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Elly Nowell está pouco se fodendo para a Universidade de Oxford

Rodolfo Viana

por
em às | Artigos e ensaios, Mundo, PdH Shots


A Universidade de Oxford é a quinta melhor do mundo e a segunda mais bem conceituada do Reino Unido, de acordo com o ranking QS Universities. Mas Elly Nowell está cagando para tudo isso. Na semana passada, depois de ser convidada para tentar uma posição na instituição – apenas sete alunos britânicos conseguem esta façanha por ano – e ser entrevistada para ocupar uma das vagas da prestigiada escola de direito de Oxford, a Magdalen College, a jovem de 19 anos escreveu uma carta à direção – 50% jocosa, 50% séria – rejeitando Oxford como sua universidade.

Parodiando cartas que geralmente Oxford envia aos alunos que não conseguem uma vaga, Nowell escreveu:

“Eu considerei a sua instituição como um lugar para aprender direito. Verdadeiramente lamento informar que estou retirando minha candidatura à vaga. Acredito que você possa estar desapontado com esta decisão, mas você estava concorrendo com muitas outras universidades fantásticas e, de acordo com a sua entrevista, receio que você não esteja em concordância com os padrões das universidades que eu estou considerando.”

Pode soar a orgulho, pedantismo ou arrogância. Mas Nowell, à BBC, afirmou que a entrevista fez com que ela se sentisse como “a única ateia em um grande monastério”. Em texto publicado no The Guardian, ela explica sua motivação:

“Não quero estudar direito porque quero ser rica ou usar uma peruca e uma toga desconfortável. Quero estudar direito porque tenho interesse na justiça. Para mim, retirar minha candidatura à vaga de uma instituição que é símbolo de desigualdade em ambos os nossos sistemas educacional e legal faz todo o sentido, e eu não desejo fazer parte de um sistema dominado de maneira tão ostensiva por um pequeno grupo de elites auto-seletivas.”

Enquanto tantos desejam fazer parte de alguma elite, Nowell foge delas. Talvez seja uma menina a ser admirada. Ou internada.

Rodolfo Viana

É jornalista. Torce para o Marília Atlético Clube. Gosta quando tira a carta “Conquiste 24 territórios à sua escolha, com pelo menos dois exércitos em cada”. Curte tocar Kenny G fazendo sons com a boca. Já fez brotar um pé de feijão de um pote com algodão. Tem 1,75 de miopia. Bebe para passar o tempo. [Twitter | Facebook]


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  • Geraldo Franca

    Mandou bem. 

    Apenas ficou confuso o início do trecho:  ”e eu sou não desejo fazer parte de um sistema…”

    • Rodolfo Viana

      Ops. Falha minha. Já corrigi. Valeu.

  • http://www.facebook.com/naldocosta Ronaldo Costa

    Ela pode até ser doida, mas que está sendo admirada e invejada por muitos que não tiveram essa coragem ou aspirantes ”excluídos”. Com certeza está!

  • http://tenholaminhasduvidas.blogspot.com/ Marcelle Gália

    Hum…não me parece caso de internação, nem chega a ser caso de admiração. Por que aclamar a menina? Pq fez o que todos deveríamos fazer diante das nossas insatisfações? Confrontá-las? Ok, a garota foi corajosa ao se negar a fazer parte de um grupo tão seleto, e, de acordo com o descrito, não foi por se achar melhor do que ninguém. Pelo contrário, foi por um conflito ideológico. Bom pra ela.
    Também abandonei uma universidade muito boa – nem perto de ser Oxford, mas universidade pública no Brasil quer dizer algo, né? – por não atender as minhas expectativas morais, ideológicas etc.

  • http://twitter.com/giooz Giovanni Zapparoli

    Acho que caso de internação são os playboyzinhos que a gente vê por aqui, que o pai paga o que tem e o que não tem pro filho poder frequentar uma faculdade com algum nome enquanto o filhão tá pouco se fudendo pra isso. No caso dela, só apoio a decisão de dizer ‘NÃO’ pra algo quando isso vai contra o que voce acredita/quer.

  • Rodolfo Viana

    Minha escola é a rua.

  • Priscila Ferrari

    Boa garota! Escolas, universidades (alias, o governo todo) deveria parar de misturar as bolas de educação e religião. Eu faria igual (exceto pela parte de ser um cranio pq, infelizmente, não deu nessa vida).

  • Kimberly Sanchez

    Nossa… achei muito digna a atitude dela. Não por ter deixado a Oxford, mas por ter a coragem de seguir o seus ideais sem se importar com padrões.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Dúvida: o que exatamente torna a Oxford símbolo da desigualdade nos sistemas educacionais e legais?

    Pergunto pois gostei bastante da história e ela tem um puta apelo quixotesco, mas sou capaz de trucar quantos dos 83 likes são de pessoas que sabem algo sobre a Oxford – além do fato de ser uma universidade de renome internacional.

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Confesso que eu não entendi muito bem qual é a dela.

    Ela diz que não quer fazer parte de uma elite seletiva, mas ela está fazendo exatamente o que critica: sendo seletiva

    Uma coisa é fazer parte de um grupo de elite. Outra é cursar uma puta faculdade de alto nível. Parece ser tudo a mesma coisa, mas não é.

    Fato: ela rejeitou uma chance que não aparece todo dia na vida de alguém, em nome de uma crença que não faz muito sentido. Ela poderia perfeitamente cursar a faculdade foda e lutar de alguma maneira para corrigir as desigualdades que ela encontra por aí. Aliás, o que mais tem em faculdade é aluno fazendo parte de algum projeto para tentar tornar este mundo um lugar um pouco melhor.

    Pra mim foi um gesto de ingenuidade. Mas vamos ver os próximos capítulos. Tomara que outras chances apareçam pra ela.

    • http://tenholaminhasduvidas.blogspot.com/ Marcelle Gália

      Rafa, vamos considerar que ela foi uma das 7 pessoas selecionadas em TODO o Reino Unido. Potencial ela tem. E a própria carta debochada à universidade diz: ” você estava concorrendo com muitas outras universidades fantásticas”. Oxford não é unanimidade. Ela pode fazer a diferença em outro lugar.

      • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

        Concordo. Potencial ela tem. Convites não faltarão, embora ela possa sofrer algum boicote depois desta demonstração.

        O problema é que ela criou uma armadilha pra ela mesma. Os cursos bons, com professores bons e boas instalações são justamente as instituições elitistas que ela tanto critica. Não tem como fugir disso.

        Ela mandou Oxford pastar. Mas se entrar pra, digamos, King’s College, dá na mesma

      • http://tenholaminhasduvidas.blogspot.com/ Marcelle Gália

        Rafa, concordo contigo em boa parte, mas prefiro não generalizar. Toda instituição de elite é necessariamente esnobe? Chamo de esnobe a exemplo do trecho em que a estudante cita “não desejo fazer parte de um sistema dominado de maneira tão ostensiva por um pequeno grupo de elites auto-seletivas”. É apenas uma peculiaridade da instituição.

      • Luca

        King’s College dá na mesma? As únicas universidades britânicas que batem de frente com o Oxford são Cambridge e University College, London. King’s College, Queen Mary, University of Edinburgh etc vem bem depois.

    • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

      eu também me questionei quanto ao objetivo dela.
      Quanto À universidadde ser uma instituição seletiva, eles não cometem nenhuma injustiça. Eles defendem seus interesses, que é formar a nata dos alunos ingleses ( seja pela inteligência ou seja pela grana), e eles não aceitariam qualquer alma bem intencionada só porque ela quer se formar em Oxford. É um mecanismo de seleção, como qualquer outro na vida, quase um Darwinismo.
      Ela pode tentar fugir disso, mas essa seleção existe em todos lugares.

  • http://www.facebook.com/viictor7 Victor Alexandre

    Escolha sensata. Ela seguiu seus ideais, sua visão de mundo e conceitos. Já que a Oxford não atendeu as exigências… Dançou!
    Não é todo mundo que toma esse tipo de decisão. Muitos, abririam mão de seus ideais para ter uma chance como esta.
    Bem que ela podia ter aceitado a vaga. Depois de estar lá, tentar lutar pelo seu ponto de vista, por aquilo que ela acha certo. Mas, não deixa de ser uma escolha correta, visando o caráter.

    • Luca

      Oxford dançou? Nossa, fecha a universidade, perdeu essa aluna fenomenal, certamente é a falência dessa pobre instituição com mais de cinquenta prêmios Nobel.

  • http://www.facebook.com/valsortiz Valquíria Sampaio Ortiz

    Quem disse que para fazer diferença é preciso se anular? Acredito que foi isso que ela quis mostrar. Oxford é uma universidade renomada, fato, mas depende do que se busca: status? Poder? Elitismo? Ninguém perguntou à ela o que ela busca em uma universidade, portanto, estamos especulando sobre as razões da moça.

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu acho que se ela é o tipo de aluno que foi selecionado através de um processo de alto nível como o mencionado e não concorda com a ideologia da universidade, ela tem mais é que é que procurar outra universidade mesmo. Dificilmente irá faltar vaga para ela.

  • Palermo

    Pessoal, vamos concordar, ela pode ser uma idiota, mas teve atitude.
    na minha Humilde opinião, esta menina tem colhões, mas vamos aos fatos.
    Ela nao deseja estar envolvida no sistema, ok! mas ela deve aprender como funciona o mesmo …
    Ela não que estar em uma das melhores universidades ? fala sérioooooo, jogou a oportunidade de aprender com os melhores, e tornar-se uma “pika das galáxias”…ela não precisa fazer parte do sistema, ela pode faer o sistea da forma como ela deseja.
    bastava apenas entrar e mudar as regras depois de formada.

  • http://twitter.com/TabaCruzFilho Tabaquara Cruz Filho

    Eu não sei se teria culhão pra fazer o que ela fez, sinceramente.

    Não sei se o que ela fez foi inteligente ou não, ou se o nome disso é loucura, coragem ou um pouco dos dois (talvez uma mistura desajeitada e muito tosca das duas coiass), mas sei que é de se impressionar pela fibra em devolver uma resposta assim à universidade.

    Eu espero que essa fibra não se perca e que ela consiga atingir com todos os méritos os objetivos dela, sejam quais forem!

  • Entropia

    Hum, usa “elite” como termo negativo e acha que desigualdade é necessariamente injustiça…. Esta mentalidade explica muito o ocaso da Europa contemporânea. Pelo menos a carta aberta à Oxford foi bem-humorada e valeu como catarse para os peruanos (rs). 
    Será que ela também irá renegar sua nacionalidade e se radicar no uruguai? tendo em vista ela  pertence sociedade inglesa, que é historicamente a “elite” tradicional planetária. Veremos se manterá esta coerência e retidão. Não vou dizer que ela não causa simpatia pela sua rebeldia e prover uma sensação de alma lavada aos que invejam sutilmente Oxford, mas foi uma atitude de idealismo pueril. 

  • Lourdes

    Acho que essa é uma possibilidade, já que é provável que ela tivesse um conhecimento prévio sobre o sistema de seleção de instituições do tipo. No entanto, pelo que ela fala na carta (que “considerou” aquela instituição), acredito que alguma coisa na seleção possa ter feito com que ela mudasse de opinião. Acho que faltam dados pra julgar a atitude dela. Tenho algumas hipóteses: algum conflito ou decepção no processo de seleção; querer, como vc disse, “chocar” e “causar polêmica”; uma forma de protesto (diante da sua insatisfação com a instituição); ou só exibicionismo mesmo.

  • Jurema

    kkkkkkkkkk Nem todos precisam de Oxford pra ser feliz.

  • http://www.facebook.com/people/Edyvan-Araújo/100003565260613 Edyvan Araújo

    Saudações…

    O problema é que as duas melhores universidades do reino unido (Cambridge e Oxford) são altamente etilistas, elas adotam um sistemas muito seletivo que acaba sendo segregador, e o mais incrivel são universidades publicas que recebem autorização do governo para cobrar dos alunos, e fazem cobrando o máximo permitido.

    Agora comparem com Harvard, e seu sistema de bolsas e busca pela diversificação dos alunos:

    PARTE 1 – CAMBRIDGE
    http://www.youtube.com/watch?v=F9CzA85Ods4

    PARTE 2 – OXFORD
    http://www.youtube.com/watch?v=hFUsYaI8ZXc

    HARVARD PARTE 1
    http://www.youtube.com/watch?v=_N3-n2GFHKU
    http://www.youtube.com/watch?v=82KS-G42We4&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=4KPHd_e4MsU&feature=related

    HARVARD PARTE 2
    http://www.youtube.com/watch?v=vn6T47ebj0g&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=Pq0cVyHL6Dc&feature=related
    http://www.youtube.com/watch?v=6DOumzJZ6hA&feature=related

    • Luca

      O fato de serem universidades públicas não exclui a cobrança de mensalidades. Ao contrário das universidades públicas brasileiras, lá o estudante mora, come e estuda nos prédios dos colleges. Elas não são universidades em uma cidade, elas são universidades que tem uma cidade. Tudo funciona em função das universidades, tu quer que o governo banque uma estrutura daquelas? Só pode ser piada. Para ser uma universidade de ponta, precisa de investimento pesado, e uma das fontes é a cobrança dos discentes, que afinal vão usufruir dela. Oxford ou Cambridge não são instituições de caridade, são mais antigas que o Brasil, estão aí para produzir. E Harvard, Yale, Princeton e a maioria das universidades americanas segue a mesma política. Um ano de graduação em Harvard custa só de estudos brincando cinquenta mil dólares.

  • Luca

    Atitude babaca, nada mais. Como se ela fosse mais inteligente do que todos aqueles estudantes que estão lá em Oxford. Se simplesmente não quisesse a vaga, bastaria ter ignorado a oferta. Quis é aparecer. A prova cabal é que tal carta veio a público. Certamente não foi a universidade quem a publicou, e sim a própria jovem que mandou uma cópia para a imprensa. No mais, se quer estudar Direito, deveria sim ter aceito a oferta de Oxford. A possibilidade de Oxford ser elitista não muda o fato de que lá estão alguns dos maiores professores de Direito do planeta (e basta olhar na página da universidade e ver que não é nenhum pouco “elitista”, há vários latino-americanos, africanos e asiáticos dando aulas por lá, se fosse elitista teria apenas ingleses “lords”). A menina criticou o que nem conhece.

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