Desescolarização: precisamos mesmo das escolas?

Andre Camargo Costa

por
em às | Artigos e ensaios, Melhor do PdH, Mente e atitude


Lugar de criança é na escola! Será?

Você conhece esse garoto?

Karpar Hauser foi um garoto com uma história bem curiosa. Reza a lenda que ele passou os primeiros anos de sua vida aprisionado em uma cela escura, alimentado apenas por pão e água. Nesse primeiro período, ele não tinha contato nenhum com qualquer pessoa e, menos ainda, com todo o mundo que cercava as paredes que o prendiam.

Num determinado momento, o garoto foi solto e, pelos anos de reclusão forçada, conheceu o mundo sem nenhum tipo de conhecimento. Sem experiência de vida e sem possuir ao menos uma língua para poder se comunicar, o garoto aprendeu suas primeiras palavras e, posteriormente, começou a falar, assim como uma criança que começa a viver.

Sua aparição se deu em Nuremberg, na Alemanha, supostamente com 15 anos de idade, com uma carta endereçada ao capitão da cidade, pedindo para ser um cavaleiro, como seu pai. Mais à frente, Kaspar se mostra uma pessoa muito inteligente, com excelentes aptidões para música, tricô e jardinagem.

Mas isso não impediu que o garoto fosse tido como estranho e selvagem, tudo pelo simples fato de não conseguir entender e participar das convenções sociais da época (Sua aparição em Nuremberg aconteceu em 1828). Havia, na época, relatos de que ele seria membro da nobreza alemã. Kaspar tinha talento, um suposto sangue nobre, mas nada disso o ajudou a superar anos de isolamento.

Aprender as coisas da vida vivendo a própria vida. Soa como absurdo ou faz todo o sentido?

Escolas vêm nos mais variados tamanhos e formatos. Você pode ter frequentado uma instituição tradicional, humanista, democrática ou construtivista. Uma escola de rico ou de pobre. Pode ter adorado ou detestado – se você tem filhos, ou quando os tiver, gostaria que estudassem na mesma escola? Não é disso, porém – do que faz uma escola boa ou ruim – que trata este texto.

Pouco interessa, nesse contexto, comparar as diferentes abordagens pedagógicas – e sim um fundamento tão central do atual modelo de Educação, quanto raramente colocado em questão: a própria existência de escolas.

Precisamos mesmo delas?

A tarefa da Educação

Escola e educação são coisas diferentes. As gerações mais novas são recebidas pelo povo que já está por aí há mais tempo e é nossa tarefa apresentar-lhes a vida e o mundo, procurar oferecer uma boa ideia de como as coisas funcionam e do que esperar das manhãs de domingo.

Afinal, não nascemos humanos. Dependemos de ambientes humanos, das relações sociais e dos vínculos afetivos culturalmente organizados para nos humanizarmos. Sem isso, somos Kaspar Hauser. O processo de formação integral de um ser humano, em suas variadas dimensões, isso é Educação.

A invenção da Escola

Sendo essa a tarefa maior, em contrapartida, a Escola surge como estratégia. Só muito recentemente na história da civilização, inclusive, o processo de ensino-aprendizagem passa a contar com um lugar específico para isso – uma instituição fechada, cujo objetivo é manter os jovens exclusivamente dedicados aos estudos. Ao longo da maior parte da História, as pessoas aprendiam as coisas da vida na própria vida, no “mundão”, onde as coisas aconteciam e entre as pessoas que faziam as coisas acontecerem.

Disse o Mario Sergio Cortella (provavelmente inspirado em Foucault):

Há lugares que têm portas para as pessoas não entrarem – como os cinemas, teatros e estádios de futebol; e há lugares que têm porta para as pessoas não saírem: como as penitenciárias, os hospícios e as escolas.

Se a Educação é “o que devemos aprender” e a Escola é o “como devemos aprender”, apresento um argumento central: trata-se de uma péssima estratégia para a Educação tirar pessoas do lugar exato que deveriam aprender (o mundo) e colocá-los num ambiente distente, virtual (a escola). Examinemos a lógica fundamental do sistema.

  • Retiramos as crianças e jovens do mundo para que possam estudar… o mundo?
  • Privamos nossos filhos da vida cotidiana como forma de prepará-los para… a vida?

Isso equivale a treinar um nadador procurando mantê-lo afastado da piscina.

Galera, essa é a nossa nova escola. O nome dela é Alcatraz e a gente vai aprender, lá, tudo o que vamos fazer aqui pelo resto de nossas vidas

Dificuldades inerentes

A Educação escolarizada, portanto, embaralha meios e fins. Isso não é dizer que não há boas escolas. O problema é a lógica da coisa.

Ainda que haja boas escolas, elas não podem se livrar desta contradição de base e acabam tendo de lidar com dificuldades geradas pelo próprio sistema.

Por exemplo: as crianças estão sendo entupidas de remédios porque não param quietas. O que deveríamos nos perguntar: será que, para o bem delas, elas deveriam mesmo aprender a ficar quietas por horas a fio, dias, semanas, meses, anos, encerradas em salas de aulas procurando absorver uma infinidade de conteúdos que em geral não fazem sentido (por terem pouco a ver com sua realidade imediata e por não terem muita utilidade) – enquanto a vida acontece lá fora? Isso é sinal de saúde?

Sendo a educação um fenômeno mais amplo, entendemos a escolarização como a institucionalização, a burocratização e a massificação dos processos vitais ligados à descoberta do mundo. É pegar alguma coisa viva, fluida e pulsante e encaixotá-la.

À semelhança de mosteiros e laboratórios, as salas de aula são criadas para serem ambientes assépticos, planejados para manter os alunos concentrados, livres de distração. Mas este é apenas um jeito de se pensar a educação – e um jeito bem ruinzinho, inclusive. Podemos inventar outras maneiras.

Derrubando os muros

O que acontece se abrirmos os portões, se derrubarmos os muros? A sala de aula será o mundo. A cidade, a comunidade e as redes (físicas ou digitais) serão a escola. Ao invés de um caminho único para todos, cada pessoa poderá tomar a vida nas próprias mãos e empreender sua formação no próprio ritmo, impulsionada fundamentalmente por seus interesses e inclinações. Para que possa escrever e viver a própria vida, e não a vida que alguém planejou para ela.

Transformar a educação num processo mecânico é um baita tiro no pé

Utopia? Vejamos:

Cidade-escola

Nunca antes contamos com tantos recursos para viabilizar esse modelo descentralizado de Educação. Uma cidade como São Paulo, por exemplo, oferece oportunidades de aprendizagem extraordinárias. É o mote de um trabalho como o Catraca Livre: o site publica, a cada dia, uma relação de serviços oferecidos gratuitamente ou a preços populares. Cursos e palestras, exposições, cinema, teatro, shows, mostras, performances, intervenções urbanas. Tudo de graça ou baratinho.

O Sistema Municipal de Bibliotecas, outro exemplo, conta com uma rica programação cultural. De graça. Participei de uma oficina de Escrita Criativa e de duas de Contação de Histórias e gostei bastante. Descobri, numa delas, a Biblioteca de São Paulo, construída sobre as ruínas do Carandiru – uma das bibliotecas mais bacanas que já vi. Em cerca de 5 minutos, fiz minha carteirinha e obtive acesso ao acervo de livros, filmes, áudio-livros e computadores com conexão Wi-fi.

Você sabia, por exemplo, que existe uma universidade aberta no Parque Ibirapuera? A UMAPAZ (Universidade Aberta do Meio-Ambiente e da Cultura de Paz) opera por meio de uma rede de parcerias para oferecer oficinas, vivências e cursos ligados à educação socioambiental. Imagine só, estudar no Ibirapuera!

Podemos incluir na lista os Centros Culturais do Itaú, do Banco do Brasil, o Masp, o MAM, a Fiesp, os SESCS e sua maravilhosa infra-estrutura e programação. Só para ficar nos mais conhecidos.

Contrastes

Retomando e reforçando: é de se convencer que o modelo atual de educação (que foi concebido ao longo de um período histórico de características radicalmente distintas) entrou em colapso. Os sinais provenientes dos ambientes escolares são inequívocos: sofrimento, adoecimento, licenças psiquiátricas dos educadores, bullying, explosões de violência, transtornos inventados e medicação em larga escala.


Link YouTube | Porra, pode falar do clichê que for, mas esse vídeo se faz muito pertinente nessa exata parte do texto

Se, todavia, as pessoas nas escolas estão literalmente enlouquecendo pela falta de sentido do sistema, o mundo fora das escolas nunca foi tão rico em oportunidades de aprendizagem.

Internet-escola

Além dos recursos físicos, talvez o mais impressionante seja o potencial de desenvolvimento e de transformação pessoal disponível a quem tenha acesso à internet.

Não é exagero afirmar a quantidade e qualidade dos materiais à disposição online.

São cursos livres, universidades abertas, documentários e filmes de ficção, livros digitais, enciclopédias, mapas e documentos históricos, aulas e demonstrações, fotos, músicas, além das interações em redes sociais, os processos colaborativos e a emergência de inteligências coletivas. Enfim, não é exagerado afirmar que, quem possui acesso a banda larga, já dispõe de um volume de conteúdo de alta qualidade, boa parte dele gratuita, em quantidade maior do que será capaz de esgotar até o final da vida, ainda que disponha de bastante tempo só para isso. Sem contar o que vai sendo acrescentado à rede a cada dia.

É um desperdício manter crianças e adolescentes confinados quando poderiam usufruir do que a cidade e a rede oferecem. As pessoas não têm tempo de explorar a própria cidade, ou o universo inesgotável da rede mundial de computadores, porque precisam estudar para a próxima prova, terminar a lição de casa ou responder à chamada em algum lugar.

Em contrapartida, aí estão a Wikipedia, o MIT Open Course Ware, o TED (e o recente TED Ed), a Khan Academy e o Portal V-educa (para citar apenas alguns). São reservatórios de experiências de crescimento e aprendizagem impossíveis de serem exploradas nos limites estreitos das salas de aula, em grupos que precisam funcionar de modo homogêneo, conduzidos por professores sobrecarregados e desestimulados. Ficar na escola é perda de tempo e as crianças (e especialmente os adolescentes) têm consciência cada vez mais aguda disso.

De volta ao mundo

Por que não deixá-los assumir a responsabilidade de escolher guiarem-se pelo coração? Ao invés de (pré) julgá-los incapazes, não será possível sonhar um modelo singularizado, desinstitucionalizado, aberto e flexível, usando os recursos que a sociedade já oferece, inclusive reorganizando, para recebê-los, os locais de trabalho, produção e prestação de serviços?


Link YouTube | “Estamos produzindo indivíduos desprovidos de criatividade”. E isso já é dito com pouco mais de cinco minutos

A Educação não precisa acontecer em um mundo à parte.

Precisamos gerar condições adequadas para acolher as crianças e adolescentes – os aprendizes – nos nossos ambientes, ao invés de retirá-los do cotidiano e congelá-los em estado de preparação para um futuro hipotético. Parte essencial das condições necessárias para libertar as pessoas da escolarização envolve a transformação do lugar e da função do educador(a).

Um novo profissional: o educador curador

Em um modelo aberto, de agente do sistema, dedicado à reprodução do status quo, o profissional da educação passa à função criativa de mentor, curador ou inspirador de processos de amadurecimento e formação. Uma vez que, nos dias de hoje, o problema deixa de ser o acesso ao saber e passa a ser o excesso de opções, a função do educador (ou da educadora) envolve, fundamentalmente, as habilidades:

  • De parteira: ajudar o aprendiz a entrar em contato com suas inclinações (com seu coração, com sua verdade, com sua interioridade), apropriando-se de seus anseios, conflitos e contradições. Dar nascimento à individualidade.
  • De guia de viagem: apontar as trilhas acidentadas, os terrenos escorregadios e os becos sem saída e selecionar, dentre o vasto oceano de possibilidades, direções favoráveis para a realização de seu potencial único e de suas aspirações mais profundas.

O educador(a) companheiro de jornada, portanto, deverá estabelecer com o aprendiz uma relação mais próxima, autêntica e pessoal em comparação com as relações professor-aluno institucionalizadas, fragmentadas e autoritárias das séries e disciplinas escolares no sistema atual.

Esse modelo que relativiza a hegemonia do sistema formal de educação e busca alternativas consistentes de formação humana (e não apenas cognitiva-intelectual), que insere na vida e na cultura (e não apenas na academia e no mercado de trabalho), é uma realidade emergente, está borbulhando, e será desenhado pelas pessoas ousadas que enxergarem e tomarem as primeiras iniciativas. A hora é agora.

Se a ideia interessou, o nosso autor vai participar da HUB-ESCOLA de Outono, com a oficina “Fim das escolas: empreendedorismo e desescolarização”.

Dia 19 de abril, quinta-feira, às 14h00.

Andre Camargo Costa

André Camargo é Mestre em Psicologia e Professor Universitário. Tem dois filhos, cinco aquários e um livro publicado. É fundador do Jabuticaba - espaço de crianças na Casa Jaya - e co-fundador da Academia de Escrita (.com).


Outros artigos escritos por


SEPARAMOS MAIS TEXTOS PARA VOCÊ CONTINUAR LENDO




O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Conheça a visão e a essência por trás do que fazemos. Queremos uma discussão de alto nível. Antes de comentar, leia nossas boas práticas. Caso deseje enviar um texto e se tornar um autor, venha por aqui.


  • Leandro

    Questionamento bem atual, gostei do texto.

    Vejo uma dificuldade um pouco maior em encontrar alternativas de ensino para conhecimentos muito fundamentais, como a alfabetização inicial – a transmissão direta professor > aluno parece cumprir seu papel, se bem executada, até para que o indivíduo possa aprender a habilidade que lhe permitirá “perceber” melhor o mundo. De qualquer modo, há inúmeras maneiras de instigar a curiosidade e tornar esse processo mais eficaz, quando se estimula o aprendizado com experiências diferentes.

    Essa figura de educador-curador, aliás, iria na mesma linha do “coach” profissional que anda em moda, não?

    • http://wwe.blog.br Francis Rosário

      Os próprios pais podem efetuar a alfabetização básica.

      Minhas filha que ainda nem fez 5 anos já está em fase de alfabetização em casa. O processo começou meio que sozinho, apenas com programas educativos que ela assistia e depois demos sequencia auxiliando ela no aprendizado.

      • Leandro

        Isso é verdade! Acho até um ambiente mais confortável e eficiente do que a escola (fui alfabetizado em casa, também), e vejo que esse é um fenômeno bem comum quando há pais/avós vindos de outro país – a criança aprende o idioma deles, conseguindo até conhecimento prático melhor do que em escolas de línguas tradicionais.

      • Lucas Amaral

        É ilusão achar que todo pai teria tempo, paciência ou didática para ensinar o filho a ler, escrever e realizar operações básicas. É claro que nenhum pai deseja o mal, mas o mundo não é perfeito, né. 

        A escola é sim um ambiente realmente paradoxal, concordo com o texto. Mas existem algumas etapas que ainda considero necessárias, como a alfabetização e o ensino básico (para crianças pequenas mesmo), e a universidade ainda desempenha um papel muito bom. A única falha real seria o ensino “fundamental” e médio, que acredito ser o apontado pelo texto.

        Este serve apenas para preparar os alunos para o vestibular, que na real, é uma ferramente PÉSSIMA para a servir de triagem na entrada de uma universidade. Mas isso é um outro assunto, creio eu.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Sim, Leandro, boa sacada! Embora eu não goste muito da ideia e da modinha do coach, a imagem é bem adequada: envolve auto-conhecimento em razoável profundidade, aliado ao exame das escolhas passadas, presentes e possíveis.

    • Christiano Coutinho

      Também achei o texto muito interessante, mas acho que discutir a educação de forma isolada é um erro. Passamos enfurnados na escola, para depois ficarmos enfurnados no trabalho. Para que os pais possam participar mais desse processo, precisarão dispor de um tempo que não tem (na maioria das vezes). Além disso, o modelo escolar contemporâneo também tem seus acertos. Disciplina, respeito e civilidade também são praticados na escola, e são importantíssimos para a socialização da criança.  Pela internet não é a mesma coisa. Logo, acredito sim que a escola precise de uma reformulação, mas não exatamente da forma que o autor do texto retrata nesse artigo excelente. E para que a educação seja reformulada de fato, a sociedade precisará ser reformulada (e muito).

      • Leandro

        Sim, a adaptação que precisaria ser feita é bem mais social do que apenas no sistema de ensino. O negócio precisaria ser mais participativo em todos os cantos da sociedade – algo semelhante a certas tribos indígenas, em que as crianças não são “dos pais”, elas são “da tribo”, e cabe à tribo toda zelar por elas e passar-lhes os valores e ensinar os conhecimentos que melhor se adequarem às suas curiosidades e aptidões (daí peço licença para ser pessimista e achar que isso é utopia demais na nossa sociedade atual).

        E concordo que a ideia do sistema atual também possui méritos, como noções cívicas e outros tantos saberes aos quais a criança e o jovem não têm oportunidade ou interesse de receberem em outros lugares. A escola, no modelo ideal como foi concebida, “nivelaria” o conhecimento de todas as pessoas, para que eles pudessem se destacar pelas suas qualidades individuais. Se essa função fosse bem executada, penso que teríamos um pouco menos de críticas a esse sistema.

      • Alex

        Concordo com vc, a socialização é muito importante, além da disciplina, saber respeitar o próximo, o texto foi muito bonito mais ficou muito útopico, sou professor e vejo que muitos alunos não tem o minimo de interesse de pesquisar, usam internet por causa de redes sociais e jogos, se não tiver um professor em cima não fazem nada, e cá entre nós, não é todo pai que é preparado pra alfabetizar um filho.

      • Muriel Fiorese

        Cristiano, desculpe-me mas eu não sei de que escola você veio, que ensina “disciplina, respeito e civilidade”, acho que você está um pouco longe da realidade vivida pela maioria.

      • Christiano Coutinho

        Na boa Muriel: não faço questão de estar alinhado com a maioria. Mas faço questão de expor minhas idéias, opiniões, e a realidade que vivi. E acho que o tema aqui nem é quem veio da melhor escola, mas sim como poderemos construir uma escola melhor.

      • Muriel Fiorese

        A questão que propus não é estar ou não alinhado com a maioria, muito menos discutir quem veio da melhor escola, pois independente da escola, a base vem de casa, por isso que os pais deveriam estar mais atentos. E essa maioria a qual me referi não é exclusivamente a classe pobre, vai me dizer que só filho de pobre faz bagunça na escola? Os alunos percebem cada vez mais cedo essa “falha” no ensino, principalmente quando isso o afeta negativamente, ou seja, nenhum aluno nasce odiando os professores e as escolas, mas ele aprende isso, e advinha aonde?

      • Christiano Coutinho

        Quem está falando de segregação por pobreza é você, pois em momento algum citei qualquer coisa que sequer possa ser relacionada com isso. Além disso, você fala sobre alunos odiando professores no plural, como se isso fosse um fato para todos. Sinto muito se você aprendeu a odiar os seus, mas a minha experiência na escola foi muito diferente disso. Nos meus argumentos, estou expressando a minha opinião apenas, pois não tenho a presunção de querer adivinhar ou forçar a opinião alheia. Quero apenas trocar idéias e opiniões, mas de forma alguma pretendo mudar a sua opinião, e vice-versa. E afinal de contas, você está certo quando argumenta que a minha realidade está distante, mas não da maioria: apenas da sua.

      • Muriel Fiorese

        A falha no ensino é percebida tanto por ricos como pobres, me referi a isso, pois as pessoas de modo geral tem essa coisa de achar que gente pobre é ignorante. Me referi sim à alunos odiando professores no plural por que não são poucos, mas também não são todos, existem alguns casos iguais ao seu (pelo que me parece) em que a educação vinda da escola foi de qualidade. E, não eu não odeio meus professores, mas também não morro de paixões pela maioria deles, foram poucos os que cumpriram o importante dever de ensinar com excelência (criando cidadãos), e muitos falham nesse sentido (que é de vital importância) por se ajustar ao modelo imposto à eles (que é falho de forma absurda), ficando de certa forma prejudicados e prejudicando o futuro dos alunos, é por isso que não os odeio (na verdade não odeio ninguém), pois são mais vítimas do que culpados, tanto professores como alunos, ALGUNS conseguem escapar dessa armadilha, esses sim eu amo de paixão! … Não pretendo mudar a sua visão de que escola ensina: Disciplina, respeito e civilidade (era isso que eu queria abordar desde o princípio), pois de fato ensina, mas… como nem tudo é perfeito, são poucas que conseguem, sempre há exceções, tanto de alunos e professores desqualificados em ótimas escolas, quanto de alunos e professores excelentes nas piores das escolas. To gostando do debate mas vamos poupar as indiretas a partir de agora ok! ;D

  • http://www.facebook.com/rodrigosantiago Rodrigo Santiago Juacaba

    Acho que, se feita da maneira como proposta no texto, seria um retrocesso. Acredito que as pessoas devem ser apresentadas, nos primeiros anos de vida, à gama de conhecimento que já foi produzido pela humanidade, para fins de encontrar sua aptidão ou até mesmo para obter um conhecimento emancipatório. Não me prendo ao modelo atual, mas acredito que esse contato com o conhecimento já produzido é fundamental e não consigo enxergar isso no modelo proposto. Preciso ressaltar também que achei muito bom mesmo o fato do autor ter questionado algo tão sedimentado na sociedade. :)

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Rodrigo, concordo que a criança deva ser exposta ao conhecimento acumulado – e, mais, ao mundo organizado a partir deste conhecimento. No entanto, não acho a escola nem o único nem o melhor lugar para isso. O melhor lugar para conhecer o mundo é no mundo. Agradeço sua leitura, seu comentário e o elogio. Vamos continuar conversando…    :)

      • Paulinha

        André, acho que seu texto levanta uma bandeira pruma discussão vital. Entretanto, eu acho que, o que as escolas tentam fazer (mto teoricamente) é organizar uma grade de conhecimento a partir do que está aí, o que esse modelo mais ou menos sugerido por vc também teria que fazer – ou os conceitos de educação e carreira profissional seriam profundamente relativizados. O que acho que pode (e deveria ser feito) é utilizar mais dessas ferramentas que temos à mão. E conciliar isso com as aulas em classe.

        Infelizmente (ou não), as escolas precisam mostrar resultados claros (adolescentes passando nos vestibulares), por isso acho difícil mudar esse conceito. Ao menos a médio prazo. Não seria uma mudança nas escolas, mas uma mudança da cultura do povo, porque também os pais precisariam passar menos tempo trabalhando (para acompanharem os filhos).

        Gostaria de viver para ver as pessoas refletindo mais sobre os pontos que você levantou… espero conseguir!

  • http://leobetosouza.com/ Leonardo Alberto Souza

    Lembro que eu era 1 ano adiantado de todos os alunos do colégio pq fui alfabetizado em casa pelo meu pai. Cheguei no jardim de infância com 3 anos e já sabia contar, ja sabia o alfabeto e todas aquelas coisas que se aprende no jardim. Meu pai conseguiu me colocar numa classe mais avançada. E por conta disso sempre fui o aluno mais novo de todas as turmas que passei. Inclusive na faculdade. 11 anos depois meu pai foi tentar fazer o mesmo com meu irmão. Não conseguiu. Nenhum colégio aceitou ele tããão mais novo (1 ano) numa classe “avançada”. E ele teve que sofrer “aprendendo” de novo tudo que já sabia. Lembro que meu irmão detestava ir pra escola qd era criança.”A tia só me diz coisas que eu já sei, e ng nunca sabe” dizia ele.O que dizer da nossa escola que ao invés de ensinar as coisas importantes, entope os alunos dos conhecimentos necessários pra passar no maldito vestibular? Por que que um cara que pretende se tornar, por exemplo, um historiador precisa saber resolver, por exemplo, equações do segundo grau? Ou aprender genética? Ou decorar a bendita tabela periódica? Por que essa criança não investe o tempo dela aprendendo coisas que vão dar bases uteis praquilo que ela quer fazer da vida? Ou elhor: pra área que ele tem mais talento? Quantos aqui, que não estudaram algo na área de exatas, usaram a bendita formula de Bhaskara pra alguma coisa de útil na vida que não tenha sido passar numa prova?Esse tipo de coisa sempre me revoltou.Tô na minha segunda faculdade, dessa vez na Universidade Federal Fluminense… que como dizem por aí, é uma FEDERAL…. ou seja: top, do top… pelo menos no nível Brasil. Ou pelo menos é o que dizem.

    Assistindo aulas na Khan Academy eu cheguei a conclusão que se eu não fosse obrigado a responder a chamada eu não iria mais à aulas de Cálculo. O Khan é mil vezes melhor que a minha professora, e todo mundo da minha turma que sabe inglês concorda com isso. Mas a gente tem que responder “presente” em sei lá quantos por cento das aulas dela pra sermos aprovados. Paciência.

    Então, conversando outro dia com o coordenador do meu curso, tive certeza que algo que eu já desconfiava: Grande parte dos meus professores não são professores.Perguntei pra ele o porque da gente ter tanto professor que não sabe dar aula. Tem um povo que simplesmente não sabe ensinar! Eis a resposta:”Léo, a maioria deles a única coisa que fez a vida toda foi estudar. E estudar muito. Um dia eles foram lá, fizeram o concurso e passaram… então falaram pra eles ‘vai lá, esteja na sala tal na hora X e dê aula sobre isso aqui. Se vira’. E ponto. Ninguém foi preparado. Nenhuma aula de ‘como dar aulas’. Não teve nenhum testes pra saber se eles sabem ensinar. A única avaliação foi a bendita prova do concurso e a conferencia de documentos. Nem um psicotécnico pra saber se o cara não é maluco. Então a gente tem um monte de professores que são geniais, mas mal sabem falar. Não sabem nem se relacionar com outros professores, quanto mais com os alunos. Muitos deles deveriam estar talvez trabalhando com pesquisa, mas nunca lecionando.”Diante disso eu só posso lamentar e continuar assistindo as aulas ruins de alguns professores na universidade. Continuar vendo meu irmão adolescente que se dá muito bem e história e geografia, sofrer pra aprender Química. Ver meu amigo que foi reprovado no vestibular de História por que não tirou uma boa nota em Física… e assim caminhamos todos como se essas coisas fossem normais.

    • http://www.facebook.com/people/Mariana-Souto/100001235108224 Mariana Souto

      é bem verdade

    • http://www.facebook.com/biradant Ubiracy Dantas

      A ideia de um mundo sem escola é bem interessante, pois confronta com o atual modelo de educação com um novo. Ou seja, seria a quebra de paradgma – que se diga de passagem: estamos precisando. O grande problema de nossa escola atual é o mesmo da antiga: alunos não sabem por que estudam aquele conteúdo e professores não sabem por que ensinam. Sempre estudamos para ser empregados do sistema. Resumindo: Não somos educados, somos treinados, ou melhor, adestrados! Antes éramos adestrados para passar no vestibular… agora, para o ENEM. Grande Mudança!! Não acredito no modelo atual de escola que temos, mas também não acredito num corte tão radical como “o mundo sem escola”. Digamos que ela é um mal necessário”. Acredito sim numa rotina escolar buscando desvendar os porquês, fazendo com que o educando realamente apreenda o que lhe é proposto, mesclando banco de escola com apredizado em campo, tendo o mundo como melhor laboratório. Assim, no campo da ideia do Leonardo, o que acontece é o aprendizado de coisas inúteis. Falta transição do Ensino Fundamental para o médio, testes de apitidões, vocações… Mas mesmo em tendo tudo isso, esbarraremos em outro obstáculo: a ignorância de nós, pais. Pois somos nós que no futuro induziremos (obrigaremos) nossos filhos a serem médicos ou advogados, para que não sofram. Mal percebemos que estamos, na maioria das vezes, aprisionando-os numa dor imperceptível, que será descoberta somente quando tiverem dinheiro, reconhecimento, família e sentirem que falta alguma coisa.
      No sistema em que vivemos, o importante é buscar a felicidade que se traduz em DINHEIRO. No entanto, nosso modelo educacional comete uma tautologia grave: ensina-nos a ganhar dinheiro para os outros.

      • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

         Ubiracy, penso que vc levantou um ponto fundamental, que compartilho: o modelo escolarizado nos treina para enriquecer patrões.

    • http://twitter.com/gibarino Giovanna Barino

      Não poderia concordar mais com sua argumentação.

    • Freelancer

       Nossa! A história do seu irmão me trouxe alguns fatos da minha própria infência à mente. Eu aprendi a ler e a escrever antes da escola formal e achava a aula de alfabetização a coisa mais chata do planeta. E em “tempo de criança” eram as 4 horas mais longas do dia…

    • Sérgio Butschkau

      André concordo que o modelo de educação atual esta ultrapassado ou melhor dizendo nunca foi o ideal, mas penso eu que nos primeiros anos, o aluno deve sim interagir com outros alunos e que lhe sejam ensinado uma pluraridade de matérias prara que o aluno possa percerber qual sua vocação e não só isto quem tem um conhecimento eclético tem maior facilidade em raciocinar sobre varios temas…
      concordo com as afirmações de Leonardo que diz que o aluno que vai aprender historia não deveria ou não precisaria conhecer a tabela periódica…, mas como poderia esse aluno saber sua vocação ja logo nos primeiros anos de estudo?
      no que se refere à faculdade ai sim sua opiniao ja esta formada e penso eu que se deveria concentrar-se em pesquisas referente à sua profissão escolhida…
      ja o modelo do aluno aprendendo com um mentor que seja os pais ou qualquer outro mestre escolhido acho valido , mas não passa de uma utopía, não só o Brasil mas muitos outros países no mundo teria grande dificuldade em fazer valer esta realidade…quantas pessoas conhece que poderiamser mentores neste país e quantas familias poderiam se dar ao “luxo” de se utilizar deste sistema “revolucionario”.
      penso eu que por hora devemos melhorar o modelo atual para que os jovens possam cada vez mais interessar-se por pesquisas……

      • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

         Sérgio, parece utópico mas já está acontecendo, inclusive no Brasil. Desescolarizar, além disso, não significa ficar trancado em casa, sem interação social ou exposição ao que o mundo tem a oferecer.

      • Muriel Fiorese

        De forma consciente ou inconsciente minha mãe, que foi ridicularizada na escola quando nova, por não se adequar aos “padrões”, me educou com as suas experiências de vida, e orientação de algumas pessoas realmente “sábias” (não esses professores que só usam um lado do cérebro), me ensinou o que realmente vale a pena. Tanto ela, quanto eu passamos pelas mesmas dificuldades escolares (principalmente os cálculos), deve ser DNA, porém devido à prévia educação vinda de casa, com 16 anos eu resolvi traçar um caminho diferente do fluxo da industrialização, contrariando tudo o que me era ensinado na escola, e parti para o empreendedorismo, cheguei às cegas, mas grudei igual carrapato em quem já tem a experiência de negócio, a pouco menos de um mês abri meu negócio, ainda está informal (por que eu sou “incapaz”, menor de 18 anos, que absurdo, menores de 18 anos já são pais e chefiam tráfico), ainda estou começando mas tenho uma excelente perspectiva de futuro, minhas maiores dificuldades estão sendo, o medo de errar, me identifiquei muuuuuuuuito com o garoto do primeiro vídeo, e vontades não me faltam para incendiar a escola, acho que não vale a pena, tem inocentes lá, porém (mesmo postando isso 10 meses atrasado) não acho que esse método seja uma “utopia” assim como vários pensam, ou talvez não tanto, o que falo por experiência própria é que independente de nível social, cor, sexo, etnia, ou qualquer coisa. Qualquer pai ou mãe, que realmente quiser EDUCAR seus filhos como eles merecem, tem essa chace, e não foi necessário muito “luxo”, e digo mais, Vale a pena acreditar, seus filhos lhe agradecerão, eu apoio xD, André a partir de hoje sou seu fã!! (por falar nesse assunto vou recomendar um livro: Pais brilhantes e professores fascinantes. De: Augusto Cury)

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Bacana sua contribuição, Leonardo. Enriqueceu o debate. São estas distorções do sistema que também me levam à indignação e à vontade de me unir a outras pessoas para criar algo que faça mais sentido.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Bacana sua contribuição, Leonardo. Enriqueceu o debate. São estas distorções do sistema que também me levam à indignação e à vontade de me unir a outras pessoas para criar algo que faça mais sentido.

    • http://profile.yahoo.com/BARYYMZVNNGYBUKRJHOTFQJQ2M Jp

      Vá ao google, pesquise por corrupção e verá dezenas de notícias em jornais eletrônicos. Pegue qualquer uma delas que seja comentada e vai achar dezenas de pessoas comentando que se fosse na época do regime militar isso não seria assim, já era uma época onde havia lei e ordem nesse país, não havia corrupção e nem essa quantidade de crimes que há hoje em dia, certo?

      Não concorda que naquela época era tudo melhor? Como você pode saber? Você por acaso é um historiador ou estudante de história? Porque se não for pra que estudou história então? Isso não ajuda sua vida cotidiana em nada. Porque mesmo eu, que estou estudando numa universidade em um curso que não tem nada a ver com história, tenho que saber essas coisas? Isso simplesmente não me ajuda profissionalmente em nada!

      Não seria melhor se eu simplesmente não soubesse sobre isso tudo? A quantidade de tempo perdida estudando nazismo, algo que não faz parte da minha vida, poderia ter sido melhor empregada lendo um livro de química e se fosse para saber algo sobre isso não seria melhor ter aprendido na vida, conversando com as milhares de pessoas por esse país que diariamente param para falar sobre como a floresta amazônia é cheia de riquezas biológicas que estrangeiros vem estudar e criar cosméticos para patentear e vender para nós.

      • http://www.facebook.com/bwb0de Daniel Ferraz

        Jp, a vida não é só trabalho e conhecimento técnico-utilitário… Ter conhecimento histórico é essencial para exercer qualquer protagonismo político verdadeiramente consciente. Caso contrário só nos resta o senso comum. E senso comum na vida política se revela na alienação e nos retrocessos que temos por aí…

        É essencial estudar história, inclusive o nazismo. Só assim poderemos compreender até que ponto o ser humano pode ser estúpido e brutal ao ponto de ser conivente com o extermínio seus semelhantes por concepções ideológicas falaciosas, pseudo científicas… Ou você acha que a responsabilidade do holocausto deve-se apenas à Hitler?

        Em relação à escola, sem dúvida mudanças são mas que necessárias e essa necessidade não é de hoje. Há muito Paulo Freire aponta para a educação popular e para a necessidade de superação da “educação bancária” voltada à formação pura e simples de mão-de-obra. A educação deve aliar-se aos interesses da classe oprimida…

        No meu entendimento, a Escola ainda tem o potencial de ser um espaço propício para a expressão de contra-hegemonia, que pode e deve ser fundamentada em meio ao debate coletivo. É exatamente a possibilidade de constituição de um coletivo, em contraposição a sociabilidade individualista, que faz da escola uma instituição ainda importante. Entretanto, muitos companheiros, colegas da educação, perderam de vista essa dimensão coletiva e agregadora da atividade escolar. É mais fácil reproduzir o “modelão”. Entenda que o debate pode ser construído pelos fóruns na internet (como aqui, nesse momento), mas o debate cara a cara é muito mais dinâmico e rico.

        Eu pergunto: assistir (consumir) a palestras, eventos (mesmo culturais) proporciona momentos de troca pela via do debate? Esse é o foco dessas atividades? Qual seria o interesse de proporcionar esses momentos caso, algum dia, eles venham a existir?… O interesse da escola está explícito nos documentos oficiais e, em alguns casos, ele extrapola a formação utilitária… Agora a execução muitas vezes carece de crítica e fundamentação teórico-prática… Novamente, é mais fácil repetir o “modelão”… Entenda, a teoria educacional avança, mas a prática escolar se auto-reproduz sem buscar as devidas pontes com essa teoria… É o mesmo discurso de sempre: “Na prática, a teoria é outra”… Seria então, coerente culpabilizar a Escola, enquanto instituição, pelos equívocos expostos?

        Em suma, a Escola é um mal necessário como o Estado (ou alguém aqui acha que a injustiça e a desigualdade são consequências exclusivas do Estado?). E nós, enquanto cidadãos devemos nos apropriar (participar) desses espaços, apontando equívocos, sugerindo alternativas e auxiliando na construção e em sua melhoria… O que precisamos mudar é, primeiramente em nós mesmos, a nossa cultura política de apatia e o comportamento individualista introjetado pela sociabilidade capitalista.

        É isso. Um abraço!

  • http://profile.yahoo.com/73HYP4ZDJDSBZBK7JHJ6R6HUKQ Vladimir Frantisek

    Eu sou extremamente a favor desse tipo de instituição, que respeita essa nova perspectiva das inteligências múltiplas, que dá espaço para atividades mais interativas, conteúdos que façam, digamos, mais “sentido” para os alunos, tentando ao máximo contextualizá-las, enfim, um sem-número de ações para o enriquecimento da educação…porém, quando me deparo com a situação atual da educação, e com o depoimento de pessoas próximas sobre a mesma, fico me perguntando como colocar o que o autor coloca em prática; como dar vida a uma escola com tamanha proposta…Muitos professores próximos a mim alegam que já desistiram faz um bom tempo de tentarem implementar quaisquer tipo de atividades diferentes, ou de colocar ânimo nos alunos, de incentivá-los a buscar um futuro melhor. Dificuldade encontrada principalmente em instituições públicas, onde falta de tudo um pouco. Por conta disso, acabei adquirindo uma visão pessimista sobre essa questão…

    E olha que minha formação é de Licenciatura…honestamente, vejo a prática educacional, principalmente a escolar, como grande desafio

    • Vmarxx

      se é a favor desse tipo de “instituição”…. não entendeu nada…o problema é justamente a “instituição”..

  • http://www.facebook.com/raperroni Rafael Augusto Perroni

    Sensacional. Imagina esse texto em um vestibular?

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Seria no mínimo um tanto irônico, né, Rafael?      ;)

  • Sua mae

    Hipocrisia escrever um post desses alegando que o sistema de educação não funciona. O autor realmente acredita que conseguiria escrever um post assim sem ter estudado em escolas?

    • Vmarxx

      nao esqueça: quem inventou o alfabeto..foi um analfabeto.

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001582825858 Gabriel Queiroz

      E quantos dos que frequentaram escolas são capazes de escrever um texto assim? A escola não é garantia de sucesso em nenhuma das áreas que tenta desenvolver nos alunos.

      Seria muito bom se pudéssemos focar em certas áreas e habilidades desde o princípio. Melhor ainda se fosse possível misturar áreas diferentes numa formação individualizada, adaptada pelo próprio aluno. Ou quer dizer que eu não posso gostar de música, engenharia de telecomunicações e literatura inglesa do século 19 e querer aprender mais sobre tudo isso?

      Essas coisas nunca vão acontecer dentro do modelo rígido que seguem as escolas.

    • Jbatist7

       Oi “sua mae”, conseguiria sim escrever, minhas filhas escrevem bem digitando no computador sem ter feito curso de caligrafia.

    • Laura Lopes Gonzalez

      Mas sem esse sistema de educação, esse texto não teria sentido em existir.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Mãe, permita-me mostrar a falha lógica do seu raciocínio, cuja conclusão é me acusar de hipocrisia:  o fato da escola ter permitido, a mim, produzir este post não significa que sem ela – trilhando outros caminhos, eu seria incapaz de fazê-lo. Preciso citar nosso ex-presidente como exemplo?

  • http://www.facebook.com/victor.guriri Victor Augusto Lage Pena

    André,

    Acho que antes de tudo, você deveria refletir que a escola faz parte do mundo, ela não é um universo paralelo. Os problemas de excesso de medicamento, violência e etc, são problemas que existem no mundo, e logicamente vão para dentro das escolas.Dentro da lógica capitalista, moderna e democrática em que vivemos, sou obrigado a dizer que todas as crianças tem que ir para a escola sim, pois assim será uma forma democrática de dar oportunidade de aprendizado a toda população.
    Os meios culturais em que você citou, eles não fazem parte do cotidiano de muitos paulistanos, isso porque faz parte de uma cultura erudita, e quem faz parte de um cultura mais popular não vai buscar esta cultura erudita de imediato, ela terá que sofrer alguma influência, ou seja a escola.E os modelos de Escolas abertas não seriam uma forma de escola? Concordo que precisamos de uma reformulação no processo educacional, mas não acredito no fim do processo de escolarização.

    Bom, só quis dar um pouco de contribuição.
    Abraços, e parabéns pelo PH.

    • Jbatist7

       Victor, a escola faz parte desse nosso mundo, em outras culturas tem outros jeitos, pois se trata de um instrumento e como instrumento está superada e não dá as respostas para os novos tempos. Inclusive essa promessa de democratizar não se verifica, pois a qualidade das escolas está diretamente ligada a “pra quem ela serve”. Também àquilo chamado de “cultura erudita” traz uma boa dose de preconceito com as outras culturas, incluve reproduz como saber válido os saberes da classe dominante. O não existir escola não signfica que não existira processos de Educação para inserir as novas gerações, apenas significa que o modelo institucional hoje chamado escola deixaria de existir, como deixaram de existir missa em latin e surgiram diferentes formas de manifestação cultural e religiosa. Enfim, Atualização, essa é a proposta.

    • Sandra

      Victor,

      Trabalho em uma escola e sei como é difícil lidar com todas essas questões. Motivar os alunos para terem sede de aprender alguma coisa que os interessa não é tão simples assim. Como seria maravilhoso ver crianças e jovens querendo aprender mais (e não estou falando do assunto dado em sala, mas de qualquer coisa que leve a um crescimento). Uma coisa é tentar motivar o seu filho (tarefa já bastante árdua), outra coisa é o coletivo.
      Apesar das dificuldades acredito que escolas devam continuar existindo. Poderiam melhorar muito, mas esse é um assunto que rende muitos debates. A quem interessa que a escola melhore?
      Acho o modelo da escola da ponte de Portugal muito interessante. Nunca entendi porque ele é tão pouco copiado. Talvez porque para que modelos como esses aconteçam é preciso uma conjuntura de situações favoráveis, que nem sempre são fáceis de sempre reproduzidas.
      A escola não deixa de ser um reflexo da sociedade. O fato de crianças estarem precisando de medicação não pode ser culpa só da escola. Quando criança brincava muito na rua. Hoje meus filhos não podem ter a mesma vivência, pois a violência nas ruas já não permite mais…

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Victor,
      obrigado pela sua contribuição!  Onde discordo: as escolas são incubadoras do mundo – elas estão lá desde o comecinho da vida e produzem (e não apenas recebem) as mazelas que vc cita. Outro ponto: a obrigatoriedade da frequência escolar é, por definição, incompatível com a ideia democrática que vc cita – mesmo motivo pelo qual sou radicalmente contra o voto obrigatório. Não se produz democracia com imposições.

      • Alex

        Eu já concordo com o Victor, os meios culturais que vc citou não acessiveis aos alunos que ministro aula na periferia de Guarulhos, muitos deles são filhos de pais separados, mal tem o que comer e alguns filhos de prostitutas, e filhos de pais analfabetos onde os pais não têm como alfabetiza-los em casa, é na escola que alguns se alimentam, é na escola que ganham livros juvenis do governo e é neste lugar que mostramos o lado da leitura a partir deste livros doados, é lá também que eu mostrei um documentário pras crianças do 6 ano, onde nunca tinham assistido pois não tv a cabo e na nossa rede de televisão aberta não passa documentários, só filmes de ação e novelas… Eles não tem dinheiro pra ir numa biblioteca ou nos museus, mas em maio já programei um passeio cultural a pinacoteca, todos estão animados e felizes por isso, espero que eles gostem muito e quem sabe um dia estas suas idéia se realizaem, seria maravilhoso…

  • Marcos Augusto Nunes

    Muitas dúvidas a respeito disso. O maior problema é o modelo da escola. Um ambiente escolar pode estimular a criatividade. O convívio humano, mesmo sob ameaças e desempenhos de papéis sociais brutos, nuançam as formas de socialização e a complexidade do mundo. O autor trata o tempo todo da escola como local inóspito, inibidor, repressivo. Mas a escola também é um lugar de debate, de paquera, de compreensão dos códigos comportamentais. Enfim, não sei se se trata de suprimir a escola; é mais enriquecer a escola com métodos que já existem, que fomentam o interesse da pessoa pelo mundo, sendo o espaço da escola uma via de acesso a múltiplas criações e relacionamentos. Contato humano, com todos os problemas que eles podem nos causar. Nada de Internet e sua administração dos afetos à distância, que provoca no sujeito uma imersão na vaidade, egoísmo, e o leva às fantasias de poder. Óbvio que há problemas na escola. Mas esse ponto de vista, bem, por fim, acho que tá errado, por descartar os também vários benefícios resultantes do atrito humano, que, se produz luxações, também produz suor, tá entendido?

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Obrigado, Marcos, pela leitura e comentário. Concordo totalmente quanto à necessidade de contato versus a imersão na vaidade, egoísmo etc. associada aos relacionamentes à distância. A proposta de desescolarizar, entretanto, não significa reduzir a convivência; ao contrário, o apelo é para que as crianças deixem de ser segregadas em um mundo à parte e sejam readmitidas na vida cotidiana da comunidade – os outros espaços passam a ser ambientes de aprendizagem.

    • http://www.facebook.com/bwb0de Daniel Ferraz

       Hehehe! Vai na linha do que falei!

  • http://twitter.com/rafanoris Rafael Noris

    Já ouviu falar de Summerhill? :)

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Conta mais, Rafael, o que é isso?

      • Vmarxx

        uai sô…não está dito no texto que a internet é uma das janelas para escapar da masmorra da educação atual???? então…o google te leva a summerhill em um click…

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        Summerhill é uma escola que prega a liberdade, dentre outras coisas.Mas não é este o ponto do autor nem o ponto da desescolarização.

        Summerhill é uma instituição, é afastada e é regida pelos alunos. Os alunos não moram com suas famílias, moram na escola. Acho que o autor (e a ideia de desescolarização) vão além de Summerhill. É tirar a criança da instituição (por isso, desescolarizá-la), para que aprenda com a vida, com o vizinho, com a família, com tutores…

      • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

         :)

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Já! Projeto corajoso e polêmico.  :)

  • http://www.facebook.com/muriacy Muriacy Velasco Ventura Junior

    Minhas filhas estudam em uma escola com pedagogia Waldorf, conhece? http://www.sab.org.br/pedag-wal/pedag.htm

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Conheço e simpatizo bastante!

  • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

    Além das barreiras estruturais das escolas (metodologias, infra-estrutura). Podemos afirmar que existe uma forte pressão da categoria (professores) para que o sistema permaneça assim??

    Vários dos professores que tive se encaixam perfeitamente na contramão desse movimento de mudança. As vezes tenho a impressão que não pensam em alternativas e preferem gastar energia brigando por condições favoráveis para exercerem a profissão do mesmo jeito, no mesmo sistema.

    Concordo muito que o professor deve ser “… mentor, curador ou inspirador de processos de amadurecimento e formação”

    E o ponto de vista do aluno, tenho certeza que muitos iriam adorar se tivéssemos um entrada USB na cabeça (como na ilustração). O fim dos tempos ao meu ver.

    Muito legal o HUB – Escola! Parabéns

    Citando Mark Twain: “Don’t let schooling interfere with your education.”

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=1066327634 Dani Stark

      Acho que sua pergunta está equvocada e que professores não “pressionam” para que o sistema continue assim. Não é o professor que decide o que vai ser ensinado… ou quando, ou até mesmo como. Quem decide isso? Provavelmente pessoas que estão a éons de uma sala de aula. A gente tende a por a ‘culpa’ no professor, mas a gente não pode esquecer que ele é tão vítima do sistema quanto as crianças. 

      Agora me diz uma coisa: como o professor vai ser o ‘curador, mentor, bla bla bla” numa sala de aula  com 40 alunos? Como ele vai dar atenção a cada um deles??  O problema é estrutural… A estrutura que dever ser analisada, discutida e mudada… E os profissionais capacitados para tal… 

      • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

        Pressão não foi o termo mais adequado. Estagnação talvez encaixe melhor…

        Mas acho que estamos falando a mesma coisa.

        “…A estrutura que deve ser analisada, discutida e mudada… E os profissionais capacitados para tal… “.

        Textos como esse analisam, discutem e de certa forma tentam mudar a estrutura…Os profissionais capacitados para tal estrutura não seriam os professores? Capacitação inclui não só conhecimento técnico dos temas que serão transmitidos, mas também pedagogia, inclusive para se adaptar a vários problemas estruturais (falta de material, salas lotadas, etc…).

      • Jbatist7

         Dani, o professor é a peça chave da instituição escola, lembre-se que quem assume a direção, a coordenação… é um pofessor(a) que é deslocado da função de sala de aula e vai para uma outra função no sistema, quando se fala em professor podemos pensar desde o MEC até a sala de aula. Lá em todos os espaços estão eles. Já se têm atitudes nada proativas e dependentes já é questão do não desejo efetivo de mudanças, embora quando está numa sala de 40 alunos se revolte, mas quando sai dela só consegue ver o sistema de ensino como sala de aula e facilita para o professor das “sua aula”. A “aula” é a razão de se do professor, ele não pode existir sem a “aula” ele e a “aula” são um. O seu pensamento é típico de quem está dentro do sistema, para pensar como o auto acho que seja necessário se posicionar fora do sistema e olhar os malefícios de longe.

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Tamura, boa parte dos professores não tem vocação e nem tesao de lecionar. Encontram na docencia uma oportunidade de pagar contas.

      Sim, zoar o modelo vigente não é negócio para muita gente.

      • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

         Concordo, Rafa. Só não nos esqueçamos de que também há os abnegados sonhadores que seguem dando murro em ponta de faca. E que muitos sem tesão hoje já foram sonhadores em outra época, antes de serem massacrados pelo sistema atual, que lhes reduziu a autômatos pagadores de contas.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       André, gostei demais da frase! Poderia servir de epígrafe a este texto, não? Vejo que muita gente tem dificuldade de entender (ou aceitar) que a Educação é algo infinitamente mais amplo que a escolarização!…

  • Marcella

    O sistema educacional atual não está pensado só em resolver as necesidades de aprendizagem dos alunos, ele permite “guardar” as crianças e os adolescentes durante o tempo de produção dos pais, permite controlar essa massa da população de forma que possa garantir que os adultos “produtivos” cumpram suas funções normativas também sem distrações, tirando completamente dos pais a responsabilidade pela educação dos próprios filhos. Por outro lado, permite treinar muito bem os alumnos para aquilo que será o futuro de muitos deles: estar mais de 8 horas fechados em um espaço de trabalho, com luz e climatização artificiais, imobilizados em uma cadeira e obedecendo ordens hierárquicas. A educação baseada em escolas, é somente uma necesidade do sistema económico, de dominação social e repetição de estruturas, por isto tentar modificá-lo teria muito mais consequências do que possa ser imaginado. Como é que esse modelo alternativo de educação proposto pode lidar com o fato de que a sociedade realmente não quer nem precisa de pessoas criativas e independentes, pelo menos em grande escala? Como é possível zelar para que os modelos educacionais alternativos não terminem sendo somente para os sujeitos mais favorecidos, cujas condições sociais iniciais lhes permitem antecipadamente viver com um abanico mais amplo de liberdades e escolhas? 

    • Vmarxx

      abanico?

    • Carvalho

      Excelente argumento! Pois é muito fácil pegar meia-dúzia de indícios, um único caso prático e meter o pau em “tudo que está aí”.

      A educação atual não é uma necessidade do modelo econômico, é a melhor alternativa encontrada até hoje para manter e perpetuar o modelo atual que trouxe a humanidade a níveis de conforto nunca antes vistos. Os próprios problemas relatados, quase todos ligados à parte mental evidenciam que alcançamos um patamar inédito, onde ameaças físicas à nossa segurança não são mais a principal preocupação de nossas vidas. Isso foi a regra para nossos antepassados.

      Sim precisamos avançar, mas que isso deve ser feito sobre as bases que nos trouxeram até aqui. Goste ou não, a escola nos modelos atuais é o que permite que a Internet exista por exemplo…ou um programador iria aprender a programar em casa com seus pais? Tipo hereditariedade de profissões…voltamos ao tempo das Corporações da Idade Média…

      E realmente o mundo não precisa de tantas pessoas criativas. Aliás, essa idéia de que todos podemos ser criativos e especiais colabora em muito para a frustração dos adolescentes e jovens. A dura realidade é que a esmagadora maioria será somente parte da massa. O que não impede ninguém de ser feliz, a não ser que tenha sido inculcado desde cedo com a idéia de “ser especial”.

      • http://www.facebook.com/bwb0de Daniel Ferraz

        “A melhor alternativa encontrada até hoje para manter e perpetuar o
        modelo atual que trouxe a humanidade a níveis de conforto nunca antes
        vistos”

        Entendo que esse modelo, em fase de “acumulação flexível” e consequente precarização do trabalho está proporcionando cada vez menos conforto e bem estar… Veja o exemplo dos países centrais da Europa. A mudança necessária não se restringe à instituição Escola, mas ao próprio “modelo econômico” que naturaliza a desigualdade entre as pessoas.

        Como o autor expressou, a individualidade das pessoas são construídas em relação (processo de educação em sentido lato, relações sociais, que independe da escola)… Que resultados, em termos de indivíduos sociais, temos quando as condições objetivas para a sua socialização são desfavoráveis? É a ignorância desse aspecto (a realidade) que faz que certas correntes ideológicas naturalizem as desigualdades e legitime a ideia de que por “não precisar de pessoas criativas” podemos massificar a educação enquanto instrução, “educação bancária”, pois precisamos de mão-de-obra…

        Toda tecnologia construída pela humanidade hoje poderia-nos conduzir a uma sociedade mais livre… Mas há, ainda, seres humanos que se julgam superiores aos outros… Pra mim isso é a “doce ilusão da independência” que foi inicialmente fomentada com a possibilidade de liberdade individual… Somos todos interdependentes. O desenvolvimento tecnológico-científico só foi possível em virtude da divisão social do trabalho… Que ciência existiria, por exemplo, se os lavradores não produzissem a comida dos cientistas? Qual dessas duas profissões/funções é mais importante? Para mim nenhuma… O fato é que em uma sociedade não alienada, as profissões/funções “ditas superiores”, por serem por exemplo criativas, reconheceriam sua impossibilidade de existência se não fossem as primeiras…

        É por causa desse “modelo econômico”, para ser mais exato, é por causa do modo de produção capitalista que experimentamos retrocessos na sociabilidade com episódios cada vez mais frequentes de barbárie.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Marcella, você apontou pontos fundamentais. O foco no desenvolvimento econômico, o individualismo e o consumismo próprios a nossa cultura são o motor da terceirização da educação dos filhos. A maioria das escolas de educação infantil que conheço assemelham-se a depósitos de criança, absolutamente indiferentes a suas necessidades fundamentais de afeto, sustentação e atenção. Concordo com vc, mudar a educação escolarizada traria muito mais consequências do que podemos imaginar. Por isso, considero que mudar a educação encobre um potencial enorme de transformação social e também por esse motivo escrevo um texto como esse, que serve de provocação e convite a fazermos o que estiver a nosso alcance para cessarmos a insanidade coletiva que é esse mundo desumanizado em que vivemos.

      • http://www.facebook.com/bwb0de Daniel Ferraz

        André, “mudar a educação” ou “mudar a Escola”? Como construir um panorama de mudança sem uma compreensão sistemática da realidade… Em tese, a Escola é o espaço que pode proporcionar isso (a reflexão crítica a respeito do cotidiano) e, por isso, muitos tendem a acreditar que a Escola pode mudar a realidade… Mas o que muda a realidade, de fato, são as pessoas articuladas politicamente (em um coletivo) com clareza de pensamento e fundamentação para compreender/refletir em meio a uma realidade tão complexa e articular aliados; são pessoas engajadas em movimentos sociais (classistas ou identitários), pressionando o governo ou fazendo lobby no legislativo… O que muda a realidade, de fato, são as pessoas “politicamente alfabetizadas”, capazes de discernir prática de discurso e compreender o que está exposto nas entrelinhas…

        Volto a dizer, eliminar as Escolas significa eliminar um espaço importante de construção coletiva com a base da população. Eliminar a Escola significa, na minha percepção, eliminar a possibilidade de construção de uma sociedade verdadeiramente mais democrática.

    • http://www.facebook.com/bwb0de Daniel Ferraz

      Essa visão está muito althusseriana: “A educação baseada em escolas, é somente uma necesidade do sistema económico, de dominação social [...]“… Não esqueça que o “sistema educacional”, a “escola”, a “sociedade”, entre outros, são formados por pessoas (estamos nele[s]) e, embora limitados, gozamos de certa autonomia… Até onde sei não instalaram uma “tele-tela” (referencia à: Orwell 1984) dentro das salas de aula (^^).

  • http://www.facebook.com/muriacy Muriacy Velasco Ventura Junior

    Também me lembrou duas coisas interessantes:
    1- Vídeo animado sobre uma palestra de Sir Ken Robinson - http://www.youtube.com/watch?v=zDZFcDGpL4U2 – A “última” tirinha do Calvin.

    • Guest

       Cara, gosto muito do Calvin & Hobbes e acho essa tira uma das coisas mais angustiante que eu ja lí…

  • Vmarxx

    putzzzz ..o pessoal nao entendeu nada..isso sim, é culpa da escola; nao conseguem figurar nada fora do esquadro das “instituições”..

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       de fato, a escolarização não é apenas uma realidade ‘externa’, mas também um jeito encaixotado de pensar.

  • http://www.facebook.com/muriacy Muriacy Velasco Ventura Junior
  • Matheusdg

    Sensacional! ótimo texto, ponto de vista interessantíssimo.

  • Jcgjunio

    Fantástico texto, realmente este processo escolar que faz com que as crianças se voltem pra sí mesmas, se tornando inseguras e obcecadas por resultados sem razão alguma, é uma forma ultrapassada, tendo como consequência a produção em massa de pessoas com conceitos prontos e sem criatividade.

  • gilmarsouzafilho

    Extrapolando para uma realidade sem a educação institucionalizada seria o fato que as pessoas não teriam em quem por a culpa de seus fracassos.

    ex: a faculdade não preparou para o mercado de trabalho // não existe emprego na minha área // não tive acesso/oportunidade de _____ (preenche com seu “mimimi” predileto).Além de tornar a vida muito mais fundamentada na ação/realidade.  

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       outro ponto fundamental esse, gilmar. Desescolarizar implica responsabilizar-se pelas próprias escolhas ao invés de seguir por caminhos determinados por outros.

  • Alvaro Figueiredo

    No passado, os filhos aprendiam com os pais. As primeiras escolas eram frequentadas por adultos. Creio que a ideia de colocar as crianças na escola começou com a revolução industrial, para que os pais pudessem trabalhar longe de casa.

  • http://www.otravezagain.blogspot.com/ Larissa Lyra

    Gostei do texto e das várias referências. Parabéns!

  • http://www.facebook.com/people/Yago-Bruno-Dantas/100001296506331 Yago Bruno Dantas

    Ando pensando bastante nisso, pois vejo que hoje as potencialidades são castradas, principalmente em nome dos vestibulares. Aulas de História, por exemplo, não te contextualização o suficiente para entender como você chegou até ali. É uma associação de ideias para passar no vestibular. Iluministas, marxismo, Hegel, Revolução Francesa, tudo isso é diminuído, perdendo o conhecimento vasto que se obtém de uma análise mais séria de pensamentos, conceitos. 
    Os estudantes ficam presos, não dialogam com o professor, não questionam. São reflexo de influências de ordem, de achar que o professor sabe tudo, que o aluno não é nada etc.
    Aulas de Sociologia, Filosofia não se pode aprofundar demais. São vistas como chatas. O professor geralmente pega um tema polêmico para incitar a participação dos alunos. Nas Exatas ninguém te contextualidade. São raros o que te colocam no mundo do cientista, pensador, que te fazem enxergar o que ele enxergou naquela época para daí elaborar teorias, conceitos. Fórmulas são jogadas. Isso pra mim não faz sentido nenhum. nenhum mesmo. Uma realidade está se formando, e não existe papel para heranças castradoras de potencialidades nas escolas.
    Esse modelo de educação vai ser sucumbido, creio eu(espero não ser uma ilusão). Eu espero que existam pessoas corajosas o suficiente pra mudar. Mande seu filho perguntar mais os porquês a cada aula.
    Isso que eu disse pode parecer um pouco fora de uma realidade social de grande parte dos estudantes do Brasil. A gente sabe que existe imensa carência no sistema de ensino, o que já faz parte de outro contexto diferente da do texto, pois depende da vontade de governantes atuarem nessa questão. Antes de se condenar, mudar, testar formas de ensino diante da realidade que se estabelece, existem lacunas enormes que precisam de mudanças, ou se formará uma geração de pessoas “brilhantes” e outra por fora de tudo isso.

  • http://www.facebook.com/renato.fg92 Renato Figueiredo Galante

    Desescolarização: precisamos mesmo das escolas?

    Muito interessante :D

  • Mateus T.F.

    Parabéns Andre. Muito bom o texto, me identifiquei com ele. Vou contar uma pequena história.
    Tenho 22 anos e nunca fui para a escola regular, nem pública, nem privada. Fui educado pela minha mãe e pai, assim como os meus irmãos mais velhos. Na época de educar os filhos minha mãe já achava que a escola somente mutilava a criatividade e nos “enformava” para a sociedade. Quero deixar claro que nunca deixamos de estudar, pelo contrário, irmão pós graduado, irmã professora de dança e eu na faculdade. Por esse podo de ensino acabamos tendo muito contato com artes e a nossa forma de pensar é sempre questionando, não somente aceitando, mas buscando o por que daquilo. Mas claro que não é fácil. Somos um pouco deslocados da sociedade, não por falta de amigos, pelo contrario isso temos muitos, digo deslocados pela forma de pensar. Não é fácil se adaptar a uma sociedade da qual você não foi preparado. Mas estamos seguindo na vida, felizes e realizados. Isso que importa. 
    Grato pelo texto e também grato ao PDH pela publicação. Abraços!!!

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      História *fascinante*, Mateus.

      Como funcionou essa educação fornecida pelo seus pais, exatamente?

      Era diário? Usavam livros ou métodos próprios? 

    • RommelSousa

      Tudo isso no Brasil? Caso afirmativo, como sua família fez para “driblar” a legislação vigente, que inviabiliza o homeschooling?

      x x x x
      1.1 Constituição Federal
      “Art. 208 O dever do Estado com a educação será efetivada
      mediante a garantia de:
      I – ensino fundamental obrigatório e gratuito (…);
      ……………………………………………………………………………………………………..
      § 3o Compete ao poder público recensear os
      educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar,
      junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola”.
      1.2 Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
      “Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à
      educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa,
      preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o
      trabalho, (…):
      ……………………………………………………………………………………………………….
      Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de
      matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”
      x x x x

      • Mateus T.F.

        Olá Rommel. Então, simplesmente não fez alarde. Na época ainda não tinha vindo a mídia histórias como esse, só depois que todos nós estávamos com nossos 2° graus completos é que surgiu histórias de pais que queriam educar os filhos. Não fico contando para todos sobre minha educação, não por vergonha, pelo contrario tenho orgulho de disso. Mas acho que não vem ao caso ficar espalhando ou querer se vangloria disto. Onde estudo ninguém sabe disso e no curso técnico que fiz antes somente 2 amigos ficaram sabendo, isso porque não iria mentir quando me perguntaram onde é que eu estudei. Realmente só conto quando alguém me faz essa pergunta, do contrário evito. Tem fezes engraçadas que colegas do curso perguntam: isso lembra os tempos de colégio né? Eu digo, é sim lembra mesmo. Não estou mentindo pois também sei como é a rotina de uma escola. Uma fez uma amigo meu disse que eu deveria falar para toda a turma a minha história, pois não é sempre que uma pessoa que nunca foi a escola passa em uma etec e consegue uma bolsa do prouni de 100%. Hoje estou escrino no prouni e acho que mereço pois os únicos gastos que o governo teve comigo foi algumas folhas de papel para as provas e o tempo de algum professor para corrigi-las. Não sou mesmo de espalhar a minha história, só compartilhei hoje com vocês pois acho que complementaria o texto do Andre e ajudaria no debate dos comentários. Do resto sou igual a todos vocês. VAleu!!!

      • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

        Homeschooling é proibido no Brasil porque não engorda estatísticas do Governo para a educação, e ainda não foi capitalizada pelo atual modelo de negócios das empresas de educação. Simples assim.

      • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

         Valeu!

      • RommelSousa

        Mais sobre a situação do homeschooling no Brasil: http://www.passeiweb.com/saiba_mais/atualidades/1213299300

      • Mateus T.F.

        Olá Rommel tudo bom? Sim tudo isso no Brasil. Simplesmente não fizemos alarde. Não espalho para todo mundo isso. Onde estudo ninguém sabe minha história. Em um curso técnico que fiz somente 2 amigos souberam, por que perguntaram onde eu estudei. Algumas vezes é até engraçado pois colegas dizem que algo lembra os tempos de colégio e eu acabo por concordar, não estou mentido pois realmente sei como é a rotina de um colégio. O motivo de eu não espalhar essa história não é vergonha, polo contrario tenho muito orgulho disse, mas é porque não vejo razões para isso. Já me disseram para eu contar para a minha turma isso, que passei em uma Etec, coisa concorrida onde moro e que consegui bolsa do prouni para a faculdade. Não considero isso superação, pois eu tive uma boa base familiar. Para minhe exemplo de superação são as crianças que tem que viajar por horas para poderem ir a escola, isso sim tem que ser difundido para todos, principalmente para os adolescentes que tem a oportunidade e não da valor. Valeu!!!

      • Andre Nicolas

        Como entrou para a faculdade sem um certificado de conclusão do ensino médio?

    • cassia

       Mateus, há um movimento precisando de depoimentos positivos e REAIS como o seu. Poderíamos trocar idéias? Se sim, eu passo meu e-mail…

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Desescolarizar não seria desmassificar?

    Se vivemos em grupos, por que não melhorar a escola em si ao invés de tirar a escola? 

    Só que aí penso: em uma sociedade que vive a reclamar da falta de escolaridade, que vive a elogiar e valorizar posições, muitas vezes conseguidas por estudo, será que não é retroceder? Ou com isso finalmente valorizaremos o individual pelo que é, e não porque o cara tem o diploma X ou é dono de empresa X?

    A escola em si criou o conceito de que “melhor é aquele que estuda e tem certificado”. Desescolarizar seria matar este conceito. Então o cara que estudou o que for, automáticamente perde o diploma. O que se valorizará a partir daquele momento será as apitidões pessoais no que ele faz. 

    E de Kaspar Hauseres, o Brasil está cheio, já que muitas vezes a juventude é “enfiada” em uma escola e só é ensinado o básico, e depois quando sai da escola é que a pessoa aprende a vivenciar o mundo em si.

  • Mateus T.F.

    Olá Guilherme tudo bom? Fascinante não digo, mas inusitada com certeza, rsrs.
    Então, essa educação funcionou diferente para cada um de nós. Posso falar como foi comigo.
    Minha mãe cursou letras e por isso acho que foi mais fácil. Na verdade em quanto criança minha mãe me ensinou o básico de cada matéria, coisas que realmente iria usar como: matemática básica, contas para poder ir comprar pão e saber quanto era o troco. português, geografia etc. Tudo com auxilio de livros, mas muito mais com coisas do dia a dia. Tipo os pontos cardeais, saiamos de casa para olhar o sol, onde nasce onde se põe. Depois com mais idade, quando já sabia +- o que queria, fui correr atras do conteúdo que faltavam, mas dai já com total interesse de nossas partes, o que fez com que eu realmente aprendesse os assuntos. Para conseguir diploma foi fácil, fiz o encceja, agora substituído pelo Enem. Talvez o grande diferencial da educação que tive foi que em quanto crianças pudi brincar e me aventurar pela vida (meu quarteirão rsrsr) e com isso descobrir muitas coisas por vivencia mesmo, não por teoria. E depois quando já mais velho surgiu o interesse em me aprofundar nas matérias escolar, coisa que fiz com métodos próprios, pesquisa, muitos livros, tirava dúvidas com alguns professore que conhecia, ect.
    Bom essa é parte da minha história, se entrar em detalhes nossa vou escrever o dia todo. A história é diferente eu sei mas assim foi e é a minha vida. Uma coisa que sempre tive curiosidade é conversar com algum especialista em edução para saber melhor sobre as vantagens e desvantagens desse meu sistema de educação, quem sabe um dia converso com o Andre para discutir isso. 
    É isso Guilherme, um pouco da minha história. Grade abraços a todos do PDH.

    • Freelancer

      Mas como os teus pais conseguiram isso? Homeschooling é proíbido por lei no Brasil!

      • Mateus T.F.

        Então Freelancer. Como disse acima, não fazíamos alarde. Minha mãe só foi saber que isso era proibido já próximo de eu tirar os meus comprovante de escolaridade. Dai ficamos quetos, tirei tudo o que faltava e pronto. Nunca chegou a dar problema pra nós, só alguns parentes que achavam meus pais locos… Do resto acho que a justiça não pode falar nada, todos nós estamos bem educados e estudando… Abraços

    • jaderpires

      Mateus, me manda um email no jader@papodehomem:disqus.com.br .com.br pra gente começar a conversar.
      Quero lhe fazer uma proposta =]

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Sim, Mateus, gostaria muito! Podemos marcar um papo.

  • Ricardo Franzen

    Muito bom o texto e a ideia. Parabéns!

    Optei por não ler os comentários porque é provável que professores, psicólogos e outros “entendidos”, vão criticar. Estão todos bitolados.

    Sugiro ao autor ver como funciona o escotismo… Não o que dizem por aí, mas como ele funciona por dentro. Vai ver que este sistema de ensino já existe a anos e FUNCIONA.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Ricardo, há vários comentários interessantes. Obrigado pela sugestão: vou procurar conhecer melhor.

  • Maximiliano Paim

    Digam o que quiserem, mas do jeito que está a educação, sou a favor do
    fechamento das “escolas”. E não apenas pela falta de infraestrutura, mas
    porque o ensino sempre foi atrofiante do pensamento desde a época da
    escolástica. Bem previu e demonstrou Aldous Huxley em Admirável Mundo
    Novo e descreveu Michel Foucault em sua teoria do poder e recomendou nas
    práticas de si.

  • http://twitter.com/gibarino Giovanna Barino

    Andre, excelente texto e questionamento social. Eu sou professora, e sinto diariamente tudo isso que você descreve (assim como imagino vc deve saber na pele também). Hoje estou fazendo meu mestrado em psicologia (desenvolvimento) e entendendo claramente seus questionamentos, além de concordar com eles. Acho que este é um momento de se questionar e muito a educação atual, e sinto muito pelo fato de que não existem ainda opções de solução para esta situação, mas acredito que dessa discussão deverão surgir novas idéias. 

    Meu único questionamento é: e como fica a posição governamental diante desses questionamentos? O próprio Sir Ken Robinson faz e fez mts trabalhos com o governo norte-americano e nem por isso o “no child left behind” deixou de existir e/ou foi modificado.  

    Vejo pouco interesse governamental em construir um novo processo educacional (por razões antropológicas acredito não ser do interesse do governo que se ensine a pensar fora da caixa), não só no Brasil mas em muitos locais do mundo, e muitas cobranças para professores que infelizmente como alguém comentou a cima, muitas vezes não são preparados para dar aula realmente – visto como é feito o processo de seleção de educadores nas instituições federais – títulos ganham e para se ter titulação é muito raro conseguir manter a prática didática. 

    Acredito que você já tenha escutado essas questões milhares de vezes, mas tenho real curiosidade em saber se há algum tipo de movimento governamental ou institucional para o lado dessa iniciativa de reais “coaches” de aprendizagem (inventando um novo termo) ao invés de professores palestrantes.

    Se possível, me mande seu e-mail por DM no twitter ou peça o meu! Gostaria de continuar a discussão! 

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Giovanna, obrigado pelos comentários! Em relação ao governo, tenho certeza de que iniciativas como essa não partirão das políticas públicas. De fato, a capacidade crítica é vista como subversiva para qualquer governo apoiado sobre uma democracia de fachada, como o nosso. A contradição que vc menciona, de se considerar um pesquisador automaticamente um professor (sem preparação didática consistente) é gritante. Sua pergunta: o que existe no Brasil são iniciativas individuais, corajosas e pioneiras, embora relativamente isoladas, de romper com o sistema e bancar a desescolarização dos próprios filhos.

      Gostaria bastante de seguir o diálogo. Você usa facebook?

  • http://www.laedevolta.com.br/blog Ricardo

    Excelente texto, parabéns.
    Acrescentaria apenas que existem modelos de escola que não excluem os alunos do mundo mas fazem parte dele. A Finlândia é talvez o melhor exemplo deste tipo de modelo: http://laedevolta.com.br/blog/2010/04/14/a-excelente-educacao-finlandesa-e-o-brasil/ Mesmo obtendo os melhores resultados em exames internacionais, as escolas finlandesas estão dentre as que possuem a menor carga horária em sala de aula.

    Um exemplo mais perto está em São Paulo. A escola Lumiar, idealizada pelo Ricardo Semler, possui um modelo abrangente de ensino. Leva em conta, por exemplo, as preferências e desenvolvimento individuais, além de inserir a família no contexto do ensino. 

    Escola não precisa ser sinônimo de sala de aula.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Agradeço sua pertinente contribuição, Ricardo. 

  • Lucia Aguilar

    Ideias contemporâneas. 
    Até onde? Fui apresentada algum tempo atrás a ideias próximas a esta por Rubem Alves em seu livro”A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir” da Editora Papiros. 
    Penso que nós poderíamos vislumbrar escolas assim nos vários espaços de nosso Brasil, se abandonássemos um pouco a inércia das teorias e do corporativismo e passássemos a viver nossa entrega pela construção da educação proposta. 
    Peço encarecidamente que, em nome da educação que propõem, não derrubem muros e não fechem as portas das escolas públicas, que mesmo sendo de baixa qualidade ainda são o que de melhor pode ser oferecido às crianças pobres. Se com elas o futuro é incerto e improvável, sem elas nada podemos prever. Fácil falar quando se tem outras possibilidades, como ir para escolas com propostas mais abertas, mas que custam caro, ficar em casa recebendo educação privilegiada e exclusiva, contudo, para a maioria da população em idade escolar a escola, mesmo nos moldes que temos é a alternativa. 
    A quem interessa depreciá-la? 
    Lucia de Aguilar – Brasília – DF

  • Lucia Aguilar

    Ideias contemporâneas. 
    Até onde? Fui apresentada algum tempo atrás a ideias próximas a esta por Rubem Alves em seu livro”A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir” da Editora Papiros. 
    Penso que nós poderíamos vislumbrar escolas assim nos vários espaços de nosso Brasil, se abandonássemos um pouco a inércia das teorias e do corporativismo e passássemos a viver nossa entrega pela construção da educação proposta. 
    Peço encarecidamente que, em nome da educação que propõem, não derrubem muros e não fechem as portas das escolas públicas, que mesmo sendo de baixa qualidade ainda são o que de melhor pode ser oferecido às crianças pobres. Se com elas o futuro é incerto e improvável, sem elas nada podemos prever. Fácil falar quando se tem outras possibilidades, como ir para escolas com propostas mais abertas, mas que custam caro, ficar em casa recebendo educação privilegiada e exclusiva, contudo, para a maioria da população em idade escolar a escola, mesmo nos moldes que temos é a alternativa. 
    A quem interessa depreciá-la? 
    Lucia de Aguilar – Brasília – DF

  • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

    Portal Aprendiz, hoje: USP derruba seus muros.

    http://portal.aprendiz.uol.com.br/2012/04/18/a-usp-derruba-seus-muros/

  • Andre Martines

    Odeio escola, no fundo da minha alma! Há maneira mais inteligentes de educação! Escola foi feito para criar robôs.

  • http://www.facebook.com/people/Bianca-Valoski/100002076579044 Bianca Valoski

    Acredito que a melhoria do sistema atual de ensino seria dada quando conseguíssemos mesclar este sistema fechado com um aberto, principalmente nos anos iniciais  é necessário a presença em sala de aula, considerando obviamente a capacidade de cada criança, o nível de conhecimento que elas já possuem para enquadra las em séries, e não simplesmente a idade. Os professores deveriam ser capacitados para como foi colocado, apresentar o conteúdo aos alunos de forma prática, visitando museus, parques, bibliotecas, indo em conferências, simpósios, etc. A vivência prática é que faz uma excelente educação! E não simples decorebas para vestibular que tornam um aluno bom! Muitas mudanças terão de serem feitas para que um dia consigamos atingir um sistema de ensino ótimo. Desde a melhora na infraestrutura das salas de aulas (torna las ambientes agradáveis que atraiam os estudantes), a melhora na qualificação de professores (que muitas vezes se tornam por não terem obtido exito em sua área de formação) até maior comprometimento dos pais com a educação de seus filhos, de forma que entendam que a escola não é uma creche na qual podem largar seus descendentes para serem cuidados! São tantas as mudanças que as vezes me pergunto se um dia conseguiremos…

    Minha mãe é professora de ciências para alunos de 6ª série (antiga 5ª série) a 3º ano do ensino médio, e sempre levou seus alunos aos mais diferentes lugares (desde lixões, passeios pela cidade a parques de ciências) para tentar mostrar aos mesmos de forma prática como funciona a ciência. São professores como ela que me fazem pensar que sim um dia conseguiremos mudar a educação!Gostaria de concluir com uma frase do nosso mestre brasileiro em educação, Paulo Freire:

    “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam entre si mediatizados pelo mundo”

  • Leandro Dourado

    Concordo plenamente com o fato de o sistema educacional é muito arcaico.
    Porém, acho que essas mudanças devem ser gradativas. Não vejo problema algum em centralizar um monte de crianças num local para aprendizagem, não concordo com a ideia de derrubar os muros, pelo menos não literalmente.
    Acredito que não deveria haver grande alteração no sistema até as crianças completarem entre 8 e 10 anos. A mudança mais radical viria depois.
    O papel do educador deveria ser identificar quais os maiores talentos das crianças, e focá-las nesse talento. Os grandes designers, por exemplo, sempre tiveram talento com artes. Ou seja 90% do que aprenderam até os 18 anos na escola foi INUTIL! É exatamente como o texto fala, eles (os educadores) deveriam ser “parteiros” e “guias de viagem”.

  • Campa

    Ótimo texto e argumentação! Mas a idéia de acabar com a instituição não me fascina pelo motivo de que é necessário uma aprendizada mais “estruturada” em algum ponto da vida afinal criamos novas idéias por analogia, caminhando daquilo que sabemos em direção ao que não sabemos. “Connect the dots”, como diria o clichê usado por Jobs. É claro que em um ambiente menos quadrado e rígido, como o de hoje, as conexões são muito mais fáceis e intuitivas.

    Além disso, existem novas propostas muito mais interessantes e satisfatórias, como é o caso do KIPP, que propõe uma reformulação da instituição “escola”.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Campa, desescolarizar não significa ausência de estrutura – apenas uma estrutura mais flexível e amigável. Pense, por exemplo, em redes articuladas de aprendizagem ao invés de séries, grades, disciplinas, currículos, diretrizes e bases.

  • Freelancer

    Sou a favor de uma re-organização, de uma reformulação ou de quaisquer outros graus de internvenção que torne a educação algo mais do que mera burocracia.

    Sempre fui um aluno curioso, queria entender mais, queria
    olhar pelas outras dimensões do assunto e quase sempre esbarrei em professores
    ‘mea boca’. Um caso gritante que recordo: era uma professora de Geografia e História que ficou puta comigo porque eu sabia “a origem do lapis” e ela não. Disse com toda a autoridade investida a ela “Que o que interessava ali na aula é história e não curiosidades” e dali em diante investiu contra a ponto de eu ir parar na secretaria diversas vezes e ser indicado a uma psicologa por ser um ‘aluno problemático’.

    Eis o meu desafio, quando for a vez dos meu filhos, como evitar para eles esse processo de ‘encarceramento’ que tentaram me colocar? para que não acabem respondendo provas rídiculas que perguntam “onde”, “como” e “quando”?  Ainda mais em um país como o Brasil onde o Homeschooling é proíbido e o Estado adora interferir em tudo? (A Escola é uma de suas ferramentas preferidas para controle social) E ai?

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Freela, é o que estou tentando. Criar alternativas, dar visibilidade, unir-me a pessoas que sintam afinidade com esse jeito de pensar, fortalecer tais grupos e iniciativas até produzir a mudança esperada para então buscar legitimá-la. São como acontecem transformações deste porte, não? Desde a abolição da escravatura até o Ficha Limpa.

      • Freelancer

         Sim, concordo. E seria o tipo de coisa que certamente participaria. Não vejo fundamento mais impactante na sociedade do que uma boa educação.

  • Wagner Brenner

    Postão! Excelente. Tb ando lendo um monte sobre unschooling mas ainda não tenho coragem de tirar meu filho da escola, mas vontade não falta. Fora que aqui é proibido, um absurdo. Enfim, vamos bombar esse assunto porque a escolamé a mais atrasada das instituições nessa nossa corrida por inovação, tá na hora!

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-de-Santana/1784635557 Gustavo de Santana

    Há pouco tempo venho pesquisando sobre desescolarização e sobre alguns projetos que já existem. O texto faz um bom apanhado do que está acontecendo, mas cai na mesma vala comum do que já li a respeito: acerta no diagnóstico, mas não mostra a terapia.

    Porque aplicação prática de escolarização só parece funcionar em um grupo familiar de classe média ou em nichos muito específicos de pessoas, tudo em condições ideais de temperatura e pressão. Dentro do protótipo e das práticas já feitas com alguma escala aqui no Brasil, funciona. É pensando em números maiores que não vejo solução aparente. Ampliar o conceito de desescolarização pras classes D e E dá numa conta que não fecha. A educação formal como existe hoje é ineficaz e isso é bem verdade, mas como é que vamos desescolarizar uma massa de milhões de jovens que nascem a cada ano? Se já é virtualmente impossível dar as mínimas condições de educação dentro dos muros da escola, como que isso funcionaria fora dela pra milhões de pessoas em um país de milhões de pobres?

    Projetos e espaços de educação informal são todos excelentes. Internet idem. Mas antes é preciso que haja, por exemplo, conectividade suficiente pra demanda de potenciais alunos. Hoje, eu vejo que somente um local como a escola poderia prover isso.

    Além, claro, dos problemas pedagógicos, didáticos e logísticos (sim, logísticos, mesmo sem uma escola encravada na rua com espaço de educação). Mas aí já há alternativas e avanços na área. A lacuna que me soa alarmante é mais essa da amplitude de desescolarizar um país inteiro.

    O pior é que me incomoda ficar dando poréns e todavias aqui, porque vejo a desescolarização com bons olhos. Eu entendo que o texto foi feito como um apontar pras nuvens, pra mostrar um caminho relativamente novo que muita gente sequer sabe que existe (ou sabe que existe mas considera surreal). É ótimo que esse tema seja discutido e eu mesmo penso em alternativas pra que a desescolarização seja uma realidade ampla e viável. Só que continuo travado nessa questão de amplitude do desescolarizar, e aceito sugestões e exemplos de onde e como isso tem dado certo em média/larga escala.

    Fico muito feliz que esse tema tenha sido abordado no PdH. O Gitti me havia passado uma série de referência de estudos e temas relacionados e eu não segui em frente, achei que a coisa tinha travado. Muito bom. Parabéns ao autor.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Muito bom, Gustavo! Quanto à terapia: não erradicamos o câncer ou a Aids de uma só vez, não? Tampouco mudamos o modo de pensar e agir (especialmente algo tão institucionalizado) de uma hora para outra. O que o José Pacheco fez, por exemplo, é notável, ainda mais porque foi em uma instituição pública – mesmo que tenha derrubado os muros entre as salas mas não as paredes externas que separam a escola do mundo. Grandes transformações em geral começam com pequenas iniciativas locais. Mas a própria ideia de redes de aprendizagem já conta a favor da possibilidade de compartilhar e dissemirnar um modelo como esse. Olha, vc pode por exemplo seguir o trabalho do Dimenstein com o catraca livre e o Portal Aprendiz – penso que ele já caminhou bastante com a ‘terapia’. Se nos deixamos paralisar pelo problema da larga escala, da popularização, então sequer os PCs ou a internet de alta velocidade teriam surgido, certo?        ;)

  • Ivan Lucas Paz

    Caro André,
    Gostei muito de seu texto devido ao fato de abordar muito tópicos interessantes, entretanto discordo do seu ponto de vista.
    Se imaginarmos que o mundo deverá ensinar as pessoas, é o mesmo que dizer que o conhecimento impíro é mais válido e importante.
    Óbvio que o nosso sistema educacional é doente, devido a degradacão da importancia que a educacão, não só o conhecimento, oara a formacão do indivíduo.
    Ao unir as crinacas, ou qualquer um que deseje aprender, em um local só estamos permitindo que várias pessoas possam evoluir juntas, ver em que tem aptão e são diferentes umas das outras.

    Sem contar que ao dizer que o mundo seria a melhor escola de todas aumnetariam ainda mais as diferencas entre pessoas de classes sociais diferentes, uma vez que cada mundo seria totalmente diferente, isso agragaria os problemas mais tóxicos da nossa sociedade (corrupcão, pobreza, etc…)

    Culpar as escolas é muito mais fácil que resolver o probelma delas.

  • Vmarxx

    Esse tipo de proposição tem de ser visto no “big picture”, no quadro mais geral de uma perspectiva politico ideológica contracultural, antiinstitucional, antiautoritaria, libertaria e radical; em resumo:
    anarquista..então antes do pitaco nosso de cada dia melhor estudar mais um pouco…mas não na escola que de lá nao sai nada. Aliás, no caso de nosso país a função da escola é garantir que nem por acidente alguém vai aprender algo verdadeiramente util e novo. É a masmorra mental absoluta e perfeita.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       rsrs. nem precisa ser tão anarquista – muitas vezes pode ser apenas uma questão de bom senso…

  • Fernando

    Não tenho muito o que comentar, apenas entendam o meu ponto de vista. Meu pai, hoje com 74 anos de idade, estudou até a 4º série, chamavam de primário e basicamente aprendeu como é a vida vivendo. Hoje aposentado, possui conhecimento de manter as pessoas sentadas durante horas apenas ouvindo-o. Eu, com 26 anos e recém formado em Propaganda, vejo que estudando a praticamente 20 anos, não sei NADA.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      porra, cara

      se não sabe perdeu uma chance enorme de aprender mais com seu velho. nada melhor do que conviver com pessoas que possam ser nossos mentores.

      • Fernando

        To aprendendo a cada dia! Talvez me expressei mal, mas quis dizer que as escolas e os ensinos superiores (especialmente o que cursei) ensinam muito, mas ao mesmo tempo nada. É tanta informação que não se absorve muito, sem falar que os valores não se aprendem mais em colégios. Aula de filosofia era uma por semana e as discussões em bares na facul rendiam mais que as aulas. TRISTE!

      • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

         Concordo, Fernando. Uma coisa é um monte de informação. Outra coisa, bem diferente, é sabedoria.

  • http://about.me/roh Rodrigo Santos

    Parabéns pelo incrível texto. Vinha tendo idéias que são semelhantes a sua opinião, e esse texto ajudou a conhecer mais um pouco. O sistema entrou em colapso pra mim, desde que ele foi acompanhando as mudanças da sociedade que se tornaram mais rápidas, ou seja, há muito tempo.

    Aliás, saí da escola por isso. Eu era um ótimo aluno, sedento por conhecimento, desde pequeno. Eu era do tipo que sabia das coisas antes dos outros. Eu não gostava disso, pois ninguém sanava minhas dúvidas, só os professores, quando respondiam. Eu era o aluno que o sistema queria.

    Mas quando cheguei no ensino médio, vendo toda a baboseira que foi ensinada no ensino fundamental de novo, nunca mais tive vontade de ir pra escola, por que tava aprendendo tudo o que já sabia há muito tempo. Só que quando você não está dentro do sistema, você é um ninguém e todo mundo te critica.

    Acho muito ruim você ter mais de 10 anos de experiência trancados em uma mini empresa de adolescentes, apenas para trabalhar em uma área específica. Se fosse só pelo conhecimento e pelas habilidades naturais que tenho, hoje trabalharia com TI e Sistemas. Acho que os adolescentes não vão bem na escola (como eu fui), por que as habilidades sociais estão em evidência dentro da escola, uma área na qual sempre sofri. Muitos deles quando chegam na minha idade, 19 anos, compartilham da mesma opinião do texto.

    Além disso, darei um adendo a esse texto: todos nós temos habilidades naturais, só que a escola e a sociedade
    muitas vezes fazem com que a pessoa não enxergue isso (daí a necessidade de troca do sistema), fazendo com que as pessoas que tem
    aptidões em áreas que pagam pouco, sofram ao encontrar uma faculdade em
    que se interesse. Daí trocam 50 vezes de faculdade e nunca encontram o que querem. O sistema já as fazem infelizes, mas isso é assunto para outro debate.

    Ainda não pensei em um sistema perfeito, mas este será um ótimo passo para futuras discussões.

  • http://www.facebook.com/people/Felipe-Duque-Belfort/100002422538775 Felipe Duque Belfort

    Ótima discussão.

    Minha opinião é que a desescolarização não pode ser o principal motor da ‘matriz educacional’ de um país porque é necessário certo controle do governo nessa área; tem que ter certo formalismo quando se trata de política pública mas a desescolarização, por si só, é informal. 

    Sei que em nenhuma parte do texto o autor pregou a massificação da desescolarização, mas é algo que a gente tem que ter em mente: iniciativas micro nem sempre são eficazes no nível macro.

    Acho que dá pra atingir boa parte dos objetivos da desescolarização através da escolarização. É exatamente como Ken Robbinson fala: a educação tem que estimular a criança a se achar no mundo. A partir daí, ela mesma vai se ‘desescolarizar’ pra buscar o que ela quer. Mas muito dificilmente ela encontrará o caminho que quer seguir por si só; por isso tem que ter a escola. (E por isso o professor tem que ser um ‘guia de viagem’)

    Enfim, tem que escolarizar um pouco primeiro pra depois desescolarizar. (Como vc vai desescolarizar sem antes ter sido escolarizado? hahah)

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       É isso mesmo, Felipe: não proponho desescolarização como política pública de educação. Estamos longe disso – aliás, são duas coisas que nem combinam muito: a desescolarização como política pública, em larga escala, seria algo como institucionalizar a desistitucionalização!!

  • http://wwe.blog.br Francis Rosário

    Desde que descobri a internet, por volta de 2000, passei a ir a escola apenas para cumpri “tabela”. Tendo inclusive reprovado no terceiro ano por simples faltar as aulas e discutir com professores que estavam passando informações erradas.

    Isso até 2004, pois depois disso nunca mais pisei em uma escola. Simplesmente não tenho saco para perder meu tempo aprendendo coisas que não me serão uteis. Prefiro aprender aquilo que preciso e gosto.

    Me tornei programador por conta e hoje sou um profissional muito bem sucedido sem sequer ter passado perto de uma universidade.

    Enfim, nunca precisei da escola. Então concordo com o que o autor propôs no texto.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Tenho certeza de que como você, Francis, existem muuuuuuitas outras pessoas.

  • André Martins

    “Cursos e palestras, exposições, cinema, teatro, shows, mostras, performances, intervenções urbanas. … Bibliotecas, … oficina de Escrita Criativa, … Contação de Histórias” tudo isso pode ser colocado dentro da escola. Não é o fato dos alunos ficarem presos na escola que a torna desinteressante, é o fato dos professores poderem contar apenas com o gogó e o giz para tentar atrair o interesse do alunos.
    Sem falar que SESC e Universidades Abertas não são para qualquer cidade, e, mesmo que fossem, seria pouco prático termos milhares de alunos transitando pela cidade.

  • Thaís

    Excelente realmente! Infelizmente a escola atua mais como medida de controle da massa que para produção de conhecimento. A educação para intelectualizar e fazer o indivíduo pensar e questionar a sociedade e o sistema ainda é privilégio da elite.
    Vale pesquisar sobre o projeto da escola da ponte em Portugal que deu super certo.

  • http://twitter.com/VideoAulasByAna VídeoAulas ByAna

    Excelente artigo!! Colocou os pingos os i’s sem dó nem piedadade. O sistema de ensino que temos hoje está morto e esqueceu de deitar-se para ser enterrado. Mas temos que apresentar soluções viáveis, já que precisamos cuidar adequadamente das nossas crianças e jovens, e nem toda mãe ou pai tem a disposição ou mesmo as condições para um ‘home schooling’ total até que eles se tornem independentes do ponto de vista cognitivo. Para quem entende inglês, procure pelas propostas do Sal Khan (da Khan Academy) e pelo termo “the flipped classroom”. É um comecinho de esperança… 

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Tem razão! Vale a frase: “nunca lhe prometi um jardim de rosas…”, isto é, porque faz sentido e é desejável, não significa que seja simples…

  • LuisPauloLohmann

    Meus dois centavos: precisamos de escolas, sim. Para ensinar literatura e matemática. Talvez duas ou três horinhas por dia, seriam suficientes. Durante o resto do dia, crianças deveriam brincar, desenhar, pintar, costurar, correr, jogar, tocar, plantar, construir…enfim, desenvolver seu lado criativo e produtivo. Todas as pessoas mais interessantes, criativas e bem resolvidas que eu conheço foram crianças que cresceram em ambientes assim. Sem exceção.

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      a desescolarização não diz que não temos que aprender literatura e matemática. entendem que sim, mas que a escola não é o lugar ideal disso.

      também tenho cá minhas MUITAS dúvidas em relação à desescolarização, porque sou professora, trabalho numa imensa escola, sei dos pontos negativos e dos positivos… sei como consigo influenciar positivamente no aprendizado e na maturidade dos meus alunos (principalmente porque trabalho com crianças de três anos de idade e sou o primeiro contato deles que não envolve família, que não passa pela autorização e conhecimento total dos pais). acho isso muito legal, mas vejo muitos erros, muita burocracia na escola, muita poda da criatividade…

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Excelente!

    Sou cria do sistema: aos oito meses de “idade” já estava numa instituição de ensino. Infantil, fundamental, médio, graduação, pós-graduação. Fiz tudo com louvor. E hoje trabalho onde? Numa escola, sou professora.

    Fascinada por desescolarização ao mesmo tempo em que sou muito escolarizada. Em que escolarizo.

    As ideias da desescolarização são fascinantes e são pontos que vejo em pesquisas. Pesquisas acadêmicas sobre universidades, cursos (fiz uma assim no ano passado): muitos mosteram que os melhores cursos e as melhores formações são daqueles em que há projetos de iniciação científica e de trabalhos de conclusão de curso que demorem anos, que integrem professor e aluno, que exijam parceria para além da sala de aula, para além da relação professor/aluno. Esta ideia de tutoria tão bem contemplada pela descolarização. Acho fascinante e penso que pode ser este o caminho…

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Tenho pensado que, para termos a ousadia de propor a desescolarização de modo sustentável, um pré-requisito é acertar as contas com a escolarização “dentro de nós”. Saber reconhecer tudo de bom que as escolas oferecem e ofereceram: “honrar o passado”. Enxergar o que devemos aos ambientes escolares por onde passamos. Creio que saldar essa dívida nos liberta para criarmos algo novo.

  • http://www.facebook.com/people/Patricia-Marques/716341860 Patricia Marques

    PQP!!!!
    Sensacional levantar estas questões…

  • Ceci

    Acredito que essa discussão sobre ‘derrubar os muros da escola’ pode a princípio funcionar melhor com a reforma nas IES. Vejo o sistema de grades curriculares fechadas, como o principal entrave à criatividade dos universitários, apesar de inúmeras faculdades adotarem o esquema de 2 anos conhecimentos gerais/ 2 anos conhecimentos específicos nas graduações.A rigidez em muitos cursos superiores levam os estudantes a pedirem transferência, quando talvez quisessem apenas o acesso a disciplinas menos tradicionais dentro de suas respectivas áreas. 
    Mesmo alguns cursos oferecendo disciplinas optativas em suas grades, à maioria não é disponibilizada de forma democrática, segundo as necessidades, preferências ou linhas de pesquisa inovadoras, mas sim levando em consideração aspectos logísticos da universidade como o número de professores disponíveis em tal período, que não estejam sobrecarregados com outras disciplinas, com orientandos, com sua própria pesquisa ou com seu doutorado. 
    Todavia, a possibilidade de estudantes fazerem intercâmbio em outras regiões do país ou no exterior, contribui para a ampliação da visão que estudante adquire fora dos muros, e de fato, não podemos deixar nossa educação à mercê dos professores, nós também somos responsáveis por escolher qual a forma que melhor se adapta às nossas aspirações e/ou necessidades e outra forma de ampliar esse universo é participar dos programas de extensão universitária.

    Sobre os outros ‘níveis educacionais’, entendo que a ampliação da oferta da educação é a principal meta, especialmente no interior do país, em áreas pobres e isoladas, onde de certa forma as práticas pedagógicas, a despeito de pecarem pela falta de infra-estrutura, já são um pouco diferenciadas (no sentido de expandir a aprendizagem além das paredes da escola) devido ao próprio contexto e do professor magicamente trabalhar com o que tem em mãos. 
    Não conheço a realidade das regiões metropolitanas.
    No geral penso que o aumento da oferta e o foco na qualidade passa exatamente por vários pontos levantados no texto. 
    A experiência brasileira da (má) escolarização não deve ser motivo para a extinção da escola tradicional. Derrubar os muros não resolve o problema de crianças e jovens de origem pobre que tem no modelo institucionalizado uma das raras formas de ascensão social. 
    Concordo que deve haver uma transformação, mas não tão radical.
    Outro ponto fundamental que precisa de mudança é a desvalorização do ensino técnico profissionalizante frente ao ensino superior. Existe uma falsa crença quase generalizada de que ser técnico em alguma coisa significa ter menos conhecimento do que a pessoa BA numa mesma área, principalmente se tratando de profissões tradicionais como administração, enfermagem, contabilidade etc. São funções diferentes. Entretanto, aredito que não existe esse problema nas áreas de eletrônica, TI, topografia, mineração, áreas relacionadas a crescimento industrial e urgência de técnicos no mercado de trabalho. 

    Ótimo texto, o primeiro passo para a transformação!

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      A frase introdutória do blog da Ana Thomaz, uma das que pensam em desescolarização no Brasil: “Só dá para melhorar o que está bom. O que é ruim tem que transmutar”. 

      De se pensar, né?

      • Ceci

        A educação é responsabilidade de todos nós e o mínimo a se fazer é pensar e debater. A frase veio a calhar ‘melhorar o que há de bom e modificar o que não funciona’, ou seja, há muuuuito trabalho! rsrsConheci agora o blog Ana Thomaz. ;) não deu pra ler tudo, me parece legal, gostei de umas idéias a la Huxley.

      • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

        é muito legal! ceci, procure pelos posts em que ela fala sobre como desescolarizou o filho. é de ficar boquiaberto. ela é muito sábia…

  • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

    Quer saber o que revolucionaria o sistema educacional? Desregulamentar tudo. Deixar o MEC para cuidar das escolas e faculdades publicas e só, acabar com a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão, de ensino médio para faculdade e por ai vai.

    Deixar que milhares de pessoas movidas pelos seus próprios interesses planejem seu próprio sistema de ensino me parece bem melhor do que alguns poucos planejarem por todos.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001781035344 Gabriel Aquino

    Acho que deve-se mudar principalmente o conceito do que é ser inteligente. Dar ferramentas ao aluno para que ele potencialize seus interesses. Escola deveria ter mais aulas práticas, com mais relação ao cotidiano, como dito no texto. Os melhores professores que eu tive, usavam boa parte da aula para falar sobre a vida, com histórias vividas, essas coisas, para formar homens e não pessoas mecanizadas. 

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Com certeza, Gabriel! Eu gosto de diferenciar inteligência (especialmente no sentido de desenvolvimento cognitivo-intelectual) de sabedoria (entendida como saber produzido por experiência direta). Nem preciso dizer que valorizo mais a última, né?    ;)

  • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Mello-Baracuhy/100002439161303 Gabriel Mello Baracuhy

    Precisamos de mais instituições revolucionárias como a escola de ponte de Portugal.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Sem dúvida é um passo importante. Já existem algumas aqui em sp.

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Portuga/1530944566 Tiago Portuga

     O maior problema é a falta de interesse por parte da maioria, se está lendo isso aqui no PdH, é que no minimo você é curioso, e que busca conhecimento sobre diversos assuntos, mas quantas pessoas são assim? A escola, é mesmo uma forma de “obrigar” os desinteressados a conhecerem ao menos o básico, moro no interior de SP, e apesar de ter Unesp por aqui, poucos da região passam no vestibular, e por isso somos obrigados a ver multidões de todo canto do Brasil se formando na “nossa” universidade pública, enquanto os bares a roda da gigante Universidade Privada da cidade estão sempre lotados, as salas de aula sempre vazias, e a cada ano, uma enxurrada de diplomas pago com o dinheiro do papai, sem nem ao menos o péssimo conhecimento técnico que a faculdade oferece, e que os marmanjos não aprenderam por estar bêbados em algum outro lugar. A ideia é ótima, mas como desviar o interesse do “fácil”, para o “importante?”

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Tiago, penso que o desinteresse é socialmente produzido – em grande parte ao longo do processo de escolarização! As crianças são seres curiosos, interessados e criativos por natureza. O comportamento típico de uma criança a partir de 1, 2 anos de idade é a exploração do ambiente, a sede de descobrir e aprender sobre o mundo natural, sobre si mesmo e sobre as relações humanas. Elas não precisam ser obrigadas ou motivadas a nada. Basta pararmos de encaixotá-las. Veja por exemplo o caso de índios, aborígenes ou outras culturas tradicionais: a inserção da criança e do jovem na comunidade é natural e espontânea – eles não precisam ser convencidos de nada porque o interesse parte deles.

  • Eder

    Aparece cada gênio de vez em quando… Só me diga, ó autor, QUEM escreveu os textos dos cursos do MIT, do Sesi e outras instituições com c juros online? Pess has que passaram por cursos regulares presenciais. Este post, que é um típico post de site-resumo é a cara do que a internet vem fazendo com alguns adultos: uma exposição de uma idéia ultrapassada como sendo nova e brilhante. Ele nem cita que experiências iguais vinham sendo realizadas pe lo movimento escola-novista desdeo início do seculo XX. Sempre questionamos o papel da escola. Mas não me venham tentar tirarum espaço tão importante, ondese aprende a ser humano, a ser sociavel quando você teve essa oportunidade mas pensa em tirar isto das crianças de hoje. A educação mundial passa por uma crise mas essa é a nossa resposta? Não dá pra pensarmos melhor nisso? Btw eu concirdo q deveríamoscter oportunidades de home schooling

  • Victorrenna

      Tenho 17 anos, estou no 3º ano do ensino médio, e há anos venho sofrendo com o fato de ter que ir à escola e assistir aulas de química, ou biologia(etc.) em que simplesmente não são apresentadas razões concretas ou sequer motivações para meu esforço no aprendizado, uma vez que, sempre tive certeza de que minha área é de humanas (Direito).São realmente pouquíssimas as oportunidades de atividades extraclasses em que o aluno pudesse desenvolver suas habilidades (senti muita falta disso no Fundamental 2, principalmente) fato, que acredito ter me atrasado muito no sentido de amadurecimento como em escolher uma carreia para seguir. Cansei de tentar discutir com professores, coordenadores, diretores, família sobre isso e a resposta é sempre do tipo de: “vc é mt novo e nao sabe de nada ainda, fica quietinho e coopera fazendo o que eu mando…”.
     
      Por exemplo: Não sei se é pelo fato de eu ter tido que mudar de escola quando novo (me mudei de estado) e o sistema é diferente, mas quando cheguei na escola que passei a maior parte dos meus anos colegiais, durante esse periodo, me senti por muitas vezes preso na sala de aula por ter que esperar que outros alunos aprendessem o que eu já tinha aprendido e eu até entendo que isso possa fazer parte do “conviver em grupo e aprender a respeitar as diferenças” que todo cidadão deve ter na escola, mas tenho que admitir que por muitas vezes me senti mal e também prejudicado, por ter que estar ali sem motivo aparente, já que estava à tôa na sala, sem adicionar nada à aula, por estar tanto tempo frente a uma situação tão desagradável e por ter sido oprimido sempre que buscava, mesmo que de forma pacífica, meios de propor alguma atividade de aprendizado nova(talvez com mais debates…sei la…com algo que me ajudasse a me sentir mais empolgado com a aula)[esse tipo de coisa, que, na minha opinião, faz com que os alunos se tornem "bagunceiros", ja que nem todos sao iguais, logo, é impossivel manter todos os alunos de uma turma igualmente dispostos a participar da aula, sempre vao ter alunos que vao virar para o lado e bater um papo sobre qualquer outra coisa que nao seja a materia se disperssando da aula].

      Por fim, acredito (e digo isso pq ja tinha idealizado isso antes de ler esse post) que uma escola com aulas fora da sala de aula seria uma boa se funcionasse como atividade extraclasse em que o aluno, independente de valer ponto ou nao pro boletim, fizesse com o objetivo de se analisar(com o apoio de seu monitor) seus pontos fortes e fracos, e assim, saber onde se pode investir mais.isso diminuiria a quantidade de horas dentro de sala, podendo o aluno sair da escola com o monitor para qualquer lugar(desde que tenha a devido conhecimento e autorizaçao dos paise da escola), um bom exemplo seria levar alunos que sao bons em pinturas/desenho (se os mesmos obtiverem o interesse, claro!)para ver exposiçoes de arte.
    essa foi a minha humilde opiniao, obrigado pra quem leu tudo.(:

    • Guus

      Conheço o caso de um advogado que encheu o rabo de grana porque era, também, formado em Química e defendeu uma empresa da acusação de não ter respeitado o necessário para a preservação do sistema hidrográfico. Ele fez de tudo para defender a tese que o impacto ambiental estava dentro do limite legal.
      Como ninguém sabia Química para contestá-lo, ninguém derrubou sua tese.

  • LBG

    SANTO ASSUNTO INTERESSANTE, BATMAN!

    Quero compartilhar este vídeo aqui (em inglês):
    http://youtu.be/zDZFcDGpL4U

  • Polygall

    O problema não é a escola, mas o projeto pedagogico atual que é conservador e burocrático enraizado na necessidade de adaptação ao mundo da tecnologia e ao mundo do trabalho comforte apelo econômico…não que isso seja o problema, mas não pode ser só isso. Falta uma educação para a emancipação e autonomia do ser humano, priorizando a formação integral do educando. Jovens críticos, pensantes, com condições de suportar, compreender e analisar nosso cenário politico, social e economico tornando-se verdadeiramente uma sociedade democrática. Paulo Freire já afirmava em 2007 “Educação que, desvestida da roupagem alienada e alienante, seja uma força de mudança e de libertação”. Ainda bem que em foruns da educação que participei muito se falou em um projeto politico-pedagogico emancipatorio, na reformulação da educação, em uma avaliação multidisciplinar e em inteligencias multidisciplinares. Acho que estamos caminhando e mesmo que devagar…trazendo para a nossa realidade o minimo… e de minimo a minimo fazer o maximo. Nada de utopia mas realidade!!

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Polygall, as reformas pedagógicas não são novidade – são bem mais antigas que Paulo Freire. Abordagens diferentes como a Escola Nova, o Construtivismo, a Pedagogia Libertária, o Humanismo e outras, todas vêm sendo experimentadas já há bom tempo – décadas, pelo menos. Os resultados, como vc aponta, têm sido tímidos – é como manter a estrutura e mudar de roupa. Quando vc cita o projeto pedagógico atual como conservador e burocrático, veja, não há essa uniformidade! Não existe UM projeto pedagógico ATUAL. Na verdade, por mais inovadoras que sejam as abordagens, elas surpreendentemente acabam em algum momento resgatando e reavivando o conservadorismo e a burocracia. O modelo disciplinar, rígido e autoritário está profundamente entranhado em nós. Por isso, aposto na desescolarização como uma espécie de desintoxicação desse sistema. O próprio Paulo Freire era simpático a tal ideia – vide o livro “Cuidado, Escola!” (conhece?) que, aliás, considero a obra mais importante de toda minha formação na área de educação. 

      • PolyGall

        É verdade André, estas reformas já são faladas e discutidas um bom tempo. Uma pena que nada de tão concreto é [ainda] observado. Por outro lado, a descolarização também é muito antiga. Ivan Illich já discursava em 69 o seu desejo de uma sociedade sem escola ”espero que os vossos netos hão-de viver numa ilha onde já não será necessário ir à escola como hoje [é] ir à missa”. É meu caro, é fato que este “sistema” não educa, não emancipa, não liberta…mas também tenho lá minhas dúvidas qto a extinção da escola…ainda não estamos preparados para esta “liberdade”, infelizmente não fomos “treinados” para isso. Encontro de colegas, intercambio de habilidades, serviço de consultas a objetos educacionais e educadores quando estiver com vontade…hoje temos isso, paralelamente a escola, e não são aproveitados…talvez para acontecer é preciso mudar a cultura radicalmente (nascermos de novo,sabe?) do contrario estariamos novamente protegendo aqueles que ja estudaram, qualificando para desqualificar e/ou simplesmente sustentando a ideia de que “nasci miseravel, vou morrer assim, é meu carma, é a vida – e que ótimo que tiraram aquela p**ra de escola e tarefa de casa”. Sinceramente, hoje, ainda, não consigo visualizar esta ideia.
        Qto ao livro ainda não conheço, mas já é a minha próxima leitura! Obrigada pela indicação, por compartilhar sua ideia e pela resposta.

  • http://www.facebook.com/people/Saulo-Mesquita-Cerqueira/100001632257916 Saulo Mesquita Cerqueira

    Bem, eu estou me lincenciando em pedagogia pela UNESP/ Rio Preto e entendo os argumentos do camarada André sobre a educação e aprendizagem (tema do mestrado dele) pois estou me granduando para me formar nesta mesma area. Enfim, confirmo o aviso sobre a educação matar a criatividade e iniciativa da criança uma vez que temos uma educação antiguada criada numa época sedimentada moralmente e que vem criando um efeito sistemico na educação mundial onde o mal estar docente e os problemas de aprendizagem são as questões em foco. Porem devo alertar que a desinstituição escolar não trara beneficios na medida que ele informa por 2 motivos : 1° o processo de ensino-aprendizagem não se cria atravês de visitas sistemicas a bibliotecas, museus e a internet. Ele vai além disso, pavimenta um caminho onde o aluno poderá compreender assuntos abstrados complexos, quando um grupo de alunos de 15 anos tiver aprendido Binomios de Newton antes de aprender potência, equações de 1° e 2° graus sem a ajuda de um professor será a hora de analisar friamente este fenomeno chamado autodidatismo. 2° O professor se afasta do aluno nesse processo de desinstituição, não permitido uma aprendizagem assistida ou acompanhada, dificultado ainda mais o processo que já não vem acontecendo como devido. Outra coisa é que considero equivocada a comparação da escola com o metodo de ensinar a nadar: ela não estuda o movimento do nado Crawler para depois colocar em pratica, a escola procura coloca o aluno numa piscina rasa antes de manda-lo para um parque aquático! (necessitando de explicação, eu posto aqui) Porem devo salientar novamente: A escola não está fazendo isto. Hoje a escola funciona como uma copiadora (na verdade, como sempre funcionou) inscrevendo somente CONTEUDO ao aluno. No entanto se vem trabalhando outros metodos em escolar pilotos (particulares e publicas) para suprir esta demanda. E nisto que creio: uma reinvenção da escola como uma instituição psico-social modificadora da sociedade sem sede fisica com profissionais capacitados em habilidades pedagogicas em constante dialogo com as pautas atuais.

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      Saulo. incrivelmente, é justamente o contrário.

      A desescolarização prega que 1) o caminho será pavimentado sim, com o aluno e auxílio de um TUTOR, que desenvolverá um caminho comum entre os dois, interessante etc e 2) O tutor, na desescolarização, é muito mais próximo do aluno do que o professor é na escola, sem dúvidas.

      Esta sua última frase calha com o que a desescolarização visa. Muito legal. Dá uma olhada no blog da Ana Thomaz a respeito, acho que você vai curtir anathomaz.blogspot.com

  • http://www.facebook.com/pedro.aquino Pedro Aquino

    Parabéns André, por expor estas ideias de forma tão clara e provocativa.
    Quero fazer um comentário sobre alguns comentários: Onde é que se ensina que existam males que são necessários?
    Necessário pra quem?
    Pra quem sofre o mal ou pra quem o impõe?
    Parece-me que a escola seja uma *necessidade* apenas para a própria escola e pra quem se beneficia dela: o mercado de diplomas, o sistema de trabalho escravizante, os pais escravizados pelo sistema de trabalho etc.

    Para todos os outros, a escola é apenas…. desnecessária, e possivelmente um mal.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Agradeço, Pedro, suas oportunas observações!

  • Maicon

    Achei a idéia interessante, mais não concordo com ela!
    Na escola surgem nossas primeiras amizades, nossos primeiros amores e inimigos também, aprendemos a conviver com o próximo, abrindo mão de falar o que pensamos ou fazer o temos vontade para manter o bom relacionamento, concordo que o modelo das escolas é ultrapassado, mais as escolas nós tormam mais humanos.

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      Te entendo, eu também vejo aspectos muito positivos na escola…

  • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Balardino/100000236742752 Gabriel Balardino

    É impressionanete como sempre precisamos reafirmar velhas ideias e fazê-las com novas roupagens… Mas a crise das escolas me lembra a crise do capitalismo… ok, reconhecemos, mas os modelos para mudança tentam uma ruptura tão radical que tornam-se automaticamente inaplicaveis pelo simples fato da sociedade ser conservadora (e não falo só dos políticos)…

    Nossas crianças infelizmente não se conscientizam da inutilidade da escola pelo que é ensinado, pelo contrário, consideram ela inútil pela falta de perspectiva que se lançam sobre elas (Falo do universo da Escola pública municipal, onde atuo). Portanto há um pequeno problema e como sempre acredito que o caminho não é pelo outro lado, mas pelo meio, reinserir a poesia e um pouco de vida na escola, sem derrubar os muros (quando o Muro de Berlim caiu veio muita coisa que não deveria entrar tão rápido), mas simplesmente abrindo o portão e deixando o mundo entrar…

    O muro vai cair derrubado então pela própria dinâmica, mas acreditar que pode-se romper e lidar com o que virá é um erro… o mundo vai engolir os mais vulneráveis, exatamente aqueles que hoje mais sofrem com nosso ensino. Quem pode prescindir da escola já prescinde dela… mas existem muitos que precisam do universo cultural que só a escola (não essa que temos) pode fornecer…
    Não esqueçam que para muitas crianças o professor é a unica pessoa que fez faculdade que elas tem contato e apesar da importancia apenas relativa que a faculdade têm, apenas alguém que a cursos tem a consciencia plena dessa importância relativa…

    Espero constribuir com o debate e estão aqui onto também a serem refletidos…

     

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Concordo com você, Gabriel. Também não acho que a desescolarização seja a panacéia para todos os males. Não tive a intenção de apresentá-la como A salvação da pátria. Agradeço pela ponderação. No entanto, reafirmo que acho estranho criarmos uma instituição artificial, separada do cotidiano da comunidade, para depois ficar quebrando a cabeça sobre como podemos levar mais vida e poesia para dentro das escolas. Não seria mais fácil simplesmente deixar de segregar as crianças e permitir que saboreiem a vida e a poesia onde elas estão, (re)organizando-nos para isso? É como acontece, por exemplo, nas aldeias indígenas…

  • Vagner Aguiar

     Comentário da minha esposa que é Pedagoga:

    Eu vi duas vezes o filme que conta a história de Kaspar Hauser. Ao final, existe um grande mistério pq segundo a lenda, após sua morte alguns estudiosos abriram seu cérebro para análise e constataram q havia presença de alumínio ou algum material mais forte, o q testificaria q ele teria alguma deficiência ou eficiência. Bom, já presenciei mts debates sobre esse tema.

    A reportagem questiona a importância de escola, já que em nossas casas, famílias, bairros, ruas, cidades podemos aprender mais e que estaria a escola em um mundo isolado.
    Se a gente buscar lá atrás, as escolas no Brasil eram pequenos grupos de idades distintas que se reuniam na casa do próprio mestre para receber os ensinamentos (mat, línguas, natureza) com palmatórias, milhos e tudos mais, também existia a aprendizagem por ofício, o ferreiro, o marcieniro e seus ajudantes…

    Com a República, logo, com a influência européia na educação, a escola foi instituída como obrigatória e como espaço legitimado para a aquisição de saberes privilegiados. Assim foi concebida como meio de inculcar ideais repuiblicanos e modelar a população de massa em um novo regime político.

    Ao longo dos anos, educadores como Piaget e Vigotsky na Europa e Paulo Freire e Anísio Teixeira no Brasil questionavam essa visão burocrática, classicista e tradicional da educação obeservando e privilegiando os saberes anteriores das crianças, seus conhecimentos sobre o  mundo e o próprio mundo, com suas diferentes culturas.

    Hoje, professores e educadores bem formados, conscientes e críticos buscam saídas para esse formato tradicional com ene técnicas, metodologias e utilizando de pensadores mais renomados e também de atuais para encontrar esse equilíbrio tênue entre o mundo da escola e o mundo real, na busca por torná-los um só mundo. E assim acontece em escolas como: escola parque, escola da ponte (portugal), escolas montessorianas, dentre outras.

    Mas me diga, o que os pais sedentos buscam para seus filhos? Conhecimentos específicos, muitas provas que atestem seus níveis de QI e aprendizagem, uma ótima aprovação para o vestibular em carreiras competitivas, sucesso em um grande emprego e riqueza. Será que uma escola q prepare para o mundo real, na cabeça desses pais, daria tudo que almejam para seus filhos?

    Acima de tudo, acho que é preciso uma mudança de paradigma pois a cultura da escola tradicional está muito arraigada em nossa sociedade, e sociedade esta que precisamos participar, partilhar para sobreviver… por isso então que Kaspar Hauser assutou tantas pessoas? Como pode alguém que “nada sabia” saber tanto?

    Isso requer uma conscientização que pode começar hoje nas escolas que temos, visando formar pais mais lúcido e conscientes. Porém, formar pais mais lúcidos e conscientes seria formar uma sociedade mais lúcida e consciente, mais crítica e ativa, o q não seria do agrado de nossos govarnantes… daí então esbarramos em outras questões mais fortes que implicam no andamentos do ensino público do nosso país.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Vagner, respondo a sua esposa.

      Você tem razão! Um modelo de educação como estou expondo implica outra mentalidade. Toda a sociedade precisa passar a pensar de outro jeito. Isso não é fácil. No entanto, como se muda uma cultura? Gosto muito de uma frase mais ou menos assim: “Não mudamos as coisas lutando contra o sistema, mas criando um novo sistema que torne o primeiro obsoleto”. A governo nenhum interessa a educação crítica. Precisamos criá-la a despeito disso – fomentando inteligências coletivas que se propagam em rede, como realidades que emergem e se afirmam “de baixo para cima”.

  • http://www.facebook.com/gogoulartbio Guilherme Orlandi Goulart

    Hum, como o camarada ali em cima comentou, “bem atual sua discussão”, mas vai pensado mais, tem muita coisa que não fecha.
    Concordo que o ideal seria um ensino por experimentalismo, prática, vivência, mas essa “linha de montagem” que virou o ensino nada mais que uma resposta as necessidades do mercado e, principalmente, da nossa sociedade e dos valores atribuídos por ela.

    Quanto aos ambiente de sala, realmente são amputadores… mas não é a sala em si o problema, e sim, o meio que condiciona a existência dela, por exemplo, mesmo quando “livres” alunos optam em voltar às salas de aula com cursinhos, mais tarde cursos, especializações.

    Respondendo a pergunta/título: precisamos, senão estamos ferrados. Ou não?

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Não!

  • Rodrigo

    Uma criança não tem noção de suas prioridades, e esperar que ela, por conta própria, seja autodidata nos primeiros anos de vida é quase ingenuidade. Além do mais, o modelo proposto pelo autor faria as próprias crianças se confinarem em suas casa para aprender, enquanto na escola elas têm contato com outras pessoas e influências, ajudando a formar seu caráter próprio. Os métodos de ensino têm seus erros, mas a existência da escola ao longo da História provou ser fundamental para a formação de ideias e o progresso das ciências.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Rodrigo, a gente subestima as crianças. Fora isso, não proponho que as crianças deixem de ficar confinadas nas escolas para ficarem confinadas em casa. Isso seria um tanto absurdo, não? A existência da escola ao longo da História não provou nada, a não ser que este modelo escolarizado, industrial, de educação, que é uma invenção bem recente, é fundamentalmente mal-intencionada – e, na minha opinião, já entrou em processo de extinção. É um perigo essa linha de raciocínio de que as coisas estão estabelecidas e são inevitáveis. Isso é instrumento de manipulação ideológica que a gente reproduz sem nem se dar conta.   ;)

  • Dobrado

    Acho legal esse questionamento, confesso que ainda não li o artigo por falta de tempo, mas queria falar sobre uma história (a minha):

    Desde criança minha familia tomou o rumo de outras familias descendentes de japoneses, foi para o Japão em 1991 na primeira vez. Eu, hoje com 24 anos, tenho em torno de 17 anos morando no Japão. Resumindo, minha vida foi uma constante mudança de casas e países (morei no Japão 3 vezes, na ultima 15 anos sem voltar). Como a vida de imigrante lá é dificil, minha familia sempre mudou a procura de trabalho melhor remunerado.

    Com isso, minha vida sempre foi fora da escola. No Brasil eu fiz a primeira série do fundamental, no Japão fiz 6 meses da terceira série do Shoogakko (equivalente ao primário, eu acho) e a quinta série do fundamental em uma escola brasileira particular. Essa última, eu acabei terminando os livros em 6 meses e depois as professoras me passaram algumas matérias da 2 ~ 4 série.

    O legal é que depois desses 2 anos em escola, eu fiz 2 provas do supletivo no exterior e tenho o diploma do ensino fundamental e médio.

    Não sou inteligente acima da média (disso eu tenho certeza! xD ), não sei fazer, por exemplo, uma conta de raíz quadrada, calculo, não sei que ano que foi descoberto a américa. Mas hoje trabalho como técnico de hardware em uma assistência Apple e consegui passar no ENEM sem estudar nenhuma das matérias.

    Acho que minha educação quase completa, foi feita pela internet, como um bom nerd uso a web desde 1997, sempre procurei informações que me interessavam e aprendi bastante sobre muitas coisas. Até hoje na minha familia eu sou a pessoa que os parentes ligam quando querem informação sobre algo, sobre qualquer coisa. xD

    Eu sempre achei o modelo de escola pouco eficaz… Achei legal o artigo falar sobre isso.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000925921631 Rebeca Galabarof

    Tive uma escolaridade mais do que complicada pelos seguintes motivos: tenho depressão, Sindrome do Panico e falo diferente, penso diferente e ajo diferente. Isso tudo não deveria em hipotese alguma ter sido o motivo de retalhação tanto de professores, como de outros alunos.
    Felizmente, tive uma excelente família, super esclarecida e sem os valores conceitualizados da nova burguesia que pensa que um diploma na parede é garantia de alguma espécie de sucesso.

    Eu me sai bem, mas vejo a maioria dos meus amigos individados por faculdades que não tinham nada a ver com eles e, como se não bastasse, quase todos, trabalham em áreas diferentes das quais se formaram. 

    Esta mais do que na hora de quebrar esse sistema burro e ultrapassado.

    Belíssimo artigo.

  • http://profile.yahoo.com/4DO72UCNNF3SXTNWFIXAOTCMQA Kazamuru

    Eu acho que ninguem é capaz de dar educação a ninguém. O professor no máximo consegue apontar o caminho, e talvez induzir uma atitude no aluno de busca do conhecimento por si próprio.

    Aliás, estudante e aluno são coisas bem diferentes. Para ser aluno basta se matricular na escola, se sentar na cadeira e assistir às aulas. Para ser estudante é preciso querer aprender e adotar uma postura pró-ativa e autodidata.
    Então o que acontece é que uma massa enorme de pessoas se dirige às escolas para desempenhar seus papéis de alunos, e poucos, muito poucos se tornam verdadeiros estudantes (O que em geral  acontece com sujeitos que não precisariam da escola para isso)

    Então se a escola não é capaz de induzir na maioria dos alunos o gosto pelo conhecimento e o olhar inquiridor para as coisas que acontecem no mundo fora dos seus muros, para que ela serve?
    A escola que temos não faz isso, e não consegue nem mesmo fazer o que se propõe que é enfiar na cabeça dos alunos os conteúdos do vestibular.

    Somado a esse contexto temos o quadro sombrio que acontece nas escolas públicas brasileiras: antes pelo menos um lugar para fugir da violência e da realidade miserável para muitos alunos, agora se tornam os próprios focos de violência, tráfico de drogas, e propagação de comportamentos anti-éticos. Hoje a violência derrama para fora dos muros da escola e se volta contra a sociedade (representada pela figura do professor), inverteu-se.

  • Seu Cuca é eu

    E é por isso que o autor do texto pretende não colocar nenhum filho seu na escola. O autor do texto tem certeza absoluta que seus filhos terão muito maior autonomia se forem criados desescolarizados, pois seus filhos irão, definitivamente, aprender mais e melhor sobre o mundo sem a acessoria de um professor.

    Nunca vi tanta besteira escrita junta – e olhe que eu li o título do texto e achei que seria uma excelente provocação.
    Vc parte de um pressuposto completamente equivocado, o de que os alunos, se não estivessem na escola, iriam buscar aprendizado. NÃO! Iriam buscar uma zona de conforto, que giraria em torno do CS no computador, sites de pornografia e dependência financeira em relação aos pais (para não pensar em coisas piores).

    Os comentários deste texto são uma prova que nosso jeito de fazer educação falhou para a maioria da população, mas não que a ideia da escola em si tenha falhado. Li vários comentários de pessoas dizendo que perceberam que não precisaram da escola. A FUNÇÃO DA ESCOLA MODERNA É, JUSTAMENTE, A DE FAZER COM QUE OS INDIVÍDUOS CONSIGAM GANHAR AUTONOMIA DE PENSAMENTO. Parabéns, a escola foi feita para vocês.

    Nunca tivemos escola com amplo acesso à sociedade. Pergunte para um senhor de 60 anos que não tenha estudado o que ele acha da escola. Pergunte se lhe fez falta na vida. Veja sua profissão e analise seu sucesso financeiro. Agora faça um experimento mental e tente imaginar de que forma ele ensinaria sobre o mundo ao seu filho.

    O autor despreza diferenças territoriais, diferenças no acesso às informações entre os lugares (ou será que uma cidade interiorana teria, além do acesso à internet, acesso a bibliotecas bem estruturadas?) e o faz somente para tentar provar um ponto que é fraco desde sua origem.
    Se é para polemizar, por que não propõe um retorno ao feudalismo?

    • Guus

      Concordo, faz sentido.
      Achei que você tinha apenas reagido mal a alguns pontos defendidos pelo texto, mas você questionou algumas coisas que são importantes. No final das coisas, a desescolarização seria um instrumento de manutenção dessa sociedade desigual.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       Seu Cuca, uma coisa que não se costuma aprender na escola, definitivamente, é a se relacionar respeitosamente com outras pessoas, estabelecer diálogos dirigidos ao crescimento mútuo, se comunicar sem precisar recorrer a ataques gratuitos para esconder a própria fragilidade e sobretudo sem precisar ficar projetando as próprias fantasias agressivas sobre os outros! Né?

  • PH

    O complicado disso é que seria uma ação centralizada apenas pra algumas classes. 
    Imagine uma criança nascida no subúrbio, terá dificuldades para acessar qualquer lugar como bibliotecas, palestras ou coisa do tipo.

    O importante pra ela é comer, se não tem a escola para ensina-la que ela pode ter o que quiser, ou pelo menos alguém pra dizer “Vai lá, leia um livro, escolha o que quer fazer, dedique-se e cresça”, ela vai ficar ali no subúrbio, aprendendo a ganhar dinheiro de maneira fácil, ou esmola do governo, fazer mais 3 ou 4 gerações de crianças que querem comer.

    Resumindo, isso se aplica a alguns que tem acesso a pais bem sucedidos, onde não precisa se preocupar no que vai comer amanhã, ou vestir.

    Mas ao mesmo tempo, concordo e muito que estamos absorvendo tudo mastigado, ninguém mais questiona o que é ensinado, ninguém mais pergunta se é justo ou necessário.

    Perdemos o direito de pensar, e nem sabemos disso.

    • http://www.facebook.com/andrecamargocosta André Camargo

       A questão social é mesmo delicada, mas não insuperável. Os avanços sempre começam de modo local, pontual, para só depois se popularizarem. Hoje todo mundo tem celular.

  • Higor

    Primeiramente precisamos de professores motivados, só desta forma o ensino vai mudar de cara e parar de ser o marasmo de sempre. Agora o problema do Brasil não é este, o problema são os valores que o povo tem e passa a seus filhos. Os políticos que aí estão são um puro reflexo da nossa sociedade corrompida e mesquinha. Enquanto o povo brasileiro não mudar seus valores a educação não de nada mudará. EGOÍSMO, este é o grande mal do Brasil.

  • http://www.facebook.com/mariana.benedett Mariana Benedett

     Eu estou no 1º ano do ensino médio, e concordo com a maioria das ideias do seu texto. Grande parte dos assuntos administrados em sala são inúteis no dia-a-dia, e sempre que algum aluno contesta isso os professores falam: “E como você acha que vai passar no vestibular sem esses assuntos?”
    Mesmo com essas falhas no sistema educacional, algumas matérias, a maioria de humanas, são bem úteis no cotodiano, e alguns professores mais jovens que compreendem a realidade e os pontos de vista dos alunos estão tentando usar os conhecimentos da escola de um modo mais prático, o que deveria acontecer há muito tempo.

  • http://www.facebook.com/mariana.benedett Mariana Benedett

     Eu estou no 1º ano do ensino médio, e concordo com a maioria das ideias
    do seu texto. Grande parte dos assuntos administrados em sala são
    inúteis no dia-a-dia, e sempre que algum aluno contesta isso os
    professores falam: “E como você acha que vai passar no vestibular sem
    esses assuntos?”

    Mesmo com essas falhas no sistema educacional, algumas matérias, a
    maioria de humanas, são bem úteis no cotodiano, e alguns professores
    mais jovens que compreendem a realidade e os pontos de vista dos alunos
    estão tentando usar os conhecimentos da escola de um modo mais prático, o
    que deveria acontecer há muito tempo.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001324716841 Sérgio Barreto

    Palmas pro seu texto, André! Muito interessante o vídeo do Ken Robinson.
    Sempre achei uma grande perda de tempo acordar cedo para estudar matérias que eu não possuo nenhum tipo de vocação ou interesse. Se quiser me tornar um biólogo, porque diabos tenho que aprender português? Pra agradar a porra do sistema? Acho o ensino fundamental e principalmente o ensino médio, uma tremenda babaquice, pois temos que estudar para o vestibular (o ENEM, falho ENEM), um modelo totalmente sem sentido para aprovação de estudantes.
    Outro fato revoltante é o ambiente escolar, mostrado perfeitamente na imagem: alunos alienados e sem nenhum senso crítco e  professores despreparados (não querendo desmerecer os professores, pois existem ótimos por aí).

  • http://www.facebook.com/bargiela Nícolas Antonio Bargiela

    Eu particularmente achei o texto fascinante. Dentro de todos esses problemas citados, tem o de uma garota a qual eu costumava sair. Estudei em uma ETEC daqui da minha cidade, Piracicaba, onde todos os estudantes eram tratados como números, principalmente pelos que entravam em universidades estaduais, federais e assim em diante. Ela por sua vez, também estuda na mesma escola e passa pelos mesmos problemas que tantos outros estudantes desse centro. Na ultima sexta feira, dia 20/04 deste ano, ela se sujeitou a algo que eu acho que foi deveras exagerado, tomou uma quantidade relativamente grande de calmantes e antidepressivos pois não estava aguentando a “pressão” da escola.

    Vi o mesmo acontecer com tantos outros colegas de classe, até casos corriqueiros por todos os três anos do ensino médio, em praticamente todas as salas, todo semestre.Claro que não podemos aplicar esse acontecimento apenas a escola, passei pela mesma pressão, mas sempre tive muito apoio dos meus pais, principalmente da minha mãe que é pedagoga e diretora de escola do estado. Já vi muitos projetos dela, serem “rejeitados” pelo governo, ou mesmo desmotivados de serem aplicados pois iam muito além do estabelecido pelo governo estadual.

  • http://www.facebook.com/people/Alan-Martins/100001466149665 Alan Martins

    Sensacional o texto. Eu mesmo que vivi o boom da internet sempre me perguntei
    a necessidade prática de muito do que me passaram no ensino médio, nem sempre os professores estavam aptos a me responderem, o que me frustava e causa desintesse.
    Mais tarde fui descobrir o que me faltou prestar mais atenção no escola e que realmente me faz falta.
    Meus professores poderiam ser atentos a isto e atuarem como proposto no texto.
    Com o texto surge muita inspiração e questionamentos, tomara que todos façam um pouco para mudar essa realidade, nem que seja tendo uma conversa franca com seus atuais e futuros filhos.
    Parabens pelo texto.

  • Claudiagabionetta

    André, concordo com seu ponto de vista em alguns aspectos. MUitas vezes, as escolas tolhem os alunos ao invés de incentivá-los, mas isso não pode ser tomado como regra geral, muito pelo contrário. Sou educadora de uma escola que há  muitos anos tenta fugir do modelo tradicional de educação e tem muito sucesso em vários aspectos. Os alunos de lá, amam  ir à escola!
    Você cita no final a importancia de um educador, com postura diferente. Onde ficaria esse educador, se não  na escola?? Hoje em dia os pais não estão dando conta das tarefas básicas de educação, que dirá mostrar o mundo para as crianças da forma que vc propoe?
    Não seira mais interessante a escola mudar?? Ser um apoio para crianças e jovens na bela tarefa de descobrir o mundo??
    Claudia  Gabionetta

  • Germana

    Eu acho que a escola é muito importante. 
    Antes de mais nada, é aí que nos deparamos com a vida em sociedade. É preciso entrar no sistema para poder sair dele. Tudo isto, de pais educando, de crítica e arte, conhecimento aberto, vindo do mundo, não é neutralizado pela escola. A escola é o lugar onde se aprende a ser gente, a lidar com pessoas de quem gostamos e de quem não gostamos – assim como é a vida. Tb é aí onde aprendemos a lidar com autoridades e regras (não que não haja regra em casa, não vão distorcer o que estou dizendo!).
    Tem tanta coisa errada na nossa sociedade, na maneira que os pais criam os filhos, sempre tão protegidos, livres de frustrações, poupados de tudo o que possa machucar – estamos criando uma geração anestesiada por falta de experiência! E agora essa, de acabar com a escola? Sim, vamos deixar as crianças ainda mais felizes, mais satisfeitas… até o dia em que vão ter que encarar o mundo de verdade.
    Pergunto-me se essas crianças de que falam não são, na realidade, um ideal, muito longe do que realmente encontramos na vida…
    Sugiro a leitura de Hannah Arendt, de Kant, de Dany-Robert Dufour, entre outros.
    A escola é dos males o menor. Pode ser que chegue o dia em que não mais precisaremos dela, mas não é por agora. Estamos cada vez mais irreponsáveis pelas novas gerações e isto seria apenas mais um exemplo disto.
    Sim, é nosso dever, como seres humanos que já estão aqui, receber as novas gerações e civilizá-las. Isto dói. Senão, seríamos apenas animais, hedonistas e narcisistas, fazendo só aquilo que nos interessa. O que nos faz humanos é o limite.

  • http://www.algosobreomundo.com/ Arthur Bichmacher

    Excelente crítica, André! O modelo de escola que a gente continua utilizando ficou totalemnte fora de contexto com a nova cara do mundo.
    Seu texto é completamente alinhado com o manifesto “Stop Stealing Dreams” do Seth Godin, imagino que você já tenha lido. Se tiver interesse, tem a versão em português aqui: http://www.algosobreomundo.com/p/parem-de-roubar-sonhos_08.html
    Um abraço!

  • http://www.facebook.com/marsabbatini Marcelo Sabbatini

    André, muito bom artigo. Agora somente senti falta de mencionar o trabalho de Ivan Illich, um pioneiro da desescolarização que audaciosamente nos propôs a repensar a educação.

  • Pingback: Crowdculture: quando tudo vira um só | PapodeHomem

  • Pingback: Precisamos mesmo de Escolas ? « ZÉducando

  • edson rezende

    Lendo alguns depoimentos relembro saudosamente minha professorinha, ela ensinava matematica, portugues, ciencias, gegrafia e historia, esses eram o pilaste da educação outroramente, aprendemos naquela época tabuada, saber a hora, ditado, que saudade, ali sim nós aprendiamos, pois era no enstusiamso da vontade conjuntamente com o talento e a dedicação da professorinha, não existia internet, nem lousa interativa, era um quadro preto (negro) Giz e um apagador, onde quando usava-mos nos enchia de pó, depois lavava-mos as mãos e tava pronto, ali sim se aprendia, tinhamos que dar uma lição por dia, alternava matematica, portugies, historia e gegrafia, hoje tenho muito orgulho do que aprendi, hoje infelizmente com todos os amparatos tecnologico que temos vemos alguns alunos tão despreparados que se perguntarc quem foi Dom Pedro I eles não sabem, vergonhoso? acho que não, pois a culpa do Governo após implementação de varios programas, varias alternativas para que se estude menos, cota disso cota daquilo, menos se aprende nesse país, nunca ouvi dizer naquele tempo que tal aluno morreu porque estudava demais, vemos as escolas publicas sucateadas, abandonadas, seus docentes sem animo sem motivação pois com o salario de fome que recebem não podem ser felizes, ao invez dos deputados e senadores que recebem tubos de dinheiro para fomentar ainda mais o atraso no nosso país, essa é a educação aplicada atualmente.

  • Leandro Finotti

    Uma amiga compartilhou comigo esse texto, com o qual me familiarizei em boa parte. Segue abaixo o que escrevi para ela a respeito dele:

    “Traduz parte do que penso, mas é construtivista demais :P

    Eu digo, de experiencia propria: aprendi mais em casa, com os livros que tinham nas estantes, com meu quintal, observando o comportamento dos animais e o crescimentos das plantas, dos seus ciclos, do que na escola. Muito pouca coisa “trago comigo no peito” da escola. Quase nada. Quase tudo que ficou, tudo que guardo, eu busquei ou fui estimulado a buscar, direta ou indiretamente, pelos meus pais.

    Não discordo do ensino formal. Discordo da obrigatoriedade. E discordo que uma criança até os seus 8 – 10 anos, tenha que ficar 6 horas por dia (fora o tempo do famigerado “trabalho de casa”) empatando sua criatividade e curiosidade sentada numa cadeira, sendo obrigada a decorar coisas irrelevantes como nomes e datas – além de que, é uma idade preciosa para sua formação moral tb, e uma fase que deve ser vivida o mais possivel proxima a familia. O que, no fim das contas, aprende (teoricamente) uma criança, na escola, até os 8 – 10 anos? Ler, escrever, somar, subtrair, dividir, multiplicar, o inutil MMC e MDC, quantas estrelas tem na bandeira do Brasil, a data do dia do indio, a data do dia da independnecia, a data disso, a data daquilo, e que “o” é Artigo Indefinido Masculino de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim etc…

    Ok… Tb aprendem a diferença entre solo arenoso e solo argiloso, sem mexer na areia e na argila… E que existem o reino vegetal, animal e mineral. E para isso precisam perder preciosas 11.000 horas? O primario foi minha tortura, e o que me fez odiar estudar.

    Evidente que uma criança, via de regra, não deve ser largada totalmente solta, até os 10 anos para aprender algo. Ela deve ser instigada, guiada, estimulada. E sim, deve receber um ensino formal, respeitando seu tempo, para aprender operaçoes basicas e ler/escrever (nao precisa saber o que é artigo ou substantivo para isso), e claro que isso requer que ou os pais sejam aptos a passar isso, ou que um terceiro o faça.

    E por fim, não, faculdade NÃO é para todos. Simples assim. Um padeiro sempre será necessário, mais do que um advogado, e um padeiro não precisa de faculdade. Um pedreiro SEMPRE será necessário, mais do que um médico, ou tanto quanto, e ele tb não precisa de faculdade. E… um músico tb não precisa. Ele precisa tocar. Se aprendeu na faculdade, dormindo ou recebendo o espirito de Vivaldi, é irrelevante. Eu assumo que não tenho nivel intelectual para poder fazer o que deveria ser uma faculdade. E poucos tem. E não há problema.

    E cansei de escrever :P”

  • Pingback: Uma pergunta polêmica: e se… escolas não existissem? | Educ.Ação

  • dagmar

    Por quê não nos unimos para conseguirmos alterar nossas leis para que permitam que os pais eduquem seus filhos em casa? Pais com mesmos ideais, precisamos nos encontrar!
    Se as pessoas precisam da escola para se sociabilizar, então realmente a nossa sociedade morreu envenenada pelo capitalismo e pela tecnologia, não restou mais nada humano.
    A escola poda toda manifestação de criatividade das crianças, dando-as formas conhecidas, assim como um bonsai.As crianças de hoje já nascem com uma capacidade muito superior à gerações anteriores, as escolas acabam com toda a genialidade delas, valorizando apenas o raciocínio lógico.
    E cá entre nós, no Brasil nem isso está acontecendo, pois a educação está decadente.
    Precisamos mudar o perfil da nossa sociedade, e isto que consegue na educação das crianças, pois elas vêm com uma nova visão e têm muita a nos ensinar.

  • Pingback: Autodidatismo não é coisa de gênio | PapodeHomem

  • Flavia

    Já faz tempo que acompanho o excelente conteúdo deste blog. E ver um amigo querido, levantar esta bandeira, muito me anima. É preciso oxigenar! Parabéns André!

  • Fabiana Grangeia

    Muito bom o texto!! Os pais se surpreenderiam com o quanto eles mesmos aprenderiam ao levar seus filhos para explorar toda a cidade, ao invés de deixá-los na escola… As pessoas costumam achar que criança fora da escola é criança presa em casa, mas é o contrário, é isso mesmo que você falou, é derrubar os muros, conhecer o mundo e as pessoas. Abraços

  • Pingback: Lugar de aprender é na escola foi a maior mentira que já te contaram | PapodeHomem

  • Thiago Carvalho

    Texto muito utópico. Se hoje você escreveu nesse blog é porque voce ou muita gente passou pela escola.

    O sistema escolar atual é ruim, principalmente o brasileiro por não criar mais caminhos conforme a idade do aluno vai aumentando. Mas retirar todo o preparo de instrução que a escola te dá e simplesmente jogar um ser humano no mundo é esperar para voltarmos a uma idade de trevas. Um ponto muito crucial nisso tudo é aprender que educação se aprende com pai e mãe (ou outro responsavel). Instrução se aprende na escola.

    Os modelos norte-americanos são ótimos na questão de que trazem uma grande variedade de matérias para que o aluno escolha o que ele irá estudar. Mas isso não quer dizer que quem não gosta de matemática vai passar a vida toda sem fazer um calculo na escola. Quem pensa assim pra começar tem uma certa preguiça nas costas. Eu nunca gostei de matemática, passei minha vida toda odiando ela, mas tenho o entendimento que pelo menos o básico é necessario para a vida.

    Enfim, o que precisamos é melhorar o nosso sistema escolar, mas não simplesmente derrubar o que existe, isso seria burrice.

  • olga

    Tenho uma filha de 3 anos e não gostaria que ela fosse para escola ,na minha época não aprendi nada ,só preconceito ,a sala de aula era uma bagunça estudava só pra passar nas provas (decorava )gostava muito de artes ,música e dança .sempre me identifiquei com o lado artístico e artes manuais.mas a escola nunca contribuiu para esse meu lado .Minha duvida é o governo nos obrigada a esse sistema ,se eu for contraria a ele o que ocorre ? O conselho tutelar na minha porta ?
    Quais os passos que devo seguir ?

    • catia

      Olga, há vários documentos esclarecendo que não há legislação contra o homeschool. Não há proibição, não há regulamentação. O problema é mesmo político e ideológico. Caso vc queira assumir a educação de sua filha de forma integral, vc só terá que responder caso haja uma denúncia. Fora isso, tudo fica bem. Hoje no Brasil há um movimento crescente de famílias educadoras, o teor das notícias veiculadas na mídia ainda são tendenciosas, eu diria até maliciosas contra a liberdade de educar os filhos, mas aos pouquinhos eles terão de mudar a casaca, porque o movimento não tem mais volta. Os pais adeptos estão cuidando dos filhos e pronto. Dê uma olhada no site da ANED, se quiser, entre em contato com os responsáveis pela parte jurídica e pedagógica, há inúmeras pgs no facebook também, basta uma pesquisa rápida. Para iniciar, um link: http://jus.com.br/artigos/19514/a-situacao-juridica-do-ensino-domiciliar-no-brasil

    • cassia

      Olga, há vários documentos esclarecendo que não há legislação contra o
      homeschool. Não há proibição, não há regulamentação. O problema é mesmo
      político e ideológico. Caso vc queira assumir a educação de sua filha de
      forma integral, vc só terá que responder caso haja uma denúncia. Fora
      isso, tudo fica bem. Hoje no Brasil há um movimento crescente de
      famílias educadoras, o teor das notícias veiculadas na mídia ainda são
      tendenciosos, eu diria até maliciosos quanto a liberdade de educar os
      filhos, mas aos pouquinhos eles terão de mudar a casaca, porque o
      movimento não tem mais volta. Os pais adeptos estão cuidando dos filhos e
      pronto. Dê uma olhada no site da ANED, se quiser, entre em contato com
      os responsáveis pela parte jurídica e pedagógica, há inúmeras pgs no
      facebook também, basta uma pesquisa rápida. Para iniciar, um link:
      http://jus.com.br/artigos/19514/a-situacao-juridica-do-ensino-domiciliar-no-brasil

  • Pingback: Quando sinto que já sei [documentário completo] | PapodeHomem

  • Jefferson monteiro

    Esse documentário retrata bem o que foi falado aqui:
    Recomendo muito que seja visto =D
    https://www.youtube.com/watch?v=-t60Gc00Bt8

  • Pingback: Direitos políticos: guia básico em sete pontos para ser um cidadão e exercer os seus | PapodeHomem

  • Pingback: Vamos conversar sobre “educação livre”? | Sorocaba de Verdade

Papo de homem recomenda

Assine o Papo de homem

Curta o PdH no Facebook
  • 5589 artigos
  • 665263 comentários
  • leitores online