“A gente não precisa salvar o planeta” – Entrevista com Isaac Edington

Gustavo Gitti

por
em às | Entrevistas e perfis, Mundo


Enquanto muitas pessoas disparam críticas fáceis ao SWU, fomos bater um papo com os donos das duas organizações por trás do movimento, grande promotores da visão sustentável no Brasil. O quanto dessa visão vai se refletir no SWU não sabemos, mas sua riqueza é inegável. E é ela que nos interessa agora.

Começamos com Isaac Edington, criador e diretor-presidente do Instituto EcoDesenvolvimento, também responsável pelo portal EcoD, o maior provedor de conteúdos sobre sustentabilidade da internet brasileira.

Quem é Isaac Edington

O cara é formado em administração, pós-graduado em Psicologia Organizacional com MBA pela Amana-Key e formação complementar em Business Estrategies for Environmental Sustainability pela Stanford School of Business e Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral. E isso é só a descrição acadêmica…

Sem tempo para uma entrevista?

O Guilherme conversou mais de uma hora com Isaac. Cortar algo seria burrice. As falas do cara são riquíssimas, basta prestar atenção.

Segue abaixo entrevista em 10 partes, com alguns destaques em texto para facilitar a vida dos “sem-tempo” – tema, aliás, da sétima parte.

1. Não é bem o planeta que precisamos salvar…


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“A gente não precisa salvar o planeta; o planeta certamente vai sobreviver. A gente precisa salvar a nós próprios, seres humanos.”

2. Biomimetismo e ecodesign


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“No ecodesign, não existe praticamente a questão da reciclagem.”

“Um exemplo de biomimetismo é o kevlar [fibra sintética mais resistente que o aço, usada em coletes à prova de bala], baseado na estrutura molecular de uma teia de aranha.”

“Um copo que já foi criado e concebido de forma que ele se dissolva e se decomponha com a própria natureza. E não criar um copo e depois pensar um processo para reciclar o corpo.”

Livro citado: Capitalismo natural (Paul Hawken, Amory Lovins e L. Hunter Lovins).

3. Sustentabilidade gera lucro?


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“Não existe sustentabilidade sem lucro, porque sem lucro não é possível investir em pequisas.”

“No projeto Biosfera 2, gastaram 200 milhões de dólares durante 2 anos para que apenas 8 pessoas conseguissem respirar. Imagine que nossa atmosfera, o planeta, faz esse serviço diariamente e gratuitamente para cerca de 7 bilhões de pessoas. Quanto vale isso?

4. Marketing e banalização


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“Daqui a um tempo, nós cidadãos vamos começar a entender quais são as organizações que fazem a sua parte de modo mais consistente e aquelas são meras aproveitadoras, cuja seleção natural fará com que desapareçam ou se modifiquem.”

“As organizações são feitas de pessoas. Se conseguimos mudar as pessoas, conseguimos mudar as organizações.”

5. Sustentabilidade é também ética e inclusão social


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“A base da sustentabilidade, a base de convivência da sociedade, está na plataforma da ética.”

Autor citado: José Bernardo Toro.

Escritora citada: Claudia Werneck.

6. Um debate para jovens


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“Eu tenho uma paixão em tentar incluir os jovens nessa discussão. Eles é que na verdade têm esse legado. Às vezes eu me sinto enxugando gelo quando esse assunto fica só entre nós, de 40 pra cima.”

“Eu gostaria muito de convocar a legião de jovens que nos ouvem Brasil afora para entrar pesado nessa questão e ajudar bastante.”

“Antes de mais nada, parabenizo vocês porque tem pouca gente fazendo isso de forma interessante. Vocês podem dar o exemplo e inspirar outras pessoas.”

“Eu gostaria que daqui a algum tempo nós não precisássemos mais falar nessa palavra, sustentabilidade, e já fizéssemos isso igual respiramos, de forma espontânea.”

7. Não dá vontade de desistir?


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“Todo mês tem esse dia [de pensar em abandonar tudo e desistir. É difícil o entendimento. As pessoas não tem muito tempo. É o grande mal do século XXI. A gente está muito preocupado com a própria sobrevivência.”

“Tempo é o ativo mais precioso que a gente tem.”

“As pessoas não se dão tempo. Mas quando acontece alguma fatalidade, esse tempo aparece, a ficha cai. As coisas começam a acontecer em volta de um cataclisma, um problema na família ou no seu bairro, que de algum modo começa a afetá-las. E aí você começa a entender o quanto é importante dar atenção a esses assuntos.

Infelizmente a sociedade acaba funcionando dessa forma. O que a gente quer é começar a agir sem necessariamente começar porque a gente está numa situação emergencial, apesar de que todos os cientistas afirmam que a questão climática já é uma questão emergencial. Mas a gente ainda não compreendeu isso e acha que é uma questão distante, que só atinge ursos polares.”

8. Mão na massa: flashmobs de revitalização


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“Em Gramado e Canela, a prefeitura fornece as mudas e as escolas públicas, toda sexta-feira, replantam as hortênsias daquela região. Isso já tem 10 anos e está muito mais bonito. Esse é um exemplos simples de mobilização.”

9. Qual é o passo zero?


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“Não comece amanhã.”

“Pense ao contrário: o que você faz, o que você gosta. Você prioriza aquilo que você gosta e faz isso de forma prazerosa. Cerveja, mulher e futebol: como eu relaciono isso com sustentabilidade?”

“Tem de dar prazer. Em um post sobre picanha, por exemplo, naquele momento pode se introduzir algo sobre sustentabilidade. Podemos introduzir essas questões em nosso cotidiano.”

“Eu não gosto muito da mensagem contra. Melhor transformar as coisas numa direção mais, não numa direção menos. Não podemos ser contra todos. Como a gente pode se somar? Como que eu posso ser útil?”

“Que as pessoas busquem a sua naturalidade. Assim como diz aquela máxima: Eu me divirto tanto que eu não preciso trabalhar.

10. Bônus: melhor farinha do mundo, direto da Bahia


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Isaac, muito obrigado pela excelente entrevista! E pela farinha, claro.

Mais do Isaac na web

Além do portal EcoD, você pode acompanhar o trabalho do Isaac pelo Twitter @IsaacEdington.

O debate sobre sustentabilidade continua…

Pessoal, esse é apenas um dos primeiros posts de sustentabilidade aqui no PdH. O Danilo Scorzoni e o Pedro Bizareli já começaram a tratar disso também.

A próxima entrevista em vídeo será com José Pascowitch, presidente da Visão Sustentável, outra organização por trás do movimento SWU.

Comentários abertos, como sempre.

Gustavo Gitti

Quase professor de TaKeTiNa, baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É editor do PapodeHomem, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e caseiro da Cabana PdH. No Twitter: @gustavogitti.


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57 comentários

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  • L. Leite

    Boa! Tá mais do que na cara que não é o planeta que nós precisamos salvar. George carlin já falava isso há tempos!

    http://www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0

  • LucindaMateus

    Que entrevista em Gui, pode mudar de profissão, já jornalista de primeira hahah, bom em respeito ao tema, realmente gosto muito de projetos que são criados em prol da sustentabilidade, apesar de ter ouvido algumas opinioes asperas sobre o evento, acredito que é mais uma tentativa, realmente temos que separar o que achamos do evento, até porque é somente um achismo já que ele ainda não ocorreu, como sempre rola muitos cometários por entre os internéticos…. tenho que dizer que o Sr. Isaac.. é realmente sensacional, sua visão de mundo é muito interessante, é sempre bom ver alguem ter novas idéias em cima de um sistema batido… ponto pra ele, agorá é esperar pra ver tudo isso em prática … concordo agente tem que fazer a nossa parte, não precisamos salvar o planeta né…

  • http://www.facebook.com/people/Douglas-Oliveira/1062299843 Douglas Oliveira

    Erro no primeiro parágrafo: “O quanto dessa visão vai se refleter”

    Abraço.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Valeu, Douglas, arrumado.

  • Waldemirmarques

    só um pitaco douglas. uma baita entrevista, assunto da maior importância e vc critica UMA letra errada? sendo q deu pra entender!

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Sim, a escolha do título faz menção ao George Carlin (genial), fala que também rolou no começo da entrevista.

    Chegou a ver mais do papo, L. Leite?

  • waldemirmarques

    valeu dupla dinâmica.a entrvista matou a pau. achei muitas colocações super interessantes, mas foi fundamental a colocação sobre ética porque é necessário as pessoas se tocarem e entenderem q não podem esperar q o governo faça tudo. precisamos mudar a mentalidade de “limpar” para “não sujar”. a iniciativa do PdH deve ser apludida, incentivada e difundida para que a mídia em geral pare de ouvir os ecorradicais e passe a entrevistar pessoas equilibradas e inteligentes como o entrevistado nesta matéria. meus cumprimentos e recebam meu aplauso de pé, junto com um abraço.

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu acho que tem uma palestra interessante do Amory Lovins, que é um dos autores do Capitalismo Natural bem interessante no TED.com, onde ele fala da questão de reduzir o consumo e a dependência de petróleo de uma maneira economicamente viável: http://www.ted.com/talks/lang/eng/amory_lovins_…

    Eu acho que isso resultou num livro chamado Winning the Oil Endgame que o Rocky Mountain Institute disponibiliza o download em pdf gratuitamente aqui: http://www.oilendgame.com/
    (eu acho que só é preciso se cadastrar)

  • Rafa Aun

    Gitti,

    Não posso assisistir os vídeos, portanto expresso meus comentários baseados nos resumos.

    Muito interessante esta entrevista, principalmente quanto ele toca no assunto ética.

    Essa talvez seja um tema importante na questão da mudança de conduta das pessoas, mas isso é uma utopia.

    Ele e muitos outros falam em sutentabilidade geralmente dando como exemplos ações babacas como plantar hortências, andar de bicicleta e salvar tartarugas, mais ou menos como o falecido George Carlin ironizava no passado. Isso é bullshit…

    A ação de milhões de pessoas bem intencionadas se perde em minutos como o vazamento no Golfo. Isso é só o que nós temos conhecimento, fora outros tantos que devem ocorrer e que nem imaginamos.

    Acho que o discurso “sustentabilidade” é algo que serve “a bancos e empresas privadas tirarem proveito de uma ação psicológica do tipo: estou fazendo o bem por que eles plantam uma arvorizinha por mim.

    Nesse ponto o Issac é certeiro, é preciso mudar as pessoas e não salvar o planeta. Acredito que ele esteja errado em uma coisa. Para mudar as pessoas é preciso que elas tenham o básico garantido: comida. Enquanto um cara tiver que se obrigado a trabalhar estragando o chão que ele poderia usar para produzir alimento não vai ter solução definitiva, apenas soluções paliativas…

    Um abraço,

    Rafael Aun

  • Rafa Aun

    ..

  • tvbarao

    ele não criticou rapaz, ele corrigiu. criticar seria dizer “que merda, tem letra errada!”

    Há alguma regra que impeça as pessoas de corrigir erros mínimos em textos bons ou de suma importância? Agora só podemos corrigir os textos que considerarmos ruins e banais né? Ok então.

    abraço

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  • tvbarao

    Não dá pra ouvir a entrevista aqui do trabalho, faço isso de casa.

    Gostei principalemente do trecho que ele explica que o corpo (copo?) deve ser criado de forma que se decomponha com a natureza, e não ser feito pra depois se pensar em como reciclá-lo.

    “Um copo que já foi criado e concebido de forma que ele se dissolva e se decomponha com a própria natureza. E não criar um copo e depois pensar um processo para reciclar o corpo.”

    Quanto ao SWU, não vi ninguém criticar exceto o fato de ser caro pra caralho (duvido que o Rock'n Rio, por exemplo, seja mais caro).

  • http://www.facebook.com/barreto.diogo Diogo Barreto

    O Issac faz algumas citações de Geoger Carlin, quando diz que “A gente não precisa salvar o planeta; o planeta certamente vai sobreviver. A gente precisa salvar a nós próprios, seres humanos.”.

    E nessa deixa, vou deixar uma sugestão para futuras postagens. sobre o comediante e critico George Carlin falando sobre “salvar o planeta” e como estamos enganados.

    http://migre.me/13W9E

  • Rairis Martins

    guilherme com cara de saco cheio durante toda a entrevista.

  • Pingback: TOPBLOG 2010 | Eu Vivo + Sustentável

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Essa é a cara dele. Duvido que ele estava entediado de algum modo.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    É COPO. Acho que está corpo em algum lugar, vou alterar.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Nada disso. Eu sempre agradeço e gosto quando comentam só pra corrigir. Mostra generosidade. Eu faço isso direto também em outros sites.

    Façam sempre, por favor.

    O Waldemir só deixou a visão dele, só isso. E a minha é: “Obrigado”.

    Abraço.

  • Waldemirmarques

    tvbarão, ok, pode criticar, mas o cara podia usar o espaço para, além da correção, postar uma observação sobre sua impressão pela matéria, ficaria mais interessante pq o rapaz mostraria que não só a leu atentamente que pode observar em erro de digitação. parabens ao mas o gitti pela humildade. abraço

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Como Gitti falou, essa é minha cara, Rairis.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Então, não seria mudar. Me formei em Publicidade e também em Jornalismo. ;D

    Quanto ao papo, considerei um puta pontapé inicial pra esclarecer muitas coisas sobre a tão falada sustentabilidade e sua aplicação real em nossas vidas.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Grande Waldemir!

    E essa vai ser a primeira de grandes entrevistas.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Não conheço nenhuma das duas referências, Leonardo, vou dar uma fuçada. Bom ter compartilhado os links conosco, meu caro!

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Exato. Ele trata o tema sem rodeios, sem mistificações idiotas.

    Me diga o que achou depois que assistir os vídeos, Aun.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Ótima indicação de vídeo, Barreto!

    http://www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0

    Mas quanto a essa fala, não acredito ser original do Carlin. A turma não-xiita do meio ambiente já tem essa clareza há tempos. O Carlin foi o que tornou isso mais famoso, no entanto.

  • Maira_Matos

    Assistirei a entrevista depois, porque estou no Trabalho, mas já adianto alguma coisa da minha opinião baseado nos destaques e na descrição da matéria, uma vez que é o assunto que mais me move na minha carreira de Geógrafa.

    Apesar de parecer que esse cara é “O” outro extremo da linha ambiental (ecoradicais x sustentabilidade tecnologica e lucrativa), ele não é. A linha do pensamento sobre sustentabilidade pode apresentar no mínimo 3 pontas, e a terceira é a vertente crítica, complexa, emancipatória ou outro adjetivo ligado a essas correntes de pensamento (no qual me baseio para discutir meio ambiente)

    Claro que algumas coisas destacadas são interessantes, como o fato de sermos pretensiosos a ponto que achar que um planeta precisa ser salvo por nós. ele sempre se modificou (o que inclui a vida), e se modificará com ou sem seres humanos. E tem a coisa da ética ser a base e tal (se não fosse, também, tenho medo do que seria).

    Mas o discurso dele (nos destaques ao menos) me pareceu “Olha, a essencia da sustentabilidade é o desenvolvimento de novas tecnologias para materiais e produtos e de organizações inovadoras e engajadas”

    Na minha visão, assim como na de vários autores, sustentabilidade é uma questão, acima de tudo, política. é, acima de tudo, pensar um projeto de sociedade, a partir do projeto de sociedade que alimentamos até aqui.

    I'm very sorry. Isso é só uma parte da solução para os problemas ambientais. Ela não virá somente de cada um fazendo uma ação individual, que em grande escala ajuda o mundo, e tampouco da forma como corporações desenvolvem tecnologias limpas sem perder seu lucro fantástico. Sem reflexão política e entendimento complexo da realidade a sustentabilidade será apenas um jeito novo de e consumir coisas.

    http://www.storyofstuff.com/

    Além da história das coisas tem a história da água engarrafada, dos cosméticos e do mercado de carbono. Não morra sem assistir a isso, seu entendimento sobre meio ambiente pode mudar completamente

    Um abraço.
    Quando ouvi sobre o evento SWU, fiquei pra morrer. A palavra (não o conceito) sustentabilidade ficou tão hype que realmente, como o colega disse acima, é jogada em qualquer coisa para dar ruma imagem mais moderna e preocupada com você. Assim você se sente super global e de consciência limpa pagando horrores para ver shows.

    Vou querer saber notícias sobre como o evento pretende contribuir com o que eu entendo como sustentabilidade, com justiça social, com agir a favor da coletividade.

    Não quero falar mais porque ainda não vi o vídeo, e é um crime criticar sem ouvir, mas um vídeo que esclarece de forma resumida e simplificada a complexidade da coisa é o Story of Stuff (também com legendas em português)

  • Osbournes

    Legal, muito bacana, muito interessante. Mas continuo criticando. Um ingresso a 400 reais é palhaçada.

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Sabe um ponto que eu aborda que eu acho bastante interessante é a questão do ecodesign, talvez por acreditar na capacidade de certos objetos e tecnologias de mudarem a realidade das pessoas de forma mais eficiente e mais rápida que educação.
    Um exemplo seriam os aeradores que são colocados nas torneiras para economizar água ao misturá-la com o ar, é muito mais fácil fazer as pessoas utilizarem um utensílio desses vendendo torneiras com essa capacidade, do que educar as pessoas a usarem menos água. Ou mesmo no caso daquelas torneiras cujas válvulas se fecham após um tempo determinado, como é bem comum se ver em banheiros públicos. Será que não é muito mais fácil instalar esse tipo de torneira do que conscientizar todos os usuários de um prédio público, como um shopping center, que x segundos de água corrente bastariam para fazer a higienização?

    E não que eu ache que educar as pessoas seja desnecessário, eu acho que se combinarmos revolução via design com a educação,lógico que fica muito mais fácil a redução dos impactos ambientais decorrentes das atividades humanas.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Osbournes, sim, acho legal você reclamar via Twitter, Facebook ou direto no blog deles. Mas aqui o papo é outro, acho que ficou claro pelos 10 vídeos, não? Ainda não falamos nada do festival, nosso interesse maior está sendo em aproveitar esse movimento para discutirmos sustentabilidade aqui no PdH.

    Chegou a ver algum vídeo?

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Também acho, Leonardo. Até porque as pessoas se tornam mais educadas quando estão em ambientes mais limpos. Se você passar 10 dias trabalhando 8h vendendo cachorro quente numa rua IMUNDA, lá pelo 11º dia você não se importará em jogar um papel e outro no chão, já que parece que não fará nenhuma diferença.

    Manter tudo bem limpo, organizado e oferecer instalações com ecodesign certamente é uma solução bem mais eficaz do que ficar tentando instruir pessoas.

    Além disso, eu sou muito a favor de uma educação indireta. Não isso de bater na tecla e falar em “sustentabilidade”, mas apenas ajudar as pessoas a se tornar mais autônomas, autoras de suas próprias vidas, mais donas da cidade, menos autocentradas. Quando isso acontece, a ação sustentável, ética, virtuosa, vem naturalmente. Aliás, esse é um argumento do próprio Isaac.

    Não achas?

    Abraço.

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Gitti, eu acho que é justamente essa a visão que eu tenho. E eu acho que essa questão da autocentralização dos indivíduos nos centros urbanos é outra questão que poderia ser amplamente discutida. Eu tenho a impressão que muitos dos problemas dos centros urbanos surgem dessa postura.

  • L. Leite

    Infelizmente vi um infinitésimo dos Vídeos – tempo curto durante a semana :(

  • cazzo

    Eu trabalho com Meio Ambiente… dentro d eum orgão que deveria, por excelência cuidar do meio Ambiente, mas o que vejo é que quem manda é o dinheiro… o tempo todo… e olha que tem gente muito bem intencioanda… mas no fim a grana quase semrpe vence…

  • C. Henrique

    Gostaria de parabenizar o PdH pela entrevista. Embora eu torça muito o nariz para qualquer papo sobre sustentabilidade (e isso por conta dos eco-radicais), qualquer discurso ambientalista que parta da premissa de que “o planeta não precise ser salvo, mas o nosso modo de vida” ganha meu respeito: em primeiro lugar porque acaba de vez com essa palhaçada altruísta-Green-Peace (somos os mártires que querem salvar os pandas); em segundo porque evidencia, sem rodeios, o principal interesse do homem em manter seu modo de vida e, consequentemente, foca os esforços em gerar lucro etc.

    No entanto, faço coro ao Rafa Aun no que concerne à necessidade de reformar a sociedade como um todo para se pensar em sustentabilidade. Em algum momento no primeiro video o Guilherme Valadares fala algo como “ok, mas tá aí o capitalismo, a indústria de massa etc” e se inicia o papo sobre sustentabilidade: o problema é que é impossível mudar o comportamento ou a mentalidade das pessoas quando estas não tem o que comer, o que beber, onde morar e tudo o mais. Não há como fazer uma pessoa se apegar à necessidade de salvar o modo de vida de banqueiros, industriais e diretores da máfia midiática quando ele mesmo é um pé rapado. Nesse ponto, acho uma puta sacanagem defender a sustentabilidade.
    Sei que o assunto se baseia no caráter emergencial da situação e tal, mas não dá pra pensar em mudança de mentalidade sem pensar em mudança social. Não me é interessante lutar pela manutenção de um modo de vida que explora pessoas como se fossem gado e onde o abismo social é mais profundo que a Fossa das Marianas.

    Abraços,
    C. Henrique

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Concordo totalmente, cara.

    Na verdade, muito do discurso sobre sustentabilidade vem do próprio capitalismo malvado (esse monstro sem face), ou seja, do próprio sistema como um todo, da grana, das corporações, dessas estruturas cuja inteligência não é humana. Não tem de pessoas.

    E esse discurso é basicamente o seguinte: façam aí pequenas coisas para salvar o mundo. Use menos água, não jogue óleo na pia, mije no banho, consuma produtos de empresas sustentáveis, bla bla blá. É claro que é ótimo usar menos água e tudo isso, mas esse discurso joga a responsabilidade nos cidadãos ao mesmo tempo que apaga o papel das empresas e do Estado.

    O melhor discurso sustentável, a meu ver (e vou escrever um texto só sobre isso aqui), é: “Consuma menos, viva de modo mais simples, pare de pensar em sucesso pessoal, olhe para as pessoas ao seu redor”.

    Ou seja, é um discurso que não é bem capitalista. Ou melhor, vem de um capitalismo inteligente.

    Em discursos sobre sustentabilidade, é comum falar em reciclagem e consumo “consciente”, mas pouco se fala diretamente o que realmente transformaria o mundo: consuma MENOS (isso é consumo consciente) e produza MENOS (para empresas).

    Abraços.
    Qual empresa quer produzir menos, me diz?

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Uma coisa bem rara de se ouvir e crucial é a seguinte:

    “Eu gostaria que daqui a algum tempo nós não precisássemos mais falar nessa palavra, sustentabilidade, e já fizéssemos isso igual respiramos, de forma espontânea.”

    É o mesmo com a palavra PAZ. Onde falam “paz” é porque certamente há algum problema. Com nosso corpo, para dar mais um exemplo, quando falamos “fígado” ou quando prestamos atenção no fígado, é porque ele está com algum problema. Você estava até agora focando no seu joelho ou no seu estômago? Não, mas eles estavam e estão aí, funcionando.

    Se falamos em “sustentabilidade”, é porque algo vai muito mal. Tão mal que precisamos encontrar uma palavra para algo que deveria ser natural e um método para o conserto.

    É como cagar em cima da cama. A gente não tem nem nome pra isso, muito menos para o conserto. “Sustentabilidade” é o nome que demos para a lei “Não cague em cima da cama”. Basicamente é isso, só que a gente perdeu a noção que estamos o tempo todo em cima de uma grande cama.

    Esse raciocínio pode parecer bobo, mas aponta para o seguinte: se cagar em cima da cama é algo que estamos fazendo sem perceber, então há algo de verdadeiramente errado em nós. Como humanidade, como sociedade, como coletividade, estamos realmente cegos pra alguma coisa.

    A saída mais direta, então, não é tanto consertar os estragos ou ficar criando métodos para que não mais caguemos em cima da cama. Sem deixar de fazer isso, claro, precisamos focar na origem da coisa, que é nossa visão, nossa “naturalidade” em fazer merda. Se mudarmos isso, fazer merda não será mais uma opção, não haverá necessidade de controle, de um método, de discursos sobre “não cagar na cama”.

    E isso, pelo que conheço, é o que menos se faz. Divulgamos métodos e dicas para não cagarmos na cama, mas não divulgamos uma visão de mundo na qual cagar na cama nem é uma opção.

    Ou seja, qual visão de mundo não precisa da palavra sustentabilidade? Como podemos oferecer essa visão ampla para mais gente? É isso pra mim a questão principal. Todas as outras são essenciais, sim, mas secundárias para uma transformação mais radical.

    Abraço.

  • Tamires

    Bem, confesso que não ouvi a entrevista (ainda) então pode ser que esteja falando bobeira, mas de qualquer forma acho que tem relação com o post (pelo menos com o título). Vi uma reportagem no G1 sobre um bilionário australiano que está oferecendo R$1,6 milhão para quem der uma idéia revolucionária para “salvar o planeta”.
    E aí, alguém de candidata?

    http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/201…

    Bjos rapazes, o site está cada vez melhor!

  • http://www.facebook.com/people/Lucas-Gustavo/100000100906492 Lucas Gustavo

    Meu professor de biologia deu um exemplo parecido usando a mesma analogia. Ele estava dando uma aula sobre Tireóide e disse: “Quem aqui já foi ao médico e nunca ouviu falar da Tireóide? Deem graças a Deus de nunca terem ouvido falar nela, porque quando ela está problema, é coisa séria.”

    Outro dia vi um tweet “Quem é da paz não lê A Arte da Guerra”.

    Realmente certas palavras são criadas e usadas apenas quando a merda já ta no colchão.

  • Raulfeldmann

    Bem legal a entrevista, so acho que o titulo nao representa muito bem o conteudo, pois salvar o planeta nada mais é que salvar nosso mundo como conhecemos e nao que o planeta acabara em si, é apenas uma colocação erronea.

    Mas bem daora Gui parabens ai mano

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Seria uma ideia revolucionária pra “salvar a raça humana”, não?

    ;D

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Onde trabalha, Cazzo? Como funcionam as coisas por lá?

  • Maira_Matos

    … Em compensação cagaram pro meu comentário…
    Desculpem, é que fico sensível quando me ignoram na discussão mais importante da minha vida.

  • Tamires

    Bem, as duas coisas estão intimamente ligadas, não? Acredito ser implícito porque esse crescimento desenfreado da “raça humana” está impactando diretamente no planeta.
    Mas de qualquer forma eu pedi desculpas porque como não vi a entrevista não tinha como relacionar a reportagem ao post. De fato, só achei a reportagem legal.rs

    Bjos!

  • cazzo

    Guilherme.. trabalho no Ibama.. especificamente com Licenciamento Ambiental.. no caso tespecifico verificamos a viabilidade ambiental do empreendimento (linha de transmisão, gasoduto, oleoduto, mineroduto, usina nuclear, extração de petroleo, hidreletricas, estradas de ferro, rodovias, mineração, termeletricas, portos, complexos eólicos e etc…), quando encolvem mais de um estado da federação ou quando causam grande impacto ambiental ou quando o estado nao tem condiçoes ou competencia para avaliar e acompanhar todo andamento da obra.. Sendo viável o empreendimento passar por varios processos dentro do Ibama ( e também em outros orgaos) para definir como será feita a sua implementação… Vale lembrar que para que seja considerada viável uma obra que causa impacto ambiental deve levar em conta basicamente três aspectos: meio biótico ( fauna, flora), meio físico (a obra em si) e meio socioeconomico ( populações atingidas pela obra).
    O bom do trabalho aqui é que a gente viaja o Brasil todo ( desde o arquipelago de Trindade, Floripa, interior do Piauí, Amazônia, Pantanal e por aí vai..) e aprende muuuuito…
    O ruim é que é uma pressão FDP… por parte do Governo, da empreendedor (que gasta mmuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuita – mas muuuuuuuuita mesmo- grana pra tocar os projetos) e também pelo Ministerio Público. Quem sabe uma hora animo de escrever um artigo tentando esclarecer o tema de maneira didática…

  • cazzo

    Guilherme.. trabalho no Ibama.. especificamente com Licenciamento Ambiental.. no caso tespecifico verificamos a viabilidade ambiental do empreendimento (linha de transmisão, gasoduto, oleoduto, mineroduto, usina nuclear, extração de petroleo, hidreletricas, estradas de ferro, rodovias, mineração, termeletricas, portos, complexos eólicos e etc…), quando encolvem mais de um estado da federação ou quando causam grande impacto ambiental ou quando o estado nao tem condiçoes ou competencia para avaliar e acompanhar todo andamento da obra.. Sendo viável o empreendimento passar por varios processos dentro do Ibama ( e também em outros orgaos) para definir como será feita a sua implementação… Vale lembrar que para que seja considerada viável uma obra que causa impacto ambiental deve levar em conta basicamente três aspectos: meio biótico ( fauna, flora), meio físico (a obra em si) e meio socioeconomico ( populações atingidas pela obra).
    O bom do trabalho aqui é que a gente viaja o Brasil todo ( desde o arquipelago de Trindade, Floripa, interior do Piauí, Amazônia, Pantanal e por aí vai..) e aprende muuuuito…
    O ruim é que é uma pressão FDP… por parte do Governo, da empreendedor (que gasta mmuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuita – mas muuuuuuuuita mesmo- grana pra tocar os projetos) e também pelo Ministerio Público. Quem sabe uma hora animo de escrever um artigo tentando esclarecer o tema de maneira didática…

  • cazzo

    Eu gostei da tua resposta…. não comentei pq olhei só pro meu umbigo…

  • Pingback: VSF Links da Semana #07 « blog VSF

  • http://www.facebook.com/people/Maria-Das-Dores/100000556981123 Maria Das Dores

    Isso é que é “papo de Homem” e com H maiúsculo.
    A destacar a fala de tornar a sustentabilidade parte do cotidiano de nossas vidas pelo entrevistado e nos comentários a educação. As orientações para a Educação Ambiental (EA) dizem que ela pode ser feita de maneira formal (escola, universidade) ou não-formal (jornal, blog, associação de moradores).
    A abertura nesse espaço e a repercussão que vem tendo mostra que este é uma boa prática de EA, não-formal. Parabéns pela iniciativa!
    Aí pessoal vamos replicar para que mais e mais pessoas leiam. Uma “corrente do bem”…
    Cordiais abraços a todos

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Que bom que gostou, Maria!

    Semana que vem tem outra entrevista com a mesma duração. Muito material para debate.

    Abraço.

  • Mariadasdores

    Isso é que é “papo de Homem” e com H maiúsculo.
    A destacar, a fala de tornar a sustentabilidade parte do cotidiano de nossas vidas pelo entrevistado e nos comentários, a educação. As orientações para a Educação Ambiental (EA) dizem que ela pode ser feita de maneira formal (escola, universidade) ou não-formal (jornal, blog, associação de moradores).
    A abertura nesse espaço e a repercussão que vem tendo mostra que esta é uma boa prática de EA, não-formal. Parabéns pela iniciativa!
    Aí pessoal vamos replicar para que mais e mais pessoas leiam.
    Proponho uma “corrente do bem”…
    Cordiais abraços a todos

  • http://www.facebook.com/people/Maria-Das-Dores/100000556981123 Maria Das Dores

    Gustavo,
    vai uma contribuição, se achar que vale coloque para todos.

    O Catálogo Sustentável armazena informações sobre produtos e serviços avaliados a partir de critérios de sustentabilidade e selecionados pela equipe de especialistas do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (GVces).

    O Catálogo Sustentável tem o objetivo de reunir e divulgar informações sobre produtos e serviços disponíveis no mercado brasileiro que aliam bom desempenho ambiental à responsabilidade social, de forma a subsidiar as decisões desses consumidores.

    O Catálogo Sustentável não busca estimular o consumismo de nicho, mas auxiliar o consumidor consciente, seja ele indivíduo ou organização, na busca de alternativas mais sustentáveis no mercado de bens e serviços. Objetiva-se facilitar, simplesmente, o acesso do consumidor a fontes potenciais de produtos ou serviços gerados segundo princípios éticos em prol da promoção do desenvolvimento sustentável.

    Com isso, o Catálogo Sustentável pretende ser uma ferramenta de auxílio aos compradores institucionais ou individuais e servir como uma vitrine dos produtos e serviços fruto de das boas práticas empresariais.

    Acessar: http://www.catalogosustentavel.com.br/

    Abraços

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Muito bom saber, Maria, vou fuçar. Já está para todos, o comentário está público.

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Maira, você fez um puta comment gigante começando com “ainda não assisti os vídeos”.

    Ou seja, naturalmente aguardei você voltar dizendo, “então, agora já assisti…” e aí o papo seguiria em melhores bases.

    bjo

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Fala confusa, Henrique.

    Em algum outro ponto da entrevista vem o que considero o principal insight, “sustentabilidade é ética, respeito. esse deve ser o principal crivo.”

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Caros, publicamos nova entrevista sobre o tema aqui:

    http://papodehomem.com.br/empresas-podem-ser-mais-sustentaveis-do-que-pessoas-entrevista-com-jose-pascowitch/

    Ficou tão boa quanto, ou melhor! José e Isaac são grandes caras.

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