Google Translate e o futuro da inteligência artificial

Gustavo Gitti

por
em às | Artigos e ensaios, Tecnologia


O Google publicou um vídeo para explicar o funcionamento da sua famosa engenhoca de tradução.

Como muitos já sabiam, o sistema não é apenas um simples dicionário gigante, contendo quase todas as línguas do mundo, mas um mecanismo de comparação entre traduções humanas e páginas originais. É uma máquina que aprende.


Link YouTube (clique em “cc” para legendas em português)

Curiosamente, esse avanço é similar ao que ocorreu com mais profundidade no universo da inteligência artificial. No começo, os pesquisadores tentavam entender a mente humana e reproduzi-la com uma série de leis e programações específicas nos robôs, do tipo: “Se ouvir isso, fale isso”. Depois eles se deram conta de que não é assim que nossa mente funciona.

Rodney Brooks, do MIT, foi um dos primeiros a abandonar o representacionismo, a ideia de que o mundo existe “lá fora” e deveria ser representado de alguma forma para o robô, assim como aconteceria na mente humana. Ao contrário do que se pensa, o mundo que vemos ao nosso redor só existe porque temos o corpo que temos e a história que temos. Ele não é assim objetivamente, por si só, independente de nossa percepção.

O que isso muda na robótica e nas pesquisas de inteligência artificial? Em vez de tentar reproduzir a mente humana e se preocupar com que o robô mapeie seu ambiente corretamente, a programação é feita sem comportamentos pré-definidos, com foco na aprendizagem. Ou seja, o robô é programado para aprender, para improvisar.

“When we examine very simple level intelligence we find that explicit representations and models of the world simply get in the way. It turns out to be better to use the world as its own model.” –Rodney Brooks

O principal é que a programação seja plástica e que ele seja jogado em algum ambiente – igual aconteceu com cada um de nós, aliás. Assim ele consegue desviar de obstáculos e mapear seu ambiente com muito mais sucesso do que se tudo isso tivesse sido pré-programado. Ele será inteligente na medida em que conseguir construir um mundo – repito, igual acontece conosco.

É por isso que sempre digo que a educação deveria focar muito mais em como se aprende, em ensinar a aprender com o mesmo empenho que ensinamos conteúdos específicos. Para nós, já formados, vale o mesmo: se quiser aprender mais, cultive uma mente aberta, curiosa, cética, experimental, científica, flexível, plástica, em vez de se preocupar em digerir fatos, teorias, regras, padrões e informações.

Com a linguagem, não é diferente. O melhor jeito de aprender uma nova língua não é colecionar palavras e frases, mas entrar no mundo, na cultura que produziu aquele idioma. Construir uma realidade e agir a partir dessa nova matriz, que abre espaço para novas piadas, novos olhares, ironias, ideias, conexões, argumentos, cantadas, visões de mundo…

Slides de uma palestra que já ofereci sobre todas essas questões: linguagem, educação, realidade, conhecimento, inteligência…

Para quem tiver interesse, mais sobre Rodney Brooks:

Gustavo Gitti

Quase professor de TaKeTiNa, baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É editor do PapodeHomem, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e caseiro da Cabana PdH. No Twitter: @gustavogitti.


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30 comentários

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  • Anônimo

    É muito curioso esse negócio de aprender, né? Bom, é uma das coisas que mais me interessa, que mais me chama atenção. Primeiro porque já dei aula e adoro… segundo que, como aluna, percebo o quanto muda tanto a forma com que absorvemos conteúdo. E a mudança se dá em como o professor motiva quem está em sala, como enxerga a própria vida, e pouco está relacionado ao que ele está tentando ensinar, o conteúdo em si!

    Voltando pro aprendizado em línguas, que essa parte me interessa! rs… Estou no Canadá desde abril e meu objetivo de ter vindo pra cá foi o de falar inglês. Sempre li muito, escrevia até com facilidade antes de vir, mas não falava. Medo, complexo, falta de prática. Nunca tinha vivido a lingua. E te dizer o quanto faz diferença! E acho que a diferença está nos estímulos que vc se permite viver quando está vivendo a cultura. Tem gente que está aqui a mais tempo que eu que não dá pra notar tanta diferença no progresso da lingua… Por exemplo, conheci muitos coreanos e japoneses, que passam a tarde sentados na biblioteca, estudando, e continuam com dificuldade considerável pra se comunicar. E eles se cobram, se pressionam, se preocupam com notas.

    E me perguntaram como eu fiz pra melhorar meu inglês e eu contei que não fiz nada especial. Mas que estava namorando um canadense. Acho que o aprendizado está ligado ao que nos motiva a aprender. Desde que nos abrimos a diferente estímulos, a adaptar a realidade aos conceitos novos que surgem – seja por livros ou na vida, pelo meio do caminho – aprender é algo natural.

    Acho que não a toa existe a expressão: “olhar o mundo com os olhos de criança’. Já li em algum lugar que crianças tem uma facilidade muito maior de aprender linguas. Deve ser pq elas não se cobram e elas são muito mais abertas ao novo, a não se prender no que já sabem… o que prende a atenção é o novo, indefinido.

  • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Piazentin/773433685 Gabriel Piazentin

    É a Gramática Gerativa do Chomsky (também do MIT) entrando em ação. Go go go linguistics!

  • Pingback: Tweets that mention Google Translate e o futuro da inteligência artificial | Papo de Homem – Lifestyle Magazine -- Topsy.com

  • Lucas Henrique (Rocco)

    Muito bom esse conceito.

    Alias, é a pura verdade.

    O problema é num futuro não muito distante, robôs de inteligência artificial que aprendam possam se levantar contra quem o criou, como nos filmes de ficção EU,robo ou até no Resident Evil, no caso da H.I.V.E.

    Mas aí é pessimismo demais! hahaha

    abraços

  • http://www.facebook.com/people/Emerson-Gois/1410308013 Emerson Gois

    Gustavo, qual a chance de rolar um podcast com o conteúdo da palestra?

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Na boa, cara? Gravar um podcast de 40 minutos pra 4 pessoas ouvirem? Mais fácil e mais divertido marcar num bar.

    O que acho legal é fazer um evento presencial. E isso já estamos vendo pra fazer via PapodeHomem.

    Dei essa palestra duas vezes pra uma escola de educação democrática, uma vez num templo budista em Viamão (RS) e outra num evento para empresários. ;-) Mundo maluco esse.

    Mas pode perguntar algo específico sobre qualquer slide que conversamos por aqui.

    Abraço.

  • http://www.facebook.com/people/Emerson-Gois/1410308013 Emerson Gois

    Nesse caso, definir essas futuras inteligências como “artificiais” não é questionável?

    Quando o próprio meio, tomando a forma dos diversos mundos que percebemos e recriamos, consegue prover condições de alguma criatura se tornar consciente através de sua própria experiência, não está também provendo condições de uma inteligência “artificial” ter uma consciência “natural”? Aliás, essa distinção entre mente-inteligência e consciência nem mesmo existe, não é mesmo?

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Emerson, eu nem quis entrar nessas questões porque ninguém sabe ainda nem o que é “consciência”, cara. Muito menos a sua causa ou origem. Ninguém sabe o que é preciso para que um serzinho tenha a sensação de ser um “eu”.

    Teoricamente, sim, como não sabemos lhufas, claro, nada impede que um robô fique um tempão vivendo e acabe construindo um mundo ao redor e um mundo interno, dando a sensação de ser um “eu”, IGUALZINHO aconteceu com cada um de nós.

    O mais legal é que não tem “eu” em lugar algum (pode procurar no cérebro, por exemplo, e não achará nenhum sistema central que comanda tudo), mas ainda assim temos essa sensação, essa experiência nítida de ser alguém.

    Leia A MENTE INCORPORADA. É uma delícia o jeito que os caras tratam dessa questão.

    Nos slides, tem uma citação longa do Varela sobre isso também.

  • http://twitter.com/OliverPrezibela Oliver Prezibela

    E depois de usar o translate, leia assim:
    http://youtu.be/d62Z7OeOgXM

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Putz, cara, eu não sei se consigo rir desse vídeo. Sério.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Porra, Mari, eu QUASE finalizei com um “troque os livros por uma namorada estrangeira”.

    É bem por aí. Linguagem não se aprende olhando para signos, mas interagindo, agindo no mundo.

    Tem um experimento bem foda (que cito nos slides, acho, mas está inteiro descrito no A MENTE INCORPORADA) no qual pegaram dois grupos de gatinhos recém-nascidos e deixaram em completa escuridão, expondo à luz apenas por um período diário, não lembro, 1h talvez.

    Durante esse período, o primeiro grupo andava normalmente e o segundo grupo ficava sendo levada. Ou seja, eles saiam em pares, um andando e outro numa carrocinha sendo levado pelo outro. Eles queriam entender se a visão era um processo que acontecia apenas recebendo luz do meio ambiente e processando, assim como achamos que se dá conosco

    Depois de um tempo, soltaram todos no ambiente iluminado. Os gatos que andavam antes conseguiam ver perfeitamente e desviar de obstáculos. Os gatos que só recebiam luz mas não tinham autonomia na construção de um mundo visual pelo movimento, esses não viam direito, batiam em tudo, sendo que não tinham nenhum problema motor, sabiam andar perfeitamente.

    Portanto, se a visão fosse algo apenas passivo, apenas receber luz de fora e processar imagens, igual uma câmera, ambos os grupos de gatos teriam aprendido igualmente a ver. Mas não. A visão é um processo ativo, de construção da realidade visual que vemos “lá fora”. É como se o mundo exterior fosse um sonho, funciona igual.

    Tem um outro experimento também que fizeram com uma criança cega, mas esse vale um artigo aqui. Conto outra hora.

    Abraço.

  • http://twitter.com/gaby_jardim gjardimr

    “Para nós, já formados, vale o mesmo: se quiser aprender mais, cultive uma mente aberta, curiosa, cética, experimental, científica, flexível, plástica, em vez de se preocupar em digerir fatos, teorias, regras, padrões e informações”. E, para mim, é exatamente isso que procuramos quando queremos uma experiência diferenciada no nosso dia-a-dia!!

    Quando pensamos qual o show, balada, passeio, viagem que mais marcou com certeza vamos responder que foi aquela em que experimentamos e vivemos intensamente. E como isso surge? Quando a atividade te faz desperta os seus sentidos.. quando você passa a experimentar o mundo de maneira cada vez mais estética. É experimentando que se aprende! Falo mais disso em: http://mediatizandonos.blogspot.com/2010/04/exp…

    Porém, ao mesmo tempo, não queremos somente experimentar. Queremos aprender! E por isso defendo a importância do conteúdo. Como um post sobre o Google Translate pode se transformar em uma experiência marcante, que te faz pensar sobre as teorias que você já aprendeu e que te faz parar na correria do dia-a-dia pra escrever um comentário?!?! CONTEÚDO!

    E o que não faltam são referências para este assunto! Eu mesmo já usei várias disciplinas e teorias para explicar essa relação que, você Gustavo, expôs muito bem! Não tive tempo de ver toda a apresentação, mas já está salva para leitura de casa.. Com certeza… uma questão que vai muuito além da inteligência artificial.. Uma teoria que explica a nossa relação com o mundo!

  • Lucas Henrique (Rocco)

    Como o Gitti já disse, não temos como classificar o que é “ser consciente”. Quem poderá dizer que uma simples mosca tem consciência ou não?

    Mas em resposta à ti digo que seriam artificiais sim, pois não se trata de como ela se desenvolveu e sim como ela foi gerada. (No meu ponto de vista)

    Creio que a historia do Frakenstein demonstre isso.

  • Thiago Andreazza

    Sobre toda a filosofia e informações compartilhadas aqui nos comentários: Tenho muita curiosidade a respeito do “ser eu”, vivi grande parte da adolescência buscando essas respostas, mas hoje, vendo que as respostas estão surgindo cada vez mais rápido, tenho medo de conhece-las.
    Não sei até que ponto, se manter na “ignorância”, pode ser mais prazeroso do que o saber.

  • João Vitor

    Muito bacana esse recurso da google, é interessante notar que esse recurso abre muitas portas, eu faço curso de ingles, e sei das limitações dessa ferramenta, pórem, em lingua de certa forma inacessiveis como o turco, ou sei la… Uma lingua mulçumana. Mais creio que ainda não substitui a potencia humana, e a beleza da tradução pessoal.

    :)

  • L. Leite

    Acredito que quis dizer línguas do oriente médio. “Língua Muçulmana” faz tanto sentido quanto “Língua cristã”, rs.

    A lingua árabe é FANTÁSTICA. temos o dual, fazendo companhia ao singular e plural, fonemas que sequer pensávamos em pronunciar (guturais, fricativos… poxa, até minha pronúncia de inglês melhorou depois que estudei árabe!), e coisas que, literalmente traduzindo, seriam “Azula” e “Verda” (até onde vi, TODAS os nomes de cores variam por gênero, diferente do nosso bom português, onde apenas os nomes de algumas cores tem essa variação).

    Sem falar do quão bonita a nossa letra fica, com a prática da escrita árabe :D

  • http://www.facebook.com/people/Paulo-Abelha/100000135082319 Paulo Abelha

    Gustavo, você conhece PIaget?

  • http://pulse.yahoo.com/_ARMKKHUEJFDHSTRJG7LLDEJ3YM Luiz

    Gustavo, ainda não tive tempo de ler os seus slides por inteiro, mas gostaria de fazer algumas perguntas, fazer algumas sugestões e deixar um vídeo.
    Primeiro, você concluiu o curso de filosofia, ou, ainda pesquisa alguma coisa na área?
    Segundo, vi o nome do Putnam nos slides, de qual livro especificamente você está falando? (Acredito que saibas, mas vale lembrar, o Putnam é um filósofo assitemático, no sentido de não ter um sistema bem definido, e, o que escreveu em determinado livro, foi abandonado um ou dois livros depois.)
    Bem, em terceiro lugar, como vi o nome do Rodney Brooks, acredito que alguma coisa sobre o Cog esteja sendo falada, e, ao falar do Cog, não posso deixar de falar de Daniel Dennett, que foi um dos pesquisadores envolvidos no começo do projeto (acredito que não esteja mais lá).
    Deste modo, deixo um link de um video do Dennett falando sobre a consciência, algo que, acredito eu, esteja nos fundamentos do projeto Cog:

    http://www.ted.com/talks/lang/por_br/dan_dennet…

    Tem legendas em português.
    No mais, obrigado, e espero resposta.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Oi Luiz,

    1) Fiz 2 anos apenas, não conclui.

    2) Não lembro, mas tirei diretamente do livro. E não me interessa se Putnam “voltou atrás”. ;-) Isso é o de menos, não estou falando em nome dele nem sou estudioso, estou apenas colocando uma referência que já foi pensada por alguém algum dia, assim mesmo, sem muito rigor, algo que não faço com o tema central, Maturana e Varela.

    3) Vou ver o vídeo do Dennett. Gosto da abordagem dele, principalmente na destruição de alguns mitos.

    Abraço.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Sim, por quê?

  • Eloi

    Acho que o entusiamo é que move o ser humano, e torna tudo mágico.

    Talvez, sejamos seres movidos a entusiasmo.

    No dia em que os robôs adquirirem entusiasmo, serão concorrência séria.

    Por enquanto, serão movidos ao nosso entusiasmo.

    Valeu!

  • cazzo

    Pô… eu aprendi muito com o robozinho do WALL-E.. já que tive de ver o desenho com meu filhote de dois anos umas trocentas e tantas vezes…

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Vou te falar que esse filme é um FILMAÇO!

  • Pedro

    Redes Neurais e Logica Fuzzy

  • http://pulse.yahoo.com/_EGXALJHGLFH3I4LYS3JHFOM3MU Indio

    O estudo de I.A. ainda tem muito o que crescer. O que o google faz é algo simples e inteligente. Daí vem seu sucesso. Tudo deles é baseado nessa idéia. Obviamente, a programação por trás dessa idéia não é tão simples assim e exige muito tempo de desenvolvimento. Não é a toa que muitos querem trabalhar pra eles. Quanto ao nosso aprendizado e à forma como isso é jogado para nós, concordo com o que foi dito. Aprendi desenvolvendo que mais importante do que codificar, por a mão na massa, é entender o que deve ser feito, como fazê-lo, para só depois tomar a atitude de codificar, que é a parte mais simples da coisa toda. Trouxe isso para minha vida e ajuda bastante.

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Marques-Zeferino/1100035811 Gustavo Marques Zeferino

    Eu tenho o livro do Maturana (Ontologia da Realidade). A idéia de mente incorporada é genial e não vejo de outra forma. Para se ter uma noção de onde isso pode chegar, existe um centro de pesquisa nos EUA (The Neuroscience Institute) do prêmio Nobel Edelman, que recebe uma verba de centenas de milhões do departamento de defesa para pesquisar sobre o sistema nervoso. Eles desenvolvem um robô chamado Darwin que possui um cérebro com uma estrutura de milhares de neurônios artificiais. Este robô já é capaz de realizar tarefas de condicionamento com o labirinto aquático de Morris e muito mais. O robô não recebe instruções a priori e aprende através de suas experiências em seu ambiente. Não vemos muito sobre isto pois tudo é protegido por patentes e tudo mais. Afinal, quem conseguir reproduzir um sistema nervoso primeiro, irá dominar uma tecnologia de ponta impressionante.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Maturana é fodástico!

    Não sabia desse robô, Gustavo. Valeu, vou pesquisar.

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Marques-Zeferino/1100035811 Gustavo Marques Zeferino

    O link do projeto. http://vesicle.nsi.edu/nomad/

    No site, os pesquisadores já informam qual posição adotam:

    “The Institute’s researchers believe strongly that the brain does not function in isolation. An organism’s brain is closely coupled to its body which actively interacts with its environment.”

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Foda!!! To fuçando aqui. Valeuzaço!

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