Cliente x Criação

Lá está ela, inocente (ok, às vezes ela é meio suja e de duplo sentido, mas tá valendo) pequena e precisando de cuidados para se desenvolver: a idéia para o anúncio.
Sua filha, seu produto de queima de neurônios.
Idéia do caramba. Responde ao briefing, é original, mas o bendito do cliente (sim, ele é ótimo porque paga nosso salário) despeja o clássico: “não gostei, use verde-limão nesta tarja” ou ainda “aumente a logomarca”.
Seu sangue sobe? Percebe que sua mãe estava certa ao dizer que deveria ter escolhido uma carreira mais estável?
Bem-vindo ao clube.
Engraçado como ninguém palpita sobre como o médico deve operar, o mecânico consertar ou o dentista fazer um sádico e caprichado canal. Mas na área de comunicação, onde certos critérios são subjetivos, todo mundo dá pitaco.
Já o cliente que, em muitas vezes, não entende bulhufas de comunicação, decide montar seu próprio Frankenstein com o aval da agência. Todos perdem com essa ingerência. A criação por enterrar o anúncio e jamais publicá-lo em seu portifólio, a agência por produzir uma campanha de gosto duvidoso e o próprio cliente por não atingir seus objetivos de mercado.

Adoramos publicidade; informar, entreter, emocionar, alertar, flertar com o target naqueles sagrados 30 segundos. Enfim, trazer um sorriso àquele cidadão comum no fim da noite. O mundo seria um lugar mais triste sem a publicidade e suas cores. Alías, não acredito que a nossa vida na sociedade moderna atual seja possível sem ela.
Por isso, nossa mensagem ao Sr. cliente é: confie em nós, sabemos o que fazemos. Quando o Sr. decide, mesmo sob protestos do Atendimento, pela pérola máxima do cliche: “no aniversário das nossas lojas, quem ganha o presente é você”.
Dá até vergonha de assinar.

O momento exato de opinar construtivamente é produzindo um briefing robusto, completo e que guie a criação na direção correta. Nele também devem conter referências, não peças a serem copiadas. Daí pra frente é com os publicitários.
Como diz Paulo Castro da Staff/RJ: “Certos dias você não está bem, não tem prazo, ou definitivamente não é seu dia”. E ponto final.
Isso vale pro cliente tambem. Sempre existe uma razão.
Se quem paga manda você usar bold, use bold, caramba! Mas sempre com bom-senso.
Nem todo dia é dia de obra de arte. Job bom é job morto.
Ps. Tirinhas do Rodrigo.
Fábio Fernandes é publicitário, redator, interessado por assuntos culturais, psicologia, saúde, cinema, comportamento e odeia ser chamado de Júlio.
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