Como William Waack se tornou um perigoso informante da CIA

Flavio Morgenstern

por
em às | Artigos e ensaios, Mundo


Foi divulgado pelo site de notícias R7, da Rede Record, que o apresentador do jornal da Globo William Waack seria um agente infiltrado da CIA. A informação teria sido apontada pelo site Wikileaks – aquele que só vaza documento oficial mais chato e desimportante do que nota de batizado. Como conheço um povo que trabalha pra CIA como agente duplo, resolvi colocá-los para investigar o caso. A espiã escolhida foi a Núbia Tavares, agente financiada pelo FBI, pelo Pentágono, pela Fox News, pelos sionistas e pelos Arquivos X; treinada em 5 técnicas de combate armado e desarmado; expert na milenar técnica de andar no teto sem fazer barulho.

Meu nome é Waack. William Waack

Preparem-se, pois seguem informações envolvendo espionagem, homens de preto que usam óculos escuros à noite e negociatas transcontinentais.

Documento #1: Operação Roque com Bispo

Lê-se no subtítulo da matéria:

Blog Brasil que Vai cita documentos sigilosos divulgado pelo site de Julian Assange.

Traduzindo: a fonte da notícia é um blog. Para piorar, um daquela espécie que mais se reproduz se bem alimentada com dinheiro público: o Blogis progressistae.

Se não há nada de estranho em uma notícia contra um dos principais jornalistas da Globo partir do portal de notícias da Record, por que diabos o dito portal cita um blog como fonte? Por que diz que um blog disse que o site do Wikileaks disse (e o site está fora do ar, pedindo dinheiro para continuar suas operações), em vez de verificar diretamente o que o Wikileaks afirma?

Diz o texto do R7, citando o obscuro blog Brasil que Vai como fonte:

De acordo com o texto [do blog], Waack foi indicado por membros do governo dos EUA para ‘sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana’.

- Por essa razão é que se sentiu à vontade de (sic) protagonizar insólitos episódios na programação que conduz, nos quais não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.

Há uma referência aqui a este vídeo:


Link YouTube | Corram para 1’02″

No vídeo, percebemos que houve uma nítida falha no estúdio, em que William Waack solta um “manda calar a boca” enquanto uma imagem de Dilma, titubeante, tenta se justificar perante mais uma das quebras de sigilo fiscal que nortearam sua campanha eleitoral. Não há prova alguma de que o “manda calar a boca” tenha sido direcionado à Dilma, que, aliás, mal começara a aparecer no vídeo. (Se fosse algo a respeito do vídeo, e no tom de resposta que tem sua voz, soaria mais como uma resposta tardia a José Serra, que aparecera pouco antes.)

Quem acredita nessa farofagem – blogueiros do porte de Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif, que divulgaram vídeos criticando William Waack até a alma, e o mandando, justamente, calar a boca – não parece conhecer uma rotina de telejornal, em que pautas são dadas enquanto as reportagens aparecem no ar. Os âncoras e apresentadores dificilmente prestam atenção no vídeo que chega aos telespectadores, e via de regra só ficam com o som, não com as imagens.

Diga-se, aliás, o que Dilma afirmava: “É uma… acusação sistemática que ele [José Serra] tem feito. E que somente prova o desespero. Essa é novamente requentada.” “Requentada” soa a querer culpar a imprensa pela notícia. Quem é que queria calar quem?

Há também um erro aí. Afirma o pastiche:

Não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.

Ainda que fosse o caso, Dilma não era uma “autoridade do governo brasileiro”. E não há nenhum palavrão na expressão “manda calar a boca”. Confundiu-se o beócio com outro vídeo em que William Waack chama a repórter Zelda Mello de “Zelda Merda”.

Dirigir um palavrão a “uma autoridade do governo brasileiro” é crime de injúria qualificada, tipificada no art. 140, § 3º, do Código Penal. Não é lá grandes bostas: dirigir um palavrão a qualquer funcionário público que não seja “autoridade do governo brasileiro” também é injúria qualificada, como xingar a progenitora, se ela tiver mais de 60 anos. Crime qualificado que qualquer torcedor do Corinthians vive cometendo. Por outro lado, atribuir um falso crime a alguém que não cometeu crime algum é, justamente, um crime, e com maior pena ainda: no caso, calúnia, tipificada no art. 138 do mesmo CP. Resultado: o R7 está peidando pra muzenga de um jeito que só a seleção de juniores da redação conseguiria fazer.

E o texto prossegue com mais clichês, sempre usando o blog como sua única referência:

O post informa que a política externa brasileira tem ‘novas orientações’ que ‘não mais se coadunam nem com os interesses americanos, que se preocupam com o cosmopolitismo nacional, nem com os do Estado de Israel, influente no ‘stablishment’ [o correto é 'establishment'] norte- americano’. Por isso, o Departamento de Estado dos EUA ‘buscou fincar estacas nos meios de comunicação especializados em política internacional do Brasil’ – no que seria um caso de ‘infiltração da CIA [a agência norte-americana de inteligência] nas instituições do país’.

Seria curioso se perguntar no que diabos a política externa brasileira vai tão de encontro aos interesses americanos a ponto de eles se preocuparem com William Waack. O quanto o “cosmopolitismo nacional” (com o perdão do oxímoro) do sertão agrário e do Pantanal faz concorrência com Las Vegas. E no quanto o Estado de Israel dita os rumos da política americana. Só faltou um comentariozinho sobre o sionismo e a indústria armamentista.

Documento #2: Operação Espremer o Limão Até a Casca

Meu nome é Waack. William Waack

Mas o tal post do tal blog citado nem aparece linkado, ou sequer com seu nome. O blog consegue se esquivar de ser encontrável no Google. Nossa espiã Núbia Tavares, que põe Jason Bourne no bolso, o encontrou. O texto, analisado por nossos especialistas, apresenta construções como as que seguem:

“O Wikileaks (…) compôs até agora o novo cenário de insurgência da cidadania mundial contra a manipulação secular de governos e da grande mídia internacional.”

“Ao mesmo tempo em que espocaram rojões na Casa Branca tilintaram [falta vírgula] taças no gabinete dos irmãos Marinhos [sic], agastados com documentos sigilosos trazidos a público pelo site há pouco menos de 2 meses atrás [redundância]

“O jornalista, que conduz um dos mais direitistas telejornais da TV brasileira, o Jornal da Globo” (HUEAhuAEhuAEuhAE!)

“ex-embaixadores octogenários que possuem em comum o mais evidente ranço contra a política externa que vem sendo implementada com sucesso pelo Itamaraty faz quase 10 anos.” (Zelaya e Kadafi que o digam!)

E coroando o bolo cerejosamente:

“Agora é preciso que o governo brasileiro aja e defenda os interesses do país contra ações de espionagem e de manipulação de programas jornalísticos que em razão de abordagens unilaterais procuram desmoralizar políticas legitimamente validadas pelo voto do eleitor brasileiro.”

Isso tudo em apenas 9 parágrafos, quase sem nenhum ponto final entre uma oração e outra. Dá pra entender ao menos por que o R7 ficou com vergonha de citar a fonte.

É aí que entra nossa contra-espionagem. É difícil, mas vamos ler o que o próprio Wikileaks tem a dizer sobre William Waack e suas perigosíssimas influências espiãs e conspiracionistas junto ao governo dos EUA – que estranhamente mudou de lado há uns três anos, mas a expressão “os EUA” causa calafrios sozinha. (As informações também são da nossa espiã.):

“Journalist William Waack described to CG Sao Paulo a recent business forum in which Serra, Rousseff, Neves and Gomes all participated. According to Waack, Gomes was the strongest overall, Neves the most charismatic, Serra detached but clearly competent, and Rousseff the least coherent.

Journalist William Waack stated at a lunch with the CG on September 4 that Serra and Neves had already sealed the deal, agreeing to run together with Serra at the top of the ticket. A second participant at the event, Fernando Henrique Cardoso (FHC) Institute Director Sergio Fausto expressed surprise at Waack’s assertion, but added that FHC would not permit the Serra-Neves rivalry to split the party.”

Tradução resumida: a atuação como “agente da CIA” de William Waack foi conversar com um embaixador em um jantar e fazer um comentário sobre cada um dos candidatos à presidência em 2010. Eu também converso com embaixadores (dois!) sobre assuntos bem mais complexos. Cadê meu broche da CIA?! É bom temer: logo logo o Brasil lança o filme – patrocinado pela Petrobras – 007 – O Espião Que Apresentava Notícias Sobre Reciclagem De Ceia De Natal.

Meu nome é Waack. William Waack

Para mais, digitem por “William Waack” no CableSearch e leiam os três documentos que citam William Waack e seu perigosíssimo… pronunciamento sobre o carisma de Aécio Neves.

KGB: Still Watching You?

Algumas coisas ficam no ar para manter o clima de mistério, espionagem e homens de preto, com poucos amigos e caras de mau. A primeira delas é: por que essa notícia é condenada à eternidade justamente enquanto o Wikileaks está fora do ar, pedindo dinheiro a seus leitores esquerdistas endinheirados?

Não há nada de estranho nisso? Nunca houve nada de estranho no Wikileaks “revelar segredos” de países democráticos, sendo 95% fofoca da revista Contigo, e nunca dar um pio sobre nenhuma ditadura? Aliás, se qualquer “mídia direitista” ameaçasse fechar as portas pedindo mais dinheiro, seria ridicularizada a ponto de nunca mais ver a luz do dia.

A outra pergunta é: por que a R7 não foi direto ao Wikileaks passar a notícia? Por que um blogueiro que nem aparece no Google vira “fonte”?

Mas, sobretudo, por que um jornalista conversar com um embaixador e expor suas opiniões sobre o governo num jantar o torna “informante regular do governo americano” e “suspeita de um caso de infiltração da CIA nas instituições do país”? (E desde quando a Rede Globo virou instituição do país?) Só porque vai num jantar e dá suas impressões sobre o governo do país – ”tá meio merda, senhor embaixador” – já vira agente da CIA? Nem mandou um currículo nem nada? Por acaso algum embaixador que leia estas linhas (ou qualquer jornal investigativo digno de tal nomenclatura) não vai chegar à mesma conclusão passada por Waack, e nem por isso iremos nos tornar “informantes regulares do governo americano”, sem ganhar essa pompa e provavelmente as bocas-livres que devem rolar com esse título?

A Record praticou o jornalismo estou dizendo que um blog anônimo disse que um site disse. Isso não é bem uma prova com certidão em cartório de vergonha na cara. Ou de, digamos, pauta minimamente interessante. Nota-se é que algum jornalista na Record queria causar polêmica, mas é um menino muito júnior pra essas coisas.

Curiosamente, a entidade que domina os blogs pró-governo, a tal “blogosfera progressista”, que adora pedir um dinheirinho do contribuinte para seus bolsos, quando critica a “mídia” (o correto é “imprensa”) não tem medo de ir contra a Record. Pra eles, todo mundo é neoliberal, estudou os Protocolos de Washington e fazem parte de um partido único da mídia (o tal PiG) que quer passar os mesmos valores a todos, enquanto só eles pensam com a própria caçuleta. Mas quando se trata de falar mal “da Globo”, como se alguém lá dentro soubesse o que é liberalismo e torcesse pela Sarah Palin (e como se Obama fizesse parte de tudo isso), aí a esquerda se alia até à Igreja Universal.

Enquanto isso, também rolam uns murmúrios por aí – não é afirmação nossa e nem da nossa espiã, apenas existe o murmúrio e nós deduramos, a la Wikileaks – de que a Record andou pagando estagiários para falarem bem do Pan nas redes sociais. Serviu como “Operação Abafa”? O tiro, no mínimo, saiu pela culatra: agora, William Waack é, sozinho, o yankee que impediu a revolução comunista no Brasil.

Enquanto isso, por favor, alguém avise ao Assange que os meus contracheques da CIA e os da minha espiã estão atrasados.

Nota do editor: texto do Implicante adaptado pelo próprio autor.

Flavio Morgenstern

Escritor, redator, tradutor e faz-tudo com textos, exceto aviões de papel. Gosta das coisas boas da vida: cultura greco-romana, língua latina, fenomenologia alemã, literatura americana e pornografia russa. Calunia em um blog pessoal e um político. No Twitter, @flaviomorgen.


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  • http://www.facebook.com/Davi.Big Davi Seixas

    Excelente texto!

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Muito obrigado, Davi!

  • http://www.facebook.com/people/Caíke-Gama-Machado/592877604 Caíke Gama Machado

    E ainda a Record estampou uma matéria de mais ou menos meia-hora, apontandO “falta de credibilidade da revista VEJA”. Como dizem por aqui, “macaco senta no rabo pra falar dou outro”!

  • http://www.facebook.com/people/Matheus-Teixeira/100000692701999 Matheus Teixeira

    que texto foi esse? muito bom a edição e as imagens do waack!

  • http://www.facebook.com/beto.leonardo Beto Leonardo

    A Papúa Nova Guiné recruta no Brasil jornalistas influêntes como irfomantes, ou EUA nunca! JAMAIS! kkkkk

  • Magali Pereira

    Parabéns pelo texto! 

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Muito obrigado, Magali!

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Barão/100001165417076 Lucas Barão
  • Fernando

    Tudo bem que existem exageros conspiratórios, que é aliás a essência do Wikileakes, mas também é muita ignorância política querer negar que existem relações, desiguais, tendenciosas e absurdas entre política e mídia no Brasil. Nota-se por este e outros textos que o autor não é “progressistae”, ou seja, está querendo manter tudo como está para ver como é que fica…

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Fernando, não sou progressista, sou libertário da linha Walter Block. As 3 páginas do prefácio de Defendendo o Indefensável já mostram a que viemos: defender legalização das drogas, casamento gay, aborto… só com a diferença de não arrancar dinheiro do contribuinte à força pra isso.

      Abraço

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Rodrigo, que a “denúncia” existe, até eu CITEI, e minha espiã ainda explicou como chegar a ela. Agora, tudo o que o Wikileaks conseguiu “denunciar” é que William Waack conversou com um embaixador num jantar.

    Não fui partidário, pois não defendi partido algum. Dizer que defendi uma idéia é o que qualquer um faz – e, neste caso, a Carta Capital é ideológica E partidária. E se um monte de blogs e jornalistas copiam ipsis litteris sem verificar o que o próprio Wikileaks afirmou sobre William Waack é apenas razão suficiente pra demissão sumária de um por um.

    Abraço.

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000088922153 Wagner Menke

      Concordo que o citado blog viajoooooouuu na maionese. Não é porque a Veja e a Folha fazem a mesma coisa que todo mundo tem que fazer também. Sim, a reportagem do blog é lamentável. Porém não vi sua repercussão no blog do Paulo Henrique nem no blog do Nassif…

      Você critica o financiamento com recursos “dos contribuintes” para os blogs. Não sei de onde você tirou essa informação, mas gostaria de saber porque você ignora que Veja, Folha, Estadão e Globo são regados a verbas públicas, principalmente do Governo de São Paulo (9 milhões esse ano, sem  licitação, te mostro a página do Diário Oficial se quiser). Explica pra gente, senão vai parecer sim que seu texto é partidário.

      E sim, a Carta Capital é DECLARADAMENTE a favor do PT e da esquerda. Apesar de não assinar e não ler diretamente a revista, leio algumas de suas reportagens reproduzidas nos “blogs sujos”.
      Porque que a Veja, Folha e Globo não declaram seu apoio à direita com essa mesma honestidade da Carta, e como faz a Fox News nos EUA, declarando estar do lados dos republicanos???

      • らき☆すた

        “Porque que a Veja, Folha e Globo não declaram seu apoio à direita?”

        Porque cês tão doidos pra jogar Hitler, Mussolini, Pinochet, Sarah Palin et caterva no colo deles. Pô, se fosse Churchill, Thatcher, Ortega y Gasset, Hitchens… Aí taria sussa.

      • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

        Wagner, talvez Paulo Henrique e Nassif tenham se tocado de como a afirmação foi ridícula. Mas o que falei é que, na época do “manda calar a boca”, ambos postaram até vídeos mandando o Waack calar a boca, tentando afirmar a qualquer custo que a frase fora pra Dilma.

        Eu critico QUALQUER propaganda estatal. Seja pra Veja, seja pra Globo, seja pro Hora do Povo. Uma enorme diferença, entretanto, é que a Veja não fica pedindo dinheiro do governo pra sobreviver. Sem empresas públicas, no entanto, uma Carta Capital decreta falência (como a Globo provavelmente já teria decretado, não fossem vultuosos empréstimos do BNDES). E meu texto não seria partidário nem se eu defendesse só para a Veja: a Veja não é um partido, e nem minha Bíblia.

        Uma coisa que a esquerda deve aprender é que existem filósofos, sociólogos, economistas, juristas, até psicólogos e críticos literários de direita. Você pede 5 nomes de esquerdistas e te citam de filósofos a religiosos (como Frei Betto) e assassinos (como Althusser). Você pede nomes de direitae citam… quem escreve artigos de meia página pruma revista ou jornal, que julgam ser de direita (como se metade do corpo da Carta Capital não tivesse trabalhado na Veja, Folha [direitista onde, meu deus?!], Estado e Globo (ou eram todos “de direita” nessa época?).

        A Veja declara claramente ser favorável ao capitalismo, e preferir Serra. Não sei de onde vocês tiram qu eela não o faz. Estado, Folha e Globo já têm nomes muito mais divergentes lá dentro (o que também há na Veja, note-se: o rapaz que inventou o tal de “gente diferenciada”, petista, trabalha pra Veja). Cada um que declare o que quiser. Aliás, o que mais gosto na Veja é sua honestidade em ser contra o PT (ou você tem dúvida em relação a isso?).

      • AndreT

        Flavio Mortenstern,
        Sai desse mundinho onde só existe a dicotomia direita vs esquerda e para de tentar criticar quem tem um pensamento diferente do seu pegando exemplos toscos (o tal do viés confirmatório).
        No mais, acho o assunto do texto interessantíssimo – problemas do jornalismo brasileiro, destacando-se esse caso – mas achei o seu texto ruim pela forma que aborda o tema, focando excessivamente no parte político-partidária e de forma excessivamente tendenciosa.

        Só pra deixar BEM claro, eu também acho que a acusação que fizeram contra William Waak foi tosca.

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000088922153 Wagner Menke

        Bom Flávio, tentei buscar no blog do Nassif alguma referência ao vídeo do “cala a boca” do Waack e não encontrei nada. Posta o link aqui se for possível.

        “Uma enorme diferença, entretanto, é que a Veja não fica pedindo dinheiro do governo pra sobreviver. Sem empresas públicas, no entanto, uma Carta Capital decreta falência (como a Globo provavelmente já teria decretado, não fossem vultuosos empréstimos do BNDES).”

        O Grupo Abril está entrando pesado no mercado de material didático pra escolas. Dando a entender que vai abandonar o lance de revistas semanais de repostagens. Acho que a Veja já faliu. Não consegue aumentar seu índice de circulação. Se você se refere aos anúncios que os bancos estatais e outras empresas públicas fazem na Carta, e chama isso de financiamento público, sinto informar, mas o Banco do Brasil faz anúncio até no Kibe Loco (até na Veja!).

        “A Veja declara claramente ser favorável ao capitalismo, e preferir Serra. Não sei de onde vocês tiram qu eela não o faz. Estado, Folha e Globo já têm nomes muito mais divergentes lá dentro (o que também há na Veja, note-se: o rapaz que inventou o tal de “gente diferenciada”, petista, trabalha pra Veja).”

        Até onde eu saiba, ela não declara isso expressamente, como a Carta fez em seu editorial. Ela demonstra isso através de suas matérias. Ou seja, onde deveria ter informação, tem opinião. O fato do cara que inventou a “gente diferenciada” ser petista não creio que faça alguma diferença aqui pro que a gente tá debatendo. E se for, bem, tem gente ruim de tudo que é jeito, não é mesmo?

        Bom, e quanto à Folha, Estadão e Globo ser de direita ou esquerda, creio que isso rende um outro belo post pa uma discussão específica, concorda?

        Abs.

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Hahahah, valeu, Bruno! Pra mim, esse jornalismo aí é mais divertido do que luta no gel. Quer dizer, seria, se tivessem envolvido a Christiane Pelajo. 

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Jelson, e se o “agente diplomático” americano tivesse simplesmente ligado a TV e assistido ao jornal, William Waack também seria burro?

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Curiosamente, a grita entre os setores que defendem o liberalismo econômico é, justamente, que a Globo, desde a redemocratização, é sempre pró-governo, não importa qual ele seja.

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Eu sou informante?! Wow! Onde recebo meu contra-cheque?!

  • Pedro

    Sensacional seu texto, segundo que leio seu, foda.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Valeu, Pedro!

  • Rodolfo Viana

    Por que ninguém fala da ligação do Evaristo Costa com o Reino do Cavalo de Fogo? Aquele sim é um agente perigoso…

    • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

      Nem da presidente Dilma com o  Kim Jong-il

      • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

        Wikileaks chocou o mundo dizendo que embaixador acha Hugo Chávez um cara chato. Mas não diz uma vírgula sobre ditadura nenhuma.

      • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

        Mas não seria porque essas ditaduras são um mau obvio, tipo, não precisa de muito pra sabermos o quanto de ruim e sujo são esses  governos?

        O que não acontece com os EUA por exemplo onde, por ser uma democracia, nos esquecemos que causam mazelas por ai.

  • Rodolfo Viana

    “Medo do PdH…”
    Regina Duarte feelings: http://www.youtube.com/watch?v=dBKQwT3-dlQ

  • http://www.facebook.com/daniel.the Daniel Lopes

    O Waack pode até ser agente da CIA, mas o livro dele (“Camaradas”) sobre a ligação com a URSS dos aloprados comunistas do levante de 37 no Brasil é bem bom — e no geral melhor escrito do que as notícias do R7.

    Quanto ao heroísmo do WikiLeaks, se me perdoam o link: http://www.amalgama.blog.br/09/2011/a-traicao-de-julian-assange/

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    Alguém, e não lembro quem, disse que “Pior que ler nenhum jornal é ler somente um”

    Achei genial essa frase quando a vi pela primeira vez, mas depois que li esse texto fiquei com duvidas quanto a sua lógica (a da frase)

  • Rodolfo Viana

    Acho um barato comentários que terminam com “sem mais” ou “e tenho dito”. Eles alegram o meu dia.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Wikileaks está causando uma revolução na internet. Dizem até que derrubou o Kadafi. Opa. Esquece. Dos podres do Kadafi ele nunca falou nada.

  • http://www.facebook.com/rodrigosantiago Rodrigo Santiago Juacaba

    Flavio, gostei do seu post por levantar a questão. Achei, porém, que você se perdeu ao mudar o alvo para o Wikileaks.

    “Nunca houve nada de estranho no Wikileaks “revelar segredos” de países
    democráticos, sendo 95% fofoca da revista Contigo, e nunca dar um pio
    sobre nenhuma ditadura?”

    Ora, desmerecer assim o que o Wikileaks faz só porque eles têm como alvo principalmente as grandes potências não é certo, até porque eles revelam apenas fatos, não opiniões deles mesmos. Quer que revele também documentos de ditaduras? Faça-o você. Não estou defendendo que eles não devem fazê-lo, mas também não vejo nada errado. Pra mim, eles ja fazem muito.

    “Aliás, se qualquer “mídia direitista” ameaçasse
    fechar as portas pedindo mais dinheiro, seria ridicularizada a ponto de
    nunca mais ver a luz do dia.”

    Ironia falaciosa. Seria sim ridicularizada porque não sofre oposição de grandes bancos etc que concordam com seus ideais. Não há necessidade de contra-argumentar essa passagem com mais coisas. Creio que você foi infeliz ao fazer essa comparação para encher linguiça no texto.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Ué, Rodrigo, porque eu que tenho obrigação de revelar podre de ditadura? Se são ditaduras, eu nem tenho acesso, afinal, não há livre informação. Aliás, as mesmas pessoas que acreditam que o Wikileaks revela “fatos”, e não “opiniões” (como um jornalista conversar e expor justamente suas opiniões num jantar) são as mesmas que nunca acreditam nos crimes das ditaduras. Coincidência?

      A outra frase não foi irônica (que é dizer uma coisa querendo dizer outra), e muito menos falaciosa. Foi uma comparação, e quis dizer exatamente isso. E quem disse que uma mídia direitista não sofreria imposição de grandes bancos? A Primeira Leitura sofria do BMG, e toda a americana sofre dos Lehman Brothers, só pra ficar em 2 exemplos óbvios. Abraço

      • http://www.facebook.com/rodrigosantiago Rodrigo Santiago Juacaba

        Flavio, com todo o respeito, o Wikileaks revelar um documento escrito pelo corpo diplomático americano é sim revelar um fato ou, em último caso, a opinião do próprio corpo diplomatico. O jornalista conversar e expor suas opinioes num jantar é um fato. E eles revelaram apenas isso. A opinião vem dos meios que lêem e interpretam como preferem, como o dito blog e o r7. Creio que isso está claro. Eu acredito fortemente nos crimes das ditaduras também e não as defendo de maneira alguma. O meu ponto foi que o Wikileaks não deve ser criticado por não abranger todas as possíveis ‘vítimas’ de seu trabalho, portanto, creio que você desvirtuou o tema de maneira errada ao partir para o ataque ao Wikileaks.

        Quanto à  mídia. A mídia direitista pode sofrer imposição(pressao, no caso) desses bancos, mas o que eu quis dizer no caso é que não ocorreria de acabarem com os meios de ela receber dinheiro, se negando amplamente a tê-los como cliente. Ora, você realmente acha que é um cenário fácil de se imaginar grandes como Visa, Mastercard e Paypal negando serviços e, portanto, impossibilitando a arrecadação de dinheiro(motivo da sua chacota) por parte de uma mídia direitista? Claro que não, poxa. Um abraço.

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Outras fontes confirmam o que o blog falou. Inclusive eu, que CITEI o blog. Só que, ao contrário das outras fontes, citar o blog mostrou que ele estava mentindo.

  • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

    Valeu, Ana!

  • Convidado

    Se os textos do Flávio são assim tão “complexos”, fico imaginando a que nível de complexidade uma criatura de sua jaez deve estar acostumada.

  • http://contraditorium.com Carlos Cardoso

    Excelente texto, bem mais detalhado que a versão que fiquei com preguiça de escrever. Será devidamente indicado aos teóricos da conspiração que confundem bate-papo e consultoria com espionagem.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Muito obrigado, Cardoso!

      • HVPiccoli

        Impressionante o fato de que realmente tem gente pensando que os americanos precisam consultar um jornalista nosso pra dar pareceres sobre candidatos, como se eles não tivessem centenas de funcionários no Brasil pra saber o que acontece.
        Me dei ao trabalho de entrar no site do Jornal do Brasil, citado acima por um leitor. Constato que um monte de gente lê qualquer coisa e acredita sem fazer uso do menor senso crítico.

  • http://profiles.google.com/1bertorc Humberto Ramos Costa

    Teve outro ‘caso’ assim… Um dos grandes da Folha (não lembro mesmo o nome) seria espião da CIA. O grande crime dele contra o Brasil? Tentou explicar o funcionamento do nosso judiciário à embaixada dos EUA (Se ele tiver conseguido entender e explicar merece uma caixa de cerveja diga-se de passagem).
    O que me deixa triste é ver o quão longe estamos de alguma lógica no debate político brasileiro… Tanta gente comprando a idéia de ‘direita’ e ‘esquerda’ dos partidos brasileiros e isto falando de um ambiente de pessoas (como eu) privilegiadas que puderam concluir o curso superior e sabem interpretar e construir um texto. A confusão é tanta que aqui no Brasil reacionário, conservador e liberal tudo é sinônimo de ‘direita’ para a conta ideológica jabuticabana poder fechar… Difícil… Muito difícil…

  • http://profiles.google.com/1bertorc Humberto Ramos Costa

    Curioso são os vermelhos achando um absurdo o governo dos EUA atacando o Assange e aplaudirem os caudilhos que mantem a imprensa e a oposição debaixo da bota… Morro e não vejo tudo.
    Não vai longe do absurdo de criticar Hitler e logo depois elogiar Stalin.

  • http://www.facebook.com/antonio.carlos.1612 Antonio Carlos

    Bah tché, tanto barulho por ter jornalista vendendo informação pra americanos? Ele não vendeu nada confidencial,vendeu as opiniões dele, isso é crime?
    Pior é o governo, que se vende pra Cuba, Venezuela, China. China então é um absurdo, tem gaucho fechando fábrica pra fazer sapatinhos na China.
    Perto destes, o Waack é um pintinho…

  • FELLIPE KNOPP

    kkkkkkkkkkkkkk. Nesse caso ficaria mais simetricamente eufônico se fosse o apresentador do JN: meu nome é Bonner, William Bonner, rsrsrsrsrs. Como sempre me restam os piores papéis, eu seria o Satânico Dr. kNOpp.

    Eu gosto do Waack. O acho um profissional sério e muito competente. Nesse patamar não há escassez de competências, mas de moralidade institucional no que diz respeito ao programa identitário do negócio. Há gente competente nas outras emissoras.

    Sou jornalista também. Não somos todos burros. Alguns de nós são inteligentes (rs).

    Parece-me que atualmente tanto o JN como o JG conseguem manter um padrão de veiculação razoavelmente isento, mesmo com todas as limitações editorias que presumimos haver, sem ingenuidades deontológicas.

    O jornalismo brasileiro “peca” muito é na orientação dos jornais locais, esses por seu caráter informal acabam autorizando a precipitação colorida por simpatias pessoais e fazendo usucapião da irresponsabilidade pública como forma de definição de sua personalidade institucional.

    Não acato com credibilidade aquela notícia, e mesmo se fosse verídica seria motivo de admiração por promoção pessoal, e não de condenação pública da qual eu participasse. Ocorre muito como o Flávio disse, um efeito de mímese literal que afinca sua convicção autárquica com a fé no testemunho, e tão somente. Em casos mais incógnitos a apuração jornalística deve ser muito mais do que ouvir fontes, há que se considerar também o nível de comprometimento do relato pelo viciamento das opiniões pelas reproduções inadvertidas a partir de figuras de referência pública. E o jornalista deve aprender a não noticiar mais do que aquilo que constatou com a devida apuração e registro. Adiantar juízo e precipitar conclusão onde deveria haver interrogações pior do que negligenciar um fato de relevante interesse público prevaricando no exercício profissional e sua função social.

  • Anonimo

    Grande MERDA!

  • Artur

    O texto acima não é jornalístico. Está mais para um exercício de agressividade e deselegância, ao estilo Veja, polarizado e descomprometido com qualquer espírito investigativo. Seguem links para os relatórios reportando as informações fornecidas por Waack a funcionários americanos:
    http://cablesearch.org/cable/view.php?id=09SAOPAULO551&hl=william+waack
    http://cablesearch.org/cable/view.php?id=10BRASILIA49&hl=william+waack

  • putao

    que bosta de blog cara.

  • http://www.facebook.com/lenin.cristi Lenin Cristi

    Também quero saber, será que ele volta para dar a cor exata do sujeito?

  • kkk

    como babam o ovo do golpista da vez..kkk..alias é assim que surgiu o cartel dos merdias..babando os lacaios de anapolis na operação condor que hoje a rede globo omitiu os donos e só falou nos lacaios..hehe..a reculord é outra da mesma laia

  • GK

    Os autores do PdH odeiam direitistas E esquerdistas, não perdoam ninguém

  • Lorenzo Wegher

    Achei o “pior” texto que já li no PDH. Pior não porque é ruim, mas porque foi o primeiro texto sem propósito que li aqui. Me pareceu desconectado da idéia do site no geral, pelo que sinto das postagens que leio por aqui, sempre construtivas e reflexivas. Crítica na boa, sem partidarismo ou ideologia. Sem querer esculachar o autor.

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