Eu sempre soube que seria um campeão!
Se pega-pega e esconde-esconde contarem como esporte, posso dizer que minha carreira atlética começou aos 6 anos, nos idos tempos do jardim de infância, na escolinha Carrossel.
Lá foram plantadas as sementes de um campeão.
Meu pai era daqueles entusiastas de carteirinha, me matriculou em tudo quanto é modalidade, na esperança de colher frutos e glórias para a família.
Com 10 anos, eu já praticava Judô, sendo jogado verticalmente a distâncias não muito saudáveis para um menino da minha idade. Foi quando descobri que o impacto com o chão dói muito. Daí pra frente passei a evitar qualquer combate de pé. Minha tática era sempre jogar o oponente no chão. Como eu era menor e mais ágil, acabava me dando bem quando a briga caía nesse território.
Vai, me chama de Mestre Supremo do Universo senão te enforco!
Em todo caso, não foi exatamente essa a minha praia, e deixei os tatames na faixa azul.
Senti o chamado do oceano e resolvi praticar natação no Minas Tênis Clube – que todo mineiro conhece. Descobri ter séria aversão a piscinas geladas antes das 8 da manhã, o que certamente deve ter influenciado no meu não-progresso nessa modalidade. Crawl, borboleta, costas, aprendi tudo, mas nunca me posicionava bem nas corridas.
Minha grande alegria foi descobrir o nado Peito. Devo ter puxado do meu pai pernas desproporcionamelmente grossas. Toda força que não tinha no bicéps foi realocada para as coxas. Eu nadava em 30min o mesmo tanto que os trogloditas nadavam fazendo Crawl. Me rendeu uma medalha de prata, teve bom mas ainda não era isso.
Eu era um peixe, só faltava nadar como um
Próxima parada, o futebol. Paixão nacional.
Ah, agora sim eu precisava me encaixar. Não tinha como dar errado nessa. Se o meu lado peixe e as aspirações de Bruce Lee não encontraram o sucesso esperado, a redondinha ia ser minha redenção.
Quando ela se aproximou de mim pela primeira vez, senti uma emoção percorrendo a barriga, aquele pressentimento de que fomos feitos um para o outro, visualizei um drible espetacular, seguido de um passe redondo para meu companheiro que estava no ataque…
Foi lindo. Pena que meus pés não acompanharam o raciocínio.
No segundo treino já assumi nova posição, e nome. Zagueiro. Sim, ninguém sabia meu nome, era assim mesmo que me chamavam. Mas como sou orgulhoso pra caralho, decidi que ia ser o melhor zagueiro. E fui. Nenhum atacante passava por mim junto com a bola, ficava um ou o outro.
Resolvi dar um tempo nas aspirações esportivas, que só foram retomadas nos meus 19 anos, quando estava de intercâmbio em uma estação de Ski em Idaho, noroeste dos EUA. O lugar é tão gelado que parece ter sido esquecido pelos deuses. Mas foi lá que me encontrei com a prancha de Snowboard.
Um tesão de esporte. Aprendi na raça, sem aulas. Tomei tombos a rodo, fiquei com o cóccix dolorido por semanas. Minha natureza cautelosa foi dando lugar a uma inesperada agressividade – nada como fazer snowboard depois de uma jarra de cerveja no ar rarefeito, libera os espíritos.
Na última semana de estádia chamei meus dois amigos cariocas para uma corrida, quem chegava na base da montanha mais rápido.
Um era o psicopata e outro o sem-noção. Conhecidos pela absurda velocidade com que andavam. E eu era o mineirinho confiante. Assumimos posição e partimos, na pista mais inclinada. Saí disparado, com Mp3 no talo, me achando o futuro Tony Hawk da neve.
Começou o trecho inclinado, não via ninguém a frente, estava liderando. Foi então que surgiram dois pirralhos eskiando como tartarugas, fazendo curvas logo à frente. Fui prum lado, eles foram, voltei, tentei retomar o controle.
Acreditem ou não, esse aí sou eu de verdade
Não deu. Voei, voei alto. Aterrisei no ombro direito, deu até pra escutar o estalo, parecido com aquele som quando você móe uma castanha. Direto pra ambulância, hospital, raio X, o circo completo. Mas pra mim tudo valeu a pena, eu estava em primeiro e na minha cabeça sempre vou ser o vencedor daquela corrida!
Gostar de esporte como eu, só o Cleyton. O garoto-propaganda da promoção da rede de lojas esportivas Bayard “Minha Vida é Esporte”. Eles fizeram um concurso no qual você manda um vídeo ou qualquer obra audiovisual – vale powerpoint, flash, animação, depoimento em webcam, vídeo da sua máquina fotográfica – de até 3 minutos e concorre a três pacotes do caraleo animais.
a) Tênis + balada em Miami;
b) Rugby + bungee jump na Nova Zelândia;
c) Futebol + tour cultural em Madri.
Os três mais votados levam, então ainda dá tempo.
E a PapodeHomem quer levar um leitor nessa
Entre no site da promoção para ver como fazer e mande brasa. Depois que fizer sua produção, envie também para mim no guilherme@papodehomem.com.br .
Vou fazer um novo post divulgando as obras de todos os leitores da PdH que participarem. Nós vamos votar aqui via comentários e escolher a melhor. Essa escolhida vai receber um novo artigo convocando todos os leitores a votar nela!
E para os que não vão produzir nada, visitem o site da Bayard e assistam aos primeiros 10 segundos do vídeo que carrega automaticamente.
Vocês vão conhecer o Cleyton, o filho bastardo que o Rocky Balboa deixou no Brasil, e hoje é apaixonado por esportes.
Criador da PdH. Valoriza os bons amigos, boas cervejas e o trabalho. Baixa tolerância a papo furado e idiotas.
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