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Blends: Dr. Drinks mostra o que se deve saber sobre bebidas misturadas

Junior WM

por
em às | Bebida, Dr. Drinks, Listas, Mecenas


Quem gosta de uísque já deve ter se deparado com a expressão “blended”. Maltes com diferentes personalidades são misturados para chegar a um novo produto, a uma característica peculiar de sabor, aroma, textura, corpo e coloração. Tal processo também é utilizado para a fabricação de cachaça e rum. Mas você sabe quando isso é bom ou ruim? Entenda para que serve um blend, quando isso joga a nosso favor e quando está contra nós.

A menos que você seja um desses caras, você quer saber exatamente o que está bebendo.

Uísque: o blending de uísque é o mais notório de todas as bebidas. Existem caminhos que o evitam, no caso dos uísques single malt, porém a maioria das marcas da bebida no mundo todo são blends. Quando você compra um uísque 12 anos, por exemplo, não quer dizer que ele tenha sido envelhecido por todo esse tempo, mas sim que os componentes de sua mistura, de grãos e de malte, têm até essa idade. Ou seja, a combinação de maltes mais velhos e mais jovens proporciona características excepcionais a esse uísque, que no geral fica seis meses repousando no carvalho para um perfeito casamento entre os sabores e aromas.

Os vilões aqui são as diversas marcas nacionais que uma leitura mais atenta ao rótulo permite constatar não ser uma mistura de maltes e grãos, mas sim de aguardente maltada, ou seja, cachaça com malte diluído para mudar suas características e deixá-la com cara de uma mistura que lembre uísque e engane os menos entendidos. Fique atento!

Cachaça: no caso das “marvadas”, o blending muitas vezes joga contra nós, consumidores, uma vez que alguns produtores visam apenas o lucro e adicionam produtos de qualidade inferior para “fazer render”. Assim, eles apenas disfarçam a parte ruim com uma cachaça superior, de sabor e aroma mais marcantes. Mas existem bons exemplos de cachaças nacionais que usam o blend para aprimorar o produto final. Nesse caso, são misturadas aguardentes provenientes de diferentes “terroirs”, o que acrescenta sabor e complexidade à cachaça que, segundo a legislação vigente, nem pode mais ser denominada assim.

Tá vendo tudo duplicadis? É porque a cachaça é boa.

Rum: o blend é usado para aprimorar ainda mais a experiência sensorial da bebida, acrescentando notas, coloração, persistência e densidade. Assim como as cachaças, a mistura de aguardentes de origens e idades diferentes é utilizada para “construir”um bom rum.  Só que, nesse caso, a maioria das vezes que esse processo ocorre é com o mesmo espírito nobre do uísque: construir uma verdadeira obra-prima etílica. Grandes clássicos de rum largamente apreciados pelo mundo são blended que descansam juntos, de seis meses a sete anos, e assim tornam-se obras de arte da indústria destileira. Cuidado com algumas marcas brasileiras, sobretudo oriundas do nordeste, que vendem cachaça adoçada e colorida artificialmente por rum. Novamente uma leitura mais atenta ao rótulo denuncia a falcatrua.

Brandy: destilado feito a partir de vinho ou suco fermentado de frutas. Também conhecido como cognac, que neste caso é apenas para indicar a região onde foi produzido, o brandy tem sua origem na mistura de blends de eaux-de-vie e serve para proporcionar a complexidade de sabor que uma única eau-de-vie vinda de uma vinha específica não teria. O desafio dos master blenders de brandy está em criar blends que façam o produto ter sempre o mesmo sabor de, por exemplo, 30 anos atrás ou daqui 30 anos.

Vodca: não se valem dessa técnica para preservar a pureza do produto final. Até hoje só conheci blended vodcas saborizadas, mas nunca vi isso acontecer com vodcas regulares, cujo esmero de produção tem como objetivo chegar a um produto final o mais puro possível.

Fermentados: os destilados valem-se muito dessa técnica para atingir resultados projetados ou esperados de uma determinada bebida. No entanto, até hoje nunca havia ouvido falar que o mesmo acontecesse com fermentados. Ou você por acaso já viu uma cerveja ou um vinho blended? Eu já e foi isso que me motivou a falar um pouco sobre esse processo.

Zach Galifianakis explica como não preparar um vinho blended. (Foto: Terry Richardson)

Semana passada fui convidado a conhecer uma linha de vinhos fabricada pela Concha Y Toro, uma das mais tradicionais vinícolas chilenas. Junto com alguns amigos de longa data, participamos de um jantar de harmonização dos vinhos Trio, no qual pudemos testemunhar o resultado da técnica do blend, diferente da técnica assemblage.

Confesso que, até chegar ao jantar, eu não sabia muito do que se tratava. Ao ouvir a enóloga da marca explicar como funciona o processo, fiquei ainda mais curioso e excitado em saber que uma técnica há séculos utilizada para fazer bons uísques agora havia rompido os paradigmas puristas do mundo da enologia e se aplicado aos vinhos.

Se apreciado com coração e mente abertos, um vinho revela várias combinações de notas aromáticas e de sabor provenientes das características do solo, da madeira do barril no qual foi armazenado e, no máximo, do assemblage, que é a mistura de diferentes uvas (cortes) numa mesma fermentação, com o intuito de agregar complexidade ao vinho.

Agora imagine misturar três tipos de vinho na mesma garrafa. São necessárias horas de apreciação. Para isso, o mais apropriado é juntar os amigos para trocar relatos sobre o que cada um acha do que bebeu. Dá até pra criar um joguinho: cada um aponta sabores e aromas como se fosse um grande enólogo e todo mundo aposta em uma descrição. Ganha uma garrafa quem enganar mais pessoas.

Alguém já experimentou um vinho blended?

E aí, quem já experimentou algo parecido? A notícia de blended vinhos os surpreendeu tanto quanto a mim? Quais vinhos vocês acham que dariam uma boa mistura? Costumam beber quais tipos de cortes? Deixem suas experiências nos comentários. Um beijo e até a próxima!

P.S.: Beber com responsabilidade não significa deixar de beber, mas beber de modo que você não arrisque vidas ou desrespeite leis criadas para preservá-las. Dr. Drinks é adepto do consumo responsável e acredita que beber de forma contemplativa também é uma forma de entender os riscos do álcool.

Oferecimento: Concha Y Toro | Embaixada Trio


Link YouTube | Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Merlot: os vinhos da linha Trio são feitos destes três tipos de uva.

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Junior WM

Um grande apreciador de história e histórias. Vive a vida de forma que seja lembrada como honrada e humana. Ama os prazeres da vida e sua família. Escreve sobre passar pelo mundo com dignidade e alegria. Contribui com a revolução digital por acreditar em seu caráter humanitário e num mundo melhor.


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  • http://www.facebook.com/profile.php?id=714132406 Erick Stifler

    Dr Drinks, fale algum dia de “Black Tooth Grin”. Abraço

  • Aubert Alves

    Ao ler o título, achei que o post se tratava disto.

  • Seutavares

    “rompido os paradigmas puristas do mundo da enologia e se aplicado aos vinhos”Vinhos de corte são mais comuns do que se pode imaginar, na realidade, os vinhos monovarietais (aqueles que não são “blends”) são mais incomuns. Um caso clássico, o Champagne que usualmente usa três uvas diferentes na sua produção. Um dica, procurar um verdadeiro paradígma rompido do mundo do vinho, como o vinho português Incógnito, possui uma bela história contra o puritanismo no mundo das bebidas. Muitas vezes algumas uvas são “proibidas” em determinados locais, mas sempre existem alguem que quebra essas regras, vale a pena conhece-los.Parabéns pelo Edital

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