A verdadeira história de Merlin! – Parte I

Rodrigo Almeida

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A mitológica lenda de Merlin, o mago que protegia o Reino de Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda, é completamente envolta em mistérios e controvérsias.

Você já deve ter conhecido ao menos meia dúzia de versões, interpretações e adaptações sobre a lenda original que conta a história do guardião do Reino Britânico. Apesar disso, a maioria dessas lendas concordam que Merlin lançava um feitiço sobre o Reino de Arthur criando uma espécie de escudo mágico, impenetrável, que protegia os habitantes de ameaças externas.

Como você bem sabe, isso tudo não passa de uma lenda. No entanto, o PdH agora contará para você o verdadeiro e único registro historicamente comprovado que conta como Merlin efetivamente protegeu o Reino Britânico.

O princípio dessa lenda remonta o século XII. Em 1136 um clérigo chamado Geoffrey, vindo de Monmounth no atual País de Gales, criava o personagem Merlin em sua publicação Historia Regum Britannie. Diante da impossibilidade de confirmarmos a veracidade de suas fontes e também das lendas que se seguiram, não entrarei em mais detalhes sobre o trabalho do galês.

A história que venho contar é outra, e começa com um brilhante jovem britânico chamado Henry Royce.

Henry era um curioso que desenvolveu grande conhecimento na construção de equipamentos elétricos e mecânicos. Em 1884 estabeleceu sua primeira empresa especializando-se em equipamentos eletromecânicos. Em 1904 construiu seu primeiro automóvel, o Royce 10 com apenas 2 cilindros. Apesar de simples o Royce 10 refletia a personalidade obstinada e perfeccionista de Henry. Despreocupado com design e frivolidades o Royce 10 trazia um esmero inacreditável em seus elementos mecânicos e elétricos.

Era um impressionante feito de engenharia.

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Não parece, mas esse automóvel já foi mais afrodisíaco do que uma Ferrari

Ainda no mesmo ano o projeto de Henry ganhava notoriedade nas ruas britânicas e logo chamou a atenção de um empresário chamado Charles Rolls. Charles era proprietário de uma revendedora de automóveis chamada de C.S. Rolls & Co.

rolls-royce

Eu sou o da esquerda, Charles Rolls; e eu sou o da direita, Henry Royce

Após um breve encontro em um quarto de hotel, Charles prometeu a Henry adquirir e comercializar absolutamente todas as unidades produzidas daquele fantástico veículo. Em pouco tempo Rolls estava vendendo modelos de 10, 15, 20 e 30 hps fabricados por Henry. A parceria de sucesso atingiria um novo patamar em 1906 quando a fusão do talento em engenharia de Royce com o tino comercial de Rolls resultou na criação da Rolls-Royce Limited.

Pouco tempo depois os sócios inauguravam sua suntuosa fábrica e concordaram em encerrar a produção de todos os modelos de automóveis anteriores para que Henry se dedicasse ao seu mais brilhante projeto até então, o Silver Ghost.

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102 anos. E tenho certeza de que vocês andariam nele com orgulho.

Com o desenvolvimento desse modelo a marca Rolls-Royce associou ao seu nome à imagem de qualidade inquestionável. O Silver Ghost era perfeito em todos os sentidos. O acabamento primoroso trazia um luxo com um requinte assombroso para os padrões da época. A mecânica não era menos impecável.

O Rolls-Royce Silver Ghost bateu o recorde mundial de distância percorrida no início do século XX. Após o feito, o automóvel foi totalmente desmontado e seria constatado que nenhuma única peça precisava ser substituída. O automóvel continuava apto a quebrar seu próprio recorde.

O Silver Ghost garantiu à Rolls-Royce o título popular de “melhor fabricante automotivo do planeta” de acordo com a publicação internacional Autocar, a mais antiga publicação automobilística, que existe até hoje. O chassis e o motor desse veículo deram vida à pretenciosa idéia de Winston Churchill de construir o primeiro carro de combate da história. Assim surgia também a Rolls-Royce Armoured Cars que fabricaria chassis a serem utilizados nas duas grandes guerras.

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Atirar em nazistas dirigindo um Rolls Royce 1920 Mk1. Chupa essa, Duke Nukem.

Empolgado com tanto sucesso Rolls, que hoje é considerado um visionário, queria explorar todo o talento em engenharia de Royce para outras linhas de negócio. Na época, Charles começava a desenvolver sua grandiosa relação de amor com a aviação.

Entretanto, ao tentar convencer Royce para que o engenheiro construísse um motor aeronáutico, foi imediatamente rechaçado. Henry Royce afirmava que jamais construiria uma máquina que não pudesse assegurar sua confiabilidade. A construção de um motor aeronáutico envolvia muitas variáveis a serem consideradas. Henry prometeu jamais colocar um avião no ar que pudesse acabar por enterrar seu tripulante.

A Guerra, a Rolls Royce e a Grã-Bretanha

A fabricação de automóveis de luxo ia de vento em popa porém o início da Primeira Guerra Mundial pegou Henry de surpresa. A pressão para que a Rolls-Royce construísse motores aeronáuticos aumentava e Royce insistia que não colocaria seu nome em algo que não pudesse assegurar sua confiabilidade, segurança e durabilidade.

Sua opinião foi completamente ignorada pelo Gabinete de Guerra britânico que ordenou a utilização da infra-estrutura da Rolls-Royce para a construção de motores aeronáuticos licenciados da Renault.

Pouco tempo depois Royce dedicava todo o seu talento para enfim criar um motor de avião minimamente confiável.

Ao final da primeira guerra mundial estima-se que metade de todos os motores aeronáuticos tenham sido projetados por Henry Royce.

Como não poderia ser diferente, a qualidade dos motores de aviação projetados por Henry sobressaia em relação à qualquer outro motor aeronáutico já construído até então. No final dos anos 20 o prestígio garantiu à linha de negócio aeronáutica da Rolls-Royce mais da metade de todo faturamento da companhia.

Com os negócios indo bem Henry teve tranquilidade para projetar com calma outra de suas obras primas. Tudo começou com a criação do chamado motor R que equiparia a aeronave Supermarine S.6B Seaplane. Utilizando o motor Rolls-Royce, esse avião quebrou o recorde mundial de velocidade atingindo mais de 400 milhas por hora em 1931!

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“Tive uma idéia, vou segurar na asa do avião e mijar agachado sem tirar as calças!”

Esse era um ótimo motor, mas era demasiadamente potente para determinados usos já que possuia mais de 1700hp. O motor Rolls-Royce aeronáutico mais simples possuía 700hp, logo a diferença de potência entre o maior e menor motor era grande demais. Foi decidida então a construção de um motor intermediário que possuiria cerca de 1100 hp. Ele seria chamado de Merlin.

Aguarde a próxima parte desse artigo para conhecer o lendário papel da grande criação de Henry Royce na Segunda Guerra Mundial…

Rodrigo Almeida

Engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, nostálgico entusiasta de muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.


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42 comentários

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  • Carlos

    Nasce o spitfire. O caça mais fodalhaço de sua época. hehe.

  • Carol

    nossa! adorei a sobrecarga de informação :D

    superr

  • Sr. Froes

    Que ele fez mágica, fez… Merlin!

  • http://www.papodehomem.com.br/author/rodrigoalmeida Rodrigo Almeida

    Porra Carlos, guarda o suspense!

  • http://twitter.com/curvelo Curvelo

    Rolls-Royce Armoured Cars… Sensacional!

  • Mr. Berlitz

    Maravilhas da engenharia antiga!

  • Chester Jr.

    Hehehehehehe
    O Carlos vazou a informação…

    Até o finalzinho eu tava me perguntando onde Merlin se encaixava na historia.

    Quero ver a continuação.

  • lucas furtado

    vixhi cara ralou pacas na época em …
    mas para que o suspense?

  • Thiago Lobo

    Pô… muito bom este Post.
    Estou curioso para ler a próxima parte.

  • http://www.marcelotrojahn.net Marcelo

    Muito bom o post!! Parabéns!

  • Carlos

    Mals Rodrigo, foi sem querer querendo……
    Seguindo a linha de suas colunas sempre falando de máquinas velozes, Não rola fazer uma sobre motos? Se fizer não pode deixar de falar sobre nossa saudosa viuvinha.

  • pedro.ivo

    Ha! na última palavra entendi o título do tópico.

  • Lord

    Já captei a história. Muito foda! Na parte 2 coloque muitas fotos da época!

  • Gustavo Alencastro

    Curto pra caralho essas “historinhas”, mando logo a outra parte, he he he he he, o texto está irretocável.

    Parabéns Rodrigo

  • Samuel Scur Paim

    Ótimo, Ótimo !

  • Rodrigo

    Rodrigo, não adianta pedir pra guardar o suspense…

    Amantes de aviação conhecem os motores de seus aviões favoritos SEMPRE =)

  • Fernanda

    E pensar que antigamente um motor de 2 cil. era coisa da elite, e hoje em dia as pessoas querem essas “coisinhas” com motor V12 e afins… Mas que seja… E que venha a segunda parte!

  • http://www.voceselembra.com Lvcivs

    Running, scrambling, flying
    Rolling, turning, diving, going in again
    Run, live to fly, fly to live, do or die
    Run, live to fly, fly to live. aces high.

  • Russo

    Ótimo post.

  • VICTOR GUAPO

    Porra meu , que Merlin , porra nenhuma .
    Tivesse o Rei Arthur a acessoria de Henry Royce , talvez não tivesse sido corneado pelo safado do Camelot RSRSRSR

  • Gustavo Alencastro

    Iron Maiden !

    Aces high – Power slave

    A música citada tem tudo a ver com o tema do post, alén de ser um som MUITO AFUDE

  • http://www.inspiracao.net/26983 Jonny

    Excelente.. muito bom..

  • Coelho

    D+

  • Coelho

    Running, scrambling, flying
    Rolling, turning, diving, going in again
    Run, live to fly, fly to live, do or die
    Run, live to fly, fly to live. aces high. [2]

  • http://www.papodehomem.com.br/author/rodrigoalmeida Rodrigo Almeida

    Os leitores do PdH tão qualificados demais hehehe

    @Carlos,
    ainda não tinha pensado nisso. Eu sou doente por uma CB750 Four! Quem sabe em breve.

    Running, scrambling, flying
    Rolling, turning, diving, going in again
    Run, live to fly, fly to live, do or die
    Run, live to fly, fly to live. aces high. [3]

  • Zidane

    isso só pode ser falta de mulher…
    e que o Merlin fez mágica fez

  • Pingback: A verdadeira história de Merlin! – Parte II | Revista Papo de Homem - Lifestyle Magazine

  • Gustavo Alencastro

    Também gostaria de ler alguma coisa relacionada as motos, quem sabe começar pelas “menos conhecidas” tipo a Inglesa Triumph, Ducatti, KTM e por aí vai, mas é só um idéia.

    Agora vou ler a parte 2

    Valeu Rodrigo

  • Henrique

    Cacete, ou! Que venha a próxima parte logo!
    E apóio total o lance das motos.

  • http://www.lendatomia.blogspot.com/ Thiago

    Pô tu é mó Bon Vivant !!!
    Enquanto o Dr. Money segue o “Think Smart”, vc o “Thing Impossible”…
    Se eu vir algum RR na minha vida já me dou por satisfeito, se for um Phantom, eu tento um furto!

    rs…
    Brincar com aquelas miniaturas, quando pequeno não me fez bem….

  • Marcus

    Muito bom! parabens!! :D

  • http://comunidademusica.com.br Saulo Carius

    interessante…

  • schamlose

    Esse Silver Ghost é do c******!

    Um dos melhores carros que eu ja vi na vida… queria ver um de perto.

  • Guilherme

    Caras, vcs são bons! pouquíssimos textos longos hoje em dia me prendem a atenção…
    Hoje fui ler os posts novos no meu feed, e quando vejo, um texto longo excelente! não podia dar outra, PdH! SEMPRE, os textos são seus…caramba viu, ta começando a me assustar isso!

  • Matheus Cardoso

    Interessante… Muito bom

  • Many

    Parabéns! Muito interessante.

  • Geraldo A.

    Silver Ghost é o carro com seguro mais valioso do mundo…

    A ultima vez que eu li sobre isso, tava na casa dos 40 milhões de dólares..

    Se eu falei bobagem, me desculpem.

  • Bruno

    Um dos piores posts que já li até hoje…

  • Colon

    ótimo post foge do casual do blog.Parabéns

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