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Fora do ar por conexões reais

João Pedro Braconi

por
em às | PdH Shots, Relatos


Pode parecer pouco, mas para algumas pessoas ficar três dias sem celular pode ser uma tortura. Quanto mais três dias sem conexão alguma com o mundo. Outros exemplos: um mês inteiro, como o Gitti faz de tempos em tempos, seis meses, como uma vez ficou o Bracht, ou mesmo cometer um facebookcídio como do o Guilherme - se desligando de um mundo que muitos julgam necessário para a própria sobrevivência e evolução social.

Há alguns dias resolvi fazer uma experiência um tanto quanto simples dentro de um mundo do qual eu participo ocasionalmente. Passei três dias em atividade na ONG Um Teto Para Meu País – Brasil.

E dessa vez, só dessa vez, o celular ficou em casa.

Sem sinal, sem bateria e sem conexão

Alguns pontos são “divertidos” na experiência off. O impulso de colocar a mão no bolso procurando o celular para ver se há alguma mensagem, se alguém ligou ou apenas olhar as horas é algo comum. Pensando no que acontece normalmente, a expectativa é sempre maior que a realidade.

A estranha sensação de se ter o bolso vazio e estar separado daquele mundo participativo, colaborativo e de certa forma doente e caótico, some rapidamente. Não sei precisar exatamente quando isso acontece, mas o mundo lá fora fica bem mais colorido e interessante que o da telinha. A atenção aos detalhes, o foco, tudo fica muito nítido ao invés de se perder no excesso de tarefas. Continua-se fazendo inúmeras coisas, mas de forma mais focada e com controle do tempo.

Quantas vezes já ouvimos alguém reclamando que não tem tempo para isso ou aquilo? A verdade é que tudo que temos na nossa vida é o próprio tempo. A gestão dele depende única e exclusivamente de cada um.

O Medo

Tudo nesse mundo tem uma fobia. Aquele disturbio de ansiedade em relação a um medo intenso e irracional. O medo de ficar sem comunicação por meio de aparelhos como o telefone ou computadores é intitulado de nomophobia, não é algo que pode ser levado com desleixo. A necessidade em excesso é como uma droga. Tem gente que fica nu, sem chão, totalmente catatônico ao se desconectar desse mundo secundário.

Nu

Quando vemos uma pessoa tuitando ou postando mensagens no Facebook o dia todo, essa pessoa está claramente dizendo: “no momento da concepção dessa mensagem e na leitura dos comentários posteriormente, eu, de fato, não estou trabalhando”. Salvo algo relacionado ao próprio trabalho, ainda assim, é complicado de se julgar.

Dessa forma, até que ponto essa irracionalidade nos subjuga e atrapalha o andamento de nossos pensamentos para algo mais complexo, interessante e real? Toda vez que quebramos uma cadeia de pensamentos lógicos porque postaram na timeline um gatinho do Shrek, um protesto contra homofobia ou mesmo um bom dia do PapodeHomem, levamos tempo para voltar ao raciocínio inicial e refazer todas as conexões necessárias para chegar ao ponto que queremos e podemos até nunca voltar.

Experimentos para começar

Não precisa passar 20 dias em um retiro espiritual, jogar o telefone para o alto ou tocar o foda-se geral. Pense em pequenos momentos e note a diferença. Agora parece sutil, mas será gritante na experiência.

Feche o Facebook pela manhã e não abra ele durante a tarde. Não acesse o twitter por um dia – você não vai morrer por não saber os trending topics daquele dia – e não acesse no fim de semana. Pare de dar checkin no Foursquare, ao invés disso, apenas olhe as dicas dos locais e ache um interessante. Aproveite o momento. E você, definitivamente, não precisa checar o e-mail de 5 em cinco minuto. O assunto é urgente? Ligue ou fale pessoalmente. Se quiser, depois deixe registrado.

O Resultado

Em um palavra: liberdade.

O respiro que começa a fazer parte da sua rotina

Não olhar o celular a cada minuto e não sentir sua falta dentro do bolso do jeans. Isso é bom. E tem refletido hoje, pois não dependo mais do celular para conviver em sociedade.

Com isso, toda a ansiedade do cotidiano, a busca por resolver tudo no momento em que algo acontece parece pífio dá lugar ao pensamento, concentração, julgamento e a uma tomada de decisão. Dessa vez, ponderada e sobriamente executada.

O Mito e um lembrete

Para quem conhece um pouco de mitologia grega, Teseu foi um semi-deus filho de Poseidon com uma mortal mulher de Egeu. Entre muitos feitos, há a morte do Minotauro. Não entrando em detalhes, Teseu saiu de casa e matou o Minotauro, que residia em um labirinto na ilha de Creta. Mas, na volta para casa, em Atenas, Teseu esqueceu de trocar as velas negras pelas velas brancas, o que indicaria que estava vivo. Se seu pai, quando avistou o navio, achou que ele havia morrido e atirou-se do penhasco ao mar, que então passou a levar o seu nome.

E como todas essas histórias, essa também tem uma moral:

Vai se desligar por três, dez, duzentos dias? Avise seus pais. Devo dizer que o meu ficou bem puto, pois esqueci desse mero detalhe.

João Pedro Braconi

João Pedro Braconi é publicitário. Escolheu a área achando que tudo era um comercial de TV, mas nem passou perto de trabalhar com isso. Safado por natureza, tem sérios problemas com a palavra "namoro", vive correndo atrás de novos projetos e aumentando o seu número de madrugadas sem dormir.


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  • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. R.

    Eu me cansei tanto de spam por sms, que me livrei do celular de vez, e adotei metodos “alternativos” de comunicação. Não estou sentindo falta dele. No trabalho o tel. fixo resolve tudo de boa, e o restante por e-mail.

  • Jean Nascimento

    Belo post! Sei como é…fiquei 18 dias sem celular justamente no Peru para ir a Machu picchu! hahaha :-)

    70 reais para habilitar roamming…bye bye celular!

    • http://www.cafecomblogueiros.com.br/ João Pedro Salles Braconi

      Fiz o mesmo quando estava em mochilão pela Bolívia e Peru, em 2009, mas na época, utilizava, ao invés do celular (yep, roaming fode a vida), computadores em hostel. Era a necessidade de compartilhar cada momento, cada passo. Lembro que na época, mandei quase todos os dias um “e-mail-diário”, para amigos e familiares.

  • Mateus Linhares

    Nessa semana cometi um facebookcídio…. A vida é muito boa sem a pressão de ser curtido, compartilhado, compartilhar, postar…sem ter que saber o que todo mundo está fazendo ou sentindo…Acredito que essa experiência fez eu sentir o mesmo que você quando sentiu seu bolso leve, livre, sem o fardo pesado do celular… Achei que as memórias póstumas do meu “avatar” seria sofrido… Estou muito melhor sem minha vida virtual. Essa vida de agora, a real é muito mais VIVA!!

    • http://www.cafecomblogueiros.com.br/ João Pedro Salles Braconi

      É incrível como o número de Facebookcídios, tweeticídios e outros “cídios” tem crescido. Além do número de pessoas em uma contracorrente a fim de viver algo não virtual e voltar ao mundo.
      É real o fardo que levamos com isso de carregar o celular, estar sempre conectado, responder e-mails e mensagens de madrugada (como estou fazendo nesse momento pois falta-me o sono :p). Se repondemos algo de madrugada, atendemos telefonemas de trabalho após o dito horário comercial, as pessoas se acham no direito de cobrá-lo por respostas durante eses período também. A realidade parece triste, mas tem salvação =)

    • Kleber

      Cometer facebookcidio é facil , ficar sem celular tambem , quero ver aqui quem fica 1 mes sem tv e sem internet isso sim é um desafio.

      • Leitor

        Concordo. Televisão eu só assisto Two and a Half Man e não vejo porque me privar disto.

      • Leandro Terra

        Já passei sete meses sem televisão, não fez falta nenhuma. O máximo que vejo hoje é a apresentadora gatinha do Bom Dia Brasil.

      • http://www.facebook.com/gregorio.manoel.9 Gregório Manoel

        Tv só futebol. Não sinto falta. Internet eu viajo e fico sem numa boa. A ansiedade dá é quando vc tá esses apetrechos à mão e tem que se segurar. Se vc se livra deles, mesmo que temporariamente, vc começa a perceber que eles não eram tão necessários assim.

      • Junior

        Ficar um ou dois meses sem ver tv pois “só tem porcaria” é o supra sumo do clichê, “mamãe eu não sou alienado”. Tem porcaria e tem muita coisa interessante e se você não consegue enxergar nada interessante a ponto de partir para o radicalismo de abolir completamente o uso da tv, talvez o problema esteja com você não com a programação.

  • http://twitter.com/kelpie_deb Debora Rodrigues

    Sabe essa sua liberdade? Pra mim é a internet. Por exemplo, se preciso muito falar algo importante com determinada pessoa (que mal vê a importância), se isso for ao vivo, reúno todas as minhas forças e começo a falar sobre o tempo, ou a chorar, ambos bem efetivos. Sei que posso perder muitas coisas com essa mania (inclui-se “viver”), mas não consigo, é coragem demais pra mim. Só que as coisas sempre podem piorar. Essa vergonha faz a transição e eu apago ou refaço uns 8392 comentários para esse ou outros blogs. E não, esse não vai chegar a lugar algum (apesar de te-lo refeito algumas poucas vezes), só queria mesmo dizer que essa sensação de ser livre pode, facilmente, se ligar com o habitual e você ficar mal com algo que era pra te faz bem. Ser social pode matar, haha xDD

    • Leitor

      Débora, você deve levantar sua autoestima e não avaliar as coisas que você precisa falar como menos importantes. Fale ao vivo e enfrente esse medo. Mesmo que não seja tão importante pra elas como pra você, botar pra fora já ajuda bastante. Você está pensando demais e muito preocupada com o que os outros vão pensar. Pra que isso? As pessoas estão vivendo a vida delas também e não, a vida delas não gira em torno do que você disse ou deixou de dizer. Não seja tão anti-social, porque não começa uma mudança?

  • don luidi

    Uma reflexão bem interessante. Hoje no mundo moderno onde vivemos as pessoas cada vez mais ‘precisam ser vistas no mundo virtual’, tudo está sendo virtualizado com o advento de novas e poderosas tecnologias. Particularmente sou avesso a redes sociais like Tweeter and Facebook, pois virtualmente podemos demonstrar que somos um tipo de pessoa (corajosa, culta, inteligente), agora olho no olho as coisas são bem diferentes.
    Trabalho diariamente com tecnologia, mas estou forte na minha decisão de desligar-me do mundo virtual fora do expediente de trabalho e finais de semana (por estas e outras que não tenho computador em casa, meu celular é um ‘celular’ apenas e TV nem pensar). Lembro-me que meu primeiro celular adquiri aos 26 anos de idade quando vim pra Curitiba. Mantenho um blog pessoal apenas pra ‘eternizar’ lembranças da minha vida.

    Creio que não devemos ser ortodoxos ao extremo, mas, ficar a cada 5 minutos fuçando o celular enche o saco.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001069182188 Bruno Althoff

    Tento me desligar gradativamente das coisas…
    Antes, usava o RockMelt, com tudo ligado, chovendo “novidades” de todas as timelines possíveis e muitas janelas de talks piscando..
    Depois, mudei para o Chrome, onde automaticamente abria o Fb, Gmail, Grooveshark e Google Calendar.
    Depois disso, passei a usar o Pomodroido (técnica já comentada aqui no Pdh, para manter o foco em algo específico). E está sendo muito bem útil. O Chrome só abre o Google Calendar, e to pensando em mudar para uma agenda de papel mesmo.

    O meu caso é a necessidade de resposta instantânea, e estou ‘tratando’ de maneira caseira mesmo… Meu tempo online, apertando f5 no navegador era absurdo…

    Tenho como próximos objetivos desligar o 3G do celular, e

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001069182188 Bruno Althoff

    Tento me desligar gradativamente das coisas…
    Antes, usava o RockMelt, com tudo ligado, chovendo “novidades” de todas as timelines possíveis e muitas janelas de talks piscando..
    Depois, mudei para o Chrome, onde automaticamente abria o Fb, Gmail, Grooveshark e Google Calendar.
    Depois disso, passei a usar o Pomodroido (técnica já comentada aqui no Pdh, para manter o foco em algo específico). E está sendo muito bem útil. O Chrome só abre o Google Calendar, e to pensando em mudar para uma agenda de papel mesmo.
    O meu caso é a necessidade de resposta instantânea, e estou ‘tratando’ de maneira caseira mesmo… Meu tempo online, apertando f5 no navegador era absurdo…
    Tenho como próximos objetivos desligar o 3G do celular, e tentar sair sem ele.

  • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

    Demais!

  • http://www.facebook.com/guerrafelipe Felipe Guerra

    AEUUHAEHAHUEHUEHUE fechamento genial!

    Eu fico preocupado quando as pessoas tornam esses distanciamentos às tecnologias um evento milenar. Faz parecer que elas realmente são muito viciadas e dependentes. E, muitas vezes, creio que elas fazem mais alarde do que tentam, de fato, aprender algo com essa “vida nova”. Algo do tipo ‘vejam só, eu sou diferente e descolado por estar fazendo algo épico, e também estou me libertando, enquanto vocês são todos manipulados e viciados’…

    Faz parecer, na verdade, que essa turma tá saindo das mídias sociais só pra voltar depois postando algo diferente, do tipo ‘passei moh tempo longe do Facebook rsrsrs lesgau srsrrssr’ e ganhar audiência…

    • http://www.cafecomblogueiros.com.br/ João Pedro Salles Braconi

      acho que no fim das contas, não precisa sair de tudo, 100%. Mas a questão é como utilizar tudo para te ajudar e não te prejudicar. É aquela questão do “tudo em excesso…” =)

  • http://www.facebook.com/people/Augusto-Bernardes/100000029133755 Augusto Bernardes

    Lembro do tempo em que meu computador tinha quebrado. Fiquei uma semana desesperado para consertar e poder checar meus e-mails e meu facebook.
    Passado esse tempo, não precisei mais dele quando arrumei. Pelo menos no inicio.

    Foram belas duas semanas sem meu computador. Apenas aproveitava meu tempo….

  • Luiz Felipe

    Só corrigindo, o mito de Teseu tem mais de uma versão (como todos os mitos gregos) mas o que fala do suicídio do pai, afirma que ele é filho de Egeu, e não de Poseidon. Faz sentido ao analisar que Poseidon jamais se suicidaria jogando-se no mar. Afinal, é o deus do mar e também imortal como todo deus que se preze. Assim, Egeu se joga ao mar por achar que o filho morreu, daí o nome “Mar Egeu”.Ótimo texto, abraço

    • http://www.cafecomblogueiros.com.br/ João Pedro Salles Braconi

      true.. muitas versões da mesma história. Sim, queria dizer isso – Teseu, filho de Egeu, no caso do nomeamento ao mar. =)

  • cácyla

    texto leve, gostoso…faz pensar que, como tudo na vida, o segredo é o equilíbrio… adorei o lembrete, ri muito…

  • cácyla

    texto leve, gostoso…faz pensar que, como tudo na vida, o segredo é o equilíbrio… adorei o lembrete, ri muito…

  • gordo

    Me causa repulsa ler textos desse tipo. Parece que estamos em 2050, com plugs atrás do crânio, vivendo num mundo virtual de dopamina. Parece que as pessoas tentam tornar tudo mais complicado do que realmente é. Será que é tão difícil assim desligar o celular e prestar mais atenção no que deveria estar sendo feito?

    Não quero criticar o autor, porém esse tema tem pipocado por aí ultimamente, mostrando uma tendência meio assustadora. Não é novidade pra ninguém que nas redes sociais você é a mercadoria, onde te oferecem algum ‘serviço’ (o contato ‘social’), num formato viciante, recebendo em troca seu consumismo zumbi.

    Substitua as redes sociais no texto por ‘cigarro’. Ele ainda faz sentido, só é um pouco mais batido. Veja bem que nem todo leitor fuma. E fumante gosta de fazer propaganda pros amigos quando fica 1 semana sem fumar.

    • Leitor

      ae gordo, vai fazer um regime vai kkkk

    • Nina

      O engraçado é que há 15 anos não havia nada disso e as pessoas viviam.
      Tenho amigos que pausam diversas vezes séries de uns 40 minutos (no máximo) para chegar facebook/twitter, além de ser irritante é meio assustador.

      • Nina

        *checar

  • Chicão

    Antes de mais nada, parabéns ao pessoal do PdH pelos ótimos textos.

    Assim como o Matheus Linhares, também cometi ‘facebookcídio’ essa semana: pra ser
    mais exato, há 3 dias. Me sinto mais leve e, obviamente, com mais
    tempo para CURTIR a vida real.

    Achei muito legal as sugestões contidas nesse post. Mas para que eu possa colocá-las em prática preciso que vocês do PdH parem de publicar essas excelentes reflexões, pois só assim poderei ficar alguns dias sem acessar o meu Google Reader (acesso pelo smartphone). Combinado?

    Saudações.

  • Polygall

    Infelizmente texto assim tem, cada vez mais, feito sentido em nossa realidade. Fico pensando o qto isso há 15 anos atrás seria um absurdo “desligue o celular e viva a vida!”. Em contrapartida, adorei o texto (já que a nossa realidade é essa mesmo) e já tenho experimentado anualmente esta delicia. Inicialmente, confesso que ficar sem o meu celular me dava agonia…(aaaa)…até perceber que não foi tão ruim, alias, foi bom..ou melhor…super bom. Hoje confesso que, viajar para algum lugar que o meu celular não funcione me dá até um tesão indescritivel. Ahh…era da informação!!!

  • CDP

    Eu já achava o Facebook um sofrimento e perca de tempo tremendos, não entendia como acompanhar aquilo melhoraria minha vida. Achava que por lá conseguiria fazer mais amigos, mas no fim só eram números, pois o pessoal que eu tinha contato físico continuava o mesmo.
    Nem consigo imaginar essa galera que tem twitter, facebook, foursquare, tumblr, flickr, celular, smartphone, android, bla bla bla.O máximo que usei foi Facebook e um dia resolvi apagar tudo de vez, nada de desativar, apagar mesmo. Não olhei mais pra trás.Não entendo essa fixação por uma avalanche de informações inúteis. Ouço cada desculpa para esse consumo desenfreado que não está no gibi. Pessoas reclamando da falta de tempo, mas quando chegam em casa começam com aquele monte de compartilhamento no Facebook. É o fim do mundo.

  • Leandro Terra

    Cara, dei pala do seu exemplo mitológico pra lembrar de avisar os pais, hahahaha!

  • http://ronierigomes.carbonmade.com/ Roni Gomes

    Na semana passada eu fui forçado a me desprender do meu smartphone. Fui ao encontro nacional dos estudantes de design, em BH. Ficamos no cefet e acampamos no gramado de um campo que tem lá. Havia em torno de 1500 pessoas. Meu celular, como quase todos smartphones, descarregou em um dia. E como estávamos acampados no campo do cefet, eu tinha que arrumar uma tomada dentro do prédio pra carrega-lo. Porém eu tinha que ficar do lado dele esperando carregar, pois havia muita gente circulando e eu não arriscaria em largar celular lá. Como eu não queria fazer isso, resolvi larga-lo na mala e esquece-lo.
    Pronto, vivi a semana mais divertida da minha vida, mais tranquila e sem preocupação, sem cabeça cheia, sem compromissos, sem notícia de mortes, assaltos, estupros etc. Esquecemos do mundo lá fora e focamos na galera que estava conosco. Tinha gente do Brasil todo. Fizemos amigos em todo canto do país. Curtimos pré festas, festas, pós festas, palestras, workshops, oficinas, mesa redonda e todas as outras atividades do evento.
    Foi uma experiência incrível. Quero repeti-la mais vezes. Vale muito a pena.

  • Fita

    Na moral, eu até entendi a sua posição perante ao tema, porém eu vi um certo radicalismo da sua parte.

    Eu vou além, eu digo que hoje é quase impossível viver sem um celular.

    - O Pedrão, vamo na balada ás 23:00 ?
    - Fecho cara, 11 hora eu to lá.

    - Caralho, perdi a porra do metrô, e agora ? Procurar um orelhão e ligar a cobrar ?

    O problema não é o celular, o problema tá na em quem opera ele. Porra, celular serve pra fazer ligação e mandar sms.

    Eu me sinto um privilegiado pelo fato de não fazer uso de nenhuma rede social. É lamentável a situação que a maioria das pessoas se encontram atualmente, levam a vida em função da vida alheia. Graças a deus existem livros, PDH, etc….

    • http://www.cafecomblogueiros.com.br/ João Pedro Salles Braconi

      Não foi radicalismo, apenas citei uma situação pela qual passei para trazer algo à tona. Se reparar, uma das minhas sugestões é a seguinte: “Pare de dar checkin no Foursquare, ao invés disso, apenas olhe as dicas dos locais e ache um interessante.”.. não precisa largar o celular e nem se desligar do mundo pra sempre, mas fazer isso é bem interessante ;)

  • Felipe

    Achei o texto realmente interessante. O assunto está em alta pelo simples fato de ser verdade.
    Eu uso meu celular mais para jogos, pois atualmente não recebo muitas ligações ou mensagens de texto. Acho bem fácil a ideia de deixá-lo jogado na mesa.
    Com computador estou tendo uma experiência parecida: passo o dia fazendo coisas proveitosas como desenhos, corridas diárias, e outras atividades que fazem o tempo passar sem a preocupação de estar conectado. Deixo pra olhar uma vez no dia. Estou me dando essa folga pelo fato de estar de férias. Mas não posso me desligar do facebook como muitos estão fazendo, pelo simples fato de que eu preciso dele para coisas realmente importantes. Trabalhos de faculdade, assuntos relacionados a bolsas e outras coisas do tipo são discutidas lá e somente lá. Professores, secretários e muitos outros transformam o facebook em uma ferramente necessária para o convívio acadêmico. É por isso que não acho que o problema seja essa ou aquela rede social, mas sim quem usa e como usa. Eu tiro um tempo pra organizar coisas do tipo (ainda estou organizando), mas acho que vale a pena, da mesma forma que era feito antes com agenda, números de telefone e contas de email.

  • Luciana_Marques

    A temática não me toca pessoalmente, mas o texto… ah o texto… Delicioso final.

  • http://www.notsosweet.com.br/ Magê Ciconello

    Queria cometer facebookcídio, mas recentemente comecei a usá-lo para um projeto pessoal, como forma de divulgação. Nunca fui viciada em celular e comprei meu primeiro smartphone neste mês. Não curto twitter, acho que é uma máscara virtual onde muitos frouxos se fazem de corajosos. Recentemente abdiquei da televisão (canais abertos e fechados), consigo passar alguns dias sem assisti-la. Por que fiz isso? Tenho no máximo quatro horas da minha noite para: escrever meu livro, cuidar do meu blog, ler um livro em inglês dificílimo e que me obriga a abrir o dicionário a todo momento e assistir a filmes antigos que baixei. E conversar com meus amigos e minha irmã.

  • Pingback: Links de Macho | Mucho Macho

  • Gabi

    Larguei emprego estável e ia cair no mundo, procurar retiro, mosteiro… até que ouvi “você é um imbecil, procura externamente a paz que já está em você”.
    Desde então minha vida é quase monástica, só não digo que é 100% porque às vezes acesso a net e saí com um cara nesse período (afinal sou humana, demasiado humana). Não pago contas em casa e isso FACILITOU muito e o máximo que gasto é com itens de higiene, nesses últimos meses não tenho grana nem para o ônibus, casos seja necessário sair, fui me virando com o que havia na poupança (nem era tanto assim). Cheguei a um estado de paz que eu não conseguia explicar, e meu irmão que acada de comprar seu segundo apartamento, tem carro zero me disse que tá “entrando em depressão”.
    Eu não tenho nada… um grande período sem comprar nada, cinema, ver amigos…
    e estou compreendendo o que os lamas e outros mestres dizem, tudo é ilusório.
    Em agosto ficarei sem internet, sem contato apenas meditando, não sei por quanto tempo, não será longo pois tenho que voltar a trabalhar, a vida real, as contas me chamam… depois de quase 1 ano e meio vivendo com o mínimo possível.

    A conclusão que eu cheguei nesse período é que a gente tem mais do que precisa (isso é até óbvio) e parece que estamos sempre em estado de tensão, por mais “relaxados” que aparentamos estar.
    Quando a gente muda a percepção as coisas são inacreditavelmente são diferentes.
    Observei todos os meus “mecanismos”, todas as minhas muletas, não teve nenhuma fórmula mágica, mas a vida é boa, é só a gente tirar os óculos escuro que faz a gente ver tudo cinza.

    Antes que alguém comente que sou privilegiada ou que minha vida é um mar de rosas, já me antecipo dizendo que não é. São escolhas, eu escolhi isso por um período, teve vantagens e desvantagens como tudo na vida.

  • Héraclis Vancerli

    Na boa, pra mim é natural passar um dia sem Facebook e ver q as pessoas tem que se “desafiar” pra ver q tem vida fora da internet me assusta.

  • http://www.facebook.com/roberto.leones.96 Roberto Leones

    Muito bom o texto e o conselho! Sou desprendido do celular e frequentemente o esqueço em casa! =D

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