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Como ser brega em 63 linhas com muito orgulho

Publicado por Leonardo Luz em 24.8.2007 às 12:52

Na sua coluna de hoje de manhã, o colunista Joaquim Ferreira dos Santos citou em um momento, uma pergunta que ele fez há muitos anos ao Mestre do romantismo escrachado e desesperado, Nelson Gonçalves.

Inquirido sobre qual era o sentido de todas aquelas canções, o Mestre lascou de bate pronto que “cada nota, cada trêmulo do gogó, cada pigarro”, nas palavras do Joaquim, era sempre em prol da busca desesperada de alguma pequena que para sempre dormisse ao seu lado.

nelson O rei

Ele resumiu o pensamento de milhares de sujeitos que, em uníssono, pensam dessa forma. São os que chamarei de agora em diante de “Machos Neo-Românticos”. MNR, pra facilitar.

São os que ainda mantém vivo o legado de nomes como Waldick Soriano, Nelson Gonçalves e Odair José. Brega, diriam vocês. Não se deixem levar pela pequeneza desses estereótipos que envenenam a sociedade contemporânea, como o dos metrosexuais ou o dos Emos. Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum.

waldick-soriano Waldick Soriano

Enquadram-se nessa categoria não só cantores, mas escritores e poetas que ainda fomentam o romantismo “volta pra mim ou me mato com uma overdose de Doril”. Admito sem pudor ou medo: sou um MNR. Dos piores. Ou dos melhores, entendam como quiserem.

Pois bem, voltando ao primeiro parágrafo, o objetivo que cada linha, cada estrofe, cada grito abafado ou cada ameaça de largar tudo se ela não votar é, no fundo, o mesmo que movia o saudoso Nelson: a busca desesperada de uma pequena que para sempre durma ao nosso lado.

Ou embaixo, em cima, meio na diagonal, sem preconceitos. Mas tal situação é uma coisa muito mais, digamos, abrangente. Tachados de safados, infiéis e mulherengos, freqüentemente somos acusados de sermos falsos românticos devido à freqüente rotatividade de musas em
nossas mentes, corações e penas.

A verdade é que nós, os MNR, temos um coração grande e vagabundo, mais carente que filhote de hamster em pet-shop de subúrbio. Qualquer cafuné a gente apaixona e já escreve uma música, ou poema e bota um blogue no ar. E já quer morrer se ela não nos atender no dia seguinte.

A tarefa de conquistar um MNR e obter dele exclusividade não é das mais árduas, apesar de não acometer muitas mulheres em sã consciência. As normais preferem os galãs tradicionais: instrutores de mergulho, empresários promissores do ramo de informática etc. Somos mendigos da atenção, pedintes do beijo na testa com cafuné na nuca, perseguidores do cochilo aninhado no peito.

pequenas Nosso objeto de perdição

Qualquer mulher que se ponha entre os nossos braços por um curto período terá a certeza de que ela é a mulher da nossa vida. Mas não fazemos por mal! Não, não! Naquele momento ela é a mulher da nossa vida, é tudo o que queremos, é a pequena que queremos que durma do nosso lado para todo o sempre. Mesmo que esse todo o sempre só dure até a hora do trabalho de manhã, ou até a hora da próxima pequena chegar para ficar ao nosso lado para todo o
sempre. Não fazemos por mal.

Pior é explicar depois que as três últimas coisas que você escreveu na semana passada sobre aquela mulher maravilhosa que você quer para sempre, na verdade são sobre três mulheres maravilhosas que você quer pra sempre, mas que ainda tem um texto pra uma quarta sendo feito, e pra quinta você mandou uma caixa de chocolates, por que ela não é muito chegada e leitura. Mas era tudo verdade!

Cada linha, cada palavra, cada foto de fundo com uma RSA e uma carta manchada com
lágrimas. Não somos calhordas, safardanas ou mequetrefes. Tudo isso que fazemos é, seguindo os passos do mestre, em busca de uma pequena que nos brinde com a sua companhia para todo o sempre, nas noites frias e solitárias.

O problema é que as noites frias são muitas, e a enorme profusão de idéias que ocorre em nossos cérebros escravos do coração não nos deixa em paz, fazendo com que nos entreguemos ao primeiro olhar terno que nos seja lançado. O problema é que ela sempre
nos troca por algum instrutor de mergulho ou por algum empresário promissor do ramo de informática.

E se não nos troca, e comete a sandice de nos amar incondicionalmente, nossa inspiração passa a não ser mais a mesma, e como ficamos? É nesse ponto que um MNR passa o
bastão à nova geração, tendo encontrado alento e pés juntos na noite fria com marshmallow e “nove e meia semanas de amor” no DVD, como fizeram os mestres.

Mas enquanto isso não acontece, brincamos na rodinha e fazemos cara de pidão na grade da gaiola, pra ver se alguém para e entra na pet shop pra nos fazer um agrado…

Foto do autor

Leonardo Luz é fã de polêmicas, adora cutucar onça com vara curta, colaborador da PapodeHomem e também detona no blog Eu e Meu Ego Grande.

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16 comentários

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  1. Imagem do comentarista

    Eu adoro Nélson Gonçalves, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa e lá vai …

    “Volta vem viver outra vez ao meu lado, não consigo dormir sem teu braço, pois meu corpo está acostumado…” Acho isso lindo, rs.
    Acho o Reginaldo Rossi engraçado, mas ele não me emociona como o Lupicínio.
    Gosto do estilo do Guilherme Arantes, as vezes … é meio piegas, mas …

    Mas atualmente, qdo é prá falar de amor em música, gosto do Zeca Baleiro e aquele jeitão underground dele.

    Quem curte atualmente fazer umas releituras dessa galera brega é o Nando Reis … rs, eu acho legal …. mas não gosto muito das duplas bregas de hoje, vide Zezé di Camargo e Luciano.

    Legal o texto Léo!
    ;)

  2. Imagem do comentarista
    DEMERVAL MALAKO

    NÃO ACREDITO!!!! NÃO É POSSÍVEL!!!! LEONARDO LUZ??? É VOCÊ MESMO???

    PQP… OLHA AÍ, MILAGRE DE ROQUE SANTEIRO!!! MILAGRE DE ROQUE SANTEIRO!!!

    Não só não falou nada sobre homossexualismo, comko também citou NELSON GONÇALVES e WALDIQUE SORIADO…

    Meus aplausos ao Leonardo! Esse cara é cabra macho! CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP (isso são apalusos, imagina o Teatro Municipal de São Paulo e as pessoas critando Lééééoooo, Lééééooo… Com direito a ôla - pode ser jontex - uahauha… essa foi boa!)

    MAs voltando a falar sério (coisa que pra mim é difícil) .

    Cara, eu sofro com essa P*&% de MNR. OLha, matou a pau no texto Léo! Continue assim que vc vcai pro céu… até se bobear eu troco uma idéia com o Homi lá de cima e consigo uma vaga a direita Dele… sou assim com o Homi, unha e carne, hehehe…

    Beijunda e até segunda! PARABÉNS!

  3. Imagem do comentarista

    Caro Demerva,

    Olha, rapaz. Fiz mal juízo de você. Não achei que você fosse aceitar minha redenção, rs. Mas seu elogio foi muito mais do que bem vindo. Valeu mesmo. Obrigado pelas palmas e pela promessa da casa com piscina no céu. rs. Beijundas e abracetas.

  4. Imagem do comentarista

    Hehe: Lebrei do Pedro Ivo:

    “Que música linda… Vou ligar pra Sabrina… Alô, Sabrina, ouve essa música… Sabrina, eu te amo! Foda-se que eu tô chorando… Não, eu não bebi, porra. É essa música… Volta pra mim, Sabrina! Desculpa, Sabrina… Não desliga, peraí. Eu te am… Cretina, desligou na minha cara.”

    Isso é que é romance!

  5. Imagem do comentarista
    DEMERVAL MALAKO

    Pois é Léo: EU NÃO SOU CACHORROO NÃÃÃÃÃÃOOO!!! -rsrsrs- sou de boa, tranquilo e calmo, apenas falo o que penso e tento ser sincero.
    Grande abraço… tamosss aeee!!!

  6. Imagem do comentarista
    Tayane

    Eeeeeeeeeeeeeeeeeee.. E a paz reina nesse site!
    Se bem que eh muito mais legal quando Demerval dá seus ataques, vai?
    Hhauhauahauahuahauahauh..
    \o/

    Vim em defesa dos instrutores de mergulho, eles tem o seu charme..
    Fiu…

    Beijos para o Escritoor!
    =)

  7. Imagem do comentarista

    Ôba!!!
    Enfim acabaram as rusgas entre Leo e Demerval … rs
    Muito bem!!!

    bjo Leo!
    :)

  8. Imagem do comentarista

    Mandou muito bem no texto, Léo!
    Às vezes sou acometido por esse mal…rs, por enquanto estou na vitrine do Pet Shop esperando o tal cafuné, aliás, o próximo cafuné…rs.
    “Eu não sou cachorro não”, mas não tem jeito…rs. Grande abraço!!!

  9. Imagem do comentarista

    Tem uma letra do Raul Seixas que acho sensacional. “Eu quero mesmo” (segue abaixo).

    Eu Quero Mesmo
    Raul Seixas
    Composição: raul seixas/claudio roberto

    Eu quero mesmo é cantar yê-yê-yê!
    Eu quero mesmo é gostar de você!
    Eu quero mesmo é falar de amor!
    Eu quero mesmo é sentir seu calor! Eu quero mesmo!

    Por muito tempo eu sentia vergonha das coisas que eu sinto
    E disfarçando, escrevia difícil só pra complicar
    Quando a flor é uma flor e não tem outro jeito da gente dizer,
    Pra que mentir, se eu sei, eu sei que…
    Eu quero mesmo é cantar yê-yê-yê!
    Eu quero mesmo é gostar de você!
    Eu quero mesmo é falar de amor!
    Eu quero mesmo é sentir seu calor! Eu quero mesmo Eu tinha medo de ver a beleza da simplicidade
    Nunca falava “eu te amo” com medo de alguém me gozar
    Eu gosto de “Besame Mucho” e eu gosto, eu vou tirar você desse lugar
    Pra que mentir? Quando eu sei que…
    Eu quero mesmo é cantar yê-yê-yê!
    Eu quero mesmo é gostar de você!
    Eu quero mesmo é falar de amor!

    Eu quero mesmo é sentir seu calor! Eu quero mesmo!
    Eu quero mesmo é cantar yê-yê-yê!
    Eu quero mesmo é gostar de você!
    Eu quero mesmo é falar de amor!
    Eu quero mesmo é sentir seu calor! Eu quero mesmo!
    Eu quero mesmo é cantar yê-yê-yê!(oié)
    Eu quero mesmo é gostar de você!(minha nega)
    Eu quero mesmo é falar de amor!
    Eu quero mesmo é rimar amor com dor!

    Simplesmente porque ele resume em uma frase algo que todo homem deveria entoar como um mantra a cada manhã.

    “Quando a flor é uma flor e não tem outro jeito da gente dizer, pra que mentir?!”

    Infelizmente, eu sou uma que só aprendi a dar valor e crédito a estes ícones românticos depois dos 30anos. Pra não dizer que nunca gostei de nada, tinha uma paixão por Lamartine Babo e todas as suas composições, mas só! É claro que cresci ouvindo, tinha o Projeto MInerva na Radio Globo aos domingos, que embalava as nossas idas à praia (meu pai adorava), mas ouvia torcendo o nariz.

    Saber que exietem MNR é até uma grande surpresa pra mim. Esta semana muito se falou de Waldick Soriano, por exemplo, por conta do novo filme da Patrícia Pillar, e tinha um monte de gente se assumindo fã do cara. Sei lá… Desconfio, mas… Até hoje, só conheci um MNR. Que é fã incondicional do gênero, sofre mais do que sovaco de aleijado por amor e escreve poesias românticas de uma maneira compulsiva. Ah, e não pega ninguém!!! Ainda acho que um dia este meu amigo poeta será cult, mas até lá… Rabisca poesia em qualquer papel de pão e sofre por amor no colo das putas.

  10. Imagem do comentarista

    O dermeval se exaltou, hein!

  11. Imagem do comentarista

    “Mesmo que esse todo o sempre só dure até a hora do trabalho de manhã, ou até a hora da próxima pequena chegar para ficar ao nosso lado para todo o sempre.”

    isso que fod*, sempre nossos coraçõezinhos que esperam “por todo os sempre”.. mesmo que a gente (mulheres) pensemos que o “todo o sempre” pode ser até a semana que vem…

    é engraçado, costumava dizer para meu ex namorado “te amo todos os agoras”, que faz muito mais sentido, eu acho =/

    “O problema é que ela sempre
    nos troca por algum instrutor de mergulho ou por algum empresário promissor do ramo de informática.
    E se não nos troca, e comete a sandice de nos amar incondicionalmente, nossa inspiração passa a não ser mais a mesma, e como ficamos?”

    Definitivamente, vcs homens (a maioria), são muito inconstantes…

    Ótimo texto :o)

  12. Imagem do comentarista
    Wandecy Medeiros

    Urubu vaidoso

    Quem sonhava com a fama e morreu no temporal
    Perdeu no dia seguinte sua foto e o jornal.
    Celebre sua vitória, fique em êxtase, absorto,
    Aparecerás na imprensa: “Fulano de tal foi morto”.
    Gostamos da nossa imagem – criamos a fotografia,
    Meu pulmão é são e forte – olhe a radiografia.
    Se nosso rosto não agrada o espelho nos enganou,
    Exumamos o cadáver do tetravô do nosso avô,
    Para mostrar nossa nobreza, nossa genealogia.
    Quanta vida enfadonha escrevendo autobiografia.
    Toda família tem um rei lá no passado
    E o bobo da corte nem ao menos é lembrado.
    Não lembram que Bate-Seba foi esposa de Urias,
    Todos descendem da linhagem de Davi, não de Golias,
    Mas a vacina que cura a nossa peste
    Tornou-se eficaz quando irmão rato fez um teste.
    Essa boca que se expressa também come
    E se expressa em função da sua fome.
    “O epitáfio o nosso último orgulho traz”,
    Nesse túmulo George Bernard Shaw jaz.

    Do livro “Puezya”

  13. Imagem do comentarista
    Guilherme Nascimento Valadares

    Caramba, Wandecy, de onde você desenterrou essa?

    Muito bom!

  14. Imagem do comentarista
    Wandecy Medeiros

    Urubu divino

    Dizem que o Criador modelou Adão do barro,
    O oleiro fez melhor: com a lama fez um jarro.
    O homem faz maravilhas, artefatos voadores,
    O besouro também voa e nem precisa de motores.
    O homem supera Deus, ultrapassa a natureza,
    Prende cores numa tela, glorifica a beleza.
    Deus supera o diabo no compasso e tempo rítmico
    Porque Ele fez a música e o diabo trouxe o crítico.
    “Mas o homem não é grande coisa”, diz a sua sinfonia,
    É menor que sua obra, muito abaixo da poesia.
    Shakespeare até tentou tornar o homem um colosso,
    Fez um príncipe desastrado dialogando com um osso.
    Os lobos também tentaram dar nobreza ao homem,
    Mas só uma minoria transformou-se em lobisomem.
    Darwin conseguiu deixar nossa imagem melhorada,
    Mas criou outro problema: revoltou a macacada.
    Somos decomposição em caixão frágil, de árvore,
    Ocultos, indesejados, comidos dentro do mármore.
    O homem é coisa menor, um deusinho vil e raso,
    Mas superou o Criador: modelou do barro um vaso.

    Do livro Puezya

  15. Imagem do comentarista
    Lulu Nogueira

    As poesias de Wandecy Medeiros tem um quê de subjetividade mesmo falando na mais pura linguagem objetiva.

  16. Imagem do comentarista
    RodrigoCP

    Cara…
    essa foi a definição que eu mais me enquadrei até hoje!

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