Bibliotecas podem ser chatas, livros não

Rafael Ribeiro Rocha

por
em às | Cultura, PdH Shots


Biblioteca. Regras, silêncio, tédio. Quase uma prisão com estantes no lugar das grades. O lugar que escolhi para trabalhar.

Eu sou formado em Biblioteconomia. Biblio o quê? Sim, existe uma faculdade para quem trabalha em bibliotecas. A maioria dos que escolhem essa faculdade são ou foram os famosos ratos de biblioteca.

Bibliotecas são excelentes locais pra paquerar meninas letradas – mas evite stalkear, ok?

Bibliotecas são excelentes locais pra paquerar meninas letradas – mas evite stalkear, ok?

Não foi o meu caso. Sempre odiei o ambiente de uma biblioteca e permaneci dentro delas o menor tempo possível. E por que escolhi essa profissão? Porque, apesar de odiar as bibliotecas, eu amo os livros.

Não é segredo nenhum que o investimento com melhor retorno possível, seja para um país, uma cidade ou mesmo uma família, é a educação. Educação essa que nunca é a prioridade dos nossos governantes. Afinal, os resultados demoram a aparecer, e antes disso sempre há novas eleições. Se a situação educacional do nosso país vai de mal a pior, a falta de interesse pela leitura é um dos principais sintomas.

Partindo do básico, toda escola deveria ter uma (boa) biblioteca. Já até existe uma lei que prevê isso, mas o que provavelmente irá acontecer é a criação de uma simples salas de leitura para se adequar à legislação. E mesmo as bibliotecas escolares e públicas já existentes, em sua imensa maioria, não cumprem sua função de formar novos leitores e estimular os já existentes.

"Não, querida. É aquele outro. Sim, o de cima. Não, mais em cima. Isso."

"Não, querida. É aquele outro. Sim, o de cima. Não, mais em cima. Isso."

Nós, os bibliotecários, temos grande culpa nisso. Nos preocupamos com inúmeras regras, classificações, uma organização perfeita, e esquecemos do primordial: os usuários. Parece que nos sentimos donos dos livros e preparamos a biblioteca para especialistas, nunca para o público em geral.

Para imaginar como o ambiente de uma biblioteca poderia ser muito melhor, é fácil. Pense nas livrarias. Elas têm o mesmo produto para nos apresentar: os livros. A única diferença é que uma visa o lucro e a outra não.

Pois bem, qualquer pessoa é capaz de ficar horas lá dentro das grandes livrarias. Você tem acesso direto aos livros, pode experimentá-los o quanto quiser, tem poltronas confortáveis à disposição, internet e até lanchonetes e cafés. Enquanto isso, às vezes é preciso uma enorme força de vontade para permanecer mais do que alguns minutos dentro da maioria das bibliotecas.

"Mon dieu, eu sou tão mas tão francesa que sinto tédio até de ter tédio do tédio que sinto!"

"Mon dieu, eu sou tão mas tão francesa que sinto tédio até de ter tédio do tédio que sinto!"

Todos temos culpa nessa história. O governo, por não investir o necessário na educação, e ainda menos em bibliotecas e centros culturais. A população, por não cobrar como devia esses investimentos. Os pais, por não estimularem a leitura dentro de casa. E os profissionais da área, professores, bibliotecários, por também não buscarem novas formas de trabalhar o prazer pela leitura em seus estudantes e usuários. Um ciclo que gira e permite a formação escolar de pessoas sem a mínima compreensão de leitura, algo até mais grave do que o analfabetismo. Afinal, de que adianta saber quais letras estão escritas sem entender o seu real significado?

Os únicos inocentes na história são nossas crianças, nossos jovens alunos. E também as maiores vítimas. Que estão crescendo sem conhecer incríveis histórias, mundos e contos fantásticos, que contém a sabedoria das mentes mais incríveis que já passaram por esse planeta.

Por isso, faço um apelo: você não sabe como salvar o mundo? Não entre em pânico! Apresente a uma criança o maravilhoso mundo da leitura. E faça ela descobrir que o lugar mais chato do mundo contém alguns dos seus maiores tesouros.

Ih, rapaz

Esse texto foi um oferecimento do livro Questionamento Pós-Modernos para Machos Convictos

Uma das melhores maneiras de estimular o hábito da leitura é presentear livros divertidos e fáceis de ler – e torcer pras vítimas pegarem o gosto pela coisa. Como dizem na boca, digo, na biblioteca, Harry Potter é uma porta de entrada pra Machado de Assis. Nesse espírito, recomendamos o livro Questionamentos Pós-Modernos Para Machos Convictos, à venda exclusivamente na loja do PapodeHomem.

Dar um selinho em um cara todo dia para o resto da vida OU dar o cu uma vez para ele e acabar logo com isso? Comer uma mulher que não é gostosa OU uma gostosa que não é mulher?

Esse é o tipo de dilema que você vai encontrar em Questionamentos Pós-Modernos Para Machos Convictos, um livro para o ogro tradicional, que não levanta a tampa da privada e prefere ter câncer a ser tocado por um médico. A obra, que já está em sua 2ª edição, é ilustrada e assinada por quatro publicitários de Porto Alegre: Fabrício Vieira, Helio Marques, Rafael Koff e Rodrigo Rocha.

Você transaria com a sua sogra para não morar a vida toda com ela?

Compre aqui por R$19.

Rafael Ribeiro Rocha

Aprendeu a ler com a Turma da Mônica e nem se importa mais quando perguntam "biblio...o quê" ou fazem piadas sobre espanar poeira. Acredita que a educação pode mudar o mundo, mas não sabe se o mundo quer ser mudado. Corinthiano, alfabetizado e leitor, nasceu em Lagoinha-SP e mora na Cidade Maravilhosa.


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7 comentários

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  • http://twitter.com/verossimil verossimil

    Respostas: “acabar logo com isso” e “ménage com a mulher e a gostosa”. Ah, e detesto macarena.

  • Victor Alexandre

    Como dizia o Prof. Girafales: “Que se devore os livros!”

  • Leticia

    Tem uma biblioteca de Niterói,acho que a municipal,sei la!!
    É muitoooooooo boa!Mesmo não curtindo bibliotecas, nao tem como nao gostar!Vale a pena a visita

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Realmente, essa sua reflexão a respeito de como tornar as bibliotecas mais agradáveis bastante válida. Ou talvez até rever o conceito de biblioteca pública e pensar transformá-las em espaços culturais com livros.

  • http://www.facebook.com/valsortiz Valquíria Sampaio Ortiz

    Também sou formada em Biblioteconomia, e também já não me importo mais com o “Biblio… O que?” Acho interessante essa reflexão, e o quanto ela está se propagando, e mesmo assim, há uma dificuldade imensa de conseguir financiamentos por parte das inciativas públicas e privadas para investimentos ousados como esse, já que consideram uma biblioteca “algo que não há retorno financeiro”. Sim, eu ouvi isso de um político com a qual tive oportunidade de conversar. Te digo, foi deprimente!

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001516544153 Rafael Ribeiro Rocha

      Concordo plenamente, colega. Verba para projetos em bibliotecas é um sonho ainda nesse Brasil. Talvez esteja na hora de buscarmos novos caminhos, iniciativa privada, apoio popular, não sei. Pq se depender dos políticos a situação nunca vai mudar mesmo, quando ele diz isso na verdade quer dizer “algo que não me dá retorno eleitoral”.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001516544153 Rafael Ribeiro Rocha

    Eu entendo seu ponto de vista, Darlana, mas acho que, apesar de vc gostar disso, todos esses códigos e regras da biblioteca espantam a maioria. Existem muitas formas de expor os livros, por tema, os mais emprestados e consultados teriam destaque, fazer semanas temáticas, enfim, idéias não faltam. Claro, é preciso um espaço silencioso, mas nada impede que outros espaços tenham mais “vida” no ar. E com ctz a idéia de livros em todo lugar é válidas, as bibliotecas do metrô em SP são uma ótima iniciativa, por exemplo.

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