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em às | Entrevistas e perfis, Mundo
Enquanto muitas pessoas disparam críticas fáceis ao SWU, fomos bater um papo com os donos das duas organizações por trás do movimento, grande promotores da visão sustentável no Brasil. O quanto dessa visão vai se refletir no SWU não sabemos, mas sua riqueza é inegável. E é ela que nos interessa agora.
Começamos com Isaac Edington, criador e diretor-presidente do Instituto EcoDesenvolvimento, também responsável pelo portal EcoD, o maior provedor de conteúdos sobre sustentabilidade da internet brasileira.
O cara é formado em administração, pós-graduado em Psicologia Organizacional com MBA pela Amana-Key e formação complementar em Business Estrategies for Environmental Sustainability pela Stanford School of Business e Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral. E isso é só a descrição acadêmica…
O Guilherme conversou mais de uma hora com Isaac. Cortar algo seria burrice. As falas do cara são riquíssimas, basta prestar atenção.
Segue abaixo entrevista em 10 partes, com alguns destaques em texto para facilitar a vida dos “sem-tempo” – tema, aliás, da sétima parte.
“A gente não precisa salvar o planeta; o planeta certamente vai sobreviver. A gente precisa salvar a nós próprios, seres humanos.”
“No ecodesign, não existe praticamente a questão da reciclagem.”
“Um exemplo de biomimetismo é o kevlar [fibra sintética mais resistente que o aço, usada em coletes à prova de bala], baseado na estrutura molecular de uma teia de aranha.”
“Um copo que já foi criado e concebido de forma que ele se dissolva e se decomponha com a própria natureza. E não criar um copo e depois pensar um processo para reciclar o corpo.”
Livro citado: Capitalismo natural (Paul Hawken, Amory Lovins e L. Hunter Lovins).
“Não existe sustentabilidade sem lucro, porque sem lucro não é possível investir em pequisas.”
“No projeto Biosfera 2, gastaram 200 milhões de dólares durante 2 anos para que apenas 8 pessoas conseguissem respirar. Imagine que nossa atmosfera, o planeta, faz esse serviço diariamente e gratuitamente para cerca de 7 bilhões de pessoas. Quanto vale isso?”
“Daqui a um tempo, nós cidadãos vamos começar a entender quais são as organizações que fazem a sua parte de modo mais consistente e aquelas são meras aproveitadoras, cuja seleção natural fará com que desapareçam ou se modifiquem.”
“As organizações são feitas de pessoas. Se conseguimos mudar as pessoas, conseguimos mudar as organizações.”
“A base da sustentabilidade, a base de convivência da sociedade, está na plataforma da ética.”
Autor citado: José Bernardo Toro.
Escritora citada: Claudia Werneck.
“Eu tenho uma paixão em tentar incluir os jovens nessa discussão. Eles é que na verdade têm esse legado. Às vezes eu me sinto enxugando gelo quando esse assunto fica só entre nós, de 40 pra cima.”
“Eu gostaria muito de convocar a legião de jovens que nos ouvem Brasil afora para entrar pesado nessa questão e ajudar bastante.”
“Antes de mais nada, parabenizo vocês porque tem pouca gente fazendo isso de forma interessante. Vocês podem dar o exemplo e inspirar outras pessoas.”
“Eu gostaria que daqui a algum tempo nós não precisássemos mais falar nessa palavra, sustentabilidade, e já fizéssemos isso igual respiramos, de forma espontânea.”
“Todo mês tem esse dia [de pensar em abandonar tudo e desistir. É difícil o entendimento. As pessoas não tem muito tempo. É o grande mal do século XXI. A gente está muito preocupado com a própria sobrevivência.”
“Tempo é o ativo mais precioso que a gente tem.”
“As pessoas não se dão tempo. Mas quando acontece alguma fatalidade, esse tempo aparece, a ficha cai. As coisas começam a acontecer em volta de um cataclisma, um problema na família ou no seu bairro, que de algum modo começa a afetá-las. E aí você começa a entender o quanto é importante dar atenção a esses assuntos.
Infelizmente a sociedade acaba funcionando dessa forma. O que a gente quer é começar a agir sem necessariamente começar porque a gente está numa situação emergencial, apesar de que todos os cientistas afirmam que a questão climática já é uma questão emergencial. Mas a gente ainda não compreendeu isso e acha que é uma questão distante, que só atinge ursos polares.”
“Em Gramado e Canela, a prefeitura fornece as mudas e as escolas públicas, toda sexta-feira, replantam as hortênsias daquela região. Isso já tem 10 anos e está muito mais bonito. Esse é um exemplos simples de mobilização.”
“Não comece amanhã.”
“Pense ao contrário: o que você faz, o que você gosta. Você prioriza aquilo que você gosta e faz isso de forma prazerosa. Cerveja, mulher e futebol: como eu relaciono isso com sustentabilidade?”
“Tem de dar prazer. Em um post sobre picanha, por exemplo, naquele momento pode se introduzir algo sobre sustentabilidade. Podemos introduzir essas questões em nosso cotidiano.”
“Eu não gosto muito da mensagem contra. Melhor transformar as coisas numa direção mais, não numa direção menos. Não podemos ser contra todos. Como a gente pode se somar? Como que eu posso ser útil?”
“Que as pessoas busquem a sua naturalidade. Assim como diz aquela máxima: Eu me divirto tanto que eu não preciso trabalhar.”
Isaac, muito obrigado pela excelente entrevista! E pela farinha, claro.
Além do portal EcoD, você pode acompanhar o trabalho do Isaac pelo Twitter @IsaacEdington.
Pessoal, esse é apenas um dos primeiros posts de sustentabilidade aqui no PdH. O Danilo Scorzoni e o Pedro Bizareli já começaram a tratar disso também.
A próxima entrevista em vídeo será com José Pascowitch, presidente da Visão Sustentável, outra organização por trás do movimento SWU.
Comentários abertos, como sempre.
Quase professor de TaKeTiNa, baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É editor do PapodeHomem, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e caseiro da Cabana PdH. No Twitter: @gustavogitti.
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