Cinco times tentam confirmar expectativas
Poucas tarefas são tão ingratas quanto fazer previsões quando o assunto é futebol. Mas é difícil não ceder à tentação.
Para mim, os times que em 2008 darão o que falar, ou, como se diz, serão aqueles a ser batidos, estão numa lista de cinco: São Paulo, Internacional, Fluminense, Flamengo e Palmeiras.
Sobre o Verdão, incluo na lista mais por respeito à tradição de Vanderlei Luxemburgo sempre beliscar uns títulos por onde passa do que por confiar que vai dar certo.
Dá dando saudade dos estádios já.
No geral, diga-se, não se sabe o que a janela européia de Junho/Julho pode fazer com eventuais previsões.
São Paulo
Ao olhar a escalação do Tricolor, qualquer torcedor de outro time fica com as barbas de molho. Me parece o melhor do Brasil. O bicampeão brasileiro é o que mais profissionalmente repõe peças do elenco.
Se no ano passado a equipe já era forte, este ano então a coisa complica ainda mais para os não-são-paulinos. O time de Muricy, salvo engano ou mudanças, será: Rogério Ceni, Souza (ou Joilson), Miranda, Juninho, André Dias e Richarlyson; Hernanes, Fábio Santos e Jorge Wagner (Carlos Alberto); Adriano e Aloisio (Dagoberto).
O elenco, comandado pelo competente Muricy, permite ao treinador, por exemplo, uma série de mudanças táticas mesmo sem substituir ninguém, graças a jogadores versáteis como o excelente Richarlyson (ladeado pelo ótimo Hernanes), Souza (que, parece, vai ficar no Tricolor) e Jorge Wagner.
Internacional
Outro que deve infernizar é o Colorado. Todos que acompanham o ludopédio com interesse acima da paixão pelo time do coração estão curiosos para ver a dupla Fernandão e Nilmar lá na frente.
O time escalado na final da Copa de Dubai e que venceu a Inter de Milão por 2 a 1 (com direito a gol de bicicleta de Nilmar) foi: Renan; Sidnei, Orozco e Marcão; Wellington Monteiro (Jonas), Maycon, Magrão (Danny), Alex (Ramon) e Guiñazu; Fernandão e Nilmar (Iarley). Não é um time de craques, mas é homogêneo, joga em bloco e tem o comando de Abel Braga. No Colorado, clube que conhece como poucos, Abelão está em casa. O clube contratou o lateral Bustos (ex-Grêmio), que não está na escalação acima.
Aliás, se é verdade que a pré-temporada é fundamental para um bom desempenho, a do Inter foi de dar inveja, ao conquistar o torneio nos Emirados Árabes vencendo times europeus que estão no meio de sua temporada, como o Stuttgart e a Internazzionale, atual campeã italiana.
Seu time vai ficar em quarto no Brasileiro, vice na Libertadores e sua mulher vai te trair com o motorista da firma
Flamengo
O Rubro-negro, que terminou 2007 com uma reação histórica e espetacular que o levou à Libertadores, se reforçou para 2008 com o meia Kléberson (Besiktas-TUR), o cobiçado zagueiro Rodrigo (Dínamo de Kiev), os meio-campistas Marcinho (Atlético-MG), Jônatas e o volante brutamontes Gavilán (Grêmio).
Rodrigo deve formar uma dupla de zaga respeitável com Fábio Luciano. O eficiente meia Ibson terá a companhia do pentacampeão Kléberson. Renato Augusto e Souza formam o ataque, que tem o reforço do Diego Tardelli (que graças a deus não foi pro meu time).
Creio que esse grupo, na mão do Joel Santana (o grande responsável pela reação de 2007) e com o incentivo impressionante da massa, pode ir longe, muito longe.
Fluminense
O atual campeão da Copa do Brasil tem em Renato Gaúcho, na minha opinião, seu principal trunfo. Pra mim, é a melhor revelação de técnico dos últimos tempos.
E não é que ele deu conta do recado
O time é competitivo, marca forte, ocupa os espaços do campo e terá o principal ingrediente para agradar os amantes do futebol: três baita atacantes, Leandro Amaral, Dodô e Washington. É tanto que a principal discussão entre os tricolores é se Renato vai ou não escalar os três quando o bicho pegar (não estou falando dos jogos contra timecos do campeonato estadual).
O meia Thiago Neves, talvez a principal revelação do Brasileiro 2007, ficou no clube e vai municiar o ataque. Mas o time tem um ponto fraco: o gol, já que o Flu tentou mas não conseguiu levar Fábio Costa do Santos. Tanto Fernando Henrique quanto Diego são frangueiros. Aí pode ir tudo por água abaixo.
Palmeiras
Pra mim, dos cinco, é o menos candidato. Até porque o clube aceitou uma cláusula no contrato de Vanderlei Luxemburgo que teria sido, segundo o Painel de Esporte da Folha, o motivo de o Santos não ter renovado com ele: a brecha de poder sair no meio do ano.
Será que o Luxa vinga?
Assim, há quem preveja que Vanderlei vai tirar o Palmeiras da fila, mas também há quem ache que ele pode repetir a passagem trágica de 2002, quando deixou o time em Abril e em Dezembro ele caiu para a segunda divisão. O time do Palmeiras deve ser mais ou menos esse no início da temporada: Diego Cavalieri, Elder Granja, Gustavo, Dininho e Leandro; Pierre, Martinez, Makelele e Diego Souza; Valdivia e Alex Mineiro (Luís Henrique).
Até o fechamento deste texto, o time do Parque Antarctica não havia contratado o lateral esquerdo Leonardo, da Portuguesa, que parece ser ótima promessa. O tal Lenny, que já veio, e o tal Preá, são incógnitas.
Incógnita
E uma incógnita tão grande que tem que ser citada é o Santos de Leão. A imprensinha paulista teima subestimar o Peixe. Eu acho que tudo pode acontecer. Desde o time ganhar a Libertadores quanto não ganhar nada em 2008.
O clube perdeu Maldonado, uma das peças-chave da espinha dorsal. Deve perder Kléber. Mas com um elenco renovado, Leão já mostrou no próprio Santos que pode surpreender, aproveitando a base do clube.
A imprensinha ironiza, dizendo que a atual safra não tem nenhum Diego, nenhum Robinho. Claro que não, não existem profetas. Ninguém falava deles antes de eles explodirem em 2002.
Corinthians
Um dos componentes do chamado Trio de Ferro paulista, o Timão tenta fazer valer sua tradição de Fênix, pássaro da mitologia grega que ressurgia das cinzas depois de morrer.
Fiel à tradição de contratar a baciadas, o Timão já trouxe 13 jogadores, entre os quais se destacam (sic) o zagueiro William (Grêmio), o meia-atacante Acosta (Náutico), o volante Perdigão (Vasco), os laterais Alessandro (ex-Santos, que deve atuar no meio-campo), André Santos (Figueirense) e Coelho (Atlético-MG).
Há quem diga que, juntando os 13, não dá um. Eu diria que até pode dar, se o Acosta fizer uma boa dupla com Finazzi.
Sinceramente, não sei o que se pode esperar do Corinthians.
Eduardo Maretti é santista e, ultimamente, passa por momentos que vão da euforia otimista ao máximo ceticismo quanto ao futuro imediato do Alvinegro mais importante do mundo. Ele faz parte do Futepoca, melhor blog esportivo de 2007 e também indicado ao prêmio IBest.
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