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	<title>Papo de Homem &#187; Keid Sammour</title>
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		<title>Cometi Orkuticídio</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 04:26:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Keid Sammour</dc:creator>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Conversei dia desses com um amigo sobre a massiva presença brasileira no Orkut, e tentamos fazer previsões sobre as possíveis atitudes do Google sobre esse fato.: Publicidade ultra-segmentada? Assinatura do serviço? Extinção? Em suma: Nenhuma conclusão sobre o porvir deste fenômeno que, apesar de americano, é a coisa mais brasileira da Internet. Se o futuro [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conversei dia desses com um amigo sobre a massiva presença brasileira no Orkut, e tentamos fazer previsões sobre as possíveis atitudes do Google sobre esse fato.<span id="more-4035"></span>: Publicidade ultra-segmentada? Assinatura do serviço? Extinção? Em suma: Nenhuma conclusão sobre o porvir deste fenômeno que, apesar de americano, é a coisa mais brasileira da Internet.</p>
<p>Se o futuro é incerto, no momento o Orkut está <strong>decadente</strong>, pois perdeu o frescor de novidade. Antes, a <strong>curiosidade </strong>guiava as pessoas até lá; hoje, me parece ser a <strong>lucidez </strong>que as mantém longe. Esse desacordo me assolou com a necessidade de entender o impacto do site sobre a vida das pessoas. Como ponto de partida, observei os exemplos de pessoas próximas e a mim mesmo. Recentemente, e depois de alguns fatos testemunhados, eu cometi <strong>orkuticídio</strong> (eliminação voluntária do perfil).</p>
<p>Seria o Orkut um totem da nossa inerente necessidade de sociabilização? Marcelo Coelho, em sua coluna na Folha de S. Paulo, definiu que é assim que o histórico espírito de cordialidade brasileira (o tapinha nas costas) sobrevive também no meio dessa modernidade. Mas achei que isso seria apenas um sintoma, e algo maior está velado na relação com o site.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/12/orkutcidio1.jpg?95884c"><img class="alignnone size-full wp-image-4037" title="orkutcidio1" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/12/orkutcidio1.jpg?95884c" alt="orkutcidio1" width="275" height="337" /></a></p>
<p><em>Mr. Orkut, obrigado? Not!</em></p>
<p>&#8212;</p>
<p>Hoje, à distância, o Orkut se mostra a mim algo como um emblema reducionista. Ainda que eu reconheça o que ele me ofereceu quanto ao resgate da minha história &#8211; amigos de infância e adolescência fragmentados em lembranças; a volta de pessoas queridas, mas distanciadas &#8211; entendi que a brincadeira foi transformada em <strong>exercícios de vaidade esquizofrênica</strong>.</p>
<p>Ainda não vi pesquisas, mas li opiniões e presenciei acontecimentos, e isso me causou firmes impressões sobre possíveis prejuízos quanto ao uso do Orkut. Intuo que esses arremedos de agregação social podem debilitar personalidades, pois <strong>reduzem </strong>muito do esforço necessário e imprescindível que temos na vida para manter relações interpessoais. Isto, o site simula com maestria e ameniza a ansiedade desse processo. A alma humana precisa de ritos, bem como impor restrições a si mesma. Facilidade nem sempre é virtude. As situações bem-sucedidas que acontecem &#8211; reencontro feliz com o passado, histórias de amor que dão certo, novas amizades que serão aprofundadas &#8211; não têm sua realização atrelada à tecnologia. Independente do ambiente, essas coisas são possíveis.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/12/orkutcidio2.jpg?95884c"><img class="alignnone size-full wp-image-4038" title="orkutcidio2" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/12/orkutcidio2.jpg?95884c" alt="orkutcidio2" width="275" height="337" /></a></p>
<p><em>O brasileiro e sua relação de amor e ódio.<br />
</em></p>
<p>&#8212;</p>
<p>Mas no Orkut não existe uma linha que separe o público e o privado, uma vez que normalmente os scrapbooks são abertos e todos podem ler conversas inteiras. Penso também na <strong>ansiedade </strong>repetitiva que a chance de novas mensagens pode gerar. Qual o motivo para alguém expor particularidades desabonadoras, escancarar a vida afetiva e agonizar nessa praça pública virtual como assim o fazem? O <em>&#8220;about me&#8221;</em> é um <strong>palco irresistível</strong>, pois permite o desfile de identidades em múltiplos trajes virtuais.</p>
<p>Depoimentos são <strong>atestados tortos</strong> sobre a índole de desconhecidos, já que não é costume falar mal dos amigos em público. Conceitos se confundem, valores se camuflam, a intimidade é falsa e superlativos tornam-se moeda de troca. Têm-se desde uma honestidade pungente &#8211; que, desconectada, na vida social seria revogada pela concepção de respeito ao outro &#8211; até mentiras complexas. Tudo em busca de um reflexo impossível de ser conseguido num <strong>cotidiano concreto</strong>; mas, forjada e anônima, essa dissimulação pode fazer frustrações encontrarem cumplicidade e solidariedade, além de animar egos.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/12/orkutcidio.jpg?95884c"><img class="alignnone size-full wp-image-4036" title="orkutcidio" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/12/orkutcidio.jpg?95884c" alt="orkutcidio" width="275" height="337" /></a></p>
<p><em>&#8220;Quantos testimonials&#8230; Eu sou o máximo!&#8221;</em></p>
<p>&#8212;</p>
<p>De modo ilusório, as verdades sociais são <strong>minimizadas</strong>, a geografia torna-se irrelevante, o status é nivelado. Quem faz sucesso &#8211; ou quem coleciona maior número de pessoas e/ou recebe maior número de <em>scraps</em> &#8211; são aqueles que têm habilidade em se comunicar. Ou talvez as pessoas que melhor repliquem, por meio de seu perfil, os estereótipos românticos e sexuais vigentes, autônomos a preferências de gênero, e sejam projeções desejáveis &#8211; a elas destinam-se o resplendor e a certeza de <strong>adulação</strong>. Eis a regra do Orkut: uma pálida, porém leal,<strong> imitação da vida</strong>.</p>
<p>Soube de uma história de amor que começou no Orkut, mas, ao ser convertida à vida real, ruiu dramaticamente. Até o encontro efetivo, que prometia ser a concretização de um desejo compartilhado por duas pessoas desconhecidas separadas pelo destino, o efeito de realidade norteou e legitimou a esperança do afeto ser <strong>verdadeiro</strong>. Infelizmente não era. Enfrentada, a realidade fez emergir os defeitos que voluntariamente se <strong>ocultaram </strong>por entre e-mails, <em>chats</em> no messenger e telefonemas interurbanos. Faltou aos amantes a consciência de que a ausência do corpo, a falta de convivência e a omissão de detalhes das personalidades de ambos não sustentam a concretude que uma relação exige. A despeito da dor imobilizante para uma das partes, a relação, baseada em valores desatrelados da verdade, terminou com a previsível facilidade de desligamento pela outra.<strong> A virtualidade justifica atitudes</strong>.</p>
<p>Pesei a relação custo-benefício e fugi dessa <strong>floresta digital paranóide</strong>. No momento em que eu apagava meu perfil e lembrava da<em> &#8220;lista de amigos&#8221;</em>, uma frase de <strong>Proust</strong> ecoava em mim: <em>&#8220;A amizade não é mais que uma mentira que nos faz acreditar que não estamos irremediavelmente sós&#8221;</em>. Os simulacros do Orkut autenticaram para mim o ceticismo dele. Ao contrapor com a vida real, meu orkuticídio foi feito com <strong>alívio</strong> e <strong>paz de espírito</strong>.</p>
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<p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que precisamos de mais caos em nossas vidas?</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 19:33:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Keid Sammour</dc:creator>
				<category><![CDATA[Debates]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Porque estamos emburrecendo. Estamos levando a sério demais o caráter apolíneo do mundo. Cada dia que passa criamos mentiras cada vez mais elaboradas para manter nosso statu quo. Viver no caos nos ajuda a recuperar a alma perdida, nossa chama dionisíaca; nos ajuda a fazer as perguntas certas, a pensar diferente. Nunca fomos tão homogêneos, [...]</p><p><br /><hr /><p>Curadoria do PdH com as mais deliciosas mulheres da web, selecionadas a dedo: <a href="http://apimentadas.papodehomem.com.br">www.apimentadas.com.br</a></p></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Porque estamos emburrecendo. Estamos levando a sério demais o caráter apolíneo do mundo. Cada dia que passa criamos mentiras cada vez mais elaboradas para manter nosso <em>statu quo</em>.</p>
<p><span id="more-2987"></span></p>
<p>Viver no caos nos ajuda a recuperar a alma perdida, nossa chama dionisíaca; nos ajuda a fazer as perguntas certas, a pensar diferente. Nunca fomos tão homogêneos, tão pasteurizados, tão assépticos. </p>
<p>Ninguém mais parece querer pagar o preço de viver seu destino e pensar por conta própria. Estamos sempre em busca de uma confirmação nos outros, o que para mim é o oposto da criatividade. E o caos nada mais é que isso, ser criativo.</p>
<p><a href="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/10/pixel.jpg?95884c"><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/10/pixel-thumb.jpg?95884c" border="0" alt="pixel" width="139" height="240" /></a><a href="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/10/hitler-fun.jpg?95884c"><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/10/hitler-fun-thumb.jpg?95884c" border="0" alt="hitler-fun" width="186" height="240" /></a><a href="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/10/rabon.jpg?95884c"><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" src="http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2008/10/rabon-thumb.jpg?95884c" border="0" alt="rabon" width="172" height="240" /></a> </p>
<p>Caos é renunciar aos gurus, aprender com o que está à margem, ir contra a maioria. A maioria SEMPRE vai estar errada, pois buscam viver de acordo com as regras, obedecer, aceitar e acatar. Viver no caos é viver no relativo, buscar alternativas, repensar o que parece certo. Viver no caos é entrar no fluxo da vida: incerta, imperfeita, finita e sem controle.</p>
<p>SER do mundo, FAZER o mundo, e não simplesmente ESTAR no mundo. Fodam-se os objetivos. A gente precisa a reaprender a <em>enjoy the ride</em>.</p>
<p>Se não for assim, melhor ir para a fila do abate.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Via <strong>One Question Interview</strong>, do <a href="http://www.bitpapo.com.br/oqi-com-keid-outsight-sammour/" target="_blank">BitPapo</a>. Entrevistas disruptivas de uma única pergunta. Isso, uma só.</p>
<p>Crédito imagens: <a href="http://flickr.com/photos/dinosonic/" target="_blank">dinosonic</a></p>
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