É exatamente isso. Gostosaaa. Com três a´s. Por que? Porque você é muito.
Quero te chamar de gostosaaa. E eu sei que você vai gostar.
O que me impede? A defesa automática. O medo. O drama. A simples possibilidade de rejeição. Ou até a possibilidade de um tapa na cara.
Afinal, até onde vai a coragem? O pronunciado linguístico capaz de transmitir um desejo, seja ele real ou apenas um reflexo do seu estado alcoólico, é uma prática antiquíssima que separa os homens machos dos homens comuns. O gostosaaa nada mais é que uma cantada sem grande desenvolvimento. Uma cantada de raiz, moleque, tradicional e, especialmente, sincera.
Chamar uma mulher de gostosaaa trata-se do ato de esquecer tudo que há em volta e expor-se ao ridículo da negativa ou gloria da reciprocidade. A linha tênue entra a fantasia realizada e desespero de um amor perdido pela impaciência e… medo. Ah, o medo. Medo? Sim. Cantada é sinônimo de impaciência. Impaciência de horas, dias, semanas de “papo furado” para alcançar a conquista.

Quero olhar nos teus olhos e falar que sou apaixo... nossa, que bunda
Raros são os casos de cantadas perfeitas. Os que discutem e listam cantadas infalíveis são os mesmos Dons Juan do futuro do pretérito condicional. Ou seja, aqueles sujeitos que dizem o que fariam e nada fazem. Apóiam-se nesses poucos segundos de fraqueza transformada em motivação, sabe-se lá porque, para agir e mandar o gostosaaa. Antes de atingir o troféu, é preciso conhecer o caminho. E, acima de tudo, estar apaixonado por esse ideal. O sonho nos motiva, posiciona e, principalmente, influencia no momento certo de abrir a boca.
Eu não tenho nada contra chamá-la de gostosaaa. Muito pelo contrario, adoraria. A insegurança, jamais, deve sobressair a vontade. Quando falar? Jamais saberemos. Mas sim, sentiremos. Seja com um frio na espinha, um sorriso, um olhar que esquenta seu peito, são essas sensações inexplicáveis que devem ser tratados como ponto de partida para as palavras e reações que traduzem um “não preciso de mais nada nesse mundo”.
Vou olhar nos teus olhos e te chamar de gostosaaa.
Eu sei, eu juro que sei que você vai gostar.
Se não gostar, foda-se.
Continuarei te achando muito boa.
Fred Fagundes é editor do Papo de Homem, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Quem Matou a Tangerina?". Twitter: @fagundes.
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