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Atirador da Noruega, Adolf Hitler e a banalização do mal

Valdir Pimenta

por
em às | Artigos e ensaios, Mundo


Como podemos pensar, ainda nos dias de hoje, no ressurgimento histórico de um movimentos de intolerância? O horror, chamado pela filósofa Hannah Arendt de “banalização do mal”, encontra-se, em nosso tempo, sob uma forma submergida de alteração de práticas de terror e violência.

Nossa memória persiste sob o signo da necessidade de fazer-se jamais esquecer, no imaginário coletivo, a experiência trágica a que grupos humanos foram submetidos.

Never forget

Como isso foi possível? Eis a questão que se coloca àqueles que buscaram e buscam ainda hoje compreender o fenômeno fascista na Alemanha do início do século XX. Ao final da guerra, ninguém jamais foi nazista. Aos fazendeiros, habitantes próximos de campos de concentração e extermínio, a pergunta sobre o cheiro da carne humana que exalava de fornos crematórios não obtinha nenhuma resposta afirmativa. De que maneira o pensamento coletivo se une sob a forma da intolerância? Quais mecanismos permitem e permeiam a formação de uma ideologia extrema?

A intolerância que culminou no nazismo

Durante o século XVI, o termo tolerância surge como uma busca de estabelecimento de padrões que possam estabilizar a convivência entre os grupos religiosos, e por conseqüência, surge seu correlativo: intolerância. Assim sendo, a ideia de reconhecimento da alteridade leva a uma posição ética que resiste à xenofobia, ao racismo, antissemitismo e outras possibilidades de intolerância em relação ao outro.

Sobre do Nazismo, advertia a mesma Hannah Arendt:

“Não há história mais difícil de narrar em toda História da humanidade. Dentro dela há apenas aflição e desespero”.

O chamado “mito da eleição”, ou seja, aquele que determina a formação de uma chamada “pureza” e fornece a base da ideologia de “raça”, concretiza-se no Estado legítimo extremista, que encontra a necessidade de caracterizar os “não-iguais” e, assim, justificar sua própria existência.

Em 1938, Adolf Hitler foi escolhido homem do ano pela revista norte-americana TIME. Era o momento em que a estrutura do Partido Nacional-Socialista Alemão (Nationalsozialistishe Deutsche Arbeiterpartei), de abreviação Nazi, tomava proporções internacionais e as ambições totalitárias do Führer (condutor, líder, chefe) eram cada vez mais temidas e o início da guerra eminente.

Algum tempo antes, em 1923, após a organização da SA, primeiro destacamento militar do Partido Nazista, uma tentativa de golpe de Estado em Munique, comandado por Adolf Hitler e o general Erich Luderndorff acabou de maneira frustrada. A tentativa de obrigar o comando do exército a proclamar uma revolução nacional não funcionou e Hitler acabou preso e levado a julgamento.

A prisão, em vez de minar Adolf Hitler, foi o primeiro degrau de sua ascensão. Naquele momento, ninguém imaginava isso

O futuro Führer não se permitiu abalar, ao contrário, talvez esse momento tenha sido de vital importância para a difusão da imagem de Hitler na Alemanha, a propaganda daqueles que atentaram contra o governo acabou por ser extremamente vantajosa. Por outro lado, observaram que a chegada ao poder precisava ser feita por meios legais. Hitler fora condenado a cinco anos de prisão, tendo cumprido somente alguns meses. Nesse período se dedicou à produção de seu manifesto, Mein Kampf (Minha Luta).

Da história para os dias de hoje

Anders Behring Breivik. Nascido em 1979, na Noruega.

Oslo, capital do país, 22 de Julho de 2011. Primeiro Ato: 15h20min, uma forte explosão na zona de edifícios governamentais ocorre na área onde fica o gabinete do primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg. Cerca de 8 mortos. Segundo Ato: poucas horas depois, na Ilha de Uttoya, Breivik, armado, abriu fogo contra estudantes que faziam um acampamento organizado pela juventude do Partido Trabalhista Norueguês, partido este atualmente no poder. Cerca de 69 mortos. O julgamento de Anders Breivik teve início na última segunda-feira, 16 de Março.

Após ter as algemas retiradas na primeira sessão do julgamento, Breivik colocou a mão sobre o peito, fechou o punho e ergueu o braço. Começa assim uma série de relações que podemos estabelecer entre o fenômeno Nazista e a figura de Adolf Hitler e aquilo que podemos chamar de pretensões, conscientes ou não, de Anders Breivik. Segundo Martin Winkler, “A saudação romana”, o registro mais antigo acerca do gesto seria o identificado no “Juramento dos Horácios”, de Jacques – Louis David, datado de 1784.

Séculos mais tarde, o sinal foi adotado por diferentes grupos, nazistas, comunistas, puristas arianos, panteras negras, feminismo, grupos de defesa da liberdade civil e etc. Porém, o termo saudação romana foi atribuído aos fascistas durante a década de 1920. É notório, dessa forma, observar que o gesto é carregado de intensidade política e ideológica.


Link YouTube | Um gesto dos mais simples, carregado com todos os sentimentos do mundo. Os romanos inspiraram Hitler, que agora inspira o atirador da Noruega

Nas Olimpíadas de 1968, Tommie Smith e John Carlos foram suspensos pelo Comitê dos Estados Unidos da Amércia após protestarem com o gesto durante a cerimônia de entrega de medalhas. O gesto marcou os Panteras Negras, grupo que ficou famoso nos Estados Unidos e no mundo pela defesa dos direitos dos negros e contra a segregação racial. Para Breivik, a saudação com o punho cerrado significa “força, honra e desafio contra os tiranos marxistas da Europa”.

Mais relações entre Breivik e Hitler

O rapaz apresentou-se ao tribunal como escritor. Assim como Hitler na prisão, ele redigiu um manifesto com mais de 1.500 páginas, onde expõe detalhadamente sua visão de mundo e as justificativas que permeiam seu pensamento: Ultranacionalismo de extrema Direita, Contrário ao Multiculturalismo em que a Europa se encontra e contra o Islamismo, que por sua vez estaria cada vez mais invadindo o território europeu. Seus princípios: “Ideologia da Esperança” (força, honra, sacrifício e martírio).

Nos regimes totalitários, sobretudo no Nazismo alemão, encontramos o forte sentimento de grupo, que caracteriza a ideia de nação forte e superior, um projeto de base para a juventude, no sentido de moldar as gerações futuras e uma máquina ideológica da propaganda capaz de unir o grupo em torno do culto ao chefe. Fazendo uma leitura própria de John Stuart Mill (filósofo e economista inglês), Breivik citou:

“Uma pessoa com uma crença equivale à força de 100 mil que só têm interesses”.

É possível ainda observar a forma com que o extremista modificou o corte de cabelo, dos tempos em que mantinha uma página em uma globalizada rede social (no início do artigo) e a forma como se apresentou ao julgamento durante a semana, algo que sem dúvida se assemelha ao visual mantido pelo líder nazista no passado. Quais seriam suas intenções? Difícil conclusão. Breivik afirma, citando desta vez Winston Churchill: “Os fascistas do futuro dirão que não são fascistas”, e ele estava certo, diz o acusado: “It´s not fascism when we do it, é contra a submissão, o multiculturalismo e o Islã”.

Só faltou plagiar o bigode característico do ditador alemão. Mas aí ele seria chamado de hipster, não Hitler

Anders Breivik se diz parte de um grupo maior formado por células independentes, os “Cavaleiros Templários”, que estariam agindo em diferentes regiões da Europa entre reuniões e manifestos, segundo ele: “Sou uma célula autônoma e independente, e estou em contato com outras duas”. O número usado por ele, 2083, representaria o ano do fim de uma guerra civil onde a Europa triunfaria e seria feita a “Declaração de Independência Européia”.

Este argumento acabou por gerar algum desconforto, quando o acusado se disse ridicularizado no tribunal, fato ocorrido por acreditarem que possa tratar-se somente de um delírio ou estratégia do acusado no sentido de tentar afirmar a existência de um grupo e, por conseqüência, de um pensamento coletivo semelhante ao seu.

Segundo o Diário Liberal Holandês, “o julgamento do suposto assassino em massa, Anders Breivik, não deve se tornar uma plataforma para difundir suas ideias. Acima de tudo, a questão será se se Breivik pode usar o tribunal como palco político e de mídia. O culpado vai usar o julgamento para erodir ainda mais o sistema jurídico, não mais com armas, mas com palavras”.

Buscando evitar essa exposição, os depoimentos tomados de Breivik não foram abertos ao público. A discussão acerca do Estado de Direito e a forma como deve proceder a justiça norueguesa acabaram por tomar proporções grandiosas em todo o mundo. O Checo Liberal Diário afirmou que é “fundamental para um sistema legal civilizado que ao acusado deve ser concedido o direito de se defender”, e conclui afirmando que a “democracia deve ser forte o suficiente para lidar até mesmo com tais horrores de forma imparcial”.

Qual será o desfecho?

O veredicto é aguardado para julho e, caso seja responsabilizado, Breivik cumprirá 21 anos de prisão, podendo essa ser prolongada enquanto for considerado perigoso. Há ainda a possibilidade de um tratamento psiquiátrico sem tempo determinado.

Historicamente, não podemos imaginar que o tratamento deferido a Adolf Hitler, quando da ocasião de seu julgamento, possa servir como parâmetro para o episódio contemporâneo que envolve Anders Breivik. O antropólogo, também norueguês, Fredrik Barth, afirmou que “a etnicidade não é um conjunto intemporal, imutável de traços culturais (crenças, valores, símbolos, ritos, regras de conduta, llíngua, código de polidez, práticas de vestuário ou culinárias etc.), transmitidos da mesma forma de geração para geração na história do grupo, ela provoca ações e reações entre este grupo e os outros em uma organização social que não cessa de evoluir”.

A história do mundo anda em espiral e o passado nos faz analisar o futuro

*Tradução do pôster: “A Grécia está em colapso, iranianos estão ficando agressivos e Roma está toda em desordem. Bem vindos de volta a 430 A.C.

A permanência de ideologias de extrema direita está presente nas sociedades modernas assim como diversos modelos de pensamento que alimentam a singularidade e a coletividade humanas. A ideia de estranhamento caracteriza os grupos enquanto determinantes étnicos e, em momentos peculiares, revela facetas ignoradas ou mascaradas pela sociedade. A questão do ódio e, sobretudo, da violência, é real.

Hannah Arendt que iniciou o artigo, também o termina:

“O inferno não é mais uma crença religiosa nem um delírio da imaginação, porém, algo tão real quanto as casas, as pedras e as árvores que nos rodeiam”.

Portanto, que não nos seja estranho aquilo que nos é realidade.

Valdir Pimenta

Historiador, tem especialização em História Social e Ensino de História. Mestre em História Social com ênfase em Religiosidades, Judaísmo e Intolerância. Professor no Ensino Superior e na Rede Pública de Educação. Interesse nas Artes, literatura, poesia e cinema. Ainda escreverá um romance.


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  • Gustavo Esquive

    E vemos na França Marine Le Pen com 20% dos votos nesta última eleição, o que nos leva a crer que, infelizmente, dias piores virão.

    • André Martins

      Le Pen sempre consegue 20% ou Le Pen aumentou sua influência para 20%? O segundo caso é bastante preocupante.

  • Adriano

    Longe de querer defender Hitler e seu regime nazista, mas sempre que citam coisas como intolerância e genocídios o nome de Joseph Stalin fica de fora?

    • Vanquish

      Não só Stalin mas o comunismo/socialismo como um todo.

  • IcaroFernandes

     Irônico é numa sociedade governada, regida, aplaudida e povoada pela direita política, sempre utilizar exemplos de intolerância praticados pela própria direita. Lembrar das atrocidades, frutos da intolerância, praticados por um Kmer Vermelho, por uma China Maoista, de certas perseguições e extermínios a judeus, ciganos, cristãos ortodoxos, e inumeras minorias, por parte do antigo regime soviético também é de extrema importancia. Entender que a intolerância não é exclusiva de apenas uma linha de pensamento político, religioso e social revela uma faceta mais cruel das relações humanas. O ser humano parece possuir um desejo de se definir enquanto individuo, ao mesmo tempo pertencendo a algum coletivo com o qual se identifica. Antropologos, como Lévi-Strauss, já ensinaram que a formação de identidades é feita a partir da dinâmica  inclusão/exclusão, se identificando e se incluindo com o que consideraria primariamente ‘legal’ ‘interessante’ ‘bom’ e excluindo o inverso, o ‘ruim’ ‘chato’ ‘mau’ – o que não sou eu, e portanto é o ‘outro’. O perigo sempre esta no traçar dessa linha, entre o ‘eu’ e o ‘outro’. Casos como o do atirador norueguês, assim como a recente tentativa frutrada de atentado à alunos de Ciências Social da UNB (http://www.noticiasbr.com.br/policia-federal-prende-grupo-que-planejava-atentado-contra-alunos-da-unb-47824.html) são apenas uma faceta perigosa da definição de identidades. Quando uma torcida de futebol, ou algum torcedor se arma e promove a violência contra a torcida de de um time ‘adversário’ -na maioria esmagadora das vezes é como os jornais e grandes veículos de comunicação colocam-: a justificativa é sempre a mesma: ”ele é ruim, é o inimigo, se ele é meu inimigo tem que ser combatido antes que eu seja combatido”. O discurso da intolerância é o mesmo em toda história da humanidade.  

  • http://twitter.com/Victor_Aguiar Victor Aguiar

    Um app de vcs pro Iphone seria bom!

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Victor, o plano é ainda em 2012 sair o nosso app – para android e iphone. ;D

      • http://www.facebook.com/rodrigosantiago Rodrigo Santiago Juacaba

        E pro Blackberry, não rola?

  • http://profiles.yahoo.com/u/GKFMTD3TXJGM4KSDM4RN4HP444 Osmar

    O problema é que o ser humano é deverás influenciável. Esse maluco de terno, bem vestido, boa aparência, defendendo idéias (por mais que sejam insanas), disposto a matar e morrer por seus ideais, fazendo uma saudação carregada de simbologia e força (mesmo que os ditos influenciáveis não entendam o significado) e o mundo inteiro vendo essa merda exaustivamente pela TV. Pode acreditar, vai dar mais merda!

  • Luciano

    Dão muita importância pra essa merda.

    Prisão e pronto. Muita mídia muito mimimi, o que esses caras gostam ? de ATENÇÃO, fazem coisas dessa magnitude pra chamar atenção, pra reunir seguidores, pra difundir seus ideais.

    E nós muito espertos divulgamos por meses esse monte de baboseira. Porra o cara é um nojento assassino, deviam postar fotos dele sendo torturado e na cadeia , não um julgamento com ele se emocionando e apresentando suas justificativas.

    Concordando com o Osmar aí em cima, vai dar mais merda. !

  • Heitor

    “Nossa memória persiste sob o signo da necessidade de fazer-se jamais esquecer, no imaginário coletivo, a experiência trágica a que grupos humanos foram submetidos.”
    Foram e ainda são submetidos, a exemplo da recente crise de alimentos na África, que sempre ameaça voltar (ou seria permanente?).

    Não se trata de uma guerra, mas, de qualquer forma, retrata o descaso humano para com um grupo, notadamente em função da raça.

  • Tiago

    Seu texto realmente é muito bom, ótima argumentação e formatação, porém, limitar-se a ladainha atirador maluco nazista racista de extrema-direita é muuuuito, mas muuuito fácil, e erra completamente o alvo. Aliás, quem não mora ou morou na Europa nos últimos 30 anos não tem a menor noção do movimento silencioso que vem tomando de assalto a Europa Ocidental inteira. Deixem de ter como base os tradicionais meios de comunicação brasileiros, e procurem algo mais verdadeiro. Eu morei em 3 lugares completamente distintos dentro da Europa (sul da Espanha, Norte da França e Londres), mas com algo em comum entre todos: a invasão muçulmana. Vi com meus próprios olhos o desrespeito com q boa parte dos maridos tratam as mulheres, a desproporção entre os 6, 8 filhos que uma família muçulmana tem e os 2 filhos q os ocidentais penosamente criam. As leis e regras elementares dos países sendo solenemente ignoradas, em nome das suas crenças e imbecilidades.

    É muito fácil falar sobre a ‘banalidade do mal’ estando há 10.000kms de distância, ou ser diretamente envolvido no episódio, mas sendo a vítima. Não defendo as atitudes do atirador, nem ele em si, mas se mais pessoas tentarem deixar esse vernizinho politicamente correto e colocarem o dedo na ferida, vão ver que a Europa Ocidental está SIM em perigo. A própria primeira-ministra alemã admitiu isso em 2010, quando disse que o multiculturalismo falhou, vendo as dificuldades que os imigrantes turcos e seus descendentes tiveram (e tem) em se mesclar na sociedade germânica atual, de longe a mais tolerante e pamonha da milenar história alemã.

    Por fim, Hitler, campos de concentração (que foram uma invenção inglesa do final do séc XIX), xenofobia, nacionalismo, atirador da Noruega, multiculturalismo, todos produtos do seu tempo. Nossa cabeça ‘democrática’ nos permite olhar os episódios por um lado, sendo que geralmente eles possuem mais de um. Acredite no que você quiser, mas pode ter certeza, sempre haverá um outro lado.

    • http://www.facebook.com/rodrigosantiago Rodrigo Santiago Juacaba

      Boa, Tiago.

    • http://www.facebook.com/valdir.pimenta Valdir Pimenta

      Bom Tiago, o termo “campos de concentração” foi pela primeira vez utilizado pelos britânicos no final do século XIX e início do século XX durante a chamada Guerra dos Bôeres, mas sua aplicação não remete a isso, o arame farpado enquanto recurso permitiu o isolamento de grandes áreas a um custo baixo. O sistema foi aplicado inicialmente pela Coroa espanhola durante o processo de independência de Cuba, também no final do século XIX, mas alguns anos antes. De qualquer forma esse é só um dado histórico, o qual você não precisa dominar com exatidão. Me parece muito mais interessante sua visão enquanto residente, ainda que por um curto período, de diferentes regiões da Europa. Me parece também, como você coloca, ser uma igual “ladainha”, dizer que há um movimento “silencioso” que toma de assalto o continente europeu, é uma mesma “ladainha” criticar hábitos de comportamento, normas de conduta, crenças ou qualquer outro tipo de valor. Quero dizer com isso que a alteridade é sempre uma questão de posicionamento, compreende? Não é difícil encontrar exemplos, na história cotidiana recente da Europa, atos de extrema atrocidade contra mulheres e filhas cometidos por europeus “legítimos”. Enquanto historiador, preciso estar atento a todas as formas de manifestação, sejam os meios de comunicação brasileiros ou anais acadêmicos da Sorbonne. Poder falar sobre isso não é privilégio de personagens presentes, fosse assim a História seria contada somente por personagens presentes e por consequência alguns assuntos não poderiam mais ser comentados, visto que tais personagens não existem mais. De qualquer forma, concordo com o que disse e acredito que serve pra você também, ou seja, acredite no que você quiser, mas pode ter certeza, sempre haverá um outro lado, e acrescento que haverá outro e outro e outro e outro lado. Um outro foco, um outro alvo, esta é a intenção, o diálogo. Não expus aqui verdade alguma, somente argumentos referenciados para o conhecimento e crítica de todos. Afinal, o alvo correto existe quando acreditamos naquilo que queremos acreditar, como Breivik, como contrário a cultura islâmica, como torcedor deste time e não daquele e etc, etc. Por fim, me parece tão fácil argumentar contra ou a favor que deste ponto de vista seria apenas uma questão retórica. Abraço…..

  • João Carneiro

    Esse cara ai é só um louco doente mental nunca ele seria capaz de criar um movimento real de massas , ninguém seguiria um homem que matou inocentes de forma tão truculenta ( Hitler fez mas escondia seus atos e só fez isso após ascender ao poder e conseguir essa coesão do povo alemão) . Pode ser que as idéias facistas e nazistas tenham incentivado esse cara , mas duvido muito que os atos dele gerem algum movimento de grandes proporções.Até porque acredito que ele vai ficar no manicômio judiciário pelo resto da vida.

    É verdade que conforme vemos em reportagens após essa crise financeira existe esse problema de preconceito contra estrangeiros na Europa que vem crescendo cada vez mais,  e mais cedo ou mais tarde isso pode trazer problemas e ai sim criar algum movimento nacionalista perigoso.
    O problema desses europeus é que continuam com essa visão colonialista , nunca o problema é deles , é sempre problema dos países pobres que migraram pra lá e tiraram os empregos deles , é essa alfandega espanhola que tem obsessão em maltratar brasileiros , é a Argentina que não pode nacionalizar seu petróleo , é engraçado de como sempre o problema vem dos países pobres e nunca desse sistema financeiro que dá credito pra todo mundo , mas não dá condições de pagamento realistas pro povo .
    Ao invés de dar emprego ficam enchendo o cú de banqueiro de dinheiro , atacar o povo pobre todo mundo quer já atacar os grandes monopólios ninguém tem coragem

  • Guferre

    Mais um excelente texto. Apenas uma contribuição: existe uma tênue conexão sócio-econômica entre a ascenção de Hitler e atos como o de Breivik, e que desemboca num estinto dos mais rupestres da humanidade, que é o de sobrevivência. A Alemanha das décadas de 20 e 30 do século passado, palco para ascenção do regime fascista de Hitler, passava por um momento de crise (como todo o resto do mundo, decorrente da crise de 1929), porém ainda com a perda da I Guerra Mundial e a humilhação de reparar financeiramente a França pelos prejuízos da guerra “entalada” na garganta. Num cenário de total descrença política e necessidade de ressurgimento, faz o campo mais fértil para a ascenção de um regime totalitarista. Esse regime busca, no mais primário dos sentimentos – o de sobrevivência – o apelo ideal para o sucesso, que é a busca por iguais para formação de uma unidade.

    Num cenário muito parecido, no qual o principal pano de fundo é a crise econômica européia atual, idéias de busca pelos iguais encontram terreno fértil para propagação. A criação de uma identidade comum, com a exclusão dos “diferentes” passa a encampar o melhor apelo para superação da crise e restabelecimento de uma identidade cuja pureza de fato nunca existiu, e sequer, caso existisse, teria sido abalada por diferenças de crença, raça ou gênero. Infelizmente as sociedades, principalmente européias, tendem a ressurgir movimentos de “união” ao menor sinal de fragilidade, seja ele econômico, social ou financeiro. Isso é exemplarmente retratado no filme de produção alemã, dirigido por Dennis Gansel, chamado “A Onda” (Die Welle, em alemão), o qual recomendo como complemento ao post do Valdir.

    Grande abraço.

    • IcaroFernandes

      Aproveitando sua recomendação de filme imendo aqui ‘A Fita Branca’ (Das Weiße Band -título original) que trata exatamente dessa idéia, de forma sutil, mas extremamente voraz.

      • http://www.facebook.com/valdir.pimenta Valdir Pimenta

        Ambos os filmes são bastante interessantes para também fundamentar a questão. “A fita branca”, como colocou nosso comentarista acima, é um ótimo filme e tem realmente uma sutileza no trato. Fotografia incrível. Aborda o tema densamente e faz valer a Palma de Ouro conquistada em Cannes (2009). “A Onda”, por outro lado, é uma obra que nos traz uma reflexão na contemporaneidade de caminhos possíveis, sujeições, ideologias, estímulo e conflito em uma escola alemã. Vale muito a pena conferir os dois filmes! E já pelo assunto, acrescento mais dois à lista: Europa (1991), de Lars Von Trier e Kedma (2002), de Amos Gitai. Indico estes pela peculiaridade do foco dentro do tema geral. Abraço….   

    • http://www.facebook.com/rodrigosantiago Rodrigo Santiago Juacaba

       Cara, acho que o buraco é mais embaixo. Passa por todo um conflito de ideais de identidade de uma nação versus multiculturalismo/cosmopolitismo…

  • Esaigh

    Excelente texto.

  • http://www.facebook.com/people/Raphael-Vila/1771218112 Raphael Vila

    E como dizia Raul, as sociedades alternativas existem, e estão em toda parte, somente esperando o momento de agir.
    Gostei muito do texto, pois nos leva a pensar o que será estranho se essa é nossa realidade!

  • Vinicius Ragghianti

    Excelente o texto… principalmente pelo alerta que faz!

    No entanto, fiquei com uma “pulga” atrás da orelha… Qual é o pecado que se comete ao chamar o “atirador” de “terrorista”?  Porque ninguém o chama desta forma?

    Indo fundo nos clichês, se fosse um muçulmano ele não seria chamado de “atirador”… concorda?

    • http://www.facebook.com/people/Nayane-Marques/100002100271280 Nayane Marques

      Concordo plenamente Vinícius, é a “boa” e velha rotulação. Como não é muçulmano, árabe, barbudo e adorador de Allah não merece o título de terrorista. 

    • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

      Inclusive é “esquecido” da história, os numerosos casos de terroristas comunistas que assolaram diversos países a Europa no periodo pós-guerra entre 1960 e 1980. Atentados c/ bomba e essa coisa toda não é invenção do Oriente Médio.

      O terrorista Cesare Battisti é um exemplar dessa época.

      • Fábio

        Também está sendo “esquecido” da história, os numerosos casos de terroristas americanos que assolam diversos países do Oriente Médio no atual período da “Guerra contra o Terror” de 2003 até os dias de hoje. Atentados a tiros contra dezenas de pessoas desarmadas e essa coisa toda não é invenção de norueguês.

        O terrorista Robert Bales, da base militar americana de Kandahar, no sul do Afeganistão, é um exemplar desta época.

      • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

        Desculpe, mas sinto informar que o número de mortos pelos americanos, não chega nem perto da matança entre os próprios muçulanos, que realizam entre si. A guerra Irã x Iraque que teve inicio em 1982 põe no bolso todo o conflito palestinoxisrael e as invasões americanas juntas.

    • http://www.facebook.com/valdir.pimenta Valdir Pimenta

      Ao meu ver, Vinicius e Nayane, enquanto historiador, vejo a questão como mais uma dentro de uma série de terminologias que são popularmente difundidas pelos meios de comunicação. Ao redigir meu artigo, não utilizei o termo para não estar de acordo com nomenclaturas pré-estabelecidas, ou como dizem, para não rotular dessa maneira ou daquela. Sobretudo quando na historiografia contemporânea não há tal necessidade. 

  • Ceci

    A Europa abre as portas à imigração quando é conveniente ter mão de obra barata e acusam estes mesmos imigrantes de serem os responsáveis por seus problemas em tempos de crise econômica. A Europa apoia os conflitos armados no Oriente Médio quando é conveniente estar do lado da supremacia bélica americana e reclama quando os refugiados buscam casa, trabalho, paz ou asilo político em seu território. Dá pra perceber o quanto eles são ou pretendem ser o umbigo do universo, e enquanto isso a exploração continua..

  • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

    Ótimo texto. 

    O meu temor é ficar pensando quantas pessoas estão se inspirando no “exemplo” desse cara aí… 

  • Aldo

     Khmer vermelho, liderados por  Nuon Chea, Ieng Sary, Son Sen,  um dos piores massacres do século 20. 2 milhões de pessoas mortas. E há ainda as ditaduras da África, essas a mídia nem trisca. Uma ”notiazinha” se quer. Nem ruim, e nem…boa. Aliás o que tem de bom na África.?!

    E na Rússia, uma lei nacional onde uma pessoa que simplesmente falar a palavra gay em tv´s, teatro ou propagandas dá cadeia ou multa de 170 rublos.  

    Rapazes, a II guerra mundial ainda não acabou. 

  • http://www.facebook.com/people/Fernando-Borges/100000014917410 Fernando Borges

    Baita texto cara…parabens…

    Tenho uma certeza, o Facismo nunca acabou.  Somente encontrou outras formas para agir.

    Entendo que para eles, o importante é que ainda sua raça seja a dominante do mundo. Para isto, é necessário que enfraqueçam as demais etnias, culturas e povos que sejam diferentes deles,ameaças ao estilo de vida que eles julgam certo.

    Eles são inteligentes, não precisam jogar muitas bombas nestes locais. A estrategia principal é fazer com que esses povos se destruam entre si (vejam a África e Oriente Médio). A mídia tem mta influência nisto.

    Além de estimular o ódio entre nações rivais, não perdem tempo em dar nomes aos responsáveis por ataques contra civis ou governos em regiões pobres do mundo – Terroristas ou  Narcotraficantes – deixando clara a intenção de desvalorizar aquele lugar, barbarizar a população daquele local reduzindo a meros marginais sem nenhum tipo de ideologia. Porem, para um assassino frio e sem motivo, dão o nome de extremista de direita, e ainda expõem partes de sua “Filosofia” que ele tenta se apoiar para explicar a barbaridade que fez com aquelas tantas pessoas. Dois tipos de visões para um mesmo crime.

  • Marcos Augusto Nunes

    Faltou citar que “Todo documento de civilização é também um documento de barbárie” (Walter Benjamin), e vice-versa, como o tal do Anders Breivik, que é a expressão pronta e acabada de nossa civilização e nossa barbárie.

    No mais, a preocupação direitopata em, um texto sobre nazismo, citar crimes análogos cometidos por governos de (supostamente) esquerda. A matéria tem como ponto de partida um infeliz que propaga teses nazistas, não comunistas. Ponto. Não se busca “equivalência” entre crimes. Ou vocês acham que crimes são perdoáveis por se equivalerem? Ou vocês acham, que devemos contar os mortos para saber quem é mais genocida? O que significa isso?

    Invasão muçulmana na Europa: apenas a reversão da invasão econômica européia na África, em paralelo à ação política que compôs governos ditatoriais, todos sob influência direta das nações européias, como regimes títeres. O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf assinalou que, caso o Afeganistão recebesse livros e não bombas do Ocidente, ele, o Afeganistão, seria menos vulnerável a qualquer gênero de fundamentalismo – mas aí está o problema: se o “fundamentalismo islâmico” não interessa ao ocidente (não mesmo?), o “fundamentalismo político” interessa, principalmente quando ele, hipocritamente, “vende” democracia e entrega ditaduras.

  • Marcos Augusto Nunes

    Faltou citar que “Todo documento de civilização é também um documento de barbárie” (Walter Benjamin), e vice-versa, como o tal do Anders Breivik, que é a expressão pronta e acabada de nossa civilização e nossa barbárie.

    No mais, a preocupação direitopata em, um texto sobre nazismo, citar crimes análogos cometidos por governos de (supostamente) esquerda. A matéria tem como ponto de partida um infeliz que propaga teses nazistas, não comunistas. Ponto. Não se busca “equivalência” entre crimes. Ou vocês acham que crimes são perdoáveis por se equivalerem? Ou vocês acham, que devemos contar os mortos para saber quem é mais genocida? O que significa isso?

    Invasão muçulmana na Europa: apenas a reversão da invasão econômica européia na África, em paralelo à ação política que compôs governos ditatoriais, todos sob influência direta das nações européias, como regimes títeres. O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf assinalou que, caso o Afeganistão recebesse livros e não bombas do Ocidente, ele, o Afeganistão, seria menos vulnerável a qualquer gênero de fundamentalismo – mas aí está o problema: se o “fundamentalismo islâmico” não interessa ao ocidente (não mesmo?), o “fundamentalismo político” interessa, principalmente quando ele, hipocritamente, “vende” democracia e entrega ditaduras.

  • Marcos Augusto Nunes

    Faltou citar que “Todo documento de civilização é também um documento de barbárie” (Walter Benjamin), e vice-versa, como o tal do Anders Breivik, que é a expressão pronta e acabada de nossa civilização e nossa barbárie.

    No mais, a preocupação direitopata em, um texto sobre nazismo, citar crimes análogos cometidos por governos de (supostamente) esquerda. A matéria tem como ponto de partida um infeliz que propaga teses nazistas, não comunistas. Ponto. Não se busca “equivalência” entre crimes. Ou vocês acham que crimes são perdoáveis por se equivalerem? Ou vocês acham, que devemos contar os mortos para saber quem é mais genocida? O que significa isso?

    Invasão muçulmana na Europa: apenas a reversão da invasão econômica européia na África, em paralelo à ação política que compôs governos ditatoriais, todos sob influência direta das nações européias, como regimes títeres. O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf assinalou que, caso o Afeganistão recebesse livros e não bombas do Ocidente, ele, o Afeganistão, seria menos vulnerável a qualquer gênero de fundamentalismo – mas aí está o problema: se o “fundamentalismo islâmico” não interessa ao ocidente (não mesmo?), o “fundamentalismo político” interessa, principalmente quando ele, hipocritamente, “vende” democracia e entrega ditaduras.

    • http://www.facebook.com/valdir.pimenta Valdir Pimenta

      Ótimos apontamentos Marcos. Muito bom seu comentário, leitura ímpar e consciente do texto. Abraço… 

  • Pingback: Pessoas que ateiam fogo em si não são malucas | PapodeHomem | Espaço exploratório do masculino

  • samuca

    Anders representa é a direita que a esquerda adora. É muito fácil e óbvio falar mal de um homem que matou dezenas. Difícil mesmo é falar mal de alguém de bom caráter que não é socialista.

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