Um dos discursos mais comuns sobre a Internet envolve se empolgar com o acesso ao conhecimento, citando o Projeto Gutenberg (“Você pode ler mais de 30.000 livros!”), e com as redes sociais, afirmando de peito cheio que é possível falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.
Mas será que usamos a rede internacional de modo internacional? Ou estamos usando um avião para ir de um bairro a outro?
Para evitar a desculpa da barreira linguística, preciso a pergunta: quantos papos com pessoas de Portugal você teve na última semana?

"Cara, ela mandou umas dez fotos assim, peladona. Agora preciso ir pra Portugal!"
Ethan Zuckerman, pesquisador sênior da Berkman Center for Internet and Society (Harvard University), usou a pegadinha “Cala boca Galvão” para mostrar que ela só foi possível pela completo desconhecimento americano da cultura brasileira. É esse o argumento de partida de uma palestra excelente.
“Se você é um geek branco americano, você tende a interagir com outros geeks brancos americanos.”
“Vemos as pessoas que já conhecemos e as pessoas parecidas com as que já conhecemos. E tendemos a não ver o quadro mais amplo.”
De fato, o seu mundo é feito com tudo aquilo com o qual você interage. Se você não interage com islandeses, você praticamente vive em um mundo sem islandeses. É como se você estivesse num bar cheio de ruivas e você nunca sequer as visse! Isso acontece se entendermos o bar como sendo a Internet e também como sendo o mundo.
Zuckerman fala em bolhas de filtragem para mostrar como o tamanho do nosso mundo pode ser estreitado ao ponto de apenas nos relacionarmos com gente parecida, que fala, pensa, age e vive mais ou menos do mesmo jeito que nós. Um soco direto na nossa ferida – basta listar as pessoas com quem você fala no Twitter ou com quem troca email.
A palestra avança muito mais. Deixo o vídeo com vocês para seguirmos o papo nos comentários. Tem legenda em português, basta selecionar no player do TED.
“Não é suficiente a gente tomar a decisão pessoal de querer um mundo mais conectado, amplo, vasto. É preciso repensar os sistemas que temos. É preciso corrigir nossa mídia, a Internet, a educação, nossas políticas de imigração… temos que procurar jeitos de ampliar a capacidade de descobrirmos coisas ao acaso, expandir as traduções entre as línguas do mundo, acolher e celebrar as figuras que fazem as pontes e as conexões, e descobrir como cultivar a xenofilia. É isso que estou tentando fazer e preciso de sua ajuda”
–Ethan Zuckerman
Este é o primeiro post em nosso canal especial de apoio ao TEDxAmazônia, que será realizado nos dias 6 e 7 de novembro num auditório flutuante no Rio Negro. Serão cerca de 45 palestras sobre o tema “Qualidade de vida para todas as espécies do planeta”. O público foi selecionado e participará de graça. As inscrições estão encerradas, mas avisamos várias vezes pelo Twitter.
Uma parte da equipe PdH estará lá. Seguiremos escrevendo sobre o TEDxAmazônia e sobre ideias que merecem ser compartilhadas. Abraços!
Quase professor de TaKeTiNa, baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É editor do PapodeHomem, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e caseiro da Cabana PdH. No Twitter: @gustavogitti.
O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Somos um espaço plural, aberto a visões contraditórias e entusiasta do embate saudável. Conheça nossa orientação editorial e a essência do que fazemos. Você pode comentar abaixo ou ainda nos enviar um artigo para publicação.
Enviamos apenas um email por dia com todos os textos e shots que selecionamos a dedo para os leitores não perderem tempo.
Dê vida ao PapodeHomem, para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual comentou. Leva 2 minutos.
Queremos uma discussão de alto nível, sem frescuras e bem humorada. Portanto, leia nossa porra de Política de Comentários.
Lifestyle Magazine