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em às | Ciência, Principal, Sexo, Tecnologia
Eu não sou um cara de tecnologia.
Entrei tarde na internet e meu primeiro celular comprei somente em 2005, empurrado por amigos e pela namorada. Escolhi o mais barato (sem foto ou MP3) e fiquei feliz com ele até semana passada, quando ganhei outro.
É um Nokia E51, com bluetooth, câmera de 2.0 megapixel, navegador decente, Symbian S60 e uma ótima resolução de tela. Enfim, algo que pode ser resumido na frase de um amigo invejoso: “Você está mais respeitável com um celular desses!”.
Você vê um celular. Eu vejo mulheres, lindas, belas e em fila.
Agora checo emails de qualquer lugar, uso o genial Google Maps Mobile 2.0 que baixei, toco MP3, sincronizo emails e calendário com o Outlook via Intellisync (sem necessitar de qualquer conexão manual)…
Ainda assim, quando olho para um smartphone ou para qualquer recurso ultra-moderno de tecnologia móvel, meu foco não se direciona aos recursos hightech. Meus olhos ali vêem conexão humana, expansão de corpos e mente, possibilidades renovadas de contato com o outro.
Desde que entrei na Internet, entendi a web como um modo diferente de tocar as pessoas. Por isso, logo de cara me interessei por listas de discussão e longas trocas de email. Para mim, SMS até hoje significa “Simples Meio de Sedução”.
E bluetooth é sinônimo de toothing, uma prática que se iniciou na Inglaterra e se resume em conseguir sexo com outras pessoas no mesmo ambiente, via conexão bluetooth.
Contei para um amigo sobre minha idéia de escrever sobre tecnologia móvel e relacionamentos, ao que ele respondeu entusiasmado: “Como usar o celular para comer mulher! É isso que você vai falar? Por favor, diga que sim!”.
Nós homens somos tão preocupados com esse momento da relação que terminamos nos esquecendo das outros. Além do comer, pasmem, há o conhecer, conversar, olhar, conquistar, amar, brochar, sofrer, morrer… Como usar a tecnologia mobile para expandir todo esse viver humano, eis o que me interessa de fato.
Você é um cara antenado? Então me diga, quantas mulheres vê nessa foto?
Para explorar essa abordagem, uma das primeiras coisas que precisamos lembrar é a lógica da tecnologia móvel: a informação não está em lugar algum justamente para poder estar em todos os lugares. Você já devem ter lido isso em algum livro de religião oriental ou algum tratado sobre o amor.
Ora, não há tanta diferença entre Deus, amor e bits. Essa simples frase ensina duas coisas importantes para todo homem:
Três dos atributos mais adorados pelas mulheres em um homem são: imprevisibilidade, liberdade e mistério. É sedutora a idéia de um homem que não pode ser facilmente encontrado, definido ou conquistado.
Um homem que não se fixa a pensamentos e crenças, que transita entre diversos mundos e linguagens, que desafia seus próprios padrões de ação. Um cara que não está em lugar algum, assim como o misterioso Dr. Love aqui do Papo de Homem. ;-)
Uma outra qualidade essencial para um homem chama-se presença.
Eu já soube de várias casos de traição envolvendo um namorado ausente e uma mulher cheia de vida e beleza. Nunca ouvi falar, porém, de uma mulher que traiu o parceiro que penetrava seu corpo e alma por todos os lados, sem nada deixar intocado.
Primeiro, não confundamos presença com vigilância. Nenhuma mulher deseja repressão ou presença sufocante. Elas só querem alguém que não as abandone sutilmente em alguns pontos (acredite, mesmo ao seu lado, sua parceira muitas vezes se sente sozinha).
Um homem que saiba acompanhá-la sem precisar de proximidade física ou de ligações e mensagens constantes.
O segundo passo seria estabelecer a motivação. Você quer se dar bem ou quer fazê-la feliz? Em qual rosto você quer ver o sorriso sair primeiro? Se estiver buscando poder, sucesso pessoal, prazer ou qualquer outro interesse autocentrado, as chances de frustração são altas.
Para usar tecnologia com amor e arte, é preciso desejar a felicidade do outro. Ponto. A sua vem junto, não se preocupe. Aliás, uma das coisas que deixa uma mulher feliz é saber que ela o faz feliz – é a mesma lógica do prazer no sexo.
Uma mulher não precisa de um companheiro para acessar locais em que ela consegue ir sozinha. Uma relação só faz sentido se você consegue conduzi-la para aqueles lugares que ela nunca suspeitou existir, mas secretamente passou a vida toda desejando.
Vem comigo, te mostro onde é
Ora, o amor surge precisamente no momento em que você visualiza claramente esses locais no outro, quando seu olhar oferece nascimentos em mundos nos quais ela ganhará novos corpos e capacidades de expressão.
A boa relação é isso: levá-la para passear nos locais em que você visualizou como sendo a terra natal dela. Todo homem sabe a alegria que vem quando apresentamos uma mulher para si mesma.
O que importa é quanto você conduz sua mulher para dentro dela mesmo (o que gera aceitação e paz) e para fora e além (fonte de êxtase e diversão). São duas viagens: cidade natal do interior e litoral exótico. Nesse contexto, tudo o que você fizer se resumirá nisso: ou você a está conduzindo à felicidade ou você não está. Simples assim.
Emails, sons, palavras, bits… É tudo gesto, toque, dança. Com essa motivação, pegue seu dispositivo móvel – celular, laptop, handheld ou smartphone – e deixe as idéias surgirem.
No próximo post, vou sugerir várias dessas idéias para solteiros e casados com muita ou pouca tecnologia, grana e tempo disponíveis. Por enquanto, indico uma:
- Contra-indicação: Primeiro encontro (ou não, se você for corajoso).
- Requisitos: Celular com SMS (simples, uh?).
- A idéia: Conduzi-la para um jantar sem avisar com antecedência onde ou quando.
1. O primeiro passo é pedir que ela se arrume. Você pode enviar mensagem de voz, SMS, email ou simplesmente ligar à tarde dizendo: “Esteja pronta às 19h”.
2. No horário combinado, vá para o restaurante, entre em contato (mensagem de voz, SMS ou ligação) e informe um endereço ou ponto de referência perto do restaurante. Eu recomendo evitar a ligação (devido ao possível diálogo) e trabalhar com comunicação unilateral (mensagem de voz ou SMS).
Diga: “Vá para a Heitor Penteado, 814″ ou “Entre na FNAC da Paulista”. Considere o meio de locomoção dela, claro.
3. Peça que, quando ela chegar, ligue no seu celular e desligue após alguns toques.
Será que isso é uma pegadinha daquele sacana do meu ex?
4. Uma etapa opcional, mas muito interessante: no dia anterior, deixe um bilhete escondido na bolsa, pasta ou agenda dela, com uma anotação: “Vá até a seção de Auto-ajuda” ou “Vá até o prédio Green Towers, número 467″, por exemplo. Aí basta você orientá-la na hora: “Procure por um bilhete na bolsa”.
5. Se for em uma livraria, você pode esconder algo em algum livro (arriscado). Uma boa opção é ir antes a um local qualquer próximo ao restaurante, conversar com a pessoa que fica lá (porteiro de prédio é o mais garantido, eu já fiz isso) e deixar um bilhete com a pessoa.
Diga algo assim: “Por favor, amanhã uma mulher bonita vai vir aqui nesse mesmo horário. Você pode deixar isso com ela? Eu a amo e vamos nos casar em breve”.
Qualquer porteiro ou balconista adora uma história dessas. No bilhete, não deixe nada importante (caso o cara leia) além de uma senha e um “Ligue para mim agora e diga apenas a senha”.
6. Quando ela ligar, note o tom da voz. É uma delícia observar os movimentos dela diante de sua condução.
7. Envie um SMS com o local do restaurante ou invente outro meio de fazer com que ela saiba onde ir. Se quiser, brinque de levá-la a locais errados ou combine com alguém do restaurante para dizer que não tem ninguém com seu nome esperando por ela ali.
8. Receba-a com aquele beijo e bom jantar!
No próximo post, enviarei uma versão dessa sugestão usando sistema de mapeamento e GPS, além de outras várias. Enquanto isso, enviem comentários contando sobre como já usaram a tecnologia para conquistar e reconquistar mulheres.
Bom fim de ano para vocês!
Post publicado de dentro de um ônibus preso em um engarrafamento na Paulista, via Nokia E51. O Gustavo Gitti é um dos sortudos que receberam um modelo desse em casa e foi escalado pra entrar na equipe do blog Nokia Intellysinc. ;D
Quase professor de TaKeTiNa, baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É editor do PapodeHomem, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e caseiro da Cabana PdH. No Twitter: @gustavogitti.
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