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Treine por 10 mil horas

Rafa Monteiro

por
em às | Artigos e ensaios, Cabana no PdH


Lionel Messi tinha tudo para não ser um jogador de futebol.

Lionel Messi

Messi: infância no Newell's Old Boys e juventude no Barcelona

Talento nunca lhe faltou, decerto. Aos 4 anos, dava olé nos moleques com o dobro de sua idade. Foi assim no Abanderado Grandolie, pequeno time onde Messi jogou até o dia em que seus pais foram impedidos de acompanhar um dos jogos do filho porque não tinham dinheiro para o ingresso. Depois disso, os pais de Messi tiraram-no do clube.

A história do atual melhor jogador do mundo poderia ter parado aí.

Aos 7 anos, o jogador voltou a integrar uma equipe: o Newell’s Old Boys. Apesar da precoce intimidade com la pelota, Messi, aos 11, descobriu que sofria de uma doença óssea que lhe prejudicava o desenvolvimento físico. Durante mais de um ano e ao custo de 900 dólares por mês, teve de tomar injeções diárias. Sua família não dispunha de tanto dinheiro e seu clube, o Newell’s Old Boys, se recusou a custear o tratamento.

Novamente, uma rasteira da vida.

Foi então que Jorge Messi, pai de Lionel, teve uma ideia: e se o filho fosse oferecido a clubes internacionais? Afinal, eles não tinham o que perder – a Argentina toda estava em crise e, como milhares de compatriotas, a família Messi andava mal de dinheiro.

Aos 13, Lionel Messi foi morar com uma tia na Catalunha. Foi então que um olheiro do Barcelona viu o talento do jovem garoto de 1,40 metro e o incentivou a fazer um teste no clube.

O resto é história. É o vídeo abaixo.


Link YouTube |

Você tem 10 mil horas para ser foda

À parte o talento, Lionel Messi passou todo esse tempo (dos 4 aos 13 anos) batendo bola, independente se num time ou na pelada de rua. Esse treino – ora em um clube profissional, ora em brincadeira de molecada – colaborou para que ele fosse o que é hoje: o melhor do mundo.

Sem saber, Messi colocou em prática a teoria de K. Anders Ericsson, um importante psicólogo e pesquisador da cognição. Ericsson está começando a ficar conhecido do grande público graças a aos estudos que vem desenvolvendo para compreender como um ser humano comum adquire habilidades de nível épico.

Ele advoga que a diferença entre uma pessoa de desempenho mediano e um expert em uma determinada atividade é de 10 mil horas de prática. A regra serve para absolutamente qualquer atividade que precise de tempo para amadurecer: tocar piano, meditar, praticar tiro ao alvo, administrar empresas, investigar crimes, jogar Call of Duty, praticar cuspe à distância, dirigir etc.

Dez mil horas. É a diferença entre aprendiz e mestre.

Para quem não tem uma ideia muito nítida de um número tão grande, 10 mil horas de treino são equivalentes a três anos e meio de estudo intensivo, oito horas por dia, sete dias por semana. Isso significa treinar inclusive aos sábados, domingos e feriados. E por estudo e prática, entenda-se um treino deliberado e focado, com o mínimo possível de distrações e esforços inúteis. Cada segundo conta.

Se você praticar algo quatro horas por semana, como um hobby, vai demorar 52 anos para acumular as 10 mil horas.

Treine por 10 mil horas

Tempo gasto treinando: uma vida

Esta transformação só é possível graças à nossa neuroplasticidade, que é a capacidade que temos de reorganizar estruturas nervosas e mentais em resposta a estímulos e necessidades. É um fenômeno fisiológico que tem uma relação muito forte com o aprendizado. Um exemplo clássico de neuroplasticidade está nos cegos: eles compensam a falta de visão desenvolvendo a audição, o olfato e o tato para níveis acima da média.

Temos essa capacidade operando em todos os instantes de nossa vida, sempre pronta a nos transformar diante de problemas novos. Só que ela demora muito para gerar efeitos de longo prazo.

Uma jornada de 10 mil horas começa com um único passo

Ericsson explica que, para desenvolver expertise sobre algo, é preciso um investimento de tempo e prática para que nossos corpos e mentes desenvolvam processos cognitivos eficientes e rápidos, com base em redes de neurônios, músculos e esquemas mentais fortalecidos e aprimorados depois de um longo processo de trabalho. É preciso se submeter a uma determinada atividade por muito tempo, de forma regular e sistemática, para garantir que as estruturas fisiológicas e mentais que facilitam a prática nao se desfaçam.

Por um lado, 10 mil horas é uma eternidade. Significa que qualquer progresso visível só vai surgir depois de muito tempo de treino. É como se sentir eternamente na estaca zero depois de praticar uma escala de dó maior no piano por horas. A impressão que fica é que a primeira coisa a se treinar é a determinação e a motivação para não desistir durante uma prática tão longa.

Por outro lado, 10 mil horas é pouco tempo. Passa rápido. Se você duvida, pergunte pra qualquer pessoa com mais de 30 anos.

Se pensarmos bem, um treino de 10 mil horas é uma ideia maluca, de certa forma. É no mínimo insano fazer uma projeção de 10 anos tocando guitarra para se tornar um virtuose sabendo que a vida pode acabar de uma hora pra outra sem nenhum motivo. É planejar em cima de especulação pura.

Mas, perceba, esta teoria faz sentido pelos mesmos motivos. A vida é curta e pode acabar a qualquer momento. Sendo assim, por que não passar o pouco tempo que nos resta fazendo algo significativo?

No pain, no gain

Essa teoria reafirma algo que todos nós já estamos carecas de saber, mas que custamos a aceitar: para um desempenho de nível olímpico, é necessário treino, dedicação e investimento (tempo, dinheiro, relações etc.) de nível olímpico. Nada menos que isso.

E continuamos tocando nossas vidas acreditando que é possível burlar esta regra. Procuramos sempre o curso de inglês que se propõe a zerar o assunto em dois anos, ou o professor de guitarra com o método milagroso de um ano, e a academia de jiu-jítsu que sobe os alunos de faixa mais rapidamente.

Em nossas práticas, procuramos fazer aquilo que já fazemos com mais facilidade, e evitamos aqueles que dão mais trabalho e dor de cabeça. Buscamos uma gratificação, uma sensação de recompensa que nem sempre se traduz em desenvolvimento de uma habilidade.

Faz todo sentido do mundo não querer perder tempo e fazer valer cada hora de estudo investida, mas não é isso que fazemos. Nos contentamos com medalhas e diplomas que nem sempre correspondem ao nosso progresso real. Supervalorizamos nossos diplomas para descobrir, recém formados, que não passamos de jovens crus que não entendem nada do próprio trabalho.


Link YouTube | Clique em CC e escolha a opção para mostrar legendas em português

Ao colocar o treino continuado na base do aprendizado, Anders nos chama a atenção não somente para nossas próprias falhas, mas para os problemas dos modelos educacionais atuais. Temos hoje um modelo escolar que não tira proveito da capacidade neuroplástica de crianças, e nem sequer cogita educá-las visando esse grau de expertise.

Temos um modelo que tolhe muito mais do que estimula, numa perda progressiva que acompanha a idade da criança. Aos poucos, transformamos pequenos gênios em jovens de intelecto mediano e adultos medíocres.

Ericsson, com sua teoria, nos faz uma provocação sobre como levamos nossas vidas e sobre o que fazemos com o pouco tempo que nos é dado. Nos contentamos com a nossa zona de conforto ou buscamos aprimoramento? Nos distraímos em nossas atividades ou praticamos de forma focada? Buscamos nos conhecer e nos transformar ou viramos autômatos zumbis? Como administramos os custos de nosso treino?

Afinal, qual é a sua relação com seu próprio desenvolvimento?

Este post é resultado de nossas práticas, diálogos e treinamentos na Cabana PdH. Quer entrar no Dojo?
Rafa Monteiro

Músico, nerd, gamer. Tem 29 anos, mas ainda não aprendeu a mentir. Conta piadas hediondas de efeito moral. Seu projeto de vida é tirar um ano sabático para viajar pelo mundo, palestrar no TED e zerar sua Fender Strato no hard. Tem um blog sobre guitarrismos com tiragem devezemquandenal. No twitter: @_rafa_monteiro_


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  • http://www.facebook.com/vinicius.gasantos Vinícius Gonçalves

    Tudo isso que voce falou ai, e muito mais coisas (interessantissimas, diga-se de passagem) Tem nesse livro aqui. 
    http://en.wikipedia.org/wiki/Outliers_(book)

    Muito bom e recomendo pra quem tiver interesse em descobrir sobre o sucesso e seus caminhos.

    • Rafa

      Rapaz, eu ainda não li esse livro. Pelas resenhas, me parece que ele cita muito o Ericsson.

      Eu conheci a teoria das 10k horas lendo outro livro, o “This is Your Brain on Music” do Daniel Levitin. O livro fala específicamente de cognição musical, e lá pelas tantas explica um pouco da teoria das 10k horas. O livro é bom pra cacete, mas talvez seja uma leitura que só interesse a músicos mesmo

    • Christtian Crispim

      Eu li esse livro, toda vez que vejo uma referência às 10 mil horas eu lembro dele. Tanto Outliers como Tipping Point são excelentes!

  • RichardRManzke

    Eu sempre me lembro dessa história aqui:

    Um fã se dirige a um grande violinista no final de um concerto e diz:

    - Eu daria minha vida para tocar como você!

    E ele responde:

    - Foi exatamente o que fiz!

    ;)

  • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

    Bom … então eu só tenho que escolher qual aptidão eu quero desenvolver nessas 10 mil horas !! Só há um probleminha … tenho uma boa sensação de que não tenho DOM PARA P* NENHUMA !!

    Mas admito … a idéia é GENIAL !!

    • Convidado

       Pois é, pelo que eu entendi, esse Anders defende a ideia de que não temos “DOM PARA P* NENHUMA” até praticarmos 10k horas alguma bendita habilidade – habilidade essa que será nosso dom.

      Discutível.

      A priori, faz sentido, mas acho muito sensacionalista qualquer dessas hipóteses, discursos que nos apresentam alguma forma de receita, por mais trabalhosa que essa receita seja, como é o caso. Embora ele não diga nada que minha vozinha não diria, com a diferença de propor a exatidão de um número – e esta é a parte que impressiona.

      A despeito disso, o autor e o Anders tocam num ponto importantíssimo: a gratificação imediata (e muitas vezes auto-enganosa). Ela é infantil, contra-producente, na maioria dos casos…
      Além dos pontos óbvios de esforço, foco, dedicação, etc… nada que minha avó não diria, como mencionei.

      Se Anders está certo ou está errado, quem sou eu para determinar?

      Agora, eu acato a aposta.

      Prefiro descobrir que estávamos errados a permanecer sem tentar.

    • Convidado

       a exatidão de um número, o que dá certos ares de conhecimento científico, embora essa ‘pesquisa’ esteja relativamente longe disso.*

    • Alan

      Também tenho a mesma sensação. Sinto que sou mediado em uma ou outra coisa, mas não vejo nenhuma grande habilidade.
      Não é fácil descobrir onde empregar essas 10 mil horas.

      • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

        Acho que o que nos falta é a HOMBRIDADE para escolher em quê iremos dedicar nossas 10 mil horas !!

      • Rafa

        Alan, o mais provável é que a ficha ainda não tenha caído.

        Siga seu rumo e vá vivendo sua vida, tentando se aprimorar enquanto ser humano e fazendo algo pelos outros.  Às vezes é preciso dar uma chance para o acaso fazer o seu trabalho

        Te garanto que uma hora a ficha cai. =)

    • Rafa

      Wagner, uma provocação: faz sentido falar de dom quando se tem uma jornada tão longa pela frente? =)

      • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

         Então vou responder com outra provocação … se a jornada é tão longa, como se dedicar tanto tempo para algo que vc não tem aptidão ?

        Uma comparação … um jogador de volei profissional, seria tão bom se ele se dedicasse da mesma maneira ao futebol de salão?

      • Rafa

        Olha, acredito que quem consegue encontrar satisfação numa atividade por si só já resolve 90% do problema. Aos poucos a pessoa adapta a própria vida para continuar sustentando a prática por mais e mais tempo.

        O resto é consequencia.

    • http://www.facebook.com/renato.toso Renato Gonçalves Toso

      É, na verdade eu acho essa tese meio falha. Tem que existir aptidões, senão a lógica não funciona. Tente fazer um surdo (daqueles que não escuta nada mesmo) tocar piano magnificamente; ou alguém que não anda jogar futebol. O mínimo que deve existir é possibilidade. A maestria é mais tangível e tem que depender das predisposições (ou dons) de cada um. É aquela diferença “sutil” entre um QI 100 e um 150, na qual os dois são aptos para serem matemáticos, mas o segundo é mais apto que o primeiro. Ou ser um ótimo pianista e ser um pianista magnífico porque você consegue tocar uma 15 com uma mão.

      PS: Acho que própria “ciência” já desmentiu essas ideias de “não existem dons” com o Michael Phelps. Teve uma época, se não me engano, que falaram muito que ele era o melhor nadador do mundo porque seu tronco era comprido e as pernas eram curtas, dando uma facilidade maior pra ele nadar.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000169026699 Michel Colombo

    O caminho mais fácil nunca é o correto ou é o mais medíocre.
    Mas por em prática é o que é mais foda!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100002792597766 Uyran Ribeiro

    Tem que ser 10000 horas enquanto for criança né?

    Porque o Bill do Corinthians já ta treinando à meio século e nada de ficar bom…

  • Felipe Giannella

    Acho esse conceito das 10000 horas muito mais ilustrativo do que real. Se você tiver talento ou dificuldades em uma tarefa, você vai demorar mais ou menos. Mas é interessante pensar que, no fundo, não existe aquilo do “impossível”. Basta se dedicar, de verdade, com foco, com frequência, durante muito tempo, e você vai se tornar mestre em qualquer coisa. Aí entra o seu direcionamento, de saber em quê vale à pena dedicar todo esse tempo. 

  • Lucas Abduch

    “A regra serve para absolutamente qualquer atividade que precise de tempo
    para amadurecer: tocar piano, meditar, praticar tiro ao alvo,
    administrar empresas, investigar crimes, jogar Call of Duty, praticar
    cuspe à distância, dirigir etc.”

    E… Fazer malabarismo!

    Já tinha ouvido sobre isso. Pelos meus cálculos agora devem faltar somente umas 6348,5 horas.

    http://www.facebook.com/malabarismo

    Duas coisas importantes para lembrarmos:
    - criatividade é simplesmente questão de prática.
    - Como já disse o Google: “Inovação é mais importante que perfeição instantânea”.

    • Rafa

      Sim, administrar o tempo é um problema seríssimo.

      Quase sempre, as pessoas que se saem melhor e mostram desempenho superior são aquelas que tiveram melhores condições de praticar de maneira focada, sem distrações cotidianas como trabalhar 8 horas por dia, pagar conta, cuidar de filho, etc.
      Começar tarde custa duplamente caro, porque além das demandas da vida, temos uma capacidade neuroplástica reduzida se comparada com a de crianças.

  • http://www.facebook.com/people/Mateus-Diniz/100001515284620 Mateus Diniz

    Uma profissional do sexo que trabalha 4 horas por noite, 1260 por ano, em menos de 8 anos vira uma noiva perfeita? ops….

    • Rafa

      Talvez, se nao sofrer nenhuma lesão no meio do caminho =P

    • http://www.facebook.com/renato.toso Renato Gonçalves Toso

      Uso perfeito da lógica, haha!

  • http://www.facebook.com/yuriantoniovilasboas Yuri Vilas Ótimas

    Algumas coisas…

         A gente pode, assim como Victor Wooten (já mostrei o vídeo pro Fábio Bracht, mas não achei o Link), fazer a relação entre nossa primeira língua e outras habilidades.
    Wooten compara tocar um instrumento musical com a habilidade de falar, o que é muito justo, e o lado que ele critica mais é o da educação musical, também com razão.
    O que quero falar é, o nosso falar é praticado praticamente desde o dia em que nascemos. Excetuando mudos, poderíamos até arriscar dizer que qualquer pessoa com seus 20 e poucos anos, no Brasil, já atingiu o nível de 10 mil horas no Português que fala. Mas note: é o português falado, não o gramatical.
    E essa habilidade de conseguir se comunicar com perfeição para aquilo a que se tenha necessidade não é vista com a valorização necessária simplesmente porque todos a tem.

    Outra coisa é que a virtuosidade, de maneira desligada a outras habilidades, traz somente uma performance sem ou com poucas falhas. Não necessariamente épica ou olímpica.
    Isso me traz uma dúvida.
    Se olharmos pra um músico qualquer, conseguimos dividir diversas habilidades a eles.
    A rapidez do tocar, a limpeza do som, a capacidade de criação, e assim vai…
    Seria necessário 10 mil horas para atingir um nível épico em cada uma dessas habilidades?
    Eu suponho que sim. E é exatamente isso que traz a tamanha diversidade em qualquer tipo de arte que conhecemos.

    Até arrisco dizer que Talento é ter 10 mil horas gastas de maneira única… mas isso eu vou deixar pra pensar outra hora.

    • Rafa

      Toda habilidade pressupõe um conjunto de processos. Falar fluentemente, por exemplo, envolve coordenação motora oral, controle da respiração, capacidade de organização de idéias, capacidade de audição, etc.Dá pra destrinchar ad infinutum qualquer habilidade, e eu acho isso válido em alguns momentos de estudo. Ainda assim, acredito que não faça muito sentido esse tipo de visao que deixa de focar no todo e olha apenas para as partes. Não faz sentido desenvolver esses conjuntos de habilidades de forma separada. Seria como aprender a dirigir mexendo primeiro no volante para depois aprender a usar a embreagem e só depois o freio. Um lutador não dá socos, chutes, agarramentos e finalizações. Ele luta. Um cozinheiro não prepara caldos, massas e carnes. Ele cozinha. Um músico não executa notas limpas ao longo do tempo e de acordo com a harmonia. Ele toca.Eu acredito que parte do treino das 10k horas também seja clarear a ideia que o praticante tem da própria prática, e do que ele deseja fazer com aquilo.

  • Carlos Vinicius

    Treinar 10 mil horas para virar um mestre em determinada atividade realmente compensa ?
    Acho que depende da forma como você leva a vida.

    Eu tenho plena consciência que a vida é apenas uma passagem, e passa muito rápido, se for para gastar 10 mil horas em uma atividade, que seja ajudando o próximo, ao invés de pensar no próprio bem estar.

    E a varias formas de ver um mestre, não considero Messi um mestre, mas muitos discordam de mim, na verdade não idolatro o futebol e nem vejo graça nesse esporte, seu pai pode ser seu mestre ou um cantor de determinada banda, mas acho que nenhum deles buscou fazer o que faz para impressionar o homem, os verdadeiros mestres, fazem o que realmente lhes dão prazer, o que amam e não o que vem lhe trazer gloria, a gloria é uma recompensa, um ato de reconhecimento de um homem perante outro.

    Não busque a gloria do homem, mas busque a gloria de DEUS, meu mestre é Jesus e eu sigo os seus passos, mesmo que eu seja falho tento fazer aquilo que Jesus pregou.

    • Rafa

      Se compensa ou não eu não sei. Cabe a cada um decidir o que quer fazer da própria vida, e arcar com as demandas e consequencias das próprias escolhas

      Dependendo da ativdade, 10k horas de treino é pouco. Determinadas tarefas – incluindo-se aí muitas práticas destinadas únicamente ao benefício dos outros, como medicina ou magistério – demandam uma depuração e amadurecimento de habilidades.

      Entenda: nem sempre alguém busca maestria por vaidade.

  • Carlos Vinicius

    Treinar 10 mil horas para virar um mestre em determinada atividade realmente compensa ?Acho que depende da forma como você leva a vida.

    Eu tenho plena consciência que a vida é apenas uma passagem, e passa muito rápido, se for para gastar 10 mil horas em uma atividade, que seja ajudando o próximo, ao invés de pensar no próprio bem estar.

    E a varias formas de ver um mestre, não considero Messi um mestre, mas muitos discordam de mim, na verdade não idolatro o futebol e nem vejo graça nesse esporte, seu pai pode ser seu mestre ou um cantor de determinada banda, mas acho que nenhum deles buscou fazer o que faz para impressionar o homem, os verdadeiros mestres, fazem o que realmente lhes dão prazer, o que amam e não o que vem lhe trazer gloria, a gloria é uma recompensa, um ato de reconhecimento de um homem perante outro.

    Não busque a gloria do homem, mas busque a gloria de DEUS, meu mestre é Jesus e eu sigo os seus passos, mesmo que eu seja falho tento fazer aquilo que Jesus pregou.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1660744155 Thiago Barbosa

    Vale lembrar que muitas pessoas não requerem tanto tempo para desenvolver plenamente certas habilidades. Do mesmo jeito que muitas habilidades também não necessitam de tanto tempo para serem desenvolvidas.

    Se você gosta do que está fazendo, se faz por amor e tem prazer naquilo, sendo que não há nada nem ninguém que o desanime de executar tal função, certamente 50% do tempo, ou bem menos, já seria o suficiente.

    Um exemplo: eu gostava demais de andar a cavalo (nos tempos que morava numa fazenda, até hoje gosto, lógico!), mas nos primeiros dias que eu montei, caia do nada, mesmo com o cavalo somente andando eu não conseguia me equilibrar (vergonhoso, eu sei :/). Mas em menos de 2 meses de muita insistência, e quedas, eu me tornei um verdadeiro cavaleiro :) Não caia mais nem se o cavalo caísse junto !

  • Everton Rodrigues

    99% (ou algo do tipo) dos cursos universitários têm menos de 4 horas de aulas/dia.

  • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

    um cara com certa aptidão em determinada atividade não demoraria muito menos ou um tempo relativamente menor do que 10 mil horas para atingir um nível extremo?
    Por exemplo, o Messi. Ele já nasceu com habilidade nas pernas e coordenação que lhe permitiam se destacar desde cedo entre os outros garotos. Com muito treino ele se destacou, mas no caso dele, acho que ele nem precisou de 10.000 horas para atingir um nível espantosos de habilidade

    • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

      Arthur, teu pensamento é válido. Mas só que ele precisa bem mais do que 10.000 horas pra se manter no topo. Porque se ele não treina o talento só não basta, pois atrás dele tem um monte (tipo Cristiano Ronaldo) querendo ultrapassá-lo. 
      O mesmo valeu por exemplo para Rafael Nadal a alguns anos para ultrapassar Federer e pra Djokovic agora no momento que vive. 
      Só talento não basta, tem que ralar pra caralho. Se não tem talento então… rsrs

    • Rafa

      Arthur, aptidão existe. Dom, dna, graça divina, sorte, tudo isso existe. Mas esses fatores isoladamente não contam.

      O próprio Messi, por exemplo. Se fosse acreditar que sua doença óssea fosse um fator decisivo, hoje ele estaria fazendo outra coisa da vida.

      Digo mais: com certeza ele não era o único garoto fodão no meio de um monte de pernas de pau, por uma simples questão de estatística. Ele deve ter jogado bola com moleques do mesmo nível, ou até melhores que ele. Moleques em quem ele se espelhou em vários momentos.

      Só que ele seguiu o rumo dele jogando, e foi parar no Barcelona, durante muitos e muitos anos. E hoje ele é o que é justamente por isso. Não dá pra dissociar o talento do cara do tempo investido em sua transformação.

  • Lucas

    Já havia lido algo sobre isso no askmen. Acho exagerado se basear em uma faixa de tempo assim para se aprender alguma habilidade, mas é uma boa média pra acordar aquela galera que pensa que vai chegar a algum lugar com 30 minutinhos de treino/estudo 2 vezes na semana

  • http://www.facebook.com/people/Marcio-Diniz/100000180717236 Marcio Diniz

    O texto é ótimo. Motivador. Relembra-nos de quão valioso é o espírito de dedicação e trabalho duro. O número de 10000 horas parece somente uma parábola para afirmar que grandes resultados exigem grandes esforços. Contudo, eu não li o texto original, talvez, exista uma base científica, apesar de ser descrente que exista tal número redondo sobre um assunto tão complexo.
    E o mais importante, é preciso cautela. ”Eu chego lá” de Martha Medeiros no livro 
    Non-Stop – Crônicas do Cotidiano é um contraponto interessante para reflexão.Espero que o Messi seja mais do que um jogador de futebol. 

    • Rafa

      Olha, o grande mérito desse tipo de teoria é dar uma mínima noção do tempo de preparo necessário para se tornar realmente bom em algo. ter uma estimativa de horas é muito melhor que praticar de forma indefinida, sem saber como, pra onde e em quanto tempo chegaremos.

      Com base nessa contagem de horas, dá pra montar programas de estudo e criar estratégias para alcançar a meta.

  • http://www.facebook.com/people/Fernando-Gouveia/1770199954 Fernando Gouveia

    Muito foda o texto, Rafa.

    • Rafa

      Po, valeu Fernando =D

  • Joe McNamara

    Oyama já falava antes do mr K. sobre a diferença de treianr 1000 dias e 10000 dias.

    Valeu a pena conferir a película Baramui Fighter.
     

  • Thomas

    2 horas por dia durante quatorze anos
    3 horas por dia durante dez anos
    8 horas por dia durante três anos

    Quer dizer que se eu viver ainda 4 décadas , posso “mestrar” em 4 áreas da minha escolha estudando 3 horas por dia.

    3 horas por dia durante uma década, não é um sacrifício tão grande se a pessoa estiver fazendo o que gosta.

    • Rafa

      É por aí.Mas você ainda pode aumentar ainda mais a contagem de horas de uma determinada atividade e deixa-la ainda melhor.Qualquer que seja sua escolha, boa sorte. =)

  • Adrianot_silva

    Tou fudido então, só vou chegar ao nível pretendido no saxofone quando tiver com 54 anos…ou não.

  • Anderson

    Na verdade, Beethoven tinha o famoso ouvido absoluto (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ouvido_absoluto)
    Entre outras habilidades, quem tem OA consegue compor sem ter nenhum instrumento o alcance, pois sabe exatamente como soam as notas. Porém, ninguém tem essa habilidade se não ouviu algum dia, e ele jamais teria composto qualquer coisa se tivesse nascido surdo.

  • http://www.facebook.com/alfarichard Michael Richard
  • http://donluidi.wordpress.com/ don luidi

    Texto muito bom. Por diversas vezes desistimos sem nem ao menos tentar, ou pior, caminhamos um monte por duros caminhos e quando estamos quase no cume da montanha, desistimos. Fazer qualquer coisa na vida, exige sacrifício de tempo e outros confortos que possamos ter.

    Não existe nada, absolutamente nada, que não possamos aprender. É só lembrar como aprende-se a tabuada. Agora o X da questão no meu ponto de vista é a definição de um único ponto focal em que mirar. Hoje em dia somos bombardeados diariamente com ‘opções’ de coisas pra seguir, pra fazer, que diante desta tempestade cerebral acabamos não escolhendo nada, ou na grande maioria das vezes escolhemos o mais cômodo e fácil e atrofiamos nossos dons escondidos.

    Com o perdão da palavra, puta texto.

  • Dalton

    Pra que as 10k horas tenham qualquer resultado perto do prometido – o épico -, é necessário que seja feito em pouco tempo.
    Os “feras” de nível épico praticam DIARIAMENTE, VÁRIAS horas por dia.Não adianta o cara fazer 4 horas por semana, ele vai levar a vida toda e não vai conseguir um nível épico (mas pode ficar entre razoável-ótimo). Digo isso por experiência própria como violonista, e qualquer outro que toque instrumento, faça esportes, pode confirmar: sem a prática constante, a habilidade adquirida durante as horas é jogada fora, aos poucos (apesar de que se o cara é “épico”, ele vai te humilhar mesmo não estando no ápice dele).E, justamente por causa disso, é impraticável alguém fazer as 10k horas de um hobby. A não ser que o cara tenha MUITO tempo de sobra fora do trabalho, ele terá que viver dessa atividade “épica”, pois terá que se dedicar muito a ela.Em outras palavras, de um ponto de vista REALISTA, não, meu amigo, a não ser que você viva pra sua atividade, você nunca será “épico” nela (é claro que existem exceções e exceções…).

  • http://www.facebook.com/xaviernandes Leonardo Xavier

    Depende-se muito do “brain ki U have”
    Generalizar é um erro, há pessoas que você vê que realmente ao iniciar as atividades serão mestres em muito menos de 10 mil horas.
    Pessoas estas que podem virar mestres em instantes, num mundo tão relativo pessoas com inteligências, vivências, condições de vida tão diferentes praticar sempre leva a perfeição, acreditos que muitos sejam mestres em muitas coisas, outros em algumas, alguns em nenhuma.
    Em um mar de infinitas possibilidades não podemos dúvidar de talentos espontaneos que simplismente surgem já mestres, expert’s e podem ir muito mais longe.

  • Fábio Farias

    Muito bom o artigo. Interessante que pratico Kung Fu há cinco anos e a filosofia da arte marcial (tanto para o treino, quanto para a vida) é exatamente essa: disciplina e treino em tudo. 

  • Luisgc

    Pra botar lenha na discussão: leiam a respeito de Laszlo Polgar, pai e “criador” das irmãs enxadristas Zsuzsa, Zsofia e Judit Polgar. Ele acreditava que “gênios não nascem, são criados”. Resolveu colocar sua teoria em prática, “recrutando” uma esposa disposta a criar filhos enxadristas. Num mundo até hoje dominado por homens, Judit tornou-se a maior jogadora de Xadrez de todos os tempos (única a figurar entre os 10 maiores enxadristas do mundo – hoje, em fim de carreira, ainda é top 30). As irmãs também se tornaram Grandes Mestras.

  • http://www.facebook.com/michel.figueiro Michel Figueiró

    Na boa.. o texto é ótimo, a idéia é interessante mas preciso deixar registrado uma coisa. No mínimo 90% da população do mundo se treina-se 10 mil horas não jogaria bola como o MESSI. Não teriam composições como a de Bach. Não se tornariam todas elas bilionárias como Eike ou Warren.
    Tipo o Anderson Silva treinou 10 mil horas, mas o Victor tbm deve ter treinado, no mínimo umas 5 mil horas, e isto por si só não justifica uma luta de 20 segundos.

    Existe algo por trás, não temos todos o mesmo roto, a mesma digital e a mesma capacidade para determinada tarefa ou as mesmas circunstancias da vida.

    Podemos melhorar sim… mas a beleza da vida é justamente não sermos todos os iguais!!!!

    e viva a Diversidade! Viva ao PdH.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1660744155 Thiago Barbosa

    tava vendo esse vídeo e lembrei do texto: http://youtu.be/49SD-oL0RGg

    poots, parece mentira o que esse cara consegue fazer!
     

  • Thomasmannbr
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  • Pingback: Os quatro estágios da competência em qualquer tarefa | PapodeHomem

  • Angelo

    Nossa, que surra!

    Foda o/

  • Renato Araújo

    Tenho o péssimo hábito de querer saber de tudo um pouco. É algo que por mais que eu vá tentar lutar contra, obsta minha vontade. Fico uma semana pesquisando sobre determinado assunto, e depois disso, minha cabeça desvia o foco da atenção pra uma atividade completamente diferente.

    No fim das contas, sou um mediano tudo. Sei tocar teclado, mas não muito. Jogo video-game relativamente bem, mas não chego a ser um mestre. Estudo um pouco de todas as matérias, e por isso, garanto meus oitos na média do colégio. E por aí vai mais umas centenas de pequenas habilidades que tenho. Entretanto, não tenho mérito exclusivo em nada. Acho que vou ser pro resto da vida um aprendiz de tudo, e quando morrer, terei no máximo algumas medalhas de bronze em uma gaveta qualquer, por mais doloroso que pareça.

    Mas não acho que isso seja de todo ruim. Uma pessoa que se dedica tempo demais em uma única atividade (as tão faladas 10.000 horas) dificilmente terá tantas habilidades quanto eu tenho. Minha capacidade de abstrair de tudo um pouco pode até não se adequar à lógica capitalista, que requer especialização pra ser reconhecido. Entretanto, tenho consciência de que saberei manter um diálogo muito mais heterogêneo do que essa pessoa. Posso não poder me gabar perto de um expert, mas vou poder me gabar perto de um aprendiz – esses que existem em uma proporção muito maior do que os profissionais; apesar de ser meio idiota essa ideia de “poder se gabar”. Acho que todo mundo deveria aprender as coisas não pela vontade imperiosa de se achar superior que o outro, mas sim por um prazer individual de ser de fato “bom” em algo. De se sentir útil e capacitado.

    Enfim, se você não se considera bom o suficiente em nada, e isso não te faz falta, não vejo muito motivo pra se especializar. A não ser que você realmente queira isso. Ser um aprendiz nato tem sim seus benefícios. Ah, se tem.

  • Jorge

    É muito bom saber disso. E eu sei exatamente o que praticar. 21 anos, me aguarde.

  • Pingback: Medo como motivador de aprendizado | PapodeHomem

  • Pingback: Aprender pelo medo é um lixo | Mugango

  • Lucas

    Uma leitura:
    Mastery, George Leonard

    • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

      Mais uma pra wishlist da Amazon =)

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