona 100% das vezes. Use isto a seu favor

4. Escute músicas diferentes dos estilos que você está acostumado a ouvir, nem que seja por pura curiosidade ou obrigação antropológica. Se você gosta de rock, vá ouvir os rappers que improvisam versos. Se você gosta de samba, vá ouvir os riffs pesados e
rápidos de metal. Sempre dá pra tirar pelo menos uma ou duas lições importantes e valiosas que os outros estilos podem ensinar.

5. Tirar harmonias e melodias vai melhorar a capacidade de improvisação a longo prazo. É uma prática de paciência, pois requer algum trabalho no começo e demora até os solos ganharem polimento, mas o benefício é garantido e compensa. O ideal é intercalar momentos de prática de improviso livre com outros momentos focados para tirar solos com cuidado.

Esse tipo de prática tem duas grandes vantagens: treinar a percepção de musical de linhas melódicas e aprender a sintaxe musical de verdade, empregadas na construção de músicas tocadas por aí. É rigorosamente o mesmo processo de aprender a escrever bons textos lendo textos bons. O repertório de frases, arpejos e licks (uma espécie de micro-frase) aumenta junto com o repertório de solos memorizados.

6. Se você não tem a manha de tirar solos, comece com algo simples. Vá na humildade, sem o perigo de se frustrar de cara.

Dê preferencia para solos simples, com um andamento mais lento e sem virtuosismos. Se possível, escolha um músico ou uma banda com algum renome, pois ficará mais fácil conseguir material para estudar em cima e corrigir as falhas da própria prática.

Beatles, por exemplo, é uma escolha excelente para este exercício: tem um repertório imenso, que vai das músicas de três acordes até as harmonizações mais estranhas. Há uma abundância de material online e offline para estudo, caso haja necessidade de pegar mais pesado. Te garanto que não faltará público para uma performance eventual.


Link YouTube | Escolha a sua música, o seu instrumento, a sua voz e divirta-se! Perceba também como o John Lennon erra pra cacete e isso não muda em nada a diversão dos quatro tocando juntos

7. Considere a ideia de procurar um bom professor que seja capaz de corrigir eventuais vícios e erros de técnica e fazer acréscimos ao repertório. Bons professores fazem a gente avançar mais rapidamente, pois nos ajudam a direcionar o estudo num determinado sentido, poupando tempo e energia gastos em murros na ponta da faca.

Procure um professor com quem seja possível ter uma boa relação, para não tornar o aprendizado um inferno. Não é qualquer professor que serve para qualquer aluno. Por mais competente que um profissional seja, é possível que os métodos de ensino não funcionem com um determinado perfil de aluno. Nesse caso, o jeito é continuar procurando.

O resto é meter a mão na massa e praticar. Bom improviso!

Este post é resultado de nossas práticas, diálogos e treinamentos na Cabana PdH. Quer entrar no Dojo?
Rafael Monteiro


Outros artigos escritos por


SEPARAMOS MAIS TEXTOS PARA VOCÊ CONTINUAR LENDO




O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Conheça a visão e a essência por trás do que fazemos. Queremos uma discussão de alto nível. Antes de comentar, leia nossas boas práticas. Caso deseje enviar um texto e se tornar um autor, venha por aqui.


  • http://www.facebook.com/people/Leonam-Silva/100001875821359 Leonam Silva

    “Na minha humilde opinião, o mais legal de improvisar é testar as possibilidades oferecidas por uma música. Tocar contando uma nova história, por meio de novas frases e melodias.”
    muito bom o texto e o guia.
    eu, particularmente, prefiro álbuns ao vivo do que os de estúdio – não só pela vibe do público, mas pela arte chamada improviso.

    ah, e John Frusciante na capa do post *-* (sensacional!)

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Gustavo/100000100906492 Lucas Gustavo

    Do caralho! O post já tinha me ganho pelo John na capa, depois que li mais ainda…

    Toco baixo e adoro ficar num groove bem basicão enquanto uma guitarra, sax, gaita sola. Eu piro demais na harmonia que fica ali. Não arrisco sair muito do meu arroz e feijão, mas dou minhas improvisadas algumas vezes. Além de jazz e blues, também curto reggae para improvisar.

    Nunca vi melhor conexão em jams do que John Frusciante e Flea. Pago pau mesmo e foda-se. Pra mim é Deus & Zeus tocando no céu e John e Flea na Terra :)

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Improviso de baixo merece um capítulo à parte, já que os baixistas é que são encarregados da importante função do baixo da harmonia. Casar as duas coisas é bem difícil.

      Deve ser por isso que baixistas, quando resolvem improvisar de verdade, botam 90% dos guitarristas no bolso =P

      • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

        Bem notado, Rafa.

        Outro dia escrevi um post aqui sobre o Farcia-Fons, um dos baixistas que gosto muito:http://papodehomem.com.br/renaud-garcia-fons-e-as-viagens-de-uma-boa-improvisacao/E ultimamente tenho ouvido bastante o Avishei Cohen:http://www.youtube.com/watch?v=52n-PJR76DkAcho os dois geniais. Vejam eles improvisando no meio dos vídeos aí ;-)

      • http://www.facebook.com/people/Braulio-Langer-Fernandes/100000136371663 Braulio Langer Fernandes

        porra! MUITO foda. Não conhecia Avishei Cohen. Curti demais!

      • Pedro Teles

        Pô, o cara tendo uma noção boa de campo harmônico e confiando nos músicos que estão com ele, conseguem brincar bastante… no meu soundcloud tem uns improvisos legais que eu faço com a minha banda, depois dá uma olhada lá: http://www.soundcloud.com/pedroteles Abraços ;)

    • http://www.facebook.com/people/Felipe-Fernandes/100002057675164 Felipe Fernandes

      Somos 2 então cara. hehe 

      Pra min umas das melhores deles. Acho muito foda essa intro.

      http://www.youtube.com/watch?v=MFKesUfUbag 

  • Chico

    Cara, muito bom, parabéns!

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Po, obrigado =D

  • http://www.facebook.com/Danmanyari Daniel Manyari

    Boas dicas! Passei a adolescência inteira como metaleiro, o que não é a melhor escola pra quem tem que ser versátil, e agora que tô tocando jazz.. então entendo realmente o problema.

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Somos dois.

      Eu nem sou muito fã de jazz, mas o fato é que estudar a visão jazzistica da coisa toda me fez ter um domínio maior do instrumento e um entendimento melhor da música.

      Mas eu morro de saudade de tocar metal =(

  • http://www.facebook.com/people/Braulio-Langer-Fernandes/100000136371663 Braulio Langer Fernandes

    Toquei guitarra e violão quando era pequeno e parei aos 14 anos. Agora tô voltando e entrei na aula há dois meses. E tô aprendendo bateria também.

    Tá sendo MUITO bom. Adoro ler sobre musica, conversar, estudar e ir pras aulas. Uma das minhas metas pra 2012 é tocar em algum buteco pequeno aqui da cidade, acho que consigo. Tô botando pilha nos meus amigos que tocam e incentivando todo mundo, mas até agora nada. =D

    Ótimo texto.

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Vais virar uma banda de um homem só.

      Você tá fazendo aula em conservatório ou com professor particular? Se for o primeiro caso, arrumar gente pra tocar é ainda mais fácil =)

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000104077969 Guilherme Casimiro

    http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=3dZ4XSpYGUk

    Esse sim, sabe o que é trocar ideia com a guitarra.

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Esses exemplos que vocês postam aqui são novidades ótimas.

      Não conhecia John Mayer até então. Eu tenho um referencial completamente diferente, por causa da minha formação.

      Confesso que ando meio desatualizado =P

  • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

    Curti muito esse post, Rafa. 
    São dicas que normalmente levamos anos, praticando, pra sacar.
    Valeu!

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Poxa, Fabio, obrigado.

      Daqui a uns cinco ou dez anos, se eu for vivo, volto pra atualizar o texto com mais algumas coisas =)

      • Matsuura Junichiro

        Também tem um lance que MUITOS não conhecem. Transposição tonal.

        É o seguinte, se você vai, por exemplo, acompanhar uma mulher – isso
        acontece muito comigo – que está cantando uma música originalmente
        concebida para vocal masculino.Para tocar no mesmo tom, a voz da mulher tem que estar uma oitava acima.

        E isso geralmente arrebenta a garganta dela.

        Então, o que você faz????

        Se ela conseguir cantar uma quarta ou uma quinta acima, você toca no mesmo tom que ela canta.Por
        exemplo, se o tom da canção for originalmente em Mi, a mulher – a
        maioria delas, pelo menos – geralmente consegue cantar em Lá ou Si.

        Então você toca a bendita da música em Lá ou Si. É simples assim.

        Só que nem todo mundo – ou melhor, quase ninguém – conhece esse macete, que pode salvar muitas apresentações.

        Funciona também para o contrário. Ou seja, homem cantando canção
        originalmente concebida para vocal feminino. Aí, a voz do cara desce uma
        quarta ou quinta, e é só o músico seguir o mesmo caminho.

        No mais, é só esquecer essa idéia de que “tem que ficar igual ao CD”.
        Não, meu chapa. Você não tem obrigação de fazer igual ao CD. O momento é
        seu. A interpretação é sua. Então, faça do seu jeito. Ponha algo seu.
        Mostre-se. É mais divertido, vai por mim.

    • Matsuura Junichiro

       Também tem um lance que MUITOS não conhecem. Transposição tonal.

      É o seguinte, se você vai, por exemplo, acompanhar uma mulher – isso
      acontece muito comigo – que está cantando uma música originalmente
      concebida para vocal masculino.Para tocar no mesmo tom, a voz da mulher tem que estar uma oitava acima.

      E isso geralmente arrebenta a garganta dela.

      Então, o que você faz????

      Se ela conseguir cantar uma quarta ou uma quinta acima, você toca no mesmo tom que ela canta.Por
      exemplo, se o tom da canção for originalmente em Mi, a mulher – a
      maioria delas, pelo menos – geralmente consegue cantar em Lá ou Si.

      Então você toca a bendita da música em Lá ou Si. É simples assim.

      Só que nem todo mundo – ou melhor, quase ninguém – conhece esse macete, que pode salvar muitas apresentações.

      Funciona também para o contrário. Ou seja, homem cantando canção
      originalmente concebida para vocal feminino. Aí, a voz do cara desce uma
      quarta ou quinta, e é só o músico seguir o mesmo caminho.

      No mais, é só esquecer essa idéia de que “tem que ficar igual ao CD”. Não, meu chapa. Você não tem obrigação de fazer igual ao CD. O momento é seu. A interpretação é sua. Então, faça do seu jeito. Ponha algo seu. Mostre-se. É mais divertido, vai por mim.

  • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

    Tenho uma relação engraçada com o violão/guitarra: eu aprendi muito engessado em revistinhas (depois sites) de cifras, um pouco de tablatura e bastante Guitar Pro nas músicas que eu realmente queria aprender. 

    Hoje eu nunca sei mais do que duas músicas de cor, pra tocar a qualquer momento. Eu sempre pego e fico tocando acordes aleatórios. Assim eu componho músicas simples, batendo muito a cabeça, sem nenhum direcionamento. Eu nunca sei qual o próximo acorde lógico em uma sequência qualquer que eu toque, então eu tento todos os que consigo lembrar. Frequentemente acho que nenhum deles “encaixou”. Aí me frustro um pouco, pensando que pode ser um com sétima, com diminuta, ou uma dessas variações que eu nunca estudei direito, e desencano. 

    Uma vez a cada, sei lá, 20 ou 30 vezes que eu tento isso, sai uma música, sempre básica. Aí eu tento colocar uma letra (algo que eu tenho um pouco mais de facilidade, mas muitas vezes também não dá certo) e depois gravar. 

    Nesse link tem duas músicas que eu compus em algum momento dos últimos meses: http://www.soundcloud.com/fabiobracht

    (“When It Came The Time” e “Another Song About You”. As outras duas são covers.)

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Uma vez eu ouvi do meu professor de harmonia na faculdade a regra de ouro da harmonia, que é:”Após um acorde, pode vir qualquer outro acorde”Parece trollagem do cara mas é verdade. Não existe sequencia lógica nem nada. Vagabundo junta acordes do jeito que quer e pronto. E compor batendo cabeça é isso mesmo. Composição é experimentação, e dá trabalhoSó acho que você deveria procurar um professor o mais rápido possível para aprender escrita e leitura. Te garanto que você nunca mais vai esquecer acorde algum =)

    • http://www.facebook.com/people/Braulio-Langer-Fernandes/100000136371663 Braulio Langer Fernandes

      Eu vivi exatamente a mesma coisa.

      Aprendi totalmente engessado também, com uma professora quando eu tinha 11 anos. As aulas eram bem baratas e eu fiquei um tempo fazendo aula até perceber que ela na verdade estava ‘me enrolando’. Nao que ela nao era boa pra ensinar, mas ficava dando voltas e eu so aprendi o basicão. Decorei muitas musicas do cifraclub e revistinhas, mas sem praticamente saber nada de teoria. Como eu parei com 14 anos, eu obviamente esqueci tudo. Agora voltei aprendendo tudo do zero.

    • Matsuura Junichiro

       Também tem um lance que MUITOS não conhecem. Transposição tonal.

      É o seguinte, se você vai, por exemplo, acompanhar uma mulher – isso
      acontece muito comigo – que está cantando uma música originalmente
      concebida para vocal masculino.Para tocar no mesmo tom, a voz da mulher tem que estar uma oitava acima.

      E isso geralmente arrebenta a garganta dela.

      Então, o que você faz????

      Se ela conseguir cantar uma quarta ou uma quinta acima, você toca no mesmo tom que ela canta.Por
      exemplo, se o tom da canção for originalmente em Mi, a mulher – a
      maioria delas, pelo menos – geralmente consegue cantar em Lá ou Si.

      Então você toca a bendita da música em Lá ou Si. É simples assim.

      Só que nem todo mundo – ou melhor, quase ninguém – conhece esse macete, que pode salvar muitas apresentações.

      Funciona também para o contrário. Ou seja, homem cantando canção
      originalmente concebida para vocal feminino. Aí, a voz do cara desce uma
      quarta ou quinta, e é só o músico seguir o mesmo caminho.

      No mais, é só esquecer essa idéia de que “tem que ficar igual ao CD”.
      Não, meu chapa. Você não tem obrigação de fazer igual ao CD. O momento é
      seu. A interpretação é sua. Então, faça do seu jeito. Ponha algo seu.
      Mostre-se. É mais divertido, vai por mim.

  • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

    Sobre improvisação em grupo, eu tenho bastante dificuldade. Sei mais ou menos o formato da escala pentatônica básica, mas ela não foi suficiente. Eu estava em um estúdio com um baterista, um baixista e outro guitarrista que tinham bem mais teoria do que eu, e meio que fiquei só olhando 80% do tempo. Me senti bem pequeno naquele momento. :P

    Mas pretendo repetir a experiência de novo, com certeza. Quantas vezes for possível. 

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Cara, harmonia e análise são os núcleos do estudo da musica. É a parte que explica a porra toda, basicamente. O resto fica muito, muito mais fácil quando você resolve essas duas coisas.

    O problema é que até resolver harmonia e análise, é chão, meu amigo.

    Pra estudar harmonia, recomendo o “Harmonia” do Arnold Schoemberg, e “Harmonia Funcional”, do Carlos Almada. Compre os dois e devore sem medo.

    E, novamente, considere fazer aulas com um bom professor, porque o assunto dá trabalho e é longo. Coisa pra muitas aulas.

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Eu to passando por uma situação parecida. To tocando com uma gig que manda muito melhor do que eu.

    Eu to grudando neles e pedindo ajuda sempre que posso, sobre formatos de arpejo, de acordes, etc. Tá funcionando =)

  • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

    improvisar é muito bom. eu gosto de pegar a guitarra e ficar inventando qualquer solo. é relaxante.

    e a dica sobre não tocar notas a esmo e saber qual nota usar pra não estragar o solo é importante. 
    eu gosto de sair solando como um animal, o mais rápido possível. Às vezes dá pra construir um solo bom com menos notas e ainda sim ele fica contagiante, tipo o solo de Time do Pink Floyd

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100002792597766 Uyran Ribeiro

    Isso me fez lembrar de que preciso aprender a tocar meu cavaquinho..

  • http://www.facebook.com/people/Braulio-Langer-Fernandes/100000136371663 Braulio Langer Fernandes

    Geralmente eu tenho vergonha de sair por aí falando que eu toco, então mta gente nao sabe. Por medo das pessoas botarem um violão na minha mão e pedirem algo que eu nao consiga tocar, eu acabo ficando calado hehehehe

  • André

    Cara vi esse post só lembrei de um vídeo que eu postei de uns amigos meus improvisando um duelo de violão! Na verdade não ligo tanto para a improvisação, ligo mais pra o que ela pode resultar. O video ficou bacana, não foi um mega duelo, porém o que vale foi o pequeno momento de diversão entre os amigos, e é como dizem, as vezes as pequenas coisas são as melhores.

    http://www.youtube.com/watch?v=UeGn4HuaaYA

    obs: o vídeo ta ai pra quem quiser dar uma espiada, mt gente gostou =D
    obs2: desculpem os erros de portugues na descrição do vídeo, coisa de mlk escrevendo no pc!

  • Matsuura Junichiro

    Também tem um lance que MUITOS não conhecem. Transposição tonal.

    É o seguinte, se você vai, por exemplo, acompanhar uma mulher – isso acontece muito comigo – que está cantando uma música originalmente concebida para vocal masculino.
    Para tocar no mesmo tom, a voz da mulher tem que estar uma oitava acima.

    E isso geralmente arrebenta a garganta dela.

    Então, o que você faz????

    Se ela conseguir cantar uma quarta ou uma quinta acima, você toca no mesmo tom que ela canta.
    Por exemplo, se o tom da canção for originalmente em Mi, a mulher – a maioria delas, pelo menos – geralmente consegue cantar em Lá ou Si.

    Então você toca a bendita da música em Lá ou Si. É simples assim.

    Só que nem todo mundo – ou melhor, quase ninguém – conhece esse macete, que pode salvar muitas apresentações.

    Funciona também para o contrário. Ou seja, homem cantando canção originalmente concebida para vocal feminino. Aí, a voz do cara desce uma quarta ou quinta, e é só o músico seguir o mesmo caminho.

    • Matsuura Junichiro

      Sem falar, é claro, que alterar a afinação do instrumento abre novos horizontes, tanto no tocante à improvisação, quanto à composição. Eu costumo afinar a guitarra em Ré, com cordas .010-.046. Pretendo experimentar afinação em Dó, com cordas .011-.052.

  • http://www.facebook.com/geraldomagellajunior Geraldo Magella Junior

    Moçada, não pode mais ser considerado improviso pois ele já “decorou” esse solo de tanto fazer, mas a primeira executada dele, provavelmente foi muito mais improviso do que “planejamento”.
    Um mestre dos mestres: http://www.youtube.com/watch?v=GHkucr1jJpQ

Papo de homem recomenda

Assine o Papo de homem

Curta o PdH no Facebook
  • 5402 artigos
  • 655495 comentários
  • leitores online