A internet não está chata, é só você

Guilherme Nascimento Valadares

por
em às | Artigos e ensaios, Ciência e tecnologia, Cultura e arte, Melhor do PdH


O herói mais querido (pelos nerds) da DC

“No dia mais claro, na noite mais densa,
O mal sucumbirá ante a minha presença.
Todo aquele que venera o mal há de penar,
Quando o poder do Lanterna Verde enfrentar.”

Ele foi escolhido. Ele fez o juramento. Ele decidiu salvar a Terra.
Não perca a estreia de Lanterna Verde no Cinemax.

A internet está chata.”

Assim declarou Sean “sabe o que é incrível? um bilhão de dólares!” Parker, co-fundador do Napster e um dos personagens mais controversos e importantes da história do Facebook. O contexto da frase foi o lançamento do Airtime, sua nova empreitada.

Tenho escutado variações dessa crítica a torto e à direito.

“A internet anda tão chata… o facebook uma merda… o twitter então, nem se fala! Quando será que vão inventar uma nova rede social pras pessoas legais irem?”

Será mesmo? Quero esmiuçar o que enxergo como enganos por trás dessa crítica.

Exclusão

Sartre já dizia, “o inferno são os outros”.

“O outro [menos capaz, burro, brega, atrasado]… está aqui conspurcando minha timeline com seu conteúdo [de baixa qualidade, banal, irrelevante, tosco]… aff…”

Hora de acordar. A web é uma massa de modelar neutra. Toma como forma o reflexo de cada um de seus navegantes.

O reflexo nos desagradar é um atestado de nossa confusão, apenas. Somos perdidos digitais, não nativos. Todos nós, em alguma medida, integramos o gigantesco paredão de seres extraviados entre gerações.

Há alguns anos, a web era habitat exclusivo das cool kids. Os inovadores, os pensadores, os hackers, os geeks, os antenados… chame como quiser. Hoje, seu avô e seu mecânico trocam emails entre si. Usar um smartphone, ter um ipad no banheiro e um macbook air 11” pra lazer ao lado da privada não alteram a noção de que estamos todos no mesmo barco.

Web ficando velha

A internet, como meio, está sim cultivando costeletas. Madura, se torna chassi de convergência para os meios pré-existentes. Aqui assistimos filmes e programas de televisão, lemos revistas e jornais, escutamos rádios, ligamos e interagimos com os amigos. Todos em um.

Notou como tem consumido cada vez mais programas de tv em seu computador? Fronteiras se desmanchando.

como utilidade, a web está só começando. Geolocalização, crowdsourcing, crowdfunding, crowdsharing, crowdlearning, compras coletivas, pesquisas coletivas, recomendações coletivas, real-time-tudo… Adicione a isso tudo a mobilidade dos novos aparelhos e a lista segue ad infinitum.

Nesse sentido, a web é uma criança. Nunca teve diante de si possibilidades tão excitantes.

Miopia, passividade & falta de senso crítico

Adotarmos uma postura de curadoria pseudo-ativa, distribuindo e compartilhando links como se não houvesse amanhã, é incongruente.

Há uma ampla mudança antropológica em curso, ainda alguns bons anos distante de ser digerida, como muito bem colocado pela escola de atividades criativas Perestroika:

A Revolução Digital transformou profundamente a forma como todos as pessoas se relacionam com o mundo. A partir da Internet, nasceu o Protocolo Digital: uma ética/estética/lógica que, por alguns anos, funcionava apenas dentro do computador.

Mas, agora, ela já saiu para o mundo offline – e está interferindo no consumo de informação, nos hábitos de compra e na relação das pessoas com comunicação.

Esse misterioso protocolo digital nos exige curadoria ativa. Mais do que selecionar “bom conteúdo”, pressupõe premissas e cuidados inteiramente novos:

1.

Nossos amigos no mundo físico não necessariamente serão pessoas que desejamos acompanhar no mundo dos bits e bytes.

Configurar nosso grafo social - leia-se, nosso círculo de relações – no ambiente online é uma tarefa distinta do tradicional modo como construímos nossos laços fora da web.

Na web, os grafos das relações se transformam. Interesses em comum não pressupõem convivência social. E convivência social não pressupõe reais interesses compartilhados.

2.

Responder seguida e neuroticamente a perguntas como “no que está pensando?”, “o que está fazendo?”, “onde está agora?” não nos faz mais autênticos. Nos torna erráticos e presos a personas estranhas.


YouTube | Esse app chamado Jotly surgiu como uma irônica brincadeira para o hábito de avaliar tudo, o tempo todo. O resultado? Atraiu investidores. (!)

3.

Manter sua presença online pode se transformar num vício em encenar múltiplas versões de si mesmo, vide acima. Perigo.

4.

As redes devoram nossa atenção, um de nossos bens mais valiosos e escassos. Com a reserva de atenção exaurida, ficamos passivos. Um sujeito com a mente cansada produz, cria e se inspira menos.

5.

Indo mais fundo, corremos o risco de condicionar nosso cérebro a processar somente donuts de informação. Nossa capacidade cognitiva vai, pouco a pouco, sendo compactada.

140 caracteres.

Vídeos curtos.

Fotos rápidas.

Posts.

Urls.

ugh

(!)

***

Infelizmente, para além dos enganos envolvidos nas afirmações sobre a chatice da web, existe uma realidade capaz de minar meus próprios argumentos.

A relação sinal-ruído na web está pavorosa. Em termos simples, falamos do nível de um sinal desejado versus o nível do ruído presente.

Estabelecendo como sinal a comunicação relevante e como ruído a comunicação não-relevante – tendo em vista, claro, a amplitude de critérios possíveis para definir relevância – vivemos hoje num monstruoso, por vezes asfixiante, oceano de ruído. Lixo transbordando de nossas caixas de entrada e linhas do tempo. Culpa sua, minha. De todos nós.

Portanto, e sendo prático, se eu pudesse pregar no monitor de meus amigos um único post-it com quatro proposições para tornar a “web menos chata”, lá estaria escrito:

  • Emita menos ruído – se expresse menos e melhor
  • Revise seu grafo social – é ok não me seguir ou me deletar de suas redes, vamos continuar amigos
  • Revise seu grafo de interesses – vá além da bolha
  • Lembre-se das cinco premissas relacionadas ao novo protocolo digital

Coerente?

Guilherme Nascimento Valadares

Interessado em boas conversas, criar negócios que não se pareçam com negócios e em espaços de transformação. Nessa encruzilhada surgiram o PapodeHomem, o Escribas e o o lugar. No Twitter.


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O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Conheça a visão e a essência por trás do que fazemos. Queremos uma discussão de alto nível. Antes de comentar, leia nossas boas práticas. Caso deseje enviar um texto e se tornar um autor, venha por aqui.


  • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

    Vou fazer uma experiência: me proponho a ficar uma semana sem entrar no Facebook. Vamos ver quanto eu estou dependente desse troço.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Vai se surpreender, Eduardo.

      Coloquei meu facebook no caixão recentemente. Tem sido bem bom.

      Em especial, notei a quantidade absurda de vezes em que meus dedos tiveram o impulso de fazer um alt + tab + tecla f + enter (o atalho mais rápido pra abrir o face)…

      Estava viciado na dopamina em ver aquelas caixinhas vermelhas com novas mensagens. Mesmo pagando o preço de ler toneladas de porcaria como hábito/efeito colateral.

      Anteontem, li um jornal inteiro. Há anos não fazia isso. E te dizer, tinha muita coisa interessante por lá.

      Boa sorte em seu teste, cara, não fraqueje!

      • Artur

        Eu sou viciado no papodehomem , mesmo que muitas vezes não considere a maioria do conteúdo util , realmente vejo que vocês usam alguma tecnologia para escravizar nossos cérebros , vou tentar ficar um ano sem entrar aqui.

        Até ano que vem.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Eu ficava com o Facebook aberto o dia inteiro, como uma aba fixa ao lado do GMail. Durante o dia, usava para postar as músicas que estava ouvindo, algum pensamento que tinha, ou alguma pergunta para os amigos.

      À noite, mergulhava em mil chats. Ficava horas. Quando eu estava em casa, era praticamente só o que eu fazia.

      Desde sexta, resolvi que só abriria algumas poucas vezes por dia, pra responder uma ou outra coisa, e reduzi drasticamente a quantidade de coisas que postei.

      Não vou dizer que está sendo fácil, na verdade. Falei sobre isso com meu psicólogo, e concordamos que é tipo uma droga mesmo, em vários sentidos. Rola um período de desintoxicação. Falta aquela dopamina que o @papodehomem:disqus mencionou.

      Ainda não cheguei ao ponto de ler um jornal inteiro, mas especialmente no fim de semana eu fiz um monte de coisas úteis unicamente pelo fato de que não estava distraído no Facebook.

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001864864946 Vitor Augusto Rodrigues Fávero

      também topo o desafio, vamo ver o que rola..

    • Henrique Marquezi

      Feito também! Facebook no more! Pelas minhas contas eu perdia mais de 3 hrs por dia lá. Vou aproveitá-las de outra maneira!

    • http://www.facebook.com/pedromiotto Pedro Miotto Federico

      Tô dentro.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Luciana, fora o PdH, quais outros sites ou @s dignos de nota você segue/acompanha?

    Por aqui estamos trabalhando numa lista de sites fora do eixo – dialogando diretamente com esse meu texto. O Bracht vai avançar nessa pauta.

    • Luciana_Marques

      Bom, como todo mundo, minha seleção é bem variada…
      Muitos dos sites que acompanho são do eixo feminino (que não é foco deste portal, apesar da sala das meninas), além desses, gosto de humor e crítica política, leio literatura nova (adoro garimpar blogs literários) e diariamente acesso notícias pela internet.
      Escuto os articulistas da CBN pela internet e vejo clips do “Sexion d’Assaut” no youtube. Enfim, acesso a internet o dia todo (via netbook, celular, e televisão!!!)
      Para mim, a internet é muito legal (em oposição à palavra chata), pois dela retiro material para minhas pesquisas enquanto doutoranda, acompanho os acontecimentos nacionais e internacionais, divirto-me com humor gratuito e discussões em comentários, além da sempre e velha pornografia que amamos…
      Enfim, acho que não respondi a sua pergunta por não citar os sites… Mas sou fiel a pouquíssimos…

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    O “D” deve ser do DISQUS, é o nome do sistema de comentários que usamos.

    ;)

    Sobre redes sociais, elas estão entre nós há ERAS. As redes digitais são as novatas da história.

    Pire nessa palestra do Augusto de Franco:

    http://www.youtube.com/watch?v=-3bnzmykCiM

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Eu tenho muita curiosidade em entender como funcionam as bolhas da internet. Porque elas tem relação com o que é considerado relevante, e interfere diretamente na relação sinal/ruído da web.

    As mídias sociais se tornaram ferramentas muito boas em permitir que nos fechemos dentro de nossas próprias bolhas. Acessamos com frequencia somente os mundos e conteúdos com os quais estamos familiarizados. Temos algoritmos que, basicamente, detectam o que procuramos e oferecem mais do mesmo, tratando como ruído qualquer coisa diferente dos nossos hábitos e crenças.

    Não é a toa que achamos tudo chato.

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Muito boa esta discussão.

    Emitir menos ruído é fundamental! Imagine que, não faz muito tempo, ouvi que se você quer ter um blog o ideal é… postar com frequência. Acho que essa ideia já caiu. Se você quer ter um blog, escolha bem o que vai postar. Se não tiver o que dizer, não diga. A Internet passa bem sem você…

  • Marcos Augusto Nunes

    Tem uma piada boa que li no jornal (Tec, da FSP); é mais ou menos assim:

    Um cara diz pra outro que descobriu um lance tão bom ou melhor que o Facebook:

    “Escrevo meus textos nele, recebo textos dos outros, também mando e recebo imagens, links, me comunico com pessoas em qualquer parte do mundo sem gastar telefone, uma coisa incrível!”

    “Uau!” – o outra cara responde – “Que barato é esse, diz aí!”

    O primeiro responde:

    “E-mail”

    • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

      Muito foda AUSHAUSHAUSH

  • Ian Moreno

    Super interessante o tema e como foi abordado! Saudações, Guilherme!
    Curiosamente, desde a semana passada me propus a “suspender temporariamente” minha conta do facebook por dois motivos em especial:
    1º que comecei a perceber que meu tempo realmente produtivo no trabalho era muito pequeno e que ficava menor a cada dia em função de ficar opinando e vendo opiniões de pessoas que no fundo, nem dou muita importância pro que pensam.
    2º que tive uma briga séria com minha mulher e ela se pôs a postar músicas e frases prontas “alfinetantes”, o que achei o cúmulo do absurdo.Vejam, e vivi isso, até discussões e indiretas, entre um casal, sendo feitas através de rede social.Confesso que, diariamente, me vem a vontade de entrar, mas, analisando agora o texto, percebo que nem se trata de um vício como apontado por alguns colegas leitores, mas sim da facilidade de já se encontrar um conteúdo pronto, com ações e reações já mais ou menos previstas: curtir daqui, comentar de lá, mandar um inbox acolá e assim a coisa vai…É a primeira vez que comento aqui no PDH, não obstante estar acompanhando os artigos há aproximadamente um, dois meses e achar na sua grande maioria, muito interessantes e edificantes. Me atrevo a dizer que o fato de nunca ter comentado antes esteja intrinsecamente ligado à essa “preguiça” virtual.Sorte a todos e que continuem produzindo excelentes textos, artigos, etc.Forte abraço

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      EXCELENTE ler seu comentário, Ian.

      Desativei meu perfil recentemente.

      Um de meus próximos textos será sobre isso, explicando meu “Facebookcídio”.

      O ponto 1 levantado por você é absurdo, de fato. A maneira como investimos toneladas de horas em relações que nem sequer valorizamos de verdade.

      O ponto 2 é a materialização da loucura atual! Enervante.

      Grande abraço, cara. Obrigado pelo ótimo comentário.

  • Ian Moreno

    Postei uma mensagem, parece-me que não foi publicada por “denúncia de abuso”?

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Uai, estranho.

      Seus comentários estavam na fila do DISQUS, Ian.

      Acabei de aprová-los.

      • http://twitter.com/becoldasice Alexandre Wiechers Vaz

        Guilherme, acho que é algum “erro” do DISQUS ou uma maneira bizarra de mostrar que o comentário tá aguardando aprovação dos moderadores.

        No antigo, depois de um tempo, após o comentário e atualização da página, aparecia um quadrado amarelo dizendo “You have N unnaproved comment(s)
        -Comentário(s) precisando de aprovação”

        Já nesse novo, ao postar o comentário, aparece algo do tipo “Comment hidden due to abuse report”.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        hmmm… encaminhando agora pra nossa tecnologia verificar, Alexandre.

        bem estranho isso.

        alguém mais passou pelo mesmo problema?

  • Clara Andrade

    Tentei o afastamento do Facebook já algumas vezes, não sucedido. A sensação no fim do dia é de ter cansado a cabeça, porém sem desenvolvimento ou absorção.

    Sendo vício, comecei a tratá-lo com substituição. Exemplo, agora aos domingos eu me desligo e vou correr em algum parque, andar à toa, ver filme. Preciso de uma atividade que compense o prazer (?) e consiga realmente desviar meu foco. Tem dado certo. Agora é estender pros dias úteis, alguns estalos vêm em boa hora.
    (a começar comentando sem logar no FB rs)

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Clara, assiste esse vídeo:

      http://www.youtube.com/watch?v=4H0fTwtPLfo

      e depois procura os livros desse autor. bem na linha do que você está experimentando, em termos de substituição de hábitos.

      • Clara Andrade

        Gostei Guilherme, obrigada. e obviamente tive que me podar pra não sair abrindo mais uma aba e compartilhar o vídeo.

        Também tem a ver com aquele conceito de plasticidade neural, citado em algum texto recente aqui. pelo visto temos uma capacidade de redesenhar hábitos pouco explorada.

  • http://twitter.com/formagio Alexandre Formagio

    Interessante isso, naturalmente tenho cortado aos poucos algumas interações e redes da minha vida. O Twitter foi o primeiro, praticamente não uso mais nos últimos dias.

    O email estou parando de acessar a cada 10 minutos. Meu próximo desafio é diminuir o uso do Facebook. Porém pela minha área de atuação torna-se impossível cortar totalmente as redes sociais e nem faço questão disto, apenas de me reeducar.

    E tenho notado claramente o efeito Twitter em leituras mais extensas, onde alguns parágrafos já sinto cansaço desta leitura, mas já estou me habituando a ler coisas mais longas novamente :)

    Tenho notado a qualidade de vida e tempo que me sobram, estou lendo mais artigos, feeds, livros e etc e também estudando mais. Busco criar filtros do que vejo na internet e focando muito mais em informação relevante e que condiz com meu momento atual de trabalho e vida.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      boa, Formagio.

      gostando de ver seus avanços, cara. muito.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Yago, não sabe o quanto fico feliz em saber que *alguém* estava realmente prestando atenção nesse debate do Desencontro.

    Você foi preciso em seu comentário.

    //como se livrar dessa dinâmica? Parece que ao passar tempos fora, você fica atrasado, fora da realidade de todos. O que fazer?

    O primeiro passo é a consciência do hábito nocivo.

    Na sequência é necessário experimentar e fazer testes com diferentes posturas de uso em relação às mídias sociais.

    Temos uma falsa sensação de que vamos perder o mundo se deixarmos de acompanhar, atualizar, compartilhar… mas é só isso. Uma sensação.

    Experimenta um período longe das redes sociais e veja o que acontece.

    Você vai seguir vivo, feliz e com um bocado a mais de tempo.

    No caso dos profissionais da área, como não se pode cortar 100%, o buraco acaba sendo mais embaixo. Pois eles não gostam de admitir, mas estão VICIADOS.

    Como se fosse uma droga peculiar, baseada em doses de dopadima disparadas múltiplas vezes ao longo do dia.

  • http://www.facebook.com/pigmeu Alexandre Pigmeu Falcao

    Discordo.

    A Internet hoje está bem legal!

  • http://www.facebook.com/pedromiotto Pedro Miotto Federico

    Valeu Guilherme. Sério mesmo. Pelo texto e por dar na minha cara falando que você encerrou sua conta no Facebook.

    Tenho reparado muito nessa minha “preguiça virtual” aí como comentaram: leio o PdH diariamente e quase nunca comento (e o mesmo tem acontecido comigo na Cabana… diminuindo até a freqüência de leitura). É essa preguiça. Sintoma de algo muito menos banal do que só “ah, não sei o que escrever agora, depois comento”. É como ver um texto/vídeo/ideia genial e dizer “CARACA, QUE DAORA, ISSO MUDOU MINHA VIDA!!” e logo então abrir alguma rede social digital pra compartilhar e comentar a respeito e por fim acabar novamente se perdendo – voltando àquela rotina apática da qual tanto reclamamos (reclamo) *passivamente*. Movimento cíclico.
    Quem sabe dessa vez não quebramos (quebro) isso? ;) Obrigado.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Descreveu com precisão o ciclo da inércia, Pedro:

      “É como ver um texto/vídeo/ideia genial e dizer “CARACA, QUE DAORA, ISSO MUDOU MINHA VIDA!!” e logo então abrir alguma rede social digital pra compartilhar e comentar a respeito e por fim acabar novamente se perdendo – voltando àquela rotina apática da qual tanto reclamamos (reclamo) *passivamente*. Movimento cíclico.”

  • http://www.facebook.com/tdaniiel Tuliio Daniel

    Não acredito no que fiz, como primeiro impulso, cliquei no botão curtir e depois em twettar. Vou tentar passar uns dias fora do facebook, twitter, email e outras redes, realmente estou dependente das redes sociais, hoje em dia parece que meu senso critico foi pras montanhas.

  • Aldo

    Falando em internet, o pdh tá testando um novo layout de comentários ou é permanente.?

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      É o novo sistema do Disqus que o pessoal aqui deve estar testando. Pelo visto, já solucionou um dos problemas, a maldita quebra de linha

      E isso é um exemplo :p

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    De redes sociais em si, já participei quando mais jovem de fóruns. Realmente, noto um padrão (tem uma tirinha do Dahmer sobre o Orkut que é nessa linha que vou escrever):

    - Cria-se um grupo básico que vai se unindo aos poucos.
    - Provocadores, “pessoal sem muita cabeça” e afins começam a entrar no grupo.
    - Os outros mais antigos acham chato e caem fora do grupo. O grupo continua a crescer, mas descontroladamente e sem a ideia original.
    - Os antigos que saíram tentam abrir um novo grupo, mas depois veem que tudo ficou mais chato. Desistem e vão viver a vida real…

    Já participei do Twitter, mas noto que toda vez que participo de algum grupo / rede social, e algum “idiota” vem falar “mer**” para mim, caio fora. Quando começaram a encher meu saco no Twitter, del um “del” e pronto.

    Eu sinceramente estou tentando parar com o Facebook. E toda vez que vou e programo para a exclusão a minha página no Facebook, acabo dias depois voltando.

    O bom deste texto é que veio em um momento que penso realmente sobre o uso da internet em si. Até mesmo o ato de comentar aqui pensei um pouco antes de clicar no Disqus para me logar e escrever.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    //É muita gente disposta a falar sem ter o que dizer.

    fato.

    //A internet está assim.

    qual internet? a minha? a sua?…

    ;)

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      Cara, eu odeio essa crítica “muita gente disposta a falar sem ter o que dizer.” É que nem reclamar que o gato mia e a gente não entende.

      Em partes posso até concordar com esta frase. Mas penso: hoje todos tem direito a escrever. Deixa o cara escrever. Dizer. No final a pessoa que reclama disto acaba sendo “um dos chatos que faz a internet ser chata”. :p

      A propósito.
      http://www1.folha.uol.com.br/tec/1085924-bytes-de-memoria-gus-morais.shtml

  • Rodrigo

    Esse lance do ruido é o que eu mais tenho problema na internet. Não abro mão de algumas redes sociais mas sempre faço uma “limpeza” de modo a só receber informações daquelas pessoas que eu realmente tenho uma proximidade e me interesso. Mesmo assim sempre acontece de uma hora você olhar para o relogio do computador e não saber com o que você perdeu tanto tempo aquela noite

  • http://twitter.com/marxboladao Karl Marx Boladão

    Geração 9gag.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Em grande medida, a “Geração [inserir a rede/agregador/plataforma mais recente e hypada]“.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    O movimento do Facebook em conceber a “timeline” foi bem na direção que comentou, se colocar como um construtor de nossa identidade.

    Se torna algo tão básico e necessário como o próprio ar.

    O Mark já declarou algumas vezes que considera o face uma plataforma de utilidade pública.

    É perigoso algo se tornar utilidade pública sendo propriedade privada, de acionistas.

    Não acham?

    • http://www.facebook.com/rodrigo.lourenco.12 Rodrigo Lourenço

      Muito perigoso. Se tornou uma coisa necessária; se você não está no FB acaba ficando fora dos grupos da faculdade, fora das conversas dos amigos…

      E o pior de tudo é que acabamos por tentar caracterizar a pessoa pelo perfil dela mesmo, pelas fotos, pelas músicas…

      Iai, Guilherme? Agora que já cometeu seu “Facebookcídio”, como está se sentindo? utilizando melhor seu tempo?

      Ainda não tive coragem suficiente! Mas estou trabalhando nisso!

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Temos total culpa no cartório, Luiz.

    A rede, como já dito, é nosso reflexo. Suas deficiências são as nossas deficiências ao nos posicionar no mundo.

    Sobre a segunda parte de seu comentário, gostei bastante. É bem isso.

    A orkutização não faz sentido, pensando-se como um fenômeno relativo a quem “veio do orkut”. É apenas um nome para identificar a falta de habilidade generalizada em se entender a web.

    O processo vai seguir ainda, por bons anos/décadas…

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Obrigado, meu caro. ;)

  • http://www.umalaudaemeia.com.br/ Felipe Silva

    Excelentes pensamentos. Uma constatação em especial me chamou a atenção:
    “Nossos amigos no mundo físico não necessariamente serão pessoas que desejamos acompanhar no mundo dos bits e
    bytes.”

    Acho que isso abrange não só nossos amigos. Mas todas as pessoas com quem nos relacionamos na rede.

    Acho que o fato é que ninguém é interessante 24h por dia. Acho que nos identificamos com pessoas que tem algo em comum, algo que nos chama atenção. Porém, na internet, não temos aquela hora seletiva em que encontramos os amigos no bar e falamos assuntos pertinentes ao momento (futebol, política, desilusões amorosas e “os peitos daquela loira são silicone?”). Ou na academia quando falamos outros assuntos pertinentes a esse momento (futebol, política, desilusões amorosas e “porra os peitos daquela loira são silicone?”)

    Não tem filtro. Não tem ocasião. O cara tá de bode com o chefe? Posta e você lê. Tá comendo no Starbucks da Al. Santos? Clica e você vê.
    E pode ser que essas coisas sejam tudo que você odeia ler e ver na internet, mas que aquele seu amigo, aquele profissional que é sua referência, até aquele seu ídolo do Rock poste essas coisas 30 vezes por dia.

    A gente se decepciona, mas provavelmente porque espera que aquela amigo espirituoso e piadista do bar seja assim o tempo inteiro. Ou que aquela menina linda que fala coisas inteligentes na faculdade seja assim a qualquer hora.

    Não sei muito bem onde quero chegar com isso. É só uma constatação.

    De repente, a solução é seguir dicas como as suas: emitir menos ruído; revisar nosso grafo social; revisar nosso grafo de interesses.

    Mas no fundo, eu penso mesmo mesmo é que a verdade está no seu título. Nós estamos chatos pra caralho, a ponto de achar que ninguém pode ser chato na internet.

  • Renan

    Engraçado ler esse texto…. eu estou exatamente do lado oposto da discussão. Abandonei uma conta de orkut em 2007 por falta de uso e desde então não embarquei mais nas redes sociais….. em certos momentos me sinto um pouco a margem por não ter uma conta do facebook.

    Assim como muitos comentaram, tenho um conjunto de feeds RSS de blogs e sites que eu acompanho e me interesso, e grande parte da minha navegação está dedicada a eles (O feed da Pdh é visitado quase que religiosamente).

    O que eu sinto dessa experiência fora de redes sociais é que o contato acaba sendo bastante restrito à pessoas de convívio próximo (colegas de trabalho, gente com quem compartilho atividades em comum e um ou outro amigo mais chegado que mantém contato com regularidade).

    Perdi completamente o rastro da maior parte das pessoas que fizeram parte de outras etapas da minha vida.

    Textos como esse do Guilherme me fazem ponderar se eu deveria estar pensando realmente nessa direção ou não. O que vocês acham?

    E recentemente tenho pensado em ativar uma conta no facebook e procurar alguns deles…. por outro lado penso em todas as coisas que eu faço ao longo do dia e penso que precisarei “substituir” algumas delas se eu quiser dedicar um pouco de tempo ao face…. é uma ponderação complexa.

  • don luidi

    Na mosca Guilherme. Eu não participo de nenhuma rede social (exceto LinkedIn) e não tenho do que reclamar. Nas minhas horas vagas prefiro ler um bom livro e passear com a primeira dama, não sou viciado em tecnologia e pra mim faz bem.

  • Wyllian Neo Dalla Valle

    Opa @papodehomem:disqus concordo com o que foi dito no texto, e tento sair desse marasmo de notícias irrelevantes jogadas na minha tela por pessoas que desocupadas ou alienadas.
    Tenho tido uma cultura que talvez você ou os demais leitores possam achar interessante e praticar, ou pelo menos refletir nos benefícios.
    Chegando em casa ou no trabalho, tanto faz, a primeira coisa a fazer é abrir um documento em branco no computador, no celular ou uma folha de papel, que seja.
    Fico sentado, olhando pra folha, olhando pros lados, e listando as ídeias que vem mentalmente, selecionando até encontrar um bom assunto e transcrever algumas linhas sobre aquilo, pra justamente para evitar o que você chamou de compactação de capacidade cognitiva.
    Claro, selecionar melhor o que nos interessa, o que lemos, ouvimos e vemos é primordial e acaba nos construindo, mas assimilar conhecimento é sempre menos desafiador do que criar conhecimento.
    Abraços.

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Não tenho dúvidas, o PdH é um portal, por isso produz coisa nova e preza pelo conteúdo. Mas para meu blog pessoal, prefiro produzir conteúdo bom a conteúdo novo. A internet vive sem mim. Por muito tempo a regra foi “postar!” para ser um sucesso…

  • http://www.facebook.com/pedromarinelli Pedro Marinelli

    Muito bom o texto!

    Acho incrível como vamos emburrecendo e procrastinando mesmo quando temos consciência do que estamos fazendo. Sou “vitima” disso, muitas vezes, por simples hábito.
    Hoje vejo como hábitos novos foram somados a minha rotina por ter acesso a internet, e como isso mudou meu jeito de interagir com as pessoas.

    Ótimo post!

    o/

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  • http://www.facebook.com/ridcleyfalcao Ridcley Falcão

    Excelente leitura. Me imponho uma “regra” de compartilhar no máximo cinco mensagens por dia em meu Facebook e esse artigo com certeza fez parte do meu modesto “top five” diário. Parabéns.

  • http://www.facebook.com/people/Manuela-Esquivel-Rodriguez-Montero/781643242 Manuela Esquivel Rodriguez Mon

    arrasou!

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  • http://www.facebook.com/rodolfops17 Rodolfo Pires

    Esse cara sempre me surpreende.

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  • Vladimir

    As eleições foram o ponto final em redes sociais pra mim. Me excluí de todas, antes que eu perca os amigos.

    Descobri que é muito melhor ter amigos para jogar conversa fora, muita intimidade quase sempre estraga a relação.

    Sou mais um “SocialNetworkLess” !

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