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Conheça Julia Johansen

Alberto Brandão

por
em às | Entrevistas e perfis, Esportes


Muitos de vocês estão sentados no sofá insatisfeitos com a forma com que vivem, com seu corpo e sua saúde. Provavelmente adiando, dia após dia, aquela tão prometida dieta. “Próxima segunda-feira eu começo”, é o que você diz todos os dias, inclusive nas segundas-feiras. Certamente possuem um grande conhecimento em entretenimento e cultura popular. Conhece todos os seriados, já viu todos os memes que saíram na internet e se refere a ele em conversas casuais com seus amigos. Você sonha em ter uma vida mais agitada e diferente, você sabe exatamente o que precisa fazer, mas nunca faz.

Isso aqui, amigão, é trabalho recompensado

Julia era assim, exatamente como você: viciada em séries de televisão e bem acima do peso que gostaria de estar. Tinha um amigo de escritório que treinava Judô e acabou combinando de experimentar uma aula. Morando na Coréia, seu amigo não queria que ela fosse sem ele. O professor não falava inglês e ele estava frequentemente adiando a visita dela por problemas pessoais. Foi então que ele recomendou uma escola onde tinham vários estrangeiros, mas era para ela treinar Jiu-Jitsu.

Naquele momento, ela tinha muito preconceito e vergonha. A única coisa que ela sabia sobre jiu-jitsu era que Royce Gracie ganhou o UFC em 1993. Imaginava aquela academia cheia de testosterona, um lugar agressivo e sem garotas. E falando de UFC, não é isso que vem à sua cabeça?

Mas correu tudo bem. Ela conheceu algumas garotas nas aulas, os caras eram engraçados e gentis. Ela resolveu continuar. Havia dado o primeiro passo para mudança.

Não foi simples

O caminho não foi fácil. Inicialmente o único objetivo dela era perder peso. Tirar a bunda do sofá e fazer alguma coisa. Nesse ponto, absolutamente qualquer coisa que acontecesse era uma melhora, ela estava satisfeita com qualquer pequena mudança. Mas ela acabou melhorando muito mais do que poderia imaginar.

Quando começou, mal conseguia fazer todo o aquecimento porque não conseguia mexer o próprio corpo direito. Então ela começou a curtir as pequenas vitórias, usando-as de motivação. E qualquer dia ruim que ela tivesse, ela mudaria o foco para o objetivo principal. “Hoje foi um sucesso, eu levantei do sofá e movimentei meu corpo”, dessa forma, cada vez que ela treinava era uma vitória.

Uma das coisas interessantes é ver como ela virou seu lado nerd para os treinos. Como todo bom jogador de RPG, seu objetivo era simplesmente subir de nível. Impressionante o formato usado para se motivar. Como ela mesma coloca:

“Assim como nos jogos, você tem X pontos por nível. Estou atualmente no nível 8, com 815 pontos de experiência, dos 1750 necessários para alcançar o nível 9. Ganhei 489 pontos por fazer 500 agachamentos. Subir 3 lances de escadas, e fazer meus exercícios de fisioterapia. Ah! Mencionei que fiz 500 agachamentos? Há! Boo-Yah!”

Um Ano depois

Antes e agora: 2009/2011

Agora, pouco mais de um ano depois que começou a treinar, ela é uma pessoa completamente diferente. Ela nunca se imaginou fazendo exercícios em casa, por conta própria. Agora fazia flexões para aumentar sua força nos treinos. Perder peso virou secundário perto de fazer algo que realmente gosta. Os resultados agora eram consequência de uma paixão.

Hoje em dia não parece mais aquela pessoa tímida no tatame, envergonhada com a sexualidade das posições do jiu-jitsu. Agora fala da academia como sua segunda casa. Recentemente viajou para os Estados Unidos e visitou as mais famosas academias de jiu-jitsu que existem por lá.  Uma paixão que cresce e vira um estilo de vida. Tudo muito distante da realidade que ficou perdida no espaço de um ano.

Nesse intervalo ela perdeu 22 kg. Usou o jiu-jitsu brasileiro como principal atividade física e refez sua conduta alimentar. Basicamente diminuindo a quantidade de carboidratos, e parando de comer toda a comida. Deixou de assistir tanta televisão e passou a ter uma vida muito mais ativa. Julia está longe de ser a melhor faixa azul (agora) de jiu-jitsu que existe, mas ela não está nem aí pra isso. Ela aprendeu o valor da dedicação, da motivação, e de se juntar com outras que entendem o seu objetivo. Hoje ela é parte de uma enorme comunidade de lutadores de Jiu-Jitsu, aonde você nunca imaginou que encontraria uma gordinha tímida e nerd.

A mudança inspira

Há pouco mais de um ano, enquanto eu passeava buscando informações sobre artes marciais, mais especificamente jiu-jitsu, encontrei um blog simples, mas com muita informação diferente sobre a prática da arte marcial. A dona do blog não estava apenas dizendo que treinava e como eram os treinos, mas fazendo análises sobre o processo de aprendizado e fazendo relação com seu emprego, professora de inglês como segunda língua (ESL) na Coréia do Sul. Julia estava fazendo análises sobre sua nova vida dentro dos tatames e aprendendo uma nova linguagem corporal, o Brazilian Jiu-Jitsu.

Li imediatamente todos os posts que existiam no blog, alguns mais engraçados, outros apenas desabafos de suas dificuldades. Tudo isso vindo de uma faixa-branca com poucos meses de jiu-jitsu. Eu, com quase cinco anos treinando, estava admirado com toda aquela informação. Começamos a conversar sobre tudo. A página de comentários do blog virou um verdadeiro fórum de discussão. Eu aprendia e era motivado a cada dia.

Mudança e evolução: Acho que a Julia iria gostar desse comparativo

Julia representa, para o mundo, a mudança. A coragem que a maioria das pessoas não tem. Ela me mostra todos os dias que qualquer pessoa pode encontrar uma atividade que gosta, e mudar sua vida. Mostra que qualquer coisa que não seja se mexer, é uma grande desculpa para se manter na zona de conforto. Julia mostra pra todos os marmanjos ai fora, que fez o que vocês não fizeram. Tomou uma atitude.

Mudanças como essas acontecem todos os dias com pessoas a nossa volta, nos inspiramos, mas deixamos o sentimento passar. Como insisto em dizer, devemos procurar algo que traga paixão, que dê um motivo extra para levantar e se mexer, e isso é importantíssimo em todo processo radical de mudança física.  Se envolver com o objetivo é importante, mas seu comprometimento deve ser com caminho, curtindo as mudanças e vivendo sua nova realidade.

Alberto Brandão

Escreve no Kuro-Obi sobre artes marciais e no Decimadomuro sobre Parkour. Faixa preta de Taekwondo, azul de Jiu-Jitsu e praticante de MMA e Parkour. Fala sobre treinos em seu blog. Curiosamente, trabalha como analista de sistemas.


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  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    História inspiradora, Alberto. Obrigado por compartilhar conosco.

    Gostei em especial do processo como tudo aconteceu. Você conheceu o blog dela, acompanhou, interagiu, conversaram, ambos cresceram. Bonito de se ver esse contato real. Das pequenas grandes histórias do cotidiano que estão aí, esperando serem exploradas.

  • http://www.facebook.com/people/Alberto-Mazzo/1091424737 Alberto Mazzo

    História inspiradora! Eu que estava ensaiando pra começar o Jiu-Jitsu agora tenho mais essa fonte de coragem. É bem mais gostoso quando vemos a vida das pessoas mudando e não nos iludimos num roteiro qualquer de Hollywood. 
    Demais!

  • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

    Me identifiquei bastante com esse trecho: 

    “Quando começou, mal conseguia fazer todo o aquecimento, pouco capaz de mexer o próprio corpo. Então ela começou a curtir as pequenas vitórias, usando-as de motivação. E qualquer dia ruim que ela tivesse, ela mudaria o foco para o objetivo principal. “Hoje foi um sucesso, eu levantei do sofá e movimentei meu corpo”, dessa forma, cada vez que ela treinava era uma vitória.”

    Imagino que quando eu começar a treinar (o que definitivamente vai acontecer, mas ainda não agora), eu vá precisar me lembrar dessa lição para não me desmotivar no início. 

    • Augusto

      Acho que a grange questão é essa. Por problemas relacionados a aprendizado tive alguns professores particulares e todos me falavam isso. Que quando eu faço uma questão “fácil” eh uma vitória e mesmo que eu erre uma questão dificil se eu saber onde eu errei, já é uma vitória. Temos que aprender a nos contentar com o pouco tambem, não apenas com o muito. :)
      offtopic: E já que você tambem ta no gizmodo, poderiam fazer uma materia falando o que precisa ter ou ser para ser um OS. Tenho um celular high-end com bada mas todos falam que não eh um OS…

  • http://profiles.google.com/pudim.de.melancia Ana Paula Ribeiro

    Po, que bacana Alberto. 
    Onde vc treina aqui no DF? ;D

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Treino na Barreto Jiu-Jitsu, na 909Sul (dentro do caseb). Os treinos lá estão temporariamente suspensos pela interdição do ginásio.Você treina aqui?

  • Rodrigo

    Alberto, o link pro blog dela tá errado.
    Comecei a frequentar academia esse ano justamente para deixar de “ficar em casa reclamando da vida” e perder o sedentarismo, minha proxima meta é encaixar um muay thai ou algum outro esporte junto dos treinos

  • http://www.facebook.com/people/Nessa-Guedes/100001617941613 Nessa Guedes

    Que texto ótimo, super me incentivou a tentar alguma arte marcial. Sempre ouvi falar que a superação desses esportes é a melhor recompensa, e que a gente não muda só o corpo, mas também a alma.
    Muito obrigada por compartilhar, Alberto! =]

  • Anônimo

    Preciso crir vergonha na cara e seguir esse tipo de exemplo! (2)

  • Juka

    Nossa, o PDH acertou em cheio nos últimos posts, hein? Pelo menos pra mim, todos encaixaram muito bem no momento atual! ahahaha

    Ontem mesmo, sem mais nem menos, resolvi ir a academia pela primeira vez na vida e cara… Sai revigorado cheio de planos na cachola. Já decidi que precisava voltar também para o muay e que hoje mesmo tratarei de fazer isso.

    Só tenho a agradecer. Os textos motivaram mais ainda a minha decisão, por mais que já estivesse decidido. Vai ver é o destino conspirando ao meu favor… hehehehe

  • Marcelafonseca6

    Preciso perder 5kg e to chorando. imagine 22!

  • http://www.facebook.com/people/Fernanda-Honorato/1693738004 Fernanda Honorato

    Eu treino jiu jitsu há 9 meses e definitivamente, amo esse esporte!! Entrei no inicio para perda de peso como a Julia, mas além de perder peso, ganhei qualidade de vida e me vicieiiiiiiiiiii na arte suave.  Já se foram 16kg e um ótimo condicionamento físico. Quem está pensando em fazer.. não pense, FAÇA !!!!! Vale a pena demaissssss… Adorei o texto !!! =D 

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