Acelera, Campeão!
Em tempos onde vemos comentaristas de basquete, futebol, vôlei e muitos outros esportes narrando provas de automobilismo, é um alento conhecer verdadeiros talentos jornalísticos na área da velocidade.
Um dos maiores personagens da narração do automobilismo brasileiro é o
ilustre Edgar Mellho Filho. Eu poderia escrever aqui uma longa biografia para tentar apresentar aos leitores da PdH o talento de Edgar. Entretanto, prefiro deixar que vocês cheguem as suas próprias conclusões a partir do relato por ele escrito que reproduzo abaixo:

“Não são as curvas de uma mulher, mas também deixam muitos marmanjos excitados”
Saudades…
(por Edgar Mello Filho)
Estava na minha sala no autódromo quando o celular tocou. Era o chefe.
“Tudo bem aí?”
“Tudo, chefe, o que manda?”
“Seguinte, preciso ver algumas coisas aí. Preciso dar uma olhada porque o belga (Roland Bruynseraede, o Charlie Whiting da época) vai chiar, vai ter que mexer no Berger e no Mergulho.”
“Você vem com o Esquilo e vamos dar uma volta com a Onça.”
Onça era um Opalão quatro cilindros, preto, quatro portas. Um coitado. Ele estava caindo de podre e graças ao querido amigo Paulo Taliba consegui pegar o carro para o autódromo num rolo inacreditável entre departamentos. E acredite se quiser: o chefe se divertia muito guiando a Onça. Uma vez, duas ou três semanas antes do GP do Brasil de 1994, ele me ligou e disse: “Vou aí dar uma repassada nas obras, faz o shakedown do Onça”.
O shakedown era colocar 42 libras nos pneus dianteiros e 39 nos traseiros (aliás, as únicas coisas novas do carro, presente dos bons amigos da Pirelli, quatro radiais 185 nos trinques), além de checar o arame da porta dianteira direita para ver se estava firme sem ataques de ferrugem.
Ele ria muito e nos divertíamos, principalmente quando eu, para dar um tempero, imitava o locutor da TV e narrava as voltas contra um imaginário piloto de pequena estatura e nariz enorme, docemente apelidado de “Narizinho”. E um grande urso inglês chamado “Roaaarrr”, com suas luvas uma de cada cor, vermelha na mão direita e azul na mão esquerda. Um canhão, rapidíssimo. Daqueles tipos que você acabava até gostando. A gozação em cima de “Roaarr” é que demorava um pouco para cair a ficha dele.
Deixei a Onça pronta, mas aquele dia seria especial. Ele chegou por volta das 17h20, com uma Perua Audi S2. X-tudo. Turbo, cinco cilindros, jogada no chão, aquelas rodas absurdas. Aquele barulho metálico ardido de motor bravo (as BMWs também têm esse barulho característico de isca, pega).
Sentei no lado direito, passei o cinto e já cutuquei: “Isso aqui anda ou é para ir à missa?”
“Por quê?”
“Nada, só estou perguntando.”
Entramos pelo portão de cima mesmo e viramos à direita, rumo ao “S” com o nome dele. No começo da descida, paramos. Ele ficou olhando para a brita. Não perdi a viagem: “Está lembrando do esparramo que o teu parceiro made in USA (Andrettinho) fez na largada do GP desse ano, aqui?”
“Isso acontece”, desconversou.
Na saída da segunda perna, ele contou: “Aqui foi a primeira vez que a luz de pressão de óleo acendeu no final do GP do Brasil. Eu vi de relance e fiquei imaginando se não tinha sido impressão. Me preparei para olhar na outra volta e a tensão aumentou porque eu estava controlando o Damon e o alemão que vinham atrás. Eu estava muito ligado neles porque o Damon usava aquele carro de outro planeta e o alemão tinha aqueles cavalinhos a mais que o meu motor, por estar usando uma série à frente”.
Perguntei, seco: “Não tem jeito de mexer neste contrato da Benetton com a Ford?”. A resposta foi meio desanimadora: “O Ron está tentando, mas não vai ser fácil, o Flavio (Briatore) está marcando em cima”.
Foi a deixa para matar a curiosidade: “Além da distribuição pneumática, tem mais alguma coisa na usina, não tem?”, perguntei. A confirmação veio, como sempre, discreta: “É, tem algumas coisinhas”. Emendei para não perder o momento: “Quantos cavalinhos o motor do alemão tem a mais que o teu?” Ele, como sempre modesto, respondeu: “Um pouco”. Cheguei junto, agora é a hora: “Um pouco quanto? Uns 90 hp?”. Estava difícil tirar informação do homem. “Não, menos”, falou. Resolvi forçar mais um pouco, já perto do limite: “70? Fala aí!” Ele manteve a guarda alta: “Não sei”.
Agora vou cutucar para tirar o cidadão do sério e arriscar o meu pescoço: “Senhoras e senhores, estamos entrevistando um piloto de F-1 que não sabe quantos cavalos tem o seu motor, é espantoso!”
Foi o tempo de encolher o pescoço e levantar os ombros. O que veio a seguir foi em três idiomas: português, inglês e sou capaz de jurar que alguma coisa em japonês: “Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii” (censurado). Ficou piiiiiiiiii da vida.
Senti que poderia ser o momento e mandei uma paralela: “Não apela, vou chutar 40 a 45 burritos a mais”. Silêncio, deu até para ouvir um pouquinho do CD do Phill Collins. Armou um bico e completou com um muxoxo: “Hummm, por aí”.
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“Peruinha X-Tudo que é capaz de colocar medo em muita gente”
Precisei dar uma descontraída no ambiente: “Respeitável público, além de perder o lugar para o anão na Williams, ainda guia corrida a corrida com 40 cavalitos a menos no motor!”
A seguir, momentos de uma leve baixaria e muita risada. Quando estávamos no final da Descida do Lago, já apontado para a subida do Laranjinha, o chefe veio com mais uma: “Essa saída do Lago me preocupa, se der uma escapada em pêndulo, com chicotada ao contrário, vai bater feio, precisava dar um jeito de mexer aqui”.
Rebati: “Já pedi para os engenheiros da Emurb darem uma olhada no que é que dá para fazer. Aqui tem um complicômetro, chefia: a confluência dos lagos. A única saída de emergência é colocar o guard-rail mais próximo da pista para não deixar ganhar velocidade na hora que esparramar. O problema, chefe, é a hora que der uma pregada bem caprichada do lado esquerdo. A lâmina vai devolver e o “elemento” vai cruzar a pista de volta para o lado direito. Precisa ver se não pega ninguém, nenhum anu errante no contrapé da biaba”.
Ele me deu uma olhada, armou uma risada de canto de boca, e conferiu: “Elemento, anu errante, contrapé da biaba?”
Devolvi bem curta: “Chefia, você entendeu, não estica”.
Quando chegamos ao cotovelo - ou Bico de Pato -, ele comentou: “Aqui acendeu de novo a luz da pressão e desta vez eu vi e envelheci. Só me faltava esta, estava no final da prova. Na África do Sul devia ter chovido 15 voltas antes, e aqui, essa?! Ainda bem que o motor, que já tinha dado umas amarradas nas voltas atrás do safety-car, aguentou, já estava uma barra e agora a FISA ainda me penalizando não sei até agora por que.
Fiquei um tempão atrás do Erik (Comas, que foi o rei do ventilador no GP, pois arrumou time pênalti para todo mundo) e, quando ele tirou o pé e me mandou passar, os caras me deram o pênalti”.
(N.R.: túnel do tempo, forward: Montoya, tá vendo como é coisa antiga? Aposto que são os mesmos daquela época. Aliás, para mim esta turminha já vem daquele escândalo do Japão. Túnel do tempo, rewind.)
Subimos a Junção e, no final do Café, ele diminuiu. Levou a X-tudo para o lado direito, deu uma provocada para o lado esquerdo e chamou o freio de mão. Currupeio perfeito. Viramos 180º e já estávamos voltando para o Café, iniciando a descida para Junção. Pensei: acho que é agora, vou atiçar.
“Respeitável público, no espetáculo de hoje teremos Don Becon e sua peruazinha”, brinquei.
Peruazinha foi a palavra mágica. Cutuquei a fera com vara curtíssima. “Você vai ver o que isso anda”.
Infernizei: “É bom mesmo, porque os caras da BMW estiveram aqui na semana passada e eu executei uma M3. Achei que anda muito, por isso estou achando isso aqui meio lerdo”. Aí o homem pegou no breu: “Então vamos ver quanto vira nesta pista ao contrário, você tem idéia?”, perguntou. Pensei comigo: “Consegui incendiar a fera…”
Completei jogando mais um pouco de gasolina: “Não sei, mas vou abrir o relógio e navegar. Atenção, Siviero para Biasion, Junção à direita, freada forte e quarta, pé embaixo”.
A partir deste momento foi só pintura. Adrenalina pura, movimentos precisos, derrapagens controladas, controle absoluto, um conjunto de ordens e contra-ordens que a S2 obedecia docilmente, como que sabendo quem manda, quem é o dono. O carro não ia para onde queria, e sim para onde “ele” queria e colocava. O cheiro de borracha queimada já era forte dentro do habitáculo.
Começando a subir o Mergulho, mandei: “Pironnen para Kankkunen, direita de alta, quarta, pé embaixo”. Quando ia avisar do Bico de Pato, o cotovelo tinha chegado. O problema é que saímos meio atravessados para o lado contrário da curva que era para a esquerda (nós estávamos andando ao contrário). Nos últimos metros antes de passar do ponto e com um improviso espírita, ele “inventou” um pêndulo que, sinceramente, não sei onde ele foi buscar. Absurdo, já todo torto, ele deu uma provocadinha e a barata entrou na dele, ameaçou voltar, eu só ouvi ele dizer: “Te peguei!”.
A partir daí foi mais ou menos assim. Na pequena balançada da direita para a esquerda, ele percebeu antes e pendurou nos alicates (ABS). O barulho lá embaixo na frente era característico: “Cram… Cram… Cram…” Tradução: não vai travar.
Quando a frente ameaçou entrar, ou melhor, quando a traseira ameaçou soltar, eu só ouvi um “rrrrrrrrrrrrrrrriiiiiippp”. Freio de mão puxado, ni qui travou o eixo lá atrás, foi-se a traseira. Quando ela foi, assinou a sentença de execução do carro. O torpedo como um todo começou a contornar, girando sobre um eixo imaginário bem no meio do carro, fazendo uma meia lua, até chegar perto da metade da entrada do Bico de Pato.
Não sei se vocês estão percebendo a magia da manobra. Até aí, ele só vinha trabalhando com forças atuantes, sistema de freio em sequências de derrapagens controladas. Naquela sucessão de manobras, ele já vinha com a mão direita selecionando uma marcha adequada para a saída.
A curva que era para ter passado, não passou. Nós estávamos dentro dela, quase apontados para a saída, com a marcha ideal selecionada e a plataforma motriz em stand-by esperando a vez dela. Chegou. Lembro que bati os olhos no velocímetro estávamos entre 95 e 105 km/h. Aquele era o ponto. O pé direito dele foi junto com o meu berro: “Dá-lhe gás!”. Naquele momento eu relembrei a ira dos deuses enfurecidos e a brutal potência da usina turbocomprimida da casa de Ingolstadt. Absurdo, absurdo, eu não conseguia definir se era castigo do céu ou coice de mula: com as costas coladas no banco, via a S2 seguir uma trajetória muito bem definida a caminho do Pinheirinho.
Sem deixar cair a peteca, emendei: “Kivimavi para Allen, terceira marcha cravado sem tirar o pé”.
Mas sempre tem um mas. Quando ele apontou puxando para a direita, o foguete empurrou um pouquinho à frente, ameaçando alargar a trajetória. Junto com a tentativa de reação, ele imediatamente telegrafou o acelerador, fazendo a traseira escorregar e ficar mais ou menos a uns 15º apontada para o lado de dentro da curva. Era tudo o que ele queria para chamar potência no acelerador. Fizemos o Pinheirinho e o “S” (antigo) em dois pêndulos.
Quando chegamos perto da zebra saindo do “S” e a caminho do Laranjinha (só relembrando que estamos andando ao contrário na pista), comentei: “Nossa o que é no chão esse torpedo! O que fala essa usina e uma estupidez!”. Ele completou “Você vai ver nas de alta”.
Ao ouvir aquilo fiz uma reflexão: “Senhor, vou testemunhar a verdade, vou conhecer de perto o toque divino de um dos eleitos”. O motor urrando, o turbo descarregando, a velocidade crescendo, o Laranjinha, a Subida do Lago velocíssima com freada forte para a segunda perna na entrada da reta a caminho do Berger. Todo o Berger à direita (nós estamos andando ao contrário). O pêndulo veloz direita-esquerda para subir o “S” dele. E mais, a encardida chegada da Junção morro abaixo, quinta a pleno.
Não teria como descrever para vocês, não encontraria palavras. São sensações que você sente quando por exemplo entra num Louvre e descobre nomes como Leonardo da Vinci, Raffaello, Sanzio, Michelangelo, Merisi, Rembrandt, Harmensz. Ou quando ouve Antonio Vivaldi, Franz Schubert, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig von Beethoven, Johann Sebastian Bach ou mesmo uma “Rhapsody in Blue”, de Gershwin.
Quando você percebe que está com alguém que faz parte desta lista dos “eleitos”, como os citados acima, você se sente especial. Você vive um pequeno momento especial, que você vai levar para o resto da sua vida sem esquecer um detalhe.
Poesia ou não, sempre tive a impressão que Deus manda uns caras aqui na Terra para mostrar como Ele faz as coisas.
Mas, Edgard, não dá para contar?
Desculpe, não dá. Eu não tenho como descrever reações, comportamentos, atitudes, antecipações, acima de 200 km/h. Você simplesmente fica olhando sem querer perder nada.
É isso.
Não dá para contar, é uma coisa sua, como foi de Gagarin, Carpenter, Armstrong e Buz Aldrin. Como você quer ver tudo e não perder nada, alguma coisa você registra. O resto, você absorve. Acho que demos umas oito voltas, depois da terceira virou rotina, conversamos, demos risada, eu xinguei a FISA (para variar)… O cheiro de borracha queimada não parou, nem diminuiu, nós é que acostumamos com ele. Lá pela sexta volta perguntei sobre Donington a resposta você já sabe. A “peruazinha” S2, um demônio, serve até para ir à feira, mas não leva desaforo para casa. Aquele motor não tem cavalos, tem búfalos enlouquecidos que, quando provocados, fazem desabar uma tormenta.
Perto do portão de saída, falei: “Me deixa aqui, vou andando até a minha sala. Falou, até mais, chefia”.
Preocupado, me pediu: “Qualquer coisa, me liga. Se chegar algum pedido da FISA, me passa por fax”.
Para não perder o costume, provoquei na saída: “Fica frio. Da próxima vez, vem com um A8, tá bom?”
Ele deu uma gargalhada e se perdeu no transito da Teotônio Vilela.
Fico imaginando que, para quem pudesse andar com Jim Clark, Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, Jackie Stewart, Nelson Piquet e Michael Schumacher, a sensação deveria ser a mesma. Só sei que, lá pelas tantas, em casa, já na madrugada, olhei para o relógio e vi que o cronômetro ainda estava funcionando. Eu tinha esquecido de parar aquela volta que fiquei de marcar. Naquele momento, 1h30 da manhã, descobri que oito horas atrás eu tinha vivido uma aventura que ficaria na minha lembrança para o resto dos meus dias. Simplesmente ela se juntava a outras como o meu primeiro DKW de corrida, a minha primeira vitória com o Opala, a vitória nos “1000 Km de Brasília”, a vitória nas “12 de Goiânia”, a vitória no “Troféu José Carlos Pace” em Brasília, meu primeiro Campeonato Brasileiro de D3, o segundo, meu primeiro vôo num PA18 (todo mundo chamava de teco-teco).
Lembranças, memories, coisas que você não esquece mais.
Não sei se isso ajudou, mas por essa e outras experiências eu não tive nenhuma dúvida em ir para a frente das câmeras da TV Manchete naquele maio maldito e ficar berrando, durante oito ou nove horas, que podiam esconder todas as fitas que quisessem, mas ele não tinha errado. Alguma coisa tinha quebrado ou acontecido. Está bem, não discuto, tinha chegado a hora dele, ninguém foge dos desígnios de Deus. Mas ele foi de pé, como um grande campeão. Reduziu três marchas e freou. Quer mais consciência do que isso de uma situação de emergência?
Os números podem falar o que for, pouco me importa. Eu sou feito de emoção.
Nasci, vivi e vou morrer assim. A vida sem adrenalina simplesmente não tem graça. Jamais vou separar a emoção do coração. Por isso, onde você estiver:
— ACELERA, AYRTON. ACELERA, CAMPEÃO!

“Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver que ultrapassar, vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem um limite. O meu é um pouco acima do dos outros.” -Ayrton Senna
Engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, é um nostálgico entusiasta por muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.
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36 comentários ↓
Impressionante!
FODA!
Só isso: FODA!
FODÀSTICO
Só isso,
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Duas figuras impressionantes: Senna e Edgar.
É por essas e por outras que eu acredito que ele foi O piloto, e schumacher nenhum vai passar por cima dele.
Brilhante, simplesmente isso.
Sobre as comparações, todas as épocas tiveram seus grandes personagens, e Ayrton Senna sem dúvida representa bem isso.
Sei lá,
realmente houveram pilotos brilhantes na F1. Mas o Senna é diverente. Parece que tudo que fazia envolvia mais paixão, emoção…
Talvez seja por causa das histórias de ter destruído seus casamentos tamanho era seu comprometimento com a F1. Ou talvez seja pelas carros medíocres que guiou e com que conquistou títulos. Ou, das chuvas, ou das quebras, não sei.
Mas ele sempre venceu na adversidade o que é bem diferente de fazer tempo com o melhor carro da melhor equipe.
No dia que ele morreu eu meio que achei que era sacanagem, não acreditei. Na transmissão do funeral que a ficha caiu. Foi foda.
Muito foda.
não sei o que foi melhor, a narração ou a frase dele no final!
Simplesmente o melhor post que já li - nesse e em outros blogs. Como o critério de avaliação é pessoal - e eu sou um apaixonado por automobilismo - não tô nem aí pra qualquer crítica ao meu comentário.
Pra quem acompanha a F1 o Edgar - e sua qualidade - não é novidade. Nem o Senna. Mas narrado assim, me trouxe lágrimas aos olhos. Quem diz que homem não chora é um boçal: nós choramos sim, mas pelo que vale a pena.
Quanto ao melhor piloto, obviamente tivemos muitos: Fangio, Graham Hill (que guiou aquela Lotus espetacular cujo aerofólio chegava a 1,5m de altura), Nikki Lauda, Gilles Villeneuve, Nelson Piquet, Alain Prost, Schumacher e - me desculpem a licença - Alonso. Mas quem acompanhou de perto sabe - como o colega citou - que o Senna fazia algo mais ali no cockpit.
Em algumas temporadas ele tinha sim o melhor carro: aquela Maclaren vermelha e branca com o “Marlboro” no aerofólio voava baixo. Mas então quem explica aquela absurda vitória de 1985 com a Lotus preta do John Player’s Special em Estoril, debaixo de chuva? E a brilhante temporada na Lotus amarela da Camel? Ferrari e Maclaren dominavam o Mundial de Construtores naqueles anos, seguidos de perto pela Williams (azul e amarela, bons tempos) e lá atrás vinha a Benneton. A Lotus era o azarão, e tudo por causa do Senna.
E o Prost, aclamado melhor piloto do mundo, tinha o melhor carro e os títulos que ganhou do Senna foram disputados até a última corrida. Algumas vezes até a última volta.
Quando do fatídico maio, eu estava em casa vendo o GP de Ímola. Foi um dia de apreensão. Eu era novo, tinha uns 13 anos, mas chorei como poucos. Na segunda-feira - ou sei lá que dia o caixão chegou no Brasil - o diretor da escola foi chamado às pressas porque um aluno da sétima série tinha desmaiado de tanto chorar na frente de um boteco em Nova Iguaçú - RJ, assistindo a chegada do corpo, às 7 da manhã. Perdi aula naquele dia.
Quem conhece F1 sabe que não foi falha humana. Errar é humano. Mas certos humanos não erram. Simplesmente não erram.
E de fato ele não errou Henrique. Hoje sabemos que foi a maldita barra da Williams.
Por outro lado tenho certeza que ele se foi fazendo o que mais gostava. Talvez tenha sido melhor que perder a vida em um país onde pessoas morrem parando num sinal vermelho, sacando dinheiro no caixa eletrônico…
No mais há outra frase sobre ele que sempre me deixa meio emocionado:
“Deus criou no céu a melhor pista, com as melhores retas e curvas, e veio à terra buscar o melhor piloto.”
FODA
Sem mais.
Sem palavras pra descrever!
E nunca haverá outro piloto como ele…
Só quem já vez um pêndulo sabe como é difícil controlar o carro em alta velocidade e sair do jeitinho planejado…
Arrepiante!
Senti cada curva e o cheiro de borracha.
Que texto…. Ayrton , sem palavras , ngm precisa de palavras para ele… Ayrton Senna , e o cara, e vai continuar sendo.
Esse foi simplesmente o melhor post desse blog, a emoção foi perfeitamente demonstrada em palavras.
“Nasci, vivi e vou morrer assim. A vida sem adrenalina simplesmente não tem graça. Jamais vou separar a emoção do coração. Por isso, onde você estiver:
— ACELERA, AYRTON. ACELERA, CAMPEÃO!”
Concordo com tudo que foi dito, principalmente com o fato de todos termos consciência que Ayton Senna da Silva, foi muito mais que um piloto de fórmula 1.
Ayrton Senna é um exemplo de vida, é um exemplo de que tudo deve ser feito em plenitude com coração e se for pra dar errado que dê, mas que dê errado com a vontade de dar certo.
Que fique na nossa lembrança a coragem e ousadia daquele que jamais será substituído, mesmo que venha Massa, Felipe e outros mais.
Ayrton Senna da Silva foi um herói pra essa nação. Pelo menos é o que eu penso.
caraaaaaa arrepieeii… emocionante… eu amo velocidade…
AYRTON SENNA FOI FOODA!!
Desceu uma lágrima no canto do olho ao final do texto….
Emocionante…
Toda vez que leio esse texto eu choro como criança.
Eu já tinha lido esse texto faz um bom tempo.
Foi em 2004. Acreditem.
Segue o link do local que li o texto:
http://www.preparados.com.br/index.php?showtopic=792
Sou um dos administradores do fórum e te digo que cada vez que alguém posta esse texto eu leio por completo e me emociono todas as vezes.
Eu só não gostaria desse post no pdh ser contaminado com comparações do senna com shummy ou qualquer outro piloto de outra época.
É a mesma coisa que compara Pelé com Ronaldo. Épocas diferentes, mundo diferente.
Abraços,
Cassiano
Texto perfeito. Descreve a visão do Senna que eu tinha na época com “Senhor, vou testemunhar a verdade, vou conhecer de perto o toque divino de um dos eleitos”.
Melhor texto que já li aqui na PdH.
Absolutamente perfeito e emocionante. Dá pra sentir calafrios só de ler.
Foda!
Edgar vc é foda! Sou seu fã, adoro seu jeito de narrar/comentar automobilismo.
E sinto falta de Ayrton Senna como se fosse um parente meu, um irmão mais velho.
Fiquei muito emocionado em ler isso.. imagino a cena e a voz do Edgar.
ANIMAL !!!
http://www.tretando.com
Aff quase chorei….
Senna, sempre em nossos corações….
simplesmente foda… show… senna sem palavras… e o texto absurdamente bom… o melhor texto e mais emocionante que eu li na net…
Nossa, ele descreveu uma curva, a reação do piloto nela, como ninguém. impressionante!
Muito paw!!!
esse carro com umas rodas háro 17 ficavá bem esportivo um carro mais veloz mais chamativo nas ruas
Senna ultrapassa 4:
http://br.youtube.com/watch?v=lU1WrXplUTg
É de arrepiar….
SE SER FÃ DE AIRTON SENNA FOR CRIME. ENTAÃO CAROS COLEGAS CONSIDEREM-ME UM CRIMINOSO DE ALTA PERICULOSIDADE!!!
Disparadamente o melhor texto na PdH até o dia de hoje. De emocionar, realmente.
Esse trecho aqui me fez correr um frio na espinha em particular:
“Mas ele foi de pé, como um grande campeão. Reduziu três marchas e freou. Quer mais consciência do que isso de uma situação de emergência?”
De Arrepiar
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