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	<title>Papo de Homem - Lifestyle Magazine &#187; Marcos Palhares</title>
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		<title>‘Impotência’ futebolística existe?</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 02:01:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Palhares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
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		<category><![CDATA[No Ângulo: textos PdH sobre futebol]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu não sei até que ponto o futebol pode ser considerado uma necessidade vital para quem gosta do assunto. Conheço muita gente que trocaria a casa, o dinheiro, a mãe e a mulher para continuar torcendo fanaticamente pelo seu time. Tem aqueles que não conseguem ir acampar ou ficar em um lugar isolado se não [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não sei até que ponto o futebol pode ser considerado uma necessidade vital para quem gosta do assunto.</p>
<p><span id="more-5264"></span></p>
<p>Conheço muita gente que trocaria a casa, o dinheiro, a mãe e a mulher para continuar torcendo fanaticamente pelo seu time. Tem aqueles que não conseguem ir acampar ou ficar em um lugar isolado se não tiver pelo menos um radinho de pilha para acompanhar as últimas notícias futebolísticas.</p>
<p>Muitos chegam ao extremo de tatuar o símbolo do clube ou frases de amor a ele no próprio corpo. É o tal &#8220;bando de loucos&#8221; &#8211; e engana-se quem pensa que essa designação se encaixa apenas nos partidários do clube do Parque São Jorge. Fanáticos, no Brasil, toda torcida tem.</p>
<h3>Vício adolescente</h3>
<p>Reconheço que já fui extremamente &#8220;viciado&#8221; em futebol, principalmente na pré-adolescência, período em que as mulheres e a bebida ainda não tinham desviado minhas atenções. Logo em seguida, porém, veio a primeira “broxada” futebolística. Quando comecei a fazer faculdade, a trabalhar muito e morar em condições precárias, a falta de tempo e de oportunidades fez com que eu parasse de jogar futebol com frequência e me afastasse consideravelmente do cotidiano de times e campeonatos.</p>
<p><a href="http://flickr.com/photos/melodishqiptare/2575763401/" target="_blank"><img style="border: 0px;" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2009/02/image5.png?95884c" border="0" alt="image" width="440" height="336" /></a></p>
<p><em>Chopp dia sim, futebol dia não&#8230; <a href="http://flickr.com/photos/melodishqiptare/2575763401/" target="_blank">*</a></em></p>
<p>Além dessa correria de viver em uma cidade, trabalhar em outra e estudar num campus longínquo, à beira de uma rodovia, as festas, mulheres e bares daqueles meus vinte e poucos anos diminuíram de vez o apetite pela bola. Foi nessa época, também, que vivi muitos anos sem televisão ou rádio (o que, hoje, considero uma dádiva) e meu time também não estava ganhando nada. Logo, fiquei um tanto quanto afastado.</p>
<h3>Doença crônica!</h3>
<p>Mas a doença é crônica e, pouco depois, mesmo morando a 3.100 quilômetros de São Paulo, voltei a acompanhar meu Tricolor e ficar ligado no noticiário. Essa paixão ressuscitada ganhou maior impulso quando me mudei para a capital paulista e conheci outros &#8220;doentes&#8221;, santistas, palmeirenses, corintianos, atleticanos etc. Tanto interesse nos levou, por exemplo, a criar o blogue <a href="http://www.futepoca.com.br/"><span style="text-decoration: underline;">Futepoca</span></a> (Futebol, Política e Cachaça), pois o papo e as provocações de boteco já não eram suficientes.</p>
<p>Coincidentemente, foi um período em que meu time voltou a ganhar títulos com regularidade anual, o que completou o caldo para eu me tornar &#8220;dependente&#8221; do futebol mais uma vez. Só que a ligação diária e maciça, depois de alguns anos, cobrou seu preço. Saturou. Penso que o próprio fanatismo violento e muitas vezes sem noção das torcidas paulistanas me fizeram refletir sobre o exagero e (a falta de) sentido disso tudo.</p>
<h3>‘Não vi o jogo’</h3>
<p>De um ano para cá, noto que meu interesse por futebol foi decrescendo até mesmo de forma inconsciente. Começou com a progressiva falta de vontade de assistir jogos. Por incrível que pareça, até as <a href="http://www.futepoca.com.br/2008/05/licenaluto.html">partidas decisivas da Libertadores</a> de 2008, com o Adriano Manguaça no ataque, não conseguiram me sensibilizar. Virou motivo de chacota, entre os companheiros e leitores do Futepoca, o fato de eu sempre escrever &#8220;não vi o jogo, mais uma vez&#8221;. Estava apenas sendo sincero, apesar da “heresia”.</p>
<p>Todo domingo ou quarta-feira eu preferia passear com a família, ir ao cinema e &#8211; lógico &#8211; ao bar do que ir ao estádio ou me postar em frente à televisão. E isso foi se acentuando a ponto de eu passar mais de dois meses sem assistir a um jogo sequer. Na sequência, me desinteressei completamente de ler ou acompanhar a imprensa esportiva.</p>
<h3>Tédio e aborrecimento</h3>
<p>Já não me importava o mínimo em saber quem ia jogar com quem, com qual escalação ou juiz. Se fulano se contundiu, se estava recuperado ou tinha sido negociado. Quem estava à frente na tabela, com quantos pontos, faltando quantas rodadas. De repente, não mais que de repente, essas informações que antes foram tão cruciais e necessárias no meu cotidiano passaram a ser puro tédio, chatice e aborrecimento.</p>
<p>E notem que meu time estava arrancando de forma espetacular para, numa série invicta de 18 partidas, arrebatar <a href="http://www.futepoca.com.br/2008/12/so-paulo-tricampeo-e-os-que-tentaram.html">o hexacampeonato nacional e o terceiro título seguido</a> bem na última rodada. Não assisti nem me interessei por nenhum dos dez últimos jogos do Brasileirão, nem liguei o rádio, nem comprei jornal. Também não comemorei o título.</p>
<p><a href="http://flickr.com/photos/allseasons/176970961/" target="_blank"><img style="border: 0px;" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2009/02/girls-soccer-beer-brasil.jpg?95884c" border="0" alt="girls-soccer-beer-brasil" width="240" height="360" /></a></p>
<p><em>Jogo, que jogo, caraio? <a href="http://flickr.com/photos/allseasons/176970961/" target="_blank">*</a></em></p>
<h3>Outros interesses&#8230;</h3>
<p>Só que passei a achar isso muito, muito estranho. Como assim, &#8220;desistir&#8221; do futebol? Logo eu, que sempre gastei horas falando sobre o tema, que assisti centenas de jogos por anos a fio, que acompanhei o noticiário todo santo dia, que sei detalhes inúteis de tempos esquecidos. Como acontece uma coisa dessas? Será que &#8220;impotência&#8221; futebolística existe?</p>
<p>Não sei. Só o que posso dizer é que, mais uma vez, meu interesse pelas mulheres e botecos aumentou consideravelmente e, nessa disputa, o futebol foi jogado para escanteio. Mas, como ele sempre me surpreende (afinal, para usar um chavão, é uma <a href="http://www.terra.com.br/istoe/1720/ciencia/1720_caixinha_de_surpresa.htm">&#8220;caixinha de surpresas&#8221;</a>), tenho certeza de que me reconquistará.</p>
<p>Pois que venham novos ídolos, jogaços, lances de gênio, esquadrões espetaculares e títulos. Acredito nesse conjunto de fatores como o grande &#8220;viagra&#8221; para todo torcedor desanimado &#8211; e o combustível eterno de polêmicas, teses, teorias e papos intermináveis pelos bares desse nosso Brasil. Saúde!</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Um Vizinho Corintiano</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 17:31:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Palhares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[No Ângulo: textos PdH sobre futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Se tem uma coisa que sou obrigado a concordar é que o rebaixamento do clube de Parque São Jorge para a segunda divisão do Brasileiro confirmou o maniqueísmo dos torcedores tupiniquins: hoje em dia, existem corintianos e anti-corintianos. O que faz tantas pessoas ficarem alegres com essa foto? Crédito. A comemoração generalizada que tomou conta [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se tem uma coisa que sou obrigado a concordar é que o rebaixamento do clube de Parque São Jorge para a segunda divisão do Brasileiro confirmou o maniqueísmo dos torcedores tupiniquins: hoje em dia, existem corintianos e anti-corintianos.</p>
<p><span id="more-836"></span></p>
<p><img src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/03/corintians_thumb.jpg?95884c" style="border: 0px none " alt="corintians" border="0" height="293" width="400" /></p>
<p><em>O que faz tantas pessoas ficarem alegres com essa foto? </em><a href="http://www.flickr.com/photos/marinuzzi/2084239166/" target="_blank"><em>Crédito</em></a><em>.</em></p>
<p>A comemoração generalizada que tomou conta do país naquele 1º de dezembro, capaz até de unir gremistas e colorados no Sul, foi a prova cabal de que o Corinthians é, ao mesmo tempo, uma paixão e um ódio nacionais.</p>
<p>Os corintianos tentam justificar a felicidade geral que despencou sobre os torcedores de outras nações pela “importância, grandeza e soberania” de seu time. Aquela história: “-Falem mal, mas falem de mim!”. Acho isso uma meia verdade.</p>
<p>O real motivo de tanto anti-corintianismo, em minha modesta opinião, é o &#8230; corintianismo! Conhecido também, nas hostes mais hostis, como a capacidade única e exclusiva que só os partidários desse clube têm de perturbar, incomodar, azucrinar, secar, tripudiar e humilhar os outros. E, ironicamente (ou até por isso mesmo), é o torcedor que menos suporta a mínima gozação ou qualquer tipo de opinião contrária.</p>
<p>Besteira? Então por que torcedores de times de várias partes do Brasil se uniram, em dezembro, para aporrinhar os corintianos? Por que esse ódio não foi tão intenso contra Palmeiras, Botafogo-RJ, Grêmio ou Atlético-MG? Simples: porque o corintiano é o que mais incomoda.</p>
<h4>Querem um exemplo?</h4>
<p>Meu vizinho.</p>
<p>Tudo bem que vizinho é uma coisa que deve ter sido inventada para incomodar, afinal, como diria Sartre, “o inferno são os outros”. Mas ele não é um vizinho comum. Ele é um vizinho corintiano. E só quem já passou pela experiência de ter um vizinho corintiano pode ter a real noção do que eu estou falando.</p>
<p>Todos os que eu conheço que já passaram pela temerária experiência tem uma ou muitas histórias para contar. Nenhuma delas, infelizmente, muito agradáveis. Porque, se o corintiano é, por definição, um ser que incomoda, e o vizinho está, em sua essência, na mesma condição, imagine quando as duas funções se juntam em uma só pessoa&#8230;</p>
<p>Vamos ao meu caso. Domingo é dia de jogo. Mas também é o único e mísero dia que Deus me reservou para que eu possa dormir e descansar, pelo menos, até a hora do almoço – e é exatamente por isso que prefiro encher a lata aos sábados. Porém, como disse, é dia de jogo. E eu tenho um vizinho corintiano.</p>
<p><img src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/03/vizinhochato_thumb.jpg?95884c" style="border: 0px none " alt="vizinho-chato" border="0" height="356" width="340" /></p>
<p><em>Vai começar&#8230;</em></p>
<p>Logo pela manhã, quase madrugada, por volta das oito ou nove da manhã, ele liga o rádio nas piores emissoras de AM, que estão fazendo o “esquenta” para os jogos da tarde. Quando alguém resolve falar qualquer coisa sobre o Corinthians, ele aumenta o volume até a estratosfera. Várias vezes esse som se fundiu com meus sonhos, num primeiro momento, e depois me despertou para a terrível realidade. Logo que me mudei para aquela casa e fui vítima, pela primeira vez, de tal violência, pensei:</p>
<p>“-Esse vizinho deve ser corintiano”. Meus temores se confirmaram.</p>
<p>Mas voltemos ao fatídico dia de domingo. É meio dia e minha cabeça já está zunindo de tanto rádio, hino do Corinthians, televisão alta e gritos de “-Timão, ê-ô!”. Quatro da tarde, começa o maldito jogo. Ele mantém o rádio e a TV com o volume nas alturas. E berra, e xinga, e grita. Sai um gol do Corinthians.</p>
<p>O vizinho solta rojões, grita, aumenta mais o som dos aparelhos. Um inferno. Mas nada se compara ao momento em que o Palmeiras, o São Paulo ou o Santos sofrem gols em outros jogos. O barulho é dez vezes maior, a sensação é a de que uma bomba nuclear estourou na casa do vizinho. Ele berra, berra, berra. Parece que expurga todos os seus demônios e atinge os píncaros do êxtase com a desgraça alheia. Nenhum gol ou título do Corinthians vale mais, para ele, do que a caveira dos rivais.</p>
<p>Mas sempre há o dia de amanhã.</p>
<p>E o dia de amanhã foi o domingo, 1º de dezembro de 2007. Como sempre, todo o ritual foi cumprido à risca, desde a manhã: o rádio e a TV no último volume, os rojões, os berros. Mas naquele dia o Corinthians empatou. E o Goiás ganhou.</p>
<p><img src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/03/rebaixado_thumb.jpg?95884c" style="border: 0px none " alt="rebaixado" border="0" height="92" width="400" /></p>
<p>E o temido rebaixamento tornou-se realidade. Houve um período de silêncio inexplicável na casa do vizinho. Em segundos, centenas de rojões pipocaram pelos céus do meu bairro. Eram os anti-corintianos, ou antes, os que já foram incomodados até o limite do insuportável pelos torcedores do recém-rebaixado clube paulistano.</p>
<p>Não tive o mesmo tipo de reação. Tive, sim, um ataque de riso que durou uma semana. Mas não tornei minha casa uma babel de ruídos impiedosos. Sou vizinho. Mas não corintiano.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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