Cuidado com a preguiça social

Fabio Bracht

por
em às | Mente e atitude, PdH Shots


Quase todo mundo se culpa por preguiça em algum momento. Quase todo mundo tem alguma tarefa em modo de espera; algo que já poderia ter sido feito, mas que foi empurrado com a barriga.

E se eu te dissesse que você (e eu, e todo mundo) tem mais um tipo de preguiça com que se preocupar? A preguiça social.


Link YouTube | Não tem exatamente a ver com o assunto, mas esse é o melhor vídeo sobre preguiça do YouTube inteiro

O conceito vem de uma pesquisa realizada em 2007 e publicado no Journal of Personality and Social Psychology, sobre a qual eu li recentemente no PsyBlog. Diversas “cobaias” foram colocadas diante da seguinte situação: elas conversariam alguns minutos com suas namoradas/namorados, depois bateriam um papo igualmente curto com uma pessoa estranha do sexo oposto. Foi pedido que os participantes estimassem com antecedência o quão prazerosa seria cada uma dessas conversas.

O resultado foi que as pessoas geralmente acham que conversar com alguém muito próximo é melhor do que acaba sendo. E o contrário acontece com estranhos: os papos com as pessoas desconhecidas acabavam sendo melhores do que o esperado.

"Adoro o fato de que você só sabe sobre mim aquilo que eu te disser."

Segundos os pesquisadores (e um pouco também segundo o bom senso), a questão aqui é o esforço.

Quando conversamos com nossas namoradas ou com nossos melhores amigos, não nos esforçamos. Baixamos nossas guardas, somos nós mesmos sem preocupações. Isso é bom até certo ponto, porque é fácil. Não cansa. A vida é cansativa o bastante, e às vezes precisamos relaxar. Mas essa falta de esforço também dá origem a papos xoxos, vazios, sem significado. Pouco marcantes e pouco prazerosos. Que saem do nada e vão a lugar nenhum.

"E o trampo?" "Uma merda, como sempre." "O meu também." "Mó saco." "Balada sexta?" "Só."

Se há uma pessoa desconhecida na nossa frente, porém, imediatamente entramos no modo de gerenciamento de imagem. Queremos que a outra pessoa saiba o que há de melhor em nós. Nos importamos. Nos esforçamos. Colocamos a nossa melhor cara a tapa. E isso geralmente dá origem a papos mais prazerosos, mais memoráveis, mais inteligentes. Menos convencionais.

Você já havia observado isso acontecendo?

A mensagem que uma experiência como essa deixa é simples e direta, bem como a gente gosta: evite a preguiça social quando estiver falando com pessoas que já te conhecem. Faça de conta, às vezes, que sua mãe, seu melhor amigo ou a sua namorada não te conhecem completamente (até porque isso é uma verdade), e use na conversa com eles o mesmo tipo empenho que você teria ao conversar com aquela fofa na sua frente na fila do McDonald’s ou com o amigo do seu brother no barzinho. Depois nos diga se os papos melhoraram ou não.

Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal. [Facebook | Twitter]


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  • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

    Vou aproveitar o Natal para deixar esse modo standby operante do meu cérebro desligado … e assim dar um pouco mais de atenção aos meus velhos queridos !! As vezes me esqueço de como nossas conversas podem sem gostosas e elucidativas.

    Bom texto para marcar um momento como este. 

  • http://twitter.com/ronigomes Roni Gomes

    Não tinha parado pra pensar nisso ainda. E agora que li sobre isso, pude perceber o quanto eu sou assim. Vou tentar mudar isso. 
    Ótimo texto cara! 

  • Rodrigo

    Nunca tinha pensado nisso , o problema é que as vezes sou preguiçoso até para fazer minha imagem com estranhos

  • http://www.facebook.com/rodrigosantiago Rodrigo Santiago Juacaba

    Só tem que tomar cuidado para a hipocrisia não tomar conta.
    Já aconteceu de estar você, alguém que você conhece bem e um estranho? É uma situação muito fácil pra perceber esse tipo de coisa. Você meio de fora da conversa e ouvindo o empenho da pessoa que você conhece bem tentando mostrar o seu melhor. Às vezes incomoda, de verdade.

  • Victor Cavalcanti

    Tive que parar de ler o texto pra rir do vídeo.

    HAUehUAHEuHAUEhAUEhuAHEuA

  • Victor Cavalcanti

    Voltando ao texto… :P

    Concordo plenamente. Isso acontece comigo direto. Tenho uma mania de querer mostrar que sou mais inteligente do que pareço. Minha aparência contribui, pareço muito mais novo e “inocente” do que realmente sou. Ai a hora de conversar com alguém desconhecido tento mostrar o que está por trás do maguinho de oculos e dar uma valorizada. hehehe :P

  • http://www.facebook.com/people/Joao-Garcia/100000443423821 João Garcia

    Se empenhar para conhecer uma pessoa é uma coisa, agora fazer “gerenciamento de imagem” eu não concordo. Isso abre muito espaço para as pessoas serem menos autênticas com as outras. O ponto é esquecer tudo aquilo que você “acha”que a pessoa é e conversar com aquele ser que está na sua frente mudando a cada segundo, sem pré-conceitos mentais falando isso ou aquilo sobre ela.

  • http://diariosproibidos.blogspot.com/ Samyta Nunes

    Olha tenho que confessar que tenho muita preguiça de conversar com gente desconhecida. Geralmente são as mesmas perguntas… Não tenho muita paciência. Sou daquelas que andam com fones de ouvido e livro no metrô, pra ver se me deixam quieta no meu canto. hehe
    Maior antisocial, eu sei. Mas costumo ser educada, se falam comigo, respondo. rs

  • Pingback: Felicidade é fazer sexo; infelicidade é ficar no computador | PapodeHomem

  • Pedro Ivo Santos

    Haha, li esse texto há tempo e já tinha me esquecido dele. Mas, de alguma forma, a mensagem que você passou, Bracht, ficou na minha cabeça. Hoje, quase um ano depois, reencontro o post e lembro-me de porque passei a dar mais atenção e a me empenhar mais nas conversas com conhecidos. Obrigado, Bracht. Abraço!

  • http://www.facebook.com/osouzajefferson Jefferson Souza

    Mais um tapa na cara, com patrocínio do PDH!!!!

  • Pingback: FIZ Magazine

  • Bárbara Ricciardi

    Adorei!Sabe…deve ser por isso que alguns relacionamentos perdem a graça, caem da rotina, perdem aquela parceria da hora, essa ideia que forçar e se esforçar em tem uma conversa gostosa com quem é próximo mesmo que vc ja tenha aquela intimidade, que vc conheça os segredos, as manias, conheça praticamente tudo da pessoa, pode render conversas, e muitos momentos gostosos…acredito que são pra essas pessoas que a gente tem que parecer e ser bom, não só pra quem a gente ta conhecendo…mas fazer oq o ser humano eh assim mesmo esquece de dar atenção à quem faz parte da nossa vida hahahahaa eu mesmo me esqueço disso algumas vezes hsaushahshasua o jeito eh se esforçar pra n cair na rotina :*

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