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Circl.es: por que sites de namoro falham?

Rodrigo Ghedin

por
em às | Ciência e tecnologia, PdH Shots


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Não é muito difícil imaginar por que sites de namoro não são exatamente bons para construir… namoros. Parece ilógico, mas pense bem: trata-se de um local onde as pessoas se auto-descrevem — logo, omitem suas falhas. Mentem.

Como ninguém está lá para fiscalizar, é preciso ter muita fé no que a outra pessoa diz. Você sempre navega pelos mesmos perfis e, de verdade, a menos que você salve o de uma gatinha nos bookmarks para ver depois, jamais dará atenção a um que já tenha sido visto.

Um estudo publicado na Psychological Science explica com mais profundidade essas falhas. Outro ponto interessante abordado ali é o sistema de sugestões de parceiros, geralmente baseado na combinação de critérios objetivos.

Como usar critérios objetivos para medir probabilidade de atração, se ela própria é completamente subjetiva?

O fato de uma mulher gostar de jogar FIFA Soccer e de ouvir Foo Fighters não a faz automaticamente a melhor opção para mim. Cadê a diversidade, o “os opostos se atraem”?

Melhor maneira de encontrar uma mulher que seja fã de Foo Fighters

Não dá mesmo para descolar umas meninas na Internet?

Dizer “não dá mesmo” seria presunçoso. Há pouco mais de um ano entrei no Badoo para ver o que era aquela coisa que tantos amigos me “convidavam” para conhecer. Calhou de ser um site de namoro, mas se bem utilizado (olha aí!), serviria como um belo lugar para garimpar encontros casuais. Um leitor do meu blog, identificado como Jr. Durand, manda a real nos comentários deste post:

“Chamo o Badoo de supermercado, ou um grande site de pegação — excelente, por sinal. Um dos pontos fortes ao meu ver é que ninguém sabe com quem você se relaciona ou quem faz parte da sua rede. Mas um aviso: quem está procurando namorada ou coisa do gênero, esqueça o Badoo. Lá o negocio é pegar, é diversão. O índice de conversão é excelente, a cada 5 que você convida para o MSN, 4 você pega.”

O próprio estudo citado ali em cima, que desanima os que ainda esperam encontrar o amor de suas vidas na forma de bits, flexibiliza um pouco as coisas mais para frente, segundo tradução publicada pelo Gizmodo Brasil:

“Mantendo tudo o mais constante, ter acesso a muitos parceiros em potencial é melhor do que ter acesso a poucos ou nenhum. Ser capaz de se comunicar com parceiros em potencial com segurança e conveniência oferece um bom precursor a encontros cara a cara com pessoas que você ainda não conhece. A confiança de que parceiros de relacionamento especialmente ruins foram retirados do conjunto de escolha é um prospecto atraente.”

Ou seja, dependendo do seu plano de ação e da sua sorte, as coisas podem funcionar. Certamente é melhor do que não se expor a nenhuma possibilidade. O erro está em ter a certeza inexorável de que sites do gênero funcionam. Na Internet, como na vida, tem que correr atrás.

Espero encontrar alguém tipo a Meg Ryan de 1998

Um nível além: Circl.es

Dia desses apareceu um link estranho no Facebook, compartilhado pelo Bracht: o Circl.es. O site se auto-intitula “o site de namoro mais simples de todos”, “feito para quem odeia sites de namoro”. Ele usa o Facebook e recorre aos famigerados critérios objetivos, mas traz diferenças fundamentais e ideias novas que, pelo menos em tese, podem resultar em mais finais felizes.

A premissa do Circl.es é colocar em contato pessoas com potencial para se darem bem segundo o sistema. É por isso que não há perfil, nem um monte de avatares em lista esperando para serem clicados e ignorados. Se não houver pessoas que batam com seus critérios e estejam fisicamente próximas, o site fica vazio. Aliás, esse é o estado comum dele. Não é para visitá-lo todo dia, não precisa. Pintou alguém interessante no sistema? O Circl.es te avisa com um email simples, direto.

Ao encontrar essa pessoa com potencial para ser a ideal, o máximo que você vê é um mini-perfil baseado no Facebook com dois botões: “Sim”, para demonstrar interesse, e “Não”, para descartar a pessoa. A pessoa rejeitada jamais fica sabendo que o seu perfil sequer foi visto. Mesmo que você demonstre interesse clicando no “Sim”, algo só vai acontecer se a pessoa também demonstrar interesse pelo seu perfil — que, lembrando, usa uma foto real e o seu nome real. Bem direto.

A sensação que se tem é de que o Circl.es pega tudo de errado, tudo o que sobra, em sites de relacionamentos e expurga sem dó. Muitas dessas coisas existem para serem revertidas em faturamento e métricas para angariar anunciantes; o Circl.es não depende, nem precisa disso, por isso tem tanta gente o achando interessante.


YouTube | Um dos melhores filmes sobre relacionamentos começados na internet (tente não saber nada além desse trailer antes de assisti-lo)

Mesmo assim…

Sejamos sinceros: é meio clima de fim de festa apelar para sites de namoro. Não te condeno, caro amigo solitário, e confesso que já tentei a minha sorte nisso — também, sem resultados positivos. Ou negativos.

A sugestão que me parece melhor do que qualquer site é: poupe a energia gasta preenchendo um perfil quilométrico para escrever um email para aquela amiga de um amigo da sua irmã e os trocados da mensalidade do Match.com para torrar em ingressos e vodka na balada.

Rodrigo Ghedin

Paranaense com 25 anos. Escreve sobre tecnologia desde o Ensino Médio e nem a graduação em Direito lhe tirou o gosto pela escovação de bits. É repórter do Gizmodo Brasil, colunista do TechTudo, podcaster do Gemind e culpado pelo blog pessoal. Procura manter hábitos saudáveis, papos instigantes com gente bacana e música boa na playlist.


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  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Bem interessante a mecânica do Circl.es e a maneira como ele trata o usuário, Ghedin.

    Entrei e fiz os passos pra ver como funciona. Tudo muito rápido, em português humano – não o típico mkt bizonho de sites de namoro. Daí mostram as opções e depois que se encerram vem uma mensagem ótima:

    “There is nobody new in our system that matches your criteria.Go outside and enjoy the sunshine – you aren’t missing anything here! Circl.es is brand new and still building a user base. Rest assured, if someone comes along who meets all of your criteria, we’ll shoot you an email.”

    • http://www.facebook.com/pedromiotto Pedro Miotto Federico

      Guilherme (e quem mais entrou na brincadeira pra ver como funcionava),

      Experimentem ir até o perfil de vocês e clicarem em I’m interested (e depois em ok).
      HAHAHAHAHAHAHA é genial, cara.

    • http://www.gemind.com.br Rodrigo Ghedin

      O que mais me impressionou no Circl.es foi justamente esse toque “pé no chão” e gente boa do Justin. O tratamento que ele dá ao usuário é muito bacana, não te trata como um desesperado, nem faz promessas de te trazer mulheres/homens a rodo. O tom das mensagens, dos emails e do blog oficial (que é bem bacana, aliás) é sempre super agradável.

      []‘s!

  • André Kaminski

    Há várias e várias razões também que impedem os sites de namoro de funcionarem.

    Algumas delas, são o fato de que as próprias pessoas se tornam hiper-exigentes com relação aos perfis das outras pessoas: se de todas as características, uma não bater contigo, você descarta a pessoa logo de cara. Coisa que dificilmente ocorreria no contato ao vivo.

    Sem contar que a internet ainda gera aquele quê de não se levar o outro a sério: você começa a conversar e uma ou outra coisa, e a pessoa logo é descartada do seu MSN e de sua vida. Não há qualquer prejuízo: ela não está ali próxima de você mesmo. Isso é frustrante, principalmente para a pessoa excluída que logo se questiona “Será que é a roupa? Será que é a outra? Será que eu estou magra ou engordei?” etc, etc, etc.

    O Badoo até é diferente porque no geral, o negócio ali parece funcionar de maneira mais informal. Basicamente, você declara que está afim de sair, de um encontro sério, etc. Não há tanto a parte de julgamento, que é o que mata nesses sites.

    Não sou contra a utilização deles, mas vejo que eles parecem ser mais frustrantes do que realmente ajudarem a encontrar o tal amor. Seja por parte dos outros, seja por parte de você mesmo.

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Sites de relacionamento são feitos para pessoas que não são muito fã de baladas, creio eu. Já tentei um ou outro, e até hoje o máximo que consegui sem querer foi uma boa amizade (que devo uma visita até hoje). :)

    Achar um parceiro ideal é tão aleatório quanto, hum, vejamos, bem, por exemplo, conseguir ganhar em um bingo da cidade (pois Mega Sena é provabilidade menor ainda). 

    Até hoje só tive uma namorada séria, e depois dessa mais nenhuma. No máximo uma ou outra tentativa de ficar com alguém. Flerto com uma menina aqui ou ali, mas tipo, eu penso que na hora certa, aparece alguém que “pan!”, é aquela que tu fala: “opa, essa vai ter uma boa história de vida comigo” (Foi assim que eu pensei quanto tive a primeira namorada “séria”) :) Pode ser que eu me supreenda e no final a pessoa que eu namore seja alguma que eu nem pensaria em namorar. Talvez eu não a encontre em sites de relacionamentos, em baladas ou afins. Pode ser em qualquer lugar. :)

    O ponto é pensar que é um certo romantismo pensar assim: a “mulher ideal” vai aparecer assim, “do nada”. Talvez sim, talvez não, aparece um e-mail dizendo: “essa talvez aqui combine contigo”. Bem, vai saber. :)

    • http://www.gemind.com.br Rodrigo Ghedin

      Muita gente nos diz, quando perdemos alguma coisa, para desencanar que logo essa coisa aparece. Há quem diga a mesma coisa para relacionamentos — quanto mais se “procura”, mais difícil é encontrar um.

      Já namorei uma menina que conheci pela Internet (IRC, saudades eternas…), mas na real acho que a melhor forma de encontrar bons partidos é aquele esquema “amiga de amigo(a)”, saca? Geralmente nós as conhecemos casualmente, sem pressão por namoro/ficada/etc. e já com um atestado de que a moça é no mínimo legal, afinal se não fosse não seria amiga do amigo(a).

      []‘s!

  • Leandroterra Bh

    Acho que isso não dá certo por uma questão estética: encontrar uma namorada em um site especializado é algo que você não quer pra sua vida. Não acha bonito, não acha ideal, não acha que dá uma boa história para se contar.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000088922153 Wagner Menke

    A pergunta que devemos nos fazer quanto aos sites de relacionamento é: será que os problemas que temos ao conhecer alguém pela internet não são os mesmos que temos conhecendo alguém numa balada ou outro lugar ao vivo? As pessoas que conhecemos pessoalmente também não nos omitem seus defeitos? As pessoas na balada não estariam tão interessadas só na pegação quanto as do Badoo?

    • http://www.gemind.com.br Rodrigo Ghedin

      Acho que balada é meio complicado para encontrar relacionamentos sérios. Pode até rolar, mas o próprio ambiente não conspira a esse favor.

      E a Internet é mais cômoda e amigável aos tímidos. Nesse sentido acaba atuando como uma proteção que “liberta” (embora eu duvide muito da sua eficácia para esse fim).

      []‘s!

  • http://www.facebook.com/viictor7 Víctor Alexandre

    Em ambas as situações, as pessoas irão omitir seus defeitos e/ou suas fraquezas. O porém, é que pessoalmente, numa balada ou um simples encontro casual, essas ‘falhas’ se tornam mais perceptivas.

    Optar por um encontro num site de relacionamento, seria evitar a tensão, o medo do ‘chegar junto’ e um fora seria muito menos dolorido. Além de se der certo, você já sai de casa de encontro marcado, terá mais uma chance de impressionar. Chance essa, que ‘ao vivo’, poderia não existir.

    Conheci minha namorada atual pelo facebook. Depois de algumas ligações, marcamos um encontro e bingo! E sem essa visão de que ‘mulher de internet não presta’. Vai da sorte né?!

    Mas apesar de gostar de um ‘cyber chaveco’, prefiro muito mais² um encontro casual. E não uso sites de relacionamentos. Realmente, não dão certo.
    Viva as redes sociais.

  • Daniel Nascimento

    Um livro bacana que aborda o tema é o “Positivamente Irracional” do Dan Ariely. Quem se interessa pelo assunto sugiro a leitura.

  • http://www.facebook.com/gilhenrique Gil Henrique H. Belei

    Olha não sei se os sites que não certo ou as pessoas que não sabem quebrar esse paradigma, lembro-me que conheço pessoas utilizando esse meio desde de 1994, até hoje tenho ótimas amigas daquela época e sempre estou formando novas amizades por esse meio. Já namorei algumas mulheres que conheci pela internet e não foi nada ruim e nem para elas eu garanto, pois todas ainda são minhas amigas, mesmo! Na verdade pelo que elas reclamam são que a maioria vem com cantadas baixas, querendo sexo. Sempre oriento a todo mundo a buscar amizades, pois mais que isso acaba rolando naturalmente, mas se não rolar, ganhou-se um amigo. Muitos perdem oportunidade por mentirem ou por tratar a pessoa com falta de respeito. Temos que aprender a quebrar esse paradigma e utilizar esse meio da mesma forma que nos tratamos pessoalmente.

  • Carlos Pitta Ramos

    12 forever alone aprovaram a materia

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      é o contrário, carlos.

      o artigo vai na veia crítica dos sites de namoro.

      viu a mecânica do Circles? entra lá. é uma nova maneira de se pensar nossa relação com o universo digital e o território da conquista.

  • Marina

    Não eh verdade q o badoo eh soh pra se pegar, eu e meu namorado nos conhecemos lá, e ja estamos a um tem pão juntos….

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=645901670 Luciano Prado

    Eu mesmo não tive sorte nesses sites não, nem responder minhas mensagens a mulherada respondia.

  • Gi

    Então vou confessar uma coisa: uns meses atrás eu tinha um perfil no badoo, e o único perfil que realmente me chamou a atenção foi um tal de Rodrigo Ghedin. Mas sei lá, talvez por timidez, ou comodismo, não corri atrás, mesmo descobrindo uns dias atrás termos um conhecido em comum (small world). Agora tô naquele esquema de conhecer amigo do namorado de uma amiga, vamos ver se dá certo.
    Mas sobre sites de namoro propriamente, eu não acho uma má idéia…afinal quem é tímido, ou não tem mais paciência pra sair em baladas, ou tá carente, é uma alternativa para “conhecer” pessoas.

  • Gi

    For the record: embora eu apoie a causa, nunca obtive nenhum êxito nesse tipo de site. Mas aqui faço minha mea-culpa: no E-Harmony fiquei apenas uma semana, e já excluí a conta….No badoo, não me empenhei o suficiente para sair de conversa virtual. Em outros sites do gênero nunca me cadastrei.
    Fazendo uma auto-crítica, talvez o problema não sejam os sites, mas sim a pessoa (no caso eu) sair da sua zona de conforto e ir atrás de quem lhe interessa (e isso vale tanto pro virtual quanto para o cotidiano). Acontece que na teoria parece tudo tão fácil, mas na prática (pra quem não tem prática) as coisas são mais complicadas.

  • edmundomiguelmartins

    Eu fiquei maravilhado com o que eu vi,  pois é tão bom agente poder se sentir livre ,livre dizer ao mundo Eu Existo Eu estou vivo Eu me amo eu posso amar ao proximo indiferente se ele gosta de mim ou não. Pois amar o meu proximo não é preciso que ele goste da gente. Amar os nssos inimigos é preciso que agente goste da gente. Precisamos esquecer o nosso passado mal reslvido. pois passado mal resolvido não quer que sejamos ninguem navida. O passado doi nós temos que fugir dele ou A Prender com Ele. PoIs Quem tem medo de Perder Ja é derrotado. Precisamos primeiro vencer derrota o inimigo que mora dentro de nós. Porque o pior inimigo é o ininmigo invisivel precisamos conhecer os nossos inimigos para que possamos ser Vencedor. UM Verdadeiro CAMPEÃO. Palavras. São as minhas palavras. Foi otimo fazer deste Mundo. Assinado Edmundohocolate                      

  • Carla

    Sua opinião em relação ao sites de relacionamento está baseada em pessoas da sua faixa etária, mas no que diz respeito a quem ja passou dos 40 rssss..as baladas e vodkas não são as melhores opções!!!

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