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Abortar é mais seguro que dar à luz. Mas isso justifica?

Diego Dubard

por
em às | Corpo são, Debates, PdH Shots


Uma pesquisa publicada na revista americana Obstetrics & Gynecology afirma que a chance de uma mulher morrer durante ou logo depois de um parto é 14 vezes maior do que ao realizar um aborto legalizado. Os pesquisares analisaram dados de partos e abortos realizados nos Estados Unidos entre 1998 e 2005 para constatar que a cada 11 mil partos uma mulher morre, enquanto há uma morte a cada 167 mil abortos legais.

O objetivo da divulgação da pesquisa, obviamente, não é convencer mulheres a deixarem de dar a luz e optarem pelo abortos, mas acabar com o mito, instaurado muitas vezes pelas precárias condições em que o aborto ilegal é realizado, de que o procedimento seria fisicamente perigoso para a mulher.

Parar ou seguir?

A questão da legalização do aborto no Brasil ainda é prototípica, guiada por religiões e entra na esfera política (onde realmente o debate precisa acontecer) com ares de chantagem. A primeira tendência seria escolher um lado, pró-escolha ou pró-vida, agarrar-se à sua ideologia e afundar com ela, mas lembrei que eu nunca vou fazer um aborto e que as minhas ideologias não são lá tão importantes.

No Brasil não estamos discutindo as milhares de mulheres que morrem em abortos ilegais todos os anos, não estamos discutindo o impacto da medida no Sistema Público de Saúde, não estamos discutindo as questões éticas envolvidas ou os efeitos psicológicos que o aborto pode ter na mulher.

Até quando uma questão tão séria, de saúde pública, será debatida por líderes religiosos e não por cientistas, juristas e pelas mulheres brasileiras, as mais afetadas pelo tema?

Diego Dubard

Jornalista nascido em Recife, vive em Brasília desde 2007 e quer se mudar em 2012, antes que o mundo acabe. Escreve porque precisa ganhar a vida e joga rugby por paixão. Twitter: @ddubard.


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  • Jcgjunio

    Concordo plenamente com o texto, em um país que se apoia em grupos pra se resolver questões de interesse geral não vai ter soluções importantes. O fato de um grupo não aceitar não invalida as questões para quem aceita, é preciso pensar de para a sociedade inteira.

  • David Alexandre

    Matou a pau, Diego. Muito mais importante do que discutir o que Deus pensa sobre isso, é discutir o que as mulheres pensam.

  • Dora_Delano

    Eu, particularmente, não sou a favor do aborto e sim, é por questões religiosas.

    Mas defendo a legalização, pois entendo que as mulheres têm o direito de decidir. E ao decidir, o direito de fazer isso com o máximo da segurança e sem medo.

    • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

      Isso sim é uma mentalidade madura por parte de uma mulher. Não encontro isso na maioria das que conheço, parabens =)

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000088922153 Wagner Menke

      Boa Dora. Basta ter em mente que descriminalizar o aborto não é o mesmo que banalizar a sua prática.

    • Aldo

      O poder de decisão, é isso. Concordo, e acho ainda que as pessoas precisam ter mais consciência sobre como evitar gravidez indesejada. Um feto não é um brinquedo!

      Uma questão de educação, educação e conhecimento sexual.

    • Abobrino

      Filho não se faz sozinho, pq deveria ser “desfeito” numa atitude solitária? A opinião do pai não significa nada? Pq depois que a criança nasce a pensão dele importa, não é mesmo?

      As mulheres não ficam a gravidez porque querem, é uma imposição biológica e como os homens não têm culpa nenhuma disso esse papo de “eu engravido, eu decido sozinha” não cola para comigo.

      O que se faz em dois se decide em dois.

  • Tiago D

    posso te dizer que a taxa de mortalidade do aborto é altíssima: para cada um realizado, pelo menos uma vida se perde.
    Pq desqualificar debatedores por sua orientação religiosa? Obviamente é preconceito achar que sua formação é menos importante que vertentes ideológicas, partidárias ou acadêmicas de outros debatedores. O que tem que se exigir de todos, são argumentos racionais, que contemplem todas as profissões de fé, sejam elas religiosas, ideológicas, partidárias, acadêmicas e até quem não professa nenhuma dessas vertentes.
    Não dá para continuar a discussão impondo dogmas religiosos como argumento, assim como dizer que é uma questão de saúde pública abortar, sem ter a definição clara de quando um começa uma vida. Isso é determinante no debate. Afinal, nenhuma um ser-humano pode ter primazia sobre o outro a ponto de tirar-lhe a vida por questões psicológicas ou financeiras. Os animais tem motivos mais nobres para matar um semelhante.
    Pra mim, não há dúvida que a vida começa na concepção, pois não há na biologia a definição de estágio “larval” do ser-humano. Por isso, logo que ele é concebido, tem os mesmo direitos de viver da mãe.  

    • Daniel Nascimento

      Complementando a resposta do tiago segue alguns pontos de vista sobre quando começa a vida.

    • http://www.facebook.com/koticho Gustavo Bertassoli

      Acredito que a questão não seja desqualificar os religiosos, mas sim o problema de o Brasil ser um acima de tudo um Estado Laico, que infelizmente vive a merce de preceitos religiosos acima de tudo. Isso limita muito o avanço em diversos temas que vão muito além do aborto (que por si só é um assunto de extrema importância) mas que suas discussões ainda engatinham por culpa da moralidade cristã dominadora.

    • http://www.facebook.com/people/Mariana-Springer-Almeida/100000457724871 Mariana Springer Almeida

      A questão não é desqualificar a visão de religiosos. A questão é que vivemos num Estado Laico. Se, como Estado, fossêmos aceitar a visão de algumas religiões, não teríamos nem a pílula anticoncepcional.

      Concordo, deve-se definir quando começa a vida. CIENTIFICAMENTE. Como o Daniel disse, se a morte cerebral significa a morte, provavelmente, sem neurônios não há vida.

      Eu, pessoalmente, não sei quando começa a vida. Por isto, não faria um aborto. Mas concordo com a Dora sobre o direito de decidir.

      • Tiago D

        concordo contigo, Mariana. Que se defina quando começa a vida, cientificamente, e, na minha opinião, que se considere crime qq atentado contra ela após esse início. 

    • Felipe C.

      Mesmo tendo uma definição biológica do que é vida, isso não altera o fato de que o aborto é sim uma questão de saúde pública. O conceito de vida ainda é discutível: pra mim ainda é bem diferente uma vida que está em processo de criação de si mesma (o corpo) do que uma já gerida e que já tem memórias, pensamentos e controle próprio (mesmo que não totalmente desenvolvido). 
      A religião pode e acredito que vai ser levada em questão, afinal diferente da situação atual, em que o aborto é proibido e a mulher deve resolver se faz isso clandestinamente ou se tem o filho contra a vontade, o aborto não será algo imposto pelas entidades. Não acredito que caso o aborto seja legalizado, alguém irá forçar a mulher que tem um ponto de vista religioso acerca do assunto a abortar, mesmo ela não queira isso. O problema é como já disseram, existem diferentes pontos de vista acerca do assunto e deveria haver uma liberdade de escolha, ou seja, fazer ou não o aborto.

    • http://www.facebook.com/gabe.cordeiro Gabe Cordeiro

      Nosso Estado não é Teocrático, é Laico. Tal definição já deveria bastar para se ignorar debatedores religiosos com seu: “Deus não quer aborto” “A Bíblia é clara!”, Como vi no comício/encontro de religiosos em Brasília ano passado (ou retrasado, sei lá), que foi televisionado por uma rede de tv religiosa.

      Mas como hoje ganha-se muito dinheiro e votos no meio religioso, um “Por que no te callas?” oficial, seria um tiro no pé para nossos queridos políticos de Brasília que muito se preocupam com o bem estar de seus votos (vide o “banho maria” da votação do Código Florestal, do Kit Gay/Homofobia etc).

      Não sou pró-aborto, mas sinceramente, “a César, o que é de César”.

      “Pq desqualificar debatedores por sua orientação religiosa? Obviamente é preconceito achar que sua formação é menos importante que vertentes ideológicas, partidárias ou acadêmicas de outros debatedores.” – Achei que isso tivesse sido superado desde o Iluminismo e Romantismo.

      “O que tem que se exigir de todos, são argumentos racionais, que contemplem todas as profissões de fé, sejam elas religiosas, ideológicas, partidárias, acadêmicas e até quem não professa nenhuma dessas vertentes.” – Ideologia, Partidarismo político, Academicismo, é uma ‘profissão de fé’??? Voltamos ao Medievalismo? Tirando o Liberalismo de Smith com sua grande “Mão reguladora” imaginária, Kant com sua “Natureza” e “Razão suprema” imaginários, a Meta-física não é mais mainstream, meu amigo.

      Não vou pro inferno (religioso ou acadêmico) se eu abandonar Marx e preferir Foucault, enquanto vou à igreja, meu caro.

      Dizer que Ideologia, Partidarismo e Academicismo é igual a Religião, com sua ‘profissão de fé’, é de um Ceticismo filosófico irônico.

      • Tiago D

        Vc vai me perdoar, mas não tenho culpa se você se limita a sua própria definição da palavre fé, associando de forma reducionista à religião. Me pergunto o que vc entende quando algum registrador diz “certifico e dou fé”.
        A formação de um ser-humano é baseada em vários elementos, com suas crenças ideológicas, partidárias, acadêmicas e, sim, religiosas. Alguns influenciam com mais ou menos força e alguns são mais ou menos importantes. Mas nenhuma é desprezível.
        Concordo que não se pode impor seus dogmas apenas pq vc acha que eles são certos. Assim como não podemos nos basear em conceitos que podem mudar daqui a pouco. A discussão precisa ser ampla e com racionalidade, das duas partes.

      • http://www.facebook.com/gabe.cordeiro Gabe Cordeiro

        Não limitei minha definição de fé, simplesmente associei o seu uso da expressão “profissão de fé” com a cerimônia de “profissão de fé” presente em ambientes cristãos, que pouco tem a ver com os outros exemplos que você usou ”ideológicas, partidárias, acadêmicas”.
        Tenho alguns amigos Presbiterianos e meu avô foi Metodista, sei muito bem do peso e responsabilidade que é a ‘profissão de fé’.Peço que não confunda uma resposta direta ao uso dúbio da expressão com uma exposição sobre o que penso de fé (conceito muito mais amplo).

    • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

       Cada vez que você come alimentos de origem animal ou vegetal você só pode fazê-lo às custas de outras vidas que se perderam. Cada vez que você pisa na grama algumas vidas se perdem. Cada vez que vez que você mata uma barata, uma vida se perde.

      Se o centro da questão for aquele que diz que o simples fato de tirar uma vida é errado, só tenho uma coisa a lhe dizer: morra de fome.

      “Ah, mas estamos falando de seres humanos, é diferente…”

      Não, não é. Vida é vida. Um feto não é um ser humano formado, é um projeto, tão compléxo e pensante quanto um filhote de cachorro. E não vejo ninguém por ai defendendo a criminalização do aborto animal. Muito pelo contrário, vejo as mesmas pessoas que são contra o abordo humano incentivando a castração de animais domésticos, sem consentimento do animal, é claro -e tenho certeza que jamais incentivariam esta prática em humanos.

      E não pregue sobre motivos nobres para os animais matarem, quando vários machos de espécies de felinos e caninos matam a prole de outras fêmeas por, literalmente, motivo nenhum. Eles também tiram vidas por motivos psicológicos fúteis. Outro dia meu cachorro viu um rato e o matou, somente para jogar o corpo fora depois. Animais não são os santinhos inocentes que muita gente pensa, todas as espécies tem o mesmo potencial de cometimento de atrocidades que os homens. Pouca diferença faria o mundo de hoje, dominado por macacos superdesenvolvidos, ou uma alternativa onde fosse dominado por cachorros e baratas igualmente avançados.

      Você pode ser contra o aborto, ao passo que eu sou contra submeter uma mulher a uma gestação indesejada e acidental “só porque deus disse que é errado”. Temos opiniões conflitantes neste ponto, mas não somos nós os afetados reais pelo problema da criminalização e clandestinidade dos abortos. Quem deve ou não ter direitos de escolha sobre a que sujeitar seu próprio corpo são elas, as mulheres.

      • Tiago D

        Obviamente, estou colocando o ser-humano acima do patamar dos animais (pq eu veja isso como correto) e digo que considero errado tirar a vida de um SEMELHANTE apenas por questões psicológicas ou financeiras.
        Vc tem a sua definição de quando começa a vida do ser-humano, com suas convicções. ok. eu tenho a minha. respeite. Isso que eu acho que precisa ser posto em debate antes.
        Pq, se ficar decidido que a vida começa dentro da barriga da mãe, ela não tem o direito de matá-la, assim como uma mãe pode ser punida criminalmente por deixar um recém-nascido, que também depende dela, morrer, por exemplo, de fome.

      • Marcos Coelho

        Um adendo Sandro

        Há um pesquisador que prega uma política de esterelização generalizada para mulheres pobres. Segundo ele, já que pobre não tem condições de ter filho, laqueadura de trompas é a solução. É um médico conhecido internacionalmente. Seu nome: Elsimar Coutinho. Ou seja, o negócio é muito pior do que pensamos!!!

    • http://twitter.com/ddubard Diego Dubard

      Se você me apontar um biólogo cristão, judeu, espírita (ou de qualquer religião ou filosofia espiritualista) e ele não usar argumentos como “deus quis assim” ou “meu livro sagrado afirmar que” eu não vou vê-lo por sua crença, mas por sua profissão/formação, é muito simples.
      Eu tenho MINHA opinião de quando começa a vida e porque eu não a coloquei? Porque eu não quis me abraçar as minhas crenças para escrever esse texto. Porque enquanto você diz que uma vida se perde a cada aborto, os abortos clandestinos, muitas vezes, aumentam esse número para duas vidas.
      Ser religioso não é pré-requisito para ser pró-vida. Conheço ateus que são absolutamente contra o aborto, porque eles consideram que a vida começa na concepção.
      A religiosidade, entretanto, tem um aspecto fundamental para algumas pessoas serem contrárias descriminalização do aborto. Argumentos sem qualquer fundamento científico, defendidos e usados em argumentações, “deus castiga”. A questão de Maria, que leva a uma hipervalorização da maternidade.

    • Marcos Coelho

       Prezado Tiago

      Vc sabe quando uma criança era considerada ser humano na Idade Média? Quando ela sobrevivia à mortalidade infantil que possuía indices catastróficos. Ou seja, para evitar o sofrimento da perda, os pais e mães medievais evitavam a criação de laços afetivos com os seres humanos muito jóvens. Da mesma forma que para evitar o sofrimento daquele que vai nascer e da mãe, opta-se hj pelo aborto. O problema é que hj antes mesmo de nascer, consideramos o não nascido um ser humano.

  • http://profile.yahoo.com/7AB5B5RUGXS66ZPCPMDEGE6XI4 VD

    A mulher poder decidir se ela quer ou não é uma questão pessoal, e somente ela pode tomar essa decisão pois quem criará o filho é ela; quando não a deixam decidir, aumenta a chance dela ter um filho e matar logo após nascer como têm acontecido muito, ou abandonar na rua ou em latas de lixo como temos visto nos noticiários, e também quando uma mulher não quer seguir adiante com a gravidez, não tem quem a faça mudar de idéia, daí ela faz um aborto clandestino e corre um risco enorme de morrer em decorrência de hemorragia ou infecção, então já que vai fazer mesmo, que faça com segurança. Tanto que existem ONG´s que apoiam o aborto orientado, evitando mortes de mulheres que fazem errado. E sobre religião, o que eu aprendi é que não acontece nada na terra sem que Deus permita…ponto!

  • http://www.facebook.com/people/Mariane-Do-Carmo-Costa/1615511512 Mariane Do Carmo Costa

    Sou totalmente a favor do aborto. Em geral as pessoas que se dizem contra imaginam que o feto morto se tornaria uma pessoa como elas mesmas. Bem nascidas, bem criadas, bem educadas, bem sucedidas dentro de suas limitações, bem amadas e bem instruídas. Elas se esquecem de analisar a questão detalhadamente do principio ao fim. Pra começar, alguém capaz de abortar NÃO QUER TER FILHOS. Isso significa que ao nascer esse bebezinho tao bonitinho não será amado, será limpo, tratado e poderá acabar numa lata de lixo como tantos todos os dias. Sim todos os dias, não é pq não deu na TV que não aconteceu. Se crescer, se tornará um adolescente sem instrução, sem modos, sem limites, revoltado e/ou deprimido e possivelmente mais um trombadinha. Quando adultos são trabalhadores desqualificados descontentes com a miséria em que vivem, prostitutas, mendigos ou pior bandidos. Talvez aquela criança que você insistiu em dar a vida seja a mesma que vai tirar a sua num assalto no sinal. Alguns vao dizer que pode entregar pra adoção. Esses com certeza não conhece a realidade. Basta olhar para dentro. Quantos leitores aqui do PDH pretendem ou já adotaram um filho? Há seres humanos que não merecem ser pais talvez não em um determinado momento. E sinceramente, para ter uma vida como a descrita acima, talvez seja melhor nem nascer!

    • Daniel Paschoal

      Pois é, podemos então eliminar todos esses seres indesejáveis! Trombadinhas, revoltados, deprimidos, feios e sujos, matamos todos!
      O mundo seria muito mais belo e agradável, que tal?
      E o pior é que você deve se achar bem distante do nazismo.

      • Vitorife

        Eliminar os seres indesejáveis se chama eugenia e, concordo, faz parte do ideário nazista. Mas nem por isso quem apoie algum ideal eugenista (eugenia forte ou fraca) é nazista.
        Na verdade, apoio a leitora Mariane, e ela nem sequer pregou nenhum ideal eugenista, muito menos nazista.

        Da minha parte, sou a favor do aborto dentro de regras restritas, que garantam um aborto fundado numa firme convicção da mãe e do pai, caso presente e disposto a criar o filho. Mas, por óbvio, a decisão de mais peso é da mulher, quem irá arcar com o ônus maior de uma gestação indesejada.
        Infelizmente, ficamos no debate maniqueista do sim e do não, deixando de levar em conta que uma legislação pró-aborto pode ser tão restrita ou tão ampla quanto a mente do legislador possa imaginar. Passemos à discussão dos termos em que cada um aceita o aborto e veremos que o sim e o não têm muitas nuances e grupos sectários.

        Quanto à questão da vida. Sou a favor do aborto e da vida. Contradição? Não, senhoras e senhores. A questão da vida é mais um debate maniqueista geralmente simplificado. O fato é que ninguém costuma se dizer contra a vida. Pena que o máximo da especificação da vida nas discussões tenda a ser o momento científico da origem da vida. Essa é uma questão, no meu entender, secundária. A questão primária sobre a vida as pessoas não costumam colocar, qual seja: a questão da vida DIGNA. Legal que alguns tentaram fazê-lo.
        A vida que me interessa é a vida DIGNA, e não qualquer vida. A vida em si não é o valor maior (óbvio que não sou cristão e que para um cristão é inviável concordar com essa máxima). De que vida estamos falando, gente? Queremos uma vida pobre, perdida, sofrida, doida? Claro que não.
        Em suma, eu quero e defendo a vida “boa” para mim e para os outros. O aborto pode ser uma arma na luta social por uma vida mais digna para os seres humanos, sendo bem utilizado.
        Por fim, para quem acha que sempre é possível transformar uma vida prototicamente complicada num projeto de grande cidadão, honesto, ético e digno, faça a mágica e ignore a realidade violenta ao seu redor. Quer ser o Super-Homem ou a Super-Mulher, por favor, seja! Eles não existem e a gente sente falta. Mas, por favor, entenda que as soluções possíveis nunca são perfeitas, entre elas o aborto.

      • Daniel

        Vitorife acredita que só a vida BOA é que vale a pena ser vivida, penso que que podemos então criar um comitê para avaliar quais são as vidas dignas, que podem seguir em frente e quais são as vidas pobres e sofridas, que devem ser, vamos dizer, encerradas.
        É a Val Marchiori falando sobre o aborto! Helloouuu se vai nascer e nem pode tomar Champagne é melhor nem nascer!
        Aborto como luta social? Eugenia forte e fraca?
        É de gelar a espinha!

  • http://www.facebook.com/people/Bruno-Gouvea/100000306561706 Bruno Gouvea

    Achei excelente o seu posicionamento. Além da clareza espetacular de alguns posicionamentos aqui, pois a questão é bem simples neste caso. Sendo contra o aborto, basta não praticá-lo, mas isso não dá o direito de impedir o outro de ter uma decisão contrária.
    Fato semelhante foi aquele referendo babaca sobre o desarmamento (que inclusive o Sarney chamou a população de idiota ao desejar reimplantá-lo, mas com as preguntas reformuladas), da qual nem seria necessário a sua existência. Quem é contra armas, basta não comprar, mas ao impedir que um cidadão de ter seu direito de legítima defesa em nada contribuirá para a redução da violência, já que bandido não vai na polícia federal solicitar porte, gastar uma nota em avaliações, testes e taxas para comprar armas com calibres anêmicos…

  • http://www.facebook.com/livyr Li Vy

    rápido e incisivo. questões que dizem respeito a fé de alguns não devem guiar as leis de um país laico e muito menos a vida de pessoas que não compartilham desta mesma crença.

  • http://rafaelgerude.wordpress.com Rafael Gerude

    Sem entrar no mérito religioso, please!!!
    Acho que tem um erro estrutural nessa comparação. Não se pode relativizar tudo e jogar ao nível das porcentagens… Quantos nascimentos ocorrem diariamente? Quantos abortos? Isso é mero reducionismo e dá margem para diversos comentários. Se reduzirmos tudo a números percentuais, poderíamos dizer que, historicamente a violência diminuiu… No início dos tempos, a criminalidade chegava a 50% dos homens. Caim matou Abel… Pronto! Viu? Cuidado com os percentuais, eles são traicoeiros!!!

    • http://www.facebook.com/people/Daniel-Luiz/100002163812083 Daniel Luiz

      Rafael,

      não concordo muito com o que você disse, se você prestou atenção no primeiro paragrafo quem escreveu o artigo obteve e analisou dados referentes à 7 anos de nascimento e aborto, isso em pesquisas clínicas é muita coisa (não é uma amostra por conveniência como você utilizou). 

      E provavelmente eles utilizaram algum teste de hipótese, algum modelo estatístico para rejeitar ou não a hipótese de que se morre mais mulher durante ou depois do parto do que depois do aborto.

      Artigos para serem aceitos e publicados em revistas necessitam comprovar os dados e os resultados obtidos.

    • http://twitter.com/ddubard Diego Dubard

      e quem falou que caim e abel eram os únicos humanos vivos? (se fossem, o mundo teria acabado, afinal, ou eles seriam um casal gay – que deus não gosta – ou e quem seria a mãe da próxima criança?)
      De toda sorte, a pesquisa não pede que você aborte, apenas fala que o aborto legalizado não é tão perigoso quanto algumas pessoas querem afirmar que seja.
      Acho que serviu apenas de gancho para algo muito mais sério que é a forma como o tema NÃO é tratado no brasil.

  • http://www.facebook.com/people/Júlivan-Arantes-da-Silva/100001032282778 Júlivan Arantes da Silva

    Sou a favor da eutanasia e contra o aborto. Acredito que temos o direito de decidir sobre nossa vida, e o governo não. Acredito que as leis são necessárias para regular a convivência social. Portanto, não me importo com a opinião das mulheres e sim com a do feto. Como este não pode decidir ainda, opte-se pela vida.

    • Daniel Nascimento

      Concordo plenamente com você. O estado deve definir onde começa a vida. A partir disso ele tem obrigação (constitucional) de defender os direitos do cidadão, principalmente se ele for incapaz de fazer isso por si próprio.

  • http://twitter.com/luizagcn Luiza

    A questão é: mulheres vão abortar sendo legalizado ou não. A diferença é que no aborto legal só a ‘vida’ (pra quem assim acredita) do feto é tirada, no ilegal muitas vezes a mulher morre. Se você é tão a favor da vida assim deveria pensar na vida da mulher, porque no Brasil só corre risco com aborto ou não aborta quem é pobre. 

    • Anderson Moraes

      Olá, Luiza. Deixa eu pensar alto e aprender com você e a turma. Perdoe qualquer falta de clareza.

      Ponto 1:
      Se for permitido o aborto, pois as mulheres vão abortar sendo legalizado ou não, por que não permitir também o furto? Afinal, legalizado ou não, o furto vai sempre acontecer.

      Ponto 2:
      Se o aborto for permitido a TODAS as mulheres para evitar que ALGUMAS mulheres morram em aborto ilegal, deixando assim de matar ALGUNS fetos de aborto ilegal para matar TODOS os fetos de aborto legal, não estaríamos trocando seis por meia dúzia, salvando vidas* aqui para matar outras lá?

      Um abraço!

      *A questão (ou o mistério) de fundo, me parece, sempre será a definição sobre o começo da vida.

    • Hey

      Pow champs, q lógica boa. Vai ao encontro da constituição, que garante o direito de vida à todos, inclusive ao feto. Permitir o aborto não iria de encontro à essa premissa não? Ou as leis não devem ser redigidas segundo os direitos garantidos a todos os cidadãos brasileiros pela constituição?

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1066327634 Dani Stark

    Acho que a questão principal não é a religião, ou o pesquisa, ou o que quer que seja.
    A questão principal aqui é, e sempre será, a saúde da mulher. Muitas mulheres morrem em abortos clandestinos. Esse é a questão a ser discutida: o que fazer para evitar isso? 
    Na minha opinião, deve se começar com a liberação do aborto para ser feito em clínicas e hospitais desde que sejam cadastrados e regularizados pelo governo e mediante acompanhamento por agente social. . E também uma política maciça de orientação ao controle de natalidade, já que distribuir camisinhas e anticoncepcionais somente não resolve essa questão. 
    Aborto não é um tema isolado. Tem a ver com toda a sociedade, cultura, religião,direitos das mulheres. Mas a questão principal é a de saúde. 

  • http://www.facebook.com/people/Júlivan-Arantes-da-Silva/100001032282778 Júlivan Arantes da Silva

    Mulheres vão abortar sendo legalizado ou não, ladrões vão roubar sendo legalizado ou não, estupradores vão estuprar sendo legalizado ou não, haters gonna hate…

  • Rodrigo

    Que abjetos estão a maioria dos comentários! Querem tratar fetos humanos como acne! E como disse o Daniel “E o pior é que você deve se achar bem distante do nazismo.” Se o tema fosse ovos de tartaruga marinha, tenho certeza que todos iriam melindrar. Acho que é isso, espero que fetos humanos sejam tratados pelo menos como tartarugas, com o mínimo de respeito. Não entendo ainda por que os abortistas e aborteiros gostam tanto de mentir tanto sobre números, talvez acham que irão diluir essa bossalidade. Se melindrarem com essa frase, procurem na internet a conferência do médico americano Bernard N. Nathanson, proferida no Colégio Médico de Madri onde ele confessa as mentiras usadas, mas felizmente passou a defender incondicionalmente a vida! P.S. não são apenas religiosos que são contra o aborto e numa sociedade democrática cristãos têm o mesmo direito de não-critãos de opinar.

    • http://twitter.com/ddubard Diego Dubard

      Claro que existem mentiras nos dois lados da discussão, mas normalmente trabalhos publicados em revistas científicas são sérios. Cada vez mais a fraude científica vem sendo combatida pelas publicações.

  • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

    pontual! ótimo texto!

  • Mr. Kite

    Realmente, deve ser melhor abortar que as pessoas assumirem as suas responsabilidades. É fácil ser irresponsável (no caso de uma gravidez indesejada) e depois querer que o Estado ampare e isente as pessoas do suplício de ter um filho. Sim, o Estado é laico, mas, as pessoas poderiam perceber, é que elas querem é que o Estado seja um deus soberano que vai livrá-las de todo o peso na consciência e da culpa de ter sido irresponsavel.  

    Tratam o aborto como um caso isolado e não analisam os possíveis efeitos para a sociedade. Parece que ninguém pensa que a legalização do aborto vai trazer ainda mais o desinteresse pela utilização dos métodos contraceptivos para, consequemente, alastrar ainda mais DST’s, por exemplo. Ou vão exigir do Estado também que te livre da culpa por ter pego Aids ou outras coisas?

    Ahhh, e antes que me acusem de religioso: Não, eu não sou dessa laia =D.

    Ah, e olhem só as milhares de mulheres que morreram em 2009 por causa de gravidez, parto ou (o injustiçado) aborto na imagem abaixo.

    • http://twitter.com/ddubard Diego Dubard

      Preferia que você você religioso, eu conseguiria entender sua posição.
      Você fala: “Tratam o aborto como um caso isolado e não analisam os possíveis efeitos para a sociedade. Parece que ninguém pensa que a legalização do aborto vai trazer ainda mais o desinteresse pela utilização dos métodos contraceptivos para, consequemente, alastrar ainda mais DST’s, por exemplo. Ou vão exigir do Estado também que te livre da culpa por ter pego Aids ou outras coisas?”
      omo se fosse extremamente de boa fazer um aborto, algo super normal,” vou ali comprar um pão, na volta eu aborto e mais tarde a gente sai de balada, 23 horas estou pronta.” Vários países que não criminalizam mais o aborto tem taxas parecidas ou mesmo menores de quando a prática era feita ilegalmente.

  • Ronaldo Pereira Lima

    Perfeito o comentário do Júlivan. Quando as mulheres argumentam que estão exercendo o seu direito de escolha, se esquecem que estão decidindo sobre a vida de outro ser humano, e não sobre o “seu corpo”. Pode-se investir tempo, cuidado e carinho em algo que será como você, como nossos pais fizeram,  ou optar por descartar o feto como um pedaço de você que não te agrada. Aos que duvidam da humanidade de um feto, bom , lembro que alguém já viu o resultado da procriação entre um homem e uma mulher não ser humano? Para mim, ser a favor do aborto demonstra alguns pontos sobre quem o pratica:

    1- Incapacidade e maturidade de arcar com as consequências dos seus atos. (Transei sem proteção, foi bom, gostoso, mas agora quero viver minha vida em paz)
    2 – Primazia da vontade ( eu quero, eu posso eu farei…) como se a vontade da mulher pudesse se sobrepor ao direito à vida de outra pessoa. 
     Parece-me óbvio que a diferença entre um aborto e um homicídio é apenas temporal, não de natureza. Posso matar a criança hoje, mas daqui a poucos meses não posso mais e me transformo em um monstro. Mas é no fundo uma escolha moral, afinal a criança atrapalharia os pais a irem às festas, baladas, e “atrasariam suas vidas”. “Para que sair do egocentrismo e viver pelo outro, se eu sou linda, gostosa, independente, o pai do meu filho é um babaca e o corpo é meu, seu católico opressor da liberdade feminina”. Falo apenas dos abortos “normais”, casos de estupro e risco de vida à mãe precisariam de uma análise mais detalhada. 

    • Anderson

      Concordo!

      Todo o mundo enche a boca pra dizer ”a mulher tem direito de decicidir sobre seu corpo”. Desculpa esfarrapada! A questão da decisão sobre o corpo é o de menos, o que a grande maioria das mulheres que recorrem ao aborto não querem é que o fruto da sua falta de responsabilidade acabe com suas vidinhas confortáveis.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001599609830 Lívia Andrade

    Sou totalmente de acordo com a opinião do texto. Cabe à mulher, a mais interessada no assunto, optar pela prática do aborto ou não.

  • Rodrigo

    Enfiar
    no útero um tubo oco com uma ponta afiada e, com uma sucção 28 vezes
    mais forte do que a de um aspirador de pó, despedaçar o corpinho do
    feto. Perceber que o coração do bebê entra em taquicardia e ele instintivamente foge do tubo, mas é tarde, ele não é um animal em extinção. Se fosse seria mais protegido… Depois com uma pinça pesada triturar a cabeça do quase nascido como um quebra-nozes e retirar pedaço por pedaço com uma pinça o resto do crânio do futuro bebê (que não costuma ser
    aspirado pelo tubo). Creio que isso seja muito singelo para alguns que tratam esse assunto tão futilmente…

  • http://www.facebook.com/people/Francisco-De-Assis-Rosa/568548135 Francisco De Assis Rosa

    Independente de questões religiosas ou jurídicas, ao meu modo de ver, apenas uma pergunta definiria a questão do aborto:
    “QUANDO COMEÇA A VIDA HUMANA?”
    Se a vida começa no momento da concepção, NINGUEM tem direito de por a fim a uma vida usando como argumento que é o seu corpo e ela que decide o que deve ser feito com ele. Até porque não seria só seu corpo, já passa haver uma segunda via envolvida.
    Se a vida começa na metade da gravidez, até esse momento é justo a mulher decidir.

    Infelizmente isso é uma questão difícil de responder. Tudo que se fala sobrre isso, ou é teoria ou é uma crença.
    “Um feto em desenvolvimento ja é um humano ou não?”

  • Yuri

    Eu sou contra o Aborto, mas sou a favor da descriminalização. Assim como não uso drogas, e sou a favor da descriminalização da maconha.

    Ora, não é porque eu tenho uma opinião de mundo que todos devem ter a mesma. Assim, cada um julgue os fatos da maneira que achar correta, e tome a atitude correspondente.

    Eu não apoiaria ninguém a abortar, mas não tenho o direito de interferir na decisão alheia.

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    Evitar é mais seguro que abortar. Mas se justifica?

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    “precárias condições em que o aborto ilegal é realizado, de que o procedimento seria fisicamente perigoso para a mulher.”
    Acho que o aborto é fisicamente prejudicial para a criança.

    • UDR

      Que criança? Você quis dizer: EMBRIÃO (até a oitava semana) ou FETO (até o nascimento). Achar que um monte de célula que se multiplica é uma vida, tratamento contra câncer é assassinato.

      • Anderson

        Comparar uma vida em potencial (já que alguns insistem e dizer que não é uma criança) com um câncer que não trás nada além da morte é uma comparação no mínimo equívocada.

        Eu tenho uma novidade para você: assim como o embrião e o feto, você também é um amontoado de células. Você e todo ser vivo que vaga por esse planeta.

      • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

        Sinceramente, não vou dizer isso para ofender, mas é uma das coisas da maior ignorância que eu ja vi escrita por aqui.

        Acredito que não importa o nome que se dê, em poucas semanas da fecundação do óvulo aquele “amontoado” de célula ja luta pela vida, em oito semanas se alimenta e tem um coração funcionando, digam o que quiserem para defenderem o aborto, em minha visão ele ceifa uma vida.

  • http://profiles.google.com/andrefd andre deuner

    não tem cabimento não ter sido regularizado ainda.

  • Anderson

    Sempre que eu leio algo sobre a legalização do aborto, além de pensar em questões já exaustivamente debatidas que englobam a condição do feto como ser humano entre outras, penso que a legalização do aborto contribuiria com a construção de uma sociedade de pessoas ainda mais irresponsáveis.

    Se a mulher não queria ter filho, tinha como previnir a gravidez e não previniu, ela assumiu a responsabilidade do que fez, ou pelo menos deveria. Agora, se ela engravidou, quer negar essa responsabilidade, ir abortar e acabar morrendo por causa disso, também é um risco que ela assumiu, e dessa consequência ela não pode fugir. Tratar esse tipo de irresponsável como uma coitadinha que não teve culpa de nada é algo que eu não me conformo.
     
    O mesmo pensamento irresponsável que leva uma pessoa a fazer sexo sem proteção acaba levando essa mesma pessoa a dirigir bêbada achando que não vai dar nada, ou a largar um jet ski na mão de um adolescente de 15 anos que não sabe guiá-lo em meio uma praia cheia de crianças. Apoiar esse tipo de prática é tornar ainda mais irresponsável uma sociedade que cada vez mais só quer ter mais direitos e menos deveres, e se a justificativa da legalização é evitar a perda de mulheres que recorrem ao aborto ilegal, podem me chamar do que quiserem, mas eu prefiro uma irresponsável a menos no mundo do que passar a mão na cabeça de pessoas que não querem assumir o que fazem.

  • http://www.facebook.com/people/Heloisa-Biagi/100000873607739 Heloisa Biagi

    Se você é religioso/a e acha que abortar é contra as leis divinas, simples: não faça aborto e nem deixe sua parceira fazer! Mas respeite o direito de outras pessoas de diferentes visões e credos. Questões religiosas deveriam se resignar ao campo religioso. O Brasil é um país laico.

    No mais, não sei se teria coragem de abortar, mas defendo o direito ao aborto.

  • Andressa

    “ ’amar ao próximo como a ti mesmo’ é o que nos impede moralmente de querer fuder com a vida do outro por qualquer que seja o motivo”acho que ter consciência de respeitar as pessoas assim como vc gostaria de ser respeitado pra se ter uma vida agradável em sociedade é o que faz com que as pessoas não fodam a vida dos outros por qualquer motivo. não é necessário seguir nenhum mandamento ou instrução bíblica pra se poder ser uma pessoa boa (que não foda com a vida dos outros).Matar é crime no código penal, mas a partir de que momento começa a vida? Se é a partir da fecundação, pq se pode criar óvulos fecundados em clínicas de fertilização sabendo que muitos deles serão desprezados?

    Fora o fato de que até pouco tempo atrás estupro era só por sexo vaginal. Se houvesse relação anal ou oral forçada seria apenas atentado ao pudor. Até pouco tempo atrás adultério poderia levar uma pessoa a cadeia. Não to dizendo que matar deve ou vai ser legalizado, mas que basear-se só na lei não é um argumento válido.

    (nem vou comentar da parte do ‘comunista’, pq né? bizarro)

  • Anderson

    Pode ter certeza que a maioria esmagadora das mulheres que recorrem ao aborto são sim irresponsáveis. Os métodos contracepetivos são, em geral, bastante seguros e dificilmente falham, embora haja sim uma pequena taxa de falha. Ainda assim, conheço mulheres onde essa pequena taxa de falha perdurou e não vi nenhuma delas sequer cogitar o aborto. Elas abraçaram essa responsabilidade e criaram seus filhos normalmente.

    ”Irresposabilidade é por no mundo uma criança, sem que a mãe tenha o mínimo de condições emocionais, economicas e sociais para criar esta criança!”

    Concordo. Por isso, se não tem condições emocionais ou economicas, tem que evitar. Se não evitou por pura irresponsabilidade (o que, correndo o risco de ser repetitivo, é o caso da imensa maioria dos casos de gravidez indesejada) tem mais é que criar a criança sim. Falar que a criança vai sofrer não justifica, já que todo mundo nesse mundo está sujeito ao sofrimento, isso sem contar que existem muitas pessoas que não tinham as melhores condições para criar seus filhos e ainda assim os criaram muito bem. Quanto à mãe, é bem provável que com uma criança para sustentar a mesma crie um pouco de juízo, como já vi acontecer com muita gente. 

    • Marcos Coelho

      Levando em consideração essa sua linha de raciocínio, pq não acredito que o aborto seja um erro, depois do erro cometido, custe o que custar, ambos mãe e filho devem pagar pelo erro da mãe. Ou seja, por causa do erro da mãe um FETO deve se tornar em uma criança sem nenuma perpspectiva porque Anderson assim entende. Além disso tem aquele ditado, “atire a primeira pedra…”

      Me responda uma coisa, sinceramente: Vc acha o aborto um erro? Vc conhece alguma mulher – alguma parenta, amiga, colega de trabalho que abortou? Vc deixaria ela morrer? Ou socorreria caso ela tivesse correndo risco de vida?

  • http://www.facebook.com/people/Maria-Matos/100001875113348 Maria Matos

    Ótimo texto! 
    A unica coisa que não passou pela minha cabeça foi abortar, e sim foi por motivos religiosos eu não me arrependo de assumir os meus erros, optei pela vida e por  criar o meu filho, não sou contra o aborto, pois  nem todas as mulheres tem a capacidade de ser mãe!

  • http://www.facebook.com/pauloaguirra Paulo Aguirra

    Esse é o típico assunto em que conseguem misturar tudo com nada para justificar um ponto.

    A verdadeira problemática do aborto é o inicio da vida. A vida nesse país é um direito inalienável, nem eu posso nem você pode tirar, sequer posso decidir que tirem a minha, exceto em guerra.

    A bagunça que se resolve fazer é o fato do estado ser laico com a religião, e com a ciência. Nenhuma dessas coisas deveria interferir na outra, justamente porque o estado é laico. O Brasil tem uma constituição. Um dos propósitos dela é evitar a ditadura da maioria, seja católica, ou científica. O direito a vida é inalienável, e é obrigação do estado garanti-lo. Não importa quem seja maioria, enquanto a vida for considerada inalienável, ou a vida for considerada a partir dar concepção a discussão não vai prosseguir.

    Querer dizer que a ciência define vida a partir de X tempo, e isso é a grande verdade, é burro. De quebra menos honesto do que um teísta ao defender por fé. A ciência tem pilares na falseabilidade, logo, tudo pode estar errado. A ciência gera conhecimento, o conhecimento não tem moral ou valor agregado, não tem valor de certo ou errado. Ser ateu não quer dizer em acreditar na ciência, parem de associar os dois.

    Essa não é uma discussão de ciência e religião, é uma discussão da moral, do costume. Culpar os teistas por serem organizados e criarem partidos para o seu interesse é ridículo. Organize-se, crie seu partido (organização, grupo, representação, assembléia, etc), seja eleito pelos seus pares e vá a luta. Não quer lutar, procure um deputado que represente seus ideais e vote nele, cobre do deputado durante o mandato. Se o ideal for constitucional e tiver representatividade, como foi no casamento homossexual, passa para frente.

    —-

    Quanto a dados, a pesquisa mais tranquila e completa que eu li sobre isso esta no freakonomicks. Não que seja para ser lido como literatura única, mas é um bom start. Inclusive eu vejo a posição do autor como neutra, ele esta lá apenas para demonstrar os dados.

    abraços

  • Anderson

    Em resposta ao Marcos Coelho (já que não abre mais a opção ”responder” lá em cima):

    ”ambos mãe e filho devem pagar pelo erro da mãe”
    A mãe deve assumir a responsabilidade do que fez, assim como todo mundo deve assumir a responsabilidade por seus atos, conceito que parece estar em baixa hoje em dia.
    Agora, com relação à criança, você fala como se o destino dela já estivesse traçado. Ela pode muito bem crescer, estudar, se tornar um grande médico, advogado, engenheiro e ter um futuro brilhante. Ou então pode sofrer, assim como toda criança que é colocada no mundo está sujeita à sofrer, tenha sido ela fruto de uma gravidez planejada ou não. Se o objetivo é evitar o sofrimento da criança, então que se faça abortos em todos os casos de gravidez, assim a gente garente que ninguém mais vai sofrer no mundo.

    ”Ou seja, por causa do erro da mãe um FETO deve se tornar em uma criança sem nenuma perpspectiva porque Anderson assim entende.”
    Como já disse acima, nada garante que essa criança não terá nenhuma perspectiva. E com relação ao ”FETO”, concordo com o Ronaldo quando ele diz que que a diferença entre o aborto e o homicídio é apenas temporal. Para mim não há diferença entre interromper uma gestação e matar a criança logo após ela nascer.

    ‘Além disso tem aquele ditado, ”atire a primeira pedra…”‘
    Eu cometo erros sim, e sempre aprendi que devo assumir a responsabilidade por eles.

    ”Me responda uma coisa, sinceramente: Vc acha o aborto um erro?”
    A não ser que a questão envolva alguma questão mais séria, como a manutenção da vida da mãe, acho um erro sim. Razões econômicas e emocionais NÃO justificam.

    ”Vc conhece alguma mulher – alguma parenta, amiga, colega de trabalho que abortou?”
    Não.

    ”Vc deixaria ela morrer? Ou socorreria caso ela tivesse correndo risco de vida?”
    Não deixaria morrer. Eu a socorreria. Mas se acontecesse de morrer, não ficaria com pena, pois ela procurou isso, e também não acharia que o aborto deveria ser legalizado para diminuir o risco de que isso ocorra com outras mulheres, pelos motivos que já expus, além de considerar sim que o feto já é um ser humano.

  • http://www.facebook.com/people/José-Guilherme-Pessoa-Trindade/100002064904942 José Guilherme Pessoa Trindade

    Eu acredito que o Aborto assim como a legalização de certas drogas são penas válvulas de escape que tentam corrigir um problema social, são peneiras que tentam tampar o sol.

    O métodos anti-conceptivos estão aí, são amplamente divulgados, são distribuídos de graça na rede pública.

    As pessoas precisam arcar com a sua conduta, a desculpa que esses futuros seres humanos poderiam virar criminosos não muda o fato que o problema não esta na gestação, mas sim na sociedade e em um governo que cria circos para desviar a atenção de questões que realmente podem mudar o rumo das coisas.As pessoas que usam esse argumento devem ser a favor dos grupos de extermínio de mendigos e pobres, pois são “problemas” para a sociedade, o que mudaria é que se mataria antes da ação, sem mesmo saber se essa futura vida seria de fato um criminosoResponsabilidade, essa é a palavra, tanto da mãe quanto do pai, a mulher não tem filho sozinho, se o cara for de fato pai deve pagar as despesas de médico da mãe enquanto grávida e sustentar o filho, se não quer ser mãe opere antes de ser, não coloque algo natural como uma sina, tenha responsabilidade dos seus atos. 

    Ora, que se aplica uma educação crítica e de qualidade, onde as pessoas saibam o que significa de fato um aborto ou uma cirurgia, se a maioria das pessoas não são conscientes nem da sua responsabilidade na hora de votar, imagina na hora de um aborto.

    Quando isso acontecer podemos discutir sobre a maconha, aborto e pena de morte.

  • UDR

    hahaha que delícia. Esse tipo de gente existe de verdade pessoal.

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    Onde fica o respeito a decisão do pai caso esse queira ter o filho?

  • Daniel

    Mariane minha querida, tentei ser irônico, mas parece que não deu certo.
    Não poderia concordar mais quanto a ter filhos somente quando estivermos preparados, eu mesmo tive o meu primeiro com 32 anos. Para isso, durante 16 anos, utilizei métodos contraceptivos dos mais variados, conhece? São coisas muito modernas e talvez você ainda não conheça. Posso citar a camisinha, que foi inventada a apenas uns 600 anos e a pílula, que tem meros 55 anos de existência.
    Inclusive o Ministério da Saúde financia uma gama variada desses métodos, aprenda mais em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtxt=33886 . Dentre esses métodos, está a chamada pílula de emergência, ou do dia seguinte, que você deve saber para quais casos servem.
    Para a sua defesa do aborto, fica a pergunta, até quando abortar? Que tal essa modalidade, que é a mais segura para realização após as 22 semanas de gravidez, parece adequada a você?
    “O aborto por ECI (esvaziamento craniano intra-uterino), ou aborto com nascimento parcial, é uma técnica utilizada para interromper a gravidez avançada (entre 20 e 26 semanas). Guiado por ultra-som, o médico agarra a perna do feto com um fórceps, puxa-a para o canal vaginal, e então puxa seu corpo inteiro para fora do útero, com exceção da cabeça. Faz então uma incisão na nuca, inserindo depois um catéter para sugar o cérebro do bebê e então retirá-lo por inteiro do corpo da mãe.” 

  • Rafa

    Em toda a evolução de uma vida só podemos dizer que houve uma mudança real de estado quando os gametas se juntam formando o zigoto com 46 cromossomos, formando o ADN que acompanhará aquele indivíduo por toda a vida. Depois da fecundação tudo não passa de multiplicações de células e não podemos determinar nenhum outro ponto de mudança substancial (não é possível determinar o momento exato em que o córtex é formado por exemplo). Daí penso que o momento para ser considerado vida seja a fecundação.
    Depois da fecundação, como já é vida, qualquer tipo de aborto é assassinato (sem meias palavras).
    Não existe crtl+z na vida real. O problema é mais embaixo. Medidas preventivas de segurança e educacionais são muito mais eficientes tanto para a saúde quanto para o psicologico das mulheres, além de ser mais barato. O problema deve ser resolvido na raíz, antes da gravidez.

  • Elis

    Gostaria de saber se o homem que contribuiu para gerar uma vida dentro do corpo da mulher também tem direito sobre esse ser?
    Se a mulher bate o pé e nega até a morte o desejo de ter a criança,mas o parceiro comparece ã situação delicada e diz que quer assumir com todos os encargos e responsabilidades…e aí,ela pode abortar mesmo assim?
    Batendo um olho rapidamente pelos comentários,náo li todos,mas boa parte só se lembra da irresponsabilidade da mulher em ter transado justo no dia em que ovulou,com ou sem um método contraceptivo eficiente para permiti-la ao mesmo gozo despretensioso que o homem tem.
    Lá no fundo sabemos que nem é tão fácil assim administrar a tabelinha,com uma boa camisinha,pílula no horário e o tesão.Em algum momento o trem descarrilha e aí,pimba!HOMEM e MULHER GRÁVIDOS.

    E independente de ser legal ou ilegal,quantos foram os homens que compareceram junto às mulheres com quem se relacionaram para decidir em conjunto o que fazer?Não é de hoje que o homem veste suas calças e sai sem olhar para trás.Séculos e séculos as mulheres foram amaldiçoadas por carregarem um bastardo na barriga.E ainda continuam sendo quando optam por abortar.
    Há homens casados que implicam com a mulher que engravida e dá todo o apoio para que ela “se vire”.E tb há homens que só querem curtir e dá “todo o apoio” para que a mulher “se vire” .E quantas foram as guerreiras que mesmo sem condições abraçaram a responsabilidade de criar um filho sem a presença do covarde que ajudou a gerar?Pensão alimentícia nem sempre salva,não é mesmo?
    Vejam bem,covardia vem de todos os lados…Da sociedade,do homem e da mulher.Cobram em tempos diferentes de nossa difícil vida.

    Quanto à técnica de retirada do feto,não é necessario se apavorar quanto a isso.Se alguém já assistiu partos complicarem,pensaria mil vezes antes de sair botando filho na barriga das mulheres.
    E como o assunto não tem fim e realmente tem variadas linhas de argumentação e defesa,só tenho uma coisa a dizer:

    Aborto legalizado ou não,a culpa ainda estará lá na nossa mais delicada intimidade.

  • PAOLA

    É CLARO ABORTO NÃO MAIS ESSAS PERIGUETES VULGAR QUE FAZ MILHOES DE FILHOS SEM TER ONDE CAIR MORTA DEVERIA TER MAIS RESPONSABILIDADE ERA ISSO QUE DILMA DEVERIA TER DITO QUANDO PENSOU NA LEI DO ABORTO COLOCAR FILHO NO MUNDO PRA SOFRERTE PRA QUE? OLHA AMOR VAMOS F………. PRA TER NOSSO FILHO? ACHO TAO LINDO SER MÃE VC TEM DINHEIRO PRA DAR ALIMENTAÇÃO? TEM DINHEIRO PRA DAR UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE? PORQUE O ENSINO PUBLICO É PRECARIO TEM DINHEIRO PRA CALÇADO ROUPA FRALDAS? VC VAI SE ACHAR UMA MAE SE NAO TIVER TUDO ISSO? EU ACHO ÓTIMO QUE QUANDO O PROPRIO FILHO TIVER MAIS CRESCIDINHO COMECE A COBRAR TUDO ISSO E NAO VA ACHAR DE RUIM QUEM MANDOU FAZE-LO TEM QUE ARCAR COM AS CONSEQUENCIA PRA MIM FILHO É LUXO SE É MEDIUCRE PERRAPADO CONTINUE ASSIM MAIS SEM ARRASTAR NINGUEM PRA MEDIUCRIDADE O QUE VC NAO QUER PRA SI NAO PASSE PRO SEU FILHO EU FICO INDIGNADA COM UMAS CAÇA-RATOS QUE TEM UMA PENCA DE FILHOS E MUITAS USAM OS MOLEQUES PRA PEDIR ESMOLAS NA RUA PARI SÓ PRA FAZER ISSO SE É Pé DE CHINELO POBRE MEDIUCRE NÃO REPRODUZA POIS TODOS NÓS JÁ QUE ESTAMOS AQUI SEM TER PEDIDO ERA PRA TODO MUNDO SER FELIZ JÁ QUE ALGUM DIA VAMOS MORRER O SER HUMANO NAO VIVE SÓ DE AMOR MAIS TAMBEM DE DINHEIRO.

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