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Catalepsia, Síndrome de Lázaro, Zumbi Vodu e como voltar do mundo dos mortos

Jader Pires

por
em às | Corpo são, Mundo, PdH Shots


Coisas da China. Uma mulher de 95 anos foi dada como morta mas, como ficou com fome, voltou para fazer uma comidinha. Eu explico.

Seria essa adorável senhora um zumbi?

A senhora Xiufeng é uma velha de 95 anos que morava sozinha em Guangxi, uma província rural no sudeste da China. Num belo dia, como outro dia qualquer, um vizinho foi levar-lhe um pequeno almoço. Ao chegar em sua casa, o Sr. Qingwang encontrou a nonagenária deitada e imóvel. ”Não importa o quanto eu a empurrava ou chamava o nome dela, ela não tinha nenhuma reação. Eu senti que algo estava errado, então eu tentei a respiração, e ela se foi. Mas seu corpo ainda estava quente”, relatou o bondoso vizinho.

Como se tratava de uma velha solitária há muitos anos, o Sr. Qingwang e seu filho começaram a fazer todos os preparativos para um singelo funeral. Compraram um caixão barato e delicadamente colocaram a pequena Xiufeng dentro. Na tradição chinesa, os mortos são velados por dias, para que todos os seus parentes possam prestar as devidas homenagens. Por qualquer boa fortuna do destino, o caixão não foi fechado em nenhum momento.

Faltando um dia para o funeral, ao chegar na casa onde o corpo da senhorinha estava sendo velado, as pessoas encontraram apenas um caixão vazio.

O desespero foi imediato e o susto, maior ainda, quando eles se depararam com a senhora Xiufeng cozinhando tranquilamente na cozinha. Cozinhando!


Link YouTube | Provavelmente o fato ocorreu de forma mais aterrorizante que essa simulação

De acordo com um hospital do município, o que ela sofreu foi uma morte artificial – em que a pessoa não respira, mas o corpo ainda está quente. A sorte foi que, em nenhum momento, o caixão foi fechado e, por isso, a senhora Xiufeng continua viva, mas sem seus pertences, já que a tradição chinesa também diz que todos os bens dos mortos devem ser queimados.

Uma dose de conhecimento

A Catalepsia Patológica é um distúrbio neurológico que deixa os músculos enrijecidos e muitas vezes a pessoa que sofre esse mal é tomada como morta, pois esse endurecimento causado pela falha cerebral se assemelha ao Rigor mortis, a mudança química causada nos músculos logo após a morte que is deixam duros.

Esse tipo de catalepsia pode ser causada por alguma debilidade mental, psicológica (histeria) e em fatores como algum tipo de intoxicação ou até estado avançado de alcoolismo. No passado, pessoas já foram enterradas vivas por conta da catalepsia. Hoje em dia, a medicina já conta com tecnologia suficiente para detectar, com certeza, o óbito de alguém que, efetivamente morreu.

Já a Síndrome de Lázaro é quando uma pessoa tida como morta, mesmo após tentativas de reanimação, tem um retorno espontâneo da circulação sanguínea e volta à vida após alguns momentos. O nome desse mal tem origem na história bíblica de Lázaro de Betânia, personagem que aparece no Novo Testamento, sendo esse ressuscitado por Jesus Cristo após quatro dias morto. Até hoje essa síndrome não é bem explicada, tendo diversas teorias para o acontecimento fantástico.

Para transformar alguém em zumbi, basta acreditar, primeiramente, no Vodu, religião oficial no Haiti, com bases em religiões africanas. No voduísmo, um feiticeiro pode “sugar” a alma de alguém que, após um breve coma, morre. Depois do enterro, o mesmo feiticeiro pode solicitar ao Senhor dos Mortos o controle da pessoa morta e, após o consentimento, o falecido volta à vida, graças ao feiticeiro, e vira um escravo irracional, sem personalidade ou memória.


Link YouTube | Claro que o Vodu é bem mais do que uma feitiçaria

Muitos acreditam se tratar apenas de uma lenda, mas podemos estar falando de um crime: o envenenamento intencional que leva a vítima a um estado cataléptico tendo o seu caráter de zumbi por conta de regradas poções de ervas ingeridas e controle da alimentação. Aparentemente há, no Haiti, uma lei que classifica ”o envenenamento com substância capaz de provocar um estado letárgico mais ou menos prolongado”. As autoridades de lá não abrem o assunto para não sujar a imagem do país. Em um enterro haitiano, é comum a mutilação de cadáveres para evitar que o ente querido seja transformado em zumbi.

Sorte, engano, indução, mágica ou crime, pessoas vão em voltam do mundo dos mortos com mais facilidade do que imaginávamos.

Jader Pires

Jader Pires é editor do Papo de Homem. Publicitário por opção, jornalista por apego e escritor por maldição. Prometeu um dia que, se ganhasse na loteria, doaria cem reais para caridade (e não há cristo que o faça pensar o contrário). No Twitter, atende pela brilhante alcunha de @jaderpires.


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  • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

    EHhhhh … já não vejo tanta beleza assim no HAITI !!

    • jaderpires

      Infelizmente porque, tomadas as devidas proporções, não há.

      Mas, na verdade, há sim. O povo, suas conversas, seus sofrimentos. Depende dos olhos de quem ver.

      • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

        Vc me deu um toque para pesquisar mais sobre esse país que tanto quero visitar. Quero verificar o que há por trás desse local paradisíaco …

      • jaderpires

        Cara, não tem nada de paradisíaco lá. Se você sobrevoa a ilha, que é formada pelo Haiti e a Replublica Dominicana, vai ver facilmente a divisa dos dois países, por conta do desmatamento absurdo que houve no Haiti. Venderam tudo.

        E a capital, Porto Príncipe, continua do mesmíssimo jeito que ficou depois do terremoto. Nem escombros tiraram ainda. 
        O interesse de conhecer o Haiti deve partir de uma curiosidade mais antropológica, social. Tirando a conversa enfadonha, o lance é ir lá pra ver e vivenciar um país aos cacos, literalmente. Um povo que não tem água potável, casa pra viver, nem grana pra recomeçar nada.

        Bem, bem, bem complicado.

      • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

        Entendo perfeitamente que hoje não há mais nada de paradisíaco. O meu comentário se referia a imagem que criamos daquele país. Agora tenho certeza que todo o processo do caos reina por lá. Como vc mesmo disse, a idéia agora seria visitar para entender como a civilização e o capitalismo pode ser cruel com países que sofrem com desastres naturais. Agradeço novamente pela dica.

  • fabio guimaraes

    Já senti essa sensação terrível, mas é o corpo que ainda não acordou com a mente (o que nos impede de ficarmos nos debatendo enquanto sonhamos).
    É coisa de uns 15 a 20 segundos….mas parece horas!!! Sorte que nada de ruim aconteceu até hoje!

    • jaderpires

      Eu já passei por isso também, cara!

      Ficar uns bons minutos consciente, mas sem ter resposta alguma do corpo. Cara, é a pior sensação do mundo!

    • Cecilia

      Nossa! Aconteceu comigo há alguns dias, até comentei com minha mãe (pra ela já se ligar..rsr) só que no meu caso todo o corpo ficou paralisado exceto a perna esquerda. Caraca, que coisa mais louca, fiquei com bastante medo no momento (principalmente pq tava consciente e não conseguia entender  pq meu corpo inclusive a face, os olhos, boca etc, tudo não respondia .. era impossível se comunicar ..era como se existisse apenas minha perna com um cérebro ligada ela. kkkkkk sinistro. 

  • monyque_ribeiro

    Nossa, só uma palavra para isso tudo : MEDO!!! rs

  • http://www.facebook.com/pauloeliasjr Paulo Elias Jr.

    Eu, se fosse médico, daria um tempinho pro morto ver se era isso mesmo que ele queria, antes de falar pra familia enterrar ou cremar. Entrar “vivo” em um caixão e sair dele deve mesmo trazer uma felicidade imensa pra quem passa por isso, ou um trauma inacreditável se fosse o meu caso.

    • jaderpires

      Tem aquela tal história de que, no passado, enterravam pessoas com uma corda que ia, de dentro do caixão até um sino que ficava do lado do túmulo. Caso o defunto voltasse, ele tocava o sino e era “salvo pelo gongo” (do inglês “saved by the bell”).

      Loucura, né?

  • Thiago84

     O congresso está cheio de zumbis enfeitiçados pelo Cachoeira.

  • Esaigh

    Foi o que aconteceu com o Bernie, o morto muito louco.

    • jaderpires

      jênio. mesmo.

  • brunomais

    Ué e não diz que mestres de antigas tradições elaboravam essas poções,cânticos e rituais a fim de estimular a mediunidade ?
    O Vodu é tão mal falado quanto a nossa Umbanda, pois ,concluo eu , não foi sincrética coma igreja católica. Os Loas são os Loas. Já os orixás foram sincretizados com os santos católicos.No Brasil , existem tradições ,que possuem incorporações, transes e rituais, como o Catimbó, Umbanda, Quimbanda e outras .O grande problema é que a ciência ortodoxa ainda não tem meios ( e nem interesse)  de atestar a mediunidade e espiritualidade em si .E quanto a rapaziada aí em cima que desperta sem controle do corpo físico, podem estar experimentando um final de viagem astral  ( se quiserem pode achar farta informação aqui : http://www.voadores.com.br/ ) 

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