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Pergunta: “Ok ok já entendi.. afinal o nome do site é “Papodehomem.com” e não papodemulher.com” rsrs… mas acredite a dúvida é realmente grande e nada
melhor do que perguntar a homens…
Tenho 25 anos e estava namorando um homem de 45, tudo estava lindo e maravilhoso até que numa bela manhã ele teve uma fratura peniana e após três meses ao lado dele ( de verdade) ele terminou comigo por que diz não suportar estar ao lado de uma mulher 20 anos mais nova que ele, linda, “cheia de amor para dar” e ainda pro cima sem poder transar nada nada!
Queria saber como é uma situação dessas na vida, na cabeça de um homem? Obviamente não sou burra e sei que é muito complicado, ainda mais que sexo é tão bom …
Beijo”
- Anônima
Olá, leitora, a pergunta foi para o Dr Love, mas ele achou melhor encaminhar à minha pessoa. Afinal, seu caso, melhor, o do seu parceiro, me deixou algumas dúvidas à respeito da conduta adotada, pois faltaram algumas informações importantes.
Antes de mais nada, deixe-me discorrer sobre essa entidade chamada Fratura Peniana. Que na verdade não é bem uma fratura, pois só se fratura osso (e eu como ortopedista sei muito bem disso), mas o nome pegou, fazer o que?
O horror, ó, o horror….
Um corte transversal do pênis mostrará a pele e tecido subcutâneo, e logo abaixo desta, uma capa fibrosa muito resistente chamada túnica albugínea. E abaixo desta, aparecem os famosos corpos cavernosos, cuja função é receber o sangue para causar a ereção. No centro deste corte, apareceria a uretra.
Na quase totalidade dos casos, a lesão acontece durante o ato sexual. Também na quase totalidade dos casos, a mulher está por cima na hora da lesão. Ocorre um traumatismo do pênis contra a região perineal ou a sínfise púbica da mulher, o que causa uma dobra súbita no coitado do pênis, neste momento em ereção total.
A túnica albugínea suporta até mais ou menos 1500 mmHg de pressão até se romper. Em boa parte dos casos, apenas a túnica se rompe, mas pode ocorrer ruptura dos corpos cavernosos e até da uretra.
Os dois primeiros sinais são nítidos. Um estalo audível e dor súbita.
A flacidez ocorre instantaneamente. O paciente pode ter dificuldade para urinar ou saída de sangue na urina, o que sugere lesão uretral. Lesões tardias podem apresentar-se como disfunção erétil, desvio peniano ou a presença de uma placa fibrosa. Pode ocorrer extravazamento de sangue para a bolsa escrotal.
À inspeção, o pênis apresenta-se inchado, dolorido e com aspecto de machucado. Pode-se sentir o defeito à palpação, mas normalmente dói tanto que não se consegue examinar.
O tratamento de eleição é a exploração cirúrgica imediata da lesão. A fratura peniana é uma EMERGÊNCIA. Tratamentos não operatórios podem elevar sobremaneira o índice de complicações.
A abordagem mais comum é através de uma incisão circunferencial no pênis, desenluvando-o (mais ou menos como se desencapa um fio elétrico), e assim tendo acesso direto à lesão. Drena-se o hematoma e sutura-se a lesão com fio absorvível. Se houver lesão de uretra, faz-se também o reparo.
Há alguma discussão quanto ao tempo para retorno à atividade sexual, com alguns artigos defendendo que o período de duas semanas é mais do que adequado. Porém, a maioria dos urologistas prefere recomendar um período de 6-8 semanas de abstinência, até para o homem poder se recuperar do trauma psicológico de experiência tão desagradável.
É aquela história, o cara que quebrou a perna numa bola dividida, não vai entrar numa dividida no seu primeiro jogo de volta, não é?
90% dos pacientes evoluem satisfatoriamente após o tratamento operatório, tendo ereções normais e podendo fazer sexo sem dor. O aparecimento de uma curvatura peniana pode ocorrer em até 5% dos casos.
Em 0 a 5% dos casos pode ocorrer disfunção erétil, com causa vascular em 2/3 destes. É importante registrar que seqüelas psicológicas do evento podem afetar a performance sexual da pessoa, também causando disfunção.
Outras complicações mais raras são dor ao coito, priapismo e fístulas penianas, mas felizmente são raras.
Cara leitora, poderia discursar horas e horas sobre o que se passa na cabeça de um homem que perde sua capacidade sexual. Simplesmente é como se nossa masculinidade tivesse sido abduzida de súbito, e isso fala por si só, é capaz de transformar o campeão mundial de Vale-Tudo num frango indefeso pronto para o abate.
É mais ou menos assim que ele está se sentindo
Compreendo porque seu parceiro tornou-se o cara mais inseguro do mundo de uma hora para outra. Apesar de sua pergunta ter sido esta, prefiro me ater à possíveis soluções para o problema.
Porém, me faltam alguns dados para tirar uma conclusão efetiva sobre o que se passa com seu parceiro. A lesão foi tratada cirurgicamente? Ele está fazendo acompanhamento urológico?
O que posso dizer é que nas condições normais de temperatura e pressão, após 3 meses, ele já estaria apto a ter relações sexuais. Então me restam algumas opções a concluir :
1 – Ele está tendo disfunção erétil como complicação pós-traumática. Ou…
2 – Ele está tendo disfunção erétil como complicação psicológica. Não deve ser fácil se recuperar de um evento traumático como este.
E finalizando, em ambos os casos, ele precisa de tratamento, seja médico ou psicológico.
Já que ele tem a sorte de ter uma companheira leal como você está sendo, converse com seu parceiro sobre o que leu agora, e leve-o ao urologista. A melhor solução é procurar ajuda especializada.
Dr Health, que vive zoando os urologistas, pois já ganhou caneta em forma de fêmur num congresso de ortopedia, e quando conta isso para um uro, pergunta : “E você, ganha caneta em forma de quê?”
Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.
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