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É hora de repensar (ou talvez jogar fora) o seu currículo

Fabio Bracht

por
em às | PdH Shots, Trabalho e negócios


Dos sete empregos e estágios que eu já tive na vida, só dois foram graças a currículo. De longe, os piores. Faz tempo que eu acredito que, em muitos casos, currículos são extremamente superestimados.

Repito e quero deixar claro: em alguns casos. Não todos.

Dependendo da sua área e do emprego que você busca, talvez você realmente precise de um currículo sóbrio, sério, preto no branco. Mas eu arriscaria dizer que mesmo você que está aí agora, pensando “é, cara, eu realmente preciso de um currículo”, provavelmente não precisa. Ao menos não tanto.

Permita-me falar um pouco mais sobre isso.

Currículos são tendenciosos, não se pode confiar neles

Você mente no seu currículo, e todo mundo sabe disso. Todo mundo espera isso. Inclusive – principalmente! – quem vai lê-lo. Aqueles três meses em que você ajudou seu tio no mercadinho se transformam em “experiência em auxiliar de operações em varejo”. É um terreno muito escorregadio para se começar uma relação profissional.

Esse é o tipo de currículo com o qual você chama atenção do Google

Em uma matéria do Wall Street Journal, a chefe de recrutamento do Google (onde você com certeza adoraria arranjar um emprego) disse que, apesar de todos os currículos serem lidos por um “exército” de recrutadores, eles os lêem ao contrário. De baixo para cima.

O Google sabe que você vai mentir, exagerar e enfeitar as suas experiências mais recentes, mas eles querem saber se você teve uma banda de rock quando era moleque ou já cortou a grama do vizinho para ajudar a pagar pela faculdade. Esse tipo de coisa não é o foco de um currículo, mas às vezes é o que mais importa.

Você já tem um currículo melhor que o seu currículo

Pode acreditar: se a empresa que está analisando o seu currículo for minimamente decente, ela vai colocar a folha de papel de volta na mesa e vai jogar o teu nome no Google, Facebook, Twitter e LinkedIn, analisando os resultados por mais tempo do que olharam para aquele papel.

Querendo ou não, enquanto o recrutador não olhar no teu olho em uma entrevista, você é o que faz online. Pense se as coisas que você posta no Facebook fazem bem ou mal para a sua imagem. Isso inclusive ficou mais pronunciado agora, com a mudança dos perfis do Facebook para Timelines. Incluir aquela viagem que você vez pode impressionar gente mais importante (para a sua vida profissional) do que os seus amigos.

Currículo bordado em tecido, por que não?

No fim das contas, um currículo serve para dizer o que você já fez e o que você sabe fazer. Por isso é importante listar seus empregos e experiências passadas no LinkedIn também. É uma informação que o seu novo empregador com certeza vai querer saber, mas não significa que você deva se limitar a isso, ou que não existam maneiras melhores e mais efetivas de comunicar essas coisas.

Currículos são chatos demais, mesmo para empregos chatos

Ok, você está lendo isso e continua pensando que esses conselhos não se aplicam a você. Que ter um currículo normal, como todo mundo, é a única maneira de concorrer às vagas na sua área de interesse.

Mas isso te impede de pelo menos dar um toque pessoal e emocional à chatice do documento?

Imagine o trabalho de alguém que precisa ler e analisar dezenas, centenas de currículos enfadonhos. Ponha-se no lugar dessa pessoa. Um currículo com qualquer coisa fora do habitual tem grandes chances de se destacar mais do que outros com qualificações até maiores do que as suas.


Link Vimeo | Tão fora do habitual que nem dá pra dizer que é um currículo. Mas serve.

Mas o que pode ser “fora do habitual”? Tente colocar algo pessoal, contar uma história, um desenho, algo inesperado. Brincar com os títulos. Fazer uma capa ou um fundo criativo. Esta página que você está vendo tem alguns exemplos, e é muito fácil encontrar dezenas de outros para se inspirar. Se isso for feito na medida certa (não pode minar sua seriedade enquanto candidato), vai causar um sorriso no recrutador. E quem não gosta de quem o faz sorrir?

Um currículo não soluciona problemas

Acima de tudo, um currículo carrega uma mensagem muito particular: “por favor, me dê um emprego”. Eu sei que é isso que você quer, mas que tal fazer de outro jeito? Que tal se, em vez de pedir, você oferecer? Que tal se, em vez de falar “por favor, me dê um emprego”, você disser “eu acho que posso ser útil na sua empresa, por isso e isso”?

Foi assim que eu consegui os meus últimos empregos, por exemplo. Dizendo (um por email, outro por tweet!) que eu poderia ser útil, e por quê.

Uma empresa que está contratando tem um problema. O que ela quer não é um empregado, é uma solução. Mostre que você quer ser essa solução, não que você só quer algum lugar pra vender a sua vida de segunda a sexta, a contragosto, apenas para receber um depósito a cada 30 dias.

Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal. [Facebook | Twitter]


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  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Belo serviço, Fabio

    Infelizmente, essas formas de avaliação são pouco comuns aqui, ainda mais em empresas que não trabalham com tecnologia.

    Se você mandar um currículo assim pra uma empresa com uma cultura boomer ou geração X (acredite, elas existem), o responsável pela contratação vai rir enquanto lê seu currículo.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      E isso é necessariamente ruim?

      • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

        Eu não acho ruim. Eu só acho que é uma relidade distante e improvável para algumas áreas.

    • Erico Verissimo

      Não existe “empresa com uma cultura boomer ou geração X”. Não acredito. Existem pessoas lendo currículos e esperando ali encontrar informação de um determinado tipo, admitindo maior ou menor variação sobre um mesmo tema.

      • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

        pode crer. ehehe. Aliás tem muito dono de empresa que perguntaria se isso é de comer. haha.

  • Marcus Nunes

    Eu já recebi currículos por conta da minha empresa. A melhor dica que posso dar, baseado na minha ínfima experiência como contratador, é “seja breve”. Mande um currículo com uma, no máximo dos máximos, com duas páginas. 

    Como REGRA DO DEDÃO, ninguém se interessa pelo número da tua carteira de motorista ou pela escola onde tu cursou os ensinos fundamental e médio. Corte todas as informações que não sejam essenciais para o cargo pretendido.

  • http://www.facebook.com/viictor7 Victor Alexandre

    Muito bom, amigo Brach.
    Verei como encaixar seriedade e inovação no meu currículo.

    Porém, como o Rafa citou, algumas áreas não se apegam a ‘currículos inovadores’. Por muitas vezes, o candidato passa a imagem de brincalhão, ou que não tem seriedade com o emprego pretendido.

    Mas, que a ideia é boa, isso é!

  • Edson Marco Ferrari Junior

    Para empregos chatos, crie um curriculo chato. Se deseja um emprego melhor onde se valoriza a criatividade e não o operário de linha, inove. Se der certo é um passo para um bom emprego… se não… é um passo para a linha de produção.

    Escolha qual te agrada mais ;)

  • http://twitter.com/LucasMalto Lucas Malto

    E quem não tem facebook, nem usa seu twitter?
    Será que isto é bem avaliado?

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Dependendo do lugar, tenho certeza que sim. 

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Poxa, Fábio eu até acho muito legal a ideia. No entanto, eu acredito que dependendo da área de atuação da pessoa algo que fuja muito do padrão convencional deixa de passar credibilidade e acaba passando uma uma impressão de irreverência que não é muito bem aceita.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Quem não gosta de uma pessoa irreverente, Leonardo? Como eu disse no texto, é só saber dosar: não pode minar a tua seriedade enquanto profissional – se tu conseguir passar um sentimento positivo (de “irreverência”, que seja) atrelado à tua personalidade, não vejo como pode atrapalhar. 

      A não ser que a empresa seja mesmo MUITO quadrada e antinquada, mas aí, sei lá, acho melhor até nem arranjar emprego nessas, quando possível. 

  • http://www.facebook.com/goidolindo Anderson Falkowski

    Baita texto guri!

    Uma coisa que eu faço (fica a dica) é moldar o currículo para a determinada vaga. Procuro sempre pesquisar sobre a empresa e o trabalho que ela desenvolve, assim organizo e deixo em destaque aquilo que acho mais útil para ocupar o cargo.

    Publicação em Facebook e Twitter não devem ser muito forçadas. É um espelho da realidade, não adianta só postar coisas boas para tentar impressionar os caras. Tua vida não é todo dia 100% agradável, não adianta fingir ser. É aquela coisa: um dia a máscara cai e tal.

  • Rafael.

    Nada haver, na maior parte das empresas brasieliras redes sociais são proibidas.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001516544153 Rafael Ribeiro Rocha

    Interessante a idéia do facebook, mas pera lá, pra vc ser realmente “avaliado” pelo perfil do facebook todas as suas postagens deveriam ser públicas. E vivendo no Brasil, sabemos que dependendo do tipo de coisa que você posta, vira um alvo pra bandidos. Tudo bem que não é uma garantia 100%, mas acho que, por exemplo, restringir fotos de viagens somente para seus amigos é algo básico do quesito privacidade em redes sociais.

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Lembrei de outro artigo publicado aqui, que trata do mesmo assunto:

    http://papodehomem.com.br/o-que-acdc-gente-diferenciada-e-voce-tem-em-comum/

    A grande vantagem desse tipo de análise “extra-curricular” é a coleta de informações que ficariam de fora dos processos comuns de contratação, via entrevista e análise de currículo.

    Eu adoraria colocar no meu currículo as bandas da qual fiz parte, mas imagino que o meu contratante não veja esse tipo de informação como indicativo de alguém que saiba trabalhar em equipe. Há grandes chances dele julgar desnecessária esse tipo de informação.
    Tanto no currículo quanto na entrevista, se a gente não mente, pelo menos omitimos algumas verdades chatas a nosso respeito, enquanto nos esforçamos para que boas qualidades sejam notadas.  É quase  impossível sacar, numa única entrevista, se o candidato é um babaca, se é antiético, se tem bons modos e boa educação, etc, etc, etc. A única excessão estaria nos processos intermediados por psicólogos e profissionais de Recursos Humanos, mas são poucas as empresas que tem verba pra esse tipo de requinte, ainda mais quando se trata de cargos de hierarquia mais baixa.

  • Lucas Carvalho

    Pra mim, não tem nada mais absurdo e invasivo do que eu ser obrigado a misturar redes sociais (que se tratam exclusivamente da minha vida pessoal) com o trabalho. Não meço NADA que eu falo em redes sociais para agradar patrão ou contratador, só porque eu acho isso a coisa mais non-sense do planeta. E se eu quero e gosto e me sinto bem falando da minha vida sexual? E daí se eu gosto de expôr minha opinião sobre legalização da maconha? E daí se eu gosto de postar minhas fotos bêbado na balada? São exemplos, não faço nada disso, mas poderia se quisesse, sem ter que arcar com consequências pra minha vida profissional, que não tem nada a ver com isso. Minha vida, porra.

    Sendo assim, faço questão de travar todas elas e de bloquear gente que possa ter alguma relação com o trabalho pra maioria das minhas atualizações (santo facebook que agora tem como restringir atualização por grupo de pessoas).

    É claro que uma empresa decente sabe que a vida pessoal do cara tem tudo a ver com o que ele é enquanto profissional, e a maioria sabe, até mesmo as não decentes. O problema é que se usa isso de forma muito errada – eu, se fosse contratador, ia lá ver o que o cara gosta de fazer, que bandas ele ouve e quão fora da caixa ele é. Na realidade, o que acontece na grande maioria das empresas coxinhas (e as empresas coxinhas são a maioria no mundo) é que vão procurar o que as pessoas coxinhas chamam de “reputação”. E por esse termo entenda que você tem que ser uma pessoa asséptica, moral, assexuada, de fala correta, sem tatuagens e tudo isso que quase ninguém é o tempo todo (e, por isso mesmo, não o é em rede social alguma). RH não tá procurando saber quem você realmente é, tampouco identificar suas particularidades e pequenas maluquices – na real, é só um jogo imbecil de preconceitos.

    Daí tu me diz: MAS LUCAS, NÃO, NÃO, GERAÇÃO Y, O MUNDO NÃO É ASSIM!
    e eu te respondo: O CARALHO QUE NÃO É!
    A gigantesca maioria das empresas que eu conheço e nas que trabalhei são assim: ambiente corporativo extremamente clichê, preconceitos aos montes, enquadramento do funcionário numa cultura única e padronização de condutas. Duvido tu achar uma empresa da indústria de base que não seja assim. Ou seguradoras. Ou grandes operações de venda e serviços. E até mesmo bancos, apesar de terem muitos funcionários jovens em alto escalão.
    Rh de lugar nenhum desses me aceitaria como eu sou de verdade. Corte imediato, veja quantos caralhos e porras eu digitei só nesse post. E é assim em qualquer lugar e ambiente online, porque eu sou assim. Policiar a minha linguagem em todas as minhas redes sociais é absurdo.

    Não sei qual a realidade do autor do texto, ou de vocês do PDH mas, bem ou mal, vocês tão bem inseridos nessa indústira de conteúdo, mídia online, jornalistas, agências. Tudo isso é muito diferente do mundo corporativo real. Nego que trabalha em agência de publicidade, de gestão de redes sociais, de design e até mesmo de TI vive em outro mundo, muito diferente do da maioria: um mundo coxinha e que, sim, vai querer o seu currículo preto e branco. Sem gracinhas.
    E o foda é: determinadas aptidões, talentos ou formações não condizem com esse mundo. O que eu gosto de fazer profissionalmente, por exemplo, é muito mais existente em empresa coxinha. Quem sabe um dia não muda…

    Portanto: não, não, eu não vou me policiar em rede social nenhuma. e que se foda todos os tutoriais da internet sobre como eu deveria me comportar no facebook.

    (desculpa o tom agressivo do comentário, ele é mais um desabafo aleatório do que uma resposta ao post)

    • http://www.facebook.com/mathaeus.silveira Mathaeus Silveira

      “Não sei qual a realidade do autor do texto, ou de vocês do PDH mas, bem ou mal, vocês tão bem inseridos nessa indústira de conteúdo, mídia online, jornalistas, agências. Tudo isso é muito diferente do mundo corporativo real. Nego que trabalha em agência de publicidade, de gestão de redes sociais, de design e até mesmo de TI vive em outro mundo, muito diferente do da maioria: um mundo coxinha e que, sim, vai querer o seu currículo preto e branco. Sem gracinhas.”
      Acho que aí vc resumiu e mostrou bem as diferenças de mundo que existem… A grande maioria das empresas não é tão “descolada” e livre de preconceitos para entender sua individualidade e “pequenas maluquices” que formam quem vc é de verdade! Estão mais interessadas no preto no branco.

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Lucas,

      Infelizmente você pode até não se importar, mas não pode tirar o fato de que isso conta no seu progresso profissional. 

      Infelizmente nenhum profissional nunca chegou a lugar nenhum não se importando com o que os outros pensam. Mesmo eu, geração y, nerd, rato de tecnologia. Não contrataria alguém que fica falando merda no facebook ou twitter. 

      Você continua representando a empresa, mesmo fora dela.

      • Lucas Carvalho

        Eu me recuso a representar uma empresa fora dela: tanto que eu não falo pra ninguém onde eu trabalho. Me recuso terminantemente, e não ligo de ser taxado como adolescente ou resiliente demais por isso. É absurdo dar esse espaço todo pra uma empresa que já te consome, na grande maioria das vezes, muito mais que 8h/dia. Tem que haver um equilíbrio, tem que haver um espaço fora do meu quarto trancado onde eu posso ser eu sem representar uma corporação que, mesmo que eu ligue, não é dona de mim.

        Eu me importo com o que os outros pensam (acho, inclusive, que esse é o maior desafio profissional que a gente tem: se importar, ouvir e aprender), desde que pensem o que quiserem de quem eu sou enquanto profissional e tudo que envolve. Se eu sou competente, produtivo, liderante, político, pontual, simpático, cuidadoso, isso é sim foro de interesse da empresa. Se eu me interesso por arte sacra, pornochanchadas, se sou a favor da liberação da maconha, se gosto de descer até o chão no baile funk… isso é foro íntimo, que eu posso querer compartilhar com meus amigos e pessoas próximas, mas que nunca deveria ser de interesse e relevância pra um empregador.

        E, felizmente, eu nunca trabalharei pra você.

      • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

         Concordo velho, por isso trabalho de programador :D.

        E cara, a maioria dos caras normais que tem $$, nas horas vagas, vai é atrás de mulher gostosa para comer, ou qualquer outro tipo de “lazer”, ainda que algo mais familiar.

  • http://www.facebook.com/people/Leonardo-Ferreira/100001084922823 Leonardo Ferreira

    Sou de certa forma um exemplo disso, não da irreverência, até porque em meu currículo fui bastante minimalista com apenas o essencial, mas deixei transparecer a vontade de trabalhar e de crescer trabalhando em determinada área (nas entrelinhas ofereci meu talento invés de pedir uma vaga) porque é onde sei que se encontra meu talento e o que realmente quero fazer.

    A vaga era para duas pessoas e sei que o supervisor já estava com os dois currículos indicados para as duas vagas, mas quando cheguei lá e larguei o meu ele viu que larguei do serviço público e isso chamou uma puta atenção nele, tanto que logo fui chamado para ter uma conversa (que pessoa no Brasil tem coragem de largar o servço público para entrar na privada?), daí na conversa não foi uma questão de tentar mentir ou enganar, apenas deixei transparecer meus objetivos, minha vontade de trabalhar, minha facilidade na área em questão, e já respondi o que ele sabia que ia perguntar, de ter saído do serviço público, do meu desgosto de ver tanta desorganização e de me incomodar com a bagunça à minha volta que era um empecilho para um bom trabalho, que era do tipo “enxugar gelo”.

    Os passos foram, ter experimentado várias coisas (serviço público administrativo, eletrotécnica, administrar padaria, recenseador…), ter percebido qual trabalho se adapta melhor a mim e que me dá prazer, sabendo a área ofereci meu talento, o resto foi de certa forma se encaixando por conta própria. Hoje estou trabalhando na empresa, realizo manutenção em elevadores, cursando graduação na área, e está tudo fluindo.

    Abraços, Leonardo.

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    hahahaha, adorei saber que os últimos itens do meu currículo contam…

    “atriz, premiada em festivais estaduais, aulas de circo…”. certamente minha chefa viu isso pra me chamar pro malabarismo diário. hehehehe.

  • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

    Ótimo texto, mas eu acrescento algo muito mais importante que o Currículo, o networking. Nunca consegui um emprego graças ao meu currículo, talvez uma vez, mas não lembro bem. As pessoas antes de ler currículos, perguntam para amigos, ou parceiros profissionais: “Você não tem um fulano bom em “X” pra indicar não?”. Q.I (quem indica) é a melhor qualificação profissional que se pode ter.  

    Quanto a discussão, 

    Apanhei muito nessa vida. Principalmente por não entender alguns principios básicos, e mais ainda, por insistir em alguns pontos que minha geração acredita que são certos, quando não são controláveis.
    Tudo o que a gente faz dentro e fora da empresa contam na nossa vida profissional, principalmente a forma como nos vestimos, falamos, ou somos vistos pelas outras pessoas. No começo era muito triste acreditar nisso, que não somos avaliados apenas por quem somos ou o que podemos fazer, mas pela forma com que portamos fora da empresa.

    Obviamente, muito disso não conta em cargos mais baixos, com salários menos representativos, mas conforme você vai crescendo em sua vida profissional, entende que sua vida profissional e pessoal são uma só. Que se você é uma pessoa desleixada fora do trabalho, provavelmente será no trabalho. Se você é relapso com a sua imagem, também vai ser relapso com seu trabalho. E tanto eu quanto você, sabemos que isso não é uma regra, mas é assim que o velho de terno azul lá em cima pensa.

    Quanto mais rápido entender isso, mais rápido vai subir nesse jogo.

  • Lucas Carvalho

    O risco existe, mas pode ser minimizado – por exemplo, restringindo informações, compartilhando só pra alguns etc. Quem lê o que não quer mesmo com esses cuidados é porque foi atrás num nível de stalker mesmo, o que vindo de uma empresa beiro o absurdo (e o crime).
    E não é como se eu estivesse falando mal do meu chefe, ou da minha empresa, ou assumindo um homicídio – não era desse tipo de exemplo que eu tratava. Falar esse tipo de coisa é burrice, é pedir pra levar tiro.
    Há uma série de coisas – de coisas extremamente bobas – que podem te dar problema num trabalho, principalmente fora do circuito que eu englobei de agências etc, onde, querendo ou não, o perfil é sensivelmente diferente.

    Quer ver eu receber um milhão de olhares tortos no trampo? É só eu colocar um death metal que eu curta no facebook, publicamente. É algo que eu curto, que eu gosto de ouvir de vez em quando, não me define e não diz nada sobre a minha vida profissional e minhas competências. Mas tem um sanguezinho ali, uma frasezinha profana ali, tudo muito bobo, na verdade. Nem levo nada a sério, só gosto de ouvir e é isso.

    E é algo que, sim, vai ter impacto na minha vida profissional.

    Determinadas piadas teriam o mesmo impacto. Interação com amigos. Filmes que eu gosto. Muita empresa não contrataria metade dos editores do PdH só pelo conteúdo dos posts daqui, por exemplo, mesmo que isso não faça sentido em nenhum universo lógico.

    Isso é tirar parte da minha vida sim, e assumir que ela não é minha. Não é como se eu pudesse escolher e tivesse que arcar com consequências: em muitos casos, me é tirado o próprio poder de decidir. Cale a boca, seja um imbecil enlatado, ou eu te demito.
    Não sei em que mundo vocês vivem, mas no que eu conheço isso é plenamente verossímil.

    Ora, se não é pra compartilhar coisas da minha vida, pra que ter rede social? E eu gosto de rede social, e não vou abrir mão dela porque alguém acha que tem algum direito de vigiar tudo o que eu faço só porque me emprega.

    Eu sinceramente não entendo como as pessoas aceitam passivamente essa permissividade toda que foi dada às empresas quanto a privacidade do funcionário.

  • http://profiles.google.com/leandrosilvagv leandro silva

    Gostei muito dessa matéria, a parte que me chamou atenção é aquela que diz que somos aquilo que fazemos online, tenho me preocupado com isso e com a quantidade de coisas bestas que compartilho, curto e posto no Facebook, gostaria de ser um pouco mais sóbrio, não carrancudo, mas equilibrado um pouco mais. Fazer uma busca em todas as redes sociais que entramos, mudar, excluir, tirar não é fácil. As vezes pode até ser tarde demais, mas não deixa de ser essencial, as pessoas mudam mas se gente tem oportunidade de fazer algo correto é melhor aproveitá-la

  • Matheus Weber

    Brilhante. Exatamente!
    Eles tem o mínimo interesse em como todo o trabalho vai ser útil pro cliente final.

    Eles vivem em um mundo paralelo, e quem sai perdendo somos nós, clientes.

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