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em às | Atitude
Aquecimento global. Mutilação de genitais femininos na África. Eleições no Irã. Guerra e fome. Educação precária. Violência urbana. AIDS. A lista de temas de interesse local e global é enorme. Sim, sim… mas e daí?
Pergunto com sinceridade: você se preocupa com o futuro de nosso planeta? Como caminha o nosso mútuo entendimento e o relacionamento saudável entre diferentes culturas?
Se a resposta é “Não”, faça um favor a nós dois: pule este texto, que não é para você. Talvez não pelo momento. Hoje a conversa é com quem ainda acredita que dá para melhorar o mundo. Aquela coisa de jovem sonhador, manja?
Milhões de jovens no mundo todo são vítimas de decisões mal tomadas por adultos. São péssimos planejamentos e baixa prioridade para educação. Falta investir em campanhas de conscientização para assegurar um padrão mínimo de saúde.
Severn Cullis Suzuki é uma ativista canadense que, em sua infância, fundou a ECO – Environmental Children’s Organization com a finalidade de aprender e educar outras crianças em temas de meio ambiente. Em 1992, aos doze anos de idade, a jovem Suzuki esteve no Rio de Janeiro e colocou a boca no trombone.
O vídeo acima é conhecido entre os hits de YouTube como “The girl who silenced the world for 5 minutes” (a menina que silenciou o mundo por cinco minutos) e transmite a paixão contagiante de Suzuki por algo que acreditava.
O resultado da paixão combinada com competência é alta performance.
Suzuki foi autora de livros, recebeu medalhas na ONU, se formou pela Yale University e foi apresentadora de seu programa de televisão, Suzuki’s Nature Quest.
Paixão + competência é a fórmula mágica para qualquer grande transformação. É o oposto de viver a vida como um zumbi reativo e perdido, esperando que o professor da escolinha ou o chefe do escritório nos digam o que é que devemos fazer em seguida. É se libertar do modo passivo para encontrar o nosso verdadeiro propósito.
“Legal tudo isso, Victor. Palmas para ela, mas isso tudo é complicado demais pra mim e estou na correria…”
Se você pensou isso e não se motivou com o vídeo ou com a história que ela conquistou nos últimos anos… eu arriscaria dizer que um dos elementos da fórmula lhe está faltando: paixão ou competência. Ou ambos.
Desde que comecei, timidamente, a lançar algumas palavras mal escritas no meu blog, tenho recebido emails com o seguinte conteúdo: “Victor, quero viajar pela Europa e pegar umas gatinhas”. OK, você e a torcida do Flamengo.
Quando eu respondo perguntando o que o sujeito faz da vida, o que o motiva e o interessa mais, de modo a traçarmos juntos um roteiro de viagem bacana, eu ouço a resposta “Ah, sei lá… acho que é legal viajar e tals” e outras variações genéricas e indefinidas.
Logicamente que também apareceu o oposto. Por exemplo, me escreveu um empreendedor gente finíssima que tem altos planos de embarcar em televisão digital. Para todas as direções que ele olha, ele vê conteúdo para seus canais digitais. Até pensei em oferecer a ideia de fazermos um programa de TV com dicas culturais e paquera na Europa! Quem sabe?
O ponto é que esse empreendedor tem muito mais chances de vir para a Europa do que alguém que acha “legal viajar e tals”. E não é por causa de dinheiro, e sim pela motivação e propósito de fazer seu negócio dar certo.
Vejam. A Suzuki aos doze anos viajou do Canadá para o Brasil, pois tinha um propósito – trazer sua mensagem aos líderes de governo.
Para dar um exemplo mais próximo, lembro do Alessander Guerra, nosso ex Dr. Cook que infelizmente está com mil projetos na cabeça e pendurou o avental.
Olha pra esse cara! Quantos sujeitos você conhece que fazem um vídeo na frente da Notre Dame de Paris comendo um pão com presunto e queijo, editam e colocam no YouTube? Pois é. Nas palavras dele, comer o croque monsieur pelas ruas de Paris é uma das coisas mais legais da experiência de viagem. E ele está certo ao fazer aquilo que é a sua paixão.
Encontrar essa paixão pode demorar um pouco, e uma das melhores formas é convivendo com diferentes grupos sociais, que trazem variedades de temas ao seu redor.
De modo semelhante à minha recomendação para o uso do Facebook para manter contato com as namoradas gringas, rolos e possíveis paixões, hoje vou fazer jabá de outra rede social. Para jovens ativistas, a melhor dica é entrar para o TakingIT Global.
O TIG é uma rede social que conecta jovens para promover ativismo, além de conteúdo e ferramentas para educadores e dicas para jovens se mobilizarem em torno de suas causas. São milhões de oportunidades e grupos listados, de modo que certamente você encontra algo que vai ao encontro de seus interesses pessoais.
Mas pode ser que você já tenha uma paixão! Tocar um blues dos diabos. Fazer algo para combater a violência e os crimes absurdos que infestaram nosso país. Ou algo menos político e mais social-etílico como fazer drinks para a mulherada.
A dificuldade em fazer acontecer pode estar na falta de alguma habilidade, que nos casos acima seriam o instrumento musical, o traquejo político para promover melhores políticas públicas ou saber misturar os drinques na dose correta. Se esse for o caso, veja aqui o segundo ponto:
Felizmente, esse é o lado mais fácil da equação e por isso deixei para o final. Encontrada a paixão, o aprendizado da competência pode ser desenvolvido gradualmente.
Como falei no texto dos zumbis, até hoje eu não sei calcular o Log e sequer entendo o seu conceito. E não foi por falta de bons professores ou livros – as ferramentas para o aprendizado sempre estiveram a meu dispor, mas eu não tinha o menor tesão para aprender assuntos mais complexos de matemática.
O exemplo oposto é o aprendizado de idiomas, no qual mando bem. Só que eu não acredito que eu tenha mais talento ou mesmo mais interesse por idiomas do que qualquer leitor aqui. Ao contrário, detesto aprender regras gramaticais, memorizar declinações e conjugações verbais. Como é que eu sou poliglota, então?

Interesse pelo idioma em si ou pelas pessoas? Agora ficou mais fácil e palpável entender “Sprechen Sie Deutsch”?
Em vez de ter interesse pelo abstrato e intangível idioma, eu tenho interesse pelas pessoas que falam aquela língua. Aí sim eu encaixo a minha paixão por algo concreto com a necessidade de reforçar minha competência.
Logicamente é preciso ter pé no chão. Se meu negócio é aviação, é bom que eu faça todos os treinos e simulações necessárias antes de sair voando por aí. Mas na maior parte dos casos, os erros do processo de aprendizado não são fatais e, como diz meu amigo Rodrigo Almeida, a graça da coisa é justamente não ter muita certeza do que se está fazendo.
Por isso o texto de hoje não entra muito em detalhes da competência técnica, mas propõe uma pergunta: já encontrou a sua paixão?
Dê o melhor de si e em breve surgirão oportunidades de participar de conferências mundo afora. A maior parte dos temas e oportunidades compartilhadas por meio da plataforma do TakingITGlobal é de interesse global. Portanto, envolve conferências internacionais com algumas bolsas de financiamento disponíveis. Não é nada mal promover suas causas enquanto se conhece pessoas do mundo todo que compartilham das mesmas preocupações e projetos.
Para quem se animou com o assunto, é de grande importância a leitura do Guia para Ação, em português, produzido pelo time TIG liderado pela Jennifer Corriero.
Imagino que aqui entre os leitores tenha bastante gente com experiência em ativismo, voluntariado, liderança e engajamento social. Seria ótimo se pudéssemos todos trocar dicas aqui e no Fórum PdH.
Qual é a sua paixão?
É o embaixador europeu da PapodeHomem e está sempre de malas prontas para ir onde tem mulher bonita. É autor do "From Victor With Love - Diário".
O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Somos um espaço plural, aberto a visões contraditórias e entusiasta do embate saudável. Conheça nossa orientação editorial e a essência do que fazemos. Você pode comentar abaixo ou ainda nos enviar um artigo para publicação.
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