As 8 preocupações mundanas

Gustavo Gitti

por
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Em qualquer situação ou relação, não importa a tal da nossa “personalidade”, somos bastante previsíveis, fisgados por quatro jogos, quatro dinâmicas que nos arrastam de um lado ao outro. Ringues nos quais entramos e somos surrados sem entender direito o que acontece.

Vou descrever o funcionamento desses jogos de um jeito bem simples e deixo com vocês a tarefa de contemplar a própria vida para comprovar se tais preocupações existem mesmo ou se vocês já estão livres – já adianto: eu estou longe de ser.

As oito preocupações mundanas consistem em 4 diferentes pares de esperança e medo (que são como o côncavo e o convexo) em diferentes contextos, como se só a forma do anzol variasse. Num outro sentido, eles são variações de apego e aversão que nos movem e projetam significações na realidade, estreitando nosso mundo.

Em qual tipo de bolha você vive?

Não há nenhum problema em preferir o sucesso ao fracasso, por exemplo; é algo até saudável. A confusão está em acreditar que o sucesso é uma fonte de felicidade autêntica, pelo qual deveríamos nos preocupar, nos esforçar, nos motivar e andar pelo mundo.

Esperar por elogios e temer críticas

Por mais sábios, seguros e confiantes que possamos ser, é muito raro uma pessoa não esperar alguma forma de elogio e não ficar desconfortável ou mesmo perturbada com críticas após executar um trabalho, fazer um discurso, publicar um texto ou mesmo soltar uma frase no Twitter.

Elogios são ótimos, claro; o problema é esperar por eles e se afligir por sua ausência e por seu oposto. Se formos capazes de nos mover fora desse cubículo onde nos preocupamos em ser elogiado ou se defender de críticas, teremos muito mais espaço para respirar e agir livres dessa tensão.

Buscar a fama e evitar o esquecimento

Fama e insignificância, louvor e culpa, boa reputação e rejeição, prestígio e desonra, eis alguns nomes para essa nossa necessidade de receber atenção e não ser ignorado. Temos medo do ridículo, não queremos passar vergonha, mas também não gostamos de ficar no completo anonimato, na obscuridade existencial, sem receber nenhum olhar de aprovação nos glorificando.

Em relacionamentos amorosos e até no meio corporativo, o medo de rejeição causa grandes estragos, assim como a busca por louvor e prestígio. Meu professor de Taketina sempre diz que a melhor posição é aquela além de “blame or praise” (culpa ou elogio), além de vaia e aplauso, na qual não precisamos nos orgulhar quando tudo dá certo e é desnecessário nos culpar quando tudo dá errado. Em qualquer outra posição, ficamos frágeis, facilmente perturbados.

Abrimos esse espaço todo para as celebridades na tentativa velada de algum dia o ocuparmos.

Desejar a vitória e fugir da derrota

Queremos ganhar, não queremos perder, não importa se estamos lidando com objetos, imóveis, pessoas, times de futebol ou com a própria vida. Além do impulso de aquisição e do desconforto com a perda, sempre estamos nos preocupando em nos darmos bem, em ter sucesso, em não falharmos ou fracassarmos.

É irônico como a própria busca pelo sucesso termina por nos aproximar do fracasso. Não apenas porque sofremos e nos tensionamos, mas porque a motivação de sucesso pessoal é muito restrita. Quando queremos nos dar bem, não enxergamos longe, ficamos cegos para onde, de fato, poderíamos nos dar bem.

Ansiar pelo prazer e rejeitar a dor

Acreditamos que a felicidade vem dos estímulos de prazer, seja sensorial, emocional, mental e até “espiritual” (na salada nova era autoajuda em que estamos). E pensamos que o sofrimento acontece quando tais estímulos são negativos ou inexistentes. Não há nada de errado em buscar a felicidade e fugir do sofrimento, querer prazer e evitar dor. De fato, todos os seres vivos fazem isso, de formigas a Marianas e Paulos.

A grande tragédia está em tomar estímulos e elementos externos como sendo a verdadeira causa de felicidade ou sofrimento. Esse processo só aumenta nosso sofrimento pois nunca conseguimos estabilizar um estímulo externo (seja ele uma pessoa, um ambiente ou uma situação) para que nossa felicidade seja sustentada.

Além disso, essa busca pela felicidade está criando seres que são incapazes de lidar com a dor e, portanto, anestesiados para o grande prazer e a felicidade verdadeira que vem de estar vivo, presente, atento, aberto, relaxado, disponível, livre do autocentramento, fora da própria cabeça.

Somos patéticos e previsíveis, então podemos sorrir.

Se tentarmos lutar contra tais dinâmicas, se tentarmos reprimi-las, apagá-las, negá-las, viver sem elas, é muito provável que não encontremos logo de cara outro processo para substitui-las ou que apenas aumentemos sua força, como se a parede (que sempre foi inofensiva) começasse a fazer nossa mão sangrar porque começamos a esmurrá-la.

Se nos debatemos, até uma coisa inofensiva pode nos fazer sangrar.

Se apenas cedermos a esses jogos e ficarmos vivendo dentro dos limites desses quatro ringues, vamos perder tempo, nos preocupar, nos esforçar e o máximo que vamos conseguir se resume a elogio, fama, ganho e prazer. E nada disso vai nos satisfazer de verdade, nada disso trará felicidade genuína.

Em vez de nos opor ou nos entregarmos, podemos apenas ficar, observar e viver com um sorriso no rosto em meio a todos esses jogos previsíveis. Não somos nós que estamos presos às oito preocupações mundanas, são nossas identidades. É o namorado que não quer ser rejeitado pela namorada. É o funcionário que deseja aprovação e elogios do chefe. Nós estamos livres desses mundos e podemos brincar com eles – com uma certa malícia até.

Em vez de viver num mundo de ganho e perda, sucesso e fracasso, fama e insignificância, prazer e dor, podemos entender que essas noções são relativas, que são esferas sem tanta substancialidade, que a realidade não se enquadra e não precisa ser vivida por esses pares.

Podemos nos relacionar com as coisas de modo mais cru, seguindo a visão do grande Walt Whitman:

“Now if a thousand perfect men would appear, it would not amaze me. Now if a thousand perfect women appear’d, it would not astonish me. Now I see the making of the perfect persons: it is to grow in the open air and to eat and sleep with the earth.”

["Agora, se mil homens perfeitos tivessem de aparecer, isso não me espantaria. Agora, se mil formas maravilhosas de mulher aparecessem, isso não me assombraria. Agora, vejo o segredo de como produzir as melhores pessoas: é o de crescer ao ar livre e de comer e de dormir com a terra."]

* Agradeço a Sua Santidade o Dalai Lama, Pema Chodron e Alan Wallace, por quem tomei conhecimento das oito preocupações mundanas.

Oferecimento: Bic Comfort 3 – Homem bem-feito

O site “Homem bem-feito”, que divulga o barbeador Bic Comfort 3, tem um nova seção dedicada ao bom humor com cenas hilárias ou bizarras, mostrando como somos mesmo patéticos e como não dá para viver com tanta seriedade. Você pode votar ou postar imagens e vídeos por lá também: www.homembemfeito.com.br/hands.

Já adianto que no dia 13/10 eles vão começar uma promoção cujo prêmio é um iPhone 4. Fiquem ligados no Twitter @homembemfeito.

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Gustavo Gitti

Quase professor de TaKeTiNa, baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É editor do PapodeHomem, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e caseiro da Cabana PdH. No Twitter: @gustavogitti.


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56 comentários

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  • http://twitter.com/johnnyschulte João Vitor Schulte

    Isso de sempre que vamos fazer uma coisa ficar esperando uma “recompensa” realmente sempre atrapalha, quando o resultado não é o esperado parece que o mundo esta desmoronando em nossas costas, mesmo quando é uma coisa totalmente sem importância, pelo simples fato de encararmos isso como uma derrota! Muito bom o texto Gitti Parabéns!

  • http://twitter.com/johnnyschulte João Vitor Schulte

    Isso de sempre que vamos fazer uma coisa ficar esperando uma “recompensa” realmente sempre atrapalha, quando o resultado não é o esperado parece que o mundo esta desmoronando em nossas costas, mesmo quando é uma coisa totalmente sem importância, pelo simples fato de encararmos isso como uma derrota! Muito bom o texto Gitti Parabéns!

  • http://www.facebook.com/barreto.diogo Diogo Barreto

    A questão é o valor que você dá para determinados sentimentos. Não digo tentar controlar, mas apenas lidar de forma diferente.

    A boa é sempre relaxar e rir diante de qualquer adversidade. Ter em mente que somos todos iguais e que se olharmos pra dentro de nós um pouco, vamos nos surpreender com quais são os aspectos da vida que realmente importam.

    Ótimo post e excelente frase de encerramento.

  • http://www.facebook.com/barreto.diogo Diogo Barreto

    A questão é o valor que você dá para determinados sentimentos. Não digo tentar controlar, mas apenas lidar de forma diferente.

    A boa é sempre relaxar e rir diante de qualquer adversidade. Ter em mente que somos todos iguais e que se olharmos pra dentro de nós um pouco, vamos nos surpreender com quais são os aspectos da vida que realmente importam.

    Ótimo post e excelente frase de encerramento.

  • Anônimo

    Concordo com quase tudo no artigo.

    Uma ressalva para a sugestão de “felicidade genuína”. Acho que não há nada mais subjetivo, portanto intangível, inalcalcável, que felicidade.

    Porque, ao invés de ir atrás da felicidade, não se ater a destrutar dos pequenos prazeres e…foda-se?

    • Angel

      Realmente,a gente se preocupa tanto com essa tal”felicidade” e ela esta nas coisas mais simples e agente nem percebe.Temos uma espécie de” miopia ” sentimental…a felicidade parece ser um lugar bem longe,onde o mais importante é o caminho que a gente percorre pra chegar la.É esse caminho o grande lance da vida pra ser feliz.

  • Anônimo

    Concordo com quase tudo no artigo.

    Uma ressalva para a sugestão de “felicidade genuína”. Acho que não há nada mais subjetivo, portanto intangível, inalcalcável, que felicidade.

    Porque, ao invés de ir atrás da felicidade, não se ater a destrutar dos pequenos prazeres e…foda-se?

  • http://incelencamalditadopavor.blogspot.com/ Thiago Bastos Zucarini

    Curto-e-Grosso, sem mais. E é verdade, é não recusar o que vem, é não correr de tudo isso que nossas identidades se afligem. É olhar, sentir, respirar, sorrir, e seguir, sabendo que tudo que é bom ou ruim passa, que o que tem que ficar somos nós, em nossa própria natureza.

  • http://incelencamalditadopavor.blogspot.com/ Thiago Bastos Zucarini

    Curto-e-Grosso, sem mais. E é verdade, é não recusar o que vem, é não correr de tudo isso que nossas identidades se afligem. É olhar, sentir, respirar, sorrir, e seguir, sabendo que tudo que é bom ou ruim passa, que o que tem que ficar somos nós, em nossa própria natureza.

  • Zearomm

    Nao gosto muito dessa abordagem do problema, me da a impressão de desapego, uma mudança de valor muito grande, acho que muita coisa que importaria pra mim tambem iria embora caso eu tentasse ve as coisas dessa forma, sumiria a motivação pra muita coisa…

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      “Nao gosto muito dessa abordagem do problema, me da a impressão de desapego, uma mudança de valor muito grande, acho que muita coisa que importaria pra mim tambem iria embora caso eu tentasse ve as coisas dessa forma, sumiria a motivação pra muita coisa…”

      Sim, é mais ou menos isso. hahaha

      Mas o quadro está longe de ser depressivo. Pelo contrário, nossa motivação usual gera quase nada de energia comparado a uma motivação mais ampla.

      • Zearomm

        da forma como eu entendo, a motivação PRA MIM é proporcinal ao valor do objetivo, se eu me desapego eu por consequencia tiro o valor do que quero, e isso abaixa a motivação…

        nao consigo entender como o desapego gera uma motivação maior… (tambem nunca tentei me desapegar, pode ser a falta de experiencia mesmo)

        ob: nao tenho nenhuma intençaõ de trollar nem imbecilidades desse tipo, é que é um assunto que me interessa mesmo…

        Agradeço pela atenção.

    • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

      É uma arte, Zearomm. Quando menos apegado a um determinado resultado, maior é o seu poder em alcançar.

      Um exemplo onde isso fica extremamente claro e possível de provar é em negociações tipo “perde-ganha”. Quanto menos você “precisa” de algo, maiores as suas chances de colocar as suas cartas na mesa e o outro ter que engolir.

      • Zearomm

        entendo que o desapego te de uma liberdade muito maior pra agir… mas acredito que te tire tambem o valor da vitoria.

        tomo o seu exemplo emprestado: na negociação se vc precisar muito vc vai ter medo de arriscar mesmo, mas ai a questão é enfrentar o medo.

        eu sempre vi qualquer tentativa de tirar a importancia do objetivo como uma fuga dos problemas, inclusive abaixar o valor dos seus problemas é uma forma que o inconsciente usa pra defender o ego.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1568952729 Ane Cristi

    Perfeito, era o que eu precisava ler hoje! Fico sempre me analisando tentando saber o verdadeiro motivo de meus sofrimentos. Talvez deva parar e aproveitar a viajem? Parabéns como sempre!

  • Anônimo

    Diogo, – Ter em mente que somos todos iguais.

    Vejo que é essa a principal causa dos sucessos e fracasso. Quantas e quantas vezes nos comparamos com a pessoa do lado, ou nos comparam. Quando comparam é pior porque você se sente na obrigação de buscar algo.

    Mais um post que vale apena ler, parabéns Gustavo pela escrita

  • Anônimo

    Se fosse fazer uma analogia, diria que a nossa sombra seria o nosso “EU” exterior, ou seja, como as pessoas nos vêem. A sombra é, porém, tão somente uma PROJEÇÃO do nosso íntimo diretamente no/sobre o meio exterior: é você quem projeta a sua sombra juntamente com o “meio” ao seu redor. Mas uma coisa que talvez as pessoas estejam esquecendo: ela nunca será você, será sempre, apenas, tão somente uma sombra! =)
    A forma dessa sombra jamais irá alterar o que lhe vai no íntimo/conteúdo, a não ser que você, seu EU/consciente, concorde com a mudança. Portanto, não deixe que o seu verdadeiro eu se confunda com ela, jamais!

    “Buscai o tronco,
    não vos enganeis colhendo folhas,
    perseguindo galhos.”

    Já dizia uma expressão budista: “Nada existe, desde o princípio.”
    e se nada existe, o que há a que se apegar??? A resposta é que não há nada a que se apegar com tanta rigidez, tenacidade, firmeza! Seja flexível, seja malhável, constantemente mutável, seja como a água. Não permita o que ocorre no “meio” comandar o que ocorre “dentro”. O que ocorre no meio pode, com toda a certeza, fazer você tomar certas atitudes … mas não pode, ou pelo menos não deveria, fazer você se tornar outra pessoa, outro conteúdo, outro “EU”.

    Conte apenas consigo mesmo, no final de tudo. Em última análise somos todos seres humanos, não tente depender dos outros, utilize sua própria força, crie seu próprio mundo. Seja rei, não escravo; seja o mosqueteiro e não a mosca.

    Mas é preciso lembrar: jamais vá contra o meio, contra o mundo! O que seria mais difícil de se fazer do que tentar nadar contra uma enorme correteza de idéias e cultura apenas com mãos e braços?
    Apenas coma o feijão-com-arroz, beba a água, vista a roupa.

  • Iodris

    Poxa, Gustavo!!! PARABENS!!! É o melhor texto que eu já li!!! Você foi genial!! Como vc sempre é, aliás! Tenho muito orgulho de ser seu amigo! Obrigado! :D:D:D

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Porra, cara, eu pedi pra elogiar, mas assim ficou fake, nem gerou orgulho. Mas obrigado, vou me esforçar pra voltar aqui e tentar ler como se fosse um comentário escrito por uma morena gostosa. Tenho só de editar essa parte do “amigo” aí.

  • Victor Cavalcanti

    Esses tipo de visão so me lembra pessoas espiritualmente evoluidas que seguem isso e somente isso, como monges e etc. So humano ao pé da letra com todos os meus miseros defeitos, impossivel atingir esse grau de “desapego” aos meus problemas uma vez que eu SOU eles. Quem sabe na proxima encarnação eu possa ser um monge budista e tente seguir essa linha. Não estou dizendo que não deve ser considerada , muito pelo contrário, concordo com muita coisa e tento sempre ser menos “defeituoso”, mas é inegavel que morrerei com minhas 8 preucupações, talvez com diferentes graus de apego a cada uma delas ;P

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Victor,

      E você não tem curiosidade para ver se tem gente vivendo no meio do caos (casamento, filhos, trampo, cidade, bebidas, amigos) com um bom grau de liberdade em relação às 8 preocupações?

      Eu mesmo conheço algumas pessoas assim e acho que é possível viver com sabedoria, liberdade e compaixão sem necessariamente raspar a cabeça e ir viver num mosteiro (também tenho um amigo assim, aliás).

      Sou muito curioso em relação a isso, não me canso de procurar por histórias de quem consegue cultivar práticas de estabilidade em meio ao mundo.

      Acho muito fácil essa saída do “Eu sou assim mesmo, não tem como não ser se vivemos no MUNDO REAL”.

      Abração.

      • Alice Oliveira

        Ah não dá para dizer sou assim e pronto, isso vai contra a natureza humana de se reinventar, de criar, de crescer, não dá para se conformar com isso. É uma questão de querer, se está bom pra vc assim…mas chega uma hora que a vida nos obriga a parar e mudar o foco…

  • http://twitter.com/paulinhaacosta Paulinha Costa

    Quando eu me desperto para a felicidade que existe dentro de mim, já pronta, percebo o quanto boba fui (e sou) as vezes em que me deixei levar pelo sono das preocipações e apegos mundanos. Que bom poder ter estas brechas… valeu mesmo! Foi a master do dia!

  • Ricardo Sanches

    Ultimamente estou tentando me desvencilhar, não por completo, justamente destes quatro “ringues”, peguei uma frase que li em um de seus artigos como uma base para uma possível mudança drástica em minha vida: “The abscence of any fixed nature grants the freedom to become anything”, algo assim, já que minha vida atual, não me faz (mais) feliz. O uso exagerado de incertezas na frase anterior (“…uma base para uma possível…”) deve-se ao fato de eu não poder largar meus hábitos que me fazem “mal” pois, muitas pessoas já dependem de meus atos, trabalho e etc. De qualquer forma, se não possuo uma natureza fixa e posso ser qualquer coisa, então porque ser algo que não gosto de ser? Pois bem, a mudança realmente anda me trazendo alguns benefícios e acho realmente muito interessante se atentar a estes ringues, não necessáriamente largá-los de vez, porque creio que coisas boas podem surgir deles também, por exemplo: Uma pessoa que anseia pela vitória, algumas vezes ganha, óbviamente isso a mantém presa, mas se a pessoa tiver este auto-controle, para desejar com moderação (como tudo na vida) isso pode proporcioná-la algum tipo de felicidade. Enfim, tudo na vida exige moderação e ponderação e, apesar de não ser uma “morena gostosa”: Muito bom o artigo, coube como uma luva para mim e tenho certeza que pra muitas outras pessoas também!
    keep up the good work.

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Também acho essa frase do David Loy fodíssima.

      Valeu pelo apoio, Ricardo!

  • Carla

    Primeira vez que comento, mais sempre estou lendo seus posts.
    Sempre que me vejo em meio a um turbilhão de cobranças repito: “liberdade, serenidade”.
    e quando dá (ou até qdo não pode..rs.), saiu correndo, coloco o biquini, e mergulho no mar (em Fortaleza é raro alguém fazer isso no meio da semana)!
    O segredo é não levar tudo tão a sério.
    Uma dica de livro: “O Poder do Agora – Eckhart Tolle”
    Muito bom texto! Parabéns.

  • Sfreitas09

    Gostei muito do texto Gustavo, pois me lembra muito do filme Matrix, onde Morpheus pergunta a Neo ” o que é real?” Ou seja, há vários tipos de realidades, justamente porque ela é uma intrepretação de cada pessoa que vive. Sabendo disso, podemos, nos livrar dessa Matrix que a sociedade impõe, ou talvez que nós mesmos nos impomos, para vivermos uma realidade tão menos preocupada e estereotipada, (o que acaba nos tornando atores de nós mesmos), para vivermos a realidade que queremos viver.

  • Leonardo

    Pode ser difícil no começo, mas quando esperamos menos das coisas e dos outros, a motivação aumenta, passamos a agradecer mais, agir mais e lamentar menos.

    Ainda estou preso em algumas preocupações, mas não desisto de ter uma liberdade maior diante do caos e da alegria.

    Parabéns pelo texto.

  • Lucas

    Tentar se desapegar não seria uma maneira de fugir da natureza humana? dar muita importância aos nossos defeitos? Enfim, eu sou um humano cheio de defeitos e debilidades, mas é isso que é especial na humanidade, e é isso que eu amo nos seres humanos, porque torna todos iguais.

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Lucas,

      O que é a natureza humana? O que é nossa essência? Ela vem pronta, pode ser definida, tem qualidades específicas? Se tem, como é possível que as pessoas e a sociedade mude com o tempo?

      Pergunto de curioso mesmo. Queria saber o que acha.

      Abração.

  • Lipkin

    Primeiro de tudo parabens pelo texto, muito bom mesmo.
    Mas vou levantar uma critica ja engatando a ideia do texto de receber criticas e etc.. Quando erramos, o meio nos reprimi pois parece que hoje nao ha mais espaço para a criatividade e originalidade. Se algo vem espontaneamente eh logo apagado e excluido no sentido que ja existe um modelo seguro de sucesso e progresso que todos tem medo de sair. Mas esclarecendo esse fator de que toda novidade sofre uma certa repulsa a priori, ha algo pior por traz deste pensamento, e a falta de uma alternativa para tal ideia, a novidade simplesmente eh derrubada e nada de criativo eh criado a partir disto( NAO DIGO EM TODOS OS QUADROS, seria +- uma analise geral de situaçoes diversas). E voltando a questao das criticas, acontesse a mesma coisa, fazem criticas numa maioria de casos destrutiva e pouco construtivas, por isso quando vc falou de parar de se defender de criticas, em meio a uma sociedade competitiva e com criticas destrutivas, nao vejo por que nao se defender deste tipo de criticas, concordo plenamente que temos sim que aceitar criticas e ouvi-las como elogios, de ouvidos bem atentos, para crescermos e melhorarmos, agora o que nao pode e fazer o mesmo com a critica maldosa e tentar crescer em cima de algo que so serviu para denegrir, dai acho que o prejuizo eh maior do que simplesmente lutar e mostrar q aquela critica destrutiva eh errada e que vc ta ali pra representar algo maior que uma ofensa.
    Bom, Gitti so vou termina agradecendo pela colaboraçao no site com textos e artigos geniais, venho acompanhado seus textos a sla 1 mes e ja aprendi muuito. So agradecendo a propagaçao de conhecimento.
    Abraços

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Certamente, Lipkin.

      Mas note: não ser tão PERTURBADO pelas críticas não significa deixar de destruí-las, criticá-las, combatê-las, quando isso é necessário.

      Eu não entendo como algumas pessoas veem uma postura passiva aí. Pelo contrário. estar um pouco mais livre desses padrões é JUSTAMENTE o primeiro passo para AGIR.

      Abraço.

      • Lipkin

        Mas nao falei que esta seria uma postura completamente passivel, concordo com o que vc falou de se ver livre dessas criticas e nao deixa-las afetar o seu cotidiano e sua pessoa. Isso com certeza e o primeiro passo para comecar a distinçao entre a critica construtiva e destrutiva, considero realmente os primeiros passos para a pessoa crescer e trabalhar em cima de criticas. Agora o que nao pode e alguem vir com uma ofensa critica e dai sempre ficar em silencio, simplesmente deixar, claro que e de grande equilibrio deixar passar essas criticas, fazemos exercicios assim todos os dias em nossas vidas. Mas se este tipo de critica te impede que vc continue suas ideias ou trabalho que seja por diversas razoes e uma delas convenceu a um grupo de que vc esta errado e por isso sua ideia ja vai ser menosprezada por isto(Ex: professor e aluno um caso classico, o professor diz algo provocante e o aluno fala que recebeu do professor uma ofensa sendo que nenhuma ofensa saiu da boca do professor) dai eu acho que e o momento de agir, o momento de se defender com a voz e nao simplesmente com o silencio, pq foi dado a voce um impecilho para continuar a partir de uma ofensa, acho que a partir desta situaçao, ai sim, devemos fugir do silencio e meter o pau para ver o quanto e covarde, o quanto e desvantajoso surgir com esses tipos de criticas
        Abraços

  • http://twitter.com/JulioKirk Júlio Kirk

    Eu, vergonhosamente, estou preso nisso tudo aí. E é difícil sair.

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Júlio,

      Não entendo o “vergonhosamente”. Estamos todos presos nessas dinâmicas aí. E, sim, é difícil sair. Mas isso não significa que é impossível.

      A diversão já começa em observar esses padrões. Não precisamos nem mesmo nos livrar deles para começarmos a nos divertir com eles. Só isso já é o pontapé, já é um modo de nos movermos sem cair nesses padrões.

      Abraço.

  • Cesar Nic

    Parabéns cara, muito bom o post.Deixo aqui também uma frase que gosto:

    “O eu é o mestre do eu; que outro mestre poderia existir? Puro ou impuro cada um o é por si mesmo; ninguém pode purificar outrem. Sede vós mesmos vossa bandeira e vosso próprio refúgio.
    Não vos confiei a nenhum refúgio exterior a vós. Apegai-vos fortemente à verdade. Que ela seja vossa bandeira e vosso refúgio. Aqueles que assim o fizerem atingirão a meta suprema.”

  • Marcio Diniz

    Pois é, deve ser por isso que quando cansamos de estar nesta luta boba, nos sentimos tão cansados e vazios.

    Parece que nada mais tem sentido. “Porque você está se esforçando tanto?” cada um de nós pergunta a si próprio.

    E decidimos jogar tudo para o alto, fazer as coisas diferentes e estranhamente, relaxamos, voltamos a sentir o prazer de estar conosco mesmo.

    Todavia, não nos damos conta de que esta é a sensação que deveria ser usual, basta recuperarmos o espírito e voltamos a batalha, afinal, vida sem luta não é vida, certo?

    Eu sou um grande tolo. =]

  • http://www.facebook.com/people/Renan-Gueiros/100000251425040 Renan Gueiros

    Gustavo, já não é a primeira vez que leio um texto seu e fico e me surge na cabeça a ideia de que, ao agirmos dessa forma, sorrindo, não estaríamos sendo submissos, resignados, vítimas do acaso…. É difícil perceber a linha que separa a aceitação das nossas incapacidades e a desistência, a apatia. O que me diz?

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Não tem nada de apatia nessa postura. Pelo contrário, a gente tem muito mais vigor pra impor, conduzir, liderar, mover, mudar, não aceitar, contrariar, criticar…

      Essa interpretação surge porque não vemos outra possibilidade a não ser reagir. Mas a ação vem de um espaço de liberdade.

      Vou dar um exemplo pra não ficar abstrato demais.

      Digamos que você foi traído pela sua namorada e, pra piorar, seu chefe só te humilha no trabalho. Se você realmente reagir dentro desses dois mundos, você se sentirá um lixo e vai tentar virar o jogo de mil maneiras, seja tentando reconquistar a namorada ou tentando esquecê-la ou até mesmo tentando matar o amante. Em relação ao chefe, você talvez peça demissão ou fale mal dele pra meio mundo ou tente queimar o filme dele na empresa. Isso tudo é uma postura comum. Não tem nada de errado, mas é uma posição de extrema fragilidade, aflição e fraqueza. Você fica restrito às opções que a realidade parece propor.

      Se, por outro lado, você perceber que apenas duas identidades suas estão sendo atacadas, ainda que seja desafiador, ainda que doa e seja bem complicado, você tem mais espaço e liberdade para sair desses mundos, simplesmente tocando a vida e deixando os problemas pra trás ou, o que é ainda mais lindo, entrando nesses dois mundos sem a perspectiva de ganho/perda, vitória/derrota, e ajudando o seu chefe a liberar os obstáculos deles e sua namorada a liberar a culpa por ter traído você.

      Isso é bom pra você, antes de tudo, e pra eles. E isso envolve ser sacana, foder sua namorada de novo, até roubá-la do amante, talvez, e foder seu chefe também. Não tem postura passiva aí, tem brincadeira, tem avanço, atravessamento, ir pra cima.

      A diferença está apenas no quanto as coisas perturbam ou não você. Se elas não perturbam tanto, você pode ter ainda mais energia autônoma para lidar com elas. Se elas perturbam, aí sim você fica apático pois sua energia fica na dependência das situações, pessoas etc.

      O que acha? Já viveu algo assim? Conhece pessoas assim?

      Abraço.

      • http://www.facebook.com/people/Renan-Gueiros/100000251425040 Renan Gueiros

        Entendo. Afinal, teremos problemas de qualquer forma, certo? O truque é não deixar eles te consumirem. Somos todos fodidos nessa vida, o jeito é encarar com tranquilidade.

  • http://www.facebook.com/luciok.rj Lucio Queiroz K

    Meu caro e sorridente Gitti, me surpreendeu muito esse texto. É bem escrito, agradável, pertinente, faz pensar, tem luz, não tem “pompa”.. Desculpa se sou pretensioso dizendo isso, mas nesse texto me convenci que você realmente tá com a intenção de sinceramente, de coração, ser uma pessoa melhor (e não só parecer uma), e o que é melhor – conseguindo ir nessa direção, visivelmente. Mostrando que as coisas evoluem. Nos outros tambem tinha vestígios dessa busca, mas em todos eles prevalecia (no meu ver) uma vaidade, uma vontade de se mostrar, chamar atenção, fazer seu marketing, ser reconhecido. Agora essa impressão é substituida por uma visao real, introspectada, de como isso pode ser ruim e por uma prioridade em trocar e passar coisas boas pras pessoas, e acho que voce ta bem sucedido nisso. Acho isso uma grande conquista.

    Gostaria de tambem pedir licença pra deixar um texto meu pra você e seus leitores. Ele tem tudo a ver com esse tema do seu, apesar de ser bem diferente, e tambem vale como comentário do seu texto, em si:
    http://idiossentropias.blogspot.com/2010/10/uno.html

    Abraço do leitor e admirador

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Lucio,

      Você não é pretensioso. Te entendo e você está bem mais certo do que você imagina em relação a toda a sua análise.

      Só não garanto que isso é uma transformação estável, pois o orgulho é um grande obstáculo para mim. ;-)

      Meu professor de Taketina me disse recentemente, logo depois de eu liderar uma roda: “You have this SHOWING OFF thing, but it’ll pass and you’ll be fine”. Direto na veia.

      Fico muito feliz com comentários francos como o seu, cara. Obrigado mesmo.

      Li seu texto já. Valeu.

      Seguimos.

      Abraço.

      • Anônimo

        Me surgiu uma pergunta agora…

        O que você tem praticado, treinado, usado, lido, ouvido e etc “to become fine with this showing off thing”?
        Isso também tem sido um obstáculo pra mim e incomodavelmente oscilante nos últimos dias. (rs)
        Vontade de enfrentá-lo e superá-lo não me falta. Mas preciso de umas orientações e dicas válidas e bem focadas para/nesse “problema”.

        Obrigada! (^.~)v

  • http://www.facebook.com/people/Guilherme-Siega-M/1364461238 Guilherme Siega M

    Porra, gostei muito do texto.

    Gitti, pena que agir e pensar dessa maneira deixa a pessoa na solidão profunda.

    Agir e pensar como o resto do rebanho[povo] e viver com amigos, festas e afins??….
    ou
    Agir e pensar do seu modo, criativo e inteligente, mas na solidão??

    por isso os grande homens …famosos ou não, são solitários…..
    só sendo um homem sábio pra entender.

    grande Paulo Coelho “O vencedor está só”

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu tenho pensado a respeito dessa questão, mas eu confesso que a inspiração não veio de guru espiritual nenhum. Veio dos blues que eu gosto de escutar e de como eles conseguem transformar situações tristes em músicas alegres ou bonitas. E eu tenho me questionado se eu não posso tentar fazer algo que seja bom e alegre, com minhas eventuais dores. Se eu não posso pegar minha revolta com alguma coisa e propor algo construitivo.

  • http://www.rafael-olah.info/ Rafael Olah

    Gustavo voltou com tudo.

  • Andre Arcas

    Muito bom o texto Gitti, achei o assunto interessantíssimo. Talvez eu não seja a pessoa mais imparcial do mundo pra fazer tal julgamento, afinal sou um apaixonado pela psicologia e comportamento humanos, mas realmente gostei bastante.

    Queria também fazer um parênteses rápido quanto a essa questão – até meio determinista – de sermos levados e definidos pela realidade à nossa volta. Eu conheço bem superficialmente, mas existe uma corrente filosófica chama estruturalismo que trata exatamente do assunto, e é nela que se baseia a lógica de shoppings e cassinos, por exemplo. Em suma: a teoria defende que existem estruturas por trás de toda a nossa realidade que direcionam o nosso “comportamento arbitrário”. Fica uma dica de estudo pra aqueles que quiserem se aprofundar no assunto.

    Um grande abraço !

  • Bizareli

    Muito bom o texto, Gitti.
    Quando li, de início pensei em recomendar pra determinadas pessoas, mas vi que ainda mais importante é analisar em que pontos utilizar o conhecimento da minha persona pode me ajudar a melhorar.
    Abraços!

  • http://www.justwrappedupinbooks.wordpress.com/ João Luis Baldi Jr.

    Mais um dos textos do PDH que conseguem me fazer pensar e caminhar pela rua com a cabeça um pouco mais confusa (o que me faz um bem danado, ainda que me distraia dos carros e das motos).

    Boa, Gitti.

    (e a imagem do Jimmy Bolha foi algo de épico, queria mencionar)

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      Curto muito essa ideia do bubble boy. Queria ter achado uma boa do moleque do Seinfeld (lembra aquele que vivia numa bolha também?), mas essa outra era melhor.

  • Gilsoad

    Aqui você expôs a dualidade, a luz e a escuridão, muitos da chamada salada da nova era consideram a iluminação( luz) a verdadeira trancendência, a verdadeira felicidade, mas a algum tempo me foi ensinado
    que não se pode repudiar a escuridão e amar somente a luz, ambas são partes nossas, tentar reprimir a escuridão, socar a parede, sua mão vai sangrar porque você esta agredindo uma parte sua. A felicidade também faz parte desse jogo, do outro lado está o sofrimento. Eu, por enquanto. ainda estou com as mãos sangrando, porém eu não acredito mais numa terra prometida, eu acredito no que eu vejo, borboletas, seios cheios de amor, o céu azul, nada disso parece dual.

  • http://www.facebook.com/people/Daniel-Liu/100001622507671 Daniel Liu

    Dá-le Gitti !!!

  • Alexi

    Eu sei que é o de menos mas, na legenda da primeira imagem, tá faltando um espaço entre “qual” e “tipo”.

    • Pablo Fernandes

      Alexi,

      Tá com espaço na legenda entre as palavras. Mas valeu pelo toque. ;)

  • Alexi

    Eu sei que é o de menos mas, na legenda da primeira imagem, tá faltando um espaço entre “qual” e “tipo”.

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