Dizem que o futebol paulista está passando por uma crise de goleiros. Verdade? Não sei. Só descobri que havia um time de futebol chamado São Paulo ano passado. Estou por fora. Mas uma coisa eu digo e afirmo: goleiro e tradutor só se fodem.
Não sou goleiro mas sou tradutor. O goleiro treina a vida toda, está sempre alerta durante o jogo, pega chute atrás de chute que você, amigo leitor, nem veria passar, e, coincidentemente, você também nem vê o trabalho dele.
Quando o goleiro está fazendo seu trabalho, parece que o universo está pleno e ordeiro, as coisas se encaixam, tudo vai bem. Ou seja, não é ele que sacrificou sua vida pelo esporte; é a bola que naturalmente não passa pela trave, assim como o lápis que soltamos naturalmente cai ao chão.

Quando o goleiro, humano que ele é, comete um erro, então o universo vira de cabeça pra baixo, lápis flutuam, unicórnios saem em debandada pela avenida Paulista, a entropia toma conta, é hora de xingar nos bares e bebedores, talvez até queimar a casa do fidaputa incompetente!
Com tradutores, idem idem. Ralamos por meses a fio traduzindo um livro. Inventamos mil soluções engenhosas para problemas espinhosos. Traduzimos o intraduzível. Adaptamos o inadaptável. Frases que não tem equivalente, trocadilhos desafiadores, experiências que não existem no Brasil: para tudo, damos um jeito.
E o errinho bobo que deixamos passar é sempre aquele citado pelo resenhista da Ilustrada, que ainda completa:
“é por isso que só compro meus livros em New York!”
Não sei nada de futebol (o Fred diz que se recusa a me explicar pela quinta vez a regra do impedimento), mas afirmo: todo meu apoio aos goleiros e tradutores do Brasil.
Link YouTube | “Barbosa”, curta de Jorge Furtado sobre o mais perverso vilão da história brasileira.
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Leia também Vai jogar no gol, sobre as agruras dos goleiros, e conheça o excelente blog de tradução da Denise Bottman, Não gosto de plágio.
alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // todos os meus textos são rigorosamente ficcionais. // se gostou, me siga no facebook, compre meus livros ou faça uma doação.
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