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Bagunçaram o meu sexo

Nayara Barreto

por
em às | Ladies Room, PdH Shots


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A ordem natural foi alterada, apesar de teimarmos em manter sua construção intacta para que nossos alicerces de certezas não sejam implodidos. Hoje em dia, colocam um pau num corpo de mulher. Ou colocam uma mulher num pau sem corpo. Ou colocam peitos em um corpo de homem que tinha um pau e virou mulher… Isso é confuso demais para o sistema binário que nos ensinaram. Ou é homem ou é mulher e pronto. Não há lugar para mais um, para o concomitante, para a ambivalência.

Aprendemos assim a amar os dualismos que explicam tudo de forma tão calma e suficiente. Ninguém passa a fronteira do outro e estamos assim entendidos, certo?

Não.


Link TED | No seu trabalho, a médica e pesquisadora Alice Dreger observa que a linha entre os gêneros é difusa. Então, por que nós deixamos nossa anatomia determinar o nosso destino?

Felizmente, tudo foi borrado e a vida se espalhou, trêmula e líquida, por milhares de arenas, de embates tortos entre sexos, de inquietudes, de transtornos e incertezas. Precisamos desconstruir, ampliar, desnaturalizar, pois o que é tido como dado nos acomete sem nem notarmos, e aí, quando vamos ver, estamos lá, repetindo que “isso tudo existe desde sempre”, “nasceu assim”, “é da natureza” e “é pra ser assim”.

Bem e mal definidos de maneira maniqueísta. Homem e mulher. Feminino e masculino. Tudo separado.

Tudo separado?

Afinal, o que são gênero, orientação sexual e identidade? O psicólogo e autor do PdH Fred Mattos sugere os significados:

  • Gênero: refere-se ao órgão sexual predominante (ou seja, nasceu com pau é masculino; nasceu com vagina é mulher).
  • Orientação: onde o seu desejo transita (isto é, se gosta de meninas, de meninos, de ambos…).
  • Identidade: como você se identifica (você pode ser gay, mas um mais masculinizado e outro efeminado, por exemplo).

Uma aula ministrada pela acadêmica Marilyn Roxie sobre História LGBT Norte-Americana põe em xeque alguns conceitos. Um extenso glossário aponta para as mais variadas terminologias para definir orientação e identidade sexuais (o que ficou cunhado como genderqueer). Seguem alguns que nos fazem ponderar: definir alguém exclusivamente com os termos atuais não é reducionismo demais?

  • Bigender: aqueles que se identificam com ambos os sexos, ou que se movem entre comportamentos de ambos os sexos dependendo do contexto, expressando distintas personas masculina e feminina.
  • Crossdresser: pessoa que, ainda sem motivação, veste roupas e usa adornos que são considerados culturalmente apropriados ao gênero oposto. O comportamento de não-conformidade não deve ser confundido com homossexualidade, pois muitos crossdressers são heterossexuais.
  • Semimulher (demigirl): termo usado para descrever alguém identificado como mulher no nascimento mas que não sente qualquer associação com tal indicação, embora não sinta dissociação significante para criar desconforto físico ou disforia; ou alguém indicado no nascimento como masculino, mas sem identificação total com o sistema binário homem-mulher, que se sente mais associado ao feminino que ao masculino tanto socialmente quando fisicamente.
  • Semi-homem (demiguy): o mesmo que “semimulher”, mas com identificação ao masculino.
  • Epiceno (epicene): o termo em si significa “comum a ambos os gêneros”. Refere-se a indivíduos que têm características de ambos os gêneros ou a alguém que não pode ser classificado como “masculino” ou “feminino”, simplesmente.
  • Girlfag: mulher atraída por homens gays ou bissexuais. Ela pode ou não sentir-se um “homem gay no corpo de uma mulher”.
  • Guydyke: homem atraído por mulheres lésbicas ou bissexuais. Ele pode ou não sentir-se uma “mulher lésbica no corpo de um homem”.
  • Intergênero (intergender): uma pessoa cuja identidade sexual permeia ou está no meio dos gêneros.
  • Neutro (neutrois): identidade usada por indivíduos que se sentem fora do contexto de gênero binário. Muitos acreditam que neutro é um terceiro gênero.
  • Pangênero (pangender): uma pessoa cuja identidade sexual consiste em expressões de vários outros gêneros.
  • Trigênero (trigender): pessoas que sentem que não são masculinas e nem femininas, tampouco andróginas, e criam seus próprios gêneros.

Se fosse um gráfico, ficariam assim:

Bagunçaram o meu sexo

Gráfico extraído de genderqueer.tumblr.com

Leia mais terminologias aqui e aqui. Acredite, elas são fascinantes e expandem o conceito binário.

E para ler mais sobre genderqueer, acesse Art of Transliness e Genderqueers: beyond the binaries.

Queremos a mesma coisa?

Somos matéria e construímos realidades. A realidade só existe enquanto produção de sentido – se não existe um sentido para o signo, ele não é signo e a realidade nada mais é que morta. Assim, demos um sentido ao biológico, criamos os gêneros e tudo passou a ser natural, advindo da mais pura essência, com a mais tênue naturalidade.

Devemos ser civilizados e ter gêneros muito bem separados. Mas e a civilização sempre existiu? Não. Ela é datada e, no seu íntimo de ser calma, com seus mecanismos de controle, ainda assim ela transtorna. Depois dela, pudemos, como indivíduos, nos projetar. Não estávamos mais presos à introdireção, nos tornamos sujeitos alterdirigidos e a partir daí, pudemos mudar muita coisa. Abrimos as portas de nossas casas, nossa vida, buscamos incessantemente afirmação, identificação. Precisamos ser, desesperadamente.

Mas quem somos? O que somos? Aí então, alegremente, mudamos e misturamos os sexos, os gêneros.

Saímos às ruas e precisamos identificar as pessoas. Nos incomodamos quando não conseguimos dizer se é “ele” ou “ela”. Vestimos nossas filhas de rosa e nossos filhos de azul na esperança de que a realidade se construa para eles, assim, num mundo dicromático simples e fácil de se entender e aceitar. Então, posso dizer que nascemos biologicamente diferentes e definidos? O resto deu-se na construção: feminino e masculino. O que diferencia dois bebês nus? O sexo ou o gênero? São duas coisas completamente diferentes.

Hoje, o dicotômico, o híbrido, o sistema binário transtornado e desfeito, o ambíguo, o ambivalente, todos esses tomaram nossas cidades e nossas ruas. Carnavalizaram o lugar da saturação no cotidiano. Bagunçaram o nosso sexo.

Se não é homem e nem mulher, não dá!

E por isso, “tudo que é sólido se desmancha no ar” ainda hoje, num outro patamar, numa outra esfera, numa outra lógica, num correlato de realidade líquida contemporânea. O que define uma mulher, biologicamente falando, por exemplo? Ter uma vagina? Então por que muitos transexuais não são considerados mulheres? Ah, preciso então nascer com uma vagina, mas o que seria do mundo se não vivêssemos de transmutações, evoluções, transformações, construções e desconstruções, seja pelo meio que for?

Bagunçaram o meu sexo

Tirinha de Laerte

Por que o homem não pode ousar mudar a sua natureza? Se assim o fizer, ele encontrará uma legião para expurgá-lo de suas realidades e de suas vidas calmas e binárias. Se não é homem e nem mulher, então não é nada!

A ideia do sistema binário foi explorada aqui no PdH por Jeanne Callegari, no artigo “O que é um homem? O que é uma mulher?“:

Nossa sociedade decidiu, em algum momento, dividir as pessoas em dois tipos: homens e mulheres. São caixinhas. A divisão podia ser entre seres altos e baixos, sardentos e lisos, pessoas com manchinha de nascença no joelho e pessoas sem manchinha. A sexualidade seria definida entre quem gosta de pessoas com manchinha e pessoas que não gostam, por exemplo.

Precisamos negar e criar algo. Mas insistimos em cantar em coro um mundo onde se vive sem se misturar, onde não há a subversão da ordem para carnavalizar o banal, não há a mistura de híbrido para atormentar. Assim, não conseguimos encarar as idiossincrasias e a alteridade do outro e nos trancamos.

Fechamo-nos na natureza segura que, por repetição, já entendemos e sabemos de cor e salteado. Memória e hábito que insistem em se atualizarem iguais todos os dias. Não percebemos; logo, não agimos. A nossa falta de percepção se configura numa não-ação possível sobre o mundo que não queremos mudar. Um mundo onde tudo é naturalizado, porque fica mais fácil. Assim, pronto, estamos seguros, nada muda e não há o caos. Mas não. Eu, você, nós não queremos isso.

Precisamos de mais do que isso. Não podemos e não queremos aceitar o binarismo. Queremos confundir, transtornar, enlouquecer, contradizer, instaurar o caos, a bagunça, a incerteza e o mal estar. A angústia boa dos questionamentos contínuos.

Somos tudo ao mesmo tempo, misturado, aglutinado, não sei onde começa um e nem onde termina outro. Somos nada intrínsecos. Somos a confusão visceral na plena alteração da ordem.

Nayara Barreto

Nayara Barreto é jornalista formada em Estudos de Mídia pela UFF e mestranda em comunicação e cultura pela mesma instituição. Estuda pornografia, nudez e feminismo. É autora do O viajante e sua sombra.


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  • Marcos Augusto Nunes

    “Precisamos de mais do que isso. Não podemos e não queremos aceitar o
    binarismo. Queremos confundir, transtornar, enlouquecer, contradizer,
    instaurar o caos, a bagunça, a incerteza e o mal estar. A angústia boa
    dos questionamentos contínuos.

    Somos tudo ao mesmo tempo, misturado, aglutinado, não sei onde começa um e nem onde termina outro.”

    Pois é por aí mesmo. Por isso não há porque domesticar comportamentos “de homem” ou “de mulher”, não há porque a mulher exigir do homem “comportamento de homem” e vice-versa. Somos pessoas; biologia não é destino, mas um dado com o qual podemos lidar com toda liberdade.

  • Esaigh

    Um texto como esse requer muito reflexão. Parabéns!

  • Régis, o Naldo

    Estou curioso pra saber que tipo de reação esse post causou nos leitores do PdH, já que frequentemente lemos posts sobre moda, sentimentos e culinária (entre outros assuntos tidos como “femininos”), mas numa visão “masculina”. Como o Esaigh disse, requer reflexão.

    Parabéns pelo post! Espero que ainda dê muito o que pensar e falar.

  • http://pt-br.facebook.com/gustavoverneque Gustavo Verneque

    Tà… há toda essa diversidade. Mas o que é homem e o que é mulher então?

    • Vítor Moreira Barreto

      Precisamos saber?

      • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

        Deve-se olhar alem dos rótulos ;)

    • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

      Homem -> Nasce com pênis
      Mulher -> Nasce com vagina

    • http://twitter.com/Fiilipe_ Filipe

      É esse o ponto; “não interessa” o que é. Suponhamos que você se sinta atraido por uma transxessual, que é feminina e lhe atrai, tu continua sendo hétero, pois está atraido pela imagem feminina que ela representa para você, porém apesar de não ser uma “mulher de nascença” é mulher(no sentido binário M e H, ponto), é o que lhe atrai. Com isso, você já destroi uma série de conceitos e reconstroi um novo, não binário. Pronto, houve uma evolução natural – visto que foi com base em seus desejos, nada imposto. :)

    • Laércio Raphael

      Aí é que está. Não há homens e mulheres. Há seres humanos. Que se unem por interesses comuns. A divisão por gênero é, cada vez mais, desnecessária para a procriação e fonte de muita angústia para os que não se ajustam ao padrão. Lógico que não estou negando a biologia, apenas refletindo se novas famílias não deveriam ser pensadas e aceitas. O importante é haver amor.

  • http://pt-br.facebook.com/gustavoverneque Gustavo Verneque

    Tá, há toda essa diversidade…. mas o que é ser homem e o que é ser mulher?

  • http://www.facebook.com/people/Leonardo-Werlang/1298794174 Leonardo Werlang

    queremos mesmo?

  • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

    Texto super foda.
    “Somos tudo ao mesmo tempo, misturado, aglutinado, não sei onde começa um e nem onde termina outro. Somos nada intrínsecos. Somos a confusão visceral na plena alteração da ordem.”Só questionamos. Foi-se o tempo em que aceitavamos as imposições da sociedade de boca fechada, hoje questionamos, debatemos, lutamos pelo que acreditamos. Ainda falta muito pra chegar onde consideram “ideal”, mas e daí? Who cares? Nossa geração ainda tá no começo, temos tempo, recurso e vontade pra isso.Nayara, 2 textos e eu já sou seu fã, apenas!

  • Mtakahenrique

    O homem  e a mulher , um binário da continuidade da raça humana, os demais uma diversidade de  anomalias  constituintes  de um futuro incerto!

  • XYX

    Já pessou se as pessoas tivessem que responder nos formulários, no lugar de sexo ()M ()F, cromossomos XY() ou XX() ?

  • http://twitter.com/TabaCruzFilho Tabaquara Cruz Filho

    O texto é sensacional, mas eu juro que fiquei confuso quanto a mim mesmo. Sou “male” ou sou “guydyke”?! Puts, eu adoro ficar com gurias bissexuais (por algumas vantagens que ficam subentendidas), e tenho amigas lésbicas a rodo, mas não pergunto pra uma mulher o tal do gênero dela e coisa e tal…

    Quero dizer, quanto mais definições e estudos aparecem, menos eu me importo com o que as pessoas são ou dizem do que gostam, de tanto que complica o meio de campo. Eu no meu caso só penso que gosto de mulher e do jeito que vier, sendo mulher, tá bom. E quem não for que nem eu pode ser como quiser, sendo uma pessoa legal.

    Sei lá, mundo complicado demais pra ficar se preocupando com o que as outras pessoas querem e ficar procurando defeito nos outros.

  • Guilherme Z.

    Muito bom o texto, realmente há uma enorme diversidade que deve ser respeitada. Mas é curioso que essas definições, das quais penso que muita gente nem tinha ideia que existia, não eliminam as “caixinhas” em que nos catalogamos, apenas criam mais caixinhas.

    Por fim, sugiro que seja chamado de “homem” quem le/escreve o “papo de homem” ;)

  • Carlos

    Bom, o texto foi bem construído, mas infelizmente em cima de um erro: Gênero e Sexo são coisas totalmente diferentes, sim, basta ler qualquer texto teórico sobre  feminismo. Definir Gênero como: ”
    Gênero: refere-se ao órgão sexual predominante (ou seja, nasceu com pau é masculino; nasceu com vagina é mulher). ” é dizer que gênero e sexo são coisas iguais e não são! 

    Outros citações pegadas de teoria sociológica e antropológica sem nenhuma referência ao que o autor das mesmas se referiram, descontextualizadas, foram usadas para basear os argumentos da autora.

    Uma ótima discussão que se perdeu, por falta de rigor no que se escreve…

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Carlos, seu feedback está indo para nossos editores nesse momento!

      Agradecemos muito pelo olhar atento.Sobre as citações, de quais está falando especificamente? Nos ajude a identificar, para melhorar o texto.

      abraço,

    • http://papodehomem.com.br/author/rodolfoviana/ Rodolfo Viana

      carlos,

      eu não vejo desta forma. não é porque os conceitos podem ter outra leitura que toda a ideia de se ter outras formas de observar o sexo seja inválida. é questão de semântica. além disso, o que é gênero, o que é sexo, o que é identidade sexual… esses conceitos não são consensuais — há quem classifique como gênero o que outro classifica como sexo. mas no texto tivemos de escolher um (o do psicólogo fred mattos, que definiu tais termos embasado na psicologia moderna). não ignoramos as demais formas de classificação de conceitos. (mas no texto, isso é pouco ou nada relevante.)

      quanto às citações descontextualizadas, peço que, por favor, me diga quais estão assim e quem são os respectivos autores. se eu verificar que houve um erro, não hesitarei em corrigi-lo. ;-)

      concordo: é uma ótima discussão. discordo: ela não se perdeu. por isso te pergunto: o que acha da ideia de desconstruirmos este sistema binário citado no texto?

  • http://www.facebook.com/people/Bruna-Bruxinha/100003693400759 Bruna Bruxinha

    Nem com toda reflexão do mundo isso vai passa pela minha goela…
    bagunçaram propriamente dito, toda nossa BASE..nossa estrutura esta desmoronando… e eu preciso aceitar tudo normalmente, (se não é preconceito e sua mente é fechada). é assustador como o antinatural quer se impor como natural.
    “Precisamos negar e criar algo ”..é o mesmo que, desmatar o mundo inteiro e tentar criar algo melhor nele… não iriamos muito longe pra perceber nosso fracasso…Não é atoa que estamos piores que Sodoma e Gomorra.

    • Jessica Sousa

      Ué, eu não lembro onde na natureza tá escrito que mulher gosta de saia e rosa (escrito no nosso DNA) e homem de azul e camisa. Isso é criação humana pura e simples. E se eu não estou enganada, não faz muito tempo que rosa era considerada uma cor máscula e bonecas eram dadas como os presentes mais finos aos homens nobres ingleses.

      e relação com seres do mesmo sexo (alguém me corrija, mas dizer homossexualidade atualmente é um tanto ofensivo, não?) sempre existiu na natureza. Deal with it.

      • http://www.facebook.com/people/Bruna-Bruxinha/100003693400759 Bruna Bruxinha

        unhum… quem dera se o texto tratasse de algo tão superficial como o que vc sugeriu, a ideia me parece muito mais profunda.

    • Marcos Augusto Nunes

      Antinatural é o preconceito, é citar uma passagem muito controversa de um livro basdtante controverso como expressão de um verdade “natural”. Previsível é 4 pessoas terem “curtido” expressão tão reacionária e limitada de uma discussão que é dada visando o avanço, não o retrocesso.

      • Dado Teles

        Não vejo avanço nenhum em se tipificar o gênero humano em 493 subtipos diferentes simplesmente para justificar o comportamento sexual das pessoas…

      • Marcos Augusto Nunes

        Não vejo avanço nenhum em negar as mil possibilidades do gênero humano para justificar a opção sexual de um pessoa, por mais que esta pessoa tenha atrás de si uma “comunidade” que a referende como portadora da verdade única e universal, sacô?

      • http://www.facebook.com/people/Bruna-Bruxinha/100003693400759 Bruna Bruxinha

        “uma discussão que é dada visando o avanço”… e vamos avançar pra onde se todos os homens transarem com homens e todas mulheres transarem com mulheres, entre cirurgias e uma enorme bagunça de sexo???? me explica por favor pq no meu “raciocínio limitado” eu não vejo avanço algum… E Marcos seja mais claro nos seus comentários, de que livro fala? qual seria a “comunidade”
         que carrega a  verdade única e universal???? (esta tentando se referir a religião?) pq se for, vc foi muito mais infeliz no comentário do que eu pensei.OBS:  Reacionária ? sou SIM não me permito ser influenciada por uma ideia que vai contra todas as leis de Deus. Agora se vc não acredita que fomos feitos pelas mãos Dele e que o homem foi feito para mulher, ai realmente não temos o que discutir.

      • http://www.facebook.com/people/Juliana-Carbonera/100002571951137 Juliana Carbonera

        Vamos avançar prum mundo onde ninguém mais vai querer rotular a vida alheia e ao invés disso vai procurar outra coisa pra se distrair, quem sabe dessa vez algo importante a sociedade.
        A bagunça será apenas na hora de FOFOCAR e de sair atras SEXO CASUAL.Quem vai atrás de amor mesmo primeiro começa uma amizade, depois o amor vem. E quem se apaixona a primeira vista corre risco de não ser correspondido mesmo que estejamos no sisteminha básico  H M.Mas como você se mostrou ser uma pessoa que acredita em Deus, logo não deve fazer sexo casual nem incentivar seus filhos a fazerem (seria hipocrisia demais, ja que o problema das religiões com o homossexualismo é justamente por falarem que é libertinagem)Ninguém precisa saber orientação de ninguém, você precisa saber é de quem você ama, nada mais.Seu pensamento ja começa errado por ser totalitário, como se aceitar o diferente como natural fosse  uma ameaça. Ameaça a o que??? A reprodução dos aproximadamente 7 bilhões de humanos que temos atualmente? Homossexualidade existe a muitos anos, em muitas espécies. Logo é mais natural que o seu cabelo (mesmo que não seja pintado, xampu e condicionador não são naturais).Se sua religião condena, então não faça. Simples!!!!Agora, Deus também condena não casar virgem, na biblia até forçam mulheres estupradas a casarem com seus violadores, mas faz anos que nenhuma igreja ou templo cristão vê noivos castos fazerem os votos de fidelidade. E quem persegue eles? Quem os condena???

      • http://about.tuliomir.com/ Túlio

         Não entendo porque as pessoas sentem tanto medo de que toda a população vá virar estéril (por ser homossexual ou por qualquer outra circunstância de não produzir filhos). Vamos citar a wikipedia, no artigo sobre homossexualidade:

        …na sociedade ocidental moderna, os principais estudos indicam uma prevalência de 2% a 13% de indivíduos homossexuais na população, enquanto [...] aproximadamente 22% da população apresente algum grau de tendência homossexual.

        Vamos dizer que as contas saíram pela culatra e, pimba! 40% da sociedade acaba sendo “estéril” porque não só não é heterossexual como não tem a menor intenção de procriar de nenhuma outra forma! Isso é ruim?

        Imagino facilmente que as taxas de adoção iriam subir enormemente – porque a cultura da família tradicional ainda ia persistir bastante. Quantos “problemas” de superpopulação iriam ser resolvidos antes que a população dobrasse de novos? Era de ouro na humanidade!

        Brincadeiras e divagações à parte, não me faz sentido o argumento de que a humanidade inteira iria se tornar estéril só porque foi dado o direito de igualidade a uma parcela não-heterossexual. Basta pensar em quantos casais gays adotam filhos/fazem inseminações artificiais.

      • Marina

        no seu “raciocínio limitado” realmente não há nenhum avanço. Você tem idéia de que essa bandeira de reacionária que você levanta sem o menor pudor e, espero eu, sem nenhuma reflexão, é a mesma que Hitler levantava quando se proclamava contra muitas diversidades humanas? muito crime contra a humanidade já foi cometido em nome desse tipo de discurso que você está sustentando. cuidado.

      • Marina l.

        sim, eu também não vejo nenhum avanço no seu “raciocínio limitado”. Eu gostaria de lembrar que essa bandeira reacionária que você levantou tão impudicamente e, espero eu, sem nenhuma reflexão prévia, é aquela mesma que Hitler levantou contra grupos humanos inteiros. muitos crimes contra a humanidade foram cometidos  em nome desse ideal reacionário do qual você parece se orgulhar. cuidado com esse tipo de afirmação. pensamentos reacionários só incitam o ódio e a violência. cuidado! 

        e eu acredito que você tem muito ainda que discutir, sim. até mesmo (e principalmente) com pessoas que não estão de acordo com você e que não orientam suas ações de acordo com as mesmas crenças que orientam as tuas. estar aberto à discussões é estar aberto ao conhecimento, é manter-se em sintonia com o gênero humano. discuta e aprenda.

      • Marcelo

         O preconceito não é antinatural, na natureza se você não segue o padrão adotado pelo bando você será banido do mesmo. A busca por um sociedade sem preconceitos é produto do processo civilizatorio da espécie humana, mas é uma coisa boa pra sociedade, como várias outras coisas que o processo civilizatório trouxe para nós. Deixar o preconceito de lado é uma atitude que beneficia a sociedade sempre, mas é algo totalmente civilizatório. Entretanto o que esse artigo esta propondo vai muito além do “perder o preconceito”.
        Previsível é você falar que os outros estão querendo ser donos da verdade e não discutir, e faz o mesmo que eles, ou você acha que a sua visão está sempre correta? que você não pode estar esquecendo de alguma coisa? que essa sua “verdade” com certeza levará para uma sociedade melhor? Se você quer tomar o argumento dos outros como limitado, tente você primeiro aumentar seu campo de visão, pois, ao considerar somente um lado da história como avanço, é você quem está se fechando em cima de algo, é você quem está sendo preconceituoso. Ter mente aberta é saber considerar todos os argumentos, ter mente aberta não tem nada a ver com assumir uma certa posição e segui-la como verdade(mesmo que exista uma posição assim), ter mente aberta é tentar discutir o assunto, não é tentar impor a sua posição e sim tentar explicá-la.

    • http://www.facebook.com/emerson.weber.9 Emerson Weber

      Engraçado como se enchem as bocas pra contestar o modo tradicional como a vida se levou até hoje. E engraçado também ver como é tão desejado impôr essa nova visão, dizendo que o tradicional é sem fundamento ou ultrapassado.
      Pra mim, isso tudo é falta de base familiar bem resolvida e falta de fibra pra guentar o dia-a-dia.

      • Jessica Sousa

        Como assim, Emerson? Continue vivendo da maneira que bem entende. Só quero que deixe em paz quem decide não viver da mesma maneira que você. Não acho que é pedir muito. O objetivo do post é fazer com que você aceite essas características DOS OUTROS. Não que se converta. Aliás, converta-se se quiser.

        Tradicional por tradicional, aposto que a escravidão era tradicionalíssima também. Para a época, é claro.

      • Alice

        Afe, não estudar história dá nisso: o indivíduo acha que ‘desde que o mundo é mundo é assim’. Engano seu, meu rapaz: essa coisinha bonitinha de família heterossexual de propaganda de margarina é pós-Freud e Segunda Guerra (ou seja, tem meros 80 anos). Seu deuzinho em que acredita tem meros 2000 anos (estima-se que os homo sapiens tenham 200.000…). Que falta faz uma linha do tempo na vida das pessoas.

      • Marcos Augusto Nunes

        O que você chama de “base familiar” em chamo de estrutura conservadora da sociedade para fins de manutenção do status quo. E então?

      • Adicionar novo comentário

        E quem disse que a manutenção do status quo é algo ruim? Então façamos do mundo inteiro uma guerra atomica, pois essa história de paz é tão mainstream, deixemos de punir os corruptos, afinal de contas trabalhamos para engordar porcos cevados que se enchem com nosso dinheiro roubado por impostos (o que, dado a falta de vontade de ação do brasileiro, não deixa de ser verdade), Façamos nada por aqueles que amamos, pois nada melhor do que se importar dando a minima, e por ai vai

  • http://www.facebook.com/gasparbelchior Gaspar Cunha

    Mega interessante esta matéria! Na realidade eu não conhecia todas as relações de gênero citadas, embora soubesse que existem várias. Penso assim: A sexualidade é a coisa mais linda de se viver, não se escolhe gostar de homens ou mulheres e/ou de ambos os sexos. O importante é a identificação com a própria sexualidade e auto-realização. E mais, o importante é ser feliz como se é de FATO. Muito bacana! uma coisa que não poderia deixar de aludir é quanto ao preconceito que sem sombra de dúvida deve ser repensado no comportamento das pessoas. E na maioria das vezes, as pessoas são preconceituosas por não conhecerem de fato “algo”. No mais está mega, mega  mesmo interessante e inteligente!. Parabéns a autora e aos internautas que curtiram e opinaram.

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    Artigo, F-A-N-T-A-S-T-I-C-O! 

     (Queremos confundir, transtornar, enlouquecer, contradizer, instaurar o caos, a bagunça, a incerteza e o mal estar. A angústia boa dos questionamentos contínuos).

    A proposito, me sinto super atraida por homens assumidamente gays, mas que não sejam, afeminados.

  • Jessica Sousa

    É por isso q nem me dou ao trabalho de me classificar nessas caixas. Uso, compro e faço o que me agrada, procuro relacionar-me com quem gosto e me interessa. Acho que as pessoas seriam mais felizes se fizessem o mesmo. Ou não… Ñ é pq funciona comigo q funcionaria com todos, mas enfim.

  • http://www.facebook.com/people/Thais-Simoni/100001620100642 Thais Simoni

    Entrou pra minha lista “Qualidade Gitti” de texto! aaaaaaaa belo texto!
    Instiga, inquieta, causa dúvidas e gera a 50 conclusões diferentes. O que prova como no fundo somos “singulares” mesmo.
    Muito bom o texto.

  • Aldo

    Um texto plausível, hein!

    Falando nisso, houve um concurso de Miss Universo no Canadá 
    onde uma das candidatas era uma mulher trangênero, a princípio a organização queria desclassificá-la por isso, mas devido aos côros de ”deixa ela!”, ela competiu e ficou entre as finalistas e o melhor ganhou O prêmio de Miss Simpatia. Não preciso falar mais nada né! 
    …..

    Eu gosto de ser e estar homem e sinto atração por homens, não descartaria um dia a ideia de ficar com uma mulher, mas só depois que eu passar dos 30 anos. 

    até.

  • Gilson Genio

    Sob essa ótica de que tudo é invenção social podemos defender praticamente tudo. Há pouco tempo atras nao existia infância, adolescência…que tal acabarmos com isso também? Um adulto que quer ser feliz vivendo como criança deve ser considerado normal, assim como uma criança que queria ter os deveres de adulto. Quem sabe até se relacionar sexualmente, o velho-garoto e o garoto-velho…

    A “cultura” do masculino e feminino – na verdade, genética – é uma das bases de boa parte de toda a nossa evolução como espécie. Desde a antiguidade, tirando raríssimas exceções, ela está presente. Quando os machos humanos saiam para caça e as fêmeas cuidavam da prole, passando pela idade média, até em alguns países nos dias de hoje (basicamente os não-ocidentais). Defendo a inferioridade da mulher? Absolutamente nao. Mas não somos iguais, por mais que se mude o corpo ainda não se conseguiu alterar a genética, XX é XX e XY é XY.

    Praticamente todas as pesquisas sérias falam de atividades e facilidades tipicamente femininas, enquanto outras são mais inerentes aos homens…em qualquer lugar e em qualquer civilização. Nem piores, nem melhores, apenas diferentes. Defender que o sexo/genero se escolhe é mentir pra si mesmo em nome de um suposto modernismo, afinal para se escolher algo, esses padrões tem que existir. Uma sociedade sem padrões seria como? Logo voltariamos para a Lei da Selva, os mais fortes simplesmente impondo sua vontade aos mais fracos ou no mundo moderno, os ricos impondo seu comportamento aos mais pobres – o que já vem ocorrendo, diga-se.

     

    • Dado Teles

      Gilson, desculpe a piada infame, mas achei genial o seu comentário!

    • http://www.vialibido.com.br Elisabeth Andrade

      Existem sim as diferenças de comportamento feminino e masculino, mas isso não é determinado por ter ou não um pênis. Um penis para uma pessoa do sexo masculino e gênero feminino é nada mais que uma deformação para ela. O pensar,  o agir, e tudo nela responde ao papel social feminino e não ao masculino.  Ela é uma mulher. Totalmente mulher, mas tem um pênis.  Ela poderia ter sete dedos, ou dois narizes, ou tres olhos e continuaria a ser mulher. Entendeu?

      E por isso que esse texto precisa ser corrigido. Uma coisa é você ter uma opinião sobre gênero outra coisa é você resumir as coisas da maneira que foi feita aqui.

      • Lilla

          “Ela poderia ter sete dedos, ou dois narizes, ou tres olhos e continuaria a ser mulher”. E o que é essa construção, senão uma construção através da percepção a respeito de si mesmo? E sendo uma construção emocional e subjetiva, diz respeito à cultura. Por que então refutar uma construção cultural com outra construção cultural, já que a autora põe em cheque os padrões construídos pela sociedade para que melhor se oriente a educação infantil? Existem conceitos arcaicos que precisam ser revistos, fato, mas não se pode jogar as balizas de uma sociedade civilizada, muito bem pontuada no comentário do Gilson. 

      • Gilson Genio

        Não Elisabeth, isso vem das características geneticas e evolutivas que em regra se manifestam em homens e mulheres – que em regra nascem com um penis ou uma vagina. Tem casos documentados de pessoas que se acham animais e vivem como tais, será que não deviam ser uns? A diferença de comportamento dos sexos, e de genero por tabela, vem de fatores biologicos e culturais influenciados por essa biologia. Não é a toa que os casos de disforismo de gênero tem de ser constatados por especialistas e se aceita em alguns casos até mudança de sexo.

         A regra é o sexo influenciar o genero, mas por algum disturbio biologico ou neurologico pode ocorrer de um homem se sentir preso no corpo de mulher e/ou vice-versa. Mas isso não é escolha, é exceção.

    • http://www.facebook.com/people/Juliana-Carbonera/100002571951137 Juliana Carbonera

      Mas vivemos na lei da selva. Só que com menos sangue exposto. ‘-’

      Dinheiro no lugar de território de caça. Os fracos tem pouco e sofrem pra comer todo dia e os fortes/melhores adaptados podem aproveitar sombra e água fresca.

      E você já parou realmente pra pensar nessa separação de papeis que aconteceu na idade da pedra?
      Só mulheres sozinhas nas cavernas, vários homens caçando as vezes dias longe de casa…. ahaaaam que eles esperavam estar o grupo todo junto pra se aliviarem. Sexo entre macho e fêmea sem ela estar no cio não é natural, são poucas as especies que fazem sexo por prazer. Veja os golfinhos e saberá como era a sexualidade humana nos primórdios da história. E golfinhos tem um grande leque de ‘orientação sexual’. Melhor ainda, veja os bonobos.E como ja falei antes. Ficar separando entre A e B serve apenas pra duas coisas, fofocar a vida alheia e procurar parceiro sexual.

      • http://www.facebook.com/people/Bruna-Bruxinha/100003693400759 Bruna Bruxinha

        e quem esta condenando quem? Fico por aqui com os comentários, pra não correr o risco de ser mal interpretada…tenho amigos E familiares com a opção sexual diferente que AMO de paixão, faz parte da minha vida…eu sei conviver e respeitar a opção alheia, só não concordo em levantar uma bandeira a favor dessa bagunça sexual, ter uma opinião contraria ao texto da Nayara não faz de mim uma pessoa preconceituosa, fofoqueira e muito menos coloca na minha testa uma placa dizendo: “Procura-se parceiro sexual” (alias julgar isso por um simples comentário é de mais)  e por que eu acredito em alguns princípios Bliblicos não faz de mim uma santa e nem um juiz. A Nayara escreveu muito bem o texto, foi inteligente na sua linha de raciocínio (conseguiu causar). Mas a MINHA opinião continua sendo NÃO!! 

      • http://www.facebook.com/people/Juliana-Carbonera/100002571951137 Juliana Carbonera

        Se você ler o que eu escrevi, verá que não disse nenhum nome nem apontei dedos sobre quem está condenando quem. ‘-’
        Se você não quer lutar a favor da liberdade sexual, não precisa levantar causa alguma. Apenas não atrapalhe quem quer o direito de não ser condenado por amar. Não atrapalhe um casal estável que quer adotar uma criança. 
        Pois quem luta pra manter o sistema binário HM, e quer forçar isso em todos é que não tem muito propósito. A pessoa que quer forçar isso e abolir as outras opções sexuais é que só tem como real motivação fofocar e procurar parceiro sexual. Simplesmente não tem outra coisa pra se fazer com essa causa. 
        A religião deveria focar mais em lutar contra a libertinagem geral do que ficar batendo na tecla de que apenas aqueles fora do sistema HM são pervertidos. Pois ao fazerem isso, os héteros dão menos valor pro próprio pecado. 
        Não precisam parar de pregar contra o homossexualismo. Faz parte das escrituras do antigo testamento, ta no direito da religião ser contra. Mas o jeito que estão fazendo agora é muito escrachado. Tratam como se fossem o próprio demônio na terra, quando pela visão da religião deveria ser tradado mais mesmo como, vamos dizer, ‘alcoolismo’ (algo que se luta contra, mas ninguém te marginaliza ou quer te corrigir na porrada por ter esse ‘problema’)

    • Marina l.

      … atrocidades que SEMPRE, infelizmente, ocorreram no mundo e não vejo como a ampla aceitação e reconhecimento da diversidade humana contribuiria para um suposto retrocesso humano à pré-história. Não entendo como isso seria possível e, mais ainda, acho que ocorreria exatamente o inverso disto, veja só! pois desde quando tolerância, respeito, igualdade são valores que corrompem a sociedade, Gilson Gênio? 

      E gostaria de saber também quais pesquisas sérias são essas que você anda lendo e que sustentariam seu argumento (não vale falar veja, istoé, bíblia, etc). Me diga, G. Gênio, pois estou bastante curiosa, porque, estranhamente, todas as publicações reconhecidas sérias pela sociedade de pensadores/filósofos/cientistas que tenho lido a esse respeito e que estão no bojo das produções mais recentes das ciências sociais e humanas em geral, afirmam outra coisa totalmente distinta ao que você nos trouxe. Curiosamente, essas pesquisas que tenho lido vão bastante de encontro com muita coisa que a autora do post escreveu.

      (minhas fontes são: judith butler, simone de beauvoir, beatriz preciado, andreas nye, foucault e outros. quais são as suas?)

    • Luma

      Considero, particularmente, um grave equívoco o
      posicionamento do amigo Gilson logo acima quando parece querer dizer que o
      ‘feminino’ e o ‘masculino’ são algo genético de todo. De certo são fatores genéticos,
      mas apenas parciais. A Biologia é bem clara ao comprovar que as características
      dos indivíduos são parcialmente definidas pela genética destes e parcialmente
      pelo meio em que vivem. As diferenças NATURAIS entre os sexos existem sim, mas
      também existem as diferenças sociais, ou seja, culturais, ou seja, definidas
      pelo meio em que ambos os gêneros vivem.

      E é
      exatamente por tais padrões culturais que, aqui no Brasil, nós (e nosso
      machismo) consideramos chorar ‘coisa de mocinha’, tanto que ensinamos aos
      meninos desde pequenos a não chorar_ o que nos faz ver mais mulheres adultas
      que homens adultos que choram; por outro lado, no mesmo planeta, mas EM OUTRO
      MEIO, em uma tribo africana no Quênia mulheres e homens são educados a não
      chorar a não ser na morte de um parente ou por sofrer algum tipo de violência.
      Assim, lá veremos homens e mulheres adultos que choram praticamente ‘a mesma
      coisa’.

      Desta
      forma, e com muitos outros exemplos que qualquer antropólogo poderia citar, é
      totalmente possível afirmar que homens e mulheres tem sim diferenças NATURAIS,
      mas as nossas culturas também nos imputam muitos outros tipos de distinção. E
      isto quer dizer que, como o companheiro acima afirma, o sexo não se escolhe, NO
      ENTANTO, os padrões de feminino e de masculino não seriam tão bem definidos se
      as sociedades em que cada um vive não tivesse lhes imposto suas ideologias.

      Obs.: Também acho um pleno equívoco associar a faltar
      de padrões bem definidos a uma possível ausência de ordem e à criação de uma
      sociedade onde um se vale do outro como quer.

      Primeiro que, logicamente, a falta de padrões e diferenças nos levaria, de modo
      mais imediato, a uma sociedade sem hierarquias, onde cada um faz o que quer de
      sua vida. Isto prejudicaria, certamente, a vida coletiva (até a poderia
      extinguir), mas não necessariamente a vida individual. E isto não é sinônimo de
      que um indivíduo vá adotar meios que usem de violência contra o semelhante para
      sobreviver.

      Segundo que não é necessária a ausência de padrões para que o ser humano se
      aproprie do próximo_ visto que estupros, furtos, matanças e desordem em geral
      ocorrem (e muito) até mesmo nas sociedades mais restritas (vide as teocracias
      do Oriente Médio).

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000169026699 Michel Colombo

    “Não podemos e não queremos aceitar o binarismo. Queremos confundir, transtornar, enlouquecer, contradizer, instaurar o caos, a bagunça, a incerteza e o mal estar. A angústia boa dos questionamentos contínuos.”
    Não entendi o comentário.  Quando “rotulamos” homem ou mulher estamos complicando? Definir “homem” ou “Mulher” é rotular???????  Realmente essa é a era de Aquárius. Somos uma gosma pulsante e nada mais. Opção sexual, ok! Cada um tem a sua e vamo que vamo! Mas agora o alvo são os gêneros? 

    Nada contra, o texto é muito bom mesmo, porém, a partir do momento que nos tornamos lúcidos e racionais foi que esse tipo de conversa começou, até então só existiam os animais machos e os animais fêmeas. Não estou falando de natureza e velhos discursos, e sim do mais básico, inicial, sem racionalização.

  • http://www.vialibido.com.br Elisabeth Andrade

    Essa definição de Genero está completamentamente equivocada. Essa é a definição de SEXO e não de GÊNERO. Diferença entre sexo e gênero “Não é o pênis que define a maior habilidade em arrotar e cuspir no chão, mas a permissão cultural que será dada ao macho humano para fazer certas porquices. Também não é a vagina que confere uma melhor capacidade culinária. A determinação dos papéis de gênero usará o corpo como justificativa para que a sociedade interfira, oriente, pré-determine e proíba uma série de ações a essas pessoas, conforme seu corpo externalize um pênis ou uma vagina. “ De homem para Mulher: Feminização Forçada, Travestismo e Disforia de Gênero http://www.cronicasdeumsexshop.com.br/2010/06/esse-texto-foi-originariamente-escrito.html#more

    Postei esse alerta hoje pela manhã e como ainda não vi publicado, estou reenviando.

  • Elisabeth

    Não há o que discutir aqui. A autora errou ao postar que Gênero é definido pelo que você tem entre as pernas e se não rever coloca em risco a credibilidade deste blog. Pra mim, já deu. Não tem que discutir, tem que corrigir, pedir desculpa às pessoas que sofrem com a Disforia de Gênero  e pronto.  Eu não vou discutir algo que foi discutido e decidido por especialistas durante mais de 20 anos.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000169026699 Michel Colombo

    Na boa. Gênero é imutável, é biológico, mesmo que tenha sito classificado pela nossa racionalidade.

    Opção sexual é uma coisa, beleza. Cada um tem a sua e devemos respeitar. Mas não me venha com esse papo que escolhemos nosso gênero que aí fica demais!

    Homem sem pau e com uma buceta é somente um HOMEM sem pau e com uma buceta. 
    Mulher com barba que gosta de outras mulheres é simplesmente uma MULHER sem barba que gosta de outras mulheres.
    Suas opções não alteram seu gênero!!!

    Papinho furado de pós moderninhos que querem ficar na modinha de ser libertário.

  • Lia.

    uma coisa que acho curiosa nos casais homossexuais é que os papéis homem e mulher sempre estão presentes,  um deles sempre tem traços do sexo oposto. num casal de lésbicas, uma delas sempre é mais feminina, enquanto a outra traz traços masculinos.. nos casais gays a mesma coisa, um sempre parece ser a “mulher” enquanto o outro tem aparência e comportamento masculinizado… nunca vi um casal homossexual em que nao desse pra perbecer isso…
    no fundo, eles buscam o sexo oposto no corpo de uma pessoa do mesmo sexo… 

    • http://www.facebook.com/people/Juliana-Carbonera/100002571951137 Juliana Carbonera

      er…. not really.
      O que acontece é ter o dominante e o passivo.Que não é o mesmo que ser mais masculino e mais feminino.Afinal existem casais heteros com a mulher sendo a dominante da relação e o homem sendo mais passivo e nem por isso ela é menos mulher.

  • Lia.

    e considero que isso deveria ser corrigido… sem preconceitos………..

  • Cristiano Pedro

    Com a síndrome da insensibilidade androgênica, a situação fica mais confusa ainda, o indivíduo tem cromossomos XY e testículos, mas desenvolve um corpo feminino que possuí clitóris funcional , de forma natural sem intervenção cirúrgica. A identificação como mulher, neste caso, é um problemática, apesar de possuir seios e vulva, não há menstruação nem maternidade. Também a identificação masculina é duvidosa, pois se há presença de cromossomos XY e testículos, há também a falta de pênis e saco escrotal. Resumo da ópera: a definição do que masculino ou feminino é mais complexa do pensávamos, vai além de características psíquicas, a bagunça de gêneros também se espalha para o campo biológico. 

    • http://about.tuliomir.com/ Túlio

       Cristiano, excelente comentário.
      Acho que o melhor a se fazer, realmente, é criar espaço na sociedade para que todos os sexos/gêneros/nãoseioqs, sejam biológicos, psicológicos ou o que for. Para que todos se sintam acolhidos na vida em sociedade e possam construir juntos.

      E isto passa necessáriamente pela desconstrução citada pela autora (não sei pra quê tantos nomes, mas se serve pra as pessoas se encontrarem, já está servindo um ótimo propósito).

      Não há nada mais poderoso do que a diversidade, quando se quer crescer como sociedade/grupo.

      Nayara, obrigado pelo ótimo texto!

    • Adicionar novo comentário

      … que não é constante na natureza, mas mutações que se manifestam atingindo uma minoria muito restrita, não a esmagadora maioria, como tantas outras sindromes e problemas geneticos que vemos que vemos por ai (desnecessário cita-los), talvez devessemos criar também uma classificação para cada simples coisinha que singulariza um individuo dentro de um todo. 

  • Juca

     Tudo transtorno psicologico causado por traumas!

  • Matsuura Junichiro

    Sou do sexo masculino, ou seja, homem. Sou hetero, e tenho atração por mulheres “cheinhas”. Gosto de mulher que tem umas curvinhas mais acentuadas, e não me importo se isso implicar em alguns quilos a mais. Se for morena ou mulata, então… Existe algum problema nisso????

  • Elton Back

    Depois de ler esse texto a primeira coisa que pensei foi na frase: ”Viva e deixe viver”, se o tradicionalismo funciona bem para alguns, porque tentar se impor com o liberalismo, se você se sente bem vivendo assim viva. ”Eu como barata e você como mosca, qual a diferença nós dois comemos insetos” se todos são humanos qual é a diferença de eu gostar do tradicional homem e mulher e você do multi-sexual (não lembrei de outra palavra pra definir)?

  • Luma

    Concordo plenamente que haja diferenças inatas entre os sexos. No entanto, acho impossível que todos os indivíduos que fazem parte de um dos gêneros sejam todos iguais. A nossa sociedade é extremamente potente para formar estereótipos; fomos educados, desde sempre, a crer que carros, esportes e jogos são coisas de homem, enquanto as preferências femininas estão em assuntos de culinária, moda e maquiagem. Essas coisas são tão embutidas em nós, que quando vemos alguma situação que contradiga o estereótipo, logo nos espantamos ou julgamos que fulano ou fulana é homossexual.
    O fato é que todos os seres humanos tem personalidades diferentes. Muitas mulheres simplesmente não curtem coisas que julgamos femininas, mesmo sendo heterossexuais. O mesmo vale para muitos homens, que não deixam de ser homens por tanto.
    Em suma, minha opinião é que as diferenças entre os homens e mulheres existem sim, mas também existem diferenças entre homens e homens, mulheres e mulheres, mesmo heterossexuais. Essa ideia de que que todos os homens devem ser ou se comportar da maneira Y e todas as mulheres da maneira X para comprovar sua sexualidade é que eu acho absurda e, sem sombra de dúvidas, pura invenção social_ das mais mesquinhas, a propósito.

  • Guest

    Concordo plenamente que haja diferenças
    inatas entre os sexos. No entanto, acho impossível que todos os indivíduos que
    fazem parte de um dos gêneros sejam todos iguais. A nossa sociedade é
    extremamente potente para formar estereótipos; fomos educados, desde sempre, a
    crer que carros, esportes e jogos são coisas de homem, enquanto as preferências
    femininas estão em assuntos de culinária, moda e maquiagem. Essas coisas são
    tão embutidas em nós, que quando vemos alguma situação que contradiga o
    estereótipo, logo nos espantamos ou julgamos que fulano ou fulana é
    homossexual.

    O fato é que todos os seres humanos tem personalidades diferentes. Muitas
    mulheres simplesmente não curtem coisas que julgamos femininas, mesmo sendo
    heterossexuais. O mesmo vale para muitos homens, que não deixam de ser homens
    por tanto.

    Em suma, minha opinião é que as diferenças entre os homens e mulheres existem
    sim, mas também existem diferenças entre homens e homens, mulheres e mulheres,
    mesmo heterossexuais. Essa ideia de que que todos os homens devem ser ou se
    comportar da maneira Y e todas as mulheres da maneira X para comprovar sua
    sexualidade é que eu acho absurda e, sem sombra de dúvidas, pura invenção
    social_ das mais mesquinhas, a propósito.

  • Pingback: Celebridades gays saem do armário. Seria o “efeito Barack Obama”? | PapodeHomem

  • Arnaldo Tavares

    Como posso dizer… Apesar de todo o debate filosófico que eu já li aqui, o negócio é o seguinte: respeitar a opção do outro, vá lá, isso aí eu faço, mas INCENTIVAR a bagunça de sexos/gêneros só porque “a diversidade é inteligente e bonita” e “a ordem é coisa de bundão” já é outra história. No meio do incentivo, vocês, que defendem tanto a bandeira da diversidade plena de sexos/gêneros, vão acabar sendo engolidos pela onda e, no final, sendo convencidos de que são o que não são (Já viram a comédia “será que ele é?”? É por aí…). Então, façamos o seguinte: o que já tem, deixa quieto, é o jeito. Mas querer que aumente, pô, tenham um pouco de bom senso. Numa época em que a gente já anda na corda bamba e faz malabarismo pra ver se ainda resta alguma sanidade no mundo pra ele não se acabar, ainda me vêm com essas idéias ultra-liberalistas? “Ah, sou a favor porque já li trocentos estudos dos mais renomados pesquisadores!”. E daí? Einstein foi um dos maiores gênios que já existiram, mas mesmo ele cometeu erros, como a Teoria da Constante Cosmológica. Então alguém pode justificar que o material usado nas pesquisas sobre sexo/gênero não são corpos celestes, mas sim seres humanos, que têm pensamentos, sentimentos e blá,blá,blá…
    Ótimo, acabaram de me dar mais razão. Mexer com material humano é muito mais difícil por causa de fatores como personalidade, hábitos, opiniões e a própria influência do ambiente e da família sobre o sujeito, além de que tudo isso pode variar com o tempo. Então, como esperam que um estudo que afirma que o BOOM dos sexos/gêneros é benéfico seja tão infalível que mereça fé cega?
    “Ah eu estou antenado com as mais novas pesquisas, da obra do famoso pesquisador e cientista social fulano-de-tal, e de acordo com ele, o seu pensamento
    é retrógrado e ultrapassado”. Será?
    Pra finalizar: O cara pode cometer erros, como eu já disse antes. Em algum momento, até uma barata pode saber mais do que ele.

  • Clarice

    O melhor que eu já li por aqui, simplesmente genial. Nem tenho mais palavras para descrever. Tenho a vontade de destacar todos os trechos que me deixaram boquiaberta no artigo, mas se eu o fizesse, acabaria por copiar todo o artigo aqui. Nada mais posso dizer senão: Parabéns! E, btw, compartilho da opinião da Fernanda Magalhães, ao dizer que se sente atraída por homens assumidamente gays; sou meio girlfag (denominação que acabo de tomar conhecimento a respeito da existência, rs).

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