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A Suprema Felicidade: Arnaldo Jabor além de si mesmo

Leonardo Luz

por
em às | Aventuras e celebrações, Cultura e arte, Relatos, Resenhas


Quando as luzes se acenderam as pessoas já haviam parado de aplaudir, e os créditos já haviam subido.

Estávamos na exibição de A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor, que abria o Festival do Rio e marcava a volta do diretor às telas depois de vinte anos.

Infiltrado entre os fodões do cinema brasileiro

Jabor estava sentado na terceira fileira. Na hora em que as luzes se acenderam, ele olhou pra trás e viu o mesmo que eu: algumas pessoas chorando – não de tristeza, mas de emoção. Casais se abraçando e centenas de sorrisos sinceros, de alegria. Pela expressão dele, ele estava satisfeito com o resultado.

Acreditem: tanta mulher bonita assim dá uma certa depressão | Créditos: André Maceira.

A clara impressão que tive pela sua reação foi que ele não quis fazer um filme que fizesse as pessoas saírem do cinema comentando o quanto ele é bom e o quanto o filme é genial, como algumas pessoas achavam que faria, mas sim um filme que fizesse as pessoas saírem do cinema pensando nas suas próprias vidas, nas suas escolhas, na felicidade.

E posso garantir sem titubear: ele conseguiu.

Quando um especialista em uma arte realiza uma obra, todos esperamos uma obra prima. Quando ouvi que Arnaldo Jabor ia voltar à direção depois de vinte anos e centenas de colunas sobre cinema, pensei logo que estava por vir mais uma obra que iria pelo menos tentar revolucionar. Tentar mostrar pra todos que ele não sabe só falar como é, mas que ele sabe fazer, que subvertesse como que conhecemos como cinema. Nada mais distante da verdade.

O que vi foi um filme sincero, cuja maior pretensão era nos fazer pensar na felicidade e – ao melhor estilo dos textos que ele não escreveu mas que vivemos recebendo por email – nos fazer acreditar que podemos, sim, ser felizes afinal de contas.

Ele parece bem feliz, não? | Créditos: André Maceira.

Realidades paralelas, vampiros, animações 3D?

O filme conta a história de uma família que tenta ser feliz. Longa sinopse, né? Simplesmente isso. Numa época de filmes com sonhos, realidades paralelas, vampiros, anjos e guerras, Jabor nos mostra simplesmente uma família que tenta ser feliz.

É impossível não notar, pelas referências tão particulares, que o filme tem algo de autobiográfico. Assuntos pesados como homossexualismo, padres atraídos por meninos e prostituição são mostrados sem afetação e com bom humor, sem a vontade de chocar simplesmente pelo choque, como é tão comum no cinema hoje em dia.

Paulo, filho de um piloto da aeronáutica frustrado por ter sido impedido de ser piloto de caça e uma dona de casa infeliz por ser proibida pelo marido de trabalhar, é o protagonista da trama, que o mostra crescendo e vivendo conflitos e paixões típicas de um menino normal. Nesta família conturbada, o avô de Paulo, Noel, é um boêmio otimista inveterado que aconselha e conversa com o menino sobre as coisas mais difíceis em seu crescimento, como amor, felicidade, sexo e outros assuntos.

Arnaldo Jabor mostra, com este filme, que bom cinema não precisa ser afetado. Não precisa ser inatingível e cheio de masturbações de estilo por parte do diretor. Jabor se diverte na direção e diverte o público. A Suprema Felicidade é um filme que nos faz parar para pensar o tempo todo, incluindo os momentos pós-créditos.

O filme é simples, mas a estreia teve tapete vermelho e tudo. | Créditos: André Maceira.

De volta ao meu filme

Enquanto andava na rua em direção ao meu carro, procurando as chaves no bolso e afrouxando a gravata, eu ia assoviando uma música da trilha do filme, pensando sobre a felicidade, pensando em chegar em casa, beijar minha namorada, escrever um bocado e ser feliz. E pela reação das pessoas andando na rua, abraçando suas esposas e filhos, sorrindo e pensando na vida, eu não fui exceção.

Se um dia eu escrever um filme, não quero críticas positivas e elogios bajuladores. Quero exatamente isso: que as pessoas saiam do cinema sorrindo, emocionadas, refletindo, querendo chegar em casa e beijar suas esposas e, o mais importante, um pouco mais felizes do que quando entraram.

Trailer | “A vida gosta de quem gosta dela.”


Link YouTube

Leonardo Luz

Fã de polêmicas, adora cutucar onça com vara curta. Também detona no blog "Eu e Meu Ego Grande".


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  • Pablo Fernandes

    Pelo trailler, pela forma que você falou no texto, não posso querer outra coisa a não ser ver o filme.

    Bom texto, Leo.

  • http://www.facebook.com/people/Carmem-Mouzo/100000057191374 Carmem Mouzo

    Também fiquei curiosíssimo para assistir ao filme.

  • Anônimo

    Jabor é muito bom, exceto pelas insinuações políticas que eu não aguento.

    Se for ao cinema, assistirei.

    • Kaiomarcioa

      Como assim Cara Pálida?? Se for ao cinema daria pra fazer outra coisa? (Talvez jogar bola não? )

      • Anônimo

        daria

        pra escolher outro filme por exemplo. ou p fazer sexo com minha mina.

    • Kaiomarcioa

      Como assim Cara Pálida?? Se for ao cinema daria pra fazer outra coisa? (Talvez jogar bola não? )

  • Jhx

    Causa depressão mesmo, que isso! hahaha

  • Anônimo

    verei o filme, depois volto com comentários, mas gostei do post e, parece, temos filme de qualidade na área.

  • http://twitter.com/ManuZago Emmanuelle Zago

    Eu tinha acabado de criticar o cinema brasileiro, comentando em outro post, de como a gente costuma mostrar o que tem de pior no país em nossos filmes. Gostei da ideia do filme, é bom fugir um pouco do estilo “bang bang científico” do cinema atual. Resta assistir para saber se fico tão reflexiva quanto o autor do post…

  • Carlos Araujo

    FIQUEI CONTENTÍSSIMO EM VOCES NOTICIAREM ESTE FILME. Já tinha colocado no emu Facebook, sou amigo do Papo de Home também.
    …DÁ PARA RECOMEÇAR AOS 50, 60… Achei esta reportagem do Arnaldo Jabor um tesão.
    Depois de 20 e poucos anos ele volta a filmar. Bem legal, mostra concretamente que alguma coisa que ele fazia bem, gostava etc.. pode haver um revival. Indiana Jones também aconteceu isso, filmado um tempão depois e…sucesso. Star Wars, id…em. É, acho que dá para dar um Viagra nos sonhos e tentar realizar….Ver mais
    Supremo Retorno
    estadao.br.msn.com
    Ele voltou. Como o boêmio da canção famosa de Nelson Gonçalves, Arnaldo Jabor interrompe um longo jejum sem filmar… – As últimas notícias de cultura, música, cinema, televisão e gastronomia com a assinatura de O Estado de S. Paulo

  • Barbara

    Nossa q legal sua resenha, fiquei doidinha pra ver o filme, tanto pelo seu texto quanto pelo diretor, sou fã de Jabor!!! Sucesso e inspiração. (encontrei esse blog por acaso, estava procurando algo pra escrever e postar no meu blog http://www.mulherespensam.zip.net) Amei!

  • Victor

    Espero que o texto elogioso do autor se deve à qualidade do filme e não ao ufanismo… Adoro cinema, mas nossos filmes, via de regra, não me agradam… Como vejo bastante cinema argentino é inevitável a comparação e estamos muito, mas muito aquém mesmo deles!

  • Leandro

    Não posso deixar de perder o filme deste pseudo-intelectual vendido, porta-voz da direitaiola nacional.

    • Léo Luz

      Leandro, se for assistir não esqueça de levar sua cópia do Manifesto Comunista e sua camisa do PSTU…

    • edu

      E o que representa a esquerda que ele critica? Corrupção, desmando, desrespeito à constituição, loteamento de cargos, manipulações e assédios contra a imprensa, etc. Não é por menos que vocês criaram a expressão “imprensa golpista”, pois não suportam críticas e confronto de idéias.

  • http://twitter.com/fabioloezer Fabio Loezer

    Nunca gostei do Jabor (a ponto de ter discutido via e-mail, com sua acessoria de imprensa, durante um tempo).

    A proposta do filme parece interessante. Possui bons atores.

    Abs,

    • Jorge cunha

      Ô Fábio, leva a mal não, mas você precisou de assessoria para discutir com acessores do Jabor?

  • Digrigo

    Cara… para acreditar que Jabor ainda consiga alguma coisa, só mesmo vendo. Não apenas dele, bem entendido. Jabor ficou anestesiado por duas décadas destilando seu conservadorismo forma das telonas e imaginar que consegue conversar com a família brasileira, é difícil. Só se for uma família que não existe mais, uma utopia.

  • Jota Jota

    Apesar desde senhor se esconder atrás do logo da Platinada de Vênus para vomitar suas ”críticas” no alto da sua prepotência e pretensão, creio que como cineasta, valha a pena conferir este trabalho.

  • Ccrvt

    Filme de Arnaldo Jabor… Meio preocupante! Pelo menos acredito que no filme ele tenha tido liberdade pra mostrar sua verdadeira face. Será que alguma boa informação vem ai? O Brasil em especial carece de incentivos para a boa ética. O povo brasileiro carece de virtú.

    • Vivcost

      Filme não é para informar. É para emocionar.
      E se os brasileiros gostassem de informação, enxergariam a verdadeira face do PT.

  • http://twitter.com/Brunozs_ Bruno Silva

    Jabor sempre me pareceu decadente em tudo que faz (ou se propõe a fazer). É provável que não assista o filme.

  • Kaiomarcioa

    O filme descreve cenas que vi no livro – Amor é Prosa, Sexo é Poesia.

  • http://www.facebook.com/people/Vicente-Lo-Duca/100000327132630 Vicente Lo Duca

    Po, eu vi o filme ontem e sinceramente era melhor ter acompanhado o discurso de vitória da Dilma.

    Pelo menos comigo o filme não me fez chorar, não me fez pensar numa vida comum, nem conseguiu me dar raiva. Completamente desprezível ( no sentido de que não trouxe emoção alguma).

    Se forem ver, vejam hoje, ou na quarta que são dias mais baratos, porque não vale o preço do final de semana.

  • Marielabotsuana

    Quero descobrir a música que toca quando Paulo chora no quarto por causa da rapariga. É simplesmente linda !!!! Que é compositor ?!! Quero descobrir !!!!
    Depois desta música só a frase,

    As coisas findas
    Muito mais que lindas
    Essas ficarão

    Drummond

  • Marielabotsuana

    Quero descobrir a música que toca quando Paulo chora no quarto por causa da rapariga. É simplesmente linda !!!! Que é compositor ?!! Quero descobrir !!!!
    Depois desta música só a frase,

    As coisas findas
    Muito mais que lindas
    Essas ficarão

    Drummond

  • Marielabotsuana

    Quero descobrir a música que toca quando Paulo chora no quarto por causa da rapariga. É simplesmente linda !!!! Que é compositor ?!! Quero descobrir !!!!
    Depois desta música só a frase,

    As coisas findas
    Muito mais que lindas
    Essas ficarão

    Drummond

  • Marielabotsuana

    Quero descobrir a música que toca quando Paulo chora no quarto por causa da rapariga. É simplesmente linda !!!! Que é compositor ?!! Quero descobrir !!!!
    Depois desta música só a frase,

    As coisas findas
    Muito mais que lindas
    Essas ficarão

    Drummond

  • A Lex

    Filme sem coesão, de narrativa confusa e atuações chinfrins (exceto algumas cenas com o Nanini e a Maria Luiza Mendonça, mas q ainda assim nao salvam o todo). Visualmente é bom, mas nao se faz um bom filme só de cenários e fotografia. O roteiro é péssimo, decepcionante e broxante!!! Um filme desse te faz pensar na vida??? Perda de tempo tentar perceber intenção comunicativa nisso! Só mais uma das “caras e bocas” falaciosas do Arnaldo Jabor: “A Suprema Felicidade” (rs) Concordo com o Lo Duca: “assistam na quarta que é mais barato, porque não vale o preço do final de semana” (rs…)

  • A Lex

    Filme sem coesão, de narrativa confusa e atuações chinfrins (exceto algumas cenas com o Nanini e a Maria Luiza Mendonça, mas q ainda assim nao salvam o todo). Visualmente é bom, mas nao se faz um bom filme só de cenários e fotografia. O roteiro é péssimo, decepcionante e broxante!!! Um filme desse te faz pensar na vida??? Perda de tempo tentar perceber intenção comunicativa nisso! Só mais uma das “caras e bocas” falaciosas do Arnaldo Jabor: “A Suprema Felicidade” (rs) Concordo com o Lo Duca: “assistam na quarta que é mais barato, porque não vale o preço do final de semana” (rs…)

  • Andre_trindad1

    Nossa que filme horroroso, recheado de clichês, meio auto biográfico (o pai do jabour era piloto da FAB), a biografia de quem teve uma vidinha.
    Alguém precisa avisar ao Jabour, que gênio não é quem se acha gênio e consegue impressionar alguns desavisados.
    O filme é ruim com o elenco global de sempre. Caras e bocas de sempre.Fraco, muito fraco mesmo. Perda de tempo e dinheiro da Ancine/globo?

  • Andre_trindad1

    Nossa que filme horroroso, recheado de clichês, meio auto biográfico (o pai do jabour era piloto da FAB), a biografia de quem teve uma vidinha.
    Alguém precisa avisar ao Jabour, que gênio não é quem se acha gênio e consegue impressionar alguns desavisados.
    O filme é ruim com o elenco global de sempre. Caras e bocas de sempre.Fraco, muito fraco mesmo. Perda de tempo e dinheiro da Ancine/globo?

  • Andre_trindad1

    Nossa que filme horroroso, recheado de clichês, meio auto biográfico (o pai do jabour era piloto da FAB), a biografia de quem teve uma vidinha.
    Alguém precisa avisar ao Jabour, que gênio não é quem se acha gênio e consegue impressionar alguns desavisados.
    O filme é ruim com o elenco global de sempre. Caras e bocas de sempre.Fraco, muito fraco mesmo. Perda de tempo e dinheiro da Ancine/globo?

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